Pequeno aviso

segunda-feira, agosto 31, 2009 · 2 comentários

O autor do blog obteve do inesperado contusão na mão que lhe impede de digitar textos. Por alguns dias não pôde sequer tomar uma caneta à mão. Exatamente a mão maestra dos movimentos sinceros de esferográfica qualquer esteve impedida de dançar sobre"papel submisso". Assim, nesta semana não será possível uma publicação. Fica pedida ao leitor a espera necessária e inevitável. Os agradecimentos também ficam.


Adelcir Oliveira



Café pretexto

domingo, agosto 23, 2009 · 2 comentários

Aquele que acompanha o blog sabe das minhas trocas de Cafés. E é sabedor do meu retorno para um determinado estabelecimento que tanto desgosto. De qualquer forma, este início de texto é aviso ao leitor que fez simples, primeira, e, não se sabe, única visita.

Gosto de Marketing, e isto já se evidenciou em alguns textos em que tratei a questão do atendimento ao público. Para quem me conhece, sabe que meu gosto pelo assunto em questão se evidencia de várias formas.

A dona daquele Café jamais me pedirá dica alguma que fosse para melhorar sua loja, quem sabe evitar equívocos que observo. Mas, acaso me fosse possível deitar a dica, diria a ela que se ausentasse da linha de frente do atendimento.

O senhor já de idade acusou de propaganda enganosa determinado anúncio do Café. A proprietária do estabelecimento, loira pequena em ótima forma física, abandou o atendimento que me fazia para partir em direção ao senhor reclamante. Não lhe disse desaforo algum, apenas ensinou severamente que havia certa condição para obtenção do desconto avisado pela placa, esta que jamais notei. O simples senhor abandonou o local antes mesmo da total aproximação da jovem empresária. E, evidentemente, todos assistiram àquela cena violenta, em certa medida, entre cliente e comerciante.

Ela voltou para o caixa, avisando aos funcionários de que não deixassem “desaforos” sem respostas. Esqueceu-se que os seus assalariados a temem de tal modo que palavras professadas melhor que sejam de elogios ou carinho inventado a ela, pois sabem da estrita vigilância..

Assim que tomou posse novamente do seu trono, fez a reclamação do cliente. Eu coloquei que se tratava de um senhor de idade e que as pessoas, parte delas, possuem certa dificuldade de interpretação de certas leituras. Não me recordo de sua resposta. Sei que não me deu ouvidos. O direito dela de discordar foi preservado. De qualquer modo, não era caso algum para debate.

Sejamos honestos. Se ali, enquanto pagava o que consumi, considerava seu atendimento ruim, bem como desagradável a sua pessoa, eu, de minha parte, merecia um PROCON contra mim, em termos de simpatia. Na rápida conversa que tivemos houve dose recíproca de desprezo. Neste ínterim, descobrimos nossas formações universitárias a partir de indagações feitas por ela. Não caia o leitor na inocência de que dela houvesse interesse por minha pessoa. E o fato de não haver indagação alguma de minha parte, não significa que não desejasse pistas a seu respeito. Acaso o leitor aposte em algum interesse sexual meu, incorre em novo equívoco. Do pouco que observara a respeito da sua relação com seus funcionários, eu já depositava ali um único interesse: o literário.

Surpreendeu-se ao saber que também sou jornalista. Desejou saber por que eu não atuava em algum veículo, sem obter grandes explicações a respeito. Avisou-me que escreve para determinada revista. Senti prazer em dizer que desconhecia tal veículo ao ser indagado, como se a fama fosse sinal sincero de qualidade jornalística de qualquer publicação que seja. E em seguida anunciou sua prestação de serviços para determinado político, o prefeito da cidade. Foi quando perdi a piada, conforme me avisou colega de trabalho ao ouvir minha narrativa sobre o fato. Ocorre que o político para o qual ela presta serviços, certa vez partiu para cima de um senhor aposentado, botando-o para correr com o uso de determinado adjetivo. O colega ouvinte riu-se e afirmou que ela aprendera com o patrão. Perfeita analogia.

Paguei a conta e despedida afetiva fiz apenas para os funcionários. Calculei que não deveria deixar meu dinheiro em estabelecimento de propriedade de pessoa assim. Mas pensei depois que se assim o fizesse perderia histórias e campo de análise.

Desagradou-me, por exemplo, quando ao balcão com sua nova contratada, ouvi o aviso de que ela devia vender, não conversar. Como cliente, senti-me desrespeitado. Era como se dissesse à ingressante em sua empresa que não deveria perder tempo com o cliente. Equivocava-se, pois o que a funcionária fazia com certa habilidade era cativar o cliente. Portanto, tolia a criatividade da jovem, o que poderá resultar em queda de rendimento da trabalhadora. O outro equívoco era com o cliente, em termos de fino trato.

Alguns dias depois voltei ao Café. Sim, havia um pretexto que não era só literário, mas que nada tinha a ver com a patroa. Em verdade, desejei que não ela estivesse por lá. De modo que, ao avistar ao longe o que de fato me interessava no interior da loja, fiz silenciosa comemoração.

Ao me aproximar ao balcão, cumprimentar esse ou aquele atendente, observei neles alguma apreensão. A única que me é bela ali, cumprimentou-me com um “oi amigo”. Seu belo rosto estava carregado de medo, que nada tinha a ver comigo. Não demorou, ouvi a voz da jovem patroa, ao fazer o aviso à equipe sua da necessidade de determinado ato para o recebimento das horas-extras. E logo emendou que havia funcionário demais na loja, posto que era troca de turno. A turma da parte da manhã deveria se ausentar, ficou claro. Concordei com a patroa naquilo que ela disse. Mas o que me parecia ocorrer ali era uma opressão sobre seus funcionários, cuja pista era dada pelo medo que gritava nos olhares de cada um deles, defensores de pequeno salário.

Um dos clientes presente, este que escreve, imediatamente ficou contrariado com a presença da dona no local. Depreendi que o atendimento hoje não seria a meu gosto. Além disso, o verdadeiro fator de minha outra visita ali, pretexto maior, estava ocupada demais com o medo da opressão patronal.

Minha presença foi rápida. O atendente esqueceu-se de minha predileção por café-curto. Acho que posso tê-lo prejudicado ao lembrá-lo disto. Calculei que pudesse ser repreendido posteriormente. Mas quanto a isto, posso estar absolutamente equivocado. Desta vez, o que observei foi apenas uma dinâmica naquele Café. E não que eu tenha feito a escolha do tema. Como sempre, os fatos surgem de modo independente. Sou simples servo e observador.

Alguns membros da equipe, sobretudo as mulheres, preocupavam-se em dizer o que fosse à patroa. Era como se buscassem a alforria da opressão psicológica que eles viviam. Percebi nítida invenção de afetividade, bem como irreal interesse em colaborar na resolução de inúmeras questões referentes à loja. Aliás, essa necessidade de fingimento de colaboração deu-me impressão de que fosse fruto das palestras da patroa. Mas isto é apenas desconfiança, que pode devidamente ser verificada. O que me interessa aqui é o que vi e senti por meio da observação. No caso, a simpatia inventada da equipe amedrontada.

Passaram-se alguns dias e eu voltei lá para almoçar. Mas já tinha meu almoço comigo, utilizei apenas a estrutura da loja. Eu me informara com a jovem dona do estabelecimento a respeito desta possibilidade. Conversei com os atendentes rapidamente. Sim, estava lá a jovem opressora, bem como aquele que me parece ser seu marido, algo assim. E vi que ela se ocupava com um homem maduro de aparência sombria. Uma reunião ali no Café. Carregava comigo certas desconfianças a respeito disto. Sorvi uma xícara cafeínada. E não me recordo se meu pretexto maior estava por lá, linda e sorridente. Com medo ou não. Depois disto, as circunstâncias me afastaram da estação do metrô onde eu cumpria horas remuneradas. Faz dias que não apareço. Vez em quando, meu pretexto visita minhas lembranças, como que me convidando para um café...



Dívida que não é minha

domingo, agosto 16, 2009 · 0 comentários

Eu subia a rua dos Estudantes na Liberdade e trazia comigo dívida que não é minha. A participação que tenho nela se dá pelo depósito de confiança em familiar sabido não muito afeito à honestidade, bem como inepto para a gestão de seus negócios. Em verdade, eu incorria no mesmo erro. E agora pagava o preço pela lição não aprendida.




Estava ali em busca de um acordo financeiro com a intenção de diminuir juros de dívida em nome meu, mas que centavo algum sairá do meu bolso para a quitação devida. A atual Constituição preferiu desproteger os clientes de bancos contra a cobrança abusiva de juros. Mas o lobby deles é maior que o nosso, conforme me ensinou amigo recém-formado em Direito. E, ainda segundo este amigo, a Carta anterior previa o máximo que um banco poderia cobrar de juros de seus clientes. Caso a informação aqui passada seja equivocada, cobrem do amigo. E se não fiz a devida checagem que o curso de jornalismo ensina, é apreço maior que tenho pela literatura. Portanto, a cobrança, caso devida, deve ser cobrada do amigo e da Literatura.





Não, a dívida do banco não pesava sobre as minhas costas enquanto subia a rua. Conforme afirmei, ela não é minha, leva apenas meu nome. Ela me é injusta do ponto de vista ético-familiar. Legalmente, é minha, o que pode trazer prejuízos à minha tranqüilidade. Mas por ora não traz, lamento por quem ficar decepcionado. Tudo bem que já me irritei deveras com a situação. Já levantei a voz para o produtor da dívida. Mas o fiz não pelo valor devido, senão pela indignação frente a um problema que detenho somente a titularidade.




Fui ao PROCON, conforme fiquei sabendo que assim o fizera irmã minha em uma questão financeira de cobranças indevidas por parte de seu banco. E lá no Poupatempo da Sé me avisaram que “minha” dívida é devida, portanto, deve ser paga, o que concordo plenamente. Ou seja, cabe no máximo alguma renegociação. Por estes anos que vivi, cumpri todos os meus compromissos com instituições financeiras. Não me iludo com a filosofia malandra de que dívida que não é paga deixa de existir.





Da Sé, fui para o local o qual me orientaram. Eu estava em frente ao prédio da Federação Comercial à rua da Glória, no mesmo bairro do início deste texto. Esperei cerca de dez minutos para que os portões fossem abertos pelo porteiro, senhor simpático e solícito. Jamais estivera em um local assim. Também me enganei ao pensar que estaria lotado de gente endividada. Não passávamos de cinco até o momento que adentrei à sala final.




Deixemos de fora diversos detalhes que observei, principalmente os que se referem à dificuldade de comunicação do jovem atendente, que presumi fosse um estudante de Direito. Não cabe o cálculo precário por parte de quem lê a suspeita (pior se for certeza) de que o jovem demonstrava pouco conhecimento sobre o problema que me levara ali, muito pelo contrário. Os minutos que estive ali frente a ele me foram rápida e boa aula



O jovem não me iludia. Disse-me que tentaríamos uma audiência conciliatória , mas que o banco não possuía obrigação alguma em comparecer. Uma carta-convite seria enviada à poderosa instituição. Você já deve ter recusado diversos convites. A instituição, fui informado, recusou 97% deles. Creio que eu e você não chegamos a tanto, e nem se trata de educação. Aliás, parece que foi o tempo que o pessoal que trabalha em banco era tão deseducado, mas isto é outro assunto.





Sim, eu fiz indagações sobre outros caminhos. Confirmei o que me ensinou o advogado amigo. De fato, posso optar por levar a questão aos tribunais e ter a esperança de que o juiz depreenda que da dívida existente muito são juros exorbitantes. Para tanto, teria que entrar com uma “ação ordinária”, fui ensinado. “O que é uma ação ordinária?”. “O senhor teria que pagar os gastos com o processo, com advogado...”. “ E o trabalho que um advogado tem com um processo de cem mil reais não difere de um de três mil reais”. Ou seja, explicou-me, que a conta final poderia ficar ainda mais salgada. O rapaz até fez uma metáfora com molho, mas que não me recordo.




Não nego que pensei na amizade com o advogado amigo que aqui já citei e que receberá este texto em sua caixa de e-mail. Fiz o cálculo malandro de que “meu” caso lhe servisse de laboratório, o que significaria não falarmos em valores. De certo, ele vai se rir dos meus pensamentos comentados aqui, bom entendedor que é da alma humana.




Antes do atendimento em questão, no corredor de espera, sorvi cafezinho e água. Também fui ao banheiro. E eu me recordei de Kafka logo que adentrei às instalações internas do prédio. Para aquele que ignora por que Kafka me veio à mente, peço que verifique comentários sobre sua obra literária “O processo”. Faço o mesmo pedido àquele que estranhou, ou até usou de deboche, quando falei em “esperança” em relação à uma decisão do juiz que fosse favorável a “mim” em uma improvável ação judicial contra o banco.




Despedi-me de modo cortês daquele que me prestou bom serviço ao que me pareceu. O jovem foi recíproco na cordialidade. Fui embora e tudo ali me pareceu obra de Kafka. Um capítulo seu o qual eu não podia fugir. Mas por que essa vergonha? Ser personagem de tamanho gênio não se trata de um privilégio?




Caminhei em direção à estação Liberdade. Subi a rua dos Estudantes. Dei com a Praça da Liberdade. Parei e observei um pouco o resultado pobre da reforma feita ali por uma determinada instituição financeira, que não é aquela que desgosta dos convites mencionados. A mesma que receio não me fará entrar no clube dos eleitos por ela, composto por 3% de seus clientes, ou ex-clientes. São aqueles os quais ela aceitou convite para uma audiência conciliatória.





Eu seguia calmo e despreocupado. A dívida não é minha de fato, reitero. O leitor pode indagar se o verdadeiro responsável vai pagá-la. Asseguro que sim, salvo imprevistos maiores, para os quais terei que estar preparado.




Adentrei à Estação Liberdade do metrô. Não cito aqui pensamentos nostálgicos que tive ao participar do novo cenário.O colega de um quiosque de café outra vez mais me presenteou com a bebida sem que necessitasse pagá-la, o que me pareceu irônico. De certo, se o juiz lesse esse texto e se desagradasse com essa espécie de outra dívida, creio que minhas esperanças estariam diminuídas. Mas receio que estes operadores do Direito já estão ocupados demais com tantas leituras relacionadas ao seu dia-a-dia profissional. E desconfio sinceramente que pouquíssimos leram Kafka, sobretudo a obra já citada.


Na minha carteira a cópia da carta-convite para a audiência conciliatória. Eu estarei lá, espécie de dono da festa que sou. O prato principal é a dívida citada. O cozinheiro, creio, estará em seu trabalho a gritar pelo clientes para que comprem suas frutas. Para quem não entendeu bem, o cozinheiro é o senhor da dívida, o responsável. Tem coisas na vida que a gente não escolhe. Cozinheiros e cunhados são duas delas.




O medo como incentivo e mecanismo de manipulação

domingo, agosto 09, 2009 · 3 comentários

Por Adalton Oliveira

O medo é um sentimento atávico. Como ao rato na “Pequena Fábula” de Kafka, o medo nos impulsiona para frente, na ânsia de dele fugirmos, ou entendermos a sua causa. Do medo, nasceram a religião e a ciência. Duas formas de se interpretar o mundo e, a partir delas, encontrar algum conforto.
Mas, se o medo é uma mola propulsora, ele assim o é porque o seu reverso é a coragem. Como dizia Montaigne, só há coragem onde existe medo. Aquele que não sente medo, não pode ser corajoso e será dito temerário, um louco rumo ao precipício.
Todos temem, seja o medo da morte ou do desconhecido; até mesmo a felicidade é temida. Talvez tenhamos medo dela porque tememos perdê-la, receamos experimentá-la e, depois, não suportar mais viver na ausência dela. A alegria suprema de ser pai, por exemplo, vem acompanhada pelo medo sobre o destino daquela criatura tão querida. Em nossa sociedade violenta e de punição duvidosa, temer é quase somente o que nos resta a fazer. É com medo que vivemos nosso dia a dia, e assim podemos nos tornar heróis de nossas existências, vencendo nossos medos cotidianos.
O medo é ainda uma forma de manipulação. George W. Bush usou-o para justificar sua política belicista contra o terror. Pelo discurso do medo, seu governo restringiu liberdades no território norte-americano, invadiu o Iraque e praticou torturas em Guantánamo. Graças ao medo do comunismo, difundido entre a classe média brasileira, nossos militares, apoiados pelos privilegiados de sempre, impuseram a ditadura por mais de duas décadas. O mesmo discurso ajudou na eleição de Collor de Melo à presidência. É, pois, em razão do medo que, por diversas vezes, paralisa a capacidade reflexiva, que discursos como estes frutificam. E é o que vemos agora quando a imprensa nos bombardeia diariamente com notícias sobre a gripe suína, estampando nas primeiras páginas dos jornais o número de mortos até o momento. Vemos então o pânico se difundir, e esquecemos que a tal gripe não se mostra mais letal do que as gripes já conhecidas.. Esquecemo-nos de que a dengue mata muito mais, de que o estado dos hospitais públicos, em várias partes desse país, é muito mais letal do que qualquer nova gripe. Mas, o medo transforma-se em notícia e ajuda a vender jornais ou a segurar a audiência.
Sentir medo é algo natural. O que não devemos permitir é que ele nos domine, nos tire a capacidade de agir e de pensar.
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Dica de leitura: "Reflexões a respeito do perdão"

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Devo parabenizar essa família de intelectuais e escritores! O Del já havia dito que o próximo texto seria de sua autoria, devo admitir que estávamos ansiosos por esse dia. Você descreveu o medo com perfeição. Esse sentimento já foi pauta em textos anteriores e em algumas de minhas conversas com o autor deste blog, o ser humano age contra e a favor do medo simultâneamente. Razões? Quiçá pudéssemos idêntidicá-las rsrs Parabéns, adorei seu texto. O Del devería repetir essas edições especiais! Bjs
Bjs, Verônica, Pedagoga, Mora em São Paulo, é paulistana


Resposta :

Verônica, agradeço muito a você por suas observações.
Adalton
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Nós seres humanos sentimos tanto medo de errar, mas esquecemos de pensar que o erro é algo positivo em nossas vidas, os erros são muitas vezes dolorosos, mas são o único jeito de descobrirmos quem realmente somos, acontece que as vezes é preciso fazer o que é errado, as vezes é preciso cometer um grande erro, para podermos consertar as coisas. O “medo” de tentar algo novo nos impede muitas vezes de descobrirmos quem realmente somos, e o que realmente queremos, se não arriscarmos e não tentarmos, arriscar um novo emprego, um novo amor, um novo caminho, podemos não errar, e continuar exatamente onde estamos, mas também perdemos a chance de acertar, e realizarmos sonhos que achávamos impossíveis, pelo medo de errar, perdemos a chance de um novo despertar. E se pararmos para analisar a fundo, aprendemos sem sombras de dúvidas muito mais com os nossos erros que com acertos, que muitas vezes nos passam desapercebidos. Então nós não podemos permitir sermos manipulados pelo medo do novo, pelo medo da morte, pelo medo da dor, temos mesmo é que nos arriscarmos, e encontrarmos o que há de mais belo em nossos erros, e chegarmos a seguinte conclusão: Porque repetir erros antigos se há tantos erros novos pra escolhermos ?
Patricia Alves - Professora do Ensino funtamenta I, Agosto 11, 2009



As ilhas que somos

sábado, agosto 01, 2009 · 1 comentários

texto pós-férias

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Às 4h da manhã levantei-me e desci à cozinha. Fiz busca frustrada por um medicamento, qual fosse, para a garganta. Os que encontrei estavam todos com o prazo de validade há muito vencido. Frustrei-me em ter às mãos frasco de xarope tão bem conservado, mas tão impróprio para uso. O motivo já foi dado. Tudo era um problema de tempo, para simplificar a questão. Mas em um hospital o que se teria era a constatação da falta de organização. De qualquer forma, estava em minha casa, portanto, abandonemos essa perfeição administrativa tão falsamente vendida pelas empresas.

Errei em pensar que o outro xarope que encontrei fosse indicado para a circunstância enferma vivida por minha garganta. Meu erro grave e inocente fora fazer uso de medicação e somente depois verificar na internet as indicações dos princípios ativos informados no rótulo do frasco. Sim, a caixa fora para o lixo e com ela a tão necessária bula. Quem o fez, não posso afirmar ao certo. Pode até ter sido eu. Mas isto é irrelevante.

Em tempos de banda-larga, o horário não é necessariamente desânimo para uma pesquisa na rede mundial. E não demorou que eu constatasse meu engano. O remédio que fiz uso é indicado para alergia, entre outros problemas, o que me deu a certeza que minha mãe é quem o utiliza. O conforto foi saber que a droga em questão também serve para bursite, que é um processo inflamatório, salvo engano. Bom, mas o que se iniciava em minha garganta era exatamente isto. Fui dormir com o propósito de logo pela manhã comprar a medicação mais adequada. E eu já sabia em qual farmácia o faria.

Antes de retornar à cama, cobri meu cão com um cobertor. Era noite de frio. Ele estava na sala, no espaço que mais lhe agrada em um dos sofás. Subi, e já no quarto vesti uma blusa de lã. Debaixo do cobertor, luz apagada, percebi que o cãozinho viera buscar minha companhia. Dormi. Eu me levantaria às 7h do mesmo dia, caso não utilizasse as opções do celular que me ofertam mais minutos na cama. São dez a mais, e acho que não posso escolher. A função tem apelido e não a condenemos, afinal é útil e foi ótima sacada das fábricas de celular. E, em verdade, desconfio seriamente que é possível configurar a duração da soneca como se queira.

Não sei você, mas sempre que adoeço, logo que acordo e me levanto, tenho sincera impressão de melhora. Faço até uso do engano da cura, para depois ver que não é bem assim. Mas desta vez, se não houve a cura, deu-se a melhora, que muitas vezes pode ser enganada como passo para o fim da enfermidade.

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Tomei meu banho. Fiz a minha barba, e o resultado na pele me agradou. Não, o ânimo era pouco. Eu queria mesmo era ficar em casa. Ainda chovia e frio forte chegara no dia anterior. Tomei meu desayuno e quase nada dele foi para o cão. Preparei as refeições para o dia. Eu as levo em minha sofrida mochila. Isto é para aliviar meu bolso, bem como fazer crescer os músculos que sofrem cargas durante a semana. Quem freqüenta academia sabe do que falo. Quem entende do assunto, também o sabe.
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Fazia frio intenso para um país tropical. Chovia. As pessoas seguiam como sempre, ilhadas. As exceções estão por aí. Eu não sou uma delas. Minha ilha de emoções estava fortemente protegida por exército medroso.
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Nesses tempos de nova gripe, o transporte público é risco inevitável. Você nota todo o desconforto dos veículos que transportam inúmeros corpos, sobretudo quando está deveras cansado e estressado. No seu carro, possivelmente está mais protegido de um contato indesejado com alguém infectado pela nova doença. Quanto a isso, não restam dúvidas. Os problemas são outros, apenas. Enfim, viver na civilização tem preço, uma escritora mencionou. Às vezes, pode ser o simples e último contágio.
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Tinha mochila pesada nas costas, e não nego preocupação com tal peso, mas que não me lembro como se calcula o limite em relação ao peso do meu corpo, debilitado pelo cansaço, que em nada tem a ver com o retorno das férias. Em uma das mãos segurava a sacola com material de trabalho que usaria nestas primeiras horas desta sexta-feira gripada. Na outra, enorme paráguas preto que não entreguei ao amigo, conforme missão a mim confiada. Esse cansaço pede a companhia do estresse para habitar-me. O prejuízo fica todo comigo, calculo. Mas é possível fazer reflexão. Vai ver o cansaço que ir para outro corpo. Tem pressa e pede reforço a fim de me convencer em respeitar meus limites. Eu me resigno e lhes digo que sigo aprendendo. Em minha ilha, sou rei que obedece.
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No vagão do metrô, aquele que adentrei, todos os assentos estavam ocupados por diversas ilhas. A soma de todos os exércitos de cada ilha resulta na constante Guerra do Medo. Essa que nos faz tão agressivos e arrogantes uns com os outros. Guerra, cujo único vencedor é o medo, que não é o macro da questão. Esse desamor que cada um tem por si resulta neste nosso comportamento belicoso. A paz com o outro começa pela paz consigo. Enquanto isso, levantaremos nossas armas, inconformados com o que somos. O jeito é essa nossa arrogância, só assim para não nos sentirmos tão inferior ao outro. E, curioso, é a reciprocidade no comportamento. Enquanto isso, lancemos mão de paliativos. Compremos por aí. Façamos nossas dívidas com as operadoras de cartão de crédito. E, cada vez mais, fiquemos "protegidos" em nossas ilhas. E, como me disseram ter afirmado o médico, juntemos bastante dinheiro para gastá-lo quase todo com nossas doenças advindas de nossa castigada alma. E terminemos a vida absolutamente infelizes. A guerra continua.
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Desembarquei na estação São Bento. Minha comunicação estava um tanto limitada. Assinei o controle de presença do Metrô. Mas se não o fizesse, não seria cobrado pelo não-ato. Cumprimentei a moça do stand ao lado, sem utilizar de grande simpatia. Ela, por sua vez, ofertou-me novamente seu sorriso bonito, cuja beleza é limitada por seus medos. Se na Idade Média a grande prisão era o medo da morte, a condenação, alimentada e utilizada pela religião católica, a prisão atual são as nossas emoções, tão bem negligenciadas por nós.

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No decorrer das horas que deveria cumprir, na primeira etapa de trabalho, fiz as minhas leituras. Desejei me cercar de revistas, jornais e livros. Tudo como forma de isolamento. Até que me cansei de passear olhos por páginas a fio. Percebi dificuldade de concentração e abandonei as leituras. Quando então me armei de papel e caneta e teci as críticas aqui. E elas se dirigem a mim e a vocês. De certo, meu objetivo maior era fugir dessa minha ilha. Deixar nela apenas meu exército. Triste com a incerteza de obtenção de êxito. Feliz em saber que não sou solitário nessa revolução de si. Angustiado em saber que por mais algumas horas ficaria na estação do Metrô. O problema não são essas outras ilhas. Não me iludo, tampouco posso culpar o outro. E façamos justiça. Muitos que passavam por lá, seguiam livres, desamarrados, o que é bom. A senhora me perguntou as horas. Informei que faltavam vinte minutos para às 14h. Mas isto se fora há cinco minutos...
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sugestão de leitura:
"Os videogames", por Adalton Oliveira

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Sempre que posso entro no seu blog para ler um de seus textos. Hoje eu tirei um tempinho para ler esse que você relatou "as ilhas que somos ". Confesso que ri não pelo que aconteceu contigo, porque tomou o remédio errado, mas pela sua inocência!(rs). Olha, quanto ao seu cachorrinho, com certeza ele ficou feliz em dormir com você., principalmente nesse frio . A minha Kika, enquanto escrevo, está debaixo do meu cobertor (rs). Gostei da sua crônica! Melhoras, tá bom? Cuide-se. bjs


Naty Macedo, universitária, mora em São Paulo, é mineira




Resposta do autor:


Obrigado, querida! A minha garganta não chegou a adoecer! O cãozinho realmente adora dormir comigo, faça frio, faça calor (rs) bjs. Del



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Eu li uma frase do Arnaldo Jabor que dizia : "Estamos cada vez mais cercados de pessoas e mais sozinhos". Seja sozinhos em casa procurando um remédio que não encontramos ou na estação de metrô cercados de "ilhas". Essa é a realidade do ser humano, atrás de cararicaturas felizes, frases feitas e sorrisos amarelos encontramos o medo....não se sabe bem do quê, mas o fato é que ele existe!

Del, adorei essa crônica! Como sempre você consegue expor os fatos de maneira cômica e dramática a mesmo tempo!!
Bjs, Verônica, Pedagoga, Mora em São Paulo, é paulistana

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Resposta do autor:
O Jabor produz textos excelentes do ponto de vista literário. Do ponto de vista político, é odiado por muitos que conheço que ainda se dizem de esquerda. Eu fico com a parte literária, sempre com respeito às opiniões do escritor em questão, muitas das quais eu concordo.

Bj pra você também!
Del



Excelente texto, caro! Esse merece destaque .....

Jamais poderíamos ter a atenção das pessoas o tempo todo, mas concordo com vc que a modernidade afasta cada vez mais o convívio social, o amor e alimenta um "medo estranho" dentro da gente. É verdade...
Daniel Grecco, jornalista, futuro locutor de futebol, mora em Sampa






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blog debate

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Adalton Oliveira: Texto revisto. Acho que um questionamento é necessário: por que as pessoas vivem isoladas? Mas, será que elas vivem isoladas ou parecem assim viver? Será que isto é uma característica dos tempos modernos, que elevou o eu às alturas, ou é algo intrínseco ao ser humano? Há espaço para a crítica dessas situação ou apenas nos restar lamentar a nossa sina que nos obriga a viver reclusos? E aqueles que parecem que superaram o isolamento, de fato o fizeram ou é apenas mais uma máscara? Manter o outro distante não seria nada mais do que uma estratégia de sobrevivência; afinal, é preciso se estar precavido contra os estranhos?

Adelcir Oliveira: Eu acho realmente que se trata de precaução na maioria dos casos. Não apenas em função da violência, mas sobretudo uma precaução do ego. Creio que seja nosso instinto de defesa. E, desse ponto de vista, entendo a todos nós, Na verdade, devemos ser entendidos em todos os pontos de vista. De qualquer forma, percebo que o sentimento maior é o desejo pelo não-isolamento, afinal precisamos dos outros. Falo por mim, não gosto de me isolar em meio ao público. Minha carência grita do modo seu. Agora, há pessoas que me parecem tranquilas em silêncio seu, onde quer que estejam. Estas, eu admiro. A minha crítica é para os que não suportam esse isolamento, mas que o mantém, premidos pelo medo, sem buscar saída que seja. Eu, isolado, sou um deles. No fim, o que me parece ideal, digamos assim, é simplestemente ser livre, silenciosos ou não. Ao me cobrar, ao me incomodar com meu isolamento circunstancial, é sinal de que algo não está bem em mim. Essa é minha visão. Se se trata de algo intrínseco ao ser humano, essa questão do isolamento, não possuo elementos para discorrer a respeito. Por ora, prefiro a minha busca.

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Adalton Oliveira: Eu entendo isto. Estamos no campo da metafísica, onde as respostas são difíceis, senão impossíveis de serem dadas. Então, Alberto Caieiro pode estar correto; melhor não nos preocuparmos com isso, melhor aceitarmos nossa carência, encararmos com naturalidade nossa postura de isolamento; afinal, ela pode estar mais de acordo com nossa natureza do que a posição contrária. Algum poeta, que são quase sempre mais interessantes que os filósofos, disse que é preciso, antes de tudo, aprender a ser sozinho. Vinícius de Moraes escreveu que a solidão é o destino de quem ama, eu digo que ela é o destino de todos, amemos ou não. Sabe, meu caro, ando flertando com o budismo, uma maneira de viver na qual encarar a vida da forma como ela é torna-se questão fundamental. E, no budismo, o sofrimento é parte integrante e majoritária da vida. Daí, saber lidar com sentimentos negativos como ódio, solidão, angústia, excesso de desejos é um meio para se fugir da dor de viver. Concluo do que eu disse que Alberto Caieiro era budista.




Res

Adelcir Oliveira: Bela explanação. Eu concordo com os budista na seguinte questão: os fatos. Para mim, eles são como são. Mas carrego a ideia de auto-revolução. Não quero mudar os fatos, quero apenas melhorar como pessoa. Deixar a vida correr por si tem me ajudado, sobretudo com as mulheres, quando antes eu queria dominar tudo e criar relações. Hoje, o que tiver que ser será. Esse seu comentário de agora só posso publicar se me autorizar. SE quiser, posso editar e retirar as afirmações que se referem mais à sua intimidade.

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ps: o que mais gosto na discussão sobre o ser humano é a exata incerteza.

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Adalton Oliveira:Pois, melhorar como pessoa é o que o budista procura. Aliás, por uma questão lógica: já que os fatos são imutáveis, apenas eu posso passar pelo processo de modificação. Quanto a publicar o que eu disse, faça como quiser.
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Os debatedores:

Adalton Oliveira é revisor de textos do Opiniões&Crônicas e orientador literário do autor deste blog.

lAdelcir Oliveira é o autor do blog


O debate involuntário foi feito por meio de troca de e-mails. A próxima publicação no Opiniões&Crônicas será um texto de autoria de Adalton Oliveira sobre o medo. A participação nos debates é livre a qualquer pessoa. Basta enviar sua opinião para opinioesecronicas@yahoo.com.br



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fotos: Patrícia Crispim
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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


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