Férias sustentáveis

segunda-feira, dezembro 24, 2007 · 0 comentários

blog em férias

Ao entrar em férias, o Opiniões & Crônicas deixa uma mensagem sobre meio ambiente. Sem dúvida, esta questão foi a que dominou os noticiários pelo mundo. E agora, todos no mesmo barco, somos obrigados a nos unir e salvar o planeta que segue sendo destruído pelas garras do consumismo desenfreado.
Cada ação de um indivíduo nos diferentes cantos do mundo faz a diferença. Hoje, percebemos que as pessoas, sobretudo os jovens, preocupam-se com simples ato que possa contribuir para a preservação da natureza. Pode ser na reutilização de uma folha de papel como rascunho. Um banho menos demorado. Deixar o carro na garagem ou, quem sabe, abolir os modelos mais poluentes, que são os mais luxuosos. Reutilizar vidros e plásticos, este últimos de demora degradação, bem como diversas outras ações.
Há que se usar menos água. Dói ver o vizinho individualista lavar a calçada sem nenhum pudor verde. Ou aquele que passa o dia preso ao seu mundo, que é o seu automóvel, afinal de contas esse pseudo-amigo é o único que o faz sentir-se não tão inferior. No fundo, absoluta balela. E ele gasta boa água para manter o "amigo" lindo.
O crescimento nosso como consumidor leva as empresas a usar a sustentabilidade como ferramenta de marketing. E isto é altamente positivo para qualquer marca. Ainda bem, do contrário os líderes empresariais não fariam muito para que nos desenvolvêssemos sustentavelmente.
Hoje, eu, simples consumidor, priorizo o meio ambiente. Aquela picape gigante e caríssima que polui severamente a Terra nossa é motivo de desagrado para os meus olhos. Penso que estar dentro de veículo deste tipo é um crime contra o mundo. Cabe às montadoras encontrarem meios de tornar estes modelos altamente luxuosos menos poluentes.
Um economista explicou-me que a necessidade de preservação da Terra trará uma revolução nos meios de produção e no comportamento dos consumidores. Por exemplo, o hidrogênio poderá ser a melhor opção como combustível. E isto resultará em uma completa revolução, por exemplo, em termos de design.
"Nosso" planeta chega ao seu limite. E agora que a coisa está feia para todos, corremos atrás de soluções. Isto, por incrível que pareça, pode ser positivo. A agenda única nos debates internacionais poderá fazer os povos mais unidos. Talvez, quem sabe, todos percebam o quanto somos secundários neste mundo. Que o que mais vale não é o indivíduo, senão o coletivo. Não é o material, mas o que sentimos. Nisto, entra a Terra como um todo. O blog entra em férias. Um Natal verde para todos. Um 2008 sustentável para o mundo.

Adelcir Oliveira



Uma mini-rosa

quinta-feira, dezembro 20, 2007 · 0 comentários

ela necessitava daquela flôr

Prometo. É esse o parágrafo só que será sem assunto. Só preciso esticá-lo um pouco. É o tempo que ganho para encontrar a pauta. Se ao final dele não lograr sucesso, não sei o que será.
Uma história. Não me sinto preparado. De qualquer modo, arrisco-me. Escrever é experimentar. E se a alma gosta, logo vem um banquete de palavras. E este parágrafo já está com recheio adequado. Necessito outro.
Dois rapazes. A carência os leva àquele American Bar. Encontrá-lo não foi tarefa tão fácil. Não fossem explicações masculinas teriam regressado com algum pico de frustração.
À primeira entrada o lugar desagradou ao mais observador da dupla. Temeu adentrar pela porta dianteira. Subitamente, desejou ir embora. Estavam ali não mais que cinco minutos.
Música, bebida, maldade. Ali não era um bom ambiente. Nenhum requinte. Ausência completa de glamour. O sexo como mercadoria. Meninas pobres oprimidas pelo desemprego. Fato este que aborreceu aquele já um tanto embebecido pelo álcool.
A bela morena, destaque entre as moças. Rejeitou a bulição leviana. Andou pela casa. Não demorou, ela e sua colega de escola e profissão conversavam com os rapazes em questão.
Perguntas não recordadas. Elogios para a morena. De súbito, uma mini-rosa. Surpreendimento. A aceitação de ambas o chocolate oferecido. Duas meninas-mulheres sendo devidamente tratadas. A dupla carente fora tomada por compaixão. Mas negar que um deles arriscou tentativa de prazer é faltar com a verdade. Seu intento não obteve sucesso. Os medos da novata a impediram.
Belas pernas de fora, aproxima-se a terceira delas. Entrevistadas, relatam a necessidade do negócio. Cidade litorânea oferece poucas oportunidades. As três revelaram freqüentar escola. Nível médio. Último ano.
Carinho. Ela recebia afagos. E eram eles verdadeiros. Assustada com o ambiente, apenas experienciava. Seu olhar era absolutamente assustado...
Homens ali fingindo algum poder. Somente naquele lugar conseguem despistar a dor da rejeição. Sorriem com pseudo segurança. Aproximam-se das figuras femininas sem correr riscos. O dinheiro suado vai comprar o sexo delas. De certo, deixará ainda mais fracos os tipos masculinos. O fato é que não terão a intimidade daquelas. Jamais irão tocar suas almas, obra magnífica a se fazer em uma mulher. Talvez finjam não saber o repúdio delas por eles.
Observador, ele lhe pergunta qual homem ali a agrada. Nenhum deles, senão você. Foi o que a bela disse com outras palavras. O ego do rapaz inflou-se, pois ela falara isto como mulher. Ainda não era uma prostituta. Não passara do reconhecimento de campo. E não iria além disso naquela noite.
A dupla melancólica saiu de lá com certa indignação. No carona, o embriagado lamuriou-se. Conflitos seus gritavam. O observador mantinha-se tranqüilo. Quisera apenas tirar a moça dali. Mas compreendia que tudo aquilo não era nada mais que uma dura realidade social. Dali, saiu com a idéia de que o governo federal necessita um plano de amparo às mulheres em situação de risco social. Todas elas, as quatro meninas, sentiam medo. Mas precisavam levar dinheiro para a casa, hostilizadas que eram pela família. A luta pela sobrevivência as corrompia.
Passaram-se alguns meses. Surge o texto que fora esquecido em canto nenhum. Estará aquela bela e frágil morena deitando-se com homens pouco escrupulosos? Um desejo de voltar lá o invade. Se vai fazê-lo ou não, dependerá muito do espírito jornalístico que o domina. De certo, seria muito interessante tal empreitada. E claro, não se pode negar, sua alma sente algum arrepio ao pensar naquele rosto assustado. Ela mereceu a mini-rosa, precisou dela...



O Arnaldo me ajudou

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O Arnaldo me ajudou. Eu fui ao show, não era no Brás. De sua boca ecoaram belas canções com poesia. Ali, tranqüilos, eu e a pequena Jô no Sesc Vila Mariana. No palco um ser humano que produz arte com grande talento. Arnaldo Antunes me ajudou. Hoje as palavras que em mim estavam reprimidas, pouco a pouco me abandonam. Agradeço ao cantor o bom show e o tapa nas palavras minhas.
Música de qualidade. Acho que já mencionei que está é uma das maiores invenções do ser humano. E a beleza do que se pode ouvir não distingue sexo e suas preferências. A música é algo democrático.
Entre algumas canções, almas agraciadas pela bela voz de Arnaldo, que sem dúvida vem de sua alma que parece ser bela. Aqui se misturam elogios e agradecimentos. A poesia do ex-Titãs ajudou a aquecer a alma minha um tanto quieta. Sim, é verdade que até arrisquei alguns parágrafos. Mas eles não atingiram mais do que algumas poucas linhas. Todas virtuais. Por fim, ou pelo enquanto, eu desisti. E pensei que fosse assim. Daí, tive a certeza do cansaço, ou do descaso. Concluí a necessidade de férias. E agora que elas já se aproximam, Arnaldo apareceu e me deu uma mão. As palavras agora já não estão tão reprimidas. O Arnaldo me ajudou.



Sonhadora Eterna

terça-feira, dezembro 18, 2007 · 2 comentários

poesia no blog

Juliana Benício

Busquei em muitos lugares este brilho Criei conceitos e defeitos em mim mesmo. Mais tristezas que alegrias... Seriedade demais a bobas mentiras...Felicidade demais para tamanha ira...
Aprendizagem eterna... Quem sabe saudade eterna. Quem sabe verdade eterna... Quem sabe tristeza eterna.
Talves isso passe. Talvez isso embasse o meu futuro. Queria o nosso em troca do meu. Queria a chance da chance de dormir e sonhar de novo.
O sonho não se repete. O sonho não se controla. O sonho não se inverte. Um sonho não se continua. somente se renova.
Sem palavras para as palavras que foram ditas. sem tristezas comparadas a todas as alegrias...Quem tem a sorte de ser a sorte ao seu lado?
o meu travesseiro te liga no meu pensamento.o meu pensamento me guia naquele silêncioaquele silêncio me lembra a lembrança de algo aqui dentro.
Já não consigo Durmi imploro tudo isso dói preciso sonhar de novo!


Juliana Benício, 19, universitária - Propaganda e Marketing - UNIP



Blog em debate

segunda-feira, dezembro 17, 2007 · 0 comentários

leitora se queixa de textos obscuros

O blog faz uma enquete. Textos melancólicos seguem na frente ao lado dos reflexivos. Lamento informar ao leitor que tal pesquisa não vai balizar o que escrevo. Pois o ato da escrita é feito aqui, por este que aprende, com a alma sua. Daí podem questionar por que então o blog indaga o leitor sobre suas preferências. Respondo a seguir.
A idéia surgiu de uma reclamação de determinada leitora que não me permite divulgar seu nome. Reclama de tantos textos obscuros. Pediu-me que fizesse uma enquete para saber se agradava ao leitor. Também disse que eu não reclamasse de baixo ibope. Lembrei-lhe de que o índice de audiência aqui é desimportante. Este blog pauta-se pela qualidade de seus leitores. Atinge algumas almas, que sustentavelmente se multiplicam.
O fato é que escrever é feito de fases. Adentrei por um período absolutamente introspectivo que resultaram em textos obscuros. A verdade, perdoem-me os leitores, é que tais textos eram para apenas uma pessoa: eu. Contudo, dada as igualdades entre os indivíduos, algumas composições agradaram e produziram até emoções. Por outro lado, deixou de agradar a alguns. A cara leitora se manifestou nesse ínterim. E contribui grandemente para o crescimento deste sincero blog. Surgiu, então, a idéia para uma nova seção a ser inaugurada em 2008. À leitora em questão, o blog agradece. Quanto à minha fase introspectiva, parece que se foi.



Os videogames

quinta-feira, dezembro 13, 2007 · 0 comentários

Adalton Oliveira


Os videogames, com pouca margem de dúvida, estão na fronteira do conhecimento no campo da Ciência da Computação. E mais que isto, representam a indústria de entretenimento que mais cresce na atualidade, com seu grau de penetração, que parecia limitado às gerações atuais, acentuando-se dia a dia entre pessoas com mais de quarenta anos de idade. Em termos técnicos, espanta o nível de realismo que alcançaram. Um exemplo é o jogo de tênis do Wii, pertencente à Nintendo, no qual o jogador deve executar a movimentação real de uma partida de tênis, havendo casos de indivíduos que desenvolveram problemas ortopédicos em razão dos movimentos realizados.
A interação é qualidade imanente de qualquer jogo, pois apenas por meio dela ele faz sentido. Mas, nos atuais videogames, a interação se apresenta potencializada quando indivíduos de todas as partes 'encontram-se' para jogarem determinado game. Ou seja, o videogame parece favorecer a sociabilidade dos indivíduos, ainda que ironicamente seja ela mediada por uma máquina e ocorra num mundo que só existe por meio de uma tela de computador. E a partir daqui, coloco uma série de questões que me parecem cruciais: o quanto o virtual do videogame se torna real e o substitui, dito de outra forma, o quanto as relações virtuais no processo de socialização presentes nos modernos videogame se tornam fontes de comprometimentos emocionais tão ou mais importantes do que as reais? Em termos psicossociais, o quanto isto muda os padrões de sociabilidade? E qual o papel e a finalidade dos jogos, seriam eles apenas uma atividade lúdica ou são eles um instante revelador de uma fase vivida pela sociedade (e aqui não importa se são ou não eletrônicos)? A partir daí, o que há de moderno neles, no sentido de algo que rompe com o passado e que se opõe aos gostos tradicionais, causando estranheza e polêmica? E o que há realmente de novo nos jogos virtuais em relação aos jogos dito tradicionais? Sobre esta questão, penso que nos jogos tradicionais, nós podíamos inventar as brincadeiras ou modificar as existentes, ou seja, a criatividade era elemento potencialmente sempre presente. Nos jogos eletrônicos, parece que estamos limitados a decifrar os segredos postos pelo programador. A criatividade parece colocada de lado, pois não há saídas alternativas, e tudo parece ser uma questão de habilidade, de aprender a jogar (e, uma vez aprendido a jogar, perde-se o interesse no jogo; o que configura o alto grau de obsolescência na indústria do videogame). Quando muito, os jogos eletrônicos nos submetem a 'testes de inteligência', medindo nosso raciocínio, nossa capacidade de dar respostas rápidas, num exercício em que "a elaboração do pensamento, a meditação, a ponderação, dão lugar, mais comumente, à indução", ou seja, à inferência conjectural que se alimenta da regularidade e que permite tirar conclusões a partir das experiências anteriores.
Para uma criança, o videogame tem certamente um caráter lúdico. Mas, para um adulto este caráter parece ser transcendido, ganhando contornos de alheamento. Para o indivíduo adulto, o videogame é, muitas vezes, uma fuga da realidade frustrante; ainda que, como na vida real, possamos ganhar ou perder no game, neste, diferentemente daquela, o recomeço é sempre possível. Sempre há uma segunda chance. E é interessante perceber que na sociedade moderna (ou pós-moderna, como alguns preferem), marcada pela frustração, pela despersonalização, o videogame ganhe mais e mais espaço, já que por meio dele podemos assumir uma outra personagem, um avatar (palavra de origem hindu, que significa reencarnação), uma personificação nossa; porém, muito mais exitosa, mas infelizmente virtual.
opiniões opiniones



Dentadura mole

terça-feira, dezembro 11, 2007 · 1 comentários

a resignação dele com o individualismo por aí

Pedi à dentista que não raspasse a minha gengiva senão amoleceria minha dentadura, mas ela raspou... Foi mais ou menos isto que ele me falou. Ouvi suas palavras e olhei aquele rosto que se repetia à minha frente enquanto me deliciava com um suco de uva.
Não fosse a falta d’água, eu teria temido que ele me pedisse para lhe pagar outro café. À morena de olhar sensual, pediu-lhe água. Informado da falta do líquido desejado, perguntou o preço de um copo de mineral. Foi quando receei que ele me solicitasse pagar sua pequena conta.
Nesse ínterim, trocou algumas palavras comigo. Algo que me falou sobre a dentista do hospital público inquietou-me. Ela raspou a gengiva. Não tava nem aí. Tem sua vida própria... Naquelas palavras de resignação, vi um certo desencanto pelo o modo de vida individualista que nos é imposto. Não posso afirmar que tenha sido descaso da dentista. É bem provável que sim. Mas por que não indagar se foi por incompetência que a dentista amoleceu a dentadura do nosso personagem?
Agradeceu-me o café de outro dia. Informei-lhe que hoje a bebida escura não está sendo servida. Ele pareceu-me, por um momento, querer demonstrar que não me pediria outro café. Foi quando emendei: Não tem água.



Spray da maldade contra si

domingo, dezembro 09, 2007 · 0 comentários

25Out2007 Se escrevo agora, é para fugir. Não apenas das pessoas que aqui estão, mas principalmente de mim. Nos dias que se seguiram próximos a este, eu fui meu maior algoz. Exemplo certo de discreta auto-destruição.
Nós seres humanos temos essa capacidade de nos aniquilar. Mas o pior é quando o indivíduo não se dá conta disto. E talvez isto se dê com a maioria. Mas há aqueles que despertam. Reconhecem em seus atos auto-nocividade. E ainda assim seguem inseticidas.
O problema é que o spray da maldade não é um recipiente marcado para acabar. Ele se auto-alimenta. E quanto mais é usado, maior ele fica. E aí o cheiro se espalha, toma conta. As gotículas cinza são constantemente renovadas. E parecem não mais se evaporar.
Mas há saída. Existem caminhos. Você vai precisar dominar o frasco. Sacudi-lo firmemente. Ver de frente. Sentir e reconhecer o odor horrendo de dentro de si. Se assuste! Tudo bem. Faz parte. Fique com medo. E até desista. O que vale é que muitos vão prosseguir na luta. O frasco continuará lá, pronto para ser sacudido. Louco para que sua válvula seja pressionada. Recicle-se.



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
Lilian Guimarães
Adalton César
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