Veneno que volta

quarta-feira, outubro 31, 2007 · 1 comentários

no final de tantas críticas, você pode ser o real motivo

É um problema quando não nos percebemos. Ela, por exemplo, desacredita na bondade do ser humano. Constrói seu discurso da negação diariamente. Em suas palavras um amargo difícil de suportar. E o pior, ela acredita razão em tudo que diz. Se o ser humano tem dois lados, nela o positivo queimou.
Daí vem outra pessoa. O discurso da bondade. Ignorância confundida com bons sentimentos. No caldo, uma baixa auto-estima de família. Um ambiente de imbecilidade. Pessoas que não crescem, não somam. Não existissem seria a mesma coisa.
O giro prossegue. O encontro com algum outro indivíduo não veio. Travou o sistema. Não, foi engano. Há a recordação de um grupo inteiro. São pessoas. Seres humanos. Vítimas de mentes doentes. Um exemplo de comportamento aprendido. Letargia nas ações. Vozes lentas. Educação fingida. Ausência de assunto. Arapucas armadas. E em todos, uma infelicidade hereditária. Vilões? Seus maiores inimigos são eles próprios. Enfim, melhor cessar a destilação desse veneno. Vai ver que lá no final do túnel obscuro esteja essa pessoa. Eu. Alvo.

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Brother, cê tá kafkiano!Tá SHOW!Abraço
Alan Davis, fotógrafo, membro do Conselho do blog



Ilustração de insatifações

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o que resta são mercadorias

Hoje quero um texto diferente. Já deixo isso bem claro logo no início. Nada de artimanhas para fugir de obstáculos. Vou de frente. E se eu der com a cara na porta, tudo bem. Nem sempre somos bem vindos. E quase nunca a oportunidade surge à nossa frente.
Eu queria encontrar palavras a fim de gerar identificações. Há um modo de fazer isto. Basta retratar a realidade de alguém. Ok! Peguemos quatro delas. Dessas, ficar apenas com uma. Ou optar, no deslizar da caneta, por nenhuma. Dar o texto por encerrado. Admitindo a desistência.
Vamos pensar nas mulheres. Consideremos as diferenças sociais. Peguemos a realidade de uma delas emprestada. Aos seus 19 anos só deitara-se com um homem e dele se aborrecera. Essa menina vestiu saia e salto alto. Precisava findar com as hostilidades dos irmãos, levando dinheiro para casa. Foi o único jeito que conseguiu...
Imaginemos “uma noite sobre a Terra”. Para quem já assistiu ao filme de mesmo nome, fica mais fácil. Então, outra mulher. O casamento como uma prisão que a anestesia. O marido que a vê somente como mãe dos filhos. Ousadias entre quatro paredes, nem pensar! Aliás, sexo com a esposa já não existe. Preferível pagar por fora. Só assim sente prazer. Ignora o vulcão dentro de sua esposa.
A mesma noite. O país é grande. A terceira mulher sem saber de fato o que quer. Paixão pelo marido não mais. Sexo com ele, de modo algum. E não é que lhe falte libido. Ela quer sexo é com outro(s). E até o fez recentemente. Não foi como esperava. Mas uma sensação de poder lhe dominou. Se durou muito ou pouco, não é sabido. O fato é que essa mulher de classe média, assim como a anterior, vive dias enfadonhos. Um vazio é quase o seu todo...
Agora, a busca pelo quarto elemento. Já o tenho. E ele é opção para que não tenhamos a sensação de que as personagens aqui são vistas como vítimas. Exceto a primeira que segue em vulnerabilidade social. Que procurou emprego, mas no litoral a coisa é mais difícil. E se hoje ela toma um simples banho é porque a amiga lhe oferece chuveiro e sabão. Aliás, ambas tentam ser colegas de “trabalho”.
A quarta mulher. É infeliz. Absolutamente vazia. O marido é ainda mais vazio. Seus dias são assim: um nada. O ciso é falso. O brilho no olhar não perdura. A insatisfação com seu corpo. A não aceitação de sua pouca erudição. Alguns pulos fora do matrimônio. A confissão. O grito masculino. A dor pintada de outra cor. E os dias de um cinza desagradável... Insuportável... Tal qual a presença do casal. Ambos patológicos.
O que temos aqui são realidades postas. Não se tratam de casos isolados. É o formato que definiram para as pessoas. Parece que fizeram lá umas conferências. Tramaram como deixar as pessoas o mais insatisfeitas possível. Daí, lhe oferecem uma pseudo-saída. Na verdade, um paliativo que é alimentado pela insatisfação que se vai e volta. E ela deve voltar sempre. Esse é o preceito principal. E assim, só assim, o indivíduo consome. Daí, seu deus maior: a mercadoria.



Chute na pedra

domingo, outubro 21, 2007 · 1 comentários

o blog na escola

Era a primeira vez. Ele adentrou a escola. Alunos o esperavam para debater textos, entre outras coisas. O improviso era a sua marca. Não se preparara. Nada havia decorado. Desejava que fosse assim. Mas levava consigo a certeza de um recado para tantos pequenos consumidores...
São Bernardo do Campo. Uma escola estadual. Na classe, a falta de conforto e decoração de bom gosto. Um cercado de paredes nada convidativo para os alunos. Mas isso não é uma crítica exatamente àquela escola, senão um comentário de quem deseja que todas as escolas públicas tenham bom nível educacional, bem como um ambiente aconchegante e agradável a todos.
Meninos e meninas. Ensino fundamental. 6ª e 7ª séries. Alguns poucos interessados no fato. Outros preocupados com a bagunça. E até aqueles cujas almas estavam em alguma brincadeira que viria ou que se fora...
Ao seu lado, a organizadora do evento, a professora de leitura, Lílian Guimarães, que também é revisora deste blog. Poucos alunos se manifestaram. Ao autor deste blog foram entregues dois textos. Um deles, da aluna Renata, 16 anos, que foi premiada com uma caneta para seguir escrevendo. Destaque para a pequena Emily, que se mostrou comunicativa, e também com uma ótima capacidade de comunicação. Uma boa debatedora. Talvez uma futura jornalista...
O que mais interessava ao autor não era estar simplesmente ali para tecer palavras sobre o blog. O desejo maior era apertar o play. Dar início a um propósito seu. Este que ainda é resguardado e que é mencionado em alguns textos vez ou outra.
De frente para ele, consumidores. Pessoas adormecidas. E não vale a observação de que se tratava de crianças. Neste sentido, os adultos não seguem nada diferentes. Muitos, quase todos, senão todos, com a salvação diminuta de alguns, seguem mudos, cegos e surdos. E as empresas estão aí, deitando e rolando. Fazendo da natureza uma “vítima” das garras do capitalismo. Tudo bem. Eles lucram muito. A natureza permaneceu um tanto silenciosa. Agora, o que temos é um futuro duvidoso. Não se sabe ao certo o que será. Talvez chegue o dia que não seja. E assim, cessarão os problemas paras os homens. Quem sabe a natureza dê um jeito de preservar este planeta, que nada mais é do que mero detalhe em um mundo tão vasto e desconhecido. Mas essa volta pelo meio ambiente desviou um pouco o rumo deste texto. De qualquer forma, o recado foi dado. Ali, sentado sobre a mesa, o autor do Opiniões & Crônicas, em um momento que lhe agradou muito, falou de modo sério aos alunos. Questionou os pequenos sobre quem tem o poder de fato. A resposta positiva não significa nada mais do que mera concordância sobre a pequena explanação anterior. Mas é um começo... Um chute na pedra... E elas são muitas...

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Estou extremamente contente com a nossa aula (rs). Fazia muito tempo que não me sentia tão gratificada e realizada no trabalho. Mas o motivo maior desse e-mail é confessar que me emocionei em uma determinada parte da aula (não sei a sua reação), mas no momento em que a aluna lia o seu texto, me bateu uma forte emoção. Talvez deve ter sido de naquele momento você ter se transformado em um escritor de peso, seu texto registrado no caderno dos alunos, estudado e debatido por nós com a sua presença. Enquanto a aluna lia, eu viajava nos meus pensamentos, tanto que quando interferi no término da leitura, saiu meio que de improviso, meio inseguro, o meu comentário. Ainda não tinha voltado plenamente e fiquei uns minutos sem lembrar do que eu falaria, da razão que pedi pra aluna ler, mas logo retomei e disse com segurança o que queria. Foi um momento único da minha carreira essa experiência, que sempre me lembrarei. Obrigada pela parceria
Lilian Guimarães, revisora do blog



Uma sociedade de voyeurs

terça-feira, outubro 16, 2007 · 0 comentários

Adalton Oliveira

A internet, a despeito de todas as vantagens que trouxe, parece tornar realidade a fantasia orwelliana do Grande Irmão, imaginado por George Orwell em seu livro 1984. Aquele que a todos vigia, o panapticon, o monstro de mil olhos, habita o mundo virtual, espionando a todos, sem exceção. Na rede virtual, não existe privacidade e a informação pessoal torna-se mercadoria valiosa. Fornecemos nossos dados sem saber que destino será dado a eles. Fazemos compras em determinado site para em seguida termos nossa caixa postal atolada de e-mails inúteis, vendendo todo o tipo de serviço e bugiganga. Como sugeriu recentemente a economista norte-americana, Esther Dyson, "[na internet] a informação, os serviços, os conteúdos não são diretamente pagos em dinheiro, mas em tempo, em atenção, em dados pessoais e no consumo de outros produtos". Nada a espantar, pois em um mundo em que tudo foi transformado em mercadoria, não poderia ser diferente com a privacidade de cada um.
No Google, programas vasculham os e-mails trocados em busca de informações que denunciem as preferências dos seus autores. Na rede de relacionamentos Orkut, pessoas se 'desnudam', dizem abertamente o que gostam e o que desprezam. "Eu sou desse ou daquele jeito" e assim está decretada a morte do mistério, a do prazer da descoberta. Aliás, a descoberta mais provável nesse mundo é a do embuste, quando digo que sou o que não sou.
Segundo Martin Heidegger, por trás de toda técnica, há causas, usos e conseqüências encobertos, que, embora interpelem a ação humana, independem da vontade do homem. Para ele, é preciso ir à essência da técnica e ver aquilo que está encoberto (o que Heidegger chama de desvelamento). Pensada no âmbito da técnica, a rede pode ser mesmo tudo o que o homem quiser dela, pode ser a "conjugação eficaz das inteligências e das imaginações humanas", um instrumento a favor da coletividade e, por que não, o remédio que faltava para os males da humanidade. Ocorre, porém, que as coisas não são tão simples. A técnica, e especialmente a técnica moderna, "não se reduz a um mero fazer do homem". Logo, não surpreende que, mais do que para o ideal que possa ter sido pensada, a internet funcione mais intensamente como instrumento a serviço dos negócios e da especulação do capital e que espionar seja parte fundamental desse novo negócio (mais detalhes em COMASSETTO, L.R. "Internet, a ilusão democrática").
Mas, a espionagem não é um fenômeno restrito à rede mundial de computadores. Ela tornou-se um fenômeno onipresente. Andamos pela ruas espionados por câmeras, postas ali para nos garantir algum grau de segurança (em uma sociedade cada vez mais violenta, não é de admirar que as pessoas prefiram abrir mão de sua privacidade em prol de segurança - ou apenas da sensação dela). Entramos em um estabelecimento comercial e lá estão as câmeras a nos vigiar. São poucos os lugares em que não se lê o tal: "sorria, você está sendo filmado". Assisti recentemente a uma reportagem que mostrava que vem tornando-se prática comum entre as empresas lotar os locais de trabalho de câmeras, espionando seus trabalhadores, mirando o que fazem e o que dizem (e no futuro, quem sabe, o que pensam). Dessa maneira, com a louvável desculpa de busca de aumento de produtividade, cerceia-se a liberdade individual.
Vivemos num mundo habitado por voyeurs, ávidos por nossos segredos, por descobrir nossas taras e manias. Tanto é assim que um dos programas de maior sucesso hoje na televisão é sugestivamente chamado de Big Brother, a banalidade do cotidiano transformada em espetáculo. Olhar pelo buraco da fechadura tornou-se mania nacional.
Dizia Jacques Derrida, o filósofo da desconstrução, o direito ao segredo é também uma condição da democracia. Então, o que dizer de um país onde repórteres fotografam os e-mails trocados por juízes da mais alta corte e comentaristas dizem que não deve haver sigilo quando se trata de agentes públicos? Não estaríamos perigosamente flertando com o fascismo, onde todos controlam todos, onde o interesse da sociedade está infinitamente acima dos indivíduos?
Empresas bisbilhotam seus funcionários, pais vigiam seus filhos, a polícia observa por meio de câmeras os transeuntes. Estamos todos submetidos à constante vigilância. Então, sorria, pois você está sendo espionado.



Duas reformas necessárias

segunda-feira, outubro 15, 2007 · 1 comentários

09Ago2007. Inicio pela exclusão. Deixo de lado o velho parágrafo da confissão. E não revelo a dificuldade do momento. Fico agora com o que se segue na folha outrora branca. E teço o que já foi registrado. Mas não nestas linhas iniciais. Nas que se seguem...
Creio que algum assunto nacional seja de meu interesse. Por exemplo, a reforma política. Penso que o pior erro do governo Lula foi não ter feito, no início do primeiro mandato – posto que possuía amplo apoio da sociedade – a reforma política, que seria um passo contra o alto grau de corrupção neste país.
A infidelidade partidária é um mecanismo que proporciona a compra de parlamentares por parte do executivo. O próprio governo do presidente Luís Inácio da Sliva cooptou diversos membros da oposição para a sua base de apoio. O custo disto não sabemos.
O PT sugere a formação de uma Constituinte para resolver a questão. O argumento é que os atuais parlamentares eleitos nada farão que os faça perder privilégios. Nesse sentido, a formação de uma Constituinte para fazer a tão necessária reforma política tem todo o apoio deste blog.
Entre os vários pontos de discussão da reforma está o financiamento das campanhas. Até aqui, o blog possuía uma indefinição. O autor defende que o capital privado seja doado para o processo eleitoral como um todo, sem beneficiar um candidato diretamente. Assim, seria formado um fundo para aditivar as eleições em termos monetários. A divisão do bolo seria equânime com um número reduzido de partidos. O doador de recursos não destinaria verbas diretamente para um candidato de sua preferência. Contribuíria para as eleições Sua contribuição seria para a Democracia. Deste modo, não teríamos eleitos com “rabo preso” devendo favores para as empresas. A reforma política deve ser exigida pela população. Mas ela só não basta como ferramenta de combate à corrupção. É preciso também reformar o eleitor brasileiro. Para tanto, é necessário investir em educação, bem como a democratização dos meios de comunicação.

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Aiii ki luxo teu blog...rsrssrBju saudades

PINK, estudande de jornalismo



Improvável

sábado, outubro 13, 2007 · 0 comentários

Eu desci do ônibus. A calçada recebeu meus olhos. Um sentimento forte. Um desejo não sabido. Algo em mim. E o mundo para sentir. De certo, eu sabia que podia escrever. Ou deveria fazê-lo...
Por um lado, o anseio por algo belo. O oposto de mim. E uma vontade em tecer uma crítica. Num intervalo de minha alma, a reflexão acompanhada de compreensão.
A escolha é feita. Quem apostou na beleza, perdeu uma vez mais. De certo, não será a última. Também, não se trata de uma derrota solitária. Perder já se tornou trivial. E isto não é exatamente ruim. O motivo será repetitivo afirmar.
Lembro-me daqueles que perdem diariamente a cada dia. Pessoas que, levadas por uma mente insana, semeiam a discórdia. No semblante, no cumprimento, a sonegação de um sorriso. Na expressão de desprezo, a confissão de seus sofrimentos internos. Se me desagrado com pessoas assim, é que ainda não as entendi completamente. Se é que também não vejo um pouco de mim nelas. Não um eu de agora, mas sim um que se expressou no passado.
Condenar, julgar, é mais fácil. Chega a ser prazeroso. Mas não é o caminho melhor. Entender, refletir, tomar o indivíduo como objeto de observação, é de muito maior valia.
Escrevo e penso em pessoas. Estranho ver tanta frustração em jovens. Quem sabe um dia eles se desprendem das amarras do mundo. Talvez, não seja impossível que alguns deles percebam a superficialidade de um “simples” filme hollywoodiano. Ou quem sabe, suas almas sejam iluminadas e os faça desistir da idéia de sentirem-se bem apenas em função da aparência. Quem sabe assim uma luz de felicidade acenda. E daí, dia após dia, com o acúmulo de descoberta, um clarão se faça presente em suas almas. Quando, então, toda futilidade, pequenez, quem sabe até a desonestidade, se extirpem. Mas nada assim é provável. E não me dói saber que a realização disto é impossível. Não mesmo...



Mar interno

quarta-feira, outubro 10, 2007 · 0 comentários

Palavras. Levadas por águas salinas. O jogo com elas. Melhor o uso como queira. E isto é absolutamente ilustrativo. Pois no mar da vida, segue o indivíduo perdido. Aliás, tamanha é a falta de direção que esta crônica se reinicia.
No filme, o personagem Ulisses navega com objetivo claro. Por desafio aos deuses, ele não encontra o caminho correto para Ítaca. O mar aqui não é tão diferente. Revolto, navegamos nele um tanto atordoados. E o medo no simples ato de se comunicar faz o indivíduo preso e perdido em águas turvas e próprias.
Este mundo que o homem criou. Ele me parece absolutamente patético. Mas isso é agora. Depois também. De todo modo, felizmente, esta ótica minha muda. E assim é melhor. Do contrário, o exagero do sal na água não me faria bem.
As ondas não cessam. O barco oscila. O esforço é para que ele não afunde. E mesmo contrariando a postura de Ulisses em relação ao Divino, o indivíduo segue num vazio que não mostra limites.
A natureza é complexa, bem se sabe. Nela, mistérios diversos. O inesperado ocorre. Aqui, nesta crônica um tanto salgada, de palavras cinza, não há o desejo pela diferença. Assim, tem-se as portas abertas para troca de assuntos. E se o autor relembrar o que já escreveu em outras épocas, caso faz com o alívio. Se escreve o que se vai por dentro. Preceito sincero deste blog que gosta da sinceridade.
Dentro do autor não há apenas um mar, como não há um navegante solitário. São diversas as águas. Variados os viajantes. E, não feito Ulisses, a navegação em águas cinza se mostra sem rumo. Dispersa. Atordoante. E, ao contrário do filme, o fim da viagem não é sabido. E achar que este detalhe é ruim, comete o leitor o que é normal em qualquer ser humano. Equívoco.



Encontro marcado com a infelicidade

quinta-feira, outubro 04, 2007 · 0 comentários

a falta de amor-próprio

O indivíduo não se valoriza. Acredita não merecer certos progressos. É melhor ficar na mediocridade. Lá na frente, pode até ser, vai queixar-se da falta de oportunidade. E vai se cobrar muito, sem saber que se trata da cobrança da felicidade. Que agora já está morta. Não mais é possível tê-la. O que se tem então é a infelicidade. O encontro foi marcado. O indivíduo chegou na hora acertada. Pelo caminho, cumpriu todos os requisitos. O principal deles foi de se auto-desvalorizar.
Claro que não temos a certeza. Mas de certo há muitos por aí que são personagens do início deste texto. Que por uma auto-desvalorização não deram os passos certos. O que parecia só preguiça era também baixo amor-próprio. E hoje o que resta é miséria interna e um ódio de si.
Pode ser que no meio do caminho a pessoa se perceba. Talvez algum mecanismo externo o leve a esta percepção. Quem sabe ainda há tempo. Que passar a se valorizar torne prática trivial. Nisto, ainda há esperança. Essa virtude tão grandiosa. Se ela se apaga, vai também acinzentar o olhar do indivíduo. Seus olhos então serão espelho de uma alma triste, cinza e sem esperança...



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
Lilian Guimarães
Adalton César
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