Suspeitos de amarelo

sexta-feira, julho 05, 2019 · 0 comentários




Catraca da estação Jd. S. Paulo. Metrô. Casal branco de camiseta da "selecinha" brasileira. O homem branco disse algo sobre o Moro para a metroviária, que optou pelo silêncio e simpatia no rosto. Deve ser petista, disse o homem branco de amarelo. E completou: "Pela cara...". Sua esposa nada respondeu, acompanhando-o como provavelmente sempre faz.

Ele olhou-me.  Mantive a cabeça erguida com os olhos adiante. O casal de branco e de amarelo desceu uma escada. Eu desci outra.

Desavisado, calculei que haveria manifestação pró-Moro. Foi quando passei a suspeitar de todos que estivessem de amarelo, mesmo que não fosse a camiseta canarinho. E aqui vale uma ironia: o atual ministro do meio ambiente mataria facilmente um canário, sobretudo se estivesse em extinção. Seu patrão diria que matar tal passarinho é bom. Quando seus eleitores concordariam fazendo sinal de arma com as mãos. 

Dito isto, eu também me tornara um suspeito. Ocorre que eu também vestia amarelo, para meu desassossego. E mesmo que a minha camiseta trouxesse um grito contra o fascismo, a cor prevalecia. Aos olhos alheios, eu era um defensor de pessoas que atentam contra a democracia.

No domingo em questão, eu saíra para almoçar. Optara pelo Sesc Pinheiros, cuja linha do metrô que me levava era a Amarela. O dia se tornara uma grande ironia.

Sesc Pinheiros. Fila para acessar à comedoria. Fiquei ali uns 30 minutos exposto. 

Ziborgi. Professor universitário conhecido meu. Olhou-me de forma estranha. Pensei ser em função do amarelo. Apertos de mão, e eu sentindo-me julgado de forma injusta. Logo eu, um sujeito progressista e democrático. Conformei-me: haveria oportunidades de esclarecimento. Enfim, eu era suspeito. A cor usada me condenava. 

Após o almoço, não me furtei de uma taça de vinho tinto. Duas xícaras de café completaram meus gastos. Houve ainda um brigadeiro com amendoim. 

Ao partir, optei pelo ônibus como meio de transporte. O belo veículo me levaria ao bairro em que habito. Mas resolvi errar: desci na região da Paulista, justamente onde teria se dado a manifestação. De toda forma, vi um resto de gente vestida de amarelo. Quase ninguém.

Durante o regresso, concluí que seria possível agradar progressistas e conservadores. Os primeiros com os dizeres da minha camiseta contra o fascismo. Os demais com a cor. 

Mas não nego que desagradar conservadores causava-me algum prazer. Não sei se algum deles notou. E se notou, não faço ideia se entendeu. É provável que não.


O dia hoje é outro, e o amarelo prossegue. O fato é que me matriculei em uma academia, cuja cor de destaque é o amarelo, embora o preto prevaleça. A simpática atendente disse-me, após os procedimentos de sempre para quem se matricula, que a professora estaria de amarelo. No decorrer dos treinos, duas ou três pessoas de amarelo entraram em meu campo de visão, o que me fazia confundi-los com professores. Até que decifrei o ambiente e deixei de me confundir.

Outro dia, quando teremos jogo da "selecinha" brasileira. As desconfianças se seguem. Aqueles que hoje vestem a camiseta canarinho, eu não consigo vê-los como torcedores. O fato é que tal camiseta foi deturpada. Politizaram o uniforme e geraram antipatia por parte de pessoas progressistas. Cito-me como exemplo. 

Somado ao citado acima, tem-se o vexame do sete a um, quando fomos humilhados. Ironicamente, aqueles que furtaram as cores do Brasil para expressar nacionalismo, são os mesmos que flertam com regime sanguinário que se deu no país que enfiou sete gols nas redes brasileiras.

São vinte uma horas e nove minutos. A próxima estação é a Carandiru. Desembarco no Tucuruvi e lá embarco em um táxi. Às 21h30min tem Brasil contra a Argentina. E vai ser no mesmo palco do 7 a 1. E, por mais estragos que os fanáticos fizeram à camiseta amarela que hoje entra em campo, não tem como perder o maior clássico do planeta.  

Eu calculara que terminaria o texto no parágrafo anterior. Mas não o fiz, conforme planejado. O Brasil se classificou para a final. E hoje li num site de notícias que o presidente Bolsonaro irá ao estádio ver o jogo. Quando então, como se fora um candidato, jogará para a plateia e fará seu sinalzinho de arma. Entre vaias e aplausos, alimentará seu ego. Muitos que o aplaudirão estarão vestindo a cor aqui mencionada. No dia deste jogo as ruas estarão repletas de suspeitos de amarelo. Ninguém mais olha para o amarelo indiferente. O Brasil mudou, descendo para o subterrâneo das ideias. E o futuro está com uma cara nada boa, meio amarelada...







Pratos de sopa

quinta-feira, junho 13, 2019 · 0 comentários


Foi uma fase. Eu iniciava confessando dificuldade para escrever. Advertiram-me que eu estava repetitivo. Acatei. Daí, guardei para mim os obstáculos para lançar palavras ao papel ou à tela de um computador. Os smartphones não haviam chegado ainda. 

Hoje uso mais o pequeno teclado do celular. Assim, posso escrever em qualquer lugar que seja permitido permanecer com o aparelho ligado. Uso a função "rascunho" do meu e-mail particular. Trabalho em off.

Em outros tempos fazia confissões das emoções. Hoje isso é raro. Opto por narrar minhas andanças. Fatos. E poucas aventuras. Quase nada.

Tenho lido. E não nego: o celular me afastou dos livros. Não completamente. Mas a intensidade com que folheio páginas de papel diminuiu bastante. Mas eu tento.

Cervantes e Pessoa são os autores os quais estou lendo. Dois gênios da literatura. Espanha e Portugal.

Os fatos vão se dando. Boa parte é esquecida. Não sei quais são os critérios da nossa memória. E esquecer muitas vezes é uma forma de defesa. 

Regresso. Vou para casa. Cansado, certo desânimo me domina. De certo, sigo decepcionado. Com tudo. Sobretudo, comigo. É fase? Melhor que seja.

Lembranças. Aquela noite. Eu, em terreno que me desagradava. Música alta e corpos dançantes. Eu, sentado. Se levantei, foi para buscar outra garrafa de água. Ou para ir embora e sumir daquele local. Não foi uma boa escolha aquela casa noturna em Moema.

Nilton Beato me acompanhava. Éramos dois caçadores, ainda que na intenção. Faltavam em nós talento e ingredientes. O fracasso era o mais provável.

Quatro mulheres sentaram-se a uma mesa próxima. Dentre elas, uma se destacava. Falo de beleza. Todavia, sua postura nos fez receosos. Ou teria sido sua sensualidade e beleza que nos retraíra? 

Ela olhou como quem buscava olhares. Eu optara por ignorá-la para mais tarde render-me ao seu belo par de pernas. Ela não deixou por menos: fez de mim alguém inexistente.

Beato trocou sorriso com a mulher em questão. Assustado, declinou do flerte. E indicou preferência por uma outra que denotava mais amadurecimento. Coube a mim fazê-lo se aproximar dela.

Quinze mil reais. Foi o empréstimo que a loira madura fez ao Beato. Passava por severas dificuldades, alegando pressão de agiotas. Tal pedido seu talvez tenha sido no terceiro encontro do casal. E foi o último. A mulher ainda lhe mandou mensagens. Queria entender o afastamento do seu pretendente a credor.

A vida é dura, como disse o personagem principal no filme "Cheiro do ralo". Se vale à pena é outra questão. Cansa às vezes, não dá para negar. Na sequência de dias, as circunstâncias fazem de nós meros personagens. Quase sempre medíocres.

Havia não muitos dias, eu estava solteiro. Eu fora ao apartamento de um ex-professor, hoje um amigo. Ali, no Baixo Augusta. Região fantástica. Luís Eduardo Nogueira é um privilegiado em morar no local citado. Fui lá para conversarmos sobre um projeto. 

Um casal de amigos também o visitava. Eu, solteiro, autoestima boa, fiquei de olho na moça, embora ela não tivesse chamado tanto a minha atenção.

Entre boa conversa e música, anotei o telefone dela. Sedução e convites ficariam para outros dias.

Saímos duas vezes, e não fomos além de beijos. Traumatizada por uma separação temperada com os ingredientes de sempre, era eu o primeiro que ela se interessava. 

Pratos de sopa não foram servidos. Naquela noite o frio intenso nos fez declinar do encontro. Nos sábados seguintes compromissos fizeram com que adiássemos as sopas, que seriam servidas no Varanda Copan. 

Preciso conversar com você, disse-me a moça. A experiência já deixava bem claro do que se tratava. Você vai entender, completou. Voltaria para ex-namorado, que lhe pedira uma segunda chance. Deixou claro que não haveria mais chances.

Pediu-me conselho após alguns dias passados. Estava em dúvida. Fui sincero e sugeri que o seu ex se reaproximara levado pelo ego. De certo, saber que ela saia com outro homem não lhe era fácil.

Não foi nossa última conversa. Houve uma outra com intenções de marcar um encontro entre casais. Ela levaria uma amiga para conhecer o Beato dos parágrafos anteriores. O amigo ficou entusiasmado. Para depois saber do silêncio da moça das sopas. 

Os dias seguem. Não sei se voltarei a falar com ela. Sigo tranquilo. O que se passa de fato, ignoro. Talvez ela tenha reatado com ex e se sente envergonhada de falar comigo. Ou pode ter sido proibida de manter contato. Melhor que não seja algo mais grave. Por enquanto, não há notícias dela.


A vida de solteiro é errante. Eu, homem comum, não sou servido de grandes aventuras. Tento, ao modo meu, regrar com glamour os dias que o trabalho me oferta descanso. Mas a grana é curta e o estado emocional nem sempre me favorece. E ultimamente a letargia tem me escravizado. Tem sido dias difíceis. Se são circunstâncias, melhor assim.

Ontem foi quando iniciei este texto. O fiz num vagão de trem do Metrô de Sampa. Não havia um frio exagerado. O último trecho até a minha casa foi realizado de ônibus. Assim que cheguei, fui direto para a cozinha como de costume. Sobre o fogão, visualizei uma panela. E desejei que fosse uma sopa. E assim finalizei meu dia. Um prato de sopa foi servido. 



Não é o fato que importa

terça-feira, maio 28, 2019 · 0 comentários

De repente, palavras ditas aos berros. Meus olhos buscam o fato. Não sou o único. Desavenças alheias chamam a nossa atenção. Dois homens de preto ouvem os insultos de um terceiro. São os vigilantes do Metrô. O rapaz que é conduzido para fora da estação demonstra grave indignação, e o faz de modo agressivo, que é fruto do seu inconformismo.

Num primeiro momento, fiz a leitura de que se tratasse de um lutador de jiu-jitsu, dado o porte do rapaz. A mente é que busca decifrar o que olhos veem, ouvidos ouvem. São as informações dadas pelos sentidos. As situações podem ser as mais variadas e os sentidos podem ser outros.

Falando em alto tom, informava ser casado. Culpava um dos agentes de segurança pelo gás de cozinha que não levaria para seu filho. Colava a cara à cara do funcionário do metrô, que se mostrava um pouco tenso. Cheguei a calcular que temia a irritação excessiva do rapaz. Seu companheiro ao lado estava atento, pronto para agir como fosse necessário. Desconfiei que haveria agressão física num dado momento, tamanho o modo ameaçador como esbravejava com o agente, aquele homem de toca, camiseta, bermuda, meia e tênis.

Fez a ameaça da perseguição. "Você não vai mais ter sossego em sua vida". Passou pela catraca e teve que tolerar sorriso cínico do seu algoz. Indignado, protestou aos berros. Lembrou mais uma vez o gás de cozinha, o filho, a casa. Num ato de extremo, jogou sua mochila ao chão e chorou enquanto reclamou. Fragilizara-se. Já não era mais aquele que forjava valentia. Buscou o público numa espécie de discurso. Queria algum tipo de apoio. Fazia política e se mostrava hábil.

Ali, permaneceu encostado ao parapeito. Funcionários do Metrô o observavam atentamente. Usuários faziam o mesmo, mas com curiosidade. Alguns até parados como que assistindo a um show.
A minha leitura, eu interrompera para o fato fazia alguns minutos. Meus olhos eram frios, não nego. Rapidamente, fiz simples reflexão, enquanto retornava à leitura e vez ou outra observava o rapaz parado, indignado, olhos mareados.

Quando vi que o agente de segurança estava ao telefone, pensei que estivesse acionando a polícia. Declinei da frieza e fiz torcida para que o jovem abandonasse a estação. Mas outra vez mais minha mente errou na interpretação daquilo que lhe era transmitido pelo sentido da visão.

Um homem que puxava uma das pernas, desceu escada rolante e falou ao longe com o rapaz, que ouvia atentamente. Lá da plataforma, fez discurso. Pediu para que não fizesse nenhuma besteira, que tomasse cuidado com a "cabeça". Até que se foi , não sei se no primeiro trem que passou. O jovem expulso, ouvia e concordava, meneando a cabeça. De qualquer forma, parecia querer se livrar daquele que parecia pregar.

A reflexão que fiz foi que o fato ocorrido era o menos importante. O agente de vigilância do metrô apenas cumpriu sua obrigação ao expulsar o rapaz do trem, que vendia produto qualquer num dos vagões, o que é terminantemente proibido pelo Metrô. Neste sentido, não cabe indignação contra aquele que desempenhou seu papel, ditado pelas normas da empresa para o qual ele trabalha. O problema ali era a situação de desemprego daquele que buscava sobrevivência, cuja condição era agravada pela má ou nenhuma preparação profissional , fruto de um sistema de ensino que está entre os piores do mundo, consequência de uma sociedade tão desigual.

Prender-se ao fato, como fariam os jornais, é limitação proibida aqui. Abro espaço para fazer a crítica aos periódicos, que se limitam, muitas vezes, apenas aos fatos, sem aprofundamento reflexivo. Podem defender que isto é característica das revistas, que os jornais funcionam de modo diferente. Se assim for, o leitor terá a velocidade da internet como melhor opção. No dia seguinte, a leitura da notícia no jornal deixará de ser feita, algo que, por exemplo, já fiz diversas vezes, posto que já sabia do ocorrido, uma vez que já fora noticiado por site qualquer de notícias.

Passaram-se alguns minutos e aquele que fora reprimido pelas forças do metrô insistia ao parapeito. Decidira que retornaria ao trem para prosseguir com seu comércio. Mas o agente de plataforma estava de olho nele. Este, bem que tentou o retorno, quando burlaria outra regra que é o pagamento pelo acesso à plataforma de embarque. Mas foi impedido. Após a segunda tentativa, renunciou ao objetivo seu. Deu as costas ao funcionário vigilante e não se voltou mais, caminhando para uma das saídas daquela estação do Metrô paulistano.




Rumo ao Centro

quinta-feira, maio 23, 2019 · 0 comentários


O mundo muda porque as pessoas mudam? Ou as pessoas mudam porque o mundo muda? Enfim, eu estou mudando. Exemplos: quero mais bem-estar, mais paz. Relato a seguir.

Carro vendido. Compra futura de uma bike. Moradia no centro. Mais: esporte, cultura, entretenimento, educação e amigos. Mais turismo. Mais gastronomia.

Sigo empenhado. Nada é para já, mas desde logo empreendo meus objetivos. E tenho obstáculos a transpor. O principal deles é livrar-me das dívidas.

 O valor da venda do automóvel será usado para pagar um empréstimo e, assim, obter mais liquidez. A pé. De bike ou patinete. Ônibus. Metrô. Táxi. Um carro compartilhado às vezes. Essas são as opções de mobilidade que quero usar. Automóvel próprio nunca mais. Deixo de pagar impostos, gastar com manutenção e seguros. Contribuirei mais para o meio ambiente e o desafogamento do trânsito.

E o objetivo maior: morar no Centro de Sampa. E sozinho, por favor. Sem TV. Sem telefone fixo. Sem garagem. Poucos móveis. Iluminação e arte. Um local para dormir e pouco ficar. Aluguel a pagar. Bem-estar em primeiro lugar. 

O Centro de Sampa é um local que me fascina. Muita vida. Cultura. Diversidade. Diversão. Arte. Glamour. Tudo perto, como costumam dizer. 

Vou sempre ao Centro. Na Major Quedinho frequento o "Chega Mais Bar". Às vezes sozinho. Poucas vezes, em verdade. Quase sempre estou acompanhado de amigos. Os garçons atendem bem. O público é diversificado. A região ferve de pessoas para lá e para cá.

Hoje moro no Tucuruvi. Bairro da zona norte. Região de muitos morros. O Metrô serve bem a região. Tem comércio. 

A rua em que moro é absolutamente residencial. Casas consideradas belas por quem as acham belas. Classe média com carrões e pouca cultura. Individualismo gritante. Monotonia. Famílias. Tédio. Tudo que não me serve.

Por isso, vez em sempre, vou para o Centro atrás de vida. Aqui no Tucuruvi as pessoas inexistem sem saber. Pego outros caminhos e busco existir. Essa mediocridade da classe média não me serve.

Bela Vista é meu bairro preferido. Mas os preços dos aluguéis são altos. Campos Elísios possui preços melhores. E a região também é muito agradável. Trata-se de uma opção. 

Entenda. Não estou sozinho nesse meu movimento. A busca pelo Centro vem ocorrendo faz tempo. E há estratégias dos administradores públicos, bem como dos empreendedores. Na região há emprego e infraestrutura completa. Neste sentido, a qualidade de vida é melhor.

Em frente ao Bar Estadão uma construtora ergueu um belo prédio com pequenos apartamentos, os quais possuem sacadas. Imagine morar ali e a qualquer hora atravessar a avenida e se deliciar no Estadão? Um privilégio, sem dúvida. E isto é apenas um exemplo.

Hoje é domingo e já são quase 17h. Daqui a pouco, eu e um amigo que loca um quarto na minha casa iremos à Bela Vista comer uma porção de torresmo. Sentaremos à mesa. Jogar conversa fora, enquanto observamos o fluxo de pessoas. Nosso deslocamento será feito de trem da linha Azul do Metrô. Esse mesmo amigo já me questionou provincianamente por que não optamos por um bar perto de casa. Não adiantou muito eu explicar sobre a diferença de público. De qualquer forma, o amigo em questão também é um amante do Centro. É possível que seu questionamento tenha se dado mais em função de preguiça do que de provincianismo.

Enquanto a ida ao Centro não se dá, ouço o burburinho das famílias nas casas vizinhas. Hoje não há gente cantando. Não sinto o cheiro de churrasco. Do meu quarto ouço minha mãe tossir. Deitado, descanso da semana de trabalho. O livro ao lado descansa. O calor diminuiu. A vida vai seguindo. As emoções estão boas. Tudo parece normal. Mas as coisas nunca estiveram normais. Há que se fechar os olhos para seguir.




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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


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