Flerte poético

quarta-feira, fevereiro 27, 2008 · 2 comentários

O mundo tá uma correria. Faz tempo isso. À orelha direita, o som da central telefônica do meu plano de saúde. À orelha esquerda, o som clássico de harpa. Frente aos olhos meus, poesia de Drumond ofertada pelo bom irmão. Às mãos, a caneta para anotar o dia da consulta. Na última linha do poeta, o anúncio de que "virei coisa". Bom o atendimento dado pela funcionária de voz delicada. Música clássica de qualidade. Palavras poéticas de sabedoria e sensibilidade.
As coisas estão corridas. O homem virou coisa. O poeta diz que seu personagem paga para ser anunciante das marcas. E paga caro, vezes muitas. Vezes outras, dá calote, não paga. O nome, então, fica protestado. E a pessoa, agora coisa, fica por aí de frente, de lado. Perdoe esse meu querer poetar. Perdoe, sou livre. Ao menos, sinto-me assim. Mas acho que minto. Pra mim. Pra você. Pra mim, sem saber.
Cinco minutos nem existem. Alencar já fez deles história de amor. Era-me interessante quando eu deveras romântico me sentia . Hoje, já não tão como antes, não gosto do livro. Faz tempinho tentei reler. Parei. Desisti. Não li nem cinco minutos.
Sai cedo todo dia. Fica fora dia todo. Sábado e domingo não se vai. Rimaria com não se ía. Mas a construção não me permitiu. Escrevi o que devia. Mas meu desejo não mentiu. Queria mesmo era rima com dia.
Gente pra lá e pra cá. Pernas que não cessam. Se descansam, ou chegam, há substituições. O movimento prossegue. Na Terra em noites suas. Perna esquerda, perna direita. Uma frente, outra atrás. E o revesamento. Tudo para continuar. E assim se vai. A noite, as horas, os minutos. Os segundos nem existem.
Correm os dedos. Movimento contínuo. Às vezes vascila. Olha para o lado, procura. Mas não se demora. Pode até parar para um descanso. Mas breve, tem que ser breve. Parece imitar trabalhadores. Bolivianos, canavieiros, escravos. O tempo passa, passa, o mundo em algumas partes suas não evolui.
Um trem. Outro. Ônibus. Outro. Táxi. Outro. E outro, outro, outro. Correria total. O mundo nasceu ontem, parece. As cidades crescem. O país, infra-estrutura carece. O presidente promete. O plano é lançado. Vem a oposição, dá um tapa na cara da situação. E o povo? Que que tem ele? Tem o que pede, o que merece. Não sei, não. Acho que é desaviso, não é merecimento.
E agora o final. Esse é sempre apressado. Vem sempre, não se sabe como. É importante. Para alguns, fundamental. Por favo não me conta o final do filme! Mas que isso? O todo é importante! Detalhes, detalhes. Mas é isso está dito. A vida é assim mesmo. Vai, vai, vai... Já foi, foi, foi...



Moedas e adrenalina

sexta-feira, fevereiro 22, 2008 · 0 comentários

blog fato

A gravação orienta o usuário a não dar esmolas, que é melhor contribuir para uma entidade de sua confiança. Tenho seguido tal conselho que considero muito pertinente.
À bilheteria sempre há fila. O fato do preço da passagem ter aumentado não muda comportamentos. O rapaz com sua mochila às costas rodeia a área onde indivíduos estão à espera de sua vez. Com a cara amarrada, trejeitos hostis, ele pede para que o ajudem com moeda. Argumenta que é para comprar a passagem. Reclama com palavrões daqueles que lhe negam o metal prateado.
É curioso observar sua empreitada. A tática que faz uso não é feita de simpatia. Não tenho certeza se ele tramou seu estilo. Mas ao que parece algumas pessoas que são abordadas demonstram medo. E por esse motivo parece que são convencidas à “boa ação”. Não consigo perceber compaixão delas pelo jovem de Adidas novo nos pés.
De repente, ouço a voz que sai das caixas acústicas solicitar seguranças na bilheteria. O momento desperta todo o meu interesse. Olhos no rapaz, ele está atento. Não evacuou a área como imaginei. Ambos olhamos em busca de um segurança que não surge.
Os agentes da plataforma tecem comentários de indignação. Mais algumas moedas, ainda dá tempo. Olho para as catracas por onde passarão os homens de preto. Logo percebe que se trata de tática dispersiva. Aqueles que foram chamados não aparecem. O dono do par de tênis de marca não se vai. Eu, de minha parte, não torço por lado algum. Atento-me apenas ao fato e seu desenrolar.
Repentinamente, o jovem dirige-se à catraca. Vejo que houve um momento de reposicionamento por parte do casal de metroviários. Num vacilo em dupla, o jovem avança. Por um momento hesita. Precisa ser certeiro. Um flagrante pode resultar em constrangimento. Quando o cinza do uniforme indica que ela está de costas, há o avanço decidido. Aquele que faz par com ela acaba de virar-se em direção ao que eles também chamam de bloqueio. O par de Adidas cinza é movimentado com firme pressa. No bolso do jovem todas as moedas recebidas. Não foi a primeira vez do rapaz. Vi aquele dono do par de tênis diversas vezes...



Foram "eles"?

quarta-feira, fevereiro 20, 2008 · 0 comentários

O local do cartão de ponto é pequeno e apertado para um determinado encontro de pessoas. Ele chega ali para registrar seu horário de entrada. Na chapeira seu cartão não está. Imediatamente suas desconfianças se tornam certeza. Conversa com a funcionária do departamento pessoal, que apenas lhe diz para comparecer ao recursos humanos em data e horário já definidos.
O casal de amigos fica um tanto aturdido. Sabem da situação. Que a qualquer momento a notícia da demissão pode ser dada. Uma certa tensão toma conta de um deles. Ler o jornal ali já não era possível. Mas é a vida. São os fatos. Eles se sucedem. E o rapaz possui outra fonte de renda. Perder o emprego não é o maior dos seus problemas...
Claro que o desemprego está à porta de todos que estão empregados. Para muitos trata-se de um fantasma kafkiano. Em uma grande empresa o entendimento do que um dos grandes mestres da literatura universal quis dizer em seu livro "O Castelo" é mais nítido. Pois no cotidiano de uma empresa assim não sabemos quem são "eles", os tais que o supervisor cita em reunião com sua equipe. "Eles não querem assim"...
De certo, "eles" fazem suas reuniões. Tomam decisões. Não consultam muitas pessoas, talvez ninguém. Seus atos se multiplicam. Correm corredores, fibras óticas de linhas telefônicas. Nós, funcionários, nos sentimos "estritamente vigiados". A onipresença "deles" é incômodo que é necessário aprender a lidar.
O amigo foi embora mais cedo. Apresentou-se ao RH no primeiro dia útil da semana que se segue. Pela última vez foi ao local onde cumpriu carga-horária assiduamente para retirar seus pertences. Despediu-se do casal de amigos, os únicos que fez ali. E a vida, passageira, fez sua demonstração costumeira. Ela seguirá no tempo. E o que foi aqui relatado não passa de apenas mais um fato entre tantos. E isso demonstra a pequenitude disto em meio ao emaranhado de fatos que se sucedem vidas inteiras. De qualquer forma, só podemos pensar assim do ponto de vista matemático. Humanamente, o fato é relevante. Mudará o rumo da vida do rapaz agora desempregado. Mas não nos precipitemos. Se foi bom ou ruim, ainda será necessário o passar de alguns dias, não se sabe quantos, para se ter certeza. Por enquanto, o amigo não está mais por aqui...



Cine vida

sexta-feira, fevereiro 15, 2008 · 0 comentários

blog devaneio

O olhar ao que se sucede. A sensação de fazer parte de um grande filme cuja história é contada por cada um de nós. Todos com um determinado papel. E nessa imensa produção pouco importa a falta de talento. Na verdade, este quesito não é levado em conta. Ninguém fez teste para entrar em cena.
A vida imita a arte. Aquela senhora que surgiu no corredor da estação de trem. Uniforme cinza e cabelos presos. Um jeito alegre, desprendido. A fala acelarada para contar sobre o golpe que viu na agência bancária onde a empresa que a emprega presta serviços de limpeza. E o "por favor, não conte para ninguém". Era como se ali estivéssemos gravando uma cena. Aquela senhora parecia sair de uma tela européia.
Mas a vida parece isso mesmo. Boa parte de nós apenas figurantes que não marcam presença. E quem dirige essa seqüência de cenas? Talvez a mente de cada um. Esta nos faz personagens de seus desejos. Tal devaneio me agrada.
Ele é sisudo e um tanto arrogante. Se não conhece a pessoa não lhe é desejo trocar cumprimentos. Não me causa mais irritação seu jeito hostil. Carrego comigo a certeza de que vejo uma película. O final não importa. Mas a mudança do rumo dessa história me interessa.
Duas ilustrações feitas। A plena sensação da rapidez dos fatos. O sofrimento passa a ser visto de forma bela. Afinal, filmes possuem tensão. Personagens sofrem. Mas passa. Assistir ao título outra vez. A certeza do que vai acontecer. E comparar com a vida. Tê-la feito algo que já passou. E assim usar o futuro na hora da dor é remédio melhor...
Leia "Personagens parecidos. A vida como um filme "

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Rodando por um rodízio

quinta-feira, fevereiro 14, 2008 · 0 comentários

O bairro da Liberdade tem um ar turístico. É como se o próprio morador de São Paulo fosse um turista. Trata-se de uma localização dominada por orientais. É bela... É glamourosa....
Dois bons amigos. Rodam pelas calçadas da Liberdade. Um deles impõe um rodízio de sushi. Erram portas. Decidido, ele pergunta se há o serviço ali. Seguem a instrução do funcionário. Sentam-se à mesa. Há muitas delas. Essa escolha é sempre complicada. Adesivos pedem cuidados com pertences. Parece engraçado o aviso. Dá a entender que todos ali estão rodeados de bandidos. É Brasil! É Sampa!
Uma verificação melhor e a certeza de que não há o rodízio. Saem em silêncio. O jeito é caminhar mais um pouco. Erram outras portas mais. Aprendem que na culinária chinesa não há sushi, assim ensina a caixa sem simpatia.
Naquele belo restaurante com certeza tem. Vai lá o mais solto naquele momento. O outro se esconde no mercadinho oriental. Delicia-se com ofertas que não entende. Mas reconhece o macarrão instantâneo. Contudo, nada compra. Também no restaurante ao lado nada de iguarias japonesas como procuravam. De qualquer forma, ali estava a informação do endereço certo.
Viram à primeira esquerda. À porta, o cardápio. Quem achar caro não entre, por favor. Um deles receia o preço. Após uma olhada melhor decide que a tarde é de glamour.
Para adentrar ao estabelecimento é preciso curvar a cabeça, gesto que pode parecer simples, não para quem não está acostumado.
Parecia surrealismo. "Não cabe ninguém aqui!". Há um desconforto. Nunca se sentira tão perto de olhos observadores. Há o balcão, avisa o jovem oriental. Sentam-se e logo são muito bem atendidos pelo experiente garçom que não é sabido se tratar do dono ou não daquele estabelecimento. A ausência de alguns dentes gera a dúvida. Mas é possível que alguns burgueses não priorizem o sorriso.
São servidos com louças orientais. Adornos, de fato. Logo um prato desconhecido para ambos. Com o hashi servem-se prazerosamente. O que parece cogumelo é molhado no shoyo. Dali em diante, em meio à espera dos preparos, que se dão à frente de todos ao balcão, eles são divinamente agraciados pela culinária oriental.
Ao caixa, modo reservado da oriental. Contas pagas. Sorvete de melão em cada mão. Despedida cortês daquele que seria o dono ou não, pouco importa. Muitíssimo obrigado, agradece aquele que teve seu desejo por um rodízio amplamente satisfeito.
Dali para a Praça da Sé. Na padaria fundada em 1837 dois cafés. Leve caminhada até o ponto de ônibus. Esmola com bom humor para o pedinte, que prometeu não gastar com pinga. A condição para aceitar a esmola era que bebesse, o que ele aceitou prontamente com um sorriso nos lábios..Cada um para sua casa. Tarde de absoluta satisfação. Sampa é demais!



Balcão da insanidade

terça-feira, fevereiro 05, 2008 · 0 comentários

Motoqueiros levam pizzas, talões de cheque, outros mais. Satélites disseminam informações. Vírus infectam células. Agulhas penetram na epiderme. Pílulas se dissolvem no estômago. Ônibus transpõe passageiros. Placas dão a direção certa. Palavras constroem textos. Tijolo a tijolo, sobem os prédios. Movimentos verticais de pernas levam o sujeito. Olhos mandam informações para o cérebro. Faces se lavam com lágrimas. Sangue pinta o asfalto. Gatilho traz a morte. Rabecão faz o transporte. Velas são acesas. Noites não são dormidas. O tempo cuida da cura. A memória registra o significativo. Canais são trocados. Cigarros apagados. Xícaras de café são sorvidas. Ansiolíticos administrados. Crises controladas. Mesmice insistente. Fé permanente. Adultos infantilizados. Milagres professados. “Pulsos que ainda pulsam”. Depósitos nas contas-corrente. Impostos cobrados. Desagrados na fila. Esperas em demasia. Burlações de leis. Votos obrigatórios. Licitações suspeitas. Reuniões não sabidas. Estruturas fixas. Acordos espúrios. Reformas necessárias esquecidas. Falsos democratas. Desilusões. Ilusões. Pragmatismos como opção. E o povo ainda pulsa. “A minha gente anda olhando para o chão”. Auto-estima demolida. Medo de olhar. Sem vontade de gritar. Direitos negligenciados. Anestesia geral. Corrupção que não importa. Exclusão que só revolta em silêncio. Morros ocupados. Meninos aliciados. Policiais mancomunados. Elite consumidora. Classe média que imita. Classe oprimida que não grita. Prisões super lotadas. Torturas que dão prazer e dor. E vai o mundo. Tatoo. Piercing. Cocaína. Rock. Cerveja. Juventude alienada. Publicidade. Promoções. Eventos. Celebridades. Indústria Cultural. Subproduto da humanidade. Toda essa negatividade. Desculpe-me se é verdade. Melhor fechar o balcão da insanidade.


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Um vício, uma cidade

domingo, fevereiro 03, 2008 · 1 comentários

Vinha observando. Pensativo, definia necessidades, prioridades. Objetivava o futuro próximo. Arquitetava estratégias. Revia o que já havia concluído. E andava. E sentia. E não entendia...
Em mim a clara certeza. Com o pote de informações que tenho não me é possível entender a nossa sociedade. Daí que preciso de uma ferramenta de estudo, Sociologia pode ser uma delas.
Naquela avenida as informações ferviam. Era um vai-e-vem de pessoas. Trabalhadores abordando transeuntes com o oferecimento de crédito fácil. É um tempo de bonanza para os bancos, fruto da estabilidade econômica que nosso país atingiu. Carros que não cessavam. Vendedores ambulantes. Camelôs. Calçadas com espaço diminuído pelas ocupações das barracas.
Eu via tudo aquilo e me satisfazia. São Paulo, concluí na última viagem que fiz para o campo, vicia. Toda essa balbúrdia, essa confusão organizada, a diversidade de pessoas, belezas e não-belezas, isso tudo nos enriquece dia-a-dia.
Lá em Piranguinho-MG, olhando para aquelas serras, eu me sentia preso. Uma letargia que me aborrecia. E um desespero pela Sampa que vicia. Foi daí que descobri meu vício, minha doença.
Aqui, nesta que segue se transformando na capital financeira da América Latina, sigo na batalha trivial. Não apenas do ponto de vista material.
Eu caminhava em direção à estação Tucuruvi do metrô. Ao adentrar nela, vi uma belíssima mulher que me olhou como quem procura medir seu ibope. Foram segundos meus de admiração. Ao passar pela catraca, sua imagem estava apenas em minha lembrança. Levava comigo a certeza de que não a veria mais, o que pouco importava de fato. Afinal, aqui em Sampa somos apenas mais um. Com o tempo, menos um...

opiniões opiniones

Henry disse...
A falta do que fazer a quem se acostumou a ter o que fazer é horripilante.Até mesmo uma barraquinha de camelô vendendo "porcarias" faz falta em certas horas.Não moro em São Paulo, mas sinto falta de algumas coisas de São Carlos(tão pequena) aqui em Matupá(tão microscópica).É como o que nasceu cego e o que não nasceu assim, um gostaria de ver, o outro sente falta. Entre os dois sentimentos, o mais

angustiante é a falta.Risos, o que eu estou falando?Faloou!

Henry
São Carlos, SP Brasil
Bacharelando - Ciência da Computação - USP
http://1myown.blogspot.com/



Gritos na cidade

sábado, fevereiro 02, 2008 · 1 comentários

cine-blog

Ao sair daquela sala de cinema, eu estava diferente de duas horas atrás. Toda aquela sensibilidade na tela me fez mudar. E o filme, na verdade, era como se continuasse após o término, pois possuía como cenário essa metrópole nossa. Daí, aquele farol que eu avistava dali do café do Belas Artes me era belo, era cinema...
“Signo da cidade” é uma ótima indicação para quem não vive aqui e quer conhecer melhor esta cidade intensa. E também àquele que perambula cegamente, sem sentir esta capital.
Eu estava só, paulistano de vivência. As piadas iniciais arrancavam risadas da platéia. Aborrecido, desagradava-me los tistes. Logo imaginei que escreveria algo negativo sobre a exibição daquela tarde. Tencionei abandonar a poltrona e correr para casa, mas fiquei ali.
Aos poucos, como faz Sampa, o filme foi me prendendo, me seduzindo. Não há exageros no roteiro escrito pela ainda bela Bruna Lombardi. Há um primor de cenas feitas, praticamente todas, em noites lindas da capital paulistana. Era-me curioso ver um cenário tão conhecido.
A história tira do silêncio alguns sofrimentos de habitantes locais. Almas que gritam, agradecem, não agüentam mais. Essa cidade é barulhenta, mas dia-a-dia, noites e noites, há diversas dores não ouvidas. São as realidades de cada um. O que torna o mundo mais poético, ainda que muitas vezes as palavras sejam as mais doloridas.
Após o filme, tomei uma xícara no Café daquele agradável lugar, localizado à Consolação. Há ali um ar de cultura. Casais gays freqüentam o ambiente. A classe-média se faz presente. Há música e títulos de filmes à venda. Há glamour. E na sala Villa-Lobos há São Paulo e algumas de suas dores...


opiniões opiniones

Henry disse...
hum...E eu que era do MT e só sabia jogar handebol e não estudar nada; mal cinema tinha na cidade. LOLA cidade era tranqüila, mas "no-cultura".São Carlos é bom, algumas opções a se visitar juntamente com a tranqüilidade da cidade.Acho que não gostaria de São Paulo; talvez para um passeio, que um dia farei.


Henry
São Carlos, SP, Brazil
Bacharelando - Ciência da Computação - USP

http://1myown.blogspot.com/



Porta que abre. Porta que fecha

· 0 comentários

O texto bate à minha porta. Corro, procuro chaves, e só erro molhos. Há uma fresta pela qual as palavras tentam passar. De tanta pressa, o vão se entope. A procura prossegue. Ainda quero a chave. Há pouca luz...
No acordo com o surreal, construo a chave certa. Uma vela acendo como quero. A porta, então, é aberta. Vem as palavras. Elas logo se agrupam. Formam frases. Dão-se os parágrafos. É a construção real de um texto.
Há agora um sorriso interno. Faço par com a satisfação, que não é, nem pode ser, plena. Observo que o real me negou inspiração. Felizmente, sem saber por que, dei-me conta que sou também imaginação. Assim, desprendi-me do bloqueio. Reparei possibilidades. Depois, de algum modo, tudo foi escurecendo. Quando vi, não vi mais o fogo da vela. A porta, então, se fechou. E a chave, não sei como, a perdi...



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

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Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


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