FEITO ULISSES

domingo, fevereiro 25, 2007 · 0 comentários

Estragos do esquecimento
Blues e um texto para a alma. O início me agrada. Se havia dúvidas sobre a pauta, a solução foi deixar de lado tal busca. Resolvi que iniciar os passos era a melhor forma. E se me vejo pisando firme é porque sigo absolutamente tranqüilo. O que não me faz indiferente. Há emoções em mim. Mas elas são boas. A positividade me tem. E o blues prossegue... O texto vai no mesmo ritmo...
Os fatos de ontem. O que a desorganização produz. Este que escreve como vítima. Não só ele. Aquela que o esperava também. Tudo isto me fez recordar um filme. Odisséia. Ulisses não consegue voltar para casa. Fora amaldiçoado pelos deuses gregos. Guerreiro e líder, bravejou não precisar de deus algum. Foi condenado. Se consegui voltar para a casa, não contarei. Mas os longos anos de tentativas foram angustiantes. Assim eu me senti para simplesmente chegar a um shopping. Para lá estar com uma bela e boa amiga. Alguém que carrega consigo a serenidade. Algo que todos devem buscar. No caso dela, já foi agraciada pela natureza. E não lhe foram estes os únicos agrados ofertados...
Não vou detalhar. Mas estava tudo sob controle. O esquecimento de um ato desencadeou uma seqüência de iras dos deuses. Até conseguir resolver a questão – sem dinheiro não se vai a lugar algum - o estrago já estava feito. Como a ironia não pode ficar de fora, o amigo que sempre por mim foi cobrado por sua impontualidade foi quem ajudou a amenizar a situação. O celular nestas horas se mostra muito útil.
Por um momento duvidei que chegaria ao encontro. E sentia o fato de fazer alguém esperar. O meu alívio é que ela estava num shopping. Talvez experimentasse uma roupa. Naquela mesma loja em que nos deliciaríamos com o perfume preferido dela. Gostos são gostos. Sorte ou azar das marcas. Acho que é sorte.
Pior é chegar 50min atrasado e não ver a pessoa ali. Daí você se pergunta se está no local certo. Sobretudo quando jamais esteve por ali.
Muitos vivem assim. Errantes. E o pior de não conseguir chegar ao objetivo é não ter onde chegar. Vários por desleixo. Outros, por falta de perspectivas. Estes, para mim, são os mais infelizes. Pois pessoas há, que vivem de ombros para a vida e seguem felizes. Mas aquele sem perspectivas tem consigo que tanto faz caminhar ou não. Que já não importa se deuses gregos resolveram repetir a história de Ulisses. O fato é que muitos Ulisses há por aí. A diferença, em diversos casos, é que se o rei de Ítaca sabia de sua condenação, os diversos zumbis perdidos aqui na terra seguem cegos. E não vão chegar a lugar algum.

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TRAGÉDIAS E CORRUPÇÃO NACIONAL

sexta-feira, fevereiro 23, 2007 · 1 comentários

O que vale é dinheiro no bolso?

Duas linhas apagadas. Um texto que por ora não vai existir. Pode ser que lá na frente ele ressurja. Pautas podem ser relembradas. Por exemplo, o menino que foi assassinado cruelmente. Tido como um boneco de Judas, o garotinho foi arrastado por um carro até a morte. Fato que chocou a população. Fez surgir um texto que não saiu de minha mente. Possivelmente, alguns resquícios das frases construídas estejam aqui.
Sempre que ocorre uma morte trágica em função da violência, brasileiros reiniciam a discussão sobre segurança pública. Se o algoz for um menor, pedem diminuição da maioridade penal, como se isso fosse fazer com que diminuíssemos a fabricação de bandidos. Ou então ressuscitam a pena de morte. A volta de governadores acima da lei, que davam aval para a polícia matar indiscriminadamente – não que o indivíduo ainda não seja morto só por morar em favela. O livro sobre o Morro Dona Marta, escrito pelo jornalista Cacco Barcellos retrata bem essa situação. Enfim, algumas discussões e nenhuma solução. Basta aguardarmos uma nova tragédia para que o debate volte do intervalo.
A violência é um grave problema no Brasil. Isto todos sabemos. Que falta gente séria para gerir a segurança pública é outra notoriedade. E pena de morte, redução da maioridade penal, governadores maus, isso tudo é balela. Pensemos nos piores criminosos de uma sociedade: os corruptos. Imaginemos as conseqüências sociais de seus crimes. Por exemplo, um diretor de escola pública que desvia verbas que deveriam ser usadas para comprar livros para a biblioteca. Daí, diversas leituras perdidas por alunos simples e pobres. Digamos que vários livros. Que a criança deixasse de ler e absorver cultura e sensibilidade por culpa de um corrupto durante anos. E, por não haver nada a fazer, nem mesmo ler um livro, o menino ou menina sai da escola para a rua. Ali, páginas diárias de maldades. Até chegar ao capítulo das drogas. E neste novo rumo sua história embarca. Daí um dia, um revólver. A urgência por dinheiro para sustentar o vício. Um assalto. Quem sabe um carro. E uma criança morta violentamente, ou, então, um “pacato” motorista. Nesse ínterim, está lá o diretor corrupto com seu carro pomposo. A casa na praia. O celular. Seu ego. Sua não-ética. Óculos escuros. Seu individualismo cruel. Agora, pensemos. Quantos corruptos há por aí? Quantos livros negados a tantas crianças? A falta de entretenimento nos bairros mais simples. A escassez de atividades culturais. As escolas que ensinam a não gostar de estudar. E, além do caldo corrupto que alaga este país, a nossa péssima distribuição de renda. O desprezo do rico pelo pobre. O “tô nem aí” deles. O que vale é carro lindo, celular e óculos escuros. A imagem acima de tudo. Tudo pra mim. O bem–estar alheio não me diz respeito. Essa desarmonia toda não é culpa minha. É cada um na sua. E eu quero é dinheiro no bolso. Enfim, dá pra seguir assim? O mundo tem que girar em torno do consumo? É disso que precisamos ? Claro que não! Harmonia. Paz interna. Paz social. Coletivismo. Entretenimento. Cultura. Educação. Perspectivas. Amor. É o que necessitamos. Enquanto não houver tudo isto, haverá as tragédias. Assim, o dia-a-dia é uma loteria. Logo uma nova tragédia novos infortúnios estarão na mídia. E que fique claro, mortes há nas periferias diariamente. Mas parece que estas não importam muito...

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PICADO

segunda-feira, fevereiro 19, 2007 · 1 comentários

Vou arriscar. Quem sabe ela vem. Uma crônica-poética. O fracasso pode até sobrevir. Ficará a tentativa. Nem sempre o que vale é conseguir. E agora essa dúvida. A lembrança imagética de olhares. Semblantes femininos. Sorrisos momentâneos. Comunicação que não passou do visual.
O reconhecimento. Já vejo o fracasso. Conformismo me tem. E agora o que faço? Por que tão fraco? Persistir não seria o indicado? Talvez fosse permanecer errante. E esse contato comigo que tento é em vão. Estou fechado para mim? É o meu limite? Agora é procurar as chaves. Quem sabe o mundo me espera. O fato é que eu não me basto. Sozinho, sou muito pouco. Fechado, então, eu não existo.
Parágrafo derradeiro. Palavras finais. Percebo motivos. Escrevo para disfarçá-los. Esses pensamentos pequenos que tenho. Talvez eu não esteja completamente fechado. Ainda me resta esta pequenitude. Que me aborrece. Se pelo menos eu fosse o único! Viveria assim. Com tudo que é pequeno só pra mim. Digo por dizer? Talvez. Não sei. Sei apenas que sou pequeno. Sei também que não sou o único...
Errei. Não foi o de cima o último. As palavras ainda insistem. Espremo a alma minha. É o que resta de mim. Será que expurgo essa mediocridade? Não seria melhor então ler um grande autor? Certo que ajudaria. Não há dúvidas! Sim, melhor fazer isto. Já não há mais o que dizer. Só não sei se ainda sou o mesmo. Só quando cessar essa escrita. Daí é que vou ter novamente com meus pensamentos. Na ilusão de dissipá-los. Elevá-los. Como seu não soubesse a inutilidade do ato. Fui picado. Estou medíocre. Igual. A você?
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GRITA! MAS NÃO MATA!

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Há o que ler. Seria esta a minha preferência. Então, não digo que opto por escrever. As emoções são que fazem a escolha. Elas já não cabem em mim. Gritam. Querem sair. Então, as palavras são o meio.
O não-olhar. As pessoas não se olham. Eu andei cego também. É o mirar vazio. Ficar com ele. Assimilação mais fácil. Mar por que não queremos ser olhados? O que tanto escondemos? Uma amiga disse-me que é o individualismo. Ele ditaria tal comportamento. Como, se não necessitássemos do outro? Bastam aqueles que conhecemos. O que sente aquele desconhecido, pouco importa. Talvez por que ele jamais será revisto. Assim, é como se não existisse.
Esse desprezo. O fingimento de bem estar. Tudo isso é patológico. Quantas lágrimas estão guardadas! Quanto carinho reprimido! Sorrisos escondidos! E almas doloridas. Tudo em função do ego. E se ele não existisse, o que seríamos? Quanto a minha pergunta, nem sei se ela tem cabimento. Isto de fato não importa. Vale, é esse meu desabafo. Felizmente, nada pode ser generalizado. Há pessoas livres. Que se expressam tranqüilamente. Mas são poucas, bem poucas. As demais estão presas. Uma prisão de fingimentos. E nessa encenação toda, grita a alma. Mas que de tão sufocada, quase não é mais ouvida. Porque se déssemos atenção aos seus gritos, algo aconteceria. Um ato inusitado. Vai ver, é isso que se dá com os que cometem desvarios. De repente, descarregam uma metralhadora a esmo. Talvez seja isso. O grito da alma! Gritem. Mas não matem!

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ALMA EM FUNÇÃO DA MENTE

domingo, fevereiro 18, 2007 · 2 comentários

Um prédio feio. Uma loja sem nenhum requinte visual. Bagunça. Caras amarradas. Baixos-salários. O caos instalado. Tanta poluição visual, não era possível imaginar que ela ocupasse mais de cinco andares daquele prédio melancólico, naquela região conturbada e um tanto suja...
No elevador a música pra entristecer. O jovem ascensorista cabisbaixo. Calculei seu estado emocional ao final do expediente. Pra sua sorte, não seria pior que o meu. O bom amigo ao meu lado pediu escadas depois. Aquele elevador era cinema de péssimo gosto. Filmes tristes. Como aqueles da época da ditadura. Cheios de melancolia...
Imaginei o que não via. O modo empresa daquela loja. O tratamento sofrível com os funcionários. Considerei impossível respeito aos seres humanos que ali labutam. Muito possivelmente, respeito entre eles seja diminuto. A minha infelicidade momentânea não me poderia fazer pensar diferente. Mas se eu era tristeza, não era devaneios...
Exagero de tecidos. Um incêndio ali e poucos sobreviveriam. Era uma asfixia de algodão. Mas o que me dava dor na alma não era aquele visual conturbado. Era a melancolia que se ia em mim. Uma chuva fina intensa e dolorosa...
Eu sabia que ir embora não seria muito diferente. Era apenas desejo de fugir. A alma minha desejosa de escapar. Coitada, sofria as imposições da mente. E eu, mero boneco, nada fazia. Limitava-me a exercer o papel imposto por minha mente... Vejo os seres humanos assim, mero fantoches...
Feita a pesquisa de preços, escapamos dali. O centro era um chiado só de gente. Amostra da São Paulo que abriga o Brasil. O vendedor de discos não se importava com nossos ouvidos. A música alta era sua estratégia. Atordoado, temia um assalto. A mão no bolso protegia a carteira. Tantos olhos e meu desejo inexistente em ver. Se enxergar não fosse obra da alma, ver não seria problema...
Queria ir embora. Sumir. Fugir de mim. Mas não sabia por aonde ir. Segui meu bom amigo. Atendi a sua sugestão. Caminhei passos vacilantes. Olhei. Tinha que olhar. Fazer o quê? E para o meu ponto eu fui. E minha alma... Coitada... Ela me acompanhou...
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NECESSIDADES DA ALMA

terça-feira, fevereiro 13, 2007 · 2 comentários

Teatro disfarçando a melancolia. Quando a alma entrou em sintonia com a peça, elevou-se. Ainda assim, os pensamentos medíocres vieram por vezes. Mas logo os talentos no palco dissiparam a poluição em minha mente. Estar ali era algo bom. Uma necessidade. Esquecer as dificuldades. Aliviar a carência...
Não falo do que se passou ali dentro. Sei que foi bom. Todos saíram agraciados. Não, não sei se todos. Como posso saber sobre cada um? Quem garante que as palmas de alguns não foram apenas convenção? Eu já agradeci sem ter gostado. Com muito desdém, evidentemente. Bem diferente de hoje. Bati palmas com a alma. As emoções afloravam em mim. No carro, a insatisfação voltou. Um tanto diminuta. A dose de cultura recebida ajudou-me um pouco. Creio este o melhor remédio para as dores internas.
Agora, toca a música. Quero letras para emocionar. Lanço mão de boa música brasileira. Dizem ser popular. Não sei por que dizem isto. Sei que é de boa qualidade. Agrada-me. Ajuda na elevação desejada por mim. Muitos precisam de doses e doses de música. Isto, pela vida toda. Eu sou um deles...
O ser humano necessita do lúdico. Mas precisa presenciar. Estar ali com corpo e alma. Deixar a televisão apagada. Ela pouco ajuda. Na maioria das vezes aborrece. Certos programas são total desrespeito pela integridade psicológica da pessoa. Que interessa saber da vida de pessoas fúteis?
Que fique claro. Existem opções. Nem tudo nas TVs é ruim. É preciso saber escolher. Há também peças de teatro sofríveis. Já perdi meu tempo. Já abandonei a poltrona. Já dormi no cinema. Também vendi discos que me arrependi. Dinâmica inevitável.
Cada alma tem seus anseios. A minha pede cultura e filosofia. Algumas pedem conhecimento. Outras, divertimento. Há também a procura por futilidades. É. Às vezes o nada é bom. Só não pode ser contínuo. Viver diariamente com o que é boçal é perigoso. Nocivo. Pode adoecer. E o indivíduo nem percebe. Já está. Idiota.
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FILOSOFÍA PARA NOSOTROS

domingo, fevereiro 11, 2007 · 0 comentários

El color del alma. Gris. La sonrisa tímida. El cambio constante. Alma que hace su expresión. Un día lleno de luz. Otro sin luz. Así es. ¿Qué hacer? Abrir los ojos y esperar que haya luces. Nosotros e nuestros sentimientos. El dominio de las emociones.
Sé que hay un desencuentro entre el alma e el corazón. Los dos no hacen acuerdo. Uno cierra las puertas. Otro, no la sabe como las mantener abiertas. En final de la competición los dos sufren.
Dos personas. Competiciones. Orgullo como técnicos. Y el perjuicio en sus almas. El conflicto puede ser entre personas de los diferentes sexos. Dos hombres pueden disputar una mujer. La mujer deseada por ellos es posible que obtenía placer con la situación. Así, hace todo para alimentar la ira de los competidores. Una forma de hacer masaje en su ego un tanto debilitado. Es la acción de las patologías. Los tres están enfermos.
La armonía entre la personas. Una busca muy difícil. Pero, una necesidad. Para que esto ocurra, es necesario que cada persona haga un trabajo de mejora interna. Que entre en contacto con las debilidades del alma. Pero, son pocos los que perciben esta necesidad. Así, siguen errantes e destruidores. E la principal víctima, en final de la historias, son ellas mismas.
Hay personas que están preocupadas sólo en ser más bellas que las otras. Sean hombres o mujeres. Hay aquellas que fingen tranquilidad. En fin, hay mucha representación. Que es demasiado aborrecedor a las veces…
El mondo necesita tratamiento. Hay una enfermedad general. Por supuesto que debemos tratar las causas. Hay muchas. Creo que necesitamos de más filosofía. En fin, pensar lo que estamos haciendo. Las personas necesitan llenar sus almas. Talvez sea esto…
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ELA SE LIBERTOU!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007 · 3 comentários

Uma mulher. Seu casamento de aparências. O marido que não a procurava sexualmente. Mais filho que marido. A sua auto-estima que não era boa. Pauta para um texto simples. Com algumas reflexões. O tempo passou. Ela mudou. Personalidade amadurecida. Descobertas interiores. Passou a se valorizar. Descobriu a mulher dentro dela. Talvez já soubesse da existência. Apenas aprendeu a expressá-la. Agora é outra..
Após novas investigações, a descoberta desejada. O cônjuge a seguia traindo. Estopim para o pedido de separação já há muito desejado. A sensação de liberdade. Uma felicidade por dentro. Alívio. E o fervor dos hormônios.
Lembro-me que ela se desvalorizava em nossas conversas. Hoje sente-se sedutora e atraente. Em suas palavras, a libido à espera de uma pequena faísca. A constatação que casar é “fria”.
Já escrevi um pouco sobre casamentos. A escolha difícil. O erro provável. Infelicidades alimentadas por dias cinzas. Aparências como opção. A coragem de separar-se é escassa. Demorou. Esta mulher chorou muito. Sentiu-se a última das fêmeas. Abraçou a infelicidade. Fingiu para si conformismo. Colocou o filho em primeiro plano. Vieram os hormônios para salvá-la.
Claro que ela é apenas ilustração do muito que ocorre por aí. Homens nem aí para a felicidade da parceira. Basta o prazer deles. Elas que cozinhem, lavem, passem, assistam TV, e finjam felicidade.
Falo de uma realidade brasileira. A emancipação feminina ainda não se deu por completo. As de classes mais baixas sofrem mais. A personagem em questão é autônoma. Tem sua profissão. Um belo corpo. Uma beleza que agrada a boa parte dos homens. E posso afirmar com segurança, que se ela sente absolutamente poderosa. E agora podemos dizer: ela se libertou!

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FECHE A EMPRESA

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A Terra segue aquecendo. Danos já são irreversíveis. Faltará água. Cidades serão alagadas. A produção de alimento diminuirá. Algumas culturas irão desaparecer. Enquanto isso, as empresas seguem lucrando e destruindo.
Não bastasse a degradação do ser humano, o homem capitalista resolveu que a Terra também não pode ficar imune. Evidentemente que isto vem de longa data. Mas o que é mais absurdo é que alguns governos e instituições privadas relutam em aceitar as explicações dos cientistas.
O que teremos então será e fechamento da empresa Terra. Quando então os problemas serão dizimados. Inocentes vão pagar. Fazer o quê? Mas muitos deles já pagam. Como aquela moça imunda, sentada à calçada de uma rua central, nesta metrópole desigual, expressando sua miséria com palavrões e palavras desconexas. Não há dúvidas, ela tinha razão. Loucos são esses empresários que seguem patologicamente ávidos pelo lucro. E a natureza, nosso maior patrimônio, vai sendo aniquilada.
A emissão de gás carbônico é o principal causador do aumento das temperaturas na Terra. Mas o homem é assim. Inventa. Destrói o quanto pode. Depois inicia os estudos em como deixar de destruir. Nisto, quem sabe algum lucro a mais.
Lamento pelas próximas gerações. Lamento pelos líderes do mundo. E deploro os grandes empresários em quase toda a sua totalidade. Se forem doentes, que sejam tratados. Se forem criminosos, que sejam presos. Se eu digo besteira, que não seja ouvido (ou será lido?).


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MACARRÃO COM URUCUM

sexta-feira, fevereiro 02, 2007 · 1 comentários

Algumas vezes mencionei a dificuldade do início. Nesta publicação, percebo as diversas maneiras de iniciar uma composição. Eu pensei em falar sobre a necessidade de experimentar. Depois, tive a idéia de correlacionar música com culinária, dado alguns talentos de uma das personagens desta história. Daí, não optei por nenhuma das possibilidades. Ainda percebi a existência de mais opções. Então, comecei com esta explicação. Se fiz a escolha certa, pouco sei. E nessa ignorância toda, fico com Sócrates. Nada sei.
Eu estava ali. Fartura sobre a mesa. E a beleza daquela macarronada. Paixão à primeira experimentada. Urucum. Este era o “segredo”. Pedi explicações da receita. Desisti de entender, parecia-me complexo “o modo de fazer”. O jeito foi repetir o prato. Preteri a salada, uma das minhas predileções. Mas macarrão com urucum não se encontra em qualquer casa por aí. Na verdade, demorei 34 anos para deparar-me com tamanha delícia.
Mas a vida tem que ser isso. Nada do mesmo sempre. Experimentar. Abrir-se para novos mundos. Acertar. Errar. O que vale é tentar. Nada de conservadorismo. Pense nos casais conservadores. A chatice do dia-a-dia deles. Aquela infelicidade. O olhar caído. O siso tímido. A respiração cansada. O sexo acomodado. O cinza das noites e manhãs...
Após o almoço, conheci o pé de urucum. Jamais vira um em minha curta vida. Daqueles troncos finos, uma iguaria. Em nosso primeiro encontro, a satisfação minha. E o urucum ali. Sem saber de seu papel. Absolutamente desprendido. Quem sabe eu consiga um dia ser como ele... Quem sabe você também...
Sucesso culinário à mesa. Nostalgias de esquerda no papo. Relatos. Experiências. Seres humanos se harmonizando. Diplomacia nas discordâncias. Equilíbrio. Sorrisos. Histórias. Surpreendimento – ele plantou pés na cozinha antes do casamento! Queria saber se ela realmente cozinhava. Se não tivesse esse faro jornalístico, teria perdido aquele macarrão: com urucum.
Era ali. Na casa da revisora. Nosso primeiro contato não virtual. Assim é melhor. Bem melhor. O calor humano é insubstituível. Se um dia for preterido, será o mergulho num vazio sem precedentes. Quando então as aparências reinarão absolutas. Mas isto é problema das próximas gerações. Terão que passar por isto. Ter almas sofredoras. Para que os que virão contornem tal problemática. Tudo isto é evolução.
Exagero um pouco. A sobremesa fica pra depois. Agora é hora de aula. Aprender sobre o universo literário. Este que pouco sei. Quase nada. Há, sim, uma vontade de papear. Mas deixemos para depois. Quem sabe noutra tarde de domingo mineiro. Macarrão e frango. Bom papo. Esquerdismo nostálgico. E urucum...

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Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
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Adalton César
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