A morte da sedução

Quarta-feira, Novembro 12, 2008 ·

Uma válvula de escape. Cadê? E essa prisão, por quê? Pode até fingir que não há nada, mas mente pra si. Sabe que algo não vai bem. Mas finge. Aposta no tempo a solução. É fase. É de agora, vai passar. Nos dias que se libertou, não sabia, era ilusão. Mas aposta que de novo vai. Que essa inexistência acabará. E que alguma ela vai surgir. Que voltará a segurança. O gosto por si. O olhar firme. Alguma sensualidade. Por enquanto, é morte do poder sedutor. Assassinato. E o desprezo somado a cada cruzamento de olhar é não mais que morte novamente. A solução. Pensa nela e aposta em um subterfúgio. Talvez erre. E é exatamente por isto que trama outra porta porque passou. Sim, resiste. Prefere outros caminhos. Mas leva consigo estrita desconfiança que é isso mesmo. Que fazer? Não tem jeito. Essa cilada que lhe parece sem saída foi tramada por sua mente. Por enquanto, no sentido não explicitado, a mente está no controle. Resigna-se costumeiramente. Mas já está um tanto cansado. Essa ausência feminina ao lado já lhe cansa e aborrece. Se abraçou a indiferença, foi mera defesa. Trancafiado em si, grita em silêncio. Há um a dor e uma certeza. Há esperança e medo. No fim, tudo é incerteza e ausência de alguma ela.

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Adelcir Oliveira, autor do blog

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Adelcir Oliveira
Livre de qualquer rótulo profissional, um ser humano que observa a si e aos outros. Alguém que busca o maior bem de um ser humano: equilíbrio
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Autores brasileiros - Amigos do livro

.João Scortecci, poeta, é o editor-responsável pelo site Amigos do livro. Após conhecer o trabalho do autor deste blog, Adelcir Oliveira, inseriu seu nome entre os autores brasileiros. Ao clicar no link, o leitor poderá conhecer outros escritores no Brasil, entre eles os que já se consagraram.
Link para acesso:
http://www.amigosdolivro.com.br/materias.php?cd_secao=516&codant=

Palavras da revisora

Diário virtual é o significado da palavra “blog”, o qual registra desejos, anseios, ações significativas ou não, paixões, críticas, enfim, é o “olho mágico” de alguém, que faz participar a outras pessoas algo da necessidade humana, através da tecnologia moderna. Opiniões&Crônicas é um blog que registra criatividade no ato de escrever, por meio da objetividade e de excelente qualidade. O nome da página retrata perfeitamente o conteúdo publicado, pois mostra textos críticos, reflexivos, informativos e literários.A presença literária está inserida nas crônicas urbanas, gênero predominante no trabalho do autor. Muito interessante a exposição – sincera e transparente – dos fatos observados e vividos citados pelo escritor. Ele demonstra que não se inspira nos autores consagrados da literatura, valorizando sua obra pela originalidade.Vale a pena saborear cada linha aqui registrada e perceber que “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.

O mundo dos livros - por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

"Em busca do tempo perdido" - Comentário de Adalton César

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Adalton indica

A dívina comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).
A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)
As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)
consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)
Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)
Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)
Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)
O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)
Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

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