Um brinde à simplicidade

quarta-feira, agosto 28, 2013 · 1 comentários

Eu caminhava  por um dos corredores da empresa em que trabalho. Cruzei uma funcionária da limpeza e a cumprimentei com desprendimento ao que ela retribuiu. Pareceu-me da parte dela esperar minha atitude. Simples gesto de ambas as partes que me tocou ainda que levemente. É a exata certeza da igualdade entre cada um de nós simples seres humanos. Pena o mundo ser tão injusto e haver tanta distinção exagerada entre as pessoas em função de condições econômicas. Mas fazer o quê? Quais ferramentas temos para exigir menos desigualdade, senão o voto e a pressão sobre aqueles que nos representam?

Regresso. É o caminho diário de volta ao lar. De certo eu quisesse  dirigir-me a um endereço que fosse só meu. Ter a tranquilidade da solidão, que dá impressão de liberdade e autonomia. No mais, abraçando  a positividade, vale é ter onde ao menos dormir. Seria dizer ter onde deitar o corpo. Ou, sendo ainda mais positivo, podemos fazer uso do jogo de palavras "ter um corpo onde deitar". 

Faz frio , e de certo as temperaturas baixas se despedem. E creio que muitos que vivem nesta cidade já sentem falta do sol,  que deu alguns dias de palhinha. De tal maneira que, muitos foram às piscinas e se deitaram sob o sol. Eu mesmo fui um deles. E o fiz em local público, diversas vezes citado aqui.

Hoje visto terno e não é por alguma formalidade, senão mera estratégia de comunicação, cujo motivo não revelo. Se for o caso, deixemos para outro texto. Sigo em um vagão da Linha Azul do Metrô em um destes novos trens com ar-condicionado, cuja aquisição por parte do atual governo pode estar ligada ao cartel fortemente divulgado na grande mídia, exceto na revista Veja por motivos de posição partidária, o que fere na veia princípios éticos do bom jornalismo. Os mais avisados leem a revista com muito cuidado. Já aqueles perfeitamente domados tem na revista uma espécie de bíblia. Quanto a mim, divirto-me com as capas.

Na estação Santana encontro-me com Alan Davis, grande amigo de muitos cafés. E é exatamente para mais um trago que marcamos tal encontro. Dali, um ônibus nos levará para casa, onde vivemos sob mesmo teto. Entre chacotas e risadas, bom papo constante. É a importância das coisas simples da vida.  E é um brinde à simplicidade que faço dia após dia. Porque viver de maneira simples, desejar pouco, é uma maneira de ser mais livre. Gesto que faço e que brindo.

Cada um tem sua maneira de ver a vida e muitos tem a maneira do outro. Pessoas que vivem com menos liberdade e autonomia. Enfim, um mundo gira. Os preços são pagos. E cada dia é um dia a menos. A vida segue e é preciso vive-la despretensiosamente. Levar no bom humor facilita tudo, mas nem sempre isso é possível. Vai depender das emoções e de como elas estão. Fico por aqui. Outros cafés com grande amigo virão. A simplicidade, assim espero, me acompanhará em minha jornada. Brinde comigo.




Creme de Cupuaçu

sábado, agosto 24, 2013 · 0 comentários


O título não tem pretexto algum. Mera escolha. No máximo uma pequena homenagem a tão delicioso fruto. Cujo creme coberto por castanhas comi há pouco. Mais uma vez, SESC SANTANA. Local de tantas visitas. Endereço certo para quem busca divertir-se com tranquilidade, qualidade e a excelente preço. Já falei tão bem deste lugar que posso tornar-me chato por isso.

Vim caminhando. E de minha residência até aqui dá cerca de 44 minutos. Medida de tempo de acordo com minhas passadas, que não são longas nem rápidas. E cansei. Cansei deveras. E me faltou alimento. Meu organismo gritou. Após o alongamento corri para a simpática "Comedoria". Pão de queijo, café puro e creme de cupuaçu. Deliciosa e não suficiente refeição. Daqui a pouco é piscina para relaxar.

O local não está cheio. A paz reina. Organização e limpeza. A competência do Setor S na administração desta instituição voltada à cultura, saúde e bem estar. Para mim, o Setor S deveria gerir a Saúde e Educação no país. De certo, seria necessária uma mudança na Constituição. 


Sábado de folga. Hoje não trabalhei. Dormi um pouco mais do que a média dos últimos dias. E foi bom. Pela manhã, tive com meu amigo Alan Davis, que loca um quarto em casa de minha mãe, que é onde resido atualmente. Mudanças conjugais trouxeram-me de volta. E a vida segue como ela quer.

Meu tempo é curto. Tenho 30 minutos para executar este texto. É o direito que o SESC me dá por cada conexão. De modo que declino do texto. Finalizo de forma simples. Ficam algumas palavras que vieram direto para esta plataforma. Depois, algum dia qualquer, vão lá para o blog. Quanto a mim, vou direto para a piscina.



Fale comigo

adelcir@gmail.com
k

fotos: Patrícia Crispim
c

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
Lilian Guimarães
Adalton César
v
c
b
c
c
c
l

opinioesecronicas@yahoo.com.br