Xadrez 2018 de um país sem esperança

sábado, abril 15, 2017 ·

Alan Davis, amigo de cafés, conversas, risadas e indignações. Ele cobrou-me esta semana que eu use do prelo. Que eu trabalhe mais os textos antes de publicá-los. Esse amigo, Alan, é jornalista. É pensador. Em respeito ao seu intelecto, eu faço uso do prelo. Esse texto é escrito em papel digital antes de seguir para a plataforma do blog.


Ontem eu havia me preparado para um frio mais intenso. A previsão citava mínima de 14°. Meu preparo foi com roupas do inverno passado. É, meu guarda-roupa segue precário como quase todo trabalhador pelo mundo afora. É, as coisas não vão bem para nós trabalhadores. Aos poucos abandonamos a condição de  proletariado para a de “precariado”. Expressão que li em um bom texto de jornal. Sim, há bons jornais. E não são  Folha ou Estadão. Também não são as revistas prestadoras de serviços ao mercado: Veja ou Isto É. Lamento, mas não respeito quem tem apenas estas publicações como fontes de informação.   Estes veículos escrevem para um público robotizado que não pensa. Gente que sabe apenas bater palmas. Divagar, contestar, refletir, comparar , essa gente não sabe fazê-lo.  Uma capa sensacionalista de revista dita a opinião de pessoas assim.  


Sim, leio Folha, Estadão, Exame às vezes. Leio textos de pessoas conservadoras. Mas também leio El país, Nexo, Carta Capital, e diversos colunistas  mais progressistas como Duvivier, Bernado Mello Franco, Laura Carvalho, entre outros. E, citando um conservador que gosto muito, Coutinho está entre meus preferidos.

Então, o que faço é lamentar aqueles que  vivem como depósito de informações as quais são aquelas que agradam. É preciso contestar o seu próprio pensamento.  Aquilo que você crê. Deixa a certeza para os idiotas. E o que não falta é gente cheia de certeza. Confio mais em gente que indaga do que em gente que afirma. Sobretudo quando se trata de indivíduo cheio de raiva e moralismo.  São, sejamos sinceros, boçais, apenas isso. 


Um texto mais agressivo. Combina com tempos bicudos.  Sim, as redes sociais permitem a muitos a expressão de sua imensa agressividade e ódio. Como disse certo estudioso: a imbecilidade sempre existiu.


É nas questões políticas que a agressividade aparece mais. Uma divisão entre simpatizantes do PT e anti-petistas. Fruto da polarização PT-PSDB.  Que fez o Brasil em dois: um lado azul, outro vermelho. 


E as coisas andam feias para ambos os partidos. Carrego dúvidas se Lula estará solto para ser o candidato do PT. Se Alckmin terá condições políticas de ser apresentar como opção tucana para 2018. Aécio e Serra já são cartas fora do baralho. As eleições chegam no ano que vem, e  o tabuleiro do xadrez eleitoral está muito interessante.


Se hoje eu fosse apostar em uma carta, diria que Doria seria o candidato tucano.  No PT, talvez, Haddad como única opção. Teríamos ainda Bolsonaro por algum partido menor e conservador. E ainda Marina e o PSOL. Caiado pelo DEM deve se apresentar também. Quanto a quem ganha, por ora é impossível prever. 


E Temer? Com a popularidade tão baixa seria difícil imaginá-lo candidato. Mas não se pode duvidar. A questão mais interessante é como o PMDB, partido de grande porte e fortemente atingido pela Lava Jato, se posicionará em 2018.


Como se vê, trago mais dúvidas. É, não sou cheio de certezas. Não tenho comigo, referente à política, o cultivo do ódio. Gosto mesmo é de manter-me apartado e refletir. Claro que voto. Tenho meu voto. E ele é meu. O que posso dizer é que não tenho partido, mas meu viés é de esquerda. Sem radicalizar. Jamais. A radicalização é também para os idiotas.


Tenho debatido com amigos. Alguns, apenas. Alguns de esquerda. Outros de direita. Quase todos um tanto radicais. Parece que é mais fácil ser radical. Daí, você, cego, defende e ataca. Jamais reflete. Refletir é algo mais trabalhoso. Necessita ponderação, análise. Impera duvidar. Como se vê, mais fácil é radicalizar. 


Alan Davis, José Gama, Ronaldo Rosa, Luiz Fernando Machado. São alguns dos amigos os quais eu debato. Às vezes até de forma contundente. Seja da minha parte ou da parte deles. Carregamos discordâncias. Nesse pacote tem gente de esquerda e de direita. Tem radicalismo também. Distorções de informações.  Enfim, tem um pouco de paixão como também tem muito raciocínio. Mas talvez o que mais impera seja a revolta. Pois é, o eleitor brasileiro é um sujeito revoltado. Se olhasse mais para o espelho e verificasse seus atos no dia a dia seria mais tranquilo, menos moralista. 

Os nomes citados são todos amigos. Pessoas do bem. E sempre penso comigo, vale mesmo é a amizade que tenho com eles. E esse grupo representa outros grupos. Há aquilo que nos une. Queremos um país com menos corrupção e mais crescimento econômico. Desejamos estar bem. E estendemos isso aos demais cidadãos.  O problema é o caminho. É aí que surgem as divergências. É quando a porta da realidade se abre. E, então, eu sou obrigado a concordar com meu irmão mais velho, Adalton César: o Brasil não tem  jeito. Adalton disse tacitamente: “Não tenho esperança no Brasil”.



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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