EXISTIR SOMENTE COMO CONSUMIDOR

quinta-feira, março 08, 2007 ·

Cá estou com o propósito de escrever. A semana que passou não posso dizer que foi improdutiva. Se escrevi pouco, tenho comigo informações. Conhecimentos adquiridos. Uma tocaia literária. Sigo à espreita. Absorvo subsídios para escrever.
O ser humano. A professora disse que quanto mais o estudamos, menos proximidade com eles queremos. Um professor de Filosofia discordou. Não comunga da opinião de isolamento por parte de um estudioso dos pensamentos filosóficos. Foi firme em sua observação. Enquanto, ali sozinho, naquela sala de professores, olhava para o nada...
O problema não são as pessoas. Mas quem as domina. A massa é senão objeto de estudo, fonte de lucro. Nas aulas de marketing, vejo o quanto as empresas estão distantes do ser humano. Para elas o que existe são os consumidores. E se importam com seus comportamentos. Desejos. Tudo na busca por mais lucros. Os executivos não estão lá muito preocupados com a felicidade das pessoas. Aliás, mais vale é uma massa infeliz consumindo.
E as pessoas? Por que não percebem o vazio que as adestram a viver? Ora, que graça tem ficar consumindo programas de TV absolutamente idiotas, de um modo passivo, bem como comprar os produtos que patrocinam a agressão às suas alma?
Eu seguia para o trabalho e pensava. Talvez a felicidade esteja em acordo com a inocência. Creio que seja o único anestésico que não adoece. De qualquer forma, prefiro abraçar a infelicidade e descobrir as verdades deste mundo a permanecer como um ser obediente que nada entende.
As verdades a que me refiro são as formas de funcionamento dos sistemas que regem nossas vidas. Por exemplo, saber que as empresas observam nossos comportamentos e com isso traçam estratégias para fazer com que compremos mais. Não posso aceitar que sejamos reduzidos a meros consumidores. Fontes ou não de lucros. Isso para mim é absolutamente patético!
E o patetismo tem que seguir dentro de cada consumidor. Imaginemos todos seres pensantes. Contestadores. Será que as empresas conseguiriam bolar com facilidade estratégias de vendas?
Como disse um apresentador de telejornal, melhor que a massa prossiga feito Homer Simpson.
A arte como arma. Ela deve atacar as equações manipuladoras do mundo. Desvendar. Iluminar. Mas será que prosseguem fazendo isto? Prestando tal serviço? Não quero fazer uma afirmativa. Não sou um grande consumidor de cultura. Estou aquém do que desejo.
Lembro-me agora de uma peça de teatro a que assisti no ano que passou. Falava de um homem que se tornou invisível. E isto depois de um tempo desprezando e ignorando o ser humano. Um retrato da realidade. Uma possível conseqüência daqueles que fingem ignorar a existência alheia. Que representam desprezo. Endurecem o semblante. Sonegam sorrisos, cumprimentos e olhares. E seguem adoecendo duas almas...
Enfim, necessito discorrer sobre o comportamento individualista das pessoas. Que é professado pelos atuais governantes americanos. Fundamentalistas do egoísmo. Seres inúteis para o bom desenvolvimento intelectual e espiritual de nossa sociedade. Eles seguem adiando a evolução humana. Mas, pelo andar dos fatos, o ser humano seguirá raso por longo tempo. E, se a Terra não for destruída antes, ainda creio numa libertação. Será o fim da idiotice humana. Por enquanto, seguimos quase todos assim. Vocês já sabem. Idiotas.
-
clique no título do texto para ler "Consumo, logo existo"



1 comentários:

Mariana Lagartixa caraguejo sei lá mais o que!!rs disse...
março 15, 2007  

[b]
Tom meu kerido sempre sem palavras pros seus txtos pra suas opniões pras suas criticas....Sem PALAVRAS PRA VC!
Então não aceito ser amante não...ou eu sou a matriz ou sem essa de filial!rs kkkkkk
Se cuida e valewwwwwwwwww eu keridooooooooooooo

Fale comigo

adelcir@gmail.com
k

fotos: Patrícia Crispim
c

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
Lilian Guimarães
Adalton César
v
c
b
c
c
c
l

opinioesecronicas@yahoo.com.br