"Fim de caso"

terça-feira, junho 16, 2009 ·

Acho que já citei o filme “Fim de caso”, não tenho certeza. Poderia averiguar, mas não quero e isto é absolutamente desimportante, como diversas ditas verdades por aí vendidas, alimentadas pela carência e medo daquele que compra, sem direito a alguma espécie de PROCON.

No filme em questão, que é baseado na obra literária de mesmo nome, o personagem central é um escritor. Corroído pelo ódio, escreve um livro norteado pelo sentimento citado. Por longa data sofreu sem saber por que a mulher que amava afastara-se dele repentinamente, sem qualquer explicação. A dor da incerteza fez seus dias cinzas e sua alma embrutecida.

O tempo passou e o revolto escritor reencontrou a mulher que tanto ama. Sua raiva era tamanha que não deixou que ele ouvisse a explicação da bela dama, obrigando-a a ir embora aos prantos, mediante os insultos ouvidos. O problema é que ele possuía informações equivocadas de que ela estaria com outro homem. Sua raiva era do tamanho do seu amor por ela, sentimentos que o consumiam amiúde.

Demorou para que ele soubesse de toda a verdade. Sua amada, embora atéia, fizera uma promessa a Deus, pedindo a Este que salvasse a vida de seu homem. O escritor ferira-se com a explosão de uma bomba. Estavam vivendo a 2ª Guerra. O preço que ela ofertara em monóloga negociação era justamente se afastar dele para sempre.

O tempo passou e Bendrix, de posse do diário de Sarah, descobriu toda a verdade. O casal reatou, quebrando o compromisso da promessa. Contudo, uma doença a levaria para sempre. Ela morre, deixando no escritor uma revolta sem cura por Aquele que o teria salvo mediante preço já mencionado. O livro atual em que trabalha é um culto ao ódio. Não por Sarah, ou pela vida. Mas por Deus.

O filme termina com o escritor narrando o final de seu romance. Bendrix pede que Deus proteja o marido deixado por Sarah. Que cuide da alma de sua amada, o qual teria sido a ferramenta que usou para provar sua existência a Bendrix.

A última cena termina com o seguinte pedido por parte do escritor a Deus: “Quanto a mim, por favor, esqueça-me”.

O filme foi dirigido por um diretor católico. Trata-se de um dos mais belos filmes sobre o amor. A fé é mero detalhe, que é “onde Deus reside”, aprende-se na faculdade de jornalismo. O momento mais belo é quando Sarah morre e seu marido grita por Bendrix, que ele sabia ter sido amante de sua mulher. Pede que o escritor o ajude, pois ele não saberá viver sem sua esposa. Em cena anterior, reconhece que não foi um bom marido. E Bendrix atende ao pedido do viúvo, cuidando dele afetuosamente. Ato belíssimo entre dois homens. Um consumido pelo ódio e o outro pelo medo e sua fragilidade.
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opiniões opiniones opinition

Alan disse...
Bela resenha, Del! Lembro-me que você já havia falado desse filme. Quero assisti-lo!Abraço
Junho 17, 2009


Melanie Brown disse...
Historia muito forte!!!Assim como o pedido final do escritor a DEUS. A frase me deu arrepios...

kkkkk
Deo, espetacular ou espetaculoso a trama do filme, a sinceridade dos personagens, a definição radical da personalidade deles, nos s dois lados do coração humano, iguais em tudo, mas de sinais trocados: Amor & Ódio.
Vou assistir. Merece.
Me lembra um pouco umas passagens do filme de Edith Piaf, naquilo que há de intensa vibração humana, de gente, de luta obstinada pela realização de um sentimento ou pelo sucesso de dons que a pessoa acredita ou sei lá... . Tesão de viver com intensidade o sabor do próprio viver.
Tchau.
Prof. Celso.

llllllllll

Bacana, mas perdi o tesão de assistir ao filme. Na verdade, nem sabia de existência dele. Então fica tudo como antes. Mas você continua a escrever muito bem.Grande abraço, Jorge


Bem legal essa indefinição e o suspense pelo não revelado .É poesia em forma de prosa.
Prof. Dema



2 comentários:

Alan disse...
junho 17, 2009  

Bela resenha, Del! Lembro-me que você já havia falado desse filme. Quero assisti-lo!
Abraço

Melanie Brown disse...
junho 17, 2009  

Historia muito forte!!!Assim como o pedido final do escritor a DEUS. A frase me deu arrepios...

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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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