Chuva....

terça-feira, dezembro 24, 2013 · 0 comentários

É certo que choveu hoje, não há dúvida. Eu vi a água. Protegi-me dela. E essa água caiu e aliviou o calor. Baixou a poeira. Trouxe a umidade necessária. Agravou o grave trânsito? A chuva culpa alguma tem da desorganização humana. A natureza é assim.  Se impõe. Passa sem pedir passagem. É a lei maior. E nós, quanto a nós, meros humanos, nada  a fazer. Somos parte  dessa natureza. Subjugados às vontades dela. Cabe-nos seguir adiante. E torcer. Torcer para que nos livremos da fúria vez em quando da natureza. Uma loteria natural. É assim. Cabe preocupação, sem dúvida. É  possível evitar. Cuidado. Veja a opção mais segura. Siga dicas. Vá com zelo por si. Se for o caso, nem vá. Fique. Permaneça. Espere. Para que tanta ansiedade? Pode ser a última vez. Melhor não arriscar. Deixa que a chuva passa. E amanhã até pode chover novamente. Mas pode ser que não. E se ainda assim chover, que bom. Seja como for. Do jeito que acontecer. Não importa. A felicidade não pede condição. E não há obrigação de estar feliz. Vale é a verdade dos sentimentos. Deixe a máscara de lado. Dessa vez, ao menos. Abra seu guarda-chuva e vá. Ou então fique. Veja  o que é melhor. E assim tudo vai tranquilo. E amanhã é outro dia, outra chuva...



O vírus do vírus

domingo, novembro 17, 2013 · 0 comentários

Por Sandro Luz


Meu irmão me convidou para escrever um breve artigo em um blog que ele mesmo diz que não quer divulgar muito; mesmo assim, por que não escrever? Aceitei o convite. Menos por esperar que leiam do que por querer desabafar um pouco.

Se alguém aqui já viu o filme Zeitgeist Addendum, um documentário sobre a corrupção social humana, patrocinada especialmente pelos Estados Unidos, ou pelo governo americano e seus grandes conglomerados econômicos, irá estabelecer alguma relação com o roteiro do filme e o que direi neste artigo. Digo alguma relação, pois o raciocínio não é o mesmo, já que sou brasileiro e pretendo expor algo de um jeito menos complexo.

Por que o nome “vírus do vírus”? Bem, comecemos por pensar em levantes sociais e suas causas. Um de meus alunos de inglês me disse um dia que uma revolução inicia quando os humildes se sentem humilhados. Ele quis dizer que não existe uma revolução que venha de cima para baixo. Claro que não! Os mais ricos, que detêm o poder, vivem em sua zona de conforto e têm o controle financeiro de uma sociedade. Obviamente, eles não têm pelo que lutar a não ser por si mesmos. Infra-estrutura de saúde, de educação, de moradia e saneamento, trabalho, enfim, eles têm tudo de que necessitam e agradecem a Deus pelo fruto de “seu” trabalho, como se trabalhassem sozinhos e não tivessem funcionários que trabalham até mais do que eles, mas não recebem os mesmos “presentes” de Deus. Daí, as comoções sociais. Há um momento em que um grupo mais articulado resolve reagir àquilo que parece natural para os mais ricos, mas que provoca sofrimento à maioria. Começam a reagir a uma estrutura que não os privilegia, ou que não os reconhece. Sim, os levantes sociais são uma exigência de reconhecimento social, uma luta para sair da invisibilidade.

Nos últimos meses, o Brasil tem sido palco de diversas manifestações de ruas, com certa dose de radicalidade, ainda que não se tratem de uma revolução no termo estrito da palavra. São manifestações que visam à transformação da estrutura política e social do país, mas não são revoluções armadas. Pelo menos, assim entendo. Para os que leram sobre a revolução francesa, sabem que o nosso caso é bem mais brando, digo, as nossas manifestações. A tomada da Bastilha foi sangrenta e poucos foram os nobres que sobreviveram para contar a história a partir de sua ótica opressora. Falando na ótica do opressor, qual seria ela em termos discursivos? Seria mais ou menos o que ouvimos nos noticiários da famigerada rede globo de televisão. Coisas do tipo “vândalos estão depredando o patrimônio público”. Entendam bem que não estou assumindo uma posição a favor da depredação de ônibus e prédios públicos. Porém, vejo que há uma forma simbólica nesses atos de se agredir o Estado agressor. Obviamente que existem os mais comedidos, que levam seus cartazes, e os mais radicais, que depredam prédios públicos.

A mídia, estrategicamente, faz o seguinte: volta a atenção de todos para os componentes do Black Block e outros com comportamento semelhante. Daí, passam a falar de destruição, exibem ônibus em chamas, agências de banco depredadas, etc. Tudo é transformado em um grande espetáculo visual e o principal fica de fora, o porquê desta forma de violência. Com o foco de nossa atenção no Black Block, somos induzidos a continuarmos sem pensar nas razões pelas quais realmente necessitamos de mudanças. Prestem atenção aos prédios públicos! São pobres em geral. As escolas públicas, principalmente as estaduais, parecem presídios, são desconfortáveis e mal equipadas. O transporte público é vergonhosamente ineficaz. Alguém de vocês já utilizou os trens da CPTM? Nem porcos seriam transportados nesses trens em países mais sérios. Sim, o patrimônio público está sendo depredado pelo próprio Estado. A vida dos cidadãos é uma vida depredada pelo fruto da corrupção, da verticalização do poder. As pessoas são subjugadas a um sistema financeiro aterrorizador, que as obriga a produzir para pagar suas dívidas. Dívidas intermináveis, que as mantêm sob controle. 

Os “vândalos” são o que os meios de comunicação precisavam para não revelar o câncer social. Falemos deles e todos ficarão desencorajados a fazer uma revolução. Eles são um vírus. É feio gritar e arrebentar, expor o ódio e a indignação contidos há cinco séculos de negligência administrativa no Brasil. Quem nunca sentiu vontade de quebrar os trens da CPTM, de arrebentar uma maldita porta giratória de um banco, que nos rouba a juros altíssimos pelos empréstimos que faz com um dinheiro que não é dele e ainda nos trata como marginais em suas portas? Medo!... Medo é o que sentem as instituições que mantêm o status de desigualdade irracional em que vivemos. A própria psicanálise fala do superego enquanto instância psíquica que internaliza as normas sociais e oprime o id, nossa instância mais agressiva e natural. Infelizmente, a psicanálise não teve um discurso politicamente forte o bastante para explicar porque existe o domínio dos poderosos. Esta é uma questão sociológica, ideológica, regida pelos grandes conglomerados financeiros, CIA, etc.

Falemos do Black Block, falemos do que eles quebram e assim ignoraremos os reais motivos pelos quais vivemos na merda social, comendo na latrina dos ricos, vivendo para acreditar que ser bem sucedido é poder comprar, fazer dívidas, alimentando, assim, a nossa abelha-rainha, o dinheiro, que, no fundo, sequer existe de fato. Aí está o vírus real!
Esta não é uma realidade brasileira, mas um fenômeno mundial. O Brasil é parte disto. A rede globo é paga para manter o status quo. Afinal de contas, ela deve, como todos nós devemos. Se alguém cortar a raiz do sistema, o marketing desaparecerá, Neymar (a figura, não a pessoa), Barcelona, Ford, Exxon e outros demônios pós-modernos desaparecerão.

Os mecanismos de controle ideológico são sutis e continuarão se aperfeiçoando enquanto for interessante para o pequeno percentual que controla quase toda a riqueza mundial e tem na desigualdade um fator necessário para seguir existindo. É isto mesmo: a desigualdade é fator necessário para a sobrevivência do sistema social em que vivemos. Ela é a grande condição para a perpetuação do capitalismo, do neoliberalismo. Ao se falar dos “vândalos”, não se fala destes detalhes sórdidos. A mídia acompanha tudo e adocica a boca de quem acredita nela. E assim vamos indo. Dá para ser feliz assim? Dá, claro que dá. A felicidade não supõe o torpor do raciocínio. Ninguém precisa ser ingênuo para ser feliz. Mas, ser feliz é mais uma luta por algo justo, do jeito que escolhermos lutar, do que um estado constante de bem-estar. Saber é sofrer, mas é, também, libertar-se, rir sabendo do que e porque se ri. Abraço a todos.

Sandro Luz

Terapeuta e professor de idiomas



Antes e durante a Primavera

domingo, setembro 22, 2013 · 0 comentários

Um pico de ansiedade me tem. Muitas vezes é difícil simples permitir-se bem. Quando somos nosso próprio opressor. E isto também em função da nossa falta de controle sobre a vida. Que fazer se ela segue como quer? E se pudéssemos moldá-la ao nosso modo, a infelicidade estaria garantida. É preciso boa dose de imprevisibilidade. Não se trata de viver sem estratégia e virar escravo do acaso. O que for devido fazer temos que fazer. 

Sigo meu rumo  e cumpro minha circunstancial rotina. Não me arrasto. Sou levado e vou de modo um tanto ansioso, o que é normal vez em quando. Nosso humor varia e não é preciso correr para o médico. Na sociedade do remédio qualquer dor é tratada com comprimidos. E muitas vezes é apenas aquele momento. Uma dorzinha na alma que é normal tê-la. Melhor tomar cuidado com o médicos que se confundem com representantes de vendas dos grandes laboratórios.

A ar-condicionado do trem deixa-me com frio. A baixa temperatura se mostra exagerada. Assim costuma ser com esses trens novos, cujo preço real à sociedade paulistana é desconhecido. Mas isto é outra questão. Os óculos escuros são para algum tipo de isolamento principalmente, não tanto para se proteger da luz solar. As temperaturas aumentam e o frio pouco a pouco vai se despedindo. A Primavera logo chega  e provavelmente teremos dias de calor. Não demora, o final do ano chega. O tempo dá essa impressão de passar mais rápido. Vai da forma como o percebemos.

No beiral da vidraça do vagão um marcador de páginas com dizer sobre Jesus, em que diz ser este o alvo. Mas bem sabemos que o alvo final é outro. De certo algum voluntário dedicado feito formiga para algum líder que se enriquece com a fé alheia. Dizer que tal voluntário seria necessariamente inocente poderia ser inocência de quem escreve.  Melhor não arriscar opinião qualquer. 

Já entrei  em templos católicos. Até já assisti a algumas missas. Sempre estranhou-me que só o padre falasse, enquanto a plateia apenas ouvia e fingia aceitar e entender todas as palavras. Durante  aqueles minutos eram todos santos. Absoluto estado de fingimento. Discurso e incoerência. Homenagem cínica à hipocrisia. De minha parte, não acreditava no padre, tampouco naquele que me dava "Paz de Cristo". 

Uma outra  vez estive em um templo evangélico. Fui para buscar uma paquera muito popular entre os meninos da cidade. Não por sua beleza, senão pelas facilidades que proporcionava  àqueles cheios de desejos. Causou-me alguma surpresa que o pastor ouvisse a opinião dos fiéis. Minhas recordações são limitadas quanto a esta cena. Do que lembro, do que vi, em nada se alinha aos cultos televisionados em busca de audiência e mais filiados. A soma do dízimo é o que mais importa neste caso. A tal ponto de ser possível comprar emissoras de TV e até participações em bancos. Cultos religiosos liderados por pastores que mais se parecem com vendedores. E vai ver que são isto mesmo. Afinal de contas qual o maior objetivo de vendedor senão o lucro? Tudo em nome do dinheiro. Deixe sua contribuição que precisamos comprar emissoras, bancos, carros  de luxo e mansões.

Os dias aqui se confundem, bem como as localizações. Entre idas ao trabalho está o ato de tirar o texto do "prelo". De modo que a Primavera, que chega hoje se anunciava ainda no momento da criação de alguns parágrafos deste texto. Sendo assim, está feita e devida explicação. 



Um brinde à simplicidade

quarta-feira, agosto 28, 2013 · 1 comentários

Eu caminhava  por um dos corredores da empresa em que trabalho. Cruzei uma funcionária da limpeza e a cumprimentei com desprendimento ao que ela retribuiu. Pareceu-me da parte dela esperar minha atitude. Simples gesto de ambas as partes que me tocou ainda que levemente. É a exata certeza da igualdade entre cada um de nós simples seres humanos. Pena o mundo ser tão injusto e haver tanta distinção exagerada entre as pessoas em função de condições econômicas. Mas fazer o quê? Quais ferramentas temos para exigir menos desigualdade, senão o voto e a pressão sobre aqueles que nos representam?

Regresso. É o caminho diário de volta ao lar. De certo eu quisesse  dirigir-me a um endereço que fosse só meu. Ter a tranquilidade da solidão, que dá impressão de liberdade e autonomia. No mais, abraçando  a positividade, vale é ter onde ao menos dormir. Seria dizer ter onde deitar o corpo. Ou, sendo ainda mais positivo, podemos fazer uso do jogo de palavras "ter um corpo onde deitar". 

Faz frio , e de certo as temperaturas baixas se despedem. E creio que muitos que vivem nesta cidade já sentem falta do sol,  que deu alguns dias de palhinha. De tal maneira que, muitos foram às piscinas e se deitaram sob o sol. Eu mesmo fui um deles. E o fiz em local público, diversas vezes citado aqui.

Hoje visto terno e não é por alguma formalidade, senão mera estratégia de comunicação, cujo motivo não revelo. Se for o caso, deixemos para outro texto. Sigo em um vagão da Linha Azul do Metrô em um destes novos trens com ar-condicionado, cuja aquisição por parte do atual governo pode estar ligada ao cartel fortemente divulgado na grande mídia, exceto na revista Veja por motivos de posição partidária, o que fere na veia princípios éticos do bom jornalismo. Os mais avisados leem a revista com muito cuidado. Já aqueles perfeitamente domados tem na revista uma espécie de bíblia. Quanto a mim, divirto-me com as capas.

Na estação Santana encontro-me com Alan Davis, grande amigo de muitos cafés. E é exatamente para mais um trago que marcamos tal encontro. Dali, um ônibus nos levará para casa, onde vivemos sob mesmo teto. Entre chacotas e risadas, bom papo constante. É a importância das coisas simples da vida.  E é um brinde à simplicidade que faço dia após dia. Porque viver de maneira simples, desejar pouco, é uma maneira de ser mais livre. Gesto que faço e que brindo.

Cada um tem sua maneira de ver a vida e muitos tem a maneira do outro. Pessoas que vivem com menos liberdade e autonomia. Enfim, um mundo gira. Os preços são pagos. E cada dia é um dia a menos. A vida segue e é preciso vive-la despretensiosamente. Levar no bom humor facilita tudo, mas nem sempre isso é possível. Vai depender das emoções e de como elas estão. Fico por aqui. Outros cafés com grande amigo virão. A simplicidade, assim espero, me acompanhará em minha jornada. Brinde comigo.




Creme de Cupuaçu

sábado, agosto 24, 2013 · 0 comentários


O título não tem pretexto algum. Mera escolha. No máximo uma pequena homenagem a tão delicioso fruto. Cujo creme coberto por castanhas comi há pouco. Mais uma vez, SESC SANTANA. Local de tantas visitas. Endereço certo para quem busca divertir-se com tranquilidade, qualidade e a excelente preço. Já falei tão bem deste lugar que posso tornar-me chato por isso.

Vim caminhando. E de minha residência até aqui dá cerca de 44 minutos. Medida de tempo de acordo com minhas passadas, que não são longas nem rápidas. E cansei. Cansei deveras. E me faltou alimento. Meu organismo gritou. Após o alongamento corri para a simpática "Comedoria". Pão de queijo, café puro e creme de cupuaçu. Deliciosa e não suficiente refeição. Daqui a pouco é piscina para relaxar.

O local não está cheio. A paz reina. Organização e limpeza. A competência do Setor S na administração desta instituição voltada à cultura, saúde e bem estar. Para mim, o Setor S deveria gerir a Saúde e Educação no país. De certo, seria necessária uma mudança na Constituição. 


Sábado de folga. Hoje não trabalhei. Dormi um pouco mais do que a média dos últimos dias. E foi bom. Pela manhã, tive com meu amigo Alan Davis, que loca um quarto em casa de minha mãe, que é onde resido atualmente. Mudanças conjugais trouxeram-me de volta. E a vida segue como ela quer.

Meu tempo é curto. Tenho 30 minutos para executar este texto. É o direito que o SESC me dá por cada conexão. De modo que declino do texto. Finalizo de forma simples. Ficam algumas palavras que vieram direto para esta plataforma. Depois, algum dia qualquer, vão lá para o blog. Quanto a mim, vou direto para a piscina.



Definição do voto para 2014

domingo, junho 16, 2013 · 1 comentários

 Já faz algum tempo que venho analisando para decidir meu voto para presidente em 2014. Não que eu acredite que teremos um bom presidente algum dia. Parece-me que todos os partidos possuem quadros que não estão dispostos  fazer, por exemplo, algumas reformas que o país necessita. Por exemplo, uma reforma tributária para que o povo brasileiro seja menos massacrado por impostos. Sobretudo porque a carga tributária que incide sobre os consumidores e o setor produtivo, além de altíssima, não se converte em retorno de bons serviços públicos para a população.

Lula, quando foi eleito para seu primeiro mandato, tendo enorme apoio popular, não chegou nem perto de fazer reformas estruturais no país. Limitou-se a navegar em um bom momento econômico mundial,  recolhendo dividendos de um país que crescia e era o queridinho do mercado.

Dilma faz um governo de improvisos e assusta os investimentos, o que não é bom para o país e sua população. A economia não cresce, a inflação preocupa, e o mercado está nervoso.

O PSDB já esteve no poder e mexeu mais no país de forma estratégica. O Plano Real foi um dos melhores projetos colocados em prática, com o controle da inflação, que talvez tenha sido a melhor medida econômica com repercussões sociais importantíssimas para o país. Se hoje o país não vai tão mal, é graças, por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Para não ser injusto, vale dizer que o PT no governo colocou a agenda social à mesa, e esta não pode mais ser deixada de lado. Qualquer outro partido que entrar no governo e, por exemplo, terminar com programas como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha vida, dará um tiro no pé. Neste sentido, Lula e Dilma contribuíram para que os pobres neste país deixassem de ser invisíveis.

Aliás, este parecia ser um grave problema no governo do PSDB, tendo FHC à frente, que parecia estar mais preocupado com o bem-estar de apenas uma parte da população.

Mas, para mim segue sendo difícil definir meu voto para presidente em 2014. Eu estou preocupado para que o Brasil não se torne um país incerto quanto a regras de mercado e, assim, assuste investimentos. Não podemos ser iguais a uma Argentina e Venezuela, países com governos problemáticos e feito de governos populistas e irresponsáveis.

O PT, no plano federal, parece ser um partido conservador das estruturas arcaicas de um Estado pesado. Parece preocupado em usufruir das benesses do poder e, não há dúvida, abraça práticas pouco louváveis iguais aos dos demais partidos.

Vale até dizer que talvez a existência de partidos políticos no país seja um equívoco, bem como não se trate de melhor forma de representação dos interesses da sociedade no país.

Além de PT e PSDB, possivelmente teremos outros candidatos, como Marina Silva e Eduardo Campos. E ainda alguns candidatos lunáticos da esquerda herdada do fracasso ético do PT.

Realmente está difícil escolher. O ponto de vista ético não basta. Se bastasse, Marina Silva e Dilma seriam os melhores candidatos. A petista já mostrou inabilidade para negociações políticas e tem um perfil um tanto autoritária. Marina teria dificuldade em fazer coalizões com partidos como PMDB, PSD e PT, ávidos por cargos, além de pouco interessados em reformas políticas e administrativas no Brasil.

Eduardo Campos seria apenas mais um candidato rico do nordeste, além de distante do povo.

Aécio Neves, com seus problemas comportamentais, é o representante dos mercados e da imprensa conservadora. Este último detalhe é nocivo para sua imagem e muito preocupante. Traz desconfiança a alguns eleitores que sonham com um país mais democrático, portanto, mais justo.

Enfim, segue muito difícil a definição. Por ora, o voto nulo é única opção. Serve até como protesto pacífico, cuja eficiência é muito contestável.

Para que eu defina meu voto, será preciso encontrar um critério. Por ora, a melhora do país como bom campo de investimento seria o fator principal para meu voto, bem como o forte combate à miséria, além da melhora da distribuição de renda. Reorganização da Saúde e Educação não seria nem preciso dizer da enorme necessidade de fazê-lo. No mais, o Brasil segue com um futuro incerto. Não está de todo ruim. Afinal de contas, a inflação ainda não está descontrolada e o nível de emprego é bom. Mas falta muito. Detalhes como investimento em saneamento básico. Forte e eficiente combate à miséria. Investimentos da iniciativa privada em infraestrutura. Reforma política e administrativa. Redução e reorganização da carga tributária. E revolução da Educação no país.

Para finalizar, o país precisa de um governo com estratégia e projeto. Não pode viver de improviso e falta de criatividade.

Cada um de nós deve definir bem seu voto. Para que não percamos nossa enorme chance de desenvolvimento econômico e social.

Deixar as paixões de lado é fundamental. Escolher racionalmente o candidato é fundamental. A população, que demonstra acordar com os últimos protestos em diversas cidades pelo país, pode e deve contribuir para definir os rumos do país.

Cada um deve fazer sua parte. Pensar é a principal delas.



Nem sempre

quarta-feira, abril 17, 2013 · 0 comentários

Nem tudo dá certo. Nem tudo dá errado. Não faria muito sentido se fosse diferente. A vida é assim. Uma sucessão de idas e vindas. Pessoas se realizando e outras nem tanto, ou nem um pouco. A roda gira. O jogo é aberto. Uma loteria.

Ando pelas ruas e olhos nas faces das pessoas. Não é possível saber o que se vai em cada um. Alguns rostos até expressam alguma infelicidade. No geral, a maioria parece estar bem. Mas é curioso como precisamos que outros também estejam tristes quando não estamos bem. É uma coletividade sentimental. Um apoio anônimo.

A vida adulta é feita de responsabilidades. E vez em quando surgem problemas os quais quase sempre resolvemos. É assim e não é ruim. A vida é boa, é gostosa. É absolutamente circunstancial. É aprendizado constante. Coloca desafios à nossa frente. No mais, as pessoas mais estratégicas terão menos dificuldades. E ainda assim não está garantido que serão mais felizes.

As diferentes realidades são demasiadamente interessantes. O que se vai em cada um. A história de qualquer ser humano. O livro da vida.

Você sabe que o sujeito anda no fio da navalha. Carrega consigo enormes responsabilidades. A perda de seu emprego, por exemplo, geraria uma crise enorme. Vê que não há tanta estratégia da parte dele, embora haja planos, projeções, intenções. Mas a situação é delicada. E se tudo vai bem, de um dia para o outro a mudança pode ser drástica. O que não significa dizer que este sujeito seja alguém altamente preocupado. É apenas consciente. No mais, segue absolutamente feliz. De bem com a vida.

Outro personagem sentia-se absolutamente infeliz em seu trabalho. Totalmente desmotivado. Muitos anos de empresa e pediu para ser demitido. Sem curso superior, as opções de trabalho não eram tantas. Mas foi exatamente por estar sem emprego que uma das melhores empresas para se trabalhar em São Paulo o admitiu. Depois disto vendeu um patrimônio e fez investimentos. Segue muito bem, vivendo com sua esposa e filha e colhendo amizades verdadeiras em sua caminhada. s.

Um terceiro não chegou a pedir demissão ou forçar sua saída da empresa. Empregado, investiu em um negócio. Fez sociedade com a pessoa errada. De maneira que teve que assumir tudo sozinho, incluindo tarefas que não sabia e que não se aprende do dia para noite. O barco afundou. As dívidas ficaram. Hoje se vira com bicos e tem garantido seu baixo salário. Demais detalhes pessoais existem que pouco ajudam. A vida para ele está difícil.

E por aí sucessões de exemplos de sucessos e insucessos. Realidades duras e outras muito suaves. A vida pode ser descomplicada. É possível caminhar serenamente. Sempre atento ao inesperado, àquilo que não se tem controle. Mas viver de bem com a vida é absolutamente possível. Uma das formas é optar pelo simples. A vida simples é mais fácil e mais gostosa. Em um mundo em que as pessoas ricas são muito admiradas, o desejo de ser uma delas pode levar a pessoa a dar passos errados. Não se trata de dizer que o sujeito não deva buscar o progresso. Pelo contrário, faz parte crescer financeiramente. Mas o que não se pode fazer é abrir mão da tranquilidade e serenidade. O maior bem de um ser humano é seu bem-estar.




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Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


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Adalton César
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