Mudança comportamental de um cidadão

domingo, agosto 21, 2016 · 0 comentários

Pesquisava carros nos sites de ofertas. Desejava efetuar um compra. E me  frustrava. Eu não tinha condições financeiras para fazer tal aquisição. Até que me endividei mais ainda. Consegui um segundo emprego. O passo seguinte foi me enfiar em um financiamento de veículos, o que não demorou. Fiz  o pior negócio possível. Sem entrada, em 48 vezes de 479 reais. Assinei sem perceber, ou ler sem detalhes, a proposta do banco. Embutiram um seguro e um título de capitalização. Tudo feito por impulso. Eu era mais um simples consumidor. Permitia-me ser "assaltado". 

Os meses se passaram. Quatorze parcelas pagas, fora o seguro e gastos recorrentes com manutenção. Eu comprara um Ford Ka 2002. O seguro custa ainda 153 reais ao mês. O meu dinheiro se ia. Perdera  liquidez. E pior, me endividei com o cartão de crédito, tendo que fazer um empréstimo pessoal. O fiz no Just Bank, que conheci por meio do aplicativo Guia de bolso. Minha liquidez se ia de vez. O cheque especial teria que ser usado novamente.  O futuro próximo se anunciava vermelho.

Fora tudo isso, contam mais dívidas pessoais, as quais quero honrar todas. Foi então que depreendi. Ter carro é um erro. Uma insanidade. Uma péssima colaboração para uma sociedade sustentável. Daí então, fui concluindo. Acompanhando as mudanças de cultura realizadas  pela atual gestão da prefeitura de São Paulo. A introdução de ciclovias, a expansão dos corredores de ônibus, além da existência do Metrô, fizeram-me refletir. Sampa foi pautada. Não importa o próximo prefeito, a mobilidade é tema em alta. 

Não. Não dá pra ter carro. Eu, hoje, questiono o conceito de propriedade do carro. O automóvel deve ser compartilhado. De forma alguma ser usado por um único dono. Mas isso leva algum tempo, mas que já estão em gestação os projetos. Ter carro será mais caro e apenas uma parte da população terá. Refiro-me ao mundo como um todo. A indústria automobilística sofrerá fortes mudanças. Tem-se ainda e existência do Uber, além de outros aplicativos de mobilidade urbana. Os interesses da google e da Apple. O futuro próximo é os automóveis compartilhados e autônomos, que passará ser um aliado da mobilidade urbana. Quando deixará de ser uma praga nas cidades.  

Resolvi abrir mão da minha contribuição na poluição da cidade, bem como na piora do trânsito. Não que eu tivesse deixado de lado o transporte público. Não, este seguiu como minha prioridade. E carro era vez em quando, sobretudo nos finais de semana. Mas declinei desta opção. Devolverei meu carro para o banco. Posteriormente, lançarei mão de uma bicicleta urbana e dobrável. Conciliarei bike com metrô. Por ora, somente aos sábados que eu trabalhar. Aguardarei mais infra-estrutura para o ciclista.

Era um sábado. Eu tinha um encontro. Fruto de um app de relacionamento. Ela me convidara para ir ao seu apartamento. Tomei as marginais. E fui bem. O trânsito estava livre e o asfalto bem cuidado. Queimava gasolina. Lá, tive que deixar o carro em um estacionamento pago. Dei sorte de não pernoitar. Foram 30 reais somados ao gasto com combustível. No retorno o câmbio voltou a apresentar problema, de maneira que deixei o carro na mecânica. E mais 385 reais se iam pelo ralo. O que me revoltou ainda mais. Nesta noite pensei: ter usado táxi e os serviços do Metrô teria sido bem mais vantajoso. Carro cobra caro pelo conforto. 

O fato é que toda essa minha mudança de posicionamento, essa minha contrariedade à posse do automóvel, está conectada à sustentabilidade. À grande tendência do milênio: o bem-estar. Sim, é isto que mais importa agora. E dentro disto está a busca pelo simples. Eu sou apenas mais um dos habitantes das metrópoles que questiona os velhos padrões de consumo. Devo dizer que ter carro não é questão de status, senão de escolha errada e pouco sustentável. Além de péssimo do ponto de vista financeiro.

Abro mão do carro e ganho liquidez. Pago minhas dívidas. Poupo. E me organizo para fazer o que não me era mais possível: viajar. E isto, principalmente, por ter dois empregos. Sendo que as férias jamais casaram. Não bastasse meu stress, minha liberdade havia sido ceifada. Neste sentido, em breve deixarei uma das empresas em que trabalho. Declinarei daquela que hoje me faz mais pressionado. Tudo orientado pela busca do bem-estar. Vou me dedicar à minha saúde, à minha forma física, à cultura e estudos. Além de meus amigos e familiares. Já me pauto também por um consumo mais sustentável. E já pesquiso. Nesta vida, é preciso tentar mudanças. Reconhecer erros. E dar um passo para trás. No caso, no sentido do simples e da sustentabilidade. Isto pode ser tido como um retorno às origens. Refiro-me à humanidade como um todo.

Eu gosto de guiar, não nego. Realmente é prazeroso. Sobretudo à noite. A opção, neste sentido, pode ser a  locação de carros. Que poderá dar-se vez em quando. Isto, além de táxis, ônibus, trens, será  mais barato que ter um carro. Sem dúvida. 

O mundo muda porque a gente muda. Nós somos a ferramenta de mudança. Se antes eu admirava os diferentes modelos, hoje os vejo negativamente. Para mim, o automóvel atual não passa de uma praga urbana. Que polui, mata direta ou indiretamente, além de causar o caos na mobilidade das metrópoles. Eu não quero mais dar essa contribuição negativa à cidade em que habito. Tratá-se de assumir outra responsabilidade: a social. Neste momento o carro está na garagem. Até eu devolvê-lo ao banco farei uso dele para mercado e padaria. E já aos sábados irei de transporte público para o meu trabalho. Tentarei ser o mais rápido possível para livrar-me do Ford Ka. Fecharei uma página na história da minha vida. Não darei conselhos. Não farei campanha contra o automóvel. Nem é preciso. As mudanças nas cidades já pautam o futuro da indústria automobilística. Muita coisa, neste sentido, mudará. No caso de Sampa, as ciclovias vieram para ficar. Os sistemas de transporte público vão melhorar. As empresas darão suas contribuições. Enfim, Sampa e outras metrópoles precisam respirar. E assim será.  O caminho é este. Só este. Não há outro.  






Simples divagações

sábado, julho 09, 2016 · 0 comentários

Avenida Liberdade. Caminhava. Eu. A avistei. Fumava. Ela. Postura agressiva. Trejeitos. Jogou a bituca de cigarro no chão e voltou para a loja. Imediatamente tentei avistar uma lixeira. Não servia. Era de saco plástico. Dessas novas da atual prefeitura. Quase a compreendi. E me toquei. Ela poderia usar as lixeiras do local onde trabalha. Que pena.

Disse-me que eu era irreverente. Léo. Colega de classe. Fingia admirar Vanessa, garota por quem eu me apaixonara. E nada fiz além de confessar meus sentimentos a ela. Depois mergulhar na fossa. Ela queria atitude. Dei-lhe apenas palavras. Fragilizei-me diante da fêmea. Ela não perdoou. E se foi. Perdeu-se no tempo. Nunca mais a vi. Vanessa.

É. Não dá para negar. Sou sentimental. A amiga sabe. Ela me conhece mais do que imagino que me conheça. Jussara Leme. Bela e inteligente. Leitora do blog. Já faz algum tempo que lê alguns textos daqui. Pediu-me nova publicação. Uma honra para mim. Leitora assim. Sensível. Inteligente. E bela, sempre bela. Sempre assim.

A amiga citada. Disse que eu faria parte dos contos de Nelson Rodrigues.  Não. Estou longe disso.  Bem longe. Sou muito mais tranqüilo. E ela sabe. Sou um sentimental. Um romântico guardado. À espreita dos pretextos. Talvez à espera do meu deserto. Um sujeito incerto. Inconstante. E isso. Talvez isso. Essa inconstância. Já disse à ela. Jussara. Talvez essa inconstância não me deixe casar. Sou errante no amor.

Tenho me exposto além do que costumo e prefiro. Entregando fraquezas. E não sei. Talvez isso tenha um motivo. Pode ser o que já disse em outro texto. Divã. Cada texto, ou alguns textos, uma sessão de terapia.

A escada rolante me levava. E eu era mais um. E seguia. Abalado. Um texto me abalara. Algo que tratava dos interesses americanos no Pré-Sal do Brasil. Petróleo. Dinheiro. Muito dinheiro. E eu pensava.  Somos, nós trabalhadores, cidadãos absolutamente comuns. Coadjuvantes. E nem sabemos. Nem temos idéia do que se passa em reuniões em salas de alto luxo. Eles, os donos do dinheiro. Sujeitos que financiam homens públicos. Eles que de fato são representados pelos eleitos. E nós votamos. Sempre convictos. O melhor para o país. Mas eu afirmo: essa convicção já não é tanta. E essa incerteza política pode produzir resultados eleitorais inesperados. Enfim, que seja. Como for. Vai ser.  E assim será. Nós meros coadjuvantes. Eles no comando.

Já faz algum tempo. As coisas mudam. A gente muda. Você não é mais o mesmo de quando tinha seus vinte anos. Aquela beleza já se foi. As suas prioridades são outras. Espero que você tenha melhorado. Mas ainda pode haver resquícios. Essas importâncias. Essas preocupações. Essa cobrança. Esse perfeccionismo. Que angústia. Quanta angústia. A carência? A de todos. Essa, o grande mal da humanidade. Eu e você. Parecidos. Muito parecidos. Quase iguais. 

Algumas canções. Elas tocam na alma. Aquela do olhar. Do Arnaldo Antunes. “O seu olhar melhora o meu olhar...”. Belíssima. Essa questão do olhar. Tão cara para alguns. Até doenças pode trazer. A força do olhar. E às vezes o não olhar como solução. Declinação. Melhor não prestar atenção. Fingir desatenção. Cerrar-se em si. Fechar a porta. Proteção. Fortaleza. “Ilhas que somos”. Medo.


Hoje é um sábado. São 21h24min. “21:24”. Frio. Casa fechada. Carro na garagem. Um passeio incerto. A confirmação de um amigo. Três homens solteiros. Todos mais de quarenta. A boa e velha Augusta. Um bar. Risos. Conversas. Piadas. Temas variados. Expressão de amizades. Amizades de alguma data. O tempo segue. Amigos mesmo ficam. O resto se vai. Não que se apaguem. Algumas pessoas marcam presença. Deixam alguma lembrança. Mas ficam no passado. O presente é outra coisa. Este é feito para os amigos de sempre, ou aqueles de circunstância. Tem gente que até tencionamos manter contato. Mas a vida segue e mostra como deve ser. E é como é, parafraseando Nelson. Para terminar o texto. E esperar as próximas horas. Os próximos dias. As próximas confissões. Por enquanto é isso. “É só isso. Boa sorte”.



APPs do amor

sábado, junho 11, 2016 · 0 comentários

ÁS 5h30min saio para o meu primeiro trabalho. Combino táxi com metrô. Às vezes uso o ônibus no lugar do táxi. Em raras ocasiões vou guiando. 

Tem feito frio. Muito frio. Eu, frágil à baixas temperaturas, aqueço-me com o que tenho de roupas. Digo assim, pois há uma escassez em meu guarda-roupa.  O jeito é se virar com o que tem. E esperar melhoras financeiras para colocar em prática uma intenção: peregrinar por bons brechós. 

Creio que os últimos textos publicados aqui tenham sido uma expressão negativa de um momento meu. Felizmente a vida muda. Para melhor ou para pior, não importa. Vale mesmo é mudar. A mudança é altamente benéfica para nós humanos que não gostamos do tédio. No meu caso a mudança foi para melhor.

Pois é. A velha boa auto-estima voltou. A segurança frente às mulheres. O olhar delas. Enfim, deu-se em mim um reencontro comigo. Que bom. Motivos? Não. Motivo. Uma mulher. Sim. Um encontro bastou para me tirar do ostracismo. Eu precisava. E se ela me fez bem, eu também fiz bem a ela. Outros encontros assim que possível.

A tecnologia veio para facilitar nossas vidas. No campo amoroso não é diferente. São estes aplicativos de aproximação das pessoas. Imagino que sejam um sucesso.  Lanço mãos deles há algum tempo. Isso em uma época pós-chat. Aquelas salas de bate-papo. Para mim, elas ficaram lá atrás. E foi por meio delas que conheci uma mulher que foi importante nesta minha trajetória. Mas eu já saí das salas. Agora são os app 's. São muito criativos e inteligentes. Eles nos dão mais filtros. Mas o filtro que mais vale  mesmo é o nosso. Este que dá a palavra final.

O primeiro encontro. Marcado às 20 horas e 30 minutos na região do Tatuapé. O gps me leva até a Praça Silvio Romero. Necessito corrigir a rota. Não é bem ali. Guio um pouco mais e avisto um bar que um amigo indicara: "Pilequinho". Dou uma volta. Percebo que me perco. Paro o carro e aciono meu aplicativo de trajeto. Correção feita. A voz dela que me guia agora. No local marcado com  ela não é possível parar o carro. Viro à primeira direita. Freio de mão e pisca-alerta. Aciono agora um aplicativo de mensagens instantâneas. Aquele que um juiz, cujo  salário teve aumento recentemente, mandou bloquear por puro ferimento do ego. Um sujeito que presta um desserviço à sociedade. Ela me pergunta onde estou. Cheguei, respondo. Estou saindo, diz ela. Acho estranha sua resposta. Saindo de casa? Do metrô? Fico inseguro, mas logo me recupero. Só pode ser "saindo da estação de metrô". 

Espero. Ela logo aparece em seu vestido. Está um tanto tímida. Fruto de nossas conversas além do proibido. De salto alto  fica mais alta que eu, que não passo de 1.70m. Temos a mesma altura. Logo brinco e questiono seus sapatos. Ela ri. Percebo que está satisfeita e um tanto tensa. No início sou sempre quieto. Observo muito.

Proponho o Pilequinhos. Em vão. Minha memória é péssima. Dou o que penso ser a mesma volta pela Praça Silvio Romero. Conhecedor de mim, logo declino. E vou para a rua que um outro amigo indicara. Lá, vários bares. O problema é estacionar.

Assim que ela entrou no meu carro dei-lhe um selinho. O primeiro beijo ficaria para depois. E foi logo no carro antes do bar. Desejos reprimidos. Agrado de ambas as partes. 

Foi difícil. Enfim, achei uma vaga. E ali mesmo havia um bar, que não estava tão cheio. Rock, o tema. Temi que fosse pesado. Música ao vivo. Logo nossos ouvidos foram agraciados com Pear Jam, R.E.M, U2, entre outros. Que bom. 

Uma água e dois copos. Serviços e cachê. A conta e  nós dois para o carro. Sim, já havíamos conversado bastante. Ela, como eu gosto, muito falante. Eu, mais quieto. Queria mesmo era beijá-la.

O carro não partiu. Ficamos ali mesmo em frente ao bar. Beijos. Abraços. Atração. Como terminaria a noite? Terminou cedo. Entre muitos beijos. Abraços. Palavras. E aumento da temperatura. Eu deveria ter apagado o farol. Já não estávamos mais em frente ao bar. Eu a levaria embora. Mas paramos. Foi para acertar o app de rotas. Mas ficamos por ali. E a clima esquentou. Nossos corpos esquentaram. Atração e muito desejo. A noite, naquele sábado, não poderia ser esticada. Por mim, tudo bem. Mas ela não havia se programado.  Desejava. Queria. Mas não dava. 

Insisti. Não quis. Preferiu ir para casa de metrô. Tomei meu rumo. Mais uma vez sob chuva. Aquele final de semana havia chovido demais. Em um  dia mais que a média do mês. 

Eu estava me sentindo muito bem. Satisfeito por um encontro de muita libido. Com alguém extremamente agradável e divertida. Haveria mais encontros. E muito, muito papo pelo aplicativo já mencionado.

Nos últimos doze meses conheci umas 4 mulheres por meio destes aplicativos. As três anteriores não foram exatamente do meu agrado. Com uma delas estive mais de alguns dias. Até que declinei.  Das quatro, duas ávidas por ter filhos, um relacionamento duradouro e de conto de fadas. Das duas que sobraram, uma nem vale à pena mencionar. Deixemos qualquer patetismo de lado.  A quarta, a desta noite, é uma outra história. Alguém com riqueza de detalhes. Uma mulher especial para alguém que é sabidamente exigente. 

Houve ainda uma mulher que saí. Uma ex-colega de trabalho. Gente boa. Mas, que coisa. O tempo trabalhar contra ela. Vai ser impossível ter os gêmeos sonhados. Não está fácil convencer os homens a terem filhos. Essas idealizações femininas as levam para tamanha angústia e desespero. Mas isto é um outro assunto. Deixemos de lado por enquanto.

O segundo encontro precisou ser adiado. Gripe e ex-marido ciumento. Desejos guardados. Expressados apenas em palavras. A vida, já disse, não vou repetir. Você sabe como ela é. O imponderável age sem trégua. Que bom que é assim. Tudo quadrado seria chato demais.

Frio. Muito frio. Noite de sábado. Eu, em casa. Ela, em casa. Não houve, já foi dito, o reencontro. Houve este texto. Houve outro texto. Palavras também. Minhas e delas. Ela se dá bem com as palavras. As intenções expressadas. Para quê tantos segredos? Mas sempre há o que se descobrir. E ainda bem que é assim. E como tudo será não é sabido. A maturidade nos faz mais preparados para  o acaso e para as desilusões. 

Frio. A sopa já foi feita. Sorvida. Depois do banho, cama. Calça e blusa. Cobertas. Celular nas mãos. Tablet tocando uma boa música por meio de um aplicativo de vídeos. Por meio de mensagens  o namoro virtual. São as preliminares da atualidade. Sobretudo para as mulheres, uma forma de se soltar e de se conhecer. A telinha quadrada facilita. Depois aguenta o face a face. No início pode dar uma vergonha, algum constrangimento. Depois do primeiro beijo tudo pode melhorar. A temperatura subir. A porta se fechar. A luz se apagar. Ou meia-luz. Melhor assim. Uma música. Uma bebida. Perfumes. Peles. Segredos descobertos...



A gente vai mudando

domingo, maio 01, 2016 · 0 comentários

Parece que a vida é um reencontrar-se vez em quando. Isso vem ocorrendo comigo. Reparo como mudei. E como demorei para perceber. De modo a viver errante em certas questões. A maturidade, parece, é a ferramenta para você se entender. Só quando se harmoniza consigo é que  ansiedade e angústia diminuem.

Eu já fui de outro modo. O tipo paquerador. Este blog mesmo retrata algumas aventuras minhas. Já me disseram que eu gostava de fazer números em termos de mulheres. Pois é. O tempo passou. Até eu entender que aquele sujeito paquerador havia morrido demorou. Até eu perceber e reconhecer que já não chamava mais a atenção das mulheres demorou. E foi difícil aceitar. É. Eu não sou mais aquele que encantava e conquistava. Que aonde ia tinha uma paquera. Acalmei. E hoje a mulher que me interessa não é aquela que só tem beleza. Eu prezo pelo comportamento. Pelo nível cultural. Caráter. Prezo muito por tudo isso.

A única mulher que me encanta profundamente hoje é casada. Trabalha comigo. Trata-me com carinho e delicadeza. Eu me encanto. Não tenho como evitar. Mas a respeito. E sei que sendo casada jamais poderia ter qualquer coisa com ela. E espero que ela siga casada e feliz com seu marido. 

Outro dia peguei o carro. Era sábado à noite. Fugia. Procurei o que de fato não queria: uma aventura. Aborreci-me de tanto que dirigi. Extrema dificuldade de chegar ao destino. E quando cheguei, logo resolvi voltar. Foi  uma viagem errada. Estressante. 

Não adianta. Eu não quero mais aventuras. Desejo sentimentos. Não quero gozar, quero amar. Felizmente, a ansiedade se aquietou. Muito em função do que foi dito nos dois primeiros parágrafos. Deixei a maioria das mulheres de lado. Vamos ser sinceros, a maioria não merece atenção alguma. Gente interessante é escassa. 

Deixei de procurar. Se tenho perfil em aplicativos de relacionamentos, a importância que dou a eles é diminuta. Marcar um encontro tornou-se raro. E dos que marquei me arrependi. Mas não radicalizo. Gente interessante também há na internet. O problema é o start. Melhor mesmo é conhecer e se encantar no dia a dia. Por isso, dou mais importância às mulheres do meu mundo real. 

Bauman, filósofo, disse que as pessoas querem estar à disposição. Quanto à mim, quero é não me aborrecer. Toda vez que declino de sair com uma mulher sinto-me aliviado. Refiro-me às que idealizei por algum momento um relacionamento. Das rápidas declinações minhas derivam meu alívio. E das que saí e deixei de lado, o alívio é ainda maior. 

Tenho refletido. Chegado à conclusões. Me interessado cada vez mais por questões da vida. E tenho me tornado cada vez mais solitário. E na solidão vejo a  poesia que me encanta. E ainda assim gosto de estar em meio às pessoas, porém preferencialmente sozinho.

Alguém vai dizer que sou um isolado. Anti-social. Talvez até tenha razão. Os anos vão passando e eu me aborreço. Hoje com 43 anos. Solteiro. Dois empregos. Endividado. E me divertindo com o dia-a-dia. Sim, eu me divirto com a vida. Brinco e rio muito nos meus locais de trabalho. Levo uma vida tranquila. Cumpro as minhas responsabilidades. Tento permanecer o máximo em liberdade possível.

Uma ex-colega de trabalho afirmou que se eu não casara ainda seria por defeito de fabricação. Essa mesma pessoa havia se casado. E se separado. Carrega consigo a expressão profunda da angústia. Segue idealizando e se  decepcionando. Muitas pessoas se equivocam em análises clichês. Melhor deixar modelos prontos para trás. Refletir autenticamente. 

Domingo. Poderia ter iniciado assim o texto. Outono. Noite fria. As últimas ações de um dia de descanso. Obrigações cumpridas. Textos lidos. Algumas pequenas reflexões. A vida sem reflexão não faz sentido. Não vi TV. Nem verei. A TV é demais aborrecedor. Escrevo este texto. Quem sabe um filme depois. Algum papo com uma mulher virtual. E dormir. Dar início à semana logo cedo. Guiar até a Liberdade. Cumprir 6 horas de escala. Depois partir para a Barra Fundo. Cumprir  escala igual. Conduzir até o Tucuruvi, no shopping que leva o mesmo nome. Treinar para melhorar a forma física. Treino para mim.  Partir para casa. Antes de dormir, consumir proteína animal para o crescimento muscular, conforme orientação da minha nutricionista. Aliás, falemos dela...

Recordo-me a primeira vez que entrei em seu consultório. Ela não foi muito simpática. No decorrer da consulta é que melhorou sua comunicação. Um amigo até disse: "vai  ver que ela desconfiava que você seria mais um a não dar continuidade aos trabalhos dela...". Concordei com ele. Fazia  sentido. Mas eu retornei. Sigo retornando. Ela está mais simpática. Até carinhosa. Tem momentos que até charmosa. Casada, diga-se. 

Estou em uma nova academia. Novos ares ajudam na reanimação. Lá também há uma mulher charmosa. De enorme simpatia. Pele linda. Cabelos cumpridos e sempre bonitos. Eu apenas a admiro. Creio mesmo que ela prefira as mulheres. Mas isso é um mecanismo masculino. Precisamos nos encantar. Enfim, mulheres que tenho alguma admiração. Mas não são  a primeira aqui mencionada. Esta, sim, eu teria algo mais. 

Hoje é 1º de Maio. Dia do Trabalhador. Data em que na zona norte de São Paulo há um evento voltado para os trabalhadores. Nunca participei deste evento. Tampouco quero fazê-lo. Eu não gosto de eventos de grande porte com tanta gente. Sobretudo quando a qualidade da festa é baixa. Prefiro um teatro. Um cinema. Um bar. Um show. Ficar em casa. Fazer o que me for possível dentro das minhas vontades.

Passei pela região onde já se deu a festa. O trânsito estava meio complicado. Rumava para a Vila Mariana. Tratava-se de uma carona dada ao amigo de xícara e de cruz, Alan Davis. Dali, parti para a Saúde. Compraria minha medicação na Ultrafarma. Mas as suas lojas estavam fechadas. O jeito foi fazer a compra na Farmaconde. E assim o fiz. E saí com a mesma impressão que saíra da Ultrafarma em outra ocasião. Impressionante a vocação destas duas empresas para vender. Chega a ser uma patologia capitalista. Até enojante. Mas o preço é bom. E meu dinheiro tem a valia do meu trabalho. Chega de gastar tanto.

Sobre as minhas finanças. Deixemos para outro texto. Há muito que expressar. O texto sempre foi minha ferramenta de terapia. Meu blog é meu divã. Cada um tem seu anti-depressivo. A maioria placebo que alimenta as doenças. Mas isto é para outro texto. Outra noite. Outro domingo...



Estado de defesa

quinta-feira, abril 21, 2016 · 0 comentários

Temia a letargia. Eu a via em meu pai, que parecia sempre cansado. Cansei. Estou neste estado permanentemente. Dois empregos e academia. Duas pós deixadas de lado. Campo afetivo apenas em termos de amizades. Fechado para o amor. Em estado de absoluta defesa.

"Você está preso em uma armadilha do ego". Alan Davis brinca e me diz isso às vezes. Não sei quem fez tal citação. Minha pesquisa no google foi rápida, impaciente. Que coisa. Ando muito impaciente. Ansioso. Aborrecido. Cansado. Quanta reclamação...

Lilian Guimarães, a primeira revisora deste blog, que sumiu por aí, dizia que eu iniciara minhas postagens neste blog de um modo muito pessimista. Há sempre a confusão entre pessimismo e realismo, sinceridade. Cada qual interpreta do seu modo.

Hoje descanso. Feriado. Queria sol e água. Aqui em Sampa mesmo. Praia em feriados prolongados não dá. Fico com as filas da capital. Parece insano viajar para pegar filas, já na estrada mesmo.

Esta noite sonhei com uma mulher casada, que muito me encanta. Casou-se  faz 5 anos. Cheguei atrasado. O jeito dela e todo o resto me encanta demais. Mas é mulher proibida. Mesmo que se separasse eu nada tentaria. Há um risco relacionar-se com mulheres separadas. Sobretudo se o ex-marido é policial. Tanta violência. Tanto gatilho apertado. Deixa pra lá. Melhor até ficar só.

Eu me tornei de fato um solteiro. Toda vez que uma relacionamento bate à porta, eu entro em estado de defesa. Mudei muito. Tornei-me ultra-seletivo. Deve ser até patológico. A maioria das mulheres me parecem desinteressantes. 

Hoje prefiro ficar só. Ter algumas aventuras vez em quando. Mas eu deixei de ser aquele homem que sempre tinha uma paquera. Deixei de ser paquerador. Eu sigo me fechando e me protegendo. A rejeição feminina é algo caro para mim.

Tenho dois sobrinhos, que são as crianças que amo neste mundo. Há uma terceira, filha de Alan Davis. São as três crianças para quem quero deixar algum legado. Seja afetivo ou material. Preferencialmente o afetivo. Três vidas as quais mexem com meus sentimentos. E eu que não terei filhos vou me dedicar às essas três crianças como quem  se dedica aos filhos.

Perdoa. Eu acho que ter filhos é tão aborrecedor. É ceifar a liberdade pela raiz. Contratar (e pagar caro) por problemas. Acho que sou muito egoísta para gerar bebês. Perdoa. Perdoa sempre.

Claro que o tempo passa e suas certezas são colocadas em cheque. Sim, os idiotas é que seguem certos de suas opiniões. Eles é quem têm opiniões  formadas.  Eu sigo pela vida. Cheio de dúvidas...

Um exemplo. O atual momento político do Brasil. Vejo ativistas de esquerda revoltados e tristes nas redes sociais. Não pensam no Brasil. Fiam-se ao partido. É o poder pelo poder. Sair jamais.

Sim, o impedimento da Dilma carece de base legal. É puramente político. Mas ela é vítima de si. Tivesse desapego teria convocado eleições gerais. E deveria tê-lo feito uma vez que não possui mais condições para governar. Agora segue definhando e sendo humilhada. 

Sim, os que vão entrar em seu lugar não são de confiança. Houve acordos para livrar Cunha da cassação. Fizeram política do jeito deles e engoliram a Dilma.

O Brasil pede passagem. O país precisa seguir em frente. Dilma já é passado.

Ontem declarei imposto de renda. Vou pagar alguma coisa. Pouco mais de 200 reais em 4 parcelas. É a primeira vez que pago imposto de renda. É que tenho dois empregos. Ganho mais que no passado. Adquiri patrimônio. Criei dívidas. Com banco e pessoais. Todas devem ser pagas. Quero descansar tranquilo e, sobretudo, com a imagem limpa. Mas demanda tempo para pagar as dívidas.

Hoje me estendo. Eu fiquei mais de 1 ano sem publicar. Os textos e as ideias foram se acumulando. De certa forma, adoeci. Todo esse aborrecimento é falta de expressar meus sentimentos. Adquiri irritação, pra não dizer raiva. Vergonha de dizer isso. A raiva, expressa na face, é algo que sempre abominei. Critiquei. E é experimentando que você passa a compreender melhor o outro. Já  ouvi um  estudioso dizendo que determinado escritor brasileiro teria adoecido se não escrevesse. Preciso escrever também...

Feriado. Tiradentes. A história contado com o viés de quem contou. Não se pode confiar no que se lê e ouve. O subjetivismo domina todas as áreas. Até a Justiça, que deveria ser justa. Os anos PT comprovaram que a justiça é política e subjetiva. Vai se saber o que ocorreu de fato com Tiradentes, e quem foi ele de fato? 

Enfim, provavelmente eu ainda escreva mais. E repito. Sempre repito. Escrevo para mim. Fico por aqui. Já, já um café na minha padaria preferida. Depois disso é ficar em casa. Receber irmã, irmão, cunhado e sobrinho. Rir junto à nossa mãe. Um feriado em família. E ainda há o quarto para arrumar.

O sol estala. O cansaço e letargia me definham silenciosamente. A vida segue. 



Desconectar

quarta-feira, abril 13, 2016 · 0 comentários

A  pessoa me questiona por que não ganho dinheiro com jornalismo. Como se tudo tivesse que render lucros financeiros. Opina que eu deveria ficar menos pobre com meus textos. Não basta escrever? É preciso ganhar dinheiro? Precificar as palavras? Enfim, pessoas originais são difíceis de se encontrar. Não foi àquela mesa que encontrei uma delas...

Era um cinema. Especificamente, um Café daquele cinema de outros cafés. Lá na Augusta. Um espaço que leva o nome do maior banco do Brasil. 

Eu chegara antes. Vestia mais do mesmo. Não estava radiante. Tampouco muito a fim para jogar palavras fora. E ela percebeu tudo. Até meu enfado. 

Já faz tempo. Bastante tempo. Perdi a paciência e interesse para encontros com mulheres da chamada internet. Estou na contra-mão. A ferramenta é cada vez mais usada. Mas me enchi. Prefiro mesmo são as pessoas do meu dia a dia. As mulheres do real.

Há um motivo. Essas mulheres você as conhece aos poucos. Observa. Analisa. Depura. Declina ou não. Já as do  mundo virtual você só conversa, idealiza, se engana. E declina. Quase sempre declina. Coloquei em terceira pessoa, mas expresso minha opinião quanto a mim. Uma visão do meu ponto de vista.

Fosse para sexo por sexo, as virtuais seriam mais interessantes. Seria mais prático. Ir para cama de uma mulher do dia a dia tem um custo: o dia seguinte. Os dias seguintes. Já uma mulher da internet, basta apertar "excluir" e até nunca mais. Se o celular tocar, você não atende. 

"Amor líquido". É o nome do livro. Baumann. Acho que se escreve assim. Filósofo atual. Diz que as pessoas querem permanecer solteiras, à disposição. As relações, observo, são mais sinceras, então.

Pondé diz que a prostituta vale mais à pena. É mais sincera. E mais barata. Bem mais barata.

Eu digo que me aborreci. Perdi a paciência. Mulheres interessantes de fato são raríssimas. A maioria é só a beleza do corpo mesmo. Fiquemos com o corpo.

Um café. Dali, caminhada para o café em frente. Análises feitas de parte a parte. Ela, parece-me, foi mais rápida. Até houve um beijo. Sem graça. Sem graça alguma. Mecânico. 

Pediu-me um texto. Não sei pra quê. Eu teci. Já ensaiara parte dele em casa. Algo cafona, clichê. Troca barata de palavras. Bastou para ser chamado de poeta. Todo mundo é poeta para os não originais.

E as lições daquele encontro. A principal: especialistas podem ser pessoas mortas. Sim, ela não tinha tanta capacidade reflexiva, mas entendia bem da sua tese. Sua melancolia contrastava com suas belas pernas, ainda que escassas. 

A levei para casa. Não para a minha. Apenas a deixei em frente ao seu prédio na região central de Sampa. Eu já bocejava com suas histórias sem graça. Quanto patetismo. Quanto vazio. Dirigi por Sampa. O cansaço batia. Menti para mim e mandei um recado via whatss app para ela. Disse que estava encantado. Errei, deveria ter tido que estava mesmo era enfadado. Agradeceu e avisou que  iria se deitar.

Dia seguinte pediu-me para sermos apenas amigos. Concordei. Não fazia questão de muita coisa. Sigo sempre em frente. A vida pede passagem. Sou prático. 


As últimas três mulheres de internet que conheci. Uma desesperada para engravidar. Absurdamente aborrecida. Outra completamente psicótica. De tal modo que me fez esperar 3h em um shopping. Motivo: se escondia do zelador do prédio. A última já está retratado nos parágrafos acima.

Houve um quarto encontro. Com uma mulher do real. Gente do bem, porém completamente perdida em suas emoções. Desespero para ter filhos é tão grave, que deseja gêmeos já na primeira gestação. Que noite... Que angústia.... Ainda a levei para sua casa, pra lá de Itaquera...

É. Depois reclamam que sou absurdamente seletivo. Como não sê-lo em meio à tanta patologia. Recordo-me ainda das expressões melancólicas de cada uma delas. Não é fácil. Acho que vou desconectar.

Faz tempo tenho dado preferência pelas mulheres que já conheço pessoalmente. Foi o tempo de colecionar números e sair cada vez com uma, sempre beijando, agarrando, e me deitando. A maturidade vem com a idade. O aborrecimento também. Acho que queremos ficar sozinhos não para estar à disposição, mas para não se aborrecer...



Relatos de um sábado e declinações de um domingo

domingo, abril 10, 2016 · 0 comentários

"Naaba". Nome do bar. Absurdamente pitoresco. Uma casa adaptada. Na sala as mesas. Pequeno. Bem pequeno. Samba de primeiríssima. Martinho da Vila. Paulinho da Viola. Elza Soares. Cartola. Noel. Eu eu os amigos à mesa. Batuques na mesa. Sucos. Cerveja. Água. Não tinha café. Café não dá samba com o samba.

Eu estava muito tranquilo. A morena me chamava a atenção pela sensualidade e cor da  pele. Mas era uma mulher proibida. A amiga sem cia não me interessava.

Valia-me muito as vozes aos microfones. Era pai, mãe e filha. Três talentos. A mãe me impressionou mais. Pode ser até que a filha fosse neta. Não me informei.

Eu canso rápido na noite, embora goste muito dela. Mas ela me submete ao cansaço e me manda cedo para casa. Alguém sugeriu ainda que fôssemos ao Monarca na Augusta. Eu até queria. Tinha desejo por um flerte. Queria uma mulher para me deitar. Meus desejos eram fortes. Mas optei pela padaria e café. Depois para casa. Queria era dormir.

No domingo, tencionei ir ao Sesc Belenzinho após o almoço. Queria ler diversas tipos de revistas e jornais sobre a crise política no Brasil. "Folha", "Estadão", "Caros Amigos", "Carta Capital". "Veja" não conta. Mais parece um palanque eleitoral. Fala para uma claque que não reflete.

Mas dormi. Dormi demais. Sonhei demais.

E agora, após mais de 1 ano sem escrever, volto a tecer um texto neste blog. Na verdade escrevi, e perdi os textos. Mais de 1 ano sem publicar.

Fui à padaria. 24h. Pa'Douro. Perto de casa. Precisava de um bom suco e proteína animal. Estava acompanhado de meu amigo de "copo e de cruz". O humor estava bom. Trocava olhares com algumas mulheres. Auto-estima boa. Libido elevada.

Ela chegou de vestido  azul e pele branca. Sentou-se. Permanecia em estado de defensiva. Mas era evidente. Essa mesma defensiva a denunciava. Deseja conhecer alguém e sair daquela solidão. Olhou-me pelo reflexo do vidro. Prestou atenção quando eu elogiei a bela bailarina na tela de TV de um programa dominical. Destes que se aproveita do vazio das tardes vazias de domingo. A metrópole é assim. Cheia de solidão. Cheia de tardes vazias.

Brinquei com os atendentes. Levantei-me e conversei rapidamente com eles. Despedi-me e parti. Declinei totalmente da morena de azul. Deixei-a com sua defesa.

Este blog volta à ativa. Um dos motivos de tanto tempo sem texto era puramente técnico. Computador quebrado e falta de verba para consertá-lo. A alma, a minha, pede mais textos. Do contrário, adoeço. Entristeço. Sufoco. Ao longo do ano, crônicas com opiniões. E sempre. Fica dito. Expresso e esclarecido. O ser humano como pretexto maior. Talvez eu seja meu próprio pretexto. E, como já foi dito em diversas vezes aqui, eu e você não somos tão diferentes. Podemos até nos confundir.






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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



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