Indulto emocional

sábado, maio 31, 2008 · 0 comentários

As emoções se arrefecem. Ele sai de sua prisão interna. Não faz idéia quem assinou o indulto. Tampouco, quem o acusou, como foi julgado e condenado temporariamente. Isso é Kafka, talvez. Todos incriminados. É prisão sem possibilidade de fuga. Não há chaves nem carcereiro. Também não há celas nem companheiros. Uma prisão de cada um. Reclusão inevitável. Pra onde for, segue cumprindo penitência.
Olha pela vidraça da alma. O embaçado da transparência dificulta a nitidez dos fatos. É a chuva fina que cai. Prefere até não mirar olhos em nada, sobretudo em pessoas. E a pergunta se repete. Por que esta tristeza inesperada? Por que esses sentimentos?
Quando do indulto emocional, o indivíduo aposta vida nova. Alegria constante. Sente-se reabilitado. Acredita que aprendeu a lição. Mas, inesperadamente, o tempo muda. A vidraça embaça outra vez .Turva-se o olhar. Nova condenação.
Reincidente, o castigo agora dói mais. Ele está só. Preso outra vez. Ignora que não é a última condenação. Talvez um dia aprenda que a liberdade das emoções é temporária. De certo, se possível fugir, o faria. Mas o fato é que não há como avistar guardas fardados. Não existem corredores, nem portas, passagem alguma. Também, saídas clandestinas inexistem. A prisão se dá de tal modo que o indivíduo primeiro é preso, e somente após o ato prisional é que ele se dá conta que já não tem mais a liberdade de antes. Assim, comunicar-se do modo que for não lhe é permitido. E se o faz, a dor que sente é severa. E é esta dor que pouco a pouco cala a voz fraca.
Trancafiado em suas emoções que o dilaceram, caminha com o que lhe resta de vontade. O desejo maior é de não prosseguir. É parar por aqui, melhor assim. Findar sofrimento. Cerrar olhos e não ver mais nada. Mas não há coragem para ato que se mostra, em verdade, bastante covarde. Também, não é solução, senão fuga. O que fazer?
Aquele que está atrás de grades de ferro tem minutos de sol, que é como um lazer. Para o condenado por suas emoções, luz nenhuma é opção melhor. É quando a noite vem. A porta do quarto é fechada. Luz apagada. Corpo deitado. Visão nenhuma. Emoções não sentidas...



Não diz

terça-feira, maio 27, 2008 · 1 comentários

O tecer um texto. O encontro com tantos desencontros. A construção incerta de uma linha. A soma que procura um parágrafo. É texto pelo texto. Um fazer que a alma pede. Mas é um dizer sem compromisso. É texto por texto. Palavras ao acaso. Não se trata de uma construção. É um quê não sabido. Nem sempre é preciso saber. É assim. De outro modo, também seria. Possivelmente, alguma influência. Neste seguir de palavras, nada é dito. Cessar leitura, o leitor, é o mesmo que prosseguir. Caminho nenhum há aqui. Não se vai a lugar algum sem caminho. Mas é sabido que caminho se faz ao caminhar, disse o poeta. De certo, não disse isso como uma verdade que não se questiona. Pra que ter tantas certezas? O incerto não é lá algo pra se deliciar de medo? Quem sabe... Quem diz... A dúvida que alguém tem. O texto que ninguém tem. O ter que outro contém. E assim se vai. Pra lugar nenhum se chegar. Não é feito um Ulisses. Este tinha um caminho, embora não soubesse o acerto do caminho. Mas ele ia. E de tanto ir chegou. Não é como este texto, que não vai, sem de fato deixar de ir. Porque um texto se se finda, continua. As idéias ressurgem. Surgem. São reelaboradas. Contestadas. É alimento delas para elas. É modo de se manter viva. Idéia fixa não cresce. Não faz crescer. Talvez aí, a dúvida, possivelmente, mostre sua importância. Duvidar para permanecer. Permanecer em dúvida. Mas e a dor da incerteza? Que fazer? Deixar doer? Não se sabe. Nem se desconfia. Pára e projeta uma idéia. Coloca no papel virtual. Deixa lá. Alguém vai ler. Ninguém vai ler. Nem sabe porque diz. É isso. Já nem diz...



Amor por ti

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Quem sabe, pensar assim seja belo e aliviante. Que sofrer é ajudar ao outro. Que vê em nosso sofrimento o alívio. É... Talvez isso ajude... Assim, a chuva fina se torna solidária. E sofrer não é castigo. É a sua vez necessária. Uma espécie de obrigação com o outro. Pode ser, talvez, um modo de lembra-lo que não está só. Que esse individualismo todo pode não ser uma saída, senão uma prisão sufocante. Que valor tem a alma que não tem ninguém? Não um ter carnal. Mas um ter sem propósito. Amor banal, mas amor acima de tudo. A conjugação desse sentir, já foi dito, deverá permanecer assim sendo. Deve se iniciar de você para você. Amor por ti. Sentimento que se alastra. De você para o mundo. Uma epidemia precisa. E assim, somente deste modo – não há outro – tem-se que, ao sofrer, você irá pensar no alívio que traz ao outro. Sofre por ti. Sofre por todos. E ama.



Notas literárias pela falta de rumo

sexta-feira, maio 23, 2008 · 0 comentários

No rádio, ouvi uma matéria sobre uma professora de história que utiliza a música para ensinar seus alunos. Dos dois exemplos tocados, a que me tocou mesmo foi “Índios”, de Renato Russo. A introdução no violão é algo belo. A letra é profunda. Mostra o índio que foi enganado, assassinado. Pensamentos dispararam em minha mente. Senti como se nós, ditos civilizados, fomos grandes ladrões de terras alheias. Lembrei-me da questão que se dá em Roraima, onde arrozeiros e índios enfrentam grave problema que o governo brasileiro não sabe como resolver. Posteriormente, senti profunda raiva dos europeus da época colonial. Os índios “entregaram seu ouro a quem prometia amizade”, depois, foram dizimados. Mas, claro, era um contexto que eu não tenho elementos para entender.
Esse mundo dos homens não existe sem problemas. Evidentemente que o problema não é a existência destes, senão a não visualização de solução. Pensemos em Israel e Palestina. Li uma entrevista dada por um grande escritor israelense. O medo que seu povo tinha de deixar de existir. A sensação de que as paredes são frágeis, numa alusão à incerteza de suas fronteiras. Muitas vezes, pergunto-me a quem interessa essa questão não solucionada. Mas vale registrar o orgulho que seu povo tem por si em função da nação rica que construíram, relatou o escritor, que teve um filho morto em combate.
Pela manhã de hoje, morreu um dos únicos políticos admiráveis no Brasil, o senador Jéferson Perez – PDT/AM. Foi este um homem que trabalhou seriamente pelo país. A perda é de um tamanho tal que me preocupa. Mas sinto-me aliviado ao lembrar que o nobre senador não era o único homem sério neste país, embora eles me pareçam poucos.
Estas são notinhas que faço. Um modo literário de informar. Não se trata de iniciar novo rumo ao blog, senão a exatidão da falta de rumo. É, em verdade, a falta de inspiração. Um calar que me tem. Talvez, se eu escrevesse o que se vai em mim, não fosse o texto algo lá tão agradável. “Vem de repente um anjo triste dentro de mim”. Não se explica. Ele chega sem pedir passagem, sem pedir ficar. E aí ele fica. Quando eu me indago com quem está o controle. Talvez comigo, mas eu não saiba. Quem sabe, eu esteja certo. Melhor se for assim.
Perez se foi. Israel já não tem tanto medo deixar de ser. A professora é ao ensinar musicalmente. E eu sou este pequeno pedaço de existência. Que daqui a pouco seguirá passos lentos e imprecisos. Sentará naquele banco de plástico cor de mostarda. Talvez abra um jornal, muito mais como forma de ausentar meu olhar ao redor meu, do que de fato me informar. É possível que eu cerre olhos e durma um pouco. Uma ausência melhor. Depois, ficarei atento à estação em que desço. Aguardarei com certa angústia a porta abrir. Optarei pelos degraus que me levam. Cumprimentarei simpaticamente o colega que deixará o local substituído por mim. Farei a pequena burocracia de sempre. Em seguida, rodarei a catraca e os degraus que me levarão para fora da estação serão estáticos. Lá no café, o sorriso daquele morena me fará bem. A energia gostosa que ela me passa como se fosse meu Prozac. Pagarei com dinheiro virtual. Voltarei à escada em diagonal pra baixo. O metroviário autorizará minha passagem de forma sempre simpática. Sentarei no banquinho. Pegarei o jornal. Meu corpo estará ali. Eu, em lugar algum...



Desconstrução necessária

segunda-feira, maio 19, 2008 · 0 comentários

Digamos que seja você a pessoa. Passa pela avenida diariamente. Desgosta da sujeira e da falta de uma paisagem mais agradável aos olhos. Sonha com a desconstrução de pequenos prédios velhos que ainda insistem ali, naquele trecho de asfalto irregular por onde carros passam cheio de pressa, sem poder colocar tal necessidade em prática. Daí, você percebe a ausência daquela construção velha e feia na esquina, a qual guardava testemunho de aventuras suas. Sorri em saber que vão construir um prédio que, quem sabe, dará ao lugar de aparência triste uma beleza renovadora. Sabe que a demolição não é exemplo isolado. Confirma consigo a idéia da necessidade de renovação. Se necessita ser constante, você fica meio em dúvida. Esse mesmo você pára defronte ao espelho. Se não vê ruínas, percebe que está na hora de se reconstruir. Para tanto, terá que desconstruir grande parte de si. O trabalho que se tem pela frente é longo e árduo. Sozinho não há comofazê-lo. É possível que a desistência faça parte de ti. Mas isto é normal. Você não estará sozinho em seu fraquejo. Talvez isto o console. Tudo bem. Mas não é dada garantia de que a cobrança não virá. E, se ela o visitar, partirá de uma única pessoa. Você.



"Pegue em minhas mãos"

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Já se passaram alguns segundos antes das primeiras palavras. Leitores aqui não gostam de parágrafos sobre nada. Daqueles que são mero aquecimento. Embora eu respeite este desgosto de alguns, hoje lamento. Nem sempre dá para atender às solicitudes alheias. Este parágrafo já está justificado.
Pronto. A pauta falou comigo. Foi a interrupção necessária. Se antes pensei em gritar elogios à bela negra que passou soberana por aqui, com objetivo claro de elogiar sua beleza, abandonei a pauta, sem, contudo, abrir mão do elogio.
O fato, embora tenha uma aparência simples, traz consigo gravidades sociais. Pessoas me pedem orientação sobre ruas, endereços, estações. Não é este o objetivo do meu trabalho aqui. De todo modo, dou as informações que são possíveis de modo cortês como o humor me permite. Sem esquecer de sua inconstância.
Eu observo, e não há como deixar de fazê-lo. E é lamentável ver como uma fatia da sociedade, cujo tamanho sabemos não é pequeno, tem enorme dificuldade de comunicação. Não apenas de proferir seus desejos, bem como entender a explicação pela informação pedida. São pessoas, em sua grande maioria, simples do ponto de vista sócio-econômico. Algumas delas deixam claro a preferência que pegássemos em suas mãos e as levássemos até o seu destino.
Essas pessoas a que me refiro foram prejudicadas por uma má qualidade do ensino público, baixo consumo de cultura de nível decente à inteligência e sensibilidade humana. Pior, em muitos casos são os exemplos daqueles que não frequentaram escolas, foram educados pela televisão, expostos às programações de canais de elevado ibope. Ou, então, como era costume dizer, pela "escola da vida", cuja concorrência inexiste, e o que se tem como base de formação é um caldo grosso e mal cheiroso, feito de maldade.
Demorará um tempo para que realidade mude. Em verdade, a mudança só pode ocorrer com as próximas gerações. Talvez o pedido do senador Cristóvam Buarque para que adotemos uma única geração faça absoluto sentido. Será o modo de eternizarmos uma mudança em nosso país.



Dívida a ser assumida

domingo, maio 11, 2008 · 0 comentários

Não há uma tristeza. Permanece um desprendimento que não é, nem pode ser, absoluto. Pensamentos ciganos que me povoam. Há uma mistura de emoções. A absoluta certeza de que a vida não pode ser vivida em mundo só seu. Ebulição de sentimentos após a leitura de mais um texto da boa revista Piauí. Daniela Pinheiro é a responsável pelas emoções minhas de agora. Com seu talento, deu-me momentos com os mais ricos. Pessoas de um outro mundo que é só deles.
A repórter narra parte do dia-a-dia de corretoras de altíssimo luxo. Como elas vendem imóveis que conseguem custar acima de 10 milhões de reais. Durante a leitura, não senti um tapa nas caras nossas. Apenas refleti. E após a ingestão das palavras escritas com grande talento, senti compaixão por mim e estas pessoas que passam por aqui.
Não creio que devamos desarmar os ricos. Penso mesmo que devemos respeitá-los como pessoas que vivem uma grande ilusão. Deixemos os milionários à vontade. Façamos o que eles nos pedem: não falemos, nem olhemos para eles. Não se trata de ignorá-los, senão harmonizar ao modo que eles exigem.
Não nego que já senti raiva daqueles que são muito endinheirados. De certo, a inveja que me guiava era um desejo de ser um deles. Mas hoje não. O que tenho em mim é uma espécie de desilusão. Mas não se trata de um abandono revolucionário, senão um ajuste pragmático.
As pessoas que me acercam são simples. Utilizam aqui o metrô como forma de transposição. Se não são livres de fato, não estão presas como os magnatas do texto de Daniela. Um arquiteto muito rico projetou um espaço em São Paulo para paulistanos exageradamente abonados. Ali, famílias eleitas vão morar, trabalhar e passear, bem como comprar em lojas caras. É a clara criação de uma bolha. Como diz uma das corretoras de luxo, um local só para as boas famílias. É, sem dúvida, um parque onde se brinca de viver de modo alheio. É, de fato, uma grande ilusão que não sai por menos de 4 milhões. Mas talvez eu realmente não compreenda o mundo dos ricos. E até me contradigo se pareço crítico. Afinal de contas, propus aqui uma espécie de pacto com eles: deixá-los viver em suas ilusões.
Possivelmente, em função de nossa formação social, o melhor a ser feito é um pacto-social. Deixar os ricos em paz, desde que esta paz tenha o preço da responsabilidade social. Isso significa que qualquer sociedade onde haja milionários, não poderá haver miséria, escola feia e ensino ruim, favelas, menores abandonados, serviço público ruim. O que se propõe é uma paz social, um modo de tornar a vida de um rico mais tranquila, sem esse caldo violento que os ameaça em função de tanta probreza dispersa. Desse modo, ninguém precisaria se indignar com os preços que os eles pagam pelos produtos que os aprazem. E, sobretudo, não haveria quem pudesse acusá-los de desprezo pelos seus compatriotas que dividem céu e terra com eles.
Antes de iniciar este texto, fui tomar um café. Duvidei fazê-lo pelo preço a pagar. Daí, lembrei-me de Daniela e seus personagens reais, o que me fez esquecer que não devo gastar tanto, afinal de contas seria a minha quarta xícara antes das 15h. Ao caminhar, sentia-me como alguém que guardava um segredo. Era como se o texto de Daniela fosse algo que não pudesse ser revelado. Parecia-me que aquelas pessoas seguiam enganadas. Cada uma fazendo seu papel. Nenhum deles existente para aquele mundo que eu lera a respeito. Passar pelo homem que dormia no chão sem notá-lo, não me era possível. Mirei meus olhos em seu rosto. Vi sua boca aberta. Estava sujo e maltratado. Ele representava, para mim, uma conta que o rico pendurou.
Caminhei até à lanchonete. Desta vez não brinquei muito com as meninas que suam seus salários atrás daquele balcão. Olhei nos rostos ali. Observei a rua e seus passantes. Senti aquele momento. Quando saí dali, com regresso dado pelo mesmo caminho, o homem caído se tornara fato comum para mim, dívida esquecida. Em mim, pleno desejo de expressar as emoções que o texto de Daniela me dera.
Embora eu me resguardasse, acabei por riscar o papel. E findo o texto. Não sei se o homem segue lá deitado. Não farei verificação alguma. Tampouco, vou excluir minha parte na dívida que ele representa. Mas não guardarei incerteza alguma dos responsáveis maior por tal questão. E somente quando estas pessoas assumirem tal responsabilidade, é que será dado a elas o direito feliz de estourar champagne pelo negócio milionário concretizado. Somente assim o líquido gelado poderá descer suas gargantas de modo puro, prazeroso e quitado.



"Desilusão" necessária

quarta-feira, maio 07, 2008 · 0 comentários

Você sabe. Está errado isso que faz. Não é bom para ti. E mesmo sabedor do erro, insiste em repeti-lo. Que nome se dá a isto senão autodestruição? Pois o erro do ato sempre lhe deixa aborrecido.
Nós humanos temos essa incompetência de criar problemas. Talvez por que nos levemos a sério demais. Infantilizar o dia-a-dia é necessário. Um misto de responsabilidade com desprendimento. Mas vale dizer, optar são poucos os que podem fazê-lo. Isto se dá apenas quando o indivíduo tem as rédeas de si. É impossível quando a mente manda e desmanda nele. Faz do indivíduo mero personagem.
Às vezes, é possível ver doenças coletivas. O hedonismo é uma delas. Este tem como agente epidêmico a mídia. Nos piores programas de televisão, nas revistas, filmes, sobretudo os holywoodianos, o que se tem é o bem-estar pela aparência. Então se o indivíduo é belo, ele é feliz e detentor de sucesso. Nós, pobres mortais à deriva, abraçamos a idéia e caímos na rede feito peixes desavisados.
Essa venda do hedonismo é ferramenta publicitária para nos fazer consumidores extremamente individualistas. E fato é que o individualismo exacerbado está fortemente conectado com a insatisfação.
Alberto Santos, diretor de teatro, afirma que precisamos nos desiludir. A vida que vivemos, e que alguns poucos conseguiram desvencilhamento, é uma porca ilusão. Então, ensinam ao indivíduo que para ser feliz terá que ser bonito, ter sucesso, cursar faculdade, comprar seu carro e sua casa, casar-se e ter filhos. A gente vê muitas pessoas que conseguem tudo isto, menos serem felizes.
Alberto diz que a vida deve ser muito mais do que isso. E, para ilustrar seu pensamento, montou uma peça cujo título a retrata muito bem: "Você nunca viu nada igual". O blog assistiu à montagem como convidado. Foi extasiante para o autor das crônicas aqui neste sincero veículo de comunicação. O que se via ali eram cenas sem compromissos umas com as outras. Nada de uma história, linearidade, continuidade. Eram cenas desconexas. Pouco mais de 1h de desconexão com o mundo. Saiu de lá o cronista bastante engrandecido. Maravilhado com o talento dos atores em cena. Bem como agraciado pelo democrático debate após a apresentação.
O diretor da peça, que também é cineasta, tem absoluta razão. Este estado de ilusão que vivemos precisa ser desconstruído. O mundo segue hipnotizado com meros objetivos de aumento de fortunas de alguns poucos. O homem evoluiu muito tecnologicamente em diversas áreas. Mas parte dessa evolução foi feita por especialistas seletos e é voltada para algumas classes sociais. A grande maioria segue adestrada.



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Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


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Lilian Guimarães
Adalton César
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