Crônica desnecessária

sexta-feira, fevereiro 27, 2009 · 2 comentários

Na hora programada soa o alarme do celular. A escuridão de ainda traz dúvida quanto ao horário. A incerteza aumenta ao ver no despertador uma hora a menos que no pequeno aparelho usado para tirar do sono aquele que dormia. Dirige-se à sala e busca o relógio de pulso, quando confirma que está na hora de levantar. No trio de aparelhos, a confiança plena se deu pelo fator idade. O mais novo ganhou crédito.


A primeira atividade do dia não carece esclarecer, posto que não fará diferença nenhuma na crônica, ao contrário do que fez no humor no decorrer do dia. Já está rumo ao segundo compromisso. Faz tempo não utiliza o metrô pela manhã, quando a lotação e pressa são ingredientes desagradáveis sempre presentes.


Quando se entra no vagão, a orientação é não ficar na região das portas. Assim o faz ao mudar de trem para alcançar seu destino. Logo se apóia ao balaustre, segurando-o com uma das mãos. Ao lado seu uma senhora que ao ter um dos braços tocado pelo dele expressa grave descontentamento. Irrita-se com ela e um sincero desejo de repreendê-la subitamente o domina, mas que é abandonado imediatamente. Não demora quase nada, a mesma senhora desvia-se do corpo de outra pessoa, agora uma mulher. E o faz com a mesma indignação de quando teve braço tocado. Depreende, então, o rapaz, que a mulher possui alguma patologia, o que o faz mais compreensivo.


Na lanchonete, a busca por um isotônico. Nem bem adentra ao ambiente, atendente simpática pergunta-lhe o que deseja. Ela não se encontra do lado de lá do balcão, senão no espaço onde ficam os clientes. É o sistema de atendimento daquele local, que se mostra muito eficiente. Enquanto a moça busca o isotônico, um homem de braço enfaixado, trajes comuns, pergunta ao rapaz se já fez seu pedido. Desconfiado, o jovem responde laconicamente de forma afirmativa. No centro de São Paulo as desconfianças se tornam mais aguçadas. Só depois observa que aquele senhor gerencia tudo que se passa por ali.


No caixa, alguma beleza na funcionária lhe desperta atenção. Mas parece que o homem de braço engessado se incomoda com o interesse dele. Calcula, então, que a moça possa ser, quem sabe, namorada do senhor gerente.


Segue apressado para o endereço de destino. Na Rua Barão de Itapetininga são muitas as pessoas em volta de inúmeros anúncios de vagas de trabalho. Num passado remoto, estava na mesma condição daqueles que buscam o fim de uma condição de desemprego. É a vida roda-gigante.


O humor não está dos melhores. O cansaço da primeira atividade do dia ainda não lhe traz o bem estar de depois. Calcula que exercícios na primeira hora do dia não lhe são adequados. A certeza de então cairia por terra mais tarde, ainda pela manhã.


A sala de aula encontra-se trancada. Não se equivoca, sabe disto, é ali mesmo. De qualquer forma, opta por voltar um andar e fazer nova verificação. Observa que houve um erro, não é hoje o início das aulas. Na administração, comunica o erro e é feita a correção. Agora sim é matriculado em turma, cujo horário é o que pretendia. Vai embora e volta à lanchonete de atendimento imediato. Agora é café e pão de queijo. Pressa não há. No caixa, prefere não admirar a moça, pois o de braço imobilizado está ao lado dela. Dali, não sabe ao certo para aonde vai. Sobra-lhe tempo. O humor já melhora. O resto do dia foi de tamanha tranqüilidade, que não cabe aqui nada para explicar. No mais, fica esta desnecessidade literária que é esta crônica.



opiniões opiniones opinition

'Desnecessidade literária'? Está de brincadeira, né? Está cada vez melhor! Quando eu crescer, quero ser igual a você
Meu blog saiu da manutenção. Aquela amiga customizou o template pra mim. Dá uma olhada e me diz o que acha.

Carol Oliveira, SP, http://carolinabeu.blogspot.com/


"O texto é bom, mas não é uma crônica. Este site é mais literário do que crônico. Mas, isso não o desmerece, pois é muito bom". Abraço do nordeste.

R: Caro leitor, por favor, peço por gentileza que se identifique para que o comentário possa sempre ser publicado. Fico no aguardo para manter este democrático comentário. Abraço!
Adelcir Oliveira - Del




O gás lá em casa

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 · 0 comentários

o fato é o que menos importa

De repente, palavras ditas aos berros. Meus olhos buscam o fato. Não sou o único. Desavenças alheias chamam a nossa atenção. Dois homens de preto ouvem os insultos de um terceiro. São os vigilantes do Metrô. O rapaz que é conduzido para fora da estação demonstra grave indignação, e o faz de modo agressivo, que é fruto do seu inconformismo.
Num primeiro momento, fiz a leitura de que se tratasse de um lutador de jiu-jitsu, dado o porte do rapaz. A mente é que busca decifrar o que olhos veem, ouvidos ouvem. São as informações dadas pelos sentidos. As situações podem ser as mais variadas e os sentidos podem ser outros.
Falando em alto tom, informava ser casado. Culpava um dos agentes de segurança pelo gás de cozinha que não levaria para seu filho. Colava a cara à cara do funcionário do metrô, que se mostrava um pouco tenso. Cheguei a calcular que temia a irritação excessiva do rapaz. Seu companheiro ao lado estava atento, pronto para agir como fosse necessário. Desconfiei que haveria agressão física num dado momento, tamanho o modo ameaçador como esbravejava com o agente, aquele homem de toca, camiseta, bermuda, meia e tênis.
Fez a ameaça da perseguição. "Você não vai mais ter sossego em sua vida". Passou pela catraca e teve que tolerar sorriso cínico do seu algoz. Indignado, protestou aos berros. Lembrou mais uma vez o gás de cozinha, o filho, a casa. Num ato de extremo, jogou sua mochila ao chão e chorou enquanto reclamou. Fragilizara-se. Já não era mais aquele que forjava valentia. Buscou o público numa espécie de discurso. Queria algum tipo de apoio. Fazia política e se mostrava hábil.
Ali, permaneceu encostado ao parapeito. Funcionários do Metrô o observavam atentamente. Usuários faziam o mesmo, mas com curiosidade. Alguns até parados como que assistindo a um show.
A minha leitura, eu interrompera para o fato fazia alguns minutos. Meus olhos eram frios, não nego. Rapidamente, fiz simples reflexão, enquanto retornava à leitura e vez ou outra observava o rapaz parado, indignado, olhos mareados.
Quando vi que o agente de segurança estava ao telefone, pensei que estivesse acionando a polícia. Declinei da frieza e fiz torcida para que o jovem abandonasse a estação. Mas outra vez mais minha mente errou na interpretação daquilo que lhe era transmitido pelo sentido da visão.
Um homem que puxava uma das pernas, desceu escada rolante e falou ao longe com o rapaz, que ouvia atentamente. Lá da plataforma, fez discurso. Pediu para que não fizesse nenhuma besteira, que tomasse cuidado com a "cabeça". Até que se foi , não sei se no primeiro trem que passou. O jovem expulso, ouvia e concordava, meneando a cabeça. De qualquer forma, parecia querer se livrar daquele que parecia pregar.
A reflexão que fiz foi que o fato ocorrido era o menos importante. O agente de vigilância do metrô apenas cumpriu sua obrigação ao expulsar o rapaz do trem, que vendia produto qualquer num dos vagões, o que é terminantemente proibido pelo Metrô. Neste sentido, não cabe indignação contra aquele que desempenhou seu papel, ditado pelas normas da empresa para o qual ele trabalha. O problema ali era a situação de desemprego daquele que buscava sobrevivência, cuja condição era agravada pela má ou nenhuma preparação profissional , fruto de um sistema de ensino que está entre os piores do mundo, consequência de uma sociedade tão desigual.
Prender-se ao fato, como fariam os jornais, é limitação proibida aqui. Abro espaço para fazer a crítica aos periódicos, que se limitam, muitas vezes, apenas aos fatos, sem aprofundamento reflexivo. Podem defender que isto é característica das revistas, que os jornais funcionam de modo diferente. Se assim for, o leitor terá a velocidade da internet como melhor opção. No dia seguinte, a leitura da notícia no jornal deixará de ser feita, algo que, por exemplo, já fiz diversas vezes, posto que já sabia do ocorrido, uma vez que já fora noticiado por site qualquer de notícias.
Passaram-se alguns minutos e aquele que fora reprimido pelas forças do metrô insistia ao parapeito. Decidira que retornaria ao trem para prosseguir com seu comércio. Mas o agente de plataforma estava de olho nele. Este, bem que tentou o retorno, quando burlaria outra regra que é o pagamento pelo acesso à plataforma de embarque. Mas foi impedido. Após a segunda tentativa, renunciou ao objetivo seu. Deu as costas ao funcionário vigilante e não se voltou mais, caminhando para uma das saídas daquela estação do Metrô paulistano.



Lá em Codó

sexta-feira, fevereiro 13, 2009 · 1 comentários

Foi numa leitura que me deparei com obra de humanos notáveis. Elas se dão, dentre várias partes do mundo, lá no Maranhão e Pernambuco. E aí você fica sabendo que a mulher que deixou cidade pequena por uma que fosse grande, em busca de dias melhores, conseguiu no máximo trabalhar como doméstica. Noticiada sobre as obras de uma ONG em sua cidade natal, voltou e se voluntariou. Hoje é uma das líderes de trabalhos em prol da população local. Daí você calcula o que ocorreu na autoestima dessa mulher. Fato este que considero extraordinário, digno de arrancar uma lágrima dos olhos, como quase o fez comigo.

Em toda a minha existência, até aqui, voluntarismo que fiz foi apenas pegar papel em via pública e dar o lixo como destino, mas que teria sido mais nobre levá-lo para reciclagem. Agora, algum comprometimento com trabalho voluntário de ajuda ao próximo, não fiz. Embora ainda pense em fazer, sigo limitado às pequenas doações, muitas vezes feitas mais por culpa do que boa vontade.
Mas lá no Nordeste, nos dois estados já mencionados, a própria população, orientada pela ONG Plan, trabalha para mudar sua realidade bastante distinta das pessoas de classe média aqui do Sudeste.

O fato é que dá vontade de ir lá para ver as obras de perto. Talvez haja um hotel ou pousada em Codó, no Maranhão, que abrigue forasteiro de São Paulo, um pouco cansado de outros seres humanos preocupados apenas com seus castelos. Recordo-me até de um conhecido que despejou em mim conquistas materiais, entre as quais seu salário, e até valorando sua namorada como "filé". Não se tratava apenas de comportamento competitivo, mas algo também exibicionista. Claro que me aborreci com o rapaz, mas hoje o vejo como um produto dessa sociedade individualista e consumista. Alguém que se vitima sem saber. Que talvez caminhe para o abraço com a infelicidade.

Voltemos para o Nordeste. A gente sabe que muitos se retiram de lá das pequeninas e subdesenvolvidas cidades em direção às capitais variadas para serem massacrados por moradores como nós, que vivem em melhores condições de vida. Hoje, no centro velho de São Paulo, vi um jovem rapaz que trabalhava com cartaz no corpo, anunciando vagas de emprego. Calculei que ele pudesse ser um migrante de alguma região pobre. Pensei comigo sobre o desprezo da cidade para com ele. Sua possível realidade que o fere dia a dia. Mas é claro, não poderia saber ao certo. A pele é dele, não é minha. Escrever é bem mais fácil.
Talvez eu faça alarde e essas simples pessoas sejam mais felizes que inúmeras outras engravatas, cheias de pressa e compromissos. Mergulhadas em grande estresse, muitas sucumbem aos problemas emocionais.

Possivelmente lá em Codó haja gente mais feliz, que constrói futuros, orgulhosas das transformações de realidades suas e dos outros. Gente que, segundo a edição 1 de julho de 2008 da revista Plan, cria raízes nos lugares onde nasceram, sendo que algumas delas retornam por saber que agora não é mais como dantes. Se ainda há dificuldades e problemas a resolver, elas têm o que é imprescindível para o ser humano almejar felicidade: perspectivas.
Vale relatar que as conquistas destas populações se dão pela organização de pessoas, orientadas pela Plan, que juntas pressionam prefeituras para esta ou aquela melhoria. Além disso, poder público e terceiro setor trabalham em parceria com resultados positivos para os moradores. Trabalhos que se dão nos campos da saúde, educação, esporte, formas de geração de renda, entre outros. Parceria perfeita que fiquei sabendo a partir de uma leitura feita às 2h da manhã. E para que pudesse fazê-la bastou simples clique no anúncio da ONG, quando simplesmente era feita uma visita a um blog por indicação de um amigo. Um inesperado que me trouxe belas informações. Neste mundo há trabalhos inteligentes e sustentáveis, que respeitam a dignidade do ser humano. A frase feita que cabe aqui é "nem tudo está perdido".


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Muito bom o texto. Além de discutir, de maneira inteligente, um tema importante, - o de importar-se com outros, sair do egoísmo e da mediocridade cotidiana, olhar ao redor e perceber que podemos fazer algo pelo próximo, que vai além de meras doações em dinheiro, as quais servem mais para aplacar nossa consciência e nos manter escondidos em nossa covardia - você, do ponto de vista literário, foge do velho e batido tema da falta de inspiração, do seu problema existencial, da busca por uma "cara-metade".

Adalton César, SP



Codó é, segundo a tradição, a capital do Candomblé, religião afro brasileira. As más línguas a chamam de capital da 'coisa feita' por concentrar ali vários profissionais que se dedicam a prestar serviços de cura, amarramentos amorosos e desfacção de feitiços... MAs que bom que alem disso Codó também tem em seus habitantes pessoas como essa mulher citada por você. Pessoas assim fazem a diferença, curam FAZENDO.
Não entendam esse comentário como preconceituoso ou que discrimina religião A ou B. Mas com certeza há em Codó um ou vários hotéis, Del, nos quais vc poderá se hospedar e ver também por si mesmo se essa outra fama da cidade é verídica...rs
Bjo

Zenna Santos, GO


Seu texto é uma realidade, e sei também que nem tudo está perdido, mas o que me impressiona em você é a lucidez e sensibilidade com que escreve.


Regina Hassum, SP



O castelo do deputado e a violência que tomou conta do país

segunda-feira, fevereiro 09, 2009 · 1 comentários

blog convidados Adalton Oliveira

Sintomático o castelo que o deputado federal Edmar Moreira (DEM – MG) possui no interior de Minas Gerais. Sinal claro de como a maioria dos políticos nacionais pensa o Brasil: um feudo divido entre poderosos senhores que conduzem este país do jeito que querem.
O senhor Edmar, ex-capitão da PM mineira, tendo sido expulso dela por ser “violento demais”, enriqueceu na área de segurança, ofertando aos que podem pagar aquilo que deveria ser um direito de todos, mas que, graças a pessoas como ele, Edmar, tornou-se artigo de luxo. Haja vista o comportamento dos políticos quando o assunto segurança é discutido nos plenários. O que se percebe é uma sucessão de leis a favorecer o criminoso, talvez num ato de autoproteção. Exemplo claro disto é a atual medida que coibi a prisão de quem ainda não foi julgado. Isto quer dizer que um sujeito como aquele que matou um jovem e que violentou e deixou paraplégica uma jovem no interior do Paraná, não poderá ser preso enquanto não for a julgamento. Poderá, assim, gozar da liberdade que o Estado lhe confere para continuar matando e violentando.
Há tempos o país está mergulhado em profunda violência Não há dia em que não se leia nos jornais ou não se assista nos telejornais a atos violentos. Bandidos amparados num código penal ultrapassado matam por nada, pois sabem que se acaso forem presos – o que tem baixa possibilidade de ocorrer – logo estarão de volta às ruas, pois jamais cumprirão a pena total a que foram condenados, se forem condenados. A impunidade é, pois, regra que corre solta em nosso país. As estatísticas estão aí a impedir que mascaremos a realidade: os crimes por latrocínio crescem constantemente, o tráfico de drogas continua sua expansão e balas perdidas fazem mais e mais vítimas país afora.
Discussões sérias sobre a questão da liberação ou não das drogas não acontecem; não se vê passeatas pedindo mudanças no atual código penal, o que há, toda vez que um crime escandaliza o país, são passeatas de pessoas vestidas de branco pedindo paz. Melhor seria se pedissem justiça. E quando o desarmamento foi proposto, a população assustada preferiu manter instalado o bang-bang diário, na ilusão de que armada pudesse mais bem se defender.
Por sua vez, a elite econômica e política vive encastelada, como este tal deputado, pagando por segurança privada. A “choldra”, que nunca reclama, permanece amedrontada, pedindo a Deus que desvie as balas perdidas e não ponha um bandido em seu caminho.
O problema da violência em nosso país há tempos deixou de ser apenas caso de polícia ou uma questão ligada ao desnível social. Trata-se hoje de um problema político, onde a solução passa por modificações no código de leis ultrapassado, na superação do paternalismo arraigado e de se superar o viés financista mais preocupado em economizar o dinheiro do Estado do que investir em presídios. Aliás, o sistema penitenciário está falido, pois se encontra “governado” por presos que, de dentro das cadeias, planejam crimes, comandam facções, etc. Há presos que há muito cumpriram suas penas e há aqui fora outros tantos que melhor seriam se estivessem confinados. Tal sistema mostra-se incapaz de recuperar o preso e, principalmente, de puni-lo adequadamente privando-o de liberdade.
Enquanto pessoas como o deputado Edmar Moreira continuarem habitando o cenário político e o povo abestalhado continuar ocupado com o Big Brother e os preparativos para o carnaval, nada de bom será feito.


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Último capítulo

segunda-feira, fevereiro 02, 2009 · 2 comentários

blog romantismo


Assim que se iniciou a música romântica, veio ligeiro um desejo certeiro de escrever o que fosse de romantismo. Mas o problema é ausência de musa inspiradora. E assim mesmo seguiu em frente. É a esperança de encontrar pelo caminho feito de pontos e vírgulas, parágrafos e espaçamentos de linhas, motivação sincera de desejo preciso.


Se o presente não lhe oferta a expressão exagerada do romantismo seu que tanto gosta, abraça o passado e conta superficialmente um caso de amor. Na história, um homem e uma mulher que as circunstâncias separaram. É assim a vida, absolutamente circunstancial. De maneira que somos o que o momento nos faz. É como se nem fôssemos.


Encontraram-se. Como? Não importa. A relação teve o início alegre. As intensidades cresceram e chegaram até onde podia, ao ápice. Dali, a etapa seguinte seria a queda. O rapaz bem que avisara ao dizer que toda relação tem data de validade. Ela achou desestimulador. Passado o tempo, a data de vencimento, tudo terminou e ambos entraram em um grande silêncio.


Reencontraram-se outras vezes. Deitaram novamente seus corpos em mesma cama, só que agora de um hotel. Não, não era a mesma coisa, nem poderia ser. Já não havia a paixão, aquele ritmo, os inúmeros encontros. Houve outros encontros. Até que o fim foi decretado no último ato sexual na história do que fora um casal. Diversos outros detalhes não são mencionados. A razão, não há. O último capítulo já foi escrito. O livro foi fechado.


Pelo mundo, diversas histórias de amor. Inúmeros casais que acreditaram que "era pra sempre". Triste ilusão que será imitada por outros. E tal imitação não cessa. De qualquer forma, vale o mergulho. Viver intensamente os dias e as noites ao lado da pessoa amada. E o motivo maior disto é simples: não é para sempre.


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Carolina Beu disse...
Pois é! Já diria uma música do Queen (que eu amo): "só um ano de amor é melhor que uma vida inteira de solidão". =)Um dia a sorte vira, Del!Beijão
Fevereiro 02, 2009

Zenna disse...
Concordo com vc.Talvez por isso acho cerimônias de casamento um tanto desnecessárias, pra nao dizer HIPÓCRITAS.Uma peça de teatro, enfim... Naum é amargura o motivo desse coment. Desculpe.Bjs



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


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