Chute na pedra

domingo, outubro 21, 2007 ·

o blog na escola

Era a primeira vez. Ele adentrou a escola. Alunos o esperavam para debater textos, entre outras coisas. O improviso era a sua marca. Não se preparara. Nada havia decorado. Desejava que fosse assim. Mas levava consigo a certeza de um recado para tantos pequenos consumidores...
São Bernardo do Campo. Uma escola estadual. Na classe, a falta de conforto e decoração de bom gosto. Um cercado de paredes nada convidativo para os alunos. Mas isso não é uma crítica exatamente àquela escola, senão um comentário de quem deseja que todas as escolas públicas tenham bom nível educacional, bem como um ambiente aconchegante e agradável a todos.
Meninos e meninas. Ensino fundamental. 6ª e 7ª séries. Alguns poucos interessados no fato. Outros preocupados com a bagunça. E até aqueles cujas almas estavam em alguma brincadeira que viria ou que se fora...
Ao seu lado, a organizadora do evento, a professora de leitura, Lílian Guimarães, que também é revisora deste blog. Poucos alunos se manifestaram. Ao autor deste blog foram entregues dois textos. Um deles, da aluna Renata, 16 anos, que foi premiada com uma caneta para seguir escrevendo. Destaque para a pequena Emily, que se mostrou comunicativa, e também com uma ótima capacidade de comunicação. Uma boa debatedora. Talvez uma futura jornalista...
O que mais interessava ao autor não era estar simplesmente ali para tecer palavras sobre o blog. O desejo maior era apertar o play. Dar início a um propósito seu. Este que ainda é resguardado e que é mencionado em alguns textos vez ou outra.
De frente para ele, consumidores. Pessoas adormecidas. E não vale a observação de que se tratava de crianças. Neste sentido, os adultos não seguem nada diferentes. Muitos, quase todos, senão todos, com a salvação diminuta de alguns, seguem mudos, cegos e surdos. E as empresas estão aí, deitando e rolando. Fazendo da natureza uma “vítima” das garras do capitalismo. Tudo bem. Eles lucram muito. A natureza permaneceu um tanto silenciosa. Agora, o que temos é um futuro duvidoso. Não se sabe ao certo o que será. Talvez chegue o dia que não seja. E assim, cessarão os problemas paras os homens. Quem sabe a natureza dê um jeito de preservar este planeta, que nada mais é do que mero detalhe em um mundo tão vasto e desconhecido. Mas essa volta pelo meio ambiente desviou um pouco o rumo deste texto. De qualquer forma, o recado foi dado. Ali, sentado sobre a mesa, o autor do Opiniões & Crônicas, em um momento que lhe agradou muito, falou de modo sério aos alunos. Questionou os pequenos sobre quem tem o poder de fato. A resposta positiva não significa nada mais do que mera concordância sobre a pequena explanação anterior. Mas é um começo... Um chute na pedra... E elas são muitas...

opiniões opiniones

Estou extremamente contente com a nossa aula (rs). Fazia muito tempo que não me sentia tão gratificada e realizada no trabalho. Mas o motivo maior desse e-mail é confessar que me emocionei em uma determinada parte da aula (não sei a sua reação), mas no momento em que a aluna lia o seu texto, me bateu uma forte emoção. Talvez deve ter sido de naquele momento você ter se transformado em um escritor de peso, seu texto registrado no caderno dos alunos, estudado e debatido por nós com a sua presença. Enquanto a aluna lia, eu viajava nos meus pensamentos, tanto que quando interferi no término da leitura, saiu meio que de improviso, meio inseguro, o meu comentário. Ainda não tinha voltado plenamente e fiquei uns minutos sem lembrar do que eu falaria, da razão que pedi pra aluna ler, mas logo retomei e disse com segurança o que queria. Foi um momento único da minha carreira essa experiência, que sempre me lembrarei. Obrigada pela parceria
Lilian Guimarães, revisora do blog



1 comentários:

Alessandra disse...
novembro 03, 2007  

oi sou a prima da soninha achamos muito bonito o que escreveu, vc não parece que tem 35 anos bjs tchau

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fotos: Patrícia Crispim
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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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