Rumo a 2018

domingo, outubro 08, 2017 · 0 comentários

Trem noturno para Grajaú. Eu parafraseava o bom filme "Trem noturno para Lisboa", com o excelente Jeremy Irons. Dirigia-me para a casa da minha bela namorada, Marilene Sabino, chamada por todos de Mari. No twitter publiquei minha paráfrase, citando dois fatos que vi. Uma roda de jovens, em que observei a palavra mais repetida por eles: "mano". Depois, uma dupla feminina. Que cantava música gospel. Desafinação e pseudo entusiasmo. É assim mesmo: eu não creio no entusiasmo do religioso. Se existe, é inventado, e o prazo de validade é curto. 

Era uma noite de sábado. Eu trabalhara sete horas. Tive a boa cia do meu grande amigo Alan Davis, já mencionado aqui. Somos "amigos de copo e de cruz". Fazemos parte do regime CLT dentro da instituição que nos emprega. E temos objetivos diferentes. Alan estuda para se tornar professor universitário. Eu caminho para o que chamo de fórmula híbrida: CLT + trabalho autônomo. 

São rumos e são buscas. E a vida segue. Tentar é importante, isso é dizer mais do mesmo. E no que se tenta, estratejar é fundamental. E isso são lições aprendidas durante a vida. Foi o tempo de passo em falso. Já passamos dos 40 anos. 

Ia para o Grajaú, subdistrito em que mora minha linda e adorável Mari. Teríamos algum tempo juntos. Faz sete meses que namoramos. Eu que passei anos sem uma namorada, vivendo de escassas e inúteis aventuras. Demorava. O tempo ia passando. Eu, solteiro. Negando pretendentes. Sendo questionado. Advertido que escolhia demais. Mas permaneci na minha posição. Escolhi. Não que houvesse tantas opções. Elas existiam, eram  poucas, sim. E mesmo nessa escassez eu negava as mãos (e todo o resto) às pretendentes. Até que surgiu a Mari. E, passadas algumas dificuldades, o ajuste da sintonia se deu. E hoje navegamos juntos em mar de harmonia e muito amor. Mari é de fato a única mulher que amei de verdade.

Da estação Pinheiros até a estação Grajaú são muitas paradas. E eu vou lendo notícias ou conversando com a Mari por meio de aplicativos. E reflito. Eu quase sempre faço isso. Tenho refletido muito. Bastante tempo sem escrever, mas absorvendo informações e observando muito.

É comum o chamado "shopping trem" nos vagões da CPTM e Metrô aqui em São Paulo. E são muitos os vendedores. Jovens, em sua maioria. Em busca da autonomia e lucros acima de salários baixos e cargas horárias excessivas. Não que estes jovens vendedores trabalhem menos horas. Mas se extenuam de tanto trabalhar, é por conta própria, como costumam dizer. 

Fábio é sobrinho do meu outro grande amigo, o Gama. Trabalhava comigo na mesma empresa que o Alan Davis. Foi demitido após uma reestruturação na empresa. E ele queria ser demitido. Só não esperava que seria demitido do seu outro emprego. Daí, fiou-se às vendas. Inscreveu-se como microempreendedor, pando o INSS todo mês. Hoje Fábio tem uma renda maior da que tinha com dois salários. Trabalha muito, sem dúvida. Mas não tenho má vontade, nem a preguiça de quando era empregado, diz o jovem empreendedor.

O fato é que a carteira assinada será cada vez coisa mais rara nos anos vindouros. É a chamada "pejotização" da economia. No Brasil já foi aprovada a terceirização geral. Muita gente vai virar prestadora de serviços sem registro em carteira. Ou seja, será contratada com pessoa jurídica: PJ. 

Há aqueles que temem o futuro. Eu vibro. Sim, tenho muito otimismo. Mas comigo, não com o país. Eu penso firmemente que ganharei mais dinheiro nos próximos anos. Claro que todos estamos em função do que ocorre economicamente no país quando se fala em dinheiro e trabalho. Neste sentido, parece-me que o ambiente econômico aqui vai melhorar. Teremos novos investimentos. Menos desemprego e uma população menos endividada e mais confiante para novos gastos e tomadas de empréstimos. 

Claro que seguiremos um país com graves problemas sociais relacionados às desigualdade e enorme violência justamento por conta da citada desigualdade. Sobretudo por que teremos muito provavelmente governos alinhados à agenda neoliberal, cuja principal característica é governar para grupos reduzidos, contemplados à partir das classes médias. Abaixo disso, as pessoas que fiquem com sua própria sorte.

E quem será o candidato vitorioso alinhado à agenda neoliberal. Eu acreditava firmemente que seria o prefeito de São Paulo João Doria. Mas política requer análise constante. Hoje penso que Geraldo Alckmin pode ser favorecido pelo chamado voto útil contra duas ameaças altamente conservadoras: Bolsonaro e Doria. Um nos costumes, outro na economia. 

O Jornal Financial Times afirma que Bolsonaro será eleito. Doria diz que as ideias de Bolsonaro são frágeis e vão se desidratar durante a campanha. Eu concordo com o prefeito, e creio que o deputado carioca chegará em quarto ou terceiro lugar. 

A corrida presidencial segue. Lula deverá ficar de fora por uma condenação em segunda instância. Com isto, o PT não terá um candidato com a musculatura do ex-presidente. Marcará território, nada além disso. De certo, ficará de fora do segundo turno, se houver. A esquerda terá Ciro Gomes e Marina Silva como principais candidatos. Dividida, com a presença ainda do PSOL, dará espaço para a direita decidir entre seus candidatos as vagas no segundo turno ou uma vitória já em primeiro turno. E é nessa fraqueza e divisão da esquerda que vejo a oportunidade para Alckmin rumar à vitória, recheado de voto útil de progressistas, temerosos de uma vitória mais ainda à direita do Doria ou Bolsonaro.

Muita água ainda vai rolar. A Lava-Jato ainda ameaça o atual governador de São Paulo. Aécio e Serra já ficaram para trás. Cabe a Alckmin engolir sua cria: João Doria. Livrar-se de eventuais denúncias. Lula deverá morrer na praia. Marina não vai muito além dos 20% de voto. Ciro não tem força. Bolsonaro é só uma onda. E Doria pode ser derrotado pelo voto útil em Alckmin.

Aguardemos os próximos lances no tabuleiro de 2018. Nossa frágil democracia, que anda sendo contestada, passa por um teste difícil. Deverá sobreviver. Mas certamente tem dado passos para trás em relação ao seu fortalecimento. Se tivermos eleições no ano que vem, já deveremos nos dar por contente. Quanto ao resultado, que seja o menos pior para o Brasil.








Xadrez 2018 de um país sem esperança

sábado, abril 15, 2017 · 0 comentários

Alan Davis, amigo de cafés, conversas, risadas e indignações. Ele cobrou-me esta semana que eu use do prelo. Que eu trabalhe mais os textos antes de publicá-los. Esse amigo, Alan, é jornalista. É pensador. Em respeito ao seu intelecto, eu faço uso do prelo. Esse texto é escrito em papel digital antes de seguir para a plataforma do blog.


Ontem eu havia me preparado para um frio mais intenso. A previsão citava mínima de 14°. Meu preparo foi com roupas do inverno passado. É, meu guarda-roupa segue precário como quase todo trabalhador pelo mundo afora. É, as coisas não vão bem para nós trabalhadores. Aos poucos abandonamos a condição de  proletariado para a de “precariado”. Expressão que li em um bom texto de jornal. Sim, há bons jornais. E não são  Folha ou Estadão. Também não são as revistas prestadoras de serviços ao mercado: Veja ou Isto É. Lamento, mas não respeito quem tem apenas estas publicações como fontes de informação.   Estes veículos escrevem para um público robotizado que não pensa. Gente que sabe apenas bater palmas. Divagar, contestar, refletir, comparar , essa gente não sabe fazê-lo.  Uma capa sensacionalista de revista dita a opinião de pessoas assim.  


Sim, leio Folha, Estadão, Exame às vezes. Leio textos de pessoas conservadoras. Mas também leio El país, Nexo, Carta Capital, e diversos colunistas  mais progressistas como Duvivier, Bernado Mello Franco, Laura Carvalho, entre outros. E, citando um conservador que gosto muito, Coutinho está entre meus preferidos.

Então, o que faço é lamentar aqueles que  vivem como depósito de informações as quais são aquelas que agradam. É preciso contestar o seu próprio pensamento.  Aquilo que você crê. Deixa a certeza para os idiotas. E o que não falta é gente cheia de certeza. Confio mais em gente que indaga do que em gente que afirma. Sobretudo quando se trata de indivíduo cheio de raiva e moralismo.  São, sejamos sinceros, boçais, apenas isso. 


Um texto mais agressivo. Combina com tempos bicudos.  Sim, as redes sociais permitem a muitos a expressão de sua imensa agressividade e ódio. Como disse certo estudioso: a imbecilidade sempre existiu.


É nas questões políticas que a agressividade aparece mais. Uma divisão entre simpatizantes do PT e anti-petistas. Fruto da polarização PT-PSDB.  Que fez o Brasil em dois: um lado azul, outro vermelho. 


E as coisas andam feias para ambos os partidos. Carrego dúvidas se Lula estará solto para ser o candidato do PT. Se Alckmin terá condições políticas de ser apresentar como opção tucana para 2018. Aécio e Serra já são cartas fora do baralho. As eleições chegam no ano que vem, e  o tabuleiro do xadrez eleitoral está muito interessante.


Se hoje eu fosse apostar em uma carta, diria que Doria seria o candidato tucano.  No PT, talvez, Haddad como única opção. Teríamos ainda Bolsonaro por algum partido menor e conservador. E ainda Marina e o PSOL. Caiado pelo DEM deve se apresentar também. Quanto a quem ganha, por ora é impossível prever. 


E Temer? Com a popularidade tão baixa seria difícil imaginá-lo candidato. Mas não se pode duvidar. A questão mais interessante é como o PMDB, partido de grande porte e fortemente atingido pela Lava Jato, se posicionará em 2018.


Como se vê, trago mais dúvidas. É, não sou cheio de certezas. Não tenho comigo, referente à política, o cultivo do ódio. Gosto mesmo é de manter-me apartado e refletir. Claro que voto. Tenho meu voto. E ele é meu. O que posso dizer é que não tenho partido, mas meu viés é de esquerda. Sem radicalizar. Jamais. A radicalização é também para os idiotas.


Tenho debatido com amigos. Alguns, apenas. Alguns de esquerda. Outros de direita. Quase todos um tanto radicais. Parece que é mais fácil ser radical. Daí, você, cego, defende e ataca. Jamais reflete. Refletir é algo mais trabalhoso. Necessita ponderação, análise. Impera duvidar. Como se vê, mais fácil é radicalizar. 


Alan Davis, José Gama, Ronaldo Rosa, Luiz Fernando Machado. São alguns dos amigos os quais eu debato. Às vezes até de forma contundente. Seja da minha parte ou da parte deles. Carregamos discordâncias. Nesse pacote tem gente de esquerda e de direita. Tem radicalismo também. Distorções de informações.  Enfim, tem um pouco de paixão como também tem muito raciocínio. Mas talvez o que mais impera seja a revolta. Pois é, o eleitor brasileiro é um sujeito revoltado. Se olhasse mais para o espelho e verificasse seus atos no dia a dia seria mais tranquilo, menos moralista. 

Os nomes citados são todos amigos. Pessoas do bem. E sempre penso comigo, vale mesmo é a amizade que tenho com eles. E esse grupo representa outros grupos. Há aquilo que nos une. Queremos um país com menos corrupção e mais crescimento econômico. Desejamos estar bem. E estendemos isso aos demais cidadãos.  O problema é o caminho. É aí que surgem as divergências. É quando a porta da realidade se abre. E, então, eu sou obrigado a concordar com meu irmão mais velho, Adalton César: o Brasil não tem  jeito. Adalton disse tacitamente: “Não tenho esperança no Brasil”.



Alguns cafés e um mergulho em 2018

terça-feira, março 28, 2017 · 0 comentários

Alguns cafés. E são muitos. Diários. Nem sempre em padaria, bar ou um café. Pode ser em casa. No trabalho, na casa de alguém. Varia. E vida é melhor com variações. Mesmices levam ao aborrecimento.


À mesa da frente um sujeito com aspecto pouco amigável. Vestia jeans e camisa de manga curta. Seu companheiro, que usava roupa social, disse ao celular que era o pastor tal.   Conversou rapidamente, demonstrava ansiedade, e sentou-se outra vez. Falavam, o que deu para ouvir, de desvio de dinheiro da "prefeitura". Não sei qual prefeitura. Citavam o Minha Casa, Minha Vida. O pastor, em um dado momento, virou-se para trás a fim de certificar se alguém ouvia, seu eu ouvia. E eu ouvia. 

Por vários momentos me desliguei da dupla. Claro, seres humanos menores. Depois, quando retornei minha atenção a eles, os comparei à trinca de enfermeiros que se divertia ao balcão daquela padaria. Eles carregavam mais leveza que a nossa dupla de cima. Eu mesmo era alguém mais leve. De maneira que, fiz um brinde à honestidade. A vida simples e honesta é melhor para a saúde. De que vale tanto dinheiro e tanto embrutecimento?

Sábado apreciei um café diferenciado. Foi em um desses desagradáveis shoppings de São Paulo. O problema é o barulho. O ambiente é fechado e a algazarra se espalha. Era o Shopping Eldorado. E foi  no Octavio Café. Serviço e bebida excelentes. Vale o quanto cobra. Ideal será ir à loja na rua. Bem melhor. Mais silêncio e elegância.

Eu estava acompanhado. Minha cia era minha namorada. A bela morena por quem me apaixonei. Era um momento com ela. O palco de nosso passeio, como já dito, não era dos melhores. Repito: um shopping barulhento como todo shopping. A rua sempre é mais agradável e mais democrática. Shoppings vendem uma perfeição irreal.

Marilene, minha namorada, é alguém com opinião. Uma evangélica crítica. Sim, ela já não se submete à religião como em tempos passados.  E não é só ela. Filhas e irmãs percorreram o mesmo caminho. Tudo isso depois de alguns prejuízos emocionais. A vida é meio que isso mesmo: uma coleção de sequelas emocionais. Não estamos livres disso. Tudo depende dos fatos. E, em muitos casos, o indivíduo prova de invenções alheias as quais o preço é ele quem paga. No caso de religiões o preço se pago quando se está dentro e depois que você sai. 

Mari, eu e outros a chamamos assim. Ela segue indignada com o governo Temer. Sobretudo com a reforma da Previdência, o qual os investidores mandaram o nosso presidente executá-la. Deram o preço para que o investimento volte ao país. Mas eles querem ganhar mais, o máximo possível. Neste sentido, pedem que o trabalhador tenha benefícios cortados. No pacote a chamada PEC dos gastos públicos, que congela gastos sociais por vinte anos. E a última facada no trabalhador: a aprovação da terceirização geral nas empresas. 

Temer, como qualquer presidente, quer fazer seu país crescer. Gerar emprego, controlar a inflação. Enfim, o trivial. Todo governante quer ficar bem na foto. A questão é quem paga o preço. O mercado determina que o trabalhador pague a conta. Assim, não se vê deste governo qualquer discussão sobre taxar grandes fortunas, discutir a dívida pública brasileira, aumentar impostos dos mais ricos. Tudo isso deixa a Mari indignada. E ela reflete a indignação de muitos eleitores.

Neste sentido, desconfio seriamente que a gestão Temer deu o discurso que a oposição precisava. A esquerda pode se apresentar, ao contrário de Temer junto com PSDB, como amiga do trabalhador. Mas há um detalhe importantíssimo: a esquerda terá que convencer a classe trabalhadora que não será irresponsável com a economia. O povo não vai querer um repeteco dos desmandos do governo Dilma na economia.

E esse texto mergulha em 2018. Que vem trazendo material para muita divagação. Esse é um ano que todos esperamos que passe rápido. Por quê? Ora, o país precisa  urgente de novas eleições, de um presidente outra vez eleito pelo voto. Alguém com compromisso com o povo.  Pois Temer não passa de uma oportunidade da elite econômica de impor suas ideias mediante um governo impopular que, portanto, não tem nada a perder. 


Terminemos o texto com um café. Por esse blog se vê muita menção a esta maravilhosa bebida. E boa parte dos cafés citados aqui carregam consigo muito elegância e glamour. Terminemos de forma mais simples. Um café requentado e servido em xícara sem pires. Tudo isso em casa. Logo após esta última linha. 



Mudança comportamental de um cidadão

domingo, agosto 21, 2016 · 0 comentários

Pesquisava carros nos sites de ofertas. Desejava efetuar um compra. E me  frustrava. Eu não tinha condições financeiras para fazer tal aquisição. Até que me endividei mais ainda. Consegui um segundo emprego. O passo seguinte foi me enfiar em um financiamento de veículos, o que não demorou. Fiz  o pior negócio possível. Sem entrada, em 48 vezes de 479 reais. Assinei sem perceber, ou ler sem detalhes, a proposta do banco. Embutiram um seguro e um título de capitalização. Tudo feito por impulso. Eu era mais um simples consumidor. Permitia-me ser "assaltado". 

Os meses se passaram. Quatorze parcelas pagas, fora o seguro e gastos recorrentes com manutenção. Eu comprara um Ford Ka 2002. O seguro custa ainda 153 reais ao mês. O meu dinheiro se ia. Perdera  liquidez. E pior, me endividei com o cartão de crédito, tendo que fazer um empréstimo pessoal. O fiz no Just Bank, que conheci por meio do aplicativo Guia de bolso. Minha liquidez se ia de vez. O cheque especial teria que ser usado novamente.  O futuro próximo se anunciava vermelho.

Fora tudo isso, contam mais dívidas pessoais, as quais quero honrar todas. Foi então que depreendi. Ter carro é um erro. Uma insanidade. Uma péssima colaboração para uma sociedade sustentável. Daí então, fui concluindo. Acompanhando as mudanças de cultura realizadas  pela atual gestão da prefeitura de São Paulo. A introdução de ciclovias, a expansão dos corredores de ônibus, além da existência do Metrô, fizeram-me refletir. Sampa foi pautada. Não importa o próximo prefeito, a mobilidade é tema em alta. 

Não. Não dá pra ter carro. Eu, hoje, questiono o conceito de propriedade do carro. O automóvel deve ser compartilhado. De forma alguma ser usado por um único dono. Mas isso leva algum tempo, mas que já estão em gestação os projetos. Ter carro será mais caro e apenas uma parte da população terá. Refiro-me ao mundo como um todo. A indústria automobilística sofrerá fortes mudanças. Tem-se ainda e existência do Uber, além de outros aplicativos de mobilidade urbana. Os interesses da google e da Apple. O futuro próximo é os automóveis compartilhados e autônomos, que passará ser um aliado da mobilidade urbana. Quando deixará de ser uma praga nas cidades.  

Resolvi abrir mão da minha contribuição na poluição da cidade, bem como na piora do trânsito. Não que eu tivesse deixado de lado o transporte público. Não, este seguiu como minha prioridade. E carro era vez em quando, sobretudo nos finais de semana. Mas declinei desta opção. Devolverei meu carro para o banco. Posteriormente, lançarei mão de uma bicicleta urbana e dobrável. Conciliarei bike com metrô. Por ora, somente aos sábados que eu trabalhar. Aguardarei mais infra-estrutura para o ciclista.

Era um sábado. Eu tinha um encontro. Fruto de um app de relacionamento. Ela me convidara para ir ao seu apartamento. Tomei as marginais. E fui bem. O trânsito estava livre e o asfalto bem cuidado. Queimava gasolina. Lá, tive que deixar o carro em um estacionamento pago. Dei sorte de não pernoitar. Foram 30 reais somados ao gasto com combustível. No retorno o câmbio voltou a apresentar problema, de maneira que deixei o carro na mecânica. E mais 385 reais se iam pelo ralo. O que me revoltou ainda mais. Nesta noite pensei: ter usado táxi e os serviços do Metrô teria sido bem mais vantajoso. Carro cobra caro pelo conforto. 

O fato é que toda essa minha mudança de posicionamento, essa minha contrariedade à posse do automóvel, está conectada à sustentabilidade. À grande tendência do milênio: o bem-estar. Sim, é isto que mais importa agora. E dentro disto está a busca pelo simples. Eu sou apenas mais um dos habitantes das metrópoles que questiona os velhos padrões de consumo. Devo dizer que ter carro não é questão de status, senão de escolha errada e pouco sustentável. Além de péssimo do ponto de vista financeiro.

Abro mão do carro e ganho liquidez. Pago minhas dívidas. Poupo. E me organizo para fazer o que não me era mais possível: viajar. E isto, principalmente, por ter dois empregos. Sendo que as férias jamais casaram. Não bastasse meu stress, minha liberdade havia sido ceifada. Neste sentido, em breve deixarei uma das empresas em que trabalho. Declinarei daquela que hoje me faz mais pressionado. Tudo orientado pela busca do bem-estar. Vou me dedicar à minha saúde, à minha forma física, à cultura e estudos. Além de meus amigos e familiares. Já me pauto também por um consumo mais sustentável. E já pesquiso. Nesta vida, é preciso tentar mudanças. Reconhecer erros. E dar um passo para trás. No caso, no sentido do simples e da sustentabilidade. Isto pode ser tido como um retorno às origens. Refiro-me à humanidade como um todo.

Eu gosto de guiar, não nego. Realmente é prazeroso. Sobretudo à noite. A opção, neste sentido, pode ser a  locação de carros. Que poderá dar-se vez em quando. Isto, além de táxis, ônibus, trens, será  mais barato que ter um carro. Sem dúvida. 

O mundo muda porque a gente muda. Nós somos a ferramenta de mudança. Se antes eu admirava os diferentes modelos, hoje os vejo negativamente. Para mim, o automóvel atual não passa de uma praga urbana. Que polui, mata direta ou indiretamente, além de causar o caos na mobilidade das metrópoles. Eu não quero mais dar essa contribuição negativa à cidade em que habito. Tratá-se de assumir outra responsabilidade: a social. Neste momento o carro está na garagem. Até eu devolvê-lo ao banco farei uso dele para mercado e padaria. E já aos sábados irei de transporte público para o meu trabalho. Tentarei ser o mais rápido possível para livrar-me do Ford Ka. Fecharei uma página na história da minha vida. Não darei conselhos. Não farei campanha contra o automóvel. Nem é preciso. As mudanças nas cidades já pautam o futuro da indústria automobilística. Muita coisa, neste sentido, mudará. No caso de Sampa, as ciclovias vieram para ficar. Os sistemas de transporte público vão melhorar. As empresas darão suas contribuições. Enfim, Sampa e outras metrópoles precisam respirar. E assim será.  O caminho é este. Só este. Não há outro.  






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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
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