Férias sustentáveis

segunda-feira, dezembro 24, 2007 · 0 comentários

blog em férias

Ao entrar em férias, o Opiniões & Crônicas deixa uma mensagem sobre meio ambiente. Sem dúvida, esta questão foi a que dominou os noticiários pelo mundo. E agora, todos no mesmo barco, somos obrigados a nos unir e salvar o planeta que segue sendo destruído pelas garras do consumismo desenfreado.
Cada ação de um indivíduo nos diferentes cantos do mundo faz a diferença. Hoje, percebemos que as pessoas, sobretudo os jovens, preocupam-se com simples ato que possa contribuir para a preservação da natureza. Pode ser na reutilização de uma folha de papel como rascunho. Um banho menos demorado. Deixar o carro na garagem ou, quem sabe, abolir os modelos mais poluentes, que são os mais luxuosos. Reutilizar vidros e plásticos, este últimos de demora degradação, bem como diversas outras ações.
Há que se usar menos água. Dói ver o vizinho individualista lavar a calçada sem nenhum pudor verde. Ou aquele que passa o dia preso ao seu mundo, que é o seu automóvel, afinal de contas esse pseudo-amigo é o único que o faz sentir-se não tão inferior. No fundo, absoluta balela. E ele gasta boa água para manter o "amigo" lindo.
O crescimento nosso como consumidor leva as empresas a usar a sustentabilidade como ferramenta de marketing. E isto é altamente positivo para qualquer marca. Ainda bem, do contrário os líderes empresariais não fariam muito para que nos desenvolvêssemos sustentavelmente.
Hoje, eu, simples consumidor, priorizo o meio ambiente. Aquela picape gigante e caríssima que polui severamente a Terra nossa é motivo de desagrado para os meus olhos. Penso que estar dentro de veículo deste tipo é um crime contra o mundo. Cabe às montadoras encontrarem meios de tornar estes modelos altamente luxuosos menos poluentes.
Um economista explicou-me que a necessidade de preservação da Terra trará uma revolução nos meios de produção e no comportamento dos consumidores. Por exemplo, o hidrogênio poderá ser a melhor opção como combustível. E isto resultará em uma completa revolução, por exemplo, em termos de design.
"Nosso" planeta chega ao seu limite. E agora que a coisa está feia para todos, corremos atrás de soluções. Isto, por incrível que pareça, pode ser positivo. A agenda única nos debates internacionais poderá fazer os povos mais unidos. Talvez, quem sabe, todos percebam o quanto somos secundários neste mundo. Que o que mais vale não é o indivíduo, senão o coletivo. Não é o material, mas o que sentimos. Nisto, entra a Terra como um todo. O blog entra em férias. Um Natal verde para todos. Um 2008 sustentável para o mundo.

Adelcir Oliveira



Uma mini-rosa

quinta-feira, dezembro 20, 2007 · 0 comentários

ela necessitava daquela flôr

Prometo. É esse o parágrafo só que será sem assunto. Só preciso esticá-lo um pouco. É o tempo que ganho para encontrar a pauta. Se ao final dele não lograr sucesso, não sei o que será.
Uma história. Não me sinto preparado. De qualquer modo, arrisco-me. Escrever é experimentar. E se a alma gosta, logo vem um banquete de palavras. E este parágrafo já está com recheio adequado. Necessito outro.
Dois rapazes. A carência os leva àquele American Bar. Encontrá-lo não foi tarefa tão fácil. Não fossem explicações masculinas teriam regressado com algum pico de frustração.
À primeira entrada o lugar desagradou ao mais observador da dupla. Temeu adentrar pela porta dianteira. Subitamente, desejou ir embora. Estavam ali não mais que cinco minutos.
Música, bebida, maldade. Ali não era um bom ambiente. Nenhum requinte. Ausência completa de glamour. O sexo como mercadoria. Meninas pobres oprimidas pelo desemprego. Fato este que aborreceu aquele já um tanto embebecido pelo álcool.
A bela morena, destaque entre as moças. Rejeitou a bulição leviana. Andou pela casa. Não demorou, ela e sua colega de escola e profissão conversavam com os rapazes em questão.
Perguntas não recordadas. Elogios para a morena. De súbito, uma mini-rosa. Surpreendimento. A aceitação de ambas o chocolate oferecido. Duas meninas-mulheres sendo devidamente tratadas. A dupla carente fora tomada por compaixão. Mas negar que um deles arriscou tentativa de prazer é faltar com a verdade. Seu intento não obteve sucesso. Os medos da novata a impediram.
Belas pernas de fora, aproxima-se a terceira delas. Entrevistadas, relatam a necessidade do negócio. Cidade litorânea oferece poucas oportunidades. As três revelaram freqüentar escola. Nível médio. Último ano.
Carinho. Ela recebia afagos. E eram eles verdadeiros. Assustada com o ambiente, apenas experienciava. Seu olhar era absolutamente assustado...
Homens ali fingindo algum poder. Somente naquele lugar conseguem despistar a dor da rejeição. Sorriem com pseudo segurança. Aproximam-se das figuras femininas sem correr riscos. O dinheiro suado vai comprar o sexo delas. De certo, deixará ainda mais fracos os tipos masculinos. O fato é que não terão a intimidade daquelas. Jamais irão tocar suas almas, obra magnífica a se fazer em uma mulher. Talvez finjam não saber o repúdio delas por eles.
Observador, ele lhe pergunta qual homem ali a agrada. Nenhum deles, senão você. Foi o que a bela disse com outras palavras. O ego do rapaz inflou-se, pois ela falara isto como mulher. Ainda não era uma prostituta. Não passara do reconhecimento de campo. E não iria além disso naquela noite.
A dupla melancólica saiu de lá com certa indignação. No carona, o embriagado lamuriou-se. Conflitos seus gritavam. O observador mantinha-se tranqüilo. Quisera apenas tirar a moça dali. Mas compreendia que tudo aquilo não era nada mais que uma dura realidade social. Dali, saiu com a idéia de que o governo federal necessita um plano de amparo às mulheres em situação de risco social. Todas elas, as quatro meninas, sentiam medo. Mas precisavam levar dinheiro para a casa, hostilizadas que eram pela família. A luta pela sobrevivência as corrompia.
Passaram-se alguns meses. Surge o texto que fora esquecido em canto nenhum. Estará aquela bela e frágil morena deitando-se com homens pouco escrupulosos? Um desejo de voltar lá o invade. Se vai fazê-lo ou não, dependerá muito do espírito jornalístico que o domina. De certo, seria muito interessante tal empreitada. E claro, não se pode negar, sua alma sente algum arrepio ao pensar naquele rosto assustado. Ela mereceu a mini-rosa, precisou dela...



O Arnaldo me ajudou

· 0 comentários

O Arnaldo me ajudou. Eu fui ao show, não era no Brás. De sua boca ecoaram belas canções com poesia. Ali, tranqüilos, eu e a pequena Jô no Sesc Vila Mariana. No palco um ser humano que produz arte com grande talento. Arnaldo Antunes me ajudou. Hoje as palavras que em mim estavam reprimidas, pouco a pouco me abandonam. Agradeço ao cantor o bom show e o tapa nas palavras minhas.
Música de qualidade. Acho que já mencionei que está é uma das maiores invenções do ser humano. E a beleza do que se pode ouvir não distingue sexo e suas preferências. A música é algo democrático.
Entre algumas canções, almas agraciadas pela bela voz de Arnaldo, que sem dúvida vem de sua alma que parece ser bela. Aqui se misturam elogios e agradecimentos. A poesia do ex-Titãs ajudou a aquecer a alma minha um tanto quieta. Sim, é verdade que até arrisquei alguns parágrafos. Mas eles não atingiram mais do que algumas poucas linhas. Todas virtuais. Por fim, ou pelo enquanto, eu desisti. E pensei que fosse assim. Daí, tive a certeza do cansaço, ou do descaso. Concluí a necessidade de férias. E agora que elas já se aproximam, Arnaldo apareceu e me deu uma mão. As palavras agora já não estão tão reprimidas. O Arnaldo me ajudou.



Sonhadora Eterna

terça-feira, dezembro 18, 2007 · 2 comentários

poesia no blog

Juliana Benício

Busquei em muitos lugares este brilho Criei conceitos e defeitos em mim mesmo. Mais tristezas que alegrias... Seriedade demais a bobas mentiras...Felicidade demais para tamanha ira...
Aprendizagem eterna... Quem sabe saudade eterna. Quem sabe verdade eterna... Quem sabe tristeza eterna.
Talves isso passe. Talvez isso embasse o meu futuro. Queria o nosso em troca do meu. Queria a chance da chance de dormir e sonhar de novo.
O sonho não se repete. O sonho não se controla. O sonho não se inverte. Um sonho não se continua. somente se renova.
Sem palavras para as palavras que foram ditas. sem tristezas comparadas a todas as alegrias...Quem tem a sorte de ser a sorte ao seu lado?
o meu travesseiro te liga no meu pensamento.o meu pensamento me guia naquele silêncioaquele silêncio me lembra a lembrança de algo aqui dentro.
Já não consigo Durmi imploro tudo isso dói preciso sonhar de novo!


Juliana Benício, 19, universitária - Propaganda e Marketing - UNIP



Blog em debate

segunda-feira, dezembro 17, 2007 · 0 comentários

leitora se queixa de textos obscuros

O blog faz uma enquete. Textos melancólicos seguem na frente ao lado dos reflexivos. Lamento informar ao leitor que tal pesquisa não vai balizar o que escrevo. Pois o ato da escrita é feito aqui, por este que aprende, com a alma sua. Daí podem questionar por que então o blog indaga o leitor sobre suas preferências. Respondo a seguir.
A idéia surgiu de uma reclamação de determinada leitora que não me permite divulgar seu nome. Reclama de tantos textos obscuros. Pediu-me que fizesse uma enquete para saber se agradava ao leitor. Também disse que eu não reclamasse de baixo ibope. Lembrei-lhe de que o índice de audiência aqui é desimportante. Este blog pauta-se pela qualidade de seus leitores. Atinge algumas almas, que sustentavelmente se multiplicam.
O fato é que escrever é feito de fases. Adentrei por um período absolutamente introspectivo que resultaram em textos obscuros. A verdade, perdoem-me os leitores, é que tais textos eram para apenas uma pessoa: eu. Contudo, dada as igualdades entre os indivíduos, algumas composições agradaram e produziram até emoções. Por outro lado, deixou de agradar a alguns. A cara leitora se manifestou nesse ínterim. E contribui grandemente para o crescimento deste sincero blog. Surgiu, então, a idéia para uma nova seção a ser inaugurada em 2008. À leitora em questão, o blog agradece. Quanto à minha fase introspectiva, parece que se foi.



Os videogames

quinta-feira, dezembro 13, 2007 · 0 comentários

Adalton Oliveira


Os videogames, com pouca margem de dúvida, estão na fronteira do conhecimento no campo da Ciência da Computação. E mais que isto, representam a indústria de entretenimento que mais cresce na atualidade, com seu grau de penetração, que parecia limitado às gerações atuais, acentuando-se dia a dia entre pessoas com mais de quarenta anos de idade. Em termos técnicos, espanta o nível de realismo que alcançaram. Um exemplo é o jogo de tênis do Wii, pertencente à Nintendo, no qual o jogador deve executar a movimentação real de uma partida de tênis, havendo casos de indivíduos que desenvolveram problemas ortopédicos em razão dos movimentos realizados.
A interação é qualidade imanente de qualquer jogo, pois apenas por meio dela ele faz sentido. Mas, nos atuais videogames, a interação se apresenta potencializada quando indivíduos de todas as partes 'encontram-se' para jogarem determinado game. Ou seja, o videogame parece favorecer a sociabilidade dos indivíduos, ainda que ironicamente seja ela mediada por uma máquina e ocorra num mundo que só existe por meio de uma tela de computador. E a partir daqui, coloco uma série de questões que me parecem cruciais: o quanto o virtual do videogame se torna real e o substitui, dito de outra forma, o quanto as relações virtuais no processo de socialização presentes nos modernos videogame se tornam fontes de comprometimentos emocionais tão ou mais importantes do que as reais? Em termos psicossociais, o quanto isto muda os padrões de sociabilidade? E qual o papel e a finalidade dos jogos, seriam eles apenas uma atividade lúdica ou são eles um instante revelador de uma fase vivida pela sociedade (e aqui não importa se são ou não eletrônicos)? A partir daí, o que há de moderno neles, no sentido de algo que rompe com o passado e que se opõe aos gostos tradicionais, causando estranheza e polêmica? E o que há realmente de novo nos jogos virtuais em relação aos jogos dito tradicionais? Sobre esta questão, penso que nos jogos tradicionais, nós podíamos inventar as brincadeiras ou modificar as existentes, ou seja, a criatividade era elemento potencialmente sempre presente. Nos jogos eletrônicos, parece que estamos limitados a decifrar os segredos postos pelo programador. A criatividade parece colocada de lado, pois não há saídas alternativas, e tudo parece ser uma questão de habilidade, de aprender a jogar (e, uma vez aprendido a jogar, perde-se o interesse no jogo; o que configura o alto grau de obsolescência na indústria do videogame). Quando muito, os jogos eletrônicos nos submetem a 'testes de inteligência', medindo nosso raciocínio, nossa capacidade de dar respostas rápidas, num exercício em que "a elaboração do pensamento, a meditação, a ponderação, dão lugar, mais comumente, à indução", ou seja, à inferência conjectural que se alimenta da regularidade e que permite tirar conclusões a partir das experiências anteriores.
Para uma criança, o videogame tem certamente um caráter lúdico. Mas, para um adulto este caráter parece ser transcendido, ganhando contornos de alheamento. Para o indivíduo adulto, o videogame é, muitas vezes, uma fuga da realidade frustrante; ainda que, como na vida real, possamos ganhar ou perder no game, neste, diferentemente daquela, o recomeço é sempre possível. Sempre há uma segunda chance. E é interessante perceber que na sociedade moderna (ou pós-moderna, como alguns preferem), marcada pela frustração, pela despersonalização, o videogame ganhe mais e mais espaço, já que por meio dele podemos assumir uma outra personagem, um avatar (palavra de origem hindu, que significa reencarnação), uma personificação nossa; porém, muito mais exitosa, mas infelizmente virtual.
opiniões opiniones



Dentadura mole

terça-feira, dezembro 11, 2007 · 1 comentários

a resignação dele com o individualismo por aí

Pedi à dentista que não raspasse a minha gengiva senão amoleceria minha dentadura, mas ela raspou... Foi mais ou menos isto que ele me falou. Ouvi suas palavras e olhei aquele rosto que se repetia à minha frente enquanto me deliciava com um suco de uva.
Não fosse a falta d’água, eu teria temido que ele me pedisse para lhe pagar outro café. À morena de olhar sensual, pediu-lhe água. Informado da falta do líquido desejado, perguntou o preço de um copo de mineral. Foi quando receei que ele me solicitasse pagar sua pequena conta.
Nesse ínterim, trocou algumas palavras comigo. Algo que me falou sobre a dentista do hospital público inquietou-me. Ela raspou a gengiva. Não tava nem aí. Tem sua vida própria... Naquelas palavras de resignação, vi um certo desencanto pelo o modo de vida individualista que nos é imposto. Não posso afirmar que tenha sido descaso da dentista. É bem provável que sim. Mas por que não indagar se foi por incompetência que a dentista amoleceu a dentadura do nosso personagem?
Agradeceu-me o café de outro dia. Informei-lhe que hoje a bebida escura não está sendo servida. Ele pareceu-me, por um momento, querer demonstrar que não me pediria outro café. Foi quando emendei: Não tem água.



Spray da maldade contra si

domingo, dezembro 09, 2007 · 0 comentários

25Out2007 Se escrevo agora, é para fugir. Não apenas das pessoas que aqui estão, mas principalmente de mim. Nos dias que se seguiram próximos a este, eu fui meu maior algoz. Exemplo certo de discreta auto-destruição.
Nós seres humanos temos essa capacidade de nos aniquilar. Mas o pior é quando o indivíduo não se dá conta disto. E talvez isto se dê com a maioria. Mas há aqueles que despertam. Reconhecem em seus atos auto-nocividade. E ainda assim seguem inseticidas.
O problema é que o spray da maldade não é um recipiente marcado para acabar. Ele se auto-alimenta. E quanto mais é usado, maior ele fica. E aí o cheiro se espalha, toma conta. As gotículas cinza são constantemente renovadas. E parecem não mais se evaporar.
Mas há saída. Existem caminhos. Você vai precisar dominar o frasco. Sacudi-lo firmemente. Ver de frente. Sentir e reconhecer o odor horrendo de dentro de si. Se assuste! Tudo bem. Faz parte. Fique com medo. E até desista. O que vale é que muitos vão prosseguir na luta. O frasco continuará lá, pronto para ser sacudido. Louco para que sua válvula seja pressionada. Recicle-se.



Congestionamento de sentimentos

sexta-feira, novembro 30, 2007 · 0 comentários

Início de Novembro Essa mão insistente. A caneta paciente. Alma turva. Olhar sem vontade. Uma carência corrosiva. As pautas a serem preenchidas. Essa é a parte da pintura do quadro. Olha para o lado, cadê tinta com cor?
O túnel segue iluminado. Por ele vai o trem. A pouca alegria restante percorre vias escuras. Há um congestionamento. Outras substâncias dificultam a vida da serotonina.
Quem sabe cada palavra aqui é um membro da tropa que trabalha por alívio. Uma ferramenta para descongestionar sentimentos. Estes são criados pelas substâncias. Nisso se dão os casos de ausência.
Nesse texto obscuro se encontra a escuridão de quem não se enxerga no breu. Mas é possível identificá-lo. Alguns poucos conseguirão.
O desejo por olhos cerrados. O congestionamento cinza. Abatimento percebível. Poucas vontades. Vai o trem no túnel. Escuro. Faróis acessos que iluminam o caminho. Vai o trem diferente. Sem congestionamentos. No escuro, sim. Mas com luz para iluminar. O trem vai bem diferente...



A volta do rapaz da palavra

quarta-feira, novembro 28, 2007 · 1 comentários

26Non2007 Parou em frente ao balcão. Cumprimentou-me. Fitei-o com olhos serenos. Lembra de mim? Meu silêncio o fez explicar-se. Sou o cara da palavra. Sorri este momento cinematográfico. Achei tudo muito fantástico.
Naquele exato momento tive a certeza de ele trazia a lembrança da palavra. Bate o indicador na madeira e informa, sem se lamentar, que ainda não lembrou-se dela. Sorri mais uma vez. Era a segunda oportunidade para eu saber afinal de contas que palavra é a que ele procura.
A minha ansiedade. A terceira parte desta história, e também o esclarecimento ao leitor estão nas mãos do cara da palavra. Seremos saciados apenas se ele resolver voltar. Quem sabe com a palavra, ou apenas para me fazer escrever outra crônica...



Reflexões a respeito do perdão

· 1 comentários

Adalton Oliveira

Constantemente, vemos nos meios de comunicação relatos acerca de crimes hediondos que nos chocam e nos fazem pensar sobre a natureza humana, capaz tanto de atos magnânimos como de ações da mais profunda vileza.
O perdão está entre as atitudes do primeiro tipo, o que nos leva a algumas indagações: merece ser perdoado quem pratica crimes bárbaros? E a quem cabe perdoar, o ofendido ou a sociedade? Perdoar significa esquecer? Seria o perdão incondicional?
Perdoar é uma prerrogativa daquele que sofreu a injúria, somente ele tem esse direito. Eu não posso perdoar o que o fulano fez ao beltrano, pois foi este o ofendido, não eu. Assim, muitos dos crimes que temos notícias não podem jamais ser perdoados, pois o ofendido já não tem mais condições de fazê-lo. Mas, a sociedade – em especial, a nossa – não age de acordo com esse preceito, já que aqui a impunidade é a regra vigente.
O filósofo francês, Jacques Derrida, tem interessantes insights sobre o assunto. Para ele, o perdão é condição imprescindível para a reconciliação, para a continuidade da vida. O perdão deve parecer impossível e, neste sentido, ele só pode ser concedido ao que é imperdoável (o restante, nós desculpamos). Afirma Derrida que perdoar não significa esquecer: o perdão não é o apagamento da culpa; é preciso manter sempre a ferida aberta, é preciso que o ato perdoado continue sendo sempre imperdoável e, portanto, o perdão é ato incondicional, pois não existem condições para a sua presença. Ainda que isso pareça mais um jogo de palavras, conduzindo-nos a aporias, a becos sem saída, Derrida parece querer mostrar a extrema dificuldade presente no ato de perdoar e o perigo que há entre associar perdão à impunidade, ao esquecimento. Como dizia ele, "os homens não têm o direito de subtrair o - ou de se subtrair ao - julgamento, qualquer que seja o tempo decorrido após cometer a falta".
No Cristianismo, Deus é a última instância do perdão. Perdoar é antes de tudo um ato divino, algo infinitamente distante dos homens. No entanto, o perdão divino não significa esquecimento, pois, no momento do Juízo Final, todos serão julgados e punidos por seus pecados. Voltamos assim ao ponto tratado por Derrida: perdoar não é sinônimo de impunidade. E de fato, aos homens cabe a liberdade de agir, ou seja, somos livres para escolher praticar essa ou aquela ação e, portanto, somos responsáveis pelas conseqüências dela. E é bom lembrar que só cabe perdoar a quem agiu livremente, a quem fez o mal de propósito.
Mas, o que significa afinal perdoar? Perdoar é deixar de odiar e entender o ato do outro enquanto ação humana - com todas as imperfeições que esse qualitativo traz consigo e com todas as condicionalidades (as razões) presentes na injúria; perdoar é o triunfo da misericórdia sobre o ressentimento. Mas, não é esquecer, pois o passado é irrevogável. E não significa impunidade. Punir não é um ato de ódio, é sim, antes de tudo, um ato de justiça.
Por fim, se não quer precisar ser perdoado, siga o imperativo kantiano: não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você.

opiniões opiniones

Muito interessante a reflexão. Ontem, atendendo aos pais de uma de minhas clientes, perguntei-lhes se concordavam em terminar o tratamento psicoterápico de sua filha, uma vez que eu já não via mais razão que fundamentasse a queixa inicial.O pai, homem simples e de poucas palavras, expressou com seu corpo uma discordância. Percebendo sua resposta não verbal, eu disse que havia percebido que ele parecia preocupado com a alta da filha. Cabisbaixo, ele perguntou-me se o fato de não ter dinheiro poderia ter levado sua filha a ter "problemas". Eu lhe respondi que, até certo ponto, sim. Mas, o que supria esta falta era a riqueza do carinho que ele expressava por ela. O pai começou a chorar silenciosamente e disse que se sentia culpado por não poder dar a filha o que ela queria quando criança. Esta história trouxe à tona a questão do perdão em nossa conversa informal. Acolhendo sua dor de pai eu lhe disse que a culpa só poderia ser sanada com o perdão. Ele precisava se redimir do que sentia por si mesmo. Isto só seria possível considerando tudo o que havia dado à filha enquanto pai e amigo. Incentivei-o a pensar sobre as expressões físicas de carinho que ele dava a ela. Percebi o peso da culpa e a necessidade que ele tinha de sentir-se perdoado por uma falta que, no fundo, não era sua. Mas, como convencê-lo disto? Talvez o primeiro passo fosse acolher a sua dor como parte de sua história. Abracei-o ao despedir-me. Bela reflexão.

Sandro Oliveira - Psicólogo



Divagações de um sujeito

terça-feira, novembro 20, 2007 · 0 comentários

14NOV2007 O sujeito entra no lotação e não é desejo seu olhar e ser olhado. Senta-se aliviado das dificuldades impostas pelo corredor estreito. Mira seus olhos lá fora, mas seu olhar está dentro de si. E o que vê é um aborrecimento que lhe tornam tensos os músculos. Conclui que é melhor deixar fluir as emoções. Parece que assim ele fecha acordo com a alma.
Lembra-se de pessoas. Um desagrado lhe invade. Deseja destilar veneno em um texto. Está praticamente certo da intenção. Mas quando toma caneta, papel e atenção, vê-se enveredar por outros caminhos que no momento lhe parecem mais satisfatórios.
À sua letargia somam-se desânimo e sono. Não demora muito, seus olhos se fecham. E o momento em que dorme é, por assim dizer, quase que vital. É, na verdade, um modo de ausentar-se.
Se a vida também é feita de pausas, escrever não lhe parece diferente. Só depois é que tomará novamente equipamentos e ingredientes para escrever.
Lembrou-se do irmão que se casou recentemente. Das emoções que sua alma lhe ofertou. De toda a tensão causadora de um sono profundo quando se refugiou em quarto seu.
Também visitou o campo da memória o suposto flerte que teve com ela. A graciosidade dela e sua risada gostosa. Um certo desprendimento e serenidade que o encantaram. Recordou-se de mais pessoas. Muitas das quais se esqueceu, totalmente, no ato da escrita.
E o seu dia ainda não se foi. Ele se dá neste momento. Felizmente, diversos desconhecidos passam por ele. Há alguns dias descobrira a importância deles. Ignorou discursos de ódio aos “estranhos”. Não é o caso de gostar de todos. Nem se trata de uma busca por admiração e aplausos. Ocorre que a má vontade com os desconhecidos praticamente se foi. Com ela, parte do medo do outro se extinguiu...



Onze vezes ao dia

domingo, novembro 18, 2007 · 1 comentários

como sofrem os homens comuns

Ao final do dia a avó dela já tomou a décima primeira dose de sua medicação diária. A neta brinca ao balcão da lanchonete, fazendo uso de uma analogia. “Ele é igual ao remédio da minha avó, de tanto que me telefona”. O rápido papo se deu em meio a mais um café forte, desta vez sem pão de queijo. O diálogo foi o tempo de uma xícara. Desejei subtrair-lhe mais informações. Contudo, café demais não é lá muito agradável.
A morena, com seu bom humor e certa dose de sensualidade, respondeu à minha pergunta a respeito de seu final de semana. “Sim, beijei”. Mas não lhe foi bom, pois o rapaz era “pegajoso” demais. Reclamou do exagero de beijos. Da necessidade dele de falar tão juntinho.
Algo que as mulheres costumeiramente reclamam é a falta de atenção do parceiro. A moça em questão reclamou exatamente do exagero disto. Certa vez, uma mulher revelou-me que elas precisam sentir uma certa insegurança. Certeza demais deixa a mulher sem vontade. Ela necessita de algo que a faça esforçar-se para manter seu homem. Daí que muitas se entregam de um modo ímpar.
Por outro lado, a mulher quando confia no homem com quem está, ao que parece, entrega-se fartamente. Foi assim com ela. Apenas abriu todas as porteiras quando percebeu a certeza dos meus sentimentos.
Isto posto, mostra o mistério feminino. Num filme, lembro-me que o galã disse que temos que ser um homem para cada mulher. Não deixo aqui concordância ou não. Que não é possível agradar sempre, é fato. E que sempre erramos, é mais fato ainda. Enfim, para nós homens comuns a vida sexual não é lá tão fácil. Não nos bastassem ausências de diversos atributos que atraem as mulheres, ainda somos incorrigivelmente equivocados em alguns flertes, senão em quase todos.



A palavra esquecida

quinta-feira, novembro 15, 2007 · 0 comentários

O rapaz parou aqui. Pediu por dicionário. Presunçosamente, perguntei-lhe qual a palavra. Tentou recordar-se. Fez esforço inútil. Indagou por livrarias abertas. Shopping é opção que o desgosta. Permaneceu ali. Sua verificação na memória não lhe trouxe resultados. A mulher, com ausência de delicadeza, tentou obrigá-lo a dirigir-se a uma das bibliotecas nas estações do Metrô. Ele questionou o funcionamento delas no dia de hoje. Avisou-a de que estamos no feriado de 15 de novembro. Grosseiramente, ela deixou claro saber disto por ser professora.
A professora indelicada. O rapaz esquecido. Eu e a palavra não lembrada. Esses quatro elementos compunham a história. E a única que não atuava era a palavra. Apenas por ter sido esquecida. Mas ela, recordada ou não, permanece intacta. Enquanto os outros três que eram apenas figurantes, de modo algum permaneceriam os mesmos. Lembrados ou não...



O branco como espelho

segunda-feira, novembro 12, 2007 · 0 comentários

Olhar para o espaço branco. Tentar ver nele o reflexo dos meus sentimentos. A construção da imagem do que estou é dada por palavras. O ato é carregado de frustração, incertezas, e um desejo forte pelo abandono da empreitada. Mas isto é natural. É a certeza de que não conseguirei fazer a pintura exata de como estou neste momento.
Ah, como eu queria ser apenas observador de mim! Sair desse meu eu. Observar meus equívocos, tensões, desesperos e gritos da alma apenas para escrever a respeito. Mas esse “pote de sentimentos está até aqui de mágoas”. E essas mágoas pulam em momentos diversos...
Sei que eu estava ali. Peço licença ao leitor para ser obscuro. Não é desejo meu escancarar fatos. Quero mesmo é destilar sentimentos. E eles, que fazer, são de uma melancolia que não chega a doer, mas incomoda pela existência. Em estados assim, parece-me que uma pane nos sentidos seria a única solução. Mas estas quase sempre são definitivas. Fiquemos com o sofrimento...
Lá. As lágrimas pediram passagem. Os músculos da face não sei se trabalhavam pela permissão ou não. Mas o líquido salgado ficou guardado. Quem sabe, uma explosão de lágrimas me faria melhor.
Tudo muito belo. Romantismo. Flertes com outras épocas. A carruagem trazendo a bela dama. Momento este que deixou convidados boquiabertos. Uma surpresa para todos.
Eu ali. A tensão comigo já fazia tempo. Ela minava minhas palavras e boa vontade de forma avassaladora. Mas isso é um conhecer-se. Esses momentos em que certas realidades se mostram sem dó fazem deste que escreve alguém mais fraco...
Mas sorri, sim. Conversei. Fui pró-ativo. Mas aquela sensação de observação. De crítica. Um incômodo pelos possíveis comentários delas. Duas. E também vê-las como quem se considera um Tribunal da Inquisição. Quantos elas mandariam para a fogueira! De certo, eu seria um deles.
Mas sabe, eu até abracei a compreensão. Pensei que realmente é difícil ser gente. Assim como somos. Nessa realidade que construímos. Parece que há um aborrecimento coletivo. Um desamor por si. E então tantas caras viradas, tanto medo por um simples cumprimento.
Isso são amarras. O indivíduo vive num cerco feito pela sua mente adoecida. E esta delimita seus atos. A gente até tem prazer em condenar. Mas é um jeito de acreditar certo alívio. Ilusão que a mente cria. Uma forma de nos manter presos. Daí, o indivíduo embarca num mar de crítica aos alheios. Abraça este comportamento. Não sabe que é ele o grande condenado.
Lá. O passado apresentado. A sensação da fugacidade da vida. O tempo que sempre já se foi. E o medo pela possibilidade inequívoca do não aproveitamento da vida. No fim, pensando bem, é bom. Isto, quando visto por outra perspectiva. A mesma que me fazia infeliz ali em meio à Serra. A brevidade da vida, em momentos assim, é como um bálsamo. Triste, o indivíduo abraça a certeza de logo passará. Logo descansará...



Onda fatal

domingo, novembro 04, 2007 · 0 comentários

a fatalidade não escolhe personagens

Ele bebeu cerveja, riu, afiou os laços. Pouco falou. Estávamos à mesa de bar. Homens e mulheres. Todos jovens. Sul de Minas Gerais. Beira da estrada, que agora está concedida à iniciativa privada, o que é bom.
Não me recordo ao certo, um ou dois dias eu regressaria a São Paulo. O rapaz taciturno planejara sua volta para aquele mesmo dia, não sem antes rever sua namoradinha, o que faria seu amigo esperar em casa de mineiros. Pela mesma casa passei também. Lá, o amigo constrangeu-se com a insistência tipicamente mineira para que jantasse. Até hoje não entendi por que os mineiros insistem tanto para que comamos. E se já nos servimos, fazem questão que repitamos o prato.
Retornei para o sítio em que me instalara. Não vi mais aquele que mencionei no início. Foi bom estar à mesa com aquela turma. Se no início eu pouco falara, vi a completa mudança após livrar-me de amarras interiores. A dupla de amigos também mudou. Tratou-se de uma metamorfose coletiva das percepções.
Passaram-se os dias. Mantive contato com a parenta que me recebera em seu confortável sítio. Os rapazes, não os vi mais. Quase que diariamente falei com a minha anfitriã. A tecnologia tornou possível a troca diária de palavras. Numa dessas conversas, a trágica notícia. O rapaz de poucas palavras e sorriso sincero. Estava na praia. Parado, não sei se olhando o mar, as meninas, o nada. Uma onda gigante veio e o pegou. Fez de seu corpo mero boneco. Jogou-o sobre uma pedra. Bateu-lhe a cabeça fortemente. Morte instantânea. Na trama, o que ele via, a onda e a pedra. Esta última fez o trabalho final com sua dureza. Surpreendi-me com a notícia de sua morte. Nessas horas a gente pensa que podia ser qualquer um de nós. A vida tem disso. As fatalidades sempre vão ocorrer. Com qualquer um. Não há escolhas.

opiniões opiniones

Adelcir, essa história é real???? Me comoveu!
bjinhos
Má (Maria Olímpia, leitora convidada
)


Resposta do autor
Sim, Má! Essa história é real. Também me comoveu. O cara era muito boa praça...Bjs



Veneno que volta

quarta-feira, outubro 31, 2007 · 1 comentários

no final de tantas críticas, você pode ser o real motivo

É um problema quando não nos percebemos. Ela, por exemplo, desacredita na bondade do ser humano. Constrói seu discurso da negação diariamente. Em suas palavras um amargo difícil de suportar. E o pior, ela acredita razão em tudo que diz. Se o ser humano tem dois lados, nela o positivo queimou.
Daí vem outra pessoa. O discurso da bondade. Ignorância confundida com bons sentimentos. No caldo, uma baixa auto-estima de família. Um ambiente de imbecilidade. Pessoas que não crescem, não somam. Não existissem seria a mesma coisa.
O giro prossegue. O encontro com algum outro indivíduo não veio. Travou o sistema. Não, foi engano. Há a recordação de um grupo inteiro. São pessoas. Seres humanos. Vítimas de mentes doentes. Um exemplo de comportamento aprendido. Letargia nas ações. Vozes lentas. Educação fingida. Ausência de assunto. Arapucas armadas. E em todos, uma infelicidade hereditária. Vilões? Seus maiores inimigos são eles próprios. Enfim, melhor cessar a destilação desse veneno. Vai ver que lá no final do túnel obscuro esteja essa pessoa. Eu. Alvo.

opiniões opiniones
Brother, cê tá kafkiano!Tá SHOW!Abraço
Alan Davis, fotógrafo, membro do Conselho do blog



Ilustração de insatifações

· 0 comentários

o que resta são mercadorias

Hoje quero um texto diferente. Já deixo isso bem claro logo no início. Nada de artimanhas para fugir de obstáculos. Vou de frente. E se eu der com a cara na porta, tudo bem. Nem sempre somos bem vindos. E quase nunca a oportunidade surge à nossa frente.
Eu queria encontrar palavras a fim de gerar identificações. Há um modo de fazer isto. Basta retratar a realidade de alguém. Ok! Peguemos quatro delas. Dessas, ficar apenas com uma. Ou optar, no deslizar da caneta, por nenhuma. Dar o texto por encerrado. Admitindo a desistência.
Vamos pensar nas mulheres. Consideremos as diferenças sociais. Peguemos a realidade de uma delas emprestada. Aos seus 19 anos só deitara-se com um homem e dele se aborrecera. Essa menina vestiu saia e salto alto. Precisava findar com as hostilidades dos irmãos, levando dinheiro para casa. Foi o único jeito que conseguiu...
Imaginemos “uma noite sobre a Terra”. Para quem já assistiu ao filme de mesmo nome, fica mais fácil. Então, outra mulher. O casamento como uma prisão que a anestesia. O marido que a vê somente como mãe dos filhos. Ousadias entre quatro paredes, nem pensar! Aliás, sexo com a esposa já não existe. Preferível pagar por fora. Só assim sente prazer. Ignora o vulcão dentro de sua esposa.
A mesma noite. O país é grande. A terceira mulher sem saber de fato o que quer. Paixão pelo marido não mais. Sexo com ele, de modo algum. E não é que lhe falte libido. Ela quer sexo é com outro(s). E até o fez recentemente. Não foi como esperava. Mas uma sensação de poder lhe dominou. Se durou muito ou pouco, não é sabido. O fato é que essa mulher de classe média, assim como a anterior, vive dias enfadonhos. Um vazio é quase o seu todo...
Agora, a busca pelo quarto elemento. Já o tenho. E ele é opção para que não tenhamos a sensação de que as personagens aqui são vistas como vítimas. Exceto a primeira que segue em vulnerabilidade social. Que procurou emprego, mas no litoral a coisa é mais difícil. E se hoje ela toma um simples banho é porque a amiga lhe oferece chuveiro e sabão. Aliás, ambas tentam ser colegas de “trabalho”.
A quarta mulher. É infeliz. Absolutamente vazia. O marido é ainda mais vazio. Seus dias são assim: um nada. O ciso é falso. O brilho no olhar não perdura. A insatisfação com seu corpo. A não aceitação de sua pouca erudição. Alguns pulos fora do matrimônio. A confissão. O grito masculino. A dor pintada de outra cor. E os dias de um cinza desagradável... Insuportável... Tal qual a presença do casal. Ambos patológicos.
O que temos aqui são realidades postas. Não se tratam de casos isolados. É o formato que definiram para as pessoas. Parece que fizeram lá umas conferências. Tramaram como deixar as pessoas o mais insatisfeitas possível. Daí, lhe oferecem uma pseudo-saída. Na verdade, um paliativo que é alimentado pela insatisfação que se vai e volta. E ela deve voltar sempre. Esse é o preceito principal. E assim, só assim, o indivíduo consome. Daí, seu deus maior: a mercadoria.



Chute na pedra

domingo, outubro 21, 2007 · 1 comentários

o blog na escola

Era a primeira vez. Ele adentrou a escola. Alunos o esperavam para debater textos, entre outras coisas. O improviso era a sua marca. Não se preparara. Nada havia decorado. Desejava que fosse assim. Mas levava consigo a certeza de um recado para tantos pequenos consumidores...
São Bernardo do Campo. Uma escola estadual. Na classe, a falta de conforto e decoração de bom gosto. Um cercado de paredes nada convidativo para os alunos. Mas isso não é uma crítica exatamente àquela escola, senão um comentário de quem deseja que todas as escolas públicas tenham bom nível educacional, bem como um ambiente aconchegante e agradável a todos.
Meninos e meninas. Ensino fundamental. 6ª e 7ª séries. Alguns poucos interessados no fato. Outros preocupados com a bagunça. E até aqueles cujas almas estavam em alguma brincadeira que viria ou que se fora...
Ao seu lado, a organizadora do evento, a professora de leitura, Lílian Guimarães, que também é revisora deste blog. Poucos alunos se manifestaram. Ao autor deste blog foram entregues dois textos. Um deles, da aluna Renata, 16 anos, que foi premiada com uma caneta para seguir escrevendo. Destaque para a pequena Emily, que se mostrou comunicativa, e também com uma ótima capacidade de comunicação. Uma boa debatedora. Talvez uma futura jornalista...
O que mais interessava ao autor não era estar simplesmente ali para tecer palavras sobre o blog. O desejo maior era apertar o play. Dar início a um propósito seu. Este que ainda é resguardado e que é mencionado em alguns textos vez ou outra.
De frente para ele, consumidores. Pessoas adormecidas. E não vale a observação de que se tratava de crianças. Neste sentido, os adultos não seguem nada diferentes. Muitos, quase todos, senão todos, com a salvação diminuta de alguns, seguem mudos, cegos e surdos. E as empresas estão aí, deitando e rolando. Fazendo da natureza uma “vítima” das garras do capitalismo. Tudo bem. Eles lucram muito. A natureza permaneceu um tanto silenciosa. Agora, o que temos é um futuro duvidoso. Não se sabe ao certo o que será. Talvez chegue o dia que não seja. E assim, cessarão os problemas paras os homens. Quem sabe a natureza dê um jeito de preservar este planeta, que nada mais é do que mero detalhe em um mundo tão vasto e desconhecido. Mas essa volta pelo meio ambiente desviou um pouco o rumo deste texto. De qualquer forma, o recado foi dado. Ali, sentado sobre a mesa, o autor do Opiniões & Crônicas, em um momento que lhe agradou muito, falou de modo sério aos alunos. Questionou os pequenos sobre quem tem o poder de fato. A resposta positiva não significa nada mais do que mera concordância sobre a pequena explanação anterior. Mas é um começo... Um chute na pedra... E elas são muitas...

opiniões opiniones

Estou extremamente contente com a nossa aula (rs). Fazia muito tempo que não me sentia tão gratificada e realizada no trabalho. Mas o motivo maior desse e-mail é confessar que me emocionei em uma determinada parte da aula (não sei a sua reação), mas no momento em que a aluna lia o seu texto, me bateu uma forte emoção. Talvez deve ter sido de naquele momento você ter se transformado em um escritor de peso, seu texto registrado no caderno dos alunos, estudado e debatido por nós com a sua presença. Enquanto a aluna lia, eu viajava nos meus pensamentos, tanto que quando interferi no término da leitura, saiu meio que de improviso, meio inseguro, o meu comentário. Ainda não tinha voltado plenamente e fiquei uns minutos sem lembrar do que eu falaria, da razão que pedi pra aluna ler, mas logo retomei e disse com segurança o que queria. Foi um momento único da minha carreira essa experiência, que sempre me lembrarei. Obrigada pela parceria
Lilian Guimarães, revisora do blog



Uma sociedade de voyeurs

terça-feira, outubro 16, 2007 · 0 comentários

Adalton Oliveira

A internet, a despeito de todas as vantagens que trouxe, parece tornar realidade a fantasia orwelliana do Grande Irmão, imaginado por George Orwell em seu livro 1984. Aquele que a todos vigia, o panapticon, o monstro de mil olhos, habita o mundo virtual, espionando a todos, sem exceção. Na rede virtual, não existe privacidade e a informação pessoal torna-se mercadoria valiosa. Fornecemos nossos dados sem saber que destino será dado a eles. Fazemos compras em determinado site para em seguida termos nossa caixa postal atolada de e-mails inúteis, vendendo todo o tipo de serviço e bugiganga. Como sugeriu recentemente a economista norte-americana, Esther Dyson, "[na internet] a informação, os serviços, os conteúdos não são diretamente pagos em dinheiro, mas em tempo, em atenção, em dados pessoais e no consumo de outros produtos". Nada a espantar, pois em um mundo em que tudo foi transformado em mercadoria, não poderia ser diferente com a privacidade de cada um.
No Google, programas vasculham os e-mails trocados em busca de informações que denunciem as preferências dos seus autores. Na rede de relacionamentos Orkut, pessoas se 'desnudam', dizem abertamente o que gostam e o que desprezam. "Eu sou desse ou daquele jeito" e assim está decretada a morte do mistério, a do prazer da descoberta. Aliás, a descoberta mais provável nesse mundo é a do embuste, quando digo que sou o que não sou.
Segundo Martin Heidegger, por trás de toda técnica, há causas, usos e conseqüências encobertos, que, embora interpelem a ação humana, independem da vontade do homem. Para ele, é preciso ir à essência da técnica e ver aquilo que está encoberto (o que Heidegger chama de desvelamento). Pensada no âmbito da técnica, a rede pode ser mesmo tudo o que o homem quiser dela, pode ser a "conjugação eficaz das inteligências e das imaginações humanas", um instrumento a favor da coletividade e, por que não, o remédio que faltava para os males da humanidade. Ocorre, porém, que as coisas não são tão simples. A técnica, e especialmente a técnica moderna, "não se reduz a um mero fazer do homem". Logo, não surpreende que, mais do que para o ideal que possa ter sido pensada, a internet funcione mais intensamente como instrumento a serviço dos negócios e da especulação do capital e que espionar seja parte fundamental desse novo negócio (mais detalhes em COMASSETTO, L.R. "Internet, a ilusão democrática").
Mas, a espionagem não é um fenômeno restrito à rede mundial de computadores. Ela tornou-se um fenômeno onipresente. Andamos pela ruas espionados por câmeras, postas ali para nos garantir algum grau de segurança (em uma sociedade cada vez mais violenta, não é de admirar que as pessoas prefiram abrir mão de sua privacidade em prol de segurança - ou apenas da sensação dela). Entramos em um estabelecimento comercial e lá estão as câmeras a nos vigiar. São poucos os lugares em que não se lê o tal: "sorria, você está sendo filmado". Assisti recentemente a uma reportagem que mostrava que vem tornando-se prática comum entre as empresas lotar os locais de trabalho de câmeras, espionando seus trabalhadores, mirando o que fazem e o que dizem (e no futuro, quem sabe, o que pensam). Dessa maneira, com a louvável desculpa de busca de aumento de produtividade, cerceia-se a liberdade individual.
Vivemos num mundo habitado por voyeurs, ávidos por nossos segredos, por descobrir nossas taras e manias. Tanto é assim que um dos programas de maior sucesso hoje na televisão é sugestivamente chamado de Big Brother, a banalidade do cotidiano transformada em espetáculo. Olhar pelo buraco da fechadura tornou-se mania nacional.
Dizia Jacques Derrida, o filósofo da desconstrução, o direito ao segredo é também uma condição da democracia. Então, o que dizer de um país onde repórteres fotografam os e-mails trocados por juízes da mais alta corte e comentaristas dizem que não deve haver sigilo quando se trata de agentes públicos? Não estaríamos perigosamente flertando com o fascismo, onde todos controlam todos, onde o interesse da sociedade está infinitamente acima dos indivíduos?
Empresas bisbilhotam seus funcionários, pais vigiam seus filhos, a polícia observa por meio de câmeras os transeuntes. Estamos todos submetidos à constante vigilância. Então, sorria, pois você está sendo espionado.



Duas reformas necessárias

segunda-feira, outubro 15, 2007 · 1 comentários

09Ago2007. Inicio pela exclusão. Deixo de lado o velho parágrafo da confissão. E não revelo a dificuldade do momento. Fico agora com o que se segue na folha outrora branca. E teço o que já foi registrado. Mas não nestas linhas iniciais. Nas que se seguem...
Creio que algum assunto nacional seja de meu interesse. Por exemplo, a reforma política. Penso que o pior erro do governo Lula foi não ter feito, no início do primeiro mandato – posto que possuía amplo apoio da sociedade – a reforma política, que seria um passo contra o alto grau de corrupção neste país.
A infidelidade partidária é um mecanismo que proporciona a compra de parlamentares por parte do executivo. O próprio governo do presidente Luís Inácio da Sliva cooptou diversos membros da oposição para a sua base de apoio. O custo disto não sabemos.
O PT sugere a formação de uma Constituinte para resolver a questão. O argumento é que os atuais parlamentares eleitos nada farão que os faça perder privilégios. Nesse sentido, a formação de uma Constituinte para fazer a tão necessária reforma política tem todo o apoio deste blog.
Entre os vários pontos de discussão da reforma está o financiamento das campanhas. Até aqui, o blog possuía uma indefinição. O autor defende que o capital privado seja doado para o processo eleitoral como um todo, sem beneficiar um candidato diretamente. Assim, seria formado um fundo para aditivar as eleições em termos monetários. A divisão do bolo seria equânime com um número reduzido de partidos. O doador de recursos não destinaria verbas diretamente para um candidato de sua preferência. Contribuíria para as eleições Sua contribuição seria para a Democracia. Deste modo, não teríamos eleitos com “rabo preso” devendo favores para as empresas. A reforma política deve ser exigida pela população. Mas ela só não basta como ferramenta de combate à corrupção. É preciso também reformar o eleitor brasileiro. Para tanto, é necessário investir em educação, bem como a democratização dos meios de comunicação.

opiniões opiniones


Aiii ki luxo teu blog...rsrssrBju saudades

PINK, estudande de jornalismo



Improvável

sábado, outubro 13, 2007 · 0 comentários

Eu desci do ônibus. A calçada recebeu meus olhos. Um sentimento forte. Um desejo não sabido. Algo em mim. E o mundo para sentir. De certo, eu sabia que podia escrever. Ou deveria fazê-lo...
Por um lado, o anseio por algo belo. O oposto de mim. E uma vontade em tecer uma crítica. Num intervalo de minha alma, a reflexão acompanhada de compreensão.
A escolha é feita. Quem apostou na beleza, perdeu uma vez mais. De certo, não será a última. Também, não se trata de uma derrota solitária. Perder já se tornou trivial. E isto não é exatamente ruim. O motivo será repetitivo afirmar.
Lembro-me daqueles que perdem diariamente a cada dia. Pessoas que, levadas por uma mente insana, semeiam a discórdia. No semblante, no cumprimento, a sonegação de um sorriso. Na expressão de desprezo, a confissão de seus sofrimentos internos. Se me desagrado com pessoas assim, é que ainda não as entendi completamente. Se é que também não vejo um pouco de mim nelas. Não um eu de agora, mas sim um que se expressou no passado.
Condenar, julgar, é mais fácil. Chega a ser prazeroso. Mas não é o caminho melhor. Entender, refletir, tomar o indivíduo como objeto de observação, é de muito maior valia.
Escrevo e penso em pessoas. Estranho ver tanta frustração em jovens. Quem sabe um dia eles se desprendem das amarras do mundo. Talvez, não seja impossível que alguns deles percebam a superficialidade de um “simples” filme hollywoodiano. Ou quem sabe, suas almas sejam iluminadas e os faça desistir da idéia de sentirem-se bem apenas em função da aparência. Quem sabe assim uma luz de felicidade acenda. E daí, dia após dia, com o acúmulo de descoberta, um clarão se faça presente em suas almas. Quando, então, toda futilidade, pequenez, quem sabe até a desonestidade, se extirpem. Mas nada assim é provável. E não me dói saber que a realização disto é impossível. Não mesmo...



Mar interno

quarta-feira, outubro 10, 2007 · 0 comentários

Palavras. Levadas por águas salinas. O jogo com elas. Melhor o uso como queira. E isto é absolutamente ilustrativo. Pois no mar da vida, segue o indivíduo perdido. Aliás, tamanha é a falta de direção que esta crônica se reinicia.
No filme, o personagem Ulisses navega com objetivo claro. Por desafio aos deuses, ele não encontra o caminho correto para Ítaca. O mar aqui não é tão diferente. Revolto, navegamos nele um tanto atordoados. E o medo no simples ato de se comunicar faz o indivíduo preso e perdido em águas turvas e próprias.
Este mundo que o homem criou. Ele me parece absolutamente patético. Mas isso é agora. Depois também. De todo modo, felizmente, esta ótica minha muda. E assim é melhor. Do contrário, o exagero do sal na água não me faria bem.
As ondas não cessam. O barco oscila. O esforço é para que ele não afunde. E mesmo contrariando a postura de Ulisses em relação ao Divino, o indivíduo segue num vazio que não mostra limites.
A natureza é complexa, bem se sabe. Nela, mistérios diversos. O inesperado ocorre. Aqui, nesta crônica um tanto salgada, de palavras cinza, não há o desejo pela diferença. Assim, tem-se as portas abertas para troca de assuntos. E se o autor relembrar o que já escreveu em outras épocas, caso faz com o alívio. Se escreve o que se vai por dentro. Preceito sincero deste blog que gosta da sinceridade.
Dentro do autor não há apenas um mar, como não há um navegante solitário. São diversas as águas. Variados os viajantes. E, não feito Ulisses, a navegação em águas cinza se mostra sem rumo. Dispersa. Atordoante. E, ao contrário do filme, o fim da viagem não é sabido. E achar que este detalhe é ruim, comete o leitor o que é normal em qualquer ser humano. Equívoco.



Encontro marcado com a infelicidade

quinta-feira, outubro 04, 2007 · 0 comentários

a falta de amor-próprio

O indivíduo não se valoriza. Acredita não merecer certos progressos. É melhor ficar na mediocridade. Lá na frente, pode até ser, vai queixar-se da falta de oportunidade. E vai se cobrar muito, sem saber que se trata da cobrança da felicidade. Que agora já está morta. Não mais é possível tê-la. O que se tem então é a infelicidade. O encontro foi marcado. O indivíduo chegou na hora acertada. Pelo caminho, cumpriu todos os requisitos. O principal deles foi de se auto-desvalorizar.
Claro que não temos a certeza. Mas de certo há muitos por aí que são personagens do início deste texto. Que por uma auto-desvalorização não deram os passos certos. O que parecia só preguiça era também baixo amor-próprio. E hoje o que resta é miséria interna e um ódio de si.
Pode ser que no meio do caminho a pessoa se perceba. Talvez algum mecanismo externo o leve a esta percepção. Quem sabe ainda há tempo. Que passar a se valorizar torne prática trivial. Nisto, ainda há esperança. Essa virtude tão grandiosa. Se ela se apaga, vai também acinzentar o olhar do indivíduo. Seus olhos então serão espelho de uma alma triste, cinza e sem esperança...



Dia de tolo

domingo, setembro 30, 2007 · 1 comentários

para quase todos chegam dias assim

Não é no papel. Os dedos tocam firmemente o teclado. A velocidade com que dançam agrada ao maestro. Toca a música. Toca o sentimento. Invadem os pensamentos. E o desejo de ter com ela. Mas estão vivas as impossibilidades. Quando será não é sabido. Sabe-se apenas que será...
Dizem que as certezas são para os tolos. Que seja. Pois também dizem que a paixão deixa o homem e a mulher bobos. Nessa bobeira toda, quase todos têm seu dia de tolos...
Música combina com paixão que adormece o olhar. É boa companhia nessas horas. Alguns somam ao par copos destilados. A quem aumente a turma e inclua cigarros. E como a imaginação humana é imprevisível, de certo há muitas outras combinações.
Para quem escreve, as palavras para acompanhar. Estas, de fato, são grandes amigas nestas horas. Ajudam a expressão sincera dos sentimentos. E se acaso a conquista se der, as palavras serão ainda mais presentes. Cartas e cartas poderão brotar. É só uma questão de aprofundar sentimentos.
Escrevo como quem quer escrever carta de amor. Não o faço agora. Talvez apenas agora. Pois é possível que eu esteja um tanto idiota. Alguma certeza me domina. Que me faz crer que, não sei quando, escreverei uma carta para ela. E ela, pergunta o leitor, quem é? Se a resposta não vem, é por que adentro por uma nova fase. Ela já foi mencionada pela cara leitora. Nome da leitora? Isso eu digo: Zenna Santos.



Nem ouvir dizer!

sábado, setembro 29, 2007 · 0 comentários

elas não querem mais textos por falta de inspiração

Alguns segundos se passaram. Permaneceu a caneta prateada segura por ambas as mãos. Uma lembrança apresentava-se como candidata. A incerteza de que ela me ofertaria texto completo trouxe-me a dúvida. Daí, o que fiz foi tecer o relato do momento.
Por um tempo carreguei comigo a certeza do agrado. Não fossem duas leitoras protestarem, eu seguiria desavisado. O par de amigas não quer nem ouvir falar em falta de inspiração minha. Relatam que muitos textos assim nada dizem, é leitura perdida.
A ironia. Esta composição se diz algo, não passa do relato da queixa. Talvez o conjunto delicado de dois elementos se sinta agraciado com as palavras aqui. Afinal de contas, o ato deles virou pauta. E em respeito às opiniões proferidas dá-se esta crônica.
Ok. Possivelmente não mencionarei mais a falta de inspiração. O aviso amigo das meninas é de boa intenção. Textos repetitivos afugentam leitores. A crítica é absolutamente construtiva. Não se trata de destruir ou competir. Isso quem faz são pessoas com mentes doentes. Muitas das quais já me afastei. É assim. Fica aqui o agradecimento às duas amigas que me deram a reclamação única feita por um par delicado.



Morte lenta

quinta-feira, setembro 27, 2007 · 0 comentários

O ego. Ele briga com a alma. Não permite a expressão dos reais sentimentos. O jeito que a alma encontra é fazer uma espécie de reclamação. Só assim consegue ser atendida em seus anseios.
O que se tem aqui é a exata preocupação com a aparência. É um querer que alguns outros não saibam o que se vai por dentro. Talvez uma espécie de disputa. Acreditar inocentemente no riso aparente.
Não expressar o que se vai por dentro de modo verdadeiro. Mais comum em que não se auto-conhece. E esse engano redunda em desconforto. Perde-se, então, parte da vida com fingimentos. Nisso, sobrevêm os medos. E então, olhar já não é fácil E deixar de sentir carinho soma mais sofrimento. Atado pelo medo, o indivíduo passa a ser mero fantoche. E seu comportamento. O desespero nas ações, no olhar. Tudo denuncia. Sua mente julga e condena.Uma forma lenta de morrer...



Procura

· 0 comentários

A escolha. Não é a primeira vez que duvido como fazer. Diversas vezes eu declarei. E após a caneta bater algumas vezes sobre o papel parte sua que não escreve, a respiração normalizar, fiz a escolha. Portanto, já dei início à crônica.
Passei do ponto. Era a vontade de conversar. Ter com o ser humano, ainda que um deles não me inspirasse confiança. Mais alguns passos na direção errada e este ônibus teria ido sem mim. Não fosse a pequena corrida, estaria agora exposto a este frio, sozinho em plena avenida a esta hora da noite.
Eu via o teto. A cor dele você escolhe qual. Pinte-o como queira a liberdade para imaginar. Deixe o branco para a realidade.
Era na clínica. A médica simpática e verdadeira atendia com carinho. Gostava de nossa conversa. E admirava não a cor dos olhos, mas sim a beleza do olhar. Nele, o reflexo de uma boa alma.
Ali, na maca, eu teci um pequeno texto. Tratou-se de algo lírico. Naquele momento, desejava escrever como quem conversa. Queria uma simbiose com o leitor na produção de lágrimas...
Eu não chorei sob o branco que me cobria. Também não derramo lágrimas agora. Sei que escrevo à procura de mim. Deixo parte das emoções fluir no papel. Quem sabe num desses textos, eu me encontre com alguma emoção que me faça sentir além do que sou. Existir de modo ainda mais belo, com a certeza das superficialidades deste mundo, mas sem me aborrecer.



Mais do que consumidores inócuos

quarta-feira, setembro 26, 2007 · 0 comentários

Às vezes, simples tarefas se tornam demasiadamente desagradáveis. Estar ali em meio à tantas pessoas não era tão ruim. O único problema era eu. Ou algum eu. Uma parte de mim gritava. E os sons de angústia reproduziam um sofrimento maior: a dor da alma.
Eu não via. Fechava-me num mundo meu. Era uma forma de proteção. Interagir, momentaneamente, tornara-se difícil. A saída era fingir inexistência.
O shopping fervia. Individualmente, as pessoas consumiam. Aquela massa passiva frente às vitrines. Eu, agora, observava. Refletia. Achava aborrecedor ver que todos ali seguiam domados. Apenas consumiam insanamente. Nada de exercer o poder do mais forte grupo adormecido no mundo: o dos consumidores.
Não nego chateação lá nos corredores e vitrines iluminadas. Mas não me fazia pessimista. Uma fresta de otimismo dizia-me que há uma saída. Não imagino quando a massa que consome acordará. E terá como ferramenta para interesses coletivos as empresas que dela necessita. Aí está a lógica. Se eles dependem de nós para existir, quem tem o poder está muito claro: nós, os que consumimos.
As empresas nos querem assim, individualistas, carentes e passivos. Nada de liga nos pensamentos. O fracionamento intelectual é o que lhes interessa. No máximo, alguns poucos podem pensar.
Evidentemente que se surgir um líder que faça acordar o “gigante adormecido” será ele aniquilado de alguma forma.
Tomando um espresso, meu olhar melancólico nutria meus pensamentos. Entristecia-me toda aquela desunião. Aborrecia-me a imensidão da fila para assistir a mais um campeão de bilheteria. Os perdedores não eram apenas os que ali aguardavam a sua vez de entregar dinheiro, alma e mente ao guichê. A derrota é generalizada. Quanto mais alimento para a inércia intelectual de cada um, mais passiva permanece a massa. E se essa passividade não produzisse infelicidades tamanhas, não seria isto um problema.
Reconheço que me indignei. Que me indaguei por que as pessoas não acordam. Não percebem que esse consumismo letárgico não faz o mundo melhor. E não torna ninguém mais feliz.
Posso ilustrar. Triste e carente, passeei pelas gôndolas da loja que prefiro. Senti-me belo com aquelas roupas. Fiz as escolhas. Abri mão de algumas peças. Fui inábil frente ao caixa. Endividei-me. E saí dali pior do que entrei. Três peças de roupas não coloriram a minha alma. Não é comprando que conquisto felicidade. Se ela não vier de dentro, não poderá vir de lugar algum. E a felicidade só vem à tona quando estamos cientes do que somos. Perder-se. Errar explicações. Ir contra você. Culpar o alheio. Tudo isto, mais a busca por acessórios para a felicidade, é uma das causas do olhar tão triste. Da voz sem vontade. Dos gestos comedidos. Da ausência de palavras. Do furto das risadas. Enfim, nós somos muito mais do que meros consumidores. Somos humanos. Sentimos. Pensamos. Compramos. Existimos. Não somos tão inócuos como nos fazem. Pensemos nisto.



Invenção da felicidade

· 0 comentários

Essas letras que aqui inicio se dão numa folha pautada. Eu numerei a página. Mas não é garantida a produção de diversas laudas. É bem possível que eu até desista. Não que seja um desejo. Trata-se apenas de algo absolutamente possível. A questão é que fazer o desejoso nem sempre é factível. Coisas da vida. Quase todos sabem disto...

Troquei. Deixei o livro de lado e tomei a caneta. Reli o primeiro parágrafo. Pensei nos inimigos. Os conhecidos, principalmente. Alguns que jogam suas frustrações nos outros. Usam de agressividade. Tentam desdém. E, debaixo de suas máscaras, acreditam competência no fingimento. Sem saber o quão incompetentes seguem na felicidade inventada.
O que faço aqui é buscar um único assunto. Não posso me negar o desejo interno. A imagem em minha mente dita um personagem. Sua utilidade se dá na ilustração de tipos que não contribuem para a harmonização de um ambiente. Ou de qualquer ambiente em que esteja. Onde for, vai consigo sua pequenez.
O ser humano prescinde de convivência em grupo. Isso não significa que todos estejam aptos para dividir espaços com outros. E, justamente estas pessoas, prisioneiras em um mundo próprio, são as que mais facilmente mergulham na infelicidade. Em suas mãos chaves que fecham portas.
Sei de exemplos. Utilizações de máscaras. Sorrisos que enganam. Expressões que fingem. E, sempre, inevitavelmente, atos que denunciam. Neles está a pessoa de fato. Se acaso ela não se percebe, maior é seu prejuízo. A conta vem. Invariavelmente.



Segurança com medo

sexta-feira, setembro 21, 2007 · 1 comentários

Texto derrubado do blog a pedido da leitora Luciane Melo, jornalista, 33 anos. Para obtê-lo escreva para o blog.

opinioesecronicas@yahoo.com.br


Adelcir Oliveira
Autor do blog



Defesa

quarta-feira, setembro 19, 2007 · 0 comentários

05Set2007 Portas cerradas. Estou comigo. Os demais só importam pela irritação que me tem. Não olho. Não quero ver. Faço do mundo o retângulo de pautas. O que resta não quero. Fico com essa limitação a qual me submeto. Mas essa imposição não é minha de fato.
Usamos momentos nossos como ilustração. Eu agora sou aquele rapaz do texto abaixo. Se não usasse de empatia teria me incomodado. Possivelmente entraria para o time do destempero. Felizmente, abracei a compreensão. Mas é fruto não apenas de observações interiores, mas também de um momento sereno.
Quero a liberdade. Dar a este texto um outro caminho. Não sei qual. E nem faço precisão de saber. Quero mesmo é olhar esta folha. Ouvir o passar das estações. Aquele refúgio. A casa. É isto. Só assim irei ausentar minha alma e descansar corpo e mente. O corpo recebe o produto da mente. Todo esse cansaço é fruto do estresse produzido. Parece que cada pedaço de músculo recebe a carga destrutiva. E todo o corpo segue cansado. O semblante é usado para não deixar dúvidas. De forma inteligente, a cara amarrada é usada para evitar aproximações. Vai ver que é uma forma de defesa. Como é este texto. Uma fuga. Um casulo. E, já disse, uma defesa.



Opção

· 0 comentários

Havia, sim, um clima de ciúmes. Também, uma necessidade de competir. Mas a harmonia quis ser dominadora da situação. A sós, o papo minou o clima ruim. Perguntas. Respostas com embasamento. Um entendimento entre ambos.
Poderia ter sido diferente. A agressividade escolhida como opção única. O confronto. A destrutividade. Optar pela harmonia ajudou a todos. No final dos trabalhos, aperto de mãos e abraço sincero.
Talvez, quem sabe, não se tratou de uma opção. Não. Foi possível escolher. E isto se deu em função da alma serena e a mente sã. Do contrário, a beligerância dominaria. Armas seriam usadas. Olhares. Dureza na feição. Palavras. Tom de voz. O ambiente se contaminaria. Todos seriam atingidos. Derrota geral. Estresse absolutamente contornável.
Ela estava lá. Pivô do desconforto. Mas o outro agora se encontrava avisado. Uma aliança teria indicado o compromisso. Talvez ele não se mostrasse um tanto assanhado. Se comportasse, quem sabe, como quando foi noticiado da existência do casal.
Constrangimento no início? Má vontade? Rigidez no trato? Sim. Tudo isso. E o outro tenso. E ele sabedor do motivo. Mas talvez não fosse tanto assim. Quem sabe aquela tensão fosse obra da mente do rapaz. Talvez até tenha sido esta desconfiança que trouxe a harmonia. Capitaneada por ele, aquele que causou o desconforto inicial, cujo pivô fora ela.


opiniões opiniones

Não entendi nada! Acho que você está entrando numa nova fase como escritor..a da INTROSPECÇÃO e do MISTÉRIO!
Zenna Santos, Goiás



Espelho

quinta-feira, setembro 13, 2007 · 0 comentários

artimanhas da mente

No espelho a avaliação da estética. Cara de tal jeito, satisfação maior. Fora do reflexo, o jeito é gravar na memória a cara preferida. Por aí priorizar a aparência. Não importam simpatia e naturalidade.
Na avaliação insana, sorrir prejudica. Semblante amarrado é o preferido. Essa cara dura atrairá mais a admiração feminina. Vai também ser melhor arma para competir com tipos do mesmo sexo.
Após o plano estético elaborado, verifica-se a traição da estratégia. Por um tempo até funciona. É a forma de consolidar a trama. O indivíduo será agraciado o bastante. Seguirá prazeroso com a conquista de olhares. Vai ver que alguns nem são de admiração. Mas o personagem está consolidado. Olhos desviados ou não, pouco importa. Tudo é em função da beleza decretada. Se é da idade, não se sabe.
Vai o tempo. Logo vem a cobrança. Já chega de tanto prazer. Ta na hora das conseqüências. Quem manda exagerar?
Cai a ilusão. Vira inimigo o espelho. Cadê toda aquela beleza? Pra onde foi a pseudo-segurança? Mostra-se falso o alicerce, senão inexistente.
Ali, naquela carteira de escola, difícil é olhar a menina. Toda a insegurança. A dificuldade em manter cabeça erguida. Tudo se embaralha. Vai-se a máscara e não é reencontrada.
Turvam-se os dias. Busca frenética. Deve haver motivos. A luz artificial das noites. O corte de cabelo. O que será? A luz é logo condenada. Um culpado exterior tem que ser rapidamente encontrado. Cria-se, então, uma verdade.
Serenidade não há. O incômodo passa a ser transportado para o outro. Nem percebe o andar lento e sorrateiro da mente. Nem vê, vira prisioneiro. Gritou? Sim, a alma gritou! Muito!
Esforço para se desvencilhar da armadilha. Se houve trégua foi modo de iludir e aumentar o sofrimento.
Foi dura a constatação. Resignou-se à severidade do reflexo. Ali, diante da sua imagem, confessou o fim daquilo que lhe mantinha vivo. Que delineava o humor do dia-a-dia. Diante daquele que fora fonte de prazer, reconheceu o fim. Já não era belo e não havia garotas. Era o fim.



Educação psicológica

segunda-feira, setembro 10, 2007 · 0 comentários

12Ago2007 Escrever para expurgar. Aquele ambiente. A competição intensa, alimento das inimizades. Pessoas com baixa auto-estima. O uso da indiferença para atingir. Cada um e o desejo de “vencer”. A cada dia a derrota de todos.
Imaginemos uma empresa. Um ambiente harmonioso resultará em mais produção. Cada colaborador deve ser cuidado de alguma forma. O momento da seleção é importante. De qualquer forma, dar as costas aos pretéritos não é lá tão responsável.
Indagar. Por que será toda aquela competição? Será o modo de vida que nos é imposto? Fruto da frustração de cada um? Baixa auto-estima? É possível que seja a junção de cada ingrediente das indagações além de outros não citados.
Profissionais maduros. Amor próprio em equilíbrio. Concordância e discordâncias. A maturidade dando o tom da harmonia. Competência generalizada. Ninguém que usa da agressividade como arma de inclusão.
Fato exposto. Problemática sabida. Fácil tecer a crítica. Difícil trabalhar na construtividade da solução. Mas como ajudar aqueles que ignoram seu adoecimento?
Não se trata aqui de apontar culpados. A mente. Ela domina. Única "culpada". As pessoas do grupo que deram fruto a este texto nada mais são do que marionetes de mentes patológicas e almas adoecidas.
Poucas exclusões. Nem todos se contaminam. Somente os já adoecidos, os pré-dispotos. Enfim, é a saúde mental dos indivíduos não tratada como deveria. E o erro se inicia na escola, cuja presença de psicólogos é imprescindível, conquanto não sejam eles já adoecidos.



Invenção de tipos

domingo, setembro 02, 2007 · 0 comentários

Não são todos. Não sei quantos. Pode até ser que sejam todos mesmo. Não terei a conta. O fato é que inventamos personagens. Uma forma de nos amarmos. Ela se diz culta. A outra bondosa. Aquele, sereno. Há o educado. O galã. Tem diversas invenções de tipos. São pessoas ainda um tanto perdidas. Não miram a verdade no espelho. Inventam características. É o jeito de sobreviver melhor. E isso, na verdade, pode ser bom, senão fundamental. Tratam-se de artimanhas de nós seres humanos.
Muitas vezes quando o indivíduo escreve parece que ele se exclui de suas afirmações, mesmo que um tanto incertas. Os mais atentos desacreditam da exclusão. Escrever é muito falar de si. Pode até ser uma espécie de auto-crítica. Reflexão. Mas claro, pode que ser que as palavras não estejam discorrendo da alma daquele que escreve. Pode ele usar de impressões e observações. Acertar ou errar é uma outra questão.



Aproximações bem recebidas

· 0 comentários

Ela, nem vi, aproximou-se do stand. Olhou os folhetos com olhos e mãos. Respondeu ao meu “boa tarde” com simpatia e naturalidade. Recebeu boa parte das informações que me pediu. Foi ficando e ali ficou, até que fomos embora juntos.
Tudo bem que ela não é de São Paulo. Mas mesmo os nascidos nesta capital, alguns poucos, são também extremamente comunicativos. Como aquele rapaz que logo no primeiro momento apertou a minha mão. Jamais me vira. Foi pró-ativo. Recebeu reciprocidade minha.
Essa coisa das pessoas se falarem sem medo é algo belíssimo. Não se trata de condenar os que se fecham. Na verdade, é possível compreendê-los. Não são todos que são ofertados por mentes amigas. Sentir raiva de pessoas com dificuldades aqui em questão, não passa de não auto-aceitação.
Eu e a moça simpática no metrô. Não deixei de avaliar sua beleza. O diagnóstico da aparência pouco importa. Foi de fato um momento de prazer. De certo, não se repetirá. Tem ela o endereço deste blog. Se vai visitar não é sabido. Tal imprevisibilidade é igual ao nosso bom papo. O fato é que é bom tratar bem aos que se aproximam com algo de bom. Cada um faz como quer.

caso queira, clique no título para ler Conquista por um não-olhar (e depois pelo olhar)



Nostalgias esquecidas

· 0 comentários

Há alguma lembrança em mim. Sei que ela já derivou um parágrafo quase completo. Mas agora eu não me recordo dela. Quem sabe a soma de linhas resolva este lapso da memória minha...
Sei que eu tratava de algo belo. Que já se passou algum tempo. Não guardo a certeza se é referente a um terceiro ou a mim. A questão é que sinto a impossibilidade de lembrar agora...
Uma pequena parada no ato da escrita. O olhar para as coxas dela. Suas unhas escurecidas pela tinta do esmalte. Foi de certo uma tentativa de acerto. Mas ela, a memória, não meu sorriu. E assim segue o fato escondido em mim...
O que será que havia me recordado em outro momento? De certo, voltará em hora imprópria. É, vou abandonar esta empreitada. Ela me desgasta. Vejo aqui poucas linhas. Não me agradam textos curtos. Pra que imitar a memória que me nega nostalgia?
Antes de prosseguir, sou obrigado a fazer um adendo. Ao tirar do papel o parágrafo anterior, não entendera uma parte. A imitação da memória. Foi quando me lembrei da expressão memória curta. Está explicado.
Preciso ser justo. Há, sim, a oferta de um passado recente relacionado a um outro já distante. Já desejei escrever sobre ele. Se não o fiz, foi por que optei. E aqui sigo incerto. Vai o leitor contentar-se com nostalgia que se mostra como segunda opção? Será um texto de segunda?
Algum leitor pode me responder? Vou aguardar. Até lá, teremos duas nostalgias esquecidas. Pois a verdade é que no momento da digitação – agora – não recordo nem de uma, nem de outra.

caso queira, clique no título NAQUELE MOMENTO



Alívio para os olhos

· 0 comentários

Preciso ir a uma loja. Sei que é naquela rua. Mas onde está o comércio procurado? Vejo várias portas de comércio. Todas sem fachadas. O prefeito mandou cumprir a lei. Quem ofende o espaço visual coletivo que se reenquadre. Por enquanto, nada de a loja ser encontrada facilmente.
A lei Cidade Limpa faz um tempo segue sendo aplicada. Estabelecimentos comerciais ainda se enquadram. A dificuldade maior fica para as grandes redes, pois possuem padrão em suas fachadas.
A população aprova. Este blog apóia. A boa estética contribui para o bem-estar da população.
Aqueles que resistem são os que não possuem visão coletiva. Há até um deputado da base de apoio do prefeito que entrou na justiça para ganhar o máximo possível de tempo de exposição. Um ato contrário à vontade pública que poderá ser um tiro no pé.
Outro dia conversava com um artista plástico. Realizávamos um trabalho juntos. Explicava-me o jovem artista sobre a importância da estética no mundo atual. Mencionei a lei Cidade Limpa que vai nesta direção. Um momento muito positivo para São Paulo.
O prognóstico feito por especialistas – e qualquer pessoa com boa observação – é o ganho visual das lojas. Muitas investiram na construção de um layout belo que chame a atenção. Isso significa a adoção de formas e cores em toda a frente da loja, um modo de se destoar de forma bela, e que já segue ocorrendo. Nisto ganha a cidade. Daqui em diante, as lojas poderão ser tornar bons colírios. Esperemos que elas consigam agradar a olhos e bolsos.

caso queira, clique no título para ler UMA NOITE NO CENTRO VELHO DE SÃO PAULO



Massa desligada

· 0 comentários

30Set2007 Esse ritmo da vida. Não é sempre que agrada. Mas hoje ele me aborrece. Não nego uma chateação. Saber que uma empresa – que não está isolada no ato – segue demitindo funcionários operacionais simplesmente por que estes têm tem casa maior é desanimador. É uma desconsideração dos diretores de empresas assim. Um desprezo pelo trabalhador, um descaso com o social.
As empresas grandes funcionam assim. Um funcionário nada mais é que o número em seu crachá. Não importa se o indivíduo deu parte deu sua vida à firma, se vestiu a camisa. O fato é que ele colaborou para o crescimento dos negócios. E agora simplesmente não serve mais. E jogado fora...
Certa vez um parlamentar brasileiro elaborou um projeto em que obrigava a empresa conseguir uma recolocação antes de demitir um funcionário. De certo, o projeto não vingou. Mas se isto partisse das próprias empresas, funcionaria como um ótimo marketing. De qualquer forma, creio que há empresas que façam isto. Desconfio ligeiramente, pois há excelentes empresários neste país.
Pensemos. A massa trabalhadora é uma massa de consumidores. Segue absolutamente dispersa pelo individualismo disseminado pela mídia. Como consumidora essa massa possui amplo poder. Mas este poder segue desligado, adormecido. Unindo os que têm emprego com aqueles que procuram uma vaga, teríamos uma massa forte o suficiente para pressionar governos, partidos, instituições democráticas e empresas. Mas como fazê-lo?

caso queira, clique no título do texto para ler "Gigantes adormecidos"



Nostalgia política

domingo, agosto 26, 2007 · 3 comentários

lutaram tanto (por eles!)

Diversos políticos. A luta pelas Diretas-Já. O apoio popular. A conquista. Color como o primeiro presidente eleito pelo voto direto. O povo se mostra preparado para o pior. Escândalos. Caras pintadas. Apoio da grande imprensa. Renúncia.
Lembro-me que estive lá na Paulista. Não manchei o rosto com tinta. Verde e amarelo se misturavam ao vermelho do meu sangue. Meu amor pelo país, a esperança, faziam-me mais vivo.
Erundina era a prefeita na época. Teve que ouvir dos estudantes que a passeata não era partidária. Suplicy também ouviu os mesmos gritos. Um amigo tentou indução. Solicitou que eu pedisse autógrafos ao senador petista. Não o fiz. Nunca foi do meu feitio bancar uma de fã.
A manifestação foi organizada. Na escola fiquei sabendo que partiríamos para a passeata. Vários estudantes gratuitamente no metrô. Foi a única vez que não paguei o bilhete. E única também me foi esta passeata, passivo que sou.
Eu pouco recordo do que era naquela época. Sei que meu interesse por política seguia em descompasso com a minha auto-estima, que se mostrava baixa. Naquela época eu adorava as eleições quaisquer que fossem. Assistia a todos os horários eleitorais. Analisava. Confrontava-os com os do meu candidato. Era algo que me dava enorme prazer.
O tempo passou. Outros presidentes foram eleitos. Novos escândalos surgiram. Neles, homens que brigaram pelas Diretas-Já. Pouco mudou nesse ínterim. Apoio político segue sendo comprado com cargos. A corrupção finge-se não saber da existência. E por aí vai... (o país é que praticamente não vai)
Já não assisto mais aos programas eleitorais na TV. Eles se tornaram ridículos para mim. Chato ver que são produtos das mentes de profissionais da publicidade. Que não há interesse algum em politizar as pessoas, senão apenas persuadi-las a votar em determinado candidato-produto. Tremendamente chato também é ver que homens públicos que lutaram tanto pela democracia hoje se esquecem que este sistema é justamente feito por meio da representatividade. Mas os engravatados eleitos, parece, são representantes não da massa de pessoas, senão da massa de capitais louco por lucros cada vez maiores. Democracia só para eles. Somente na hora da campanha. Depois, é amnésiocracia.

opiniões


Republicanamente peço: MAIS CRÔNICAS, MENOS OPINIÕES. Aliás, uma pergunta fundamental: O Jornalista deve ou não abrir mão da opinião, em favor da imparcialidade?
Alan Davis, fotógrafo, membro do Conselho do blog

Resposta do blog
Alan, um jornalista quase sempre tem opinião. Ele não pode é ideologizar as suas palavras. O texto em questão tratá-se de uma crítica pluripartidária.
Adelcir Oliveira - Opiniões & Crônicas


clique no título para ler PALHAÇOS NA PLATÉIA



Prisão de vocábulos

· 0 comentários

a minha busca no outro

Esse olhar constante para os lados. É de fato uma busca por assunto. Não naquilo que se vê. Na verdade, é um olhar interno. Uma procura lá dentro. Ver o que há. Insistir na investida. Quem sabe a teimosia acorde as palavras em mim...
Recordo-me de uma pessoa. Mais que amigo. Nele, o apreço por crônicas. Estilo de texto que possibilita um namoro com a poesia. Alguém que possui intensa relação com literatura. Que tem olhos que já percorreram o que de melhor já se foi escrito nesse mundo. Que certamente deixará de presenciar diversos parágrafos escritos por gênios da literatura.
As olhadelas em meu entorno se repetem. A alma minha fecha-se para cada parágrafo. O que escrevo aqui é um monólogo. Falo comigo. Modo que encontro de tentar abrir as portas desta prisão de vocábulos. Mas por que será que esta alma minha insiste em negá-los?
Oito linhas desprezadas. Eu falara sobre duas mulheres. Quando minha indagou-me a razão das palavras. Foi quando declinei. Desisti. Até procurei respostas para escrever. Mas vi que o ato era inútil. É assim. Escrevemos sem saber por que, às vezes. Ato inconsciente. Mas vejam. Muitos atos assim são os que originam bons textos.

clique no título para ler Pauta encontrada



domingo, agosto 19, 2007 · 1 comentários

Há este espaço. Um quadrado amarelo. Duas palavras rejeitadas. O espaço diminuto ilustra o tamanho da inspiração e até da vontade de escrever. Antes deste primeiro final, uma releitura.
Não é o tamanho do palco das letras que oprime a expressão sincera de sentimentos ou pensamentos. De certo, a dificuldade de encontrar o conjunto ordenado de palavras é por outro motivo. Mas qual?
Este vazio de idéias contrasta com o vai-e-vem de pessoas. Aqui, movimentos paralelos de pernas não cessam. Alguns parecem meio perdidos. Outros esperam. Aqueles cheios de pressas passam. Há os atrasados. Há os que trabalham. Tem aqueles que perguntam e pouco entendem as respostas.
Havia um beijo. Mulheres estonteantes. Muitos estudantes. Pessoas simples. Caras embrutecidas. Rostos serenos dão a graça por aqui. Mães e filhos. Velhinhos. Corpos de todos os tipos. Olhos para o chão, para frente, para o lado. De certo, há os sem rumo algum...
E o que não há nestas cenas que se passam aos olhos de tantos aqui? De certo, isto é significativo. Claro, depende do modo de como se considera este mundo. O que vale dizer é que nessas cenas cada um faz um enquadramento diferente. São olhos funcionando como se fossem câmeras de vídeo.
Não havendo o que se pergunta sem saber, de modo algum deixa de haver de fato. Enfim, se não há nele, nela, há noutro. A segurança, não tem aquele. Aquele outro possui. E por aí vai. É um haver e não haver. É assim... E enfim, há este texto. E haverá uma leitura, como não não haverá...

clique no título do texto para ler: REALIDADES. ELA. EU. VOCÊ


opiniões

Nossa!De imediato, lembrei de uma música assim que comecei a ler este texto. (... As vezes saio a caminhar pela cidade a procura de amizades vou seguindo a multidão, mas eu me retraio olhando em cada rosto, cada um tem seu misterio, Seu sofrer sua ilusão...) Infelizmente os olhos funcionam como se fossem câmeras de vídeo!Particularmente, acredito que a falta de percepção nos fará um dia prestar contas de alguma maneira.A maneira de como se considera o mundo, penso que seja um estado de alma.Há mesmo um vazio e dispersão, carência.
Gina Jacob, solteira
Adora natação



Texto da satisfação

domingo, agosto 12, 2007 · 1 comentários

em respeito ao leitor

Esse é o texto da satisfação. É resultado do respeito merecido pelo leitor. O fato é muito simples. Decorre das atrapalhadas financeiras daquele que mantém este blog. Cosas de la vida, diria alguém que gosta de frases prontas.
Há dois problemas. Um deles é a total falta de tempo para publicar textos. Tem motivo: o autor do blog estará fora de casa o dia todo. O outro é muito pior: falta de inspiração!
Nesta pequena satisfação, os parágrafos dão o a medida do padrão escolhido. Por detrás dela está a ausência dada pelo problema número dois. Isso ocorre. Faz parte da dinâmica deste blog. Certa vez uma fase cinza quase deu fim a este veículo de comunicação. Não é o caso agora.
Fica dito. Entenda, leitor. Este blog adora ilustração. E a vida não é como a gente quer. A vida é como ela é... Mas afinal de contas qual é a satisfação?



Dias em vão

· 2 comentários

de certo, texto de outro momento

Contei. Quatro rabiscos condenaram um início. E agora já estou em outro. Logo o deixarei. Há pouco eu era parabenizado por mais um ano vivido. Não falta muito, as mesmas felicitações virão. Comigo, neste momento, o medo da brevidade da vida.
O problema não é exatamente o passar ligeiro do tempo. Duro é ver que a vida parece em vão. O tempo passa e o sujeito permanece estático. Se a alma cobra, há razões muitas vezes desconhecidas. Essa pressão toda derruba as vontades, sobretudo de acompanhar o ritmo de um dia-a-dia que se mostra chato, breve, quando não, em vão.

clique no título para ler Não se preocupem com o final



Lula entre boçais e descamisados

· 0 comentários

Adalton Oliveira


Há muito que o Brasil é um país brutalmente desigual. Quando tomou consciência da imensidão de terras que havia descoberto e diante de seus poucos recursos, a Coroa Portuguesa decidiu dividir o país entre alguns poucos “afortunados”, criando para tanto as conhecidas capitanias hereditárias e estabelecendo a primeira parceira entre governo e iniciativa privada da nossa história. Eram muitas terras para poucos donos. E esta toada de profunda desigualdade se assentou durante o passar dos anos: o latifúndio movido pelo braço escravo foi característica marcante durante cerca de três séculos de nossa história.
Formou-se assim uma casta privilegiada de senhores de terra que, detentora do aparelho estatal, passou a governar (e a desgovernar) o país a seu bel-prazer. Aos pobres, a polícia. Direitos, só aos privilegiados; deveres, todos para a ralé.
Dos latifundiários, industriais incipientes e poucos financistas, o Brasil passou para o controle dos militares. O exercício do poder mudou de mãos, mas os detentores efetivos dele eram os mesmos de sempre. Em nome dos sempiternos privilegiados, os milicos governaram com mãos de ferro, usando como desculpa o argumento de que era preciso “garantir a soberania nacional”, afugentando a ameaça comunista. Interessante soberania esta que se curvava diante do poder norte-americano, como Golbery do Couto e Silva deixou transparecer em alguns de seus escritos.
Mas, quando os ventos da globalização que varriam o mundo aqui sopraram, trazendo as idéias de abertura radical ao mercado exterior, os financistas assumiram o controle do poder e trouxeram com eles as teses de governo enxuto, equilíbrio fiscal, câmbio flutuante e etc. como meios que garantissem baixa inflação a fim de assegurar o alto retorno do capital. Collor foi o primeiro arauto do novo poder; a ele, seguiu-se o fiel escudeiro FHC. Com este último, a inflação foi domada, o aparelho estatal desmontado e sindicatos de trabalhadores destruídos. Conseqüências: altos níveis de desemprego, brutal queda da participação dos salários na renda nacional, crise energética (a maior mostra de incompetência da história nacional, segundo Delfim Netto), violência urbana crescente e ausência de qualquer projeto nacional de desenvolvimento. O país estava à deriva e o Estado, endividado como nunca, posto de joelhos diante do capital financeiro.
Mas, ironicamente, o furacão FHC permitiu a ascensão de Lula ao poder. Com este, ao contrário do que se temia, os ricos continuaram (e continuam) ricos e os pobres permaneceram (e ainda são) pobres, mas não mais tão pobres como outrora. Contra números e fatos não há argumentos: os pobres melhoraram um pouco de condição, ainda que graças às benesses do Estado. E viraram o porto seguro de Lula contra o ódio e preconceito que destilam contra ele ricos e remediados. Aliás, ódio e preconceito se manifestaram claramente em pequena passeata realizada em um final de semana de agosto, na qual pessoas se dizendo cansadas gritavam ofensas ao Presidente: “Lula ladrão, Lula bêbado” e etc. Cansados de pensar e descontentes com a democracia, pois esta só serve quando lhes convêm, bradavam pela volta dos militares ao poder. “Acordem milicos”, berravam eles. Pensam pertencer à elite, mas, se definirmos elite como o grupo hegemônico detentor de um projeto tornado legítimo aos olhos dos demais, não são eles elite, pois este pobres cansados não têm projeto, não têm idéia nenhuma, nada além de preconceito e ódio. Na verdade, formam uma ralé endinheirada. Ou seja, não são muito diferentes da “ralé” que desprezam.
No ápice da boçalidade, uma senhora se dizia parte do chamado povão, pois tem o hábito de brincar o carnaval em meio aos negros cariocas. Isto me fez lembrar as histórias dos senhores de escravos que se divertiam com suas negras, o que em nada modificava a condição de senhor e escravo. Que Deus tenha piedade dessa gente cansada.

clique no título para ler: "Para o brasileiro, brasileiro é o outro"



A modernidade povoada por fadas, bruxas e gnomos

quinta-feira, agosto 09, 2007 · 0 comentários

Adalton Oliveira


O advento da Modernidade pôs o homem dotado de razão no centro do universo. A partir daí, estariam banidas as explicações fantásticas para os acontecimentos do dia a dia. Superava-se então a idéia de destino; agora, cabia ao indivíduo decidir os rumos de sua vida. Deus, nesse novo mundo, perdia sua primazia e assumia um papel unicamente espiritual, quando não era relegado a um plano puramente feérico.
Cabia, pois, aos homens organizarem suas vidas, sem depender mais da boa vontade dos deuses. O desenvolvimento do capitalismo, calcado numa razão instrumental, ou seja, exercida com fins devidos e meios especificados, nada mais foi do que fruto vigoroso dessa nova maneira que os homens "encontraram" de encarar a realidade. Nesse mundo dominado pela mercadoria, essência da produção capitalista, não haveria mais espaço para o fantástico, para o irracional. Tudo se resumiria agora ao cálculo econômico, maximizador de prazer e redutor de sofrimentos.
Mas, curiosamente, esse mundo habitado de seres racionais e hedonistas é ainda povoado por anjos, fadas, bruxas e gnomos. O destino, traçado no plano metafísico, continua a ser invocado como explicação para os fatos do cotidiano. Os homens insistem em apelar para os orixás quando em dificuldades e, quando não, agradecem aos santos pelas graças recebidas. Escritores fazem fortunas povoando suas obras de seres mitológicos, capazes de solucionar todos os problemas num simples estalar de dedos. Vivemos ainda em um mundo povoado de seres imaginários que nos ameaçam tanto quanto os seres de carne e osso que encontramos nos faróis das grandes cidades, sedentos por nossas carteiras ou simples relógios. Viver, como diria Guimaraens Rosa, continua a ser algo perigoso nesse lugar onde o fantástico e o real convivem lado a lado.
Mas, o que explicaria esse retorno (ou esse não abandono) ao mundo das fadas e bruxas. Talvez porque a razão não foi capaz de compreender inteiramente o mundo que nos cerca, ou talvez porque as mercadorias não nos trazem a felicidade que dizem nelas estar encapsulada. Então, assustados e infelizes, buscamos consolo na fantasia, tal qual crianças curiosas ouvindo contos de fadas.

clique no título para ler Brasília, cidade-fantasma



Tempo nublado

quarta-feira, agosto 08, 2007 · 0 comentários

mais fácil colocar a culpa no mundo

Tempo nublado. Chuva fina insistente. Alma que sofre. Olhar que esquece o brilho. Sorriso que não sai. Palavras que se calam. Insatisfação que domina.
Sentimentos. Administrá-los é necessário saber. O problema é quando eles resultam em ondas dolorosas. É quando as vontades, todas elas, ou quase todas, se vão. Daí, simples ato se torna uma empreitada rejeitada. Que fazer? Esperar que passe. Calar-se. Recolher o corpo. Optar pela ausência. Deixar de pensar não é possível...
Este flerte com o vazio tem suas causas. Muitos estão adoecidos. Por isso já não fico indignado com aquela cara amarrada. Condeno cada vez menos a dificuldade do outro em se comunicar. Mas ainda falho, pois sou assim tão cheio de falhas. Ainda, por vezes, me aborreço. Projeções insistem em acontecer.
Tudo bem! Que adianta eu dizer que o mundo que é vazio? É disfarce. Fazemos isto. Intenção de disfarçar o vazio nosso. É assim. Difícil assumir responsabilidades, principalmente as psicológicas.

Não sei se terminei este texto. Se o fiz, perdi a folha que era rascunho. Em respeito a este dia, digo apenas a data em que ele foi escrito. Não intervenho. Escrevi em 27Ago2007.

clique no título para ler LA TEMPESTAD NECESARIA



Trama literária

terça-feira, agosto 07, 2007 · 0 comentários

a segurança que vem do auto-conhecimento

Trama literária. Termo que acredito já ter usado. O caminhar que abandonou repentinamente a tranqüilidade. A insegurança que sugeriu a pauta. Daí então, meus pensamentos tramaram um texto. De certo, faltou a certeza da pauta. Não é poucas as vezes que isto me ocorre.
O assunto se mostra evidente em mim. O fato é que estou cansado de não me expressar. Preciso deixar que as palavras gritem por minha alma. Na verdade, cada vocábulo é um grito dela.
Segurança. Quem tem, vive melhor. Alguns são seguros de acordo com as circunstâncias. Não são felizes de fato, mas seguem melhores que aqueles com insegurança constante.
Medo de gente. Este é o pior dos medos. Lembro-me daquele olhar inseguro. Toda aquela perturbação. E a fuga constante era modo de mergulhar ainda mais medroso. O tempo passou. Sei que aquele desconforto do outro era circunstancial. As razões, não sei...
Mais segurança temos quanto mais sabemos de nós. Viver para se conhecer. Muitos filósofos já disseram isto. Eu apenas os repito, e concordo.
Ilustrar para prosseguir. Personagens reais. Um modo que agrada aos leitores. Assim, é possível ver que o barco não é de um tripulante só.
Aquele rapaz. Seu profundo complexo de inferioridade. A arrogância como arma de defesa. Em nossa competição, meu prazer em ver seus sofrimentos momentâneos. Ambos éramos pequenos em nossos pensamentos...
Ilhas de segurança. Circunstâncias. O rapaz em questão crescia frente aqueles simples equipamentos de edição de vídeo. Criara para si a ilusão de grande conhecimento. Elegera-se como o mais habilitado profissional do ramo. Eu lhe era um inimigo, justamente por saber que tudo não passava de amarga ilusão.
Em seu carro. Seus complexos eram maquiados. Naquele belo 0km, boa parte de seu histórico salarial. O problema é que não dá para chegar a uma simples recepção vestido de automóvel.
Insatisfeito com seu cargo, reclamava reconhecimento por parte do patrão que um dia lhe pareceu amigo. Apostara na afetividade para galgar cargos. Desavisado, ficou para trás face à profissionalização da empresa. O dinheiro para investimentos em educação estavam na vaidade automotiva.
Fácil era criticar o rapaz. Difícil é conviver com os complexos. Alguns tem a sorte de que eles se tornem ferramentas de ação. De qualquer maneira, não são de fato passos felizes. Enquanto perdurarem os complexos, a insatisfação vai trazer a conta vez em quando. Na obviedade a ser dita, enfrentar as dificuldades é saída obrigatória.

clique no título para ler Bom Retiro. E um dia de mau humor



Fale comigo

adelcir@gmail.com
k

fotos: Patrícia Crispim
c

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
Lilian Guimarães
Adalton César
v
c
b
c
c
c
l

opinioesecronicas@yahoo.com.br