Definição do voto para 2014

domingo, junho 16, 2013 ·

 Já faz algum tempo que venho analisando para decidir meu voto para presidente em 2014. Não que eu acredite que teremos um bom presidente algum dia. Parece-me que todos os partidos possuem quadros que não estão dispostos  fazer, por exemplo, algumas reformas que o país necessita. Por exemplo, uma reforma tributária para que o povo brasileiro seja menos massacrado por impostos. Sobretudo porque a carga tributária que incide sobre os consumidores e o setor produtivo, além de altíssima, não se converte em retorno de bons serviços públicos para a população.

Lula, quando foi eleito para seu primeiro mandato, tendo enorme apoio popular, não chegou nem perto de fazer reformas estruturais no país. Limitou-se a navegar em um bom momento econômico mundial,  recolhendo dividendos de um país que crescia e era o queridinho do mercado.

Dilma faz um governo de improvisos e assusta os investimentos, o que não é bom para o país e sua população. A economia não cresce, a inflação preocupa, e o mercado está nervoso.

O PSDB já esteve no poder e mexeu mais no país de forma estratégica. O Plano Real foi um dos melhores projetos colocados em prática, com o controle da inflação, que talvez tenha sido a melhor medida econômica com repercussões sociais importantíssimas para o país. Se hoje o país não vai tão mal, é graças, por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Para não ser injusto, vale dizer que o PT no governo colocou a agenda social à mesa, e esta não pode mais ser deixada de lado. Qualquer outro partido que entrar no governo e, por exemplo, terminar com programas como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha vida, dará um tiro no pé. Neste sentido, Lula e Dilma contribuíram para que os pobres neste país deixassem de ser invisíveis.

Aliás, este parecia ser um grave problema no governo do PSDB, tendo FHC à frente, que parecia estar mais preocupado com o bem-estar de apenas uma parte da população.

Mas, para mim segue sendo difícil definir meu voto para presidente em 2014. Eu estou preocupado para que o Brasil não se torne um país incerto quanto a regras de mercado e, assim, assuste investimentos. Não podemos ser iguais a uma Argentina e Venezuela, países com governos problemáticos e feito de governos populistas e irresponsáveis.

O PT, no plano federal, parece ser um partido conservador das estruturas arcaicas de um Estado pesado. Parece preocupado em usufruir das benesses do poder e, não há dúvida, abraça práticas pouco louváveis iguais aos dos demais partidos.

Vale até dizer que talvez a existência de partidos políticos no país seja um equívoco, bem como não se trate de melhor forma de representação dos interesses da sociedade no país.

Além de PT e PSDB, possivelmente teremos outros candidatos, como Marina Silva e Eduardo Campos. E ainda alguns candidatos lunáticos da esquerda herdada do fracasso ético do PT.

Realmente está difícil escolher. O ponto de vista ético não basta. Se bastasse, Marina Silva e Dilma seriam os melhores candidatos. A petista já mostrou inabilidade para negociações políticas e tem um perfil um tanto autoritária. Marina teria dificuldade em fazer coalizões com partidos como PMDB, PSD e PT, ávidos por cargos, além de pouco interessados em reformas políticas e administrativas no Brasil.

Eduardo Campos seria apenas mais um candidato rico do nordeste, além de distante do povo.

Aécio Neves, com seus problemas comportamentais, é o representante dos mercados e da imprensa conservadora. Este último detalhe é nocivo para sua imagem e muito preocupante. Traz desconfiança a alguns eleitores que sonham com um país mais democrático, portanto, mais justo.

Enfim, segue muito difícil a definição. Por ora, o voto nulo é única opção. Serve até como protesto pacífico, cuja eficiência é muito contestável.

Para que eu defina meu voto, será preciso encontrar um critério. Por ora, a melhora do país como bom campo de investimento seria o fator principal para meu voto, bem como o forte combate à miséria, além da melhora da distribuição de renda. Reorganização da Saúde e Educação não seria nem preciso dizer da enorme necessidade de fazê-lo. No mais, o Brasil segue com um futuro incerto. Não está de todo ruim. Afinal de contas, a inflação ainda não está descontrolada e o nível de emprego é bom. Mas falta muito. Detalhes como investimento em saneamento básico. Forte e eficiente combate à miséria. Investimentos da iniciativa privada em infraestrutura. Reforma política e administrativa. Redução e reorganização da carga tributária. E revolução da Educação no país.

Para finalizar, o país precisa de um governo com estratégia e projeto. Não pode viver de improviso e falta de criatividade.

Cada um de nós deve definir bem seu voto. Para que não percamos nossa enorme chance de desenvolvimento econômico e social.

Deixar as paixões de lado é fundamental. Escolher racionalmente o candidato é fundamental. A população, que demonstra acordar com os últimos protestos em diversas cidades pelo país, pode e deve contribuir para definir os rumos do país.

Cada um deve fazer sua parte. Pensar é a principal delas.



1 comentários:

Anônimo disse...
agosto 15, 2013  

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Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
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O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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