LA TEMPESTAD NECESARIA

sexta-feira, março 30, 2007 · 2 comentários

Siempre hace lluvia en nosotros
Vine hacia el cuarto. Imaginé escribir. Después, lo pasé por alto. Entonces, pensé en los sentimientos de ahora. Que de ellos yo lograría recoger un texto. Así, he hecho este relato. Una forma de empezar. Y ahora necesito prolongarlo. Pero, no tengo idea de como hacerlo.
Abandoné el pape, sitio de este texto. No, las palabras sólo están escritas en él. Ellas vienen de mí. Ustedes ya saben de donde...
No soy un hombre religioso. Tampoco tengo supersticiones. Pero, creo en los sentimientos. Estos me hacen mayor interés. Es una lástima que ellos ni siempre sean los mejores. Los que tengo ahora no son los que quería tener...
Aire pesado. Si, creo que la buena amiga tiene razón. Pero, la angustia no es por la soledad de mi corazón. Puede que esté aburrido por esta falta. Lo que pasa es este mundo. Lo creo demasiado pesado. Sin embargo, ¿no seré yo mismo mi peso? Así, más fácil es poner la culpa en el mundo. He aprendido esto con una persona increíble…
Pero, los problemas existen. La competición entre las personas. Los abrazos ocultados. El miedo del otro. Ciertas distancias. Preocupación con las apariencias. Superficialidad de nosotros. Tantos problemas sociales en el mundo; nosotros preocupados con nuestras pequeñezas. Esto me aburre...Mis pequeñezas me aburren...
El aviso. Luego encerraré estas divagaciones. Quizá pudiera escribir más. Pero los ojos pesan. Contra el peso del mundo, lo que hago es hacer una búsqueda del crecimiento interno. Y creo que esto es un imperativo para todas las personas. Aún, ni todos se perciben. Así, siguen dificultando el crecimiento humano. La manutención de la superficialidad. Bueno es saber que muchos se van contra la corriente. Pero a veces el alma se fatiga. Y entonces la persona es llevada por el mar. Embarca en caminos errados. La tristeza, entonces, adentra su ser. Viene el miedo. De los otros. De si. Lo bueno es el aprendizaje. La ganancia de la comprensión. Así, crecemos. Pero aún hay caída. Y así es. Una inestabilidad. Cosas de nosotros. Seres humanos…

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SILENCIO DE MI ALMA



DICIONÁRIO ANTES DA NOITE

quinta-feira, março 29, 2007 · 0 comentários

Apenas fragmentos do repertório da noite paulistana

Antes de iniciar a escrita, uma pesquisa. Procurei no dicionário a palavra perto do que quero. É para retratar a sensação que São Paulo me dá à noite. Um repertório imenso e inesperado. Às vezes assustador. Não escolhi a palavra de fato. Não quis “miscelânea”, por já ser conhecida por mim. “Salsada” me interessou. Significa confusão, mas não está dentro do que quero de fato. Enfim, não selecionei palavra alguma. Mas já disse o que queria.
Bom, parece que é mais fácil apelar para o teatro. E dizer sobre aquela noite. Um sábado. Ali, a encenação variada. Miseráveis. Burgueses. Medianos. Muitos com a aparência imprecisa. Discordância com a realidade da carteira. O sapato de qualidade vem de um passado. Dispor de dinheiro agora já não é mais possível. O que se quer dizer aqui é óbvio. Aparências são aparências.
Ali. Mesa de bar. O iniciar tímido do papo. Um desconforto em mim. Saudade plena da cama. A preocupação com o cansaço. Não apenas o de agora, o de amanhã também. Dito e feito. Bem feito!
Eu. Dois amigos. A tentativa de se encontrar na História. Todos perdidos. Até mesmo o estudante de Geografia. Os outros dois, futuros jornalistas. Se teremos sucesso é outro caso. Nem é esta a preocupação momentânea. O que se deseja é amar o caminhar. Dissipar dúvidas. As minhas, neste sentido, já se foram. As do colega poderão se ir. Nem preciso dizer a possibilidade contrária.
Muita cerveja. Fico com meu refrigerante, embora evite esta bebida. Melhor prestigiar as frutas. O álcool vai entrando em cena. Pouco a pouco, busco em cada uma das companhias filosofia e humor. É incrível ouvir bêbados filosofando. Não é que digam bobagens. E não sou eu que posso avaliar isto. Fico com o sarcasmo envolvido. As piadas destiladas. Risos sinceros. E muita, muita observação. Não reclamem! Não bebo, nem danço. Observo!
Um morador de rua. Quer uma moeda. Um dos amigos oferece seu apartamento. Retira do miserável algumas risadas. Ainda lhe resta isto. O troco é uma moeda. Se não dou esmolas, hoje é dia de contradição. O homem agradece. Vai embora feliz. Não tardaria para outro surgir. E assim era. A "peça" seguia ali na rua. Éramos personagens daquela noite. Volta e meia, um mendigo. Cada qual com seu discurso. Interessante era o respeito mútuo. Divaguei nos ditos daquele homem, cujas calças eram seu toalete. Ouvi seu agradecimento por nossa atenção, o dinheiro, para ele, era o de menos.
Não questiono a veracidade da informação dada pelo homem de calças sujas. Absorvi as suas palavras. Depreendi que ele nada tem a perder. Talvez mentir não faça tanto sentido. Embora tal prática possa ser costume. E ainda se crê possível faturar com ela. O morador de rua ficou com a moeda. Desta vez dada pelos dois bêbados. Uma disputa pela benevolência maior. A ele uma azeitona. Olhei bem em seu rosto. Profundamente. O que vi? Não faço idéia! Valeu foi ouvi-lo. Essas pessoas já não existem para nós...
Andar por São Paulo, região central, é avistar muitos corpos no chão duro. Cobertor para proteger-se do frio e dos olhos. Mas para que preocupação com o olhar alheio, se eles são invisíveis? O fato é que nem todos estão cegos... E que fiquemos atentos, seguimos cada vez mais invisíveis também...
Passa uma prostituta quase sem roupa. Seu corpo tira a atenção dos copos. Vem uma criança vender amendoim. Ganha uma azeitona também. Concorda que a pretinha não está boa. Ainda assim, retira mais uma. A mulher de US$10 mil. Passáramos por ela durante nossa caminhada antes do bar. E não negamos ter o valor anunciado sem consulta. Aquela mulher. Sua existência. Seu mundo. Corpo marcado. Olhos roxos. O que será que se passa dentro dela? Para onde ia?
Rua Augusta. Estamos ali. Seguimos para o bar. Não seria a encenação final. “Esta cidade não pára”, vocês já ouviram isto.
Caminhamos e nos desviamos. Um aglomerado de jovens saídos das telas de cinema americano. A picape quer passar. Empurra diversos duplos-personagens. O insulto não tarda. O motorista se equivoca em sua demonstração de força. Engatar a ré em meio a tanto trânsito só podia dar no que deu. Vaias e insultos. É ele o centro das atenções. Fica consigo quase todo o ridículo do espetáculo...
Milho verde. Bêbada, a garota de programa sugere o marketing. O calor não combina com tal alimento. Deixemos que a moça coma sozinha...
Vale lembrar que já na madrugada o cansaço se fora. Adiado para as horas seguintes. Conseqüência merecida que muito me agradou. Se pagar a conta foi demorado, não deixou de ser inusitado e engraçado. A simpática atendente se divertia. Eu era o único sóbrio ali. Não que a moça estivesse alcoolizada. Apenas estava do outro lado. O balcão como divisão não era desconforto. Estranho seria sua ausência...
Embriagados esquecem senhas. “Vaquinha magra” pra pagar a conta. Agora é caminhar. Os ônibus já voltaram às ruas. Há ainda muitas risadas. O insulto da vendedora de cigarros com ervas indianas. O colega achou caro. Ficou como "pobre". Risadas debochadas. Será que há outro povo tão debochado como nós?
O final da noite. Um bar na região central de Sampa. Ausência de afeto. Histórias com teor agressivo. Um desconforto em mim. A expressão do desprezo um pelo outro. Prostitutas, viciados em jogos, trabalhadores mal pagos. A mudança de humor de um dos amigos. É o álcool que dava a conta. Um café para mim. A despedida. Ficam os dois lá naqueles que seriam seus últimos copos da noite. Caminho para o metrô. O sol surgirá enquanto eu, outros, estivermos nos túneis. Sob a terra. Invisíveis um para o outro...
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ps: os amigos embebecidos pelo álcool reclamaram posteriormente; não gostam que eu não bebo e fico observando; tal reclamação foi feita em estado sóbrio; o blog publica, pois é democrático.
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ps2: um dos integrantes da mesa do bar comentou o texto; argumentou que a história contada não interessaria à nenhuma classe social brasileira; sua crítica foi honesta e sincera; o blog publica, faz parte dos seus preceitos; em respeito ao personagem-leitor, será feita uma releitura do texto.

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p3: satisfação ao leitor-personagem: foi feita um releitura do texto; observou-se diversas passagens com teor crítico, porém de modo sutil; também, a ilustração da noite com diversas passagens imagéticas, o que muito interessa aos que não conhecem a noite paulistana; o texto segue publicado; de qualquer forma, será apresentado ao Conselho do blog. Adelcir Oliveira



clique no título do texto para ler UMA NOITE NO CENTRO VELHO DE SÃO PAULO



Antiácido

segunda-feira, março 26, 2007 · 1 comentários

Acidez dada pelos destrutivos
O iniciar. Diversas vezes indaguei-me como fazê-lo. Outras, confessei dificuldade. Hoje, não sei como farei. Apenas darei início a este que é o único desta semana. Não fui cobrado, senão por mim. Até tentei parágrafos. Abdiquei do papel e lápis. Palavras em espanhol não brotavam. E então me calei. Cerré el alma...
O que somos por dentro? Uma confusão de sentimentos. A desestabilização deles traz alterações no humor. Você até se aborrece com aquela pessoa. Pensa: "que medíocre essa competição toda!". Pode até culpá-la. Ou entendê-la ao considerar patológico seu comportamento. Lembrar da mente como diretora de nossos comportamentos.
Um bom amigo. Não nos víamos há tempo. Alguém que compreende o ser humano. Discorríamos sobre o poder da mente nas pessoas. Ditadura mental. Trocamos experiências. Encontramos concordâncias. Um belo momento reflexivo. E palavras de amigo e entendimento.
Daí, você vai para outro ambiente. O indivíduo preocupado com o próximo. Mas não se trata de altruísmo. É destrutivismo mesmo. Imagine que uma pessoa é desrespeitada pela outra apenas porque seu corpo é belo. Ou outra que é atacada simplesmente por gostar da intelectualidade, sem de fato ser um intelectual. Você se enoja. Depois pensa. Vê que aquela que professa destrutividade é senão algo bastante já destruído. Seu carrasco é sua mente. A pessoa segue marionete.
A lista. Seria possível fazê-la aqui. Pessoas que contribuem para um mundo melhor. A lista inversa também não seria difícil. Na balança, parece que a negativa pesa mais. E não exatamente por uma questão numerária. A força da negatividade entre as pessoas é forte demais. Então, o que fazer?
A resposta. O blog não dá. Ele não se pressupõe dono de verdade alguma. Tem seus conceitos. Certezas e incertezas. Mas, as convicções são passíveis de mudanças. Nem sei se isso tem sentido. Mas o fato é que com os negativos uso da distância. Não dá pra dar a outra face. Tão pouco se culpar. Destrutivos, muitos, seguirão assim. E não adianta tentar. Vão lhe apunhalar. Ainda que vagarosamente... Sorrateiramente...
Que o mundo não é colorido todos sabem. Assim, é preciso aprender a manipular o cinza. Fechar os olhos não basta. Vestir pele de cordeiro pode ser prejuízo, senão, hipocrisia. Então, lembro dos justos. Estes são que provocam mudanças positivas. Agem com firmeza em relação aos destrutivos. Encontram um modo de anulá-los. As formas são várias. Sempre funcionam? Não, evidentemente. A melhor solução é deixar de lado o indivíduo armado. Esquecer. Ficar com aqueles que buscam harmonia. Respeito. Amor.
Uma psicóloga relatou um comentário. Seu cliente afirmou a imperatividade da terapia como exigência curricular. Perfeito! Uma boa proposta. Pode até não ser tão democrática. Mas não é esse o detalhe. Chato é ver o indivíduo doente. Sem se perceber. E ainda acreditando ser Melhor que todos. Quase um deus. Insanidade demais...
Perdoem se este texto é ácido. Talvez tenha faltado cortesia de minha parte. Fazer o devido aviso. Não o fiz. Porém, aqui fica a proposta. Se você leu. A acidez lhe fez mal, tome antiácido. Vai aliviar. O pensamento aqui permanecerá. O destrutivo em questão seguirá insano. E isto é a manutenção do problema. Nossa sociedade é assim. Adora paliativos. Vejam o exemplo do aumento da maioridade penal. Balela total. A questão é bem mais ácida. Antiácido não resolve...
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clique no título para ler: ALMA EM FUNÇÃO DA MENTE



BLOG - MUDAR É PRECISO

domingo, março 18, 2007 · 0 comentários

O blog está de cara nova. Segue junto com a fase de mudanças do autor. É a positividade que o acompanha. Abaixo as novidades:

A vida do autor. Presente. Passado. Futuro
Um histórico do criador do Opiniões&Crônicas. Uma forma de se aproximar mais do leitor contando um pouco de sua vida.


Histórico do blog
A história de como nasceu o blog. A sugestão de um amigo. Fatos que sucederam até aqui. E o blog daqui pra frente.

Apoio Mútuo
Parceiros do blog. Uma troca de apoio. Capitalismo solidário.

Leitor Convidado
Agora o leitor pode ter sua carinha no blog, além de comentar os textos. É um modo de interação entre leitor e blog.

A revisora do blog
Agora ela tem sua foto na primeira página do blog. É a Lílian Guimarães

Com a palavra, a revisora
Um texto publicado pela revisora que resume seu pensamento sobre o blog.

Além de um novo visual e um espaço no rodapé para notas do autor, ou até citações.

Opiniões&Crônicas espera que você leitor goste. Ou não. Sinceramente.



DISCÓRDIAS INTERNAS

sábado, março 17, 2007 · 0 comentários

Não adianta enganar nossos preceitos
Já escrevi. Errado tentar enganar-se. Os preceitos vão vir à tona. E é possível que não saibamos agir. Daí, mágoas serão colhidas. E a você ficará um pouco aturdido. Não tanto quanto de outras vezes. Porque agora já se conhece melhor. Sinal de crescimento...
O ser humano não consegue viver de modo perfeito. Enganos fazem parte. E aí a gente pensa que tudo era pra ser diferente. Que nem era pra ter acontecido. Um erro não premeditado. E você vê que estragou tudo. Mas tem a certeza de que tudo era para ser nada.
O tempo passa. A parte magoada esquece. Alguma lição aprende. Importante que a turma toda receba a lição de forma proveitosa. De nada vale ficar se culpando. Você pára e vê que ainda se engana. Que não aprendeu a lição. Esquece de seus preceitos...
Esqueçamos. Partamos para outro assunto. Talvez ele se encontre no final desta linha. É um prosseguir em busca de algo a dizer. Claro, há a possibilidade do insucesso. Como na vida. O fato é que o assunto já surgiu. Posso desenvolvê-lo. Ou resolver mudar. Tratar de outras coisas. Mas não aqui, nesta parte do texto.
Outro dia pensei. O ser humano sem conteúdo inexiste. Depois, depreendi que isto seria cruel demais. Muitas pessoas não têm culpa de sua sorte. Claro, há aqueles que são fúteis por escolha. Seguem enganando a felicidade. Preocupam-se solamente com a aparência. De fato, inexistem. São fúteis.
Quando falo em conteúdo, não me refiro propriamente à cultura. Pois muitos há que são cultos e inúteis para a sociedade. Pensemos nos líderes deste mundo. Parte deles teve acesso à boa educação. E encontram-se preocupados somente com suas contas bancárias, com glamour, a imagem perante aos seus. São inúteis também...
Se você adentra a um boteco. Leva consigo alguma sensibilidade. Logo sente o incômodo. O ambiente ali é de maldade. Vamos terminar este texto com esta ilustração. Aqueles homens de baixa renda que saem do trabalho e passam pelo boteco. Álcool no copo. Alguma guarnição para comer. E o papo destrutivo. Piadas profanas. Desapego às belezas da vida. Esquecimento de suas mulheres. Risadas insanas. É um ambiente que vejo enquanto caminho. Em minha mente um determinado bar. Máquinas para jogar. Mulheres mal encaradas. Homens desajeitados. Um ar de desonestidade. Ausência de amor. Inexistência de harmonia. É o bar da discórdia. Interna.



LEMBRANÇAS QUE SE VÃO OU NÃO

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A primeira palavra. A dúvida na escolha. Olhos fixos por segundos. Talvez seja o cansaço. Esse calor todo. O stress. Os enganos do dia...
Curioso. Desejar perfeição nos atos. Desejo equivocado. Somos essa imperfeição toda. Aborrecer-se por isso pode ser inútil. Contudo, há equívocos que nos aborrecem...
Quando magôo alguém penso no blog. No descompasso entre os textos que escrevo e atitudes que tomo. O alívio é saber que não sigo tão contraditório. Recordar-me das minhas fraquezas alivia a alma. Mas o que não é devido é usar isto como argumento. Daí, seguir em atos incorretos.
O ser humano. Sua complexidade. Os atos inesperados. Erros que se sucedem. Sinal de que a lição ainda não foi aprendida. Quem sabe desta vez...
Compreensividade. Necessário ter consigo também. Tratar-se com certo carinho. O que não significa fechar-se. Ter para si apenas o carinho seu. Necessário é a expressão verdadeira deste sentimento para com os outros.
É isso. Teci algumas palavras. Talvez eu prossiga como quem quer acompanhar a viagem. Pode ser também desejo de não calar. Talvez por que seja isto ter com a realidade. E lembrar do semblante ferido. Aviso da sensibilidade. A mágoa expressa. Mas é assim. Logo se vai o texto. Logo termina a viagem. As lembranças ainda duram um pouco mais. E passam. Ou não...

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clique no título do texto para ler BAÚ DE INCERTEZAS



DIAS IMPERFEITOS

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Há dias que se tornam imperfeitos. E a aparente tranqüilidade é debelada por frustrações sucessivas. São aqueles dias em que o acerto parece impossível. E o pessimismo toma conta. Não vai dar certo também!
Espero que as frases aqui sejam acertadas. E que no acerto construam algo belo. De maneira a propiciar a extração de idéias. Desenha-las com letras. Para isto, além do que, será preciso vencer o sono que se anuncia.
Calça seca. Sapato engraxado. Camisa bem cortada. A modificação posterior. Chuva. Agora é contar com o calor. O guarda-chuva que me acompanha. Cuidar dele como se fora não sei o quê. Algo importante, de certo. Lembrando que não só os filhos são importantes de cuidados delicados...
O fato é que o sono vem como se fosse inimigo da escrita. O jeito é parar. Baixar a cabeça e cerrar os olhos. Ausentar-me de todos aqui. Não será o caso de sonhar. Necessário seriam horas a fio. Não nego também o incômodo com a roupa. Se antes ela causara-me a sensação de elegância, agora gostaria livrar-me dela. Não é libido. Foi a chuva.
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IGUAIS A NÓS

sexta-feira, março 16, 2007 · 0 comentários

Que o blues está aqui comigo já não é novidade. O que muda é a cantora. Eva Cassidy. Uma voz maravilhosa. Músicas lindas. Bem-estar para alma. E o relato disto é para abrir as portas. Estas que tenho em mim. Uma no coração, outra na alma...
Tanto aconteceu. Acúmulos de observações e sensações. Lembranças que me ocorrem diariamente. Dificuldades com pessoas. Errores. Dúvidas. Belas ações. Pensamentos. Desejos contrários à corrupção. Sonhos em ver um país com educação despolitizada. Forte atração pelo fim dos mecanismos que fazem uma parcela da sociedade usufruir do poder. E também a aceitação de tantas imperfeições. O encanto crescente com uma amiga. Esse é o risco nessas amizades. O passado que flerta. O presente que se ajusta. E o futuro que se organiza.
E agora a decisão sobre o que dizer. Usemos das sensações. Aquele semblante raivoso me olhando. Uma mente adoecida, parece. Algum tipo de competição. Comportamento por mim conhecido. O chato é o modo de lidar com isso. O uso meu da agressividade. Do desprezo. E um sentimento de culpa...
O ser humano é complexo. Não que se difira tanto um do outro. Ainda assim, nossas incapacidades de lidar com problemas repetitivos. Pessoas dominadas por mentes insanas vão cruzar nossos caminhos. E serão frutos de dificuldades enquanto não estivermos bem resolvidos internamente.
Sei que aquele dia eu me vestira bem. Uma bela camisa adornava meu corpo. A catraca. As despedidas. E o olhar insano dele. A competição levada a extremos. Apenas a terceira vez que me via. Era comigo o problema dele? Não. Não era. Com ele as dificuldades. E a certeza de uma alma que precisa de reparos. Que segue sendo estragada por uma mente insana. Que o mundo precisa de terapia já não é novidade. Como me contou uma psicóloga, terapia deveria ser exigência curricular, assim afirmou seu lúcido paciente.
Disse aqui um fato. Pincelei outros. Minha alma pediu. E penso agora em outra pessoa. Uma mulher. Seu ex-marido. Dificuldades. Baixa auto-estima. Seu desejo em ter com este blog. É a função terapia dos textos. Indicação de outra mulher. Uma leitora. Cuja auto-estima já se arrastou. Hoje segue voando...
Relatos. A rapidez sobre fatos. A superficialidade. Uma adaptação às pressas. Assim segue a vida. Ela não pára. Para onde vai o rapaz insano? A mulher com auto-estima abalada? A outra que segue com os hormônios a mil? E eu? Para onde vou? E o que sou nessas classificações? Creio que um pouco de cada. Mas assim somos todos nós. Um pouco de cada coisa... Não diferimos tanto...
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clique no título para ler Gangorra (e pedras a serem chutadas)



Pressa

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Pressa. Todos estão apressados. Então, serei breve! E entrarei no assunto logo. Mas não posso fazê-lo aqui neste parágrafo. Não fica bonito. Este é apenas a abertura. Uma forma de convidá-los a persistir na leitura. É, sim, o parágrafo da sedução. Sendo assim, será que seduzo? Alguns, sim! Outros, não!
O ônibus pára maciamente. A porta abre com delicadeza. Adentro sorridente. Sinto-me respeitado como cidadão. Não me questiono o quanto de fato custou a nova frota que circula por São Paulo. O gostoso é ver um veículo de acordo com a grandeza desta cidade. E estar ali de modo confortável. Sem a dureza da maioria dos ônibus deste Brasil cheio de brasis.
Que fique claro. Não se trata de um padrão. Ainda se vê carros velhos levando pessoas. Mas o dado positivo é que a mudança prossegue. Ela se iniciou no governo Marta. Persiste com Kassab. São Paulo chega lá! De ônibus!
E agora? O parágrafo acima finalizou o texto! Mas como isto se deu se ainda escrevo? Será que me equivoco? Não me percebo? Ora, quantas vezes seguimos cegos? Aquelas pessoas, por exemplo, que estão preocupadas apenas com a aparência. Então você vê a moça de jeans justo, barriga de fora, olhar frio, semblante nada amigável. Enquanto isso a alma segue frustrada. Quer ser preenchida. Necessita de conteúdo. Mas a moça e muitos eles e elas seguem vazios. É como se inexistissem. Um manequim de vitrine. Isso! Manequins são apenas para serem vistos. Assim são algumas pessoas. Mas talvez nem para serem vistas elas sirvam. Pois a imagem não agrada. Belo é o ser humano que exala belezas interiores...
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EXISTIR SOMENTE COMO CONSUMIDOR

quinta-feira, março 08, 2007 · 1 comentários

Cá estou com o propósito de escrever. A semana que passou não posso dizer que foi improdutiva. Se escrevi pouco, tenho comigo informações. Conhecimentos adquiridos. Uma tocaia literária. Sigo à espreita. Absorvo subsídios para escrever.
O ser humano. A professora disse que quanto mais o estudamos, menos proximidade com eles queremos. Um professor de Filosofia discordou. Não comunga da opinião de isolamento por parte de um estudioso dos pensamentos filosóficos. Foi firme em sua observação. Enquanto, ali sozinho, naquela sala de professores, olhava para o nada...
O problema não são as pessoas. Mas quem as domina. A massa é senão objeto de estudo, fonte de lucro. Nas aulas de marketing, vejo o quanto as empresas estão distantes do ser humano. Para elas o que existe são os consumidores. E se importam com seus comportamentos. Desejos. Tudo na busca por mais lucros. Os executivos não estão lá muito preocupados com a felicidade das pessoas. Aliás, mais vale é uma massa infeliz consumindo.
E as pessoas? Por que não percebem o vazio que as adestram a viver? Ora, que graça tem ficar consumindo programas de TV absolutamente idiotas, de um modo passivo, bem como comprar os produtos que patrocinam a agressão às suas alma?
Eu seguia para o trabalho e pensava. Talvez a felicidade esteja em acordo com a inocência. Creio que seja o único anestésico que não adoece. De qualquer forma, prefiro abraçar a infelicidade e descobrir as verdades deste mundo a permanecer como um ser obediente que nada entende.
As verdades a que me refiro são as formas de funcionamento dos sistemas que regem nossas vidas. Por exemplo, saber que as empresas observam nossos comportamentos e com isso traçam estratégias para fazer com que compremos mais. Não posso aceitar que sejamos reduzidos a meros consumidores. Fontes ou não de lucros. Isso para mim é absolutamente patético!
E o patetismo tem que seguir dentro de cada consumidor. Imaginemos todos seres pensantes. Contestadores. Será que as empresas conseguiriam bolar com facilidade estratégias de vendas?
Como disse um apresentador de telejornal, melhor que a massa prossiga feito Homer Simpson.
A arte como arma. Ela deve atacar as equações manipuladoras do mundo. Desvendar. Iluminar. Mas será que prosseguem fazendo isto? Prestando tal serviço? Não quero fazer uma afirmativa. Não sou um grande consumidor de cultura. Estou aquém do que desejo.
Lembro-me agora de uma peça de teatro a que assisti no ano que passou. Falava de um homem que se tornou invisível. E isto depois de um tempo desprezando e ignorando o ser humano. Um retrato da realidade. Uma possível conseqüência daqueles que fingem ignorar a existência alheia. Que representam desprezo. Endurecem o semblante. Sonegam sorrisos, cumprimentos e olhares. E seguem adoecendo duas almas...
Enfim, necessito discorrer sobre o comportamento individualista das pessoas. Que é professado pelos atuais governantes americanos. Fundamentalistas do egoísmo. Seres inúteis para o bom desenvolvimento intelectual e espiritual de nossa sociedade. Eles seguem adiando a evolução humana. Mas, pelo andar dos fatos, o ser humano seguirá raso por longo tempo. E, se a Terra não for destruída antes, ainda creio numa libertação. Será o fim da idiotice humana. Por enquanto, seguimos quase todos assim. Vocês já sabem. Idiotas.
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NEGAÇÃO DE OLHARES

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Olho pelo trem. Observo. Faço o mesmo no ônibus quando estou em pé. Os não-olhares. A fuga de olhos. Um medo de ser olhado. As pessoas seguem assim. Sentem temor um do outro. Claro, nem todos. Mas a cara amarrada é a armadura. O semblante fechado é pseudo-segurança. Pseudo-não-preciso-de-você. Esse modo de viver. Evitar o outro. Flerte provável com a solidão.
Tudo bem. Vai ver que as pessoas vivem em grupo. Talvez seja a minha carência. Esse desejo de demonstrar sentimentos bons pelos outros seres humanos. Bom, também é possível que seja o dia. Mal-humor instalado. Quantas vezes não hostilizei o outro? O incômodo com a presença alheia. A dor em olhar e ser olhado.
Não me foge à memória. Aquela moça pequena em meio àquela festa. Nariz empinado. Rosto embrutecido. Armadura. Uma postura que aquietou a minha alma inquieta. Pode ser que fosse projeção. Pode até ser... Mas será mesmo?
O rapaz que cumprimenta cheio de medos. Quais, não sei! Mas são visíveis. Muitos são assim. Possuem receio em ser rejeitados. Melhor, então, fingir que não vê. Quando experenciamos essas mazelas humanas, fica mais fácil discorre-las...
Esse isolamento todo. O medo dissipado. Individualismo exercido. O erro cotidiano. Lá na frente, as almas vão se apertar um pouco mais. Algumas já gritam. Outras ainda se calam. Mas esse “silêncio todo atordoa”. O ser humano segue preso. A liberdade maior é a de amar. Falar sem se importunar com o alheio. E seguir sereno e tranqüilo. E olhando sem medo. De ser olhado. De olhar. Na alma.



DESTEMPERO

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Penso. Será que logro sucesso escrever sob esta irritação? É um teste que faço comigo. Quero ver como escrevo neste estado. Já escrevi melancólico. Eufórico. Iludido. Poético. Mas este é um estado novo. Digo neste momento. Em que escrevo.
As reações das pessoas. Muitas vezes podemos prevê-las. Mas às vezes elas são inesperadas. Daí a rispidez. O que nos deixa indignado é a pequenez da situação. Mas aquela pessoa também é ser humano. Quantas vezes não nos perdemos por questões pequenas?
Se a reação alheia nos provoca irritação, o que devemos fazer? Guardar para nós? Partir para a agressividade e deslanchar palavras na pessoa? Ignora-la? O quê? Conversar é melhor. E se conseguirmos ser didáticos melhor. O problema é quando esse didatismo é ditado por certa ira. Daí, tornamos-nos professores severos. E então é possível que ao falarmos a irritação aumente. A única certeza é a de que passa...
A mente humana. O desencadear de emoções. O controle que não vem. Pode ser que alguns fiquem com sentimentos de culpa. Pode ser que outros sintam prazer. O fato é que devemos esperar passar o tisunami de emoções. A outra parte pode até sentir pelo o que causou. Quem sabe até alegue inocência. E a incerteza que ela nos coloca pode aumentar a ira.
Enfim, o ser humano tem circuitos. Pode ser que um fiozinho esbarre no outro na hora errada. É possível que a emoção se encontre com conteúdos do inconsciente. Mas aí já adentro para um campo que não tenho conhecimento. Por isso que uso muito mais de palpites...
O cérebro. Uma determinada emoção produz certa substância. A ausência de uma outra resulta em determinado estado emocional. Nisto, somos meros personagens da nossa mente. É ela que dita nossos comportamentos. Como se possuíssemos uma divisão: alma e mente. O descompasso entre elas gera a falta de serenidade. Às vezes está tudo tranqüilo. Um fio da mente encosta no outro e pronto. Destempero.



CHATICE DE HOJE. AMANHÃ TAMBÉM

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Posso ser muito sincero? O dia hoje é chato. Não, não é o dia. Sou eu. A chatice está em mim. Ela vem lá do fundo. Faz com que o sorriso seja raro. O desejo de falar, diminuto. E a vontade de que esse dia se vá, enorme. Só assim para amenizar essa chatice que se vai em mim. Se a fome eu saciei, não fiz o mesmo com a melancolia. Mas pode ser que este texto tenha este objetivo...
Produzi apenas dois textos na semana passada. Esta, já começa com cobrança. Eu sou o cobrador. Peço-me textos. Desejo tece-los. Mas não basta o desejo. É preciso criar condições para tanto. Utilizar de observações. Impressões. Aplicar a intuição. Por vezes, usar também da razão. São estes modos de dar à luz frases conexas (ou até desconexas).
Aquele olhar. O aumento da desconfiança. O desejo de tentar descobrir o que se vai atrás daquela máscara. Parece-me algo não muito belo. Há ali mistérios. Mas o fato é que seus sorrisos não me convencem.
Usei da pessoa para ilustrar. E sigo lançando mão de minhas lembranças. Penso naquela festa. A cara amarrada dela. Apenas um exemplo. O olhar duro. Boca cerrada. Parecia caminhar para uma batalha. Ao seu redor era como se nada existisse. Talvez quisesse dizer que não precisava de ninguém ali. Que desprezava a todos. Rótulo da infelicidade. Alma amarrada. Aquela falta de serenidade e harmonia interna me desagradou...
Não é que eu estivesse harmonioso. Talvez a simpatia não me tivesse. Mas não amarrei a cara. Até ri de verdade. O motivo de estar ali era grandioso. Grande amigo e a formatura. Outros grandes amigos. Eram eles a mão que me segurava. Mas as pessoas estranhas a mim, eram motivo de desconforto.
O ser humano e sua alma. Brincadeira de criança. Nós como fantoches. E a mente fazendo o que quer. Já falei sobre isto outras vezes...
O parágrafo acima era para ser maior. O dia era para ser melhor. Apaguei uma linha. Não posso apagar o dia e fazer outro. O que me resta é o amanhã. Esperar um dia melhor. E seguir com a certeza. De que depois desse dia melhor, outro virá. Poderá ser bom ou não. Enfim, terei comigo a certeza de que toda essa chatice não se esvairá hoje. Amanhã também não...



CLÁUDIO ABRAMO E O JORNALISMO

domingo, março 04, 2007 · 0 comentários

Reflexões que Abramo me fez ter

A imensidão da tela branca me assusta. Tanto espaço vazio. Preenche-lo é o que desejo. Não utilizarei de técnica alguma. Tampouco manuais de redação. Não é intenção minha engessar minha criatividade. Se os jornalistas não têm liberdade de imprensa, eu uso a que tenho. Porque vai ver que também não tenho liberdade total para escrever. Quem me censura? Eu? Vocês?
Cláudio Abramo tem me acompanhado em viagens de lotação. Com ele aprendo um pouco sobre jornalismo. E me é Abramo grande referência para a produção de textos. Posso afirmar com seguridade que o falecido jornalista deixou os melhores textos escritos em jornais que já li.
Este texto é uma homenagem póstuma. Para um dos maiores jornalistas do Brasil e do mundo. “Regra do Jogo” é o livro dele. Parece que escreveu apenas este. Ali, o retrato da dura realidade do jornalista. A desmistificação que ronda esta profissão. Se é que ainda há algum mito recai sobre este profissional.
Sendo assim, aquele que escolhe tal profissão é um masoquista? Não sei. Para mim, vale o interesse em dizer algo. E não apenas para obter fama e prestígio. Fazer jornalismo sem provocar mudanças de nada vale. E abrir mão da ética para produzir reportagens a qualquer custo, pouco vale também. O gratificante é ajudar a sociedade na reflexão. Neste sentido, jornalismo apenas noticioso, que somente narra o fato, pouco me vale. Creio que é necessário provocar a reflexão, sem contudo manipular opiniões.
Na faculdade de jornalismo aprendemos sobre Ética. Evidentemente que o aluno já leva consigo uma determinada ética oriunda de seu histórico de vida. E é esta bagagem que será o seu principal norte como profissional. Caso ele tenha discernimento, poderá mudar pontos de vista. Se deixar de acreditar no todo mundo faz, eu também faço poderemos considerar que o aprendizado sobre Sócrates, Platão, Aristóteles, ou Kant, será de grande valia.
Abramo faz duas afirmações em seu livro que discordo. Mas o faço como quem tem direito a ter sua própria opinião. E o respeito que devoto a este grande jornalista não deixa de existir em função da minha discordância. Se eu estiver errado, aprenderei com o tempo. E a opinião alheia poderá me ser muito útil. Não apenas dos meus professores, bem como dos alunos que lá comigo dividem a obtenção de conhecimentos. Ou até de algum leitor interessado no assunto. Sei que tenho muitos assim.
Cláudio Abramo diz que só há liberdade de imprensa para os donos dos jornais. Que isto para o jornalista não existe. Concordo com a segunda afirmação. Mas creio que os donos de jornais também estão “engessados” pelo capital. E, em função de seus anunciantes, ou até de governantes, eles não podem solicitar que se diga tudo que pensam.
Outra afirmação que discordo. Baseio-me na realidade brasileira. Abramo diz que a ética do jornalista deve ser igual à ética do cidadão. Penso que a o jornalista deva ter mais ética que um cidadão, em função de sua responsabilidade social. Um equívoco de alguma reportagem pode trazer conseqüências graves à sociedade, ou instituições, bem como às pessoas. Basta lembrarmos do caso Escola Base. Diria que a ética do cidadão e do jornalista deveria ser a mesma. Mas não podemos nos desatrelar da nossa um tanto cruel realidade neste campo delicado e importantíssimo.
Hoje não li jornal. O tempo me foi escasso. Li algumas notícias na internet. Mas esta opção de informação não me vale. Textos extremamente resumidos. Notícias aquém do que espero. Gosto mesmo é de mergulhar em páginas de algum jornal. E, como no mar, não podemos confiar em tudo que, no caso, lemos. É preciso nadar com cuidado e critério. E muitas vezes é bom visitar outros mares.



FILA

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Fila. De palavras. A construção do primeiro parágrafo. É o filho caçula. Seus irmãos logo virão. Não vamos mimá-lo e tecer só elogios. Rejeitá-lo não é o caso. Isto poderá conturbar esta composição. Que nada mais é que uma família, cujos membros são todos os parágrafos.
Neste exato momento numa fila. De pessoas. Uns mimados, outros rejeitados. Uma parte possivelmente criada de forma mais correta. Aqui, pessoas que esperam. O barco é de todos. Mas é cada um na sua, mesmo sendo todos com os mesmos propósitos.
Em um texto, os parágrafos se correlacionam. O anterior prepara o caminho para o próximo. E o que vem a seguir ajuda a manter vivo aquele que já se foi.
Aqui na fila não nos relacionamos. Até nos evitamos. O olhar alheio pode incomodar. Fugimos dos olhares. Não os queremos. Há desconfiança e medo. Mas nessa fila indiana não nos diferenciamos. Então, como tememos o igual?
Não há competição entre os parágrafos. Eles não desejam ser melhores que os outros. Mas se o sucessor for melhor, é lucro geral. É a certeza do êxito. Todos saem ganhando.
Nós queremos sempre mais. Parece que o crescimento alheio não nos beneficia. Se o cara à minha frente ganhar muito dinheiro ainda hoje, minha vida não mudará. Mas se todos de todas as filas do mundo não fossem pobres demais, as nossas vidas mudariam. E façamos as estimativas do benefício geral se cada ser humano se tornasse melhor com o passar dos dias. Isso até ocorre com alguns, mas não é regra geral.
O herdeiro. Ele será melhor se os que lhe abriram caminho fizeram um bom trabalho. Do contrário, sua existência será inútil. Sabe que tudo só pra si não tem valia. É isolamento. Egoísmo. Solidão. Ele precisa é de sucesso. Alheio e seu. Termina o texto. A fila, não.
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clique no título deste texto para ler A REALIDADE DOS PARÁGRAFOS



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Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
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