Formação profissional

domingo, maio 27, 2007 · 0 comentários

Crítica aos métodos de seleção
=
Este texto possuía outro título: “Jornalismo fachada”. Ocorre, que ao escrever, tornei-o plural, não me prendi a um único assunto. E saí da profissão para a formação. Entendi que meu interesse passou a ser discorrer sobre a formação dos futuros especialistas, cada qual em sua área. Feita a justificativa, passo a extrair do papel o que escrevi na rápida viagem de ônibus, ao voltar para a casa, após duas excelentes aulas com conteúdo analítico.
-
Ultimamente tenho escrito de forma mais reflexiva. Mas hoje declino e adentro a um estilo mais ácido. Quero falar sobre o que vejo no jornalismo atual, bem como arriscar um prognóstico. Farei isto de forma honesta e realista. Talvez alguém confunda com pessimismo. Pode até ser também que algum estudante de jornalismo pense a crítica ser para ele. Fica aqui o esclarecimento. O blog não se prende a uma pessoa determinada. Isto se dá quando o assunto não possui caráter reflexivo. O que é possível ocorrer é a identificação da pessoa com o tema exposto. Lembrando da semelhança de realidades por este mundo afora.
Olho uma capa de revista e vejo uma pseudo-perfeição. Daí, faço par com a indignação. Questiono se os leitores acreditam de fato naquela imagem. Não me prendo muito a este pensamento. Deixo tudo de lado, inclusive a capa com a mentira estampada.
A TV também tem seu mundo próprio. Vende ilusões despudoradamente. Alimenta a passividade e contribui para a manutenção do vazio nas pessoas. Seu objetivo principal é o lucro, num entendimento que o dinheiro está acima de tudo.
Os jornais se valem de uma possibilidade maior de flertar com a credibilidade. Creio que sejam as melhores fontes de informação, desde que o leitor tenha discernimento sobre o que lê, pois por detrás dos diários há interesses político-econômicos. De qualquer forma, em alguns periódicos existe a presença de pessoas honestas, bem como debates mais aprofundados.
Com relação às revistas, pouco tenho a dizer. Sei que as mais famosas não merecem muito crédito. Há boas publicações neste seguimento. Não me recordo de muitos exemplos. Talvez um ou dois. O fato é que reconheço não ter muitos elementos para fazer uma análise crítica da mídia brasileira. O que faço aqui é apenas expressar alguns pensamentos. Não me aprofundo, não sou estudioso da área. Se me mantenho superficial, que fique claro: não estou imitando a nossa imprensa como quem quer ilustrar a singela crítica.
E o futuro do jornalismo brasileiro? Quisera poder participar de uma pesquisa sobre este tema. Sei que não posso me basear apenas naquilo que vivencio. Se assim o fizesse, diria que o futuro da imprensa brasileira é sombrio, principalmente do ponto de vista ético. E não é o caso de culpar a faculdade. A deficiência de julgamentos de valores no brasileiro é uma questão cultural. Ser honesto no Brasil é estranho para uma imensa maioria. Se eu estiver errado, não será motivo de frustração, pelo contrário, ficarei absolutamente satisfeito com o engano.
Nesta semana debatemos em classe a questão da proibição da venda da biografia do cantor Roberto Carlos. Divergências à parte, bem como a inutilidade do livro, a questão principal foi apresentada de forma competente pelo professor. Não se assuste, caro leitor, ao saber que a imensa maioria dos futuros jornalistas, sentados de forma passiva, não possui opinião alguma sobre o fato em questão. E não os condene, isto é reflexo do sistema de ensino do nosso país.
Ao final da aula, frustração no professor. Seu desejo por mais debate e expressão de idéias não é atendido como ele planejara. E não é que tal discussão não tenha sido produtiva. Se poucos levantaram a voz, culpemos a falta de embasamento no jovem universitário. E isto está profundamente conectado à questão educacional. Se a escola ensinou o aluno a não gostar de estudar, pensar ou ler, não é a faculdade que vai resolver isto.
Assim, uma questão importante pode ser abordada. Trata-se da maneira como são selecionados os candidatos a futuros profissionais. A seleção centra-se no teste de conhecimentos gerais. Isto é válido, mas não basta. Fica de lado aspectos extremamente importantes para qualquer profissão, ligados à ética e à circunstância psicológica do indivíduo. Este último pode parecer estranho. Mas pense numa pessoa absolutamente desorientada, sem saber quem é, bem como quais são seus desejos. Se o indivíduo não tem ciência de si, tomar decisões torna-se complicado. Frustrar-se passa a ser uma grande possibilidade, quando não, tornar-se um profissional incompetente e insatisfeito. A partir daí, mais um passo para a manutenção da infelicidade já foi dado. De repente, a pessoa poderia ter outra profissão. Ou até adiar sua entrada na faculdade para quando estivesse em um momento de melhor interação pessoal. Mas aí entram a rapidez da vida, a neurose da pressa, as imposições do mercado, sempre preocupado com o lucro. Esse “moneycentrismo” atrapalha o desenvolvimento do ser humano.
Isto posto, penso que, para a otimização da boa formação profissional, urge saber se a pessoa está qualificada para o ingresso no curso o qual acredita de fato desejar. Não basta, portanto, saber resolver complexas equações ou ter em mente fatos históricos. É necessário que o candidato reúna alguns requisitos fundamentais para ingressar em determinado curso. Por exemplo, um candidato a futuro jornalista. Basta que ele aponte a alternativa correta na prova de vestibular? Não. É necessário testar sua aptidão para a produção de textos. Sua capacidade comunicacional. Seus valores éticos, sua condição perceptiva e também sua bagagem cultural, bem como o entendimento que ele possui do mundo.
Se parece absurdo o que digo é por que estamos acostumados a fazer as coisas de forma mais rápida e menos onerosa possível. Contudo, quando se trata de educação, não se deve pensar em termos monetários. O sistema educacional no país é de responsabilidade de todos, sobretudo do governo e das empresas.
Existe uma instituição de ensino em São Paulo que não se limita apenas à prova de conhecimentos. Há entrevista, testes práticos, bem como sondagem cultural do candidato. E isto num curso técnico. Quem ganha com isso são os próprios candidatos, o mercado de trabalho, a instituição de ensino, e, evidentemente, o país. Portanto, o que proponho é absolutamente exeqüível.
Não sei se fui ácido como tencionava. Acredito até que adentrei por caminhos mais reflexivos. O entendimento que tenho sobre a importância de educação de qualidade vai muito além da realidade brasileira. E não pense que basta uma escola de bom nível. A sociedade como um todo possui sua parcela de responsabilidade na formação de seres humanos menos vazios. Deste conjunto, peguemos as empresas. Se para elas basta o indivíduo consumista, não importando sua condição existencial, troquemos toda a direção. O mundo vai muito além de alimentar redes de consumo. Aliás, o lucro monetário é o que menos deve importar. O bem estar da sociedade como um todo deve estar acima de conceitos individuais. Do contrário, permaneceremos sem paz psíquico-social. Se este texto é utópico, que o seja. O que vale é não desacreditar. Conformismo não leva a nada. Aliás, creio já estarmos cheios desse nada que tem sido o mundo. E idiotas não são os que seguem manipulados, mas aqueles que manipulam. Que usam da condição de líderes para manter massas consumidoras passivas, sem ação. Essa inércia toda é inútil para o homem. Já encheu! Ou melhor, não preenche.
-
clique no título do texto para ler CLÁUDIO ABRAMO E O JORNALISMO



Qual o assunto?

sexta-feira, maio 11, 2007 · 2 comentários

O uso sereno da liberdade
-
Esse frio. Não é ele o assunto. Só que é bem vindo. Aliás, em tempos de aquecimento global, toda ausência de calor será bem vinda. O calor em excesso será, daqui em diante, a Igreja da Idade Média. Medo e irracionalidade...
Eu já fiz a escolha. O assunto está decidido. Aqueles que são mais ansiosos, desistam da leitura. Planejo adiar ao máximo o início do que quero expressar. Estes dois parágrafos são apenas aquecimento. Talvez eu necessite mais um... Ainda estou frio...
O fato, bom leitor, é que dentro de mim há certo caos de intenções. Eu fechara acordo com meus desejos. Escolhera a pauta. De qualquer forma, meus sócios deram-me entrelinhas que não li. Nelas, um caminho tortuoso. Lá no fim, pouca luz. Mas é pela sombra que faço o reconhecimento. Falo sobre o assunto. Eu o vejo. Mas me confundo. Não está ele solitário. Caos de idéias. Salsada de necessidades...
Decidi. Deixei de lado a minha escolha. Um direito que tenho. E agora sigo sem rumo. Imito muitos que conheço. A diferença é que não pego emprestado deles a infelicidade de quem vive por viver. Aqui, seguir como queira é algo bom. Creio que seja a melhor forma de tocar a poesia. Uma sensação de liberdade. Aquela que os governantes fingem que existe. Mas talvez tal fingimento seja de fato necessário. Não estamos preparados para sermos completamente livres. A massa é muito irracional.
Chamem o parágrafo acima e este que se inicia de Parágrafos da Complementação. Pois ao reler o texto, vi a necessidade deles. Olhei bem. Os dois parados esperando a oportunidade. Não sei por quanto tempo esperavam. O fato é que chegou a vez deles. Sabemos como é dura a espera. Mas temos o prazer do gosto do alívio, a melhor das sensações. Algo que produz uma alegria momentânea que nos é fantástica. Assim, caso o leitor queria, o par a que me referi pode ter outro nome. Acho que vocês já sabem qual...
Agora, converso contigo.Você ainda está aqui? Fale comigo! Expresse seus sentimentos! Sinto-me deveras egoísta. Enquanto expurgo meu eu, fico sem o seu você. Não, não quero isto apenas. Seria como me igualar aos donos do capital. Muito para eles, só para eles. O outro? Bom, que ele se aqueça com a sua dor doída. Seja fome, angústia, solidão, ou frio... Seja o que for... Para eles, pouco importa...



clique no título do texto para ler Nada (e chato)



Especialistas cegos

quinta-feira, maio 10, 2007 · 1 comentários

O assunto vem quando quer
-
Caneta que falha. PalCaneta que falha. Palavras que busco. O encontro de letras agrupadas é mais rápido. E ao passo que o papel recebe tinta azul, vêm à tona lembranças. Algumas delas insistem. Outras se vão rapidamente. Acomodo meus pensamentos para o livre trânsito ideológico.
Acreditar. A idéia criada. Uma falsa verdade que se torna absolutamente crível. E você segue momentos da vida preso à nova ilusão. O modo de desembaraçar os laços elaborados pela mente é o mergulho no real, o encontro com o motivo.
O leitor mais atento percebe que este blog sou eu em fragmentos. Uma divisão de pedaços que produz um encontro de cores. Às vezes, predominam as partes cinzas. Outras, cantam um belo colorido. Nessa inconstância de cores, meus encontros e desencontros.
Confesso enorme desejo em mudar de assunto. E essa súbita vontade combina com a velocidade do mundo. O fato é que foram criadas aqui condições para discorrer sobre alguns temas. As palavras que plantei abriram-me caminhos. E nessa luz que lanço à minha mente, o encontro com novas recordações. O leitor gentil e acostumado com o estilo não vai se importar com a inclinação que faço. Já o outro, que desgosta de cambios repentinos, ou aquele que pede mais aprofundamento, vai se desgostar do meu ato. Mas enfim, quem decide por onde eu vou é a fonte da partida das palavras...
Profissionais. A Era da especialização. Não sei quando teve início. Desde então, especialistas cegos para o mundo. Cérebros voltados para a eficiência e resultados. Nenhuma capacidade de entender o que lhes rodeia. São idiotas especializados. Querem um exemplo? Certamente vocês já os têm. Muitos seguem de olhos fechados pelos corredores das discórdias em empresas de alguns que agora lêem este texto. Ao vasculharem, vão encontrar muitos inaptos para cargos de liderança. Isto não será novidade. É um traço cultural do mercado brasileiro. Uma distribuição de poder baseada no grau de relacionamento entre as pessoas. Perde a empresa. Perde o país.
Quando não basta a incompetência, somam-se a ela as patologias. E neste caldeirão lúgubre tenho exemplos de pessoas adoecidas que se formaram exatamente em uma especialização que se propõe tratar almas doentes. Separando os dois casos, fico com o pior deles. E imagine alguém que não se ama. Tem ódio pelo ser humano. Projeta suas frustrações nos seus comandados. Usa do timbre de voz para esconder seu complexo de inferioridade. Trata aos demais com deseducação e desprezo. Bebe sua arrogância diária. E segue assim, infeliz e mal falada. O que é esta pessoa? Alguém. Uma especialista que não pode ajudar o outro a ser mais feliz. Tudo porque a infelicidade fez par com ela. Penetrou em seu ser usando de suas não-aceitações. Teve como ferramenta seus complexos. E fez deste ser humano alguém adoecido. Nisto, perde a pessoa o seu tempo de vida. Perde o mundo os passos para melhorar. Um caso isolado. Um exemplo. E o mundo segue assim errado, bem errado. E mal comandado. Mas nem sempre. Felizmente.


-
clique no título do texto para ler Temos a obrigação de melhorar como pessoa



Virada de plano

domingo, maio 06, 2007 · 3 comentários

Saída em busca de um texto

Primeiro, o relato sincero e necessário. Dez linhas rabiscadas foram deixadas de lado após uma releitura. E negar sentimento de frustração seria inverdade. Para quem gosta de escrever, a impossibilidade de fazê-lo às vezes aborrece. De qualquer forma, vai de como se está por dentro. Se eu me incomodava, era porque arestas minhas acordavam subitamente...
No parágrafo seguinte, a narração da minha ida à Virada Cultural, organizada pela prefeitura desta cidade que não é só de quem aqui habita. Aliás, o mundo é de todos. Sem essa de “minha cidade”, “meu estado”, “meu país”! Pra ser sincero, desgosto muito desse pronome possessivo. Prefiro-o no plural: nosso E isso não significa que é só dos seres humanos. Há um complexo ambiental o qual apenas estamos inseridos.
-
Tenho aqui um bloco de papel e uma caneta não muito confiável. Parte do valor, apertado, em minha carteira será investido em uma esferográfica. Muito frustrante seria ter onde escrever sem a possibilidade de fazê-lo pela simples ausência de um mero tubo recheado de tinta. A cor tanto faz...
-
A Linha – Azul do metrô é o traçado que o trem cumpre de forma rápida e eficiente. A limpeza aqui é uma marca. O cidadão respeita o meio de transporte. E neste ambiente de troca de respeito, cá estou rumo à estação que me espera sem saber.
Vergueiro. Desembarco e inicio passos curtos em direção ao Centro Cultural São Paulo. Basta apenas subir uma escada e depois a rampa. Não há tantas pessoas. A bilheteria está vazia, na verdade. Gratuitamente, sou ofertado com um ingresso-convite. Os shows de música já começaram. Ao ler este texto, carece o leitor da informação precisa. Não sigo no mesmo ritmo do que me cerca. Aliás, meu humor não está lá muito bom. Não tenho comigo o desprendimento que tanto gosto...
Confesso que abandonei o papel onde escrevi o texto. Entenda que ele se trata apenas de uma base. O fato é que gosto de expressar o que a minha alma guardou. E não fazê-lo no exato momento do ocorrido é, para mim, muito mais gratificante. É também mais produtivo. Isto não significa que terei desprezo pelas palavras de ontem. Não é bem assim...
Nesta “Virada à Cultura”, nada sou que mais um participante. Evidentemente que não sou o único que escreve a respeito. A diferença é que o evento em si é secundário. No centro do palco, meus sentimentos. E não se trata de egocentrismo. Nessa de sentir, não sou tão diferente de você. E se as palavras aqui são um modo de repartir, é porque geram identificações. E a isto eu chamo de fusão de almas: a minha e a sua, caro leitor. Lembro, precisamente, que há muitas almas que não se fundem...
Antes da primeira atividade cultural, uma parada em frente à lanchonete. O banco de madeira me acolhe. Valem algumas rápidas palavras. Toda essa pressa por que o espetáculo já começou. O registro de palavras se dá com imensa velocidade. Antes da música com a qualidade que espero, um café com atendimento precário. O melhor nome para o estabelecimento comercial seria DESCOMPASSO. Perfeita! A sugestão de marketing. Imperfeito! O local.
Madeira. Assim são as cadeiras da sala. Muitas estão vazias. Vai ver que alguns aqui as imitam. E é muito provável que eu esteja falando de mim. Quantas vezes não damos ao outro deficiências internas que são nossas?
Alto volume. Vai o show sem esperar. As primeiras palmas já se manifestaram. Grita a alma. Confesso que ela não está aqui. Assim, não será fácil escrever. Sinto que minhas necessidades momentâneas não são culturais. Mas deixo isso de lado. Prefiro fazer uma reflexão. Não agora...
Reflito. Este tipo de evento deveria se dar ao menos uma vez ao mês. Combina demais com o porte desta metrópole rica em diversidades. Vale dizer que hoje teremos transporte público funcionando 24h sem interrupção. A minha proposta é que tornemos tudo isto mais corriqueiro.
Intervalo. Animadores de auditório cegos. São três. De modo simpático, conversam conosco. Acho interessante esta oportunidade dada a eles. É uma forma de adaptação e integração. A cultura tem disto. Seu propósito deve ser sempre deixar as pessoas em um mesmo nível. Claro que isto não se dá sempre de modo prático.
Não fiquei até o final da apresentação da última banda. Não nego, algo me inquietava. A ansiedade levou a minha concentração. E nessa insatisfação momentânea, eu me perdi. Esse descontentamento comigo tornou o momento desagradável.
Outro ingresso. Mais uma xícara da bebida muitas vezes por mim preferida. Uma pequena fila para organizar. De frente a um pequeno palco, alguma serenidade faz o momento melhor. De qualquer forma, um pico de carência transfere as minhas vontades. E não nego a você, que um banco vazio à minha frente me fez medo. Ao lado dele, ela que me olhou de forma interessada. Se eu disser que o desejo meu me convenceu, faço trato com uma inverdade. Se olhei tanto, é porque precisava me convencer. Até que não olhei mais. Nem me convenci...
No palco um espetáculo maravilhoso. A breguice como tema para arrancar risadas, que às vezes se mostraram impertinentes. A satisfação geral pode ser medida pelos sinceros agradecimentos da platéia. Rapidamente, sou o primeiro a deixar o local. Agora, meu rumo é outro. Teatro Municipal. João Bosco. Tentativa que farei. Quem sabe, boa música de fato...
Essa insatisfação. O humor deprimido. Nada a ver com o evento. Não vou creditar a culpa à demora na fila da lanchonete. Tão pouco a tentativa de adentrar ao Municipal, cuja espera em duas pernas foi em vão. Se alguma cor ainda restava em mim, agora domina o cinza, que faz par com o cansaço...
Se eu escrever que a frustração me tem, equivoco-me. Sigo como quem entende que a inconstância é inevitável. Felicito-me com essa aceitação. E desconfio que sozinho pelas ruas eu não me basto. Mas trago comigo a incerteza sobre esta desconfiança. O que é absolutamente positivo.
Fim de noite para mim. Não escrevi exatamente como eu planejara. Deixei de mencionar fatos. Tencionava relatar vivências no momento do ocorrido. E agora sigo absolutamente satisfeito com o abandono do plano.
Esse cansaço todo. Meu corpo necessita de horas de sono. Grita em conluio com a alma. São eles que ordenam à minha volta. Engraçado como isto me faz pensar que não somos nós que tomamos as rédeas de nossos atos. Mas não dêem atenção a este devaneio. Fiquem com os que vocês já têm...
Não cumpri o estabelecido. Abandonei o plano. Ou talvez ele tenha me abandonado ao ver
minha inaptidão para o nosso acordo. Resignado, abandono tudo. Largo mão. Esqueço papel e caneta. Estico as pernas no banco vazio do trem. Não mais escrevo. E não durmo...
---
clique no título para ler "Arte, erotismo e café"
==
-
Opiniões Opiniones
-
Adelcir, não me é possível deixar de apontar o amadurecimento da sua forma de escrever. Ainda que o conteúdo de seus textos seja o mesmo, sempre uma espécie de auto-análise e crítica do entorno (e esse "o mesmo" não é em nada depreciativo, pois passamos a vida a nos plagiar), eles se tornaram mais poéticos, ganharam uma inusitada combinação de palavras que leva à admiração. É interessante como você se expressa maravilhosamente bem através da escrita, como mostra um eu que, no cotidiano, teima em esconder (pelo menos para mim. E eis aqui o dilema: é você que se esconde ou sou eu que não percebo esse seu lado denso e sofisticado). Não posso esconder o meu orgulho e o prazer de lê-lo.
Adalton Oliveira, noivo, adora ler
Economista - USP
São Paulo - SP
-
Adelcir, meu "velho" amigo! Suas palavras são sempre bem colocadas, bem pensadas e teus textos são MARAVILHOSOS, de fácil compreensão.Assim como você é uma pessoa fácil de compreender!
Sempre hei de passar aqui! Cuide-se! Beijos Grandeeeeeeeeee
Mariana Cardoso, 22, namora, segue amadurecendo
Universitária - Jornalismo - UNIP
São Paulo - SP
-
Adorei o texto, Adelcir!!!!! Muito bom!!!! bjs e boa semana!
Maria Olímpia, 34, solteira
Funcionária pública
Adora livros, cinema e música
São Paulo - SP
Indica a leitura do texto "
Gangorra (e pedras a serem chutadas...)"
http://opinioesecronicas.blogspot.com/2006/03/gangorra-e-pedras-serem-chutadas.html#links



Fale comigo

adelcir@gmail.com
k

fotos: Patrícia Crispim
c

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
Lilian Guimarães
Adalton César
v
c
b
c
c
c
l

opinioesecronicas@yahoo.com.br