Relacionamento profissional

quinta-feira, abril 19, 2007 ·

O profissional se dá já na faculdade

Vejo diversos universitários. Observo comportamentos. Alguns, futuros profissionais não muito desejados. Modos que fecham portas. O que mais observo é isto: portas sendo cerradas. Talvez por que a pessoa pense não precisar de ninguém. Fia que seu futuro está longe de todos ali. Grave engano...
Se o indivíduo já se mostra arrogante antes do diploma em mãos, decerto não será alguém que contribuirá com um bom clima dentro de uma empresa. E isto é absolutamente essencial. Por outro lado, temos que ser mais compreensivos. O jovem ao entrar na faculdade, leva consigo diversas frustrações. Muitos são sabedores de sua incompetência. E, a partir desta realidade, adotam um comportamento hostil, uma forma de sobreviver a tantos complexos.
Lembro-me de um amigo se queixando do comportamento dos seus pares na sala de aula. Concordamos que jovens demais querem mesmo é prazer. Compenetrar-se em uma aula de Sociologia é pedir demais para eles. Por isso, cursar uma faculdade requer um mínimo de maturidade. O culpado disso é o próprio mercado de trabalho que aposenta as pessoas cedo demais. O resultado é uma mão-de-obra cada vez menos bem preparada.
Eu já li que algumas empresas voltaram a contratar pessoas mais velhas. Mas a regra geral ainda é o jovem cheio de energia. Eu ia dizer que as empresas seguem com desengano em relação ao fato, pois jovens há que seguem tão apáticos que parecem inexistir. Mas dada à escassez de vagas, possivelmente eles não fazem falta alguma. Aliás, o que não existe faz falta?
Sejamos mais positivos. Bons futuros profissionais nas faculdades. Pessoas que possuem um relacionamento inter-pessoal exemplar. Jovens libertos de amarras inconscientes. Se os trato de forma positiva, não condeno os demais. Afinal de contas, nada mais são que vítimas de suas mentes já adoecidas, resultado de uma sociedade um tanto vazia de bons sentimentos.
E já que o mercado necessita de uma minoria, palmas para as exceções. Sim, jovens com pró-atividade, que se portam de modo profissional dentro de uma instituição universitária, são poucos. O que se tem é uma maioria mal-educada, perdida e mal-amada. Ausência de amor próprio e de carinho alheio. Se a culpa é dos pais, não sei. Mas o modo de vida que temos não produz grandes pessoas. E o que são os pais destes estudantes, senão pessoas mal construídas? Todos? Não! Ofende-se quem se enquadra!
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Opiniões Opinioenes
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Acho que este seu texto vale uma tese de doutorado, pois toca, talvez, num dos maiores problemas que existe hoje: a esperança de que jovens profissionais possam sacudir a empresa e através de sua rebeldia, provocar rupturas, mudanças, caminhos alternativos.
Isso acontece sim. Os mais experientes COs das grandes corporações chegam mais cedo nessas funções justamente pela sua rebeldia, mas também pelo seu pro ativismo e, principalmente competência. Sem dúvida, essas exceções serão sempre bem vindas no mercado. Mas, por outro lado, temos aqueles que sobram. A estes basta apenas tentar seguir os exemplos daqueles que se tornaram sucesso ou idolatrá-los como profissionais de nossas áreas de atuação.
Afinal, não é assim? As universidades não gastam fortunas para levar um jornalista de "nome" para uma palestra aos seus alunos? Vide as palestras em que todos os campi se juntam para ver meia dúzia de palavras sem provocar discussão nenhuma...Bem, o mercado é assim. Os mais competentes serão sempre idolatrados, por sua, competência. Por outro lado, aqueles que agem de forma rude, deselegante, mal educada com professores e companheiros de classe nada mais são que resultado dessa sociedade, onde vislumbrar um crescimento profissional depende da competência. Muitos não a têm e despejam sua incompetência em pessoas erradas. Pior, quando podem adquirir um pouco de conhecimento, na prática ou na teoria, pelas disciplinas nas faculdades, despejam nos mestres, todo o rancor e desespero causado pela própria inconsistência pessoal, moral, intelectual.
Nós professores, educadores,ainda tentamos modificar essa relação, mostrando um pouco do profissional que temos, um pouco da educação que nos foi dada numa época em que respeito não era apenas uma questão de
defender-se
ou saber o que é certo ou errado, mas saber se comportar em qualquer lugar, inclusive em uma sala de universidade, pois é alí, também, que se forma o caráter do indivíduo e sua capacidade de pensar de forma
positiva e pró-ativa.

Benê Rodrigues,37
São Paulo - SP
Assessoria de Imprensa
Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo
Sócio-diretor da CONCEPTO/BNR Comm Ltda
Assessoria de Imprensa/Produtora de Conteúdo
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Por essas bandas se diz: Se sentiu- se ofendido é pq a carapuça serviu. Muito lúcido esse texto.
Zenna Santos ,37
Goiânia - GO
Leitora-colaboradora
Profissional autônoma



2 comentários:

zenna disse...
abril 21, 2007  

Por essas bandas se diz: Se sentiu- se, ofendido é pq a carapuça serviu. rsr

Muito lúcido esse texto.
Bjs

Mariana - Lagartixa - Roots disse...
maio 07, 2007  

TOM, Amigo Até o Benê está dando uma canja aqui no seu blog?hehehe
Beijos Meu kerido!

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fotos: Patrícia Crispim
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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

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