Pequeno retorno

segunda-feira, abril 09, 2012 · 0 comentários

As primeiras palavras do dia já se foram. Estão online em redes sociais. Comunicação. Já na rua, estaciono meu corpo cansado em um agradável e simples Café no Tucuruvi. Bairro em que mora minha mãe. Local em que durmo de vez em quando em meu pequeno quarto desarrumado.


Pedi pão e manteiga. Não precisava ser na chapa. Café com leite médio. Eu mesmo me servi de uma garrafa d’água. Sentei-me e iniciei este texto. Eu precisava disto. Refiro-me a escrever.


Conta paga na opção débito do cartão (não carrego dinheiro de papel na carteira). Tomei o trajeto direto à estação de metrô mais próxima. Não tinha pressa. Acordara cedo e fizera tudo com a devida calma que me agrada.


Lá no trem tramava escrever mais. Mas a viagem foi toda em pé. De modo que precisei do dia seguinte para seguir com este texto.Hoje não levantei cedo conforme programara. Nem queria sair da cama. Do planejado, nada fiz. E do compromisso com minha namorada quase declinei. Não fosse sua justa reclamação, eu ainda estaria em casa. Preciso aprender muito sobre a alma feminina. Já magoei algumas mulheres. Amigas ou namoradas. Muitas vezes complico desnecessariamente. Mas elas quase sempre me perdoaram. E talvez por isso eu reincida.


Visto terno azul-marinho bem escuro. Camisa branca. A gravata está guardada. Somente uso quando estou a trabalho, posto que minha profissão exige. Não me desagrada. Até gosto. Sou um amante da liberdade, mas consigo cumprir regras. De qualquer forma, sei que muitas vezes confundo liberdade com descaso. Preciso deixar de desconstruir.


Fiquei bom tempo sem escrever para este blog. Isso desde que me tornei corretor de imóveis. Nesse ramo meu nome é outro: Delneri. Presto serviços de forma autônoma para a Abyara. Ainda sigo como estagiário, posto que não tenho CRECI definitivo. Gosto do trabalho de corretor de imóveis. Ele me oferece mais liberdade. Não fico preso em quatro paredes. Meu endereço comercial não é fixo. Os dias são muito improváveis. Claro que nem tudo é tão bom. Não há salário, tampouco garantia de ganhos monetários. E se pensarmos bem, trabalho não combina com liberdade. Nesse sentido, a maior prisão de um corretor são os números. Refiro-me à ordem de atendimento ao cliente. Você pode ser o primeiro ou o último a atender. Nessas extremidades, duas prisões. Você não pode ir para casa. E se o cliente surgir? E se o telefone tocar?


A dinâmica citada acima merece explicação mais detalhada, a qual deixo para outra publicação se for de meu interesse. Neste blog pratico liberdade. Mas será que o faço de forma absoluta?


Sigo para um shopping que pouco gosto devido à sua falta de beleza. Tudo bem que o acesso é fácil. Basta descer na Estação Santa Cruz que você está nesse que é um dos piores centro comerciais de Sampa. O que me causa estranheza é que ele se localize em uma boa região. Vou ao cinema com minha namorada. Assistiremos a Raul Seixas, o filme. Claro que preferíamos uma sala de cinema mais agradável, como o Cine Livraria Cultura, ou o Espaço Unibanco. Mas ganhamos os ingressos. E a opção são salas como essa, nesse ou em outro shopping da capital.


Este blog segue vivo. Vez em quando volto aqui. Este é meu espaço sem amarras. E devo dizer, a acidez toma conta de mim e prevê os textos seguintes. Corretor de imóveis não tem tanta liberdade de expressão. Jornalista pode ter desde que não seja enquadrado em alguma redação. E antes de me criticar lembre-se dos vários personagens que você representa sem assumi-los de fato.



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fotos: Patrícia Crispim
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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

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