Este ano

domingo, janeiro 25, 2009 ·

blog retorno


Estas não são as primeiras palavras do ano escritas pelo autor do blog. Em verdade, outro texto há que aguarda a sua vez. Antes de publicá-lo, cabe aqui algo que retrate a volta do blog após férias tranquilas. Não é intenção agora discorrer sobre o que foi visto e sentido nos dias de descanso. O que se quer é apenas divagar sobre este ano que começa, que para muitos não é nada bem vindo. Para outros, não será lá tão diferente. Mas para o mundo, do ponto de vista econômico, 2009 é um ano indesejado, contudo não há como não passar por ele.

Recorda o cronista de seu caminhar pela rua em que fica a empresa onde trabalha. Numa das esquinas um bar. Ao passar por ele olha lá dentro para verificar como andam as obras de uma reforma. Para muitos empresários curvar-se mediante a crise mundial não é bem vindo. Muitos, como o dono daquele bar, investem a fim de aumentar os lucros. Mas quase tudo não são flores no ano da crise. Basta que citemos as diversas demissões ocorridas pelo mundo.

Creio que todos teremos algum conhecido que foi demitido em função dos problemas econômicos que lastreiam continentes. Muitos terão parentes na mesma situação. Este primeiro trimestre será árduo. O presidente Lula já expressou sua preocupação. De qualquer forma, saíremos mais fortes desta tormenta. No ano que vem voltaremos a crescer, desta vez o com o país mais maduro e com pequenos ajustes pontuais em função dos problemas atuais.

Apesar do grave problema econômico enfrentado por todas as nações, o mundo divide a boa nova que é a troca de presidente nos EUA. Afinal de contas, Buhs deixou o mundo tão atônito com sua política belicista que agora só nos resta o caminho da diplomocia inteligente, já mencionada pela nova Secretária de Estado, Hillary Clinton.

Sou otimista. Acredito que este ano será fundamental para o desenvolvimento mais inteligente do mundo de um modo geral. Fica claro que o mercado não pode andar com as próprias pernas, pois necessita dos olhos atentos do Estado. Além disso, a crise deu a clara impressão de que os governantes se preocupam com o povo. Claro que cada chefe de Estado fará a lição de casa para beneficiar seus comandados. Nisto, certamente, poderemos ter retrocessos que signifiquem mais protecionismo por parte das economias mais avançadas. Se a crise terá seu lado bom, com certeza prevalecerá seu lado negativo enquanto ela durar.

Retorna o blog no final do primeiro mês deste ano. Praticamente trinta dias se foram. A fugacidade com que passa o tempo é bem vinda, mediante o que foi dito nos parágrafos que antecedem a este. Parece que desejar boa sorte cabe quando o que se tem pela frente não é lá tão fácil. Deste modo, deseja o blog boas leituras nos dias vindouros. E boa sorte a todos.


opiniões opiniones opinitions

Realmente o momento não é la dos melhores, mas sempre que possivel recorro a leveza de uma boa leitura pra atenuar os impactos da crise no meu dia a dia. Ótimo retorno ao Op&Cr!
Zenna Santos, Brasil, GO


Boa noite e Boa sorte!
Caroline Beralde, Brasil, Sampa, estudante de jornalismo



2 comentários:

Zenna santos disse...
janeiro 27, 2009  

Realmente o momento naum é la dos melhores, mas sempre que possivel recorro a leveza de uma boa leitura pra atenuar os impactos da crise no meu dia a dia. Ótimo retorno ao Op&Cr!
bjs Del!!!

Caroline disse...
janeiro 27, 2009  

Boa noite e Boa sorte!

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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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