Sem garantia

sábado, novembro 29, 2008 ·

blog reflexão


Lia agorinha mesmo um blog de confissões sentimentais. E via o quanto nós seres humanos somos iguais. Que a vida é roda-gigante. Funciona como fluxo. Cada um tem sua vez Não há, nem haverá felicidade coletiva plena. Muitos estarão tristes e infelizes, outros o contrário disto.
Você se vê em uma cidade como São Paulo e sente-se solitário. Para um morador de outro canto mais tranquilo isto pode parecer absurdo. Mas o fato é que a correria do dia-a-dia nos faz ser cada vez mais distantes das pessoas. Até para rever amigos, você precisa se equilibrar na falta de tempo. Muitos deixarão de ser revistos. Talvez sobrem apenas os amigos de fato.
Nas confissões do blog seu, a mulher grita as angústias de um coração solitário. Reclama da solidão que dói. Do amor que espera. Da dor da alma que sente. Talvez você e eu nos vejamos nas linhas escritas de modo sincero pela sensível alma da mulher que resguardo. É assim mesmo, a gente passa por coisas que outros já passaram. Algumas realidades se mostram iguais. Talvez saibamos disto. Ninguém está só na dor ou na alegria. Mas cada um vive tais sentimentos ao modo seu.
Quantos olhares aborrecidos vemos por aí? E quantas vezes esses olhares são os nossos em tantas direções. É aí que deixamos a platéia e subimos ao palco. E o personagem que observávamos agora é platéia. Alguns até batem palma para a cena da tragédia alheia. É modo de aliviar sua própria dor. Melhor não condenar ninguém e calcular que a dor que sente faz bem para outro. Ao menos isto. E não é indicado precisar que logo haverá a inversão de papéis, e que assim você estará vingado. Melhor nos solidarizarmos na dor também. Deste modo, vendo as coisas assim, poderemos, talvez, compreender melhor o outro. Isto poderá se dar quando cada um compreender a si. Mas nada é garantido.
No pote de mágoas de cada um, toca a canção do compositor. Ele expressou genialmente em forma de canção a maneira como somos. Quando você ouve a canção, pensa naquele indivíduo que se mostrou irado frente, por exemplo, a um esbarrão inesperado que você deu nele. Na hora, com a reação do outro, uma cólera o teve. O tempo passou e nova inversão de papéis. E o mesmo fato se deu por diversos cantos do mundo. Depois de alguns anos a compreensão poderá abraçá-lo. Assim, numa desatenção sua para aquele que é “pote até aqui de mágoas”, você entenderá a reação agressiva da pessoa. De certo, à sua frente, um espelho do passado. Mas o tempo passou para que você aprendesse. Acreditar que tal pensamento é fórmula que sempre ocorre, não é senão inocência. Melhor lembrar que nada é garantido.

opiniões opiniones

Por isso que não devemos nunca fazer o mal a ninguém, né? Porque um dia a situação se inverte e receberemos tudo o que plantamos...Adorei o texto, a reflexão!E é sempre bom saber que as pessoas passam, também, pelo que passamos.. não pq queremos que tb sofram, mto pelo contrário, mas pelo conforto que dá saber que alguém te entende enfim...
Juliana Motzko, artista plástica



1 comentários:

Juliana Motzko disse...
novembro 29, 2008  

:)

Por isso que não devemos nunca fazer o mal a ninguém, né? Porque um dia a situação se inverte e receberemos tudo o que plantamos...

Adorei o texto, a reflexão!

E é sempre bom saber que as pessoas passam, também, pelo que passamos.. não pq queremos que tb sofram, mto pelo contrário, mas pelo conforto que dá saber que alguém te entende enfim...

Bjo!

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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

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Revisão de textos
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