Restaurante SESC do Carmo

sexta-feira, julho 29, 2011 · 2 comentários

A fila vai depender do horário em que você chegar. Quando vou sozinho, chego 12h50min. Se vou com companheiros de trabalho, chego dez minutos mais tarde. Pego a bandeja e os talheres e vou para o final de uma das duas filas. A existência de duas filas tem lógica. Numa, você vai direto para os pratos quentes. Na outra, você pega salada, sobremesa e depois o prato quente. De qualquer forma, esta organização não é totalmente respeitada. Se você está na fila da salada, pode ser que alguém da outra fila peça licença e coloque em sua bandeja a salada e a sobremesa.


Nunca vi o salão vazio na hora do almoço. E já houve vezes de encontrá-lo repleto de gente, a ponto de ter de esperar mais talheres, pois não havia. Mas esta lacuna no atendimento foi rapidamente resolvida.


Saladas, sobremesas e bebidas, você mesmo pega. Já os pratos quentes, funcionários do SESC abastecem um prato a seu gosto e você o coloca na bandeja. A delicadeza do procedimento vai depender do funcionário, vai de cada um. Mas o trabalho deles é pesado, portanto manter o bom humor não é tarefa muito fácil. Melhor fazer seu pedido e não tentar muita intimidade.


Arroz branco ou integral. Quer feijão? Pegue uma cumbuca. Escolha entre as opções: carne, frango ou peixe. Vai depender do dia. Um legume ou verdura para acompanhar sempre tem. Dependendo do prato, pode ter uma farofa, por exemplo. E há dias que tem deliciosa feijoada, com água-ardente e cravo da Índia como ingredientes.


Hoje comi contra-filet ao molho provençal. Creme de milho. Arroz integral. A salada era formada pela dupla escarola e soja torrada. Temperei com uma boa pimenta que fica à disposição e com os temperos comuns de salada.


Da fila da bandeja, você vai para outra que é a do caixa. Ali, o funcionário pode se constranger ao olhar para os pratos dos clientes. Mas isto vai depender de como ele se relaciona com isto. Pode ser que nem ligue, já esteja acostumado. Eu mesmo não senti ninguém constrangido por olhar o meu prato. E pode até ser que algum cliente fique contrariado em ter alguém verificando o que ele vai comer. Tal prática é feita para que seja registrado na sua carteirinha tudo que você escolheu para comer. O pagamento é o último ato, vem depois que você já comeu.


Do caixa, você adentra ao refeitório, que é um belo salão com música de boa qualidade no ar. Quem for tímido não volta mais, pois é preciso chegar com delicadeza em uma das mesas e pedir licença, pois você vai se sentar com desconhecidos. Hoje mesmo sentei-me à mesa com alguns africanos, que conversavam em seu idioma natal. Se me xingavam, não faço ideia. Ocorre que tenho curiosidade em relação a eles e gostaria de saber um pouco de suas histórias. Talvez eu devesse aprender o idioma deles, mas isso tem cara de devaneio.
Embora tudo seja rápido no SESC, não há aquela pressão de fast-food para que você coma e suma da loja. Ali, você de fato vai comer e em seguida ir embora. Mas o fará tranquilamente em ambiente agradável e muito limpo, bem como organizado.
Você come, pega a sua bandeja e a leva até uma esteira, onde ela é recolhida para ser lavada pelas máquinas. O lixo você deixa nos cestos apropriados. Papel e plástico em outros, e assim por diante.


Agora é a fila do caixa. Felizmente, ela é rápida. O preço pode surpreendê-lo. Vai depender de que categoria você se encontra. Se for comerciário devidamente matriculado, você vai pagar pouco. Eu paguei R$ 5,90, incluindo um café.


O espresso você toma depois que pagar seu almoço. Do caixa, dá para ir direto para o Café, que é bem pequeno e simples. E é preciso atravessar a enorme fila para o almoço que já se formou desde que você chegou. A logística no restaurante e café do SESC do Carmo não é perfeita, mas funciona bem.
Não dá tempo para ler um jornal. Se você tem 1h de almoço, boa parte do tempo já se foi. Para mim, sobram sempre alguns minutos para caminhar até a empresa onde trabalho, que fica a dez minutos. Portanto, não é possível ao menos ler as manchetes dos jornais. Fica sempre para outra hora. À noite, quem sabe. E aí é possível saborear uma deliciosa sopa e tomar mais um cafezinho, vai ao gosto de cada um.





Serviço


rua do Carmo, 147
Centro
São Paulo - SP
cep 01019-020




segunda a sexta, das 9h às 20h



Sesc do Carmo e duas viagens de volta

sexta-feira, julho 08, 2011 · 0 comentários

Cará. Calabresa. Milho. E condimentos. Sopa camponesa. Preço para matriculado no SESC: R$ 2,70. Eu estava na unidade do Carmo. Havia cremes como opções também. A escolha se deu durante a fila, que era feita de pessoas simples em sua maioria, o que para mim torna o ambiente mais interessante. Ali, muitos personagens de cinema, senão todos. Eu, inclusive.

A sopa acompanhava torradas. Eu até me arrependera da minha escolha, mas experimentar implica riscos. Ao término do prato, resolvi tomar um café. Ainda na fila do caixa, vi o sujeito ser chamado de volta. A funcionária duvidou que ele tivesse pago. Mas o rapaz tinha o comprovante, o que o livrou da acusação. Os comentários posteriores foram que ele já saiu sem pagar uma vez. Eu ouvia com curiosidade. Para azar dela, o sujeito voltou e pareceu ter ouvido o que era dito a respeito dele. Ficou bravo. Esbravejou. “Cuidado com seu olho!”. Alguém sugeriu que chamassem o segurança por precaução, o que não careceu. Calculei que naquele lugar fossem comuns problemas deste tipo. Mas pode ser uma visão estereotipada de minha parte. Posso estar errado.

No Café, não tive um atendimento que me encantasse. Já me acostumei. Alguns funcionários do SESC são assim e destoam do lugar. Mas é bom deixar claro que as diferentes unidades têm como regra atender bem. Ainda não sei dizer por que algumas vezes isso não ocorre.

Agradeci o café e não me recordo se o rapaz respondeu. Detalhe que perdi. Eu já lera o jornal no andar de cima, na sala de jogos e leitura. É estranho que jogar e ler estejam no mesmo ambiente. Mas eu calculo que isso seja para beneficiar os inúmeros aposentados que vão ali se divertir e se informar. Ainda assim, preferiria os jornais na biblioteca, onde ficam as revistas e há conforto e silêncio.

Parti em direção ao meu refúgio, que é minha casa. Caminhei tranquilamente pela Rua do Carmo. Local sem beleza e com ares de abandono. Mas não é bem assim, o Estado está presente. Há um Poupa Tempo bem na esquina. Antes dele existe um prédio que teve sua construção abandonada. Inúmeras famílias ocupam o lugar. É possível ver as pessoas entrando e saindo pelo o que era para ser um estacionamento. Crianças brincam na rua. Homens jogam cartas. Há um bar logo adiante. Chama-se “Meu Cantinho”. Verifico se é possível estar ali com amigos. Não chego a conclusão alguma. A praça adiante me disseram que é a Clóvis. Não confiei muito na informação. É mal iluminada e dá sensação de insegurança. Um pipoqueiro ilumina o local com seu carrinho. Próximo à avenida, mais adiante, há uma banca no escuro. Já passou pela minha cabeça que ela pudesse ter sido assaltada várias vezes. Só vi policiamento ali uma vez e foi de dia. Sempre me causou estranheza a banca no escuro. Do outro lado da avenida fica a Praça da Sé, que é repleta de policiais, inclusive possui um posto da Guarda Municipal.

Já estive outras vezes no SESC do Carmo. Já tomei outras sopas. Jantei, até. Almocei. E sempre observei. É gostoso ver a diversidade de pessoas que vão ali. Causa-me curiosidade em ver tantos africanos no local, como se fosse um ponto de encontro deles, e pode ser que realmente o seja. Um dia ficarei sabendo, não tenho pressa.

Também já escrevi outro texto sobre este lugar, mas não gostei e desisti de publicá-lo. Isto após ter enviado para revisão, obtendo como resposta o pedido de uma ou duas correções. Fiz o que o revisor deste blog me pediu. Depois guardei o texto, pois ele carecia de confirmação de uma informação. E hoje, ao voltar ao Carmo, decidi que não publicaria. Concluí que precisava escrever algo melhor.

Caminhei da Rua do Carmo até a estação Sé do Metrô, que fica bastante próxima. Não olhei no relógio, mas sabia que ainda não eram nem oito horas. A noite estava fria, mas não o suficiente para causar algum sofrimento. Fiz uma foto do imenso corredor de acesso que me levava ao bloqueio, que é onde se paga a tarifa. Na plataforma de embarque, entrei e saí do vagão, para finalmente voltar a entrar. Resolvi que não esperaria o próximo trem e que viajaria em pé mesmo. Na estação Luz calculei que alguém deixaria algum banco vago. Olhei em redor para tentar adivinhar quem desceria ali. Durante a busca, via uma senhora se levantar e partir. Sentei-me imediatamente e comecei a escrever. Só não sabia que me estenderia tanto. De maneira que cheguei ao meu destino e não saí do trem. Resolvi que faria nova viagem para terminar o texto. Desceria apenas quando terminasse, mas optei por desembarcar na estação Ana Rosa, cuja plataforma de volta para o Tucuruvi carecia de poucos passos. Foi o tempo de sair de um trem e entrar no outro. Desta vez, ao término da minha segunda viagem de volta para casa, eu deveria ter terminado o texto. E isto se deu na estação Carandiru. Pensei num final que fosse interessante, mas não cheguei a conclusão alguma.

No dia seguinte, retomei o texto. Queria registrar que voltei ao SESC do Carmo, desta vez na hora do almoço. Fiz uma boa refeição, embora com pouco tempero, e gastei cinco reais. Poderia ter gasto menos, não fosse uma salada e uma porção de feijão. Declinei do café, pois meu horário de almoço se extinguia. Era gostoso estar ali novamente e ver tantas pessoas. Na fila conversei com um senhor e pedi informações sobre o funcionamento do restaurante. Sentamos à mesma mesa com outras pessoas desconhecidas, mas não trocamos quase palavra alguma. Somente uma senhora manifestava simpaticamente a falta de sal na comida, o que concordei plenamente. Desta vez não houve encrenca no caixa. A mesma funcionária de ontem estava lá, cumprindo suas obrigações. No Café, o mesmo sujeito de poucos sorrisos. Fui embora em direção ao Largo da Misericórdia, que é onde trabalho. Voltaria amanhã.



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fotos: Patrícia Crispim
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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
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Adalton César
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