Os problemas de cada um

sexta-feira, fevereiro 26, 2010 · 0 comentários

Você anda pelas ruas e avenidas da sua cidade nos diferentes cantos do mundo, e vê tanta gente. Não sabe o que se vai em cada uma delas. Não enxerga sua alma, nem há como fazê-lo de modo preciso. E se você não está bem, calcula que todos estão melhores que você. É como se no vagão do trem da vida, o pior lugar fosse o seu. Mas claro, tudo isso é exagero.
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O rapaz deitou um pouco das suas histórias. Entre elas, as dificuldades com o pai e mãe. Ambos com severos problemas de saúde. E ele como filho único a cuidar dos dois, que faz tempo já se separaram. Estes pais que um dia cuidaram dele. E enquanto o jovem contava a sua realidade, sem fazer isto de modo a buscar compaixão, demonstrava serenidade. E diante da afirmativa de que estava lidando bem com tudo, não negou a impressão causada. Esse rapaz já tomou o rumo à sua casa faz algum tempo neste dia de hoje. Já escreveu o trajeto pra sua casa. E já foi visto por inúmeras pessoas.
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Não sei qual meio de transporte ela utiliza para ir à faculdade. Isto seria detalhe interessante. Mas o que vale é que ela é vista por muitas pessoas. Aqueles que a notam, não se pode afirmar o que pensam. Também não sei se é possível perceber que ela vive dias turvos, causa da sua segunda separação com o mesmo marido. Fato que lhe tem dado dias tão "pesados" e que trazem o "cansaço emocional" de agora. Uma mulher muito especial, mas que a vida resolveu lhe ser dura por duas vezes. Pudesse beijá-la a face e ofertar-lhe algum sorriso, o faria sem pestanejar. O que me sobram são apenas palavras de conforto, bem como de divisão dos meus momentos. Detalhes da separação não os tenho. E de fato o que menos tenho são detalhes.
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Quando saiu do consultório sentia-se confuso, perdido. Viu que abandonar a terapia era melhor jeito de seguir a vida, precisava tomar as rédeas de si novamente. Claro que culpou a terapeuta por sentir-se tão indeciso. Mas claro que também deve exagerar na crítica. Tudo bem que suas decisões se mostram vacilantes à primeira crítica, a tal ponto de recuar na decisão. E aí por vezes se vê vacilante. E comete enganos, atrasos e faltas. Esse é seu pequeno sofrimento de agora.
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Não se trata aqui de comparar os três sofrimentos, senão mostrar que cada um sofre numa certa medida. O macro é o sofrimento. O que se pretende aqui é manifestar o desejo da compreensão. A cara amarrada, a pequena arrogância - quando não muita -, a falta de paciência, as deseducações. Tudo que pode ser circunstancial. E tudo que pode ser compreendido. O caminho da compreensão pode ser o da paz com os outros. E a melhor maneira de praticar isto é ver no outro seu espelho. E você pode fazê-lo andando pelos diferentes lugares porque passa. E isto se dá pelo mundo. Na rua de agora, na avenida de ontem. Nos lugares de amanhã. Em todo este mundo. E não é que estejamos num mundo de só sofrimento. Este faz parte. Todos temos nossa vez. A forma como reagimos é que difere, disse-me a mulher especial de um dos parágrafos deste texto.
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Daqui a pouco, tomo meu rumo. Vou para a minha casa. De ônibus, creio. Na vinda pra cá, para o trabalho, vi muitas pessoas. E fui visto por outras tantas. Observei, que sou observador, embora às vezes me cerre em meu mundo. E tantos outros indivíduos fizeram o mesmo que eu: deslocaram-se. Viram. Foram vistos. Cada um com seus pensamentos, suas alegrias, suas mazelas. Tudo na sua medida. É este um pouco do nosso mundo. É um pouco da nossa vida. Que passa do mesmo modo que passamos pelo outro pelas ruas e avenidas. Assim caminhamos.



Pela intervenção no DF

sexta-feira, fevereiro 19, 2010 · 0 comentários

Instalada a crise no Distrito Federal, com o governador em exercício preso, e o vice acusado de participação no mensalão do DEM, o melhor seria uma intervenção federal. Ao menos, o que se teria seria um interventor de ficha limpa, pois não se colocaria, diante de tamanha crise, uma pessoa com histórico sujo. Aliás, seria bom se o povo tivesse esse mesmo cuidado.
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Se assim o fosse, Arruda não teria sido eleito para governador do Distrito Federal. Em verdade, estaria fora da vida pública depois de seus feitos no Senado. Para o eleitor ruim de memória o blog relembra quando José Roberto Arruda, juntamente com Antônio Carlos Magalhães, já falecido, violou o painel de votação do Senando. Uma prática absolutamente contra as regras estabelecida na Casa, o que fere o princípio democrático de respeito ao jogo.
C
Parece que o nome mais cogitado para ser o interventor no Distrito Federal é o de Sepúlveda Pertence, cujo nome é bem visto pela sociedade brasileira. Neste sentido, seria virar do avesso o governo em crise. Em uma tacada só teríamos dois problemas resolvidos: o expurgo de pessoas indignas para a coisa pública, bem como o fim de uma crise que se arrasta há algumas semanas.
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Vale dizer que a cassação do mandato do governador, vice-governador e presidente da Câmara dos Deputados no DF fecharia a equação. Sem deixar de fora parlamentares que se beneficiaram do mensalão do DEM.
A
A crise, por fim, veio no momento certo, perto das eleições deste ano. Com a memória mais fresca, o povo estará mais arisco para votar. Isso é que se espera não apenas em Brasília, mas por todo o país. E parece que vale à pena perguntar quantos mensalões não foram revelados e quantos ainda vigoram país afora.



Outra pausa literária

sábado, fevereiro 13, 2010 · 1 comentários

Faz-se pertinente parar. Sim, é imperativo fazê-lo. É fase, não cabe preocupação. Crê-se que seja bom silenciar textos. Calar. Descansar papel rascunho e tinta de caneta. Afastar-se do teclado que digitaliza o que fora escrito no papel. Sem culpas. Sem cobranças. Angústia que seja. É entender que a vida é assim mesmo. Vez em quando é preciso parar, sentar-se, contemplar. Absorver informações. Deglutir sentimentos. Olhar. Sentir. Mas apenas quando for permitido, a hora certa sem escolha.

O autor do blog entra em uma nova fase de sua vida. Adentra à faculdade de Sociologia, de onde pretende tirar elementos que o ajudem em reflexões. Possivelmente, o que escreverá será guiado pela nova faculdade. A de jornalismo está completada. As aulas trouxeram inúmeras inspirações. Espera-se que com Sociologia não seja diferente. É estudar para escrever.

Em face de uma ausência sincera de textos, o blog se cala. Mas não é um fechar de portas, um ficamos por aqui, acabou a história. É apenas um silêncio. Como quem se senta à carteira de uma faculdade e assisti às aulas. Vez em quando manifesta suas opiniões, responde a alguma indagação. Se aqui no blog for assim, pois bem. Senão for, que o seja assim. É liberdade. É respeito por si. Pelo momento. Pela fase. No mais, é uma pausa. O tamanho dela não é sabido. E se ela se dará de fato, tampouco se sabe. É apenas silenciar. Simples assim parece.



Arroz com linguiça

segunda-feira, fevereiro 01, 2010 · 0 comentários

Aquele que tem como benefício trabalhista bom vale-refeição pode fazer uso cotidianamente de um restaurante que caiba no benefício. Para quem possui altos rendimentos de modo autônomo, um bom restaurante como opção é algo comum nas horas de intervalo para almoço. Mas para uma parcela dos trabalhadores o jeito é levar marmita de casa.

O sujeito não estava satisfeito com a academia que freqüentava. Bom, para dizer a verdade, não estava satisfeito com nada. Mas naquele momento elegera um alvo como forma de não resolver o motivo de tanta insatisfação. Antes de almoçar e ir para o trabalho, resolveu dar uma olhada naquela academia. Pior é que escolhera uma que não cabia no seu orçamento, era essa a desconfiança que trazia consigo. Mesmo assim, agendou uma entrevista com um consultor. Escolhera a unidade que fica em um dos endereços mais caros da cidade: Avenida Paulista.

Já no atendimento surpreendeu-se com a excelente forma física da recepcionista, o que lhe pareceu excelente tática de marketing. Mostrou-se inábil na comunicação com a simpática morena. Há dias que é assim mesmo, nem consegue ser simpático. Inseguro, aceitou preencher uma ficha, que funcionava como uma triagem, que depois seria encaminhada às mãos de um consultor, o qual o claudicante rapaz deveria esperar em uma das mesas ofertadas pela recepcionista.

Não se simpatizou com o consultor, e em dias de ebulição de emoções dificilmente se simpatizaria com alguém. Também lhe desagradou a comunicação mecânica daquele jovem que se mostrava um pouco tenso. Era uma manhã de um dia qualquer da semana e a academia estava cheia. Sim, realmente se tratava de um excelente local, freqüentado por gente endinheirada da cidade em busca de “resultados garantidos, ou o dinheiro de volta”. Para tanto, o preço a ser pago é bastante salgado.

À medida que o consultor mostrava a estrutura da academia, crescia em nosso candidato a aluno sincera preocupação quanto ao preço a pagar nas mensalidades. Declinou quando lhe foi perguntado se queria conhecer os vestiários. Foi objetivo na resposta e afirmou querer conhecer os planos de pagamento.

O jovem consultor, que é formado em nutrição, seguia à risca o script do atendimento com as táticas de vendas aprendidas em treinamento. Não, não era possível para o rapaz pagar o valor mínimo cobrado no débito automático, os trezentos reais ao mês. E de nada adiantou a oferta de desconto para que matrícula fosse feita agora.

Apressou-se em se despedir do consultor. Pegou sua mochila rasgada. Colocou-a às costas e saiu acompanhado de alguma frustração. Daqui a pouco, almoçaria solitariamente. Dentro da mochila, sua marmita com o par de alimentos. A lingüiça fora comprada em Minas. O arroz fora entregue na cesta básica que recebe todo mês.
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Detalhes técnicos
Texto escrito na estação São Bento do metrô
A criação do texto se deu enquanto o autor estava no stand da empresa em que trabalha, fazendo atendimento ao público
Texto escrito em 20Jan2010 em folha de rascunho; digitado em 01Fev2010 no computador do trabalho às 15h
Texto enviado para revisão ao término da digitação; revisão feita por Adalton César



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fotos: Patrícia Crispim
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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
Lilian Guimarães
Adalton César
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