O caloteiro. A prostituta. E o travesti

domingo, agosto 31, 2008 · 0 comentários

Para aquele que escreve, as histórias que chegam são motivo de vibração. E elas se sucedem e inesperadamente invandem os ouvidos do manipulador de canetas. Muitas vezes de modo indireto. Ele estava ali apenas cumprindo necessidades calóricas naquele refeitório da estação Vila Mariana do Metrô. A história erai contada com muita competência e bom humor por um dos funcionários local.

Foi que o cara contratou uma garota de programa e um travesti. Preço acertado, aquele "prazer" lhe custaria mais de R$250,00. Malandro, ato consumado, corpos como mercadoria, o indivíduo resolveu que não pagaria o valor pré-combinado. Saiu do hotel e deixou os dois corpos na mão.
Para quem acha que o mundo é pequeno, o rapaz caloteiro prova o dito. Cruza com o travesti e a prostituta em uma estação do Metrô. A dupla deu um jeito de aliviar o prejuízo de outrora. Foi então que o rapaz gritou pelos seguranças locais. Esbravejou ali mesmo que tinha irmão como delegado da Polícia Federal, exigindo soluções. Dali, foram todos para o DP mais próximo.
Na delegacia, botou banca utilizando do parentesco mencionado. Tamrimbado, o delegado mandou averiguar a veracidade da informação do depoente. Constatou-se que o irmão não era delegado "coisa nenhuma", mas que apenas trabalhava na Receita Federal. Foi então que deu-se a inversão da malandragem. "O senhor é casado?". "Sim, sou". "Pois então vou chamar a sua esposa para acompanhar o caso". Da arrogância para o desespero, o rapaz implorou que não chamassem a traída. Para a mulher seriam duas decepções. Afinal de contas, ele saira com uma prostituta e um travesti.
Depois disto, não é sabido se a dupla vendedora de "prazer" recebeu pelo serviço prestado. Tampouco se o delegado autuou alguém naquela noite. O que se sabe é que o par de serviçais do sexo deixou cartão com o segurança do metrô que acompanhou o caso, avisando-lhe do desconto garantido.



Declinação da positividade?

quinta-feira, agosto 28, 2008 · 0 comentários

Desgosto por si. Não se aborreça, esse desprezo não é por você. O desagrado. A negação do olhar. O silêncio de palavras. Não leve à mal. Nem se sinta culpado. Tranquilize-se, com o tempo você aprende a não se importar. Aliás, parece que o passar dos anos trás desimportâncias. Não sei exatamente o que é. Mas no campo ocular, com a idade que avança, o foco é menor. Pode até ser uma necessidade humana. Espécie de adaptação ao meio. Mas enfim, com o tempo você chega lá. Maduro, irá se relacionar melhor com os espinhos da vida. Alguns deles até vão deixar de ser nocivos. Você poderá até brincar com eles. Ou mesmo tocá-los sem medo. Isso é modo positivo de ver a vida. De forma alguma é encarado como algo que seja único, universal, geral. Pra tristeza sua, tudo o que foi dito pode não ocorrer. O que vale é quem de algum modo algo vai mudar. O problema é que nem sempre é para melhor. O que seria isto? Declinação da positividade?



Cerrar dos olhos antes da linha derradeira

quarta-feira, agosto 27, 2008 · 0 comentários

Vasculha o passado e encontra páginas em branco. Precisou anos para que elas saíssem do silêncio. E agora o que se dá é um caminhar absolutamente improvável. Escrever agora é fuga, não há dúvidas. Deitar olhos sobre os outros causa incômodo. Dos três modos de ausentar-se daqui, a leitura foi preterida pela escrita que se mostra muito mais eficiente. Mas piscam olhos, evidenciando o cerrar dos olhos que de fato é muito desejado. Agora, é só seguir no desenho das letras. Agrupá-las, formar palavras que dêem sentido. Após isto, e antes da linha derradeira, dá-se o cerrar dos olhos.



Resistência em escrever

segunda-feira, agosto 25, 2008 · 0 comentários

Resisti. Não era desistência, somente uma resistência mesmo. Talvez a escolha por alguma opção que me satisfizesse sem desconsiderar o leitor, que nestes momentos parece meu censor. Para mencionar o papel utilizado preferia desenhar um quadrado e deixá-lo branco como está. Depois, buscar modo inédito a fim de dizer ao leitor sobre o risco azul que dividiu a folha, que é única, em duas partes desiguais. Mas resisti a fazer o que menciono. Em verdade, o desejo pela combinação de palavras que resultasse em algo que parece belo era minha vontade. Eu pensei em brincar com poesia, crônica e conto. Até compus a rima. Do pouco tramado, da obra inacabada, nada aproveitei. Se fosse pintura de um quadro, não teria ido além de duas pinceladas. E foi assim que de algum modo dei início ao texto. Foi nas confissões que encontrei meio de chegar. Tudo bem, foi o modo mais fácil. Talvez houvesse outro. Quem sabe até ele esteja comigo, guardado em meu breu interno. Se assim for, apenas não sei como alcança-lo. Possivelmente todas essas palavras sejam meio de tentar. Muitas vezes fazemos algo sem saber por que. Outras vezes, nem fazemos.



Opção única do dever

sexta-feira, agosto 22, 2008 · 0 comentários

Há palavras. Muitas não são sabidas. Das que sei, formo vocabulário meu. Conforme o dia, construo agrupamentos que poderão me satisfazer ou não. Diversos que construí ficaram guardados, esquecidos. Parte deles joguei no lixo, aniquilei, não gostei. Mas aqui, agora, brinco com as palavras pouco objetivo. Vou como quem não vai. Caminhada gramatical. Errante das palavras. É, em verdade, um modo que encontrei de distração. Não quero ler, nem escrever. Quero mesmo é ausentar-me. Se eu fosse livre abandonaria este local. Mas não posso. Preciso dele, do dinheiro que estar aqui me resulta. Sou dono do meu corpo? Talvez. Mas firmei acordo. Criei um dever. E o dever tem essa face. Ele pouco se importa com as vontades. É imperativo e só lhe dá uma opção. No mais, caso não queira fazer-se obediente, será substituído. E só.



Automóvel e cotidiano

quarta-feira, agosto 20, 2008 · 0 comentários

Dentro da padaria. O carro invadiu o espaço e por lá ficou. Bateu contra o balcão. Carro novo e caro. As pessoas olharam do ônibus, não havia como ficar inerte, indiferente. Era estranho demais ver tudo aquilo. Imagine um automóvel dentro de um local feito para pessoas. Perplexo, indagou a si como aquilo acontecera. E, antes disto, se alguém fora ferido, ou até mesmo morto. Causo-lhe espanto. Ficou assustado, poderia ter sido ele, um parente, um amigo, qualquer pessoa.

Automóvel é algo estranho. Você o compra, gasta parte de sua vida para mantê-lo e o risco de vida é diário e iminente, e nem precisa ser no trânsito caótico de Sampa. O mais estranho é que desejamos esta conquista, que só perde para a casa própria, mas não no que toca à vaidade, neste sentido ele impera.

Sai para trabalhar. O horário em que o faz é mais tranqüilo. Mas no dia anterior saiu cedo. Seu destino era outro. Carros não paravam de passar pela avenida. Uma fila, cuja imagem já lhe causava algum stress. Pior era saber que teria que enfrentar aquilo, ainda que de forma terceirizada. No lotação, o outro problema era o excesso de pessoas, a escassez de espaço. Chegar ao destino é franco alívio.

No dia seguinte teria que fazer o mesmo. Não o fez e usou do caos nas ruas como pretexto. Não somou no pacote da preguiça o desejo por cama até mais tarde. Arrependeu-se. De certo, não foi o único. Mas em sua ilha, sua vida, o sentimento de culpa o acompanhou pelo dia. Aquele mau- humor, um estado depressivo, era a conta que veio, que sempre, quase, vem.
As coisas mudam, e muitas vezes você não faz esforço algum para tal mudança. Ocorre que agora ele já não se aperta mais no lotação. Para onde se dirige pelas manhãs, enquanto houver aulas, vai de fretado. Sente um alívio tal, que se frustra com o prazer que não se mostra tão grande. Depreende que é a maturidade. Com o tempo parece que tudo fica mais natural. Ali, naquele veículo coletivo bem maior, ele estica as pernas, sente a maciez ofertada pelos amortecedores, ouve o barulho gostoso de ônibus de viagem. Por alguns segundos sente como se estivesse a viajar, fugindo da loucura deste trânsito. Descerá na porta do endereço para o qual é levado. Na volta, parte do percurso daquele que será seu novo rumo haverá de ser do mesmo modo. Depois, no que se chama de baldeação, utilizará do metrô, meio de transporte cuja eficiência numa cidade grande como esta, coletivamente falando, não perde para nenhum outro. Nem todas as estações irá ver. Com sono, dormir será parte do seu descanso no dia que ainda está só no começo.



Eu, você e os outros

terça-feira, agosto 19, 2008 · 0 comentários

Somos essa existência. Seguimos sem muita insistência. Inconstantes, fraquejamos por vezes. Iludidos, retomamos diariamente. Num claro existir de faz de conta que não acontece. Viver é agora cegar-se. Talvez assim tornamos palatável a nossa existência. Porque eu e você sabemos. Nós é que fingimos ignorância. Mas essa falsidade minha e sua constitui nosso individualismo que usamos como proteção. E, protegidos deixamos o tempo nos levar. Os fatos se sucederem. Terceirizamos as soluções futuras de diversos problemas. Acho que vamos chegar lá. Pode não ser nem eu, nem você. Mas outros que também nos representam. Afinal de contas, nós e os outros constituímos a humanidade. E assim está estabelecido. Unidos, dizem que não seremos vencidos. Mas hoje, justamente pela busca da vitória, abraçamos um único indivíduo. Você sabe para quem vai seu abraço. Eu sei sobre o meu. E eles sabem sobre o deles.



O indigente no bar. Os menores na estação

domingo, agosto 17, 2008 · 1 comentários

Maltrapilho. Maltratado. Descuidado. Deselegante. Segue ele em diante. O que vai ser não existe mais. Ele já não é nada além de um ser invisível. Adentra ao restaurante. Pede água. Um copo que não se paga. Há resquícios de uma refeição sobre a mesa pequena. Pede permissão para finalizar o prato que ainda não foi retirado. É autorizado de forma até carinhosa. Após a primeira garfada, vem o aviso de que irão separar para ele em uma marmita para que a leve, não fique por ali, os clientes podem não gostar. Nessas horas o homem deixa de ser invisível. Ganha importância negativa. Recebe a água. Pega sua marmita de um resto de alguém que doou sem saber. E se vai.

A cena foi observada. O rapaz tomava seu café. Faz isso diariamente. Diverte-se ao fazê-lo. Finalizada a xícara e pão-de-queijo, paga e se vai. Segue na sua luta em busca da construção de seu futuro, do reparo do passado, do rearranjo do presente. Depois disto, o texto desfoca. Não retrata mais nada do que se passou. É o vazio na memória. Talvez, nada importante tenha ocorrido. O jeito é misturar fatos, dias.

O menino passa pelo bloqueio daquela estação do Metrô. O problema é que o faz sem pagar. E ri como se fosse brincadeira. A metroviária vê, mas faz apenas careta. Não há outra reprimenda maior. Aquele que tomava café observa divertidamente. Não interfere. É mero personagem da cena. O menino toma o rumo. Desce a escada e desaparece. Voltará depois. É quando a brincadeira ficará séria.

O garoto está de volta e trás companhia. Agora o que se tem é um trio. A parada é dura para os metroviários. As crianças são convidadas a abandonar a estação, pois ali não é lugar para bagunça. Mas elas avisam a permanência a qualquer custo. Ninguém ali imagina que tudo vai terminar na delegacia de menores.
Há uma arma. Somente depois que o participante obsevador ficou sabendo. Ela foi apontada contra um dos metroviários. Guardas de preto trazem um dos garotos pelo braço. Querem que ele mostre onde guardou o estilete, o qual nega existência. Mas um trabalho de convencimento é feito. É a prova que os funcinários do Metrô precisam para levá-las à delegacia. Obtido êxito, todas as crianças são escoltadas até à delegacia.

Já houve vezes em que a balbúrdia se deu com outros garotos. Usuários, indignados, comentam que é necessário surrá-los. Sabem que isto não é solução. Querem mesmo é a expressão de suas violências reprimidas nas caras amarradas. O rapaz ouve o comentário sem expressar qualquer opinião. Sabe que isto não é solução. Crianças, para que não se tornem infratoras, necessitam de escola e família saudável, bem como muito entretenimento. Ainda assim haverá deliquência, mas de certo os números que irão compor a estatística da violência serão menores.

Ninguém fala em surrar empresário que roubam cofres nossos e são soltos por habeas-corpus. Aliás, nem algemá-los o STF permite. Enquanto eram os pobres que passavam por tal "constrangimento" ninguém se pronunciava. Basta o país caminhar para uma democracia de fato, a lei valer também para os ricos, que autoridades dão um jeito de proteger seus pares. Mas não fiquemos em desalento. Vivemos em um regime liberal que caminha para a democracia. E esta só existe quando há cidadania plena. Ainda estamos longe, mas seguimos em frente.

O expediente se encerra. Ele guarda o material com o qual trabalha. Fatos que se sucederam serão esquecidos ou não. Comenta com alguns que crianças foram presas lá no Metrô. As pessoas se espantam. O dia se dará e o que foi não é recordado. No dia seguinte, verá dois meninos do grupo da querela de ontem. A metroviária já havia avisado com ódio na expressão que todos seriam soltos. O Estado, que não quer fazer nada, solta-os pelas ruas. As calles que cuidem. É de fato a certeza de que um dia a morte prematura e violenta vai resolver tudo.


opiniões opiniones opinition

Muito bom o texto. Faço um acréscimo: as calles que cuidem 'e a polícia que os mate'. Afinal, neste país, as soluções para problemas sociais que resultem em violência - e o abandono de menores é um deles - é a polícia. Visão esta estampada na idéia malufista de pôr a Rota na rua como solução. Será que só isto resolve?
Adalton César, casado, economista, São Paulo



Trânsitos

quinta-feira, agosto 14, 2008 · 0 comentários

Não sei. E nem seria possível saber. Cada um tem seus motivos para escrever. Alguns deles parecidos. Outros iguais. E uma parte absolutamente diferente. Imaginemos um desses indivíduos. Dentro de si um trânsito de palavras. É o caos interior. E a incapacidade momentânea de organizar os vocábulos, a fim de regular o trânsito gramatical e, deste modo, formar, ora suas ruas, ora avenidas, em que se lê durante o percurso do trajeto ocular.

A bagunça dos automóveis nos dias atuais em São Paulo é por demais aborrecedora. Que gera estresse todos sabem. Gera angústia, ansiedade. Combinar palavras, num encadeamento organizado, onde não há atropelamentos, senão numa leitura equivocada, é mais simples. O custo não é possível comparar. Em verdade, o que resulta em trabalho competente é de consequência de um prazo em parte comprido, que demandou um passado regrado entre quatro paredes e toda a pressão da pequena maldade que permeia as escolas. Se a aplicação do aluno for maior, em casa ele terá a extensão da sala de aula. Neste sentido, o lar é nossa segunda escola. Numa hierarquização correta, o lar é a primeira escola.
Entre as palavras há um espaço delimitado e respeitado. Traseiras são amassadas em conseqüência de ato imprevidente de motoristas descuidados, que muitos podem ter como ousados. Mas a distância mínima não obedecida fez ser em vão a marca preta no asfalto do pneu que se arrastou até o choque com barulho, cor e cheiro. Em quem presencia, uma lembrança eterna. Vai saber identificar sempre quando presenciar outra batida.

A seqüência vocabular é tida como uma construção feita por alguém que possui gosto pela armação de parágrafos conexos ou não, isso não importa para determinados construtores literários. Muitos, ao verem enorme trânsito gramatical, desesperam-se, desistem. Ao deixar a porta do ambiente o qual lhe resguardava da balbúrdia automotiva lá fora, depara-se com o caos formado por elementos de aço levados por quatro rodas. Só de imaginar o enfrentamento inevitável, ele se desanima e se vai dele um pouco da tranqüilidade. Em alguns casos teremos o extremo. Uma fechada brusca resulta em discussão que vai terminar com gatilho pressionado que dará o tiro fatal. Quem vê, lê, ouve, vê e ouve, fica absolutamente pasmo. Considera desumano tal ato, que em verdade é absolutamente humano.

Para economizar espaço usa-se um coletivo. Ele contém todos os membros os quais o escritor não quer mencionar, posto que prefere evitar desperdícios. Milhares de autos seguem solitariamente. Neles, apenas o banco do motorista é ocupado. E esse desmembramento coletivo soma a densidade automotiva pelas calles até organizadas. Pessoas mais simples, lá no ponto de ônibus com banco para sentar, e que antes eram mais belos com a presença de um anúncio luminoso. Hoje, essas pessoas deparam-se com um quadrado vazio, cheio de lixo e restos de lâmpadas que podem cortar qualquer um. Ali, elas esperam o coletivo que vai levá-las juntamente com um bando de desconhecidos. A tecnologia trouxe a possibilidade de duplicar os ônibus, que sanfonados são coletivos maiores. Excetuando os veículos antigos, tem-se alguns novíssimos, macios, que dá gosto de “tomar”. Pode ser indicativo de tendência. Esperemos que o seja, mesmo sabendo da demora de sua consolidação.
De de tudo o que foi dito, de palavras para um rumo só, busca-se o final. Sobre os carros e ônibus para lá e pra cá, passam executivos, cujo s minutos são valiosos. Pessoas tidas como mais importantes que nós, meros personagens de um trânsito caótico de uma cidade que ainda se mostra menina em termos de organização, uma vez que seu crescimento se deu sem olhos maiores. Esses homens e mulheres, roupas bem cortadas, olhar distante, responsabilidades enormes, não se arriscam a pegar faróis e congestionamentos. Ricos, eles vão de helicópteros. Não façamos uma crítica quanto à possibilidade que eles têm de utilizar tal alternativa. Fiquemos com a aceitação das diferenças. Apenas que lá sobre os asfalto deslizem veículos de transporte coletivo de ótima qualidade. Afinal de contas, estamos tratando da cidade mais rica do país.

Para quem gosta de terceirizar soluções, permitido por um bolso mais abonado, fazendo uma junção dos trânsitos aqui mencionados, faz-se o uso daquela que se propõe ser a última palavra. Nela, o retrato de uma dinâmica comum no dia-a-dia de Sampa. Aqui, unem-se os trânsitos das ruas e das palavras. Tratás-e de uma alternativa para evitar um enfretamente mais direto, mas que não se trata de mera propaganda, senão lembrete, bem como manobra literária: táxi.



Alguma luz

quarta-feira, agosto 13, 2008 · 0 comentários

blog desbloqueio

data real: 10Ago2008

Por enquanto, é isso mesmo. O retorno às atividades do cotidiano se deu, mas preso em algum lugar ficou a imaginação, inspiração. E, assim, eu não vou. Deste modo, eu não sigo. Em meio à escuridão, procuro o clique da luz. Mas não sei onde ela está. Não indago localização. E, em verdade, nem procuro. Sim, eu me incomodo. Mas não o suficiente. Resignação. Aceitação de uma fase calada. Mas, sempre que se verifica melhor, encontra-se contradição. E elas me desdizem. O clique da luz é simbolizado pelo início de uma leitura. Pela continuidade de outra, bem como por estas palavras de agora. Mas se há alguma luz, ela é pouca, quase nada.



Vão literário de luz

segunda-feira, agosto 11, 2008 · 0 comentários

Acho que é assim mesmo. Há dias que não há luz. Na escuridão do vocabulário se escondem os termos. Sem o uso devido ou indevido deles, o que se tem é silêncio de idéias. Nesse breu de palavras cala-se aquele a quem apraze a construção sincera de parágrafos cuja soma é a busca pelo resultado, que nem sempre é o melhor, mas que também tem se mostrado satisfatório.
Em meio às interrupções, o fio da meada se vai. Complica a continuidade. Fecha-se um pouco o vão por onde ainda passa alguma luz, que é pouca. E seguir adiante se torna tão vascilante que é melhor parar, desistir. Fazer acordo com a dificuldade. Tê-la como vitoriosa. Pensar que é assim mesmo. Colocar o momento no tabuleiro da vida. Fazer a comparação de antes (com o xadrez). Acreditar que é belo esse modo. Fingir que não usou de estratégia. Mas não deixar de confessar a solução dada.



Vão literário de luz

· 0 comentários

Acho que é assim mesmo. Há dias que não há luz. Na escuridão do vocabulário se escondem os termos. Sem o uso devido ou indevido deles, o que se tem é silêncio de idéias. Nesse breu de palavras cala-se aquele a quem apraze a construção sincera de parágrafos cuja soma é a busca pelo resultado, que nem sempre é o melhor, mas que também tem se mostrado satisfatório.
Em meio às interrupções, o fio da meada se vai. Complica a continuidade. Fecha-se um pouco o vão por onde ainda passa alguma luz, que é pouca. E seguir adiante se torna tão vascilante que é melhor parar, desistir. Fazer acordo com a dificuldade. Tê-la como vitoriosa. Pensar que é assim mesmo. Colocar o momento no tabuleiro da vida. Fazer a comparação de antes (com o xadrez). Acreditar que é belo esse modo. Fingir que não usou de estratégia. Mas não deixar de confessar a solução dada.



Loteria emocional

sexta-feira, agosto 08, 2008 · 0 comentários

Na tela à minha frente, o branco do quadrado que não espera nada. É como se fosse sabedor de minha prisão literária. Um labirinto do qual já escrevi, mas que não publiquei por ora. E, em meio a tantos corredores, tantas passagens, portas, desvios, vãos, e caminhadas vãs, eu, perdido, absolto, cheio de frio, sem fome, e apenas o um desejo imenso de dar o calor que o sono traz ao dormir. Há, de fato, uma melancolia. Não é generalizada, sei. Mas ela está por aí. Nos diferentes rincões do mundo. Nas mais belas e horrendas calles do mundo. E muitos, diversos s seres humanos, agonizam na tristeza de hoje quase igual a de ontem.
Em mim, há alguma chatice que não pode ser vista com profundeza ao tê-la feito tristeza. É um certo enfado. É coisa que ocorre. Mas não chega a ser algo que me impossibilita. Não feito a mãe do amigo que, muito provavelmente, está em sua casa, calada, talvez deitada, e triste, muito triste, agredida tenazmente pela depressão que a faz silenciosa, senão apenas com todos que não sejam a mãe que a ouve.
Dói muito a alma da mulher em questão. O marido não está presente e eu nem sei onde foi parar. A família une forças econômicas para dar o tratamento necessário. Isso é um alento. Mas quem tem a dor da alma não pensa muito em solução quando é intenso o sofrimento interno. Quer mesmo é o silêncio eterno. É fraqueza, podemos argumentar. Mas é assim mesmo que o indivíduo fica em estado depressivo, absolutamente fragilizado.
O horário está marcado. Ele chega com a alma em rascunho. Bate à porta. A terapeuta se mostra solidária com sua dor expressa pela face, pelo olhar de desespero. É o caminho insano que já lhe foi aberta a porta, mas que ele manobra para tentar desvio. Naquela sala confortável, pessoas de classe média pagam para aliviar dores internas. Exercícios de relaxamento são aplicados. Estes, baseados em teorias que não se sabe serem aceitas pela academia, funcionam como promessa de solução. Com o tempo, o rapaz percebe que a vibração dos músculos se dá mesmo é pela posição, não por alguma energia intracorpórea.
Um outro dia, a profissional pede que ele fale. Infeliz na empreitada, ela fica sem ouvir palavras para buscar soluções. Ao rapaz não lhe foi esclarecido a necessidade de falar. Ele fora programado, durante o período de visitas, a respirar e deixar vibrar músculos. Até que se encheu e não voltou mais.
Caminha cabisbaixo. O médico diz que ele está chateado. A forma de se dirigir ao paciente é absolutamente seca e desprovida de afetividade. Uma relação de outros endereços para o serviço procurado lhe é ofertada. E ele escolhe o local, telefona, marca a entrevista. A solução se ascende. Do primeiro dia em diante, diversas mudanças ocorrerão. Demorar-se-á muito ali. Alguns anos. Mas ele irá se aborrecer. Tem dificuldades em administrar as contradições alheias. Poderá até ser acusado de perfeccionismo. Mas será chuva no molhado insistente.
Preocupado, a terapia se transformara em uma muleta. Desconfiado, já não deseja mais ir ali. Sente como se estivesse preso. Quer andar com suas próprias pernas. Precisa se permitir ser e deixar de lado tantas proibições ditadas pelo modo de vida dito correto. Não se convence do padrão católico que manda a pessoa estudar, trabalhar, casar e ter filhos. Não vê como normais os que seguem esta receita enganosa. Naquele barco, o baile de máscaras terminara. Ele não pode mais ficar ali. Já está fora!
Sente-se preocupado nos primeiros dias. Teme guardar em si tantos pensamentos que expurgava em palavras. Mas segue firme no propósito solitário de ser ele. E assim o faz. Investe seu dinheiro em algo que desejava, mas que a terapeuta condenava. Precisa recuperar sua auto-estima, os grãos necessários de hedonismo, o amor por si, a vaidade e auto-admiração. Precisa ser ele e não o que discurso dela sugestiona.
Os dias passam. Ele pesquisa um atendimento com mais filosofia. Descobre um endereço, mas o preço lhe desagrada. Depois, acha que está atrás de outra muleta. Lembra-se das palavras do diretor de teatro, Alberto Santos, o que lhe traz um incômodo. Alberto falava sobre o medo que as pessoas têm de sofrer, por isso tomam antidepressivos. Mencionou a necessidade de ingerir pensamentos filosóficos. Alertou da dor provável com o ato indicado. Mas esclareceu que ela é necessária. Com medo, dinheiro escasso, ele nada fez. E assim segue. Tentando recuperar sua liberdade.
Lá na cama está ela. Não sei desde quando silenciou-se para o mundo. Certo é que não se trata da única pessoa. Na loteria emocional, muitos terão sua alegria roubada. Sorrisos calados. Dor ao ver. Distorções dos pensamentos. Silêncio. Insatisfação. Tristeza, muito tristeza. Muitos vão vencer e dar a volta por cima. Outros vão se iludir com os picos de felicidade. E há aqueles que não agüentarão e darão fim. De tudo.



Recapitulando

quinta-feira, agosto 07, 2008 · 1 comentários

blog convidados

Por Adalmir Sandro

Às vezes, eu não entendo bem porque as coisas são como são e acontecem como acontecem. Estou em um momento de não saber para onde ir. Sinto-me estranho. É como se, apesar de tantas perdas e tanta insegurança no campo financeiro, afetivo, etc., eu percebesse algo de positivo em toda essa balbúrdia existencial... É claro que não posso negar que estou triste por estar perdendo oportunidades tão valiosas profissionalmente. É surpreendente como eu tenho perdido, ou deixado de aproveitar tais oportunidades. Penso isso por estar fazendo uma recapitulação de minha vida e estou começando a perceber (hopefully!) que nem sempre colaboro com o meu próprio bem-estar. Parece que acho, inconscientemente, que não mereço o sucesso ou a felicidade, ainda que não saiba conceituar com exatidão essas duas categorias. Parece que tudo envolve o financeiro. Mas, aí, vem alguém bem sucedido que se suicida. Isso relativiza o raciocínio linear de que em se tendo dinheiro, tem-se a felicidade, ou manda-se buscá-la, aludindo aos irônicos de plantão. Enfim, fica até mesmo difícil dizer porque estando triste, sinto-me, de certo modo, bem. Não estou bem por ter perdido, mas, talvez, por pensar que não tenha realmente perdido uma oportunidade, mas ganhado uma outra que surgiu imediatamente depois da perda. Bizarro? Acho que não. Dinâmica humana. Ao perder, pela segunda vez em um espaço de poucos meses, a oportunidade de entrar para outra grande empresa do ramo de ensino de idiomas, eu tremi, quase chorei (devia ter chorado!), fiquei pasmado diante de tanto azar; se eu fosse do tipo supersticioso ou excessivamente místico, pensaria que há demandas contra mim. Macumba mesmo. Ao nos desesperarmos ficamos vulneráveis a todo tipo de crendices irracionais. O desespero enfraquece a razão, a condição de pensar. Em meu caso, talvez, haja outro ponto: a intuição. É um não-sei difuso, inexplicável (se o fosse, não seria um não-saber). Estou na merda, trabalhando para uma instituição medíocre, estudando sem resultados financeiros. Apenas intelectuais. Que não se ofendam os acadêmicos. Sou psicólogo, mas tenho somente uma cliente, que já pensa em deixar a terapia. Honestamente eu digo "graças a Deus". Ninguém merece depender de um psicólogo! Isso é bom por um tempo. Ao requentar um café notei em minha face um sorriso, um leve sorriso. Uma certeza de que, no meio de tanto erro (sou errante), eu estava no caminho certo: o meu. Este é o meu caminho. Sei melhor do que ninguém que é responsabilidade minha construir esse caminho. São escolhas, nem sempre conscientes, que o constroem e o desconstroem e o reanimam. Tenho o privilégio, ou a arrogância, de dizer que escolho por onde quero ir. Essa é a ideologia do individualismo, não é mesmo?Acreditar que estou por minha conta. Quanto privilégio! Fuck off! Ninguém está por conta de si mesmo! Muitos pensadores do mundo do trabalho podem dizer isso. Quando aquele que pode mais resolve detonar o subalterno, voltamos a entender que estamos em um espaço compartilhado e estabelecido por relações de poder, profundamente afetivas, mas de poder. Ah, como é bom falar sem precisar citar outros! A academia, por vezes, me cansa porque minha fala só é ouvida, ou lida, ou discutida, se for enrabada por outra. Nada pode ser excessivamente meu! Acho que esta é a regra. Bem, voltando à minha intuição, sinto-me bem, apesar de nunca ter estado tão pobre desde que me entendo por profissional no que faço. Nunca soube tanto sobre mim mesmo e minha profissão. Nunca fui tão pouco reconhecido financeiramente. Nunca senti tão de perto o que é viver neste pedaço de terra que chamam de Brasil. Fica difícil até sorrir no meio de tanto desprazer. Não vale a pena comentar. O Brasil não merece tanto destaque. Entendam esse Brasil como aquele que nos faz mal. Não falo do povo. Este nunca existiu para o Brasil. De qualquer forma, também não sou admirador das massas. Só admiro o que tem história. Talvez, neste momento de minha existência, eu esteja sendo massa. É por isso que me sinto mal por ter perdido tanto; mas, deixo de ser massa quando resolvo dizer algo de minha própria boca. Este texto é uma catarse, mas uma catarse pensada. Se não eu não poderia chegar até aqui. Acho que ninguém leria até aqui se não houvesse desejo de continuar sabendo o que penso. Às vezes, temos que ter a arrogância de querer que o mundo nos ouça, ou nos leia. Acreditar que nossas palavras farão alguma diferença. Enfim, não sei. Sentei para escrever por causa do que sinto e não por vontade de escrever. Detesto a obrigação. Acho que é por isso que não me dou bem com o que chamam de emprego. Ninguém quer saber o que sinto nesse contexto. Tudo o que tenho que fazer é fazer. Nada mais. Até porque não interessa saber algo mais de mim, desde que eu produza. Detesto o emprego! Mas, preciso de dinheiro! Não há existência que não entre em crise a não ser que não se dê conta de existir. Bem, é isso. Eu só precisava ocupar minha atenção. Sou hiperativo (rótulo) e não tenho paciência de ficar concentrado por muito tempo. Acho que não consigo.

Adalmir Sandro, Psicólogo, São Paulo SP
http://www.psicopoemasereflexoes.blogspot.com/

opiniões opiniones
É um grande privilégio ter uma colaboração como esta no blog. E ela é profundamente você. Abraço!
Adelcir Oliveira, autor do blog



Um debate de três

domingo, agosto 03, 2008 · 0 comentários

blog eleições 2008

O jornalista da Band pede ao candidato Ciro Moura uma explicação melhor sobre “poluição humana”, mencionando os moradores de rua, perguntando ao candidato o que faria em relação à enorme escassez de banheiros públicos na cidade de São Paulo. Moura, primeiramente, se explica em relação ao termo por ele utilizado, “poluição humana”, para depois enveredar para uma resposta evasiva e que demonstrou absoluto desconhecimento do modo como vivem os habitantes das calles paulistanas. No mais, o candidato parecia estar brincando de fazer campanha. Leva-lo a sério era perda de tempo. Em uma outra resposta que deu, não pude acompanhar, pois aproveitei para ir à cozinha e hidratar-me com um copo de água.

Podemos dividir o debate que a Band realizou ontem com os candidatos à prefeitura de São Paulo, em três segmentos. O primeiro, o mais antigo, é composto por candidatos que utilizam o debate como mero palanque eletrônico, desconsiderando o significado de tal evento como momento de debater de modo elevado os problemas e as soluções para esta metrópole. Nele se inserem Marta Suplicy, Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab e Paulo Maluf. Os quatro candidatos tentaram aproveitar ao máximo o tempo exíguo para convencer o eleitor a votar neles, desprezando a cidade, o debate a respeito dela, explicitando o projeto pessoal de cada um, o cidadão paulistano que se dane, vale é ganhar.
Marta mencionou Lula e o Bolsa Família. Alckmin citou tucanos falecidos, entre eles Mário Covas e Ruth Cardoso, com objetivo igual de sua oponente. Na mesma linha, Kassab usou o nome de Serra. E Maluf citou a si próprio, arrogando-se experiência e formação como "inginheiro". Frisemos que o discurso de cada um foi calculado por seus marketeiros. Explicita-se o não desejo de debater, mas de apenas buscar o voto de modo insano. Esses tipos de políticos não contribuem para o amadurecimento da nossa jovem e corrompida democracia.

O segundo grupo pode ser chamado de zona neutra, em que se incluiu solitariamente Ciro Moura, que não parecia ser candidato de fato, posto que suas respostas evasivas com chavões o faziam parecer menino brincando de fazer política, imitando os velhos políticos.

Propostas, debates de idéias, a cidade em primeiro plano, o respeito ao eleitor, ficou para o segmento dos candidatos que realmente pensam a cidade: Soninha Francine, Ivan Valente e Renato Reichmann. Os três agraciaram o eleitor avisado com reflexões sobre a cidade de forma sincera e humana. De modo algum buscaram as palavras mais certas pela simples busca do voto. Fizeram um debate elevado entre eles. Suas palavras foram absolutamente esclarecedoras. Contribuição necessária para a nossa jovem democracia.

De qualquer forma, infelizmente, do ponto de vista comunicacional, o primeiro grupo é mais eficiente, na medida em que fala para convencer, considerando o despreparo educacional do eleitor paulistano, reflexo de um ensino de qualidade desprezível. Mas o que está em questão aqui é o modo de fazer política. Neste sentido, Soninha Francine falou algo extremamente importante e delicado, que denuncia os políticos do modo antigo. No encerramento do debate, a candidata condenou a distribuição de cargos para favorecer bases aliadas, entregando postos importantes da administração municipal à pessoas desqualificadas técnicamente, o que compromete a gestão pública, bem como favorece os esquemas de corrupção. Esta mensagem vai claramente para os candidatados do primeiro grupo aqui definido, que estão em primeiro lugar nas pesquisas, meramente por serem mais conhecidos, o que não qualifica ninguém para cargo público algum.

O amadurecimento da democracia implica algum tempo que não se sabe quanto. Sem dúvida, ao ver presentes candidatos que realmente debatem a cidade nos traz alento quanto ao futuro de nossa aldeia. Não há dúvidas que a má administração pública, contaminada pela corrupção, tem como principal responsável o próprio eleitor, vitimado por uma educação de nível raso, que não lhe dá condições de discernimento. Assim, o blog deixa aqui sua proposta: o fim do voto obrigatório. Se estamos em uma democracia, não se pode obrigar ninguém a ir à urna para votar despretensiosamente, favorecendo políticos que apenas buscam ganhar eleições para favorecer seu grupo e a si. Há neste país uma parcela acordada da massa. Garanto que ela não se ilude com as táticas do uso dos debates como palanques eletrônicos. Mas fique claro, essa parcela é diminuta. Não nos iludamos e pensemos que a classe média é que a compõe integralmente. A cegueira política permeia todas as classes sociais. Sei de pessoas que concluíram o curso superior, mas são absolutamente ineptas para pensar politicamente. Elas ainda votam nos mesmos. São conservadoras. Iludem-se ao acreditar que é melhor permanecer como está. Desconsideram que o país é um todo, e que precisa melhorar para que tenhamos mais harmonia social. Mas fica aqui a mensagem positiva. A nossa democracia passa por um amadurecimento. Nela, somos todos meros personagens. E fica a informação importante sobre a organização da sociedade para mudar nossas realidades. Cita-se como exemplo a ONG Nossa São Paulo, que trabalha com propostas, bem como a mobilização do cidadão paulistano na busca por propostas que tragam melhorias para a cidade. É, de fato, um convite político-sentimental para cada habitante que luta aqui nessa metrópole. É um alerta claro para mostrar que a cidade é nossa, não apenas de um grupo privilegiado.

link da ONG: http://www.nossasaopaulo.org.br/portal



Emenda à Lei Orgânica do Município

· 0 comentários

blog serviço
texto extraído do site da ONG NOSSA SÃO PAULO


EMENDA Nº 30 À LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

(PROJETO DE EMENDA À L.O.M. Nº 08/07)
(LIDERANÇAS PARTIDÁRIAS)

Acrescenta dispositivo à Lei Orgânica do Município de São Paulo, instituindo a obrigatoriedade de elaboração e cumprimento do Programa de Metas pelo Poder Executivo.

A CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO promulga:
Art. 1º Fica acrescentado ao art. 69 da Lei Orgânica do Município de São Paulo o artigo 69-A, com a seguinte redação:

"Art. 69-A. O Prefeito, eleito ou reeleito, apresentará o Programa de Metas de sua gestão, até noventa dias após sua posse, que conterá as
prioridades: as ações estratégicas, os indicadores e metas quantitativas para cada um dos setores da Administração Pública Municipal, Subprefeituras e Distritos da cidade, observando, no mínimo, as diretrizes de sua campanha eleitoral e os objetivos, as diretrizes, as ações estratégicas e as demais normas da lei do Plano Diretor Estratégico.

§ 1º O Programa de Metas será amplamente divulgado, por meio eletrônico, pela mídia impressa, radiofônica e televisiva e publicado no Diário Oficial da Cidade no dia imediatamente seguinte ao do término do prazo a que se refere o "caput" deste artigo.

§ 2º O Poder Executivo promoverá, dentro de trinta dias após o término do prazo a que se refere este artigo, o debate público sobre o Programa de Metas mediante audiências públicas gerais, temáticas e regionais, inclusive nas Subprefeituras.

§ 3º O Poder Executivo divulgará semestralmente os indicadores de desempenho relativos à execução dos diversos itens do Programa de Metas.

§ 4º O Prefeito poderá proceder a alterações programáticas no Programa de Metas sempre em conformidade com a lei do Plano Diretor Estratégico, justificando-as por escrito e divulgando-as amplamente pelos meios de comunicação previstos neste artigo.

§ 5º Os indicadores de desempenho serão elaborados e fixados conforme os seguintes critérios:

a) promoção do desenvolvimento ambientalmente, socialmente e economicamente sustentável;
b) inclusão social, com redução das desigualdades regionais e sociais;
c) atendimento das funções sociais da cidade com melhoria da qualidade de vida urbana;
d) promoção do cumprimento da função social da propriedade;
e) promoção e defesa dos direitos fundamentais individuais e sociais de toda pessoa humana;
f) promoção de meio ambiente ecologicamente equilibrado e combate à poluição sob todas as suas formas;
g) universalização do atendimento dos serviços públicos municipais com
observância das condições de regularidade; continuidade; eficiência,
rapidez e cortesia no atendimento ao cidadão; segurança; atualidade com
as melhores técnicas, métodos, processos e equipamentos; e modicidade
das tarifas e preços públicos que considerem diferentemente as
condições econômicas da população.

§ 6º Ao final de cada ano, o Prefeito divulgará o relatório da execução do Programa de Metas, o qual será disponibilizado integralmente pelos meios de comunicação previstos neste artigo."
Art. 2º Ficam acrescentados ao art. 137 da Lei Orgânica Municipal os §§ 9º e 10, com as seguintes redações:

"§ 9º As leis orçamentárias a que se refere este artigo deverão incorporar as prioridades e ações estratégicas do Programa de Metas e da lei do Plano Diretor Estratégico.

§ 10. As diretrizes do Programa de Metas serão incorporadas ao projeto de lei que visar à instituição do plano plurianual dentro do prazo legal definido para a sua apresentação à Câmara Municipal."

Art. 3º Esta emenda à Lei Orgânica do Município de São Paulo entra em vigor na data de sua publicação.

Publicada na Secretaria Geral Parlamentar da Câmara Municipal de São Paulo, em 26 de fevereiro de 2008.


http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/emenda


**Os textos de outras fontes não representam necessariamente as opiniões do Movimento Nossa São Paulo, mas são reproduzidos no portal por abordarem questões consideradas relevantes para o debate público.



Os nossos pensamentos

sexta-feira, agosto 01, 2008 · 0 comentários

blog retorno
texto pré-férias

Eu e você. O que pensamos? As minhas idéias. As suas idéias. Dificuldades nossas. Anseios. Dúvidas. Desgostos. Tristezas. O que não gritamos? Muito daquilo guardado em nossas entranhas emocionais. Segredos existenciais. Nossas origens. Nossos destinos, pouco importam. Vale é o que somos e fazemos para nos transformar. E, transformados, a contribuição nossa para ajudar a mudar este mundo que sabemos tão errado.
O que eu pensei anteontem ao deitar-me. O que você meditou. Cada um mergulhado em seu mundo próprio. A desconexão entre todos. Mas o que será que pensamos?
Não sei você, anteontem, cabeça sobre travesseiro, sentia-me aborrecido. Não era algo comigo, pensei. Convencia-me de aborrecimento pelos fatos lidos em um jornal. Desesperançava-me tantos desajustes em meio à nossa sociedade. Eram notícias sobre corrupção. Retrato do individualismo predador. Enfim, eram pensamentos meus. De toda forma, não nos deixemos enganar. O modo como eu lidava com essas indignações era escolha inconsciente para me destruir. Aquele aborrecimento era muito de dentro para fora, em verdade.
Mas a questão é o que será de nossos pensamentos mais contidos. Aqueles os quais não professamos por questão de adequação social. Desejos transformatórios que temos. Claro, falo de um eu que se indigna com tanta injustiça. Que sente-se ferido ao ver engravatados bandidos tratatos como semi-deuses. E estes mesmos indivíduos, mergulhados em conforto indigno, com absoluto desprezo pelos demais seres humanos deste mundo. Enfim, falo dos desejos oprimidos por uma realidade que se mostra estática, embora a paralisia transformatória não me convença, vide os movimentos sociais que os jornalistas da grande imprensa condenam com manchetes e textos conservadores.
Enfim, a questão aqui é o "eu é um outro", como afirmou Arthur Rimbaud, poeta. Pergunto: será que se o mundo virasse do avesso e nossos eus verdadeiros viessem à baila, esse mundo pioraria? Ou, dada a sinceridade do comportamento pelo avesso, deixaríamos de cometer tantos desenganos? Não sei.
Basta pensar nos candidatos a cargos eletivos. Por exemplo, aquele que deseja ser governador, cujo discurso é de temência a Deus e amor ao próximo. Tudo bem que para muitos seu avesso grita na feição que tenta engodo. De qualquer modo, milhares de inocentes votam nele fielmente. Bom, vai ver que é o encontro harmonioso de avessos nada belos. Ou, então, aquele que chega num restaurante de alto luxo em carro importado. É tratado como rei, embora procure se comportar como um semi-deus. Iludido em seu mar de moedas, sente-se um privilegiado, e é esta a principal razão para manter-se tão distante monetariamente dos demais seres humanos, como o manobrista que abre a porta de seu carro. Claro, são pequenas imbecilidades dadas por este mundo equivocado. Junto ao "semi-deus" segue um deputado que já foi manchete de escândalos. Bebem vinho de alguns mils. Comem pratos caros. E, sobretudo, desprezam o mundo lá fora feito de gente como nós. Feito de pessoas, cuja realidade social, lamentamos, é indigna. Mas os homens àquela mesa possuem existência digna? Claro, esta pergunta não lhes importa. Vale é a grana alheia no bolso, os futuros roubados. Um abismo social. O tratamento diferenciado. Na hora de dormir, não sei o que pensam. Mas sabemos em quem não pensam.
Hoje, eu durmo aqui. Você dorme por aí. Penso comigo meus pensamentos. Você faz o seu pensar. E pelo mundo afora muitos nos imitam. Desconexos, fechamos nossos olhos. E assim, tão desconectatos, dispersos, formamos essa massa manobrada. E assim segue o mundo dominado por gente que se considera privilegiada. É mais ou menos isto.



Fale comigo

adelcir@gmail.com
k

fotos: Patrícia Crispim
c

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
Lilian Guimarães
Adalton César
v
c
b
c
c
c
l

opinioesecronicas@yahoo.com.br