PALHAÇOS NA PLATÉIA

sexta-feira, dezembro 01, 2006 ·

Oficina de Redação - Texto com alterações feitas pelo professor José Alves Trigo
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Política e circo. A comparação possível. Mas os palhaços estão na platéia. Dão seus votos e provocam risadas de contentamento. Estendem as mãos. Quem sabe alguma mágica. O problema são as cartolas dos candidatos. Ali, verdades escondidas. Com truques, esquecem promessas. E depois se vangloriam pelo o que fizeram. O que deixaram de fazer pouco importa.
O povo segue na corda-bamba neste espetáculo mambembe. Muitos caem no picadeiro. Alguns nem sobem na corda. Ficam por baixo mesmo. A importância dos eleitores é apenas durante as eleições. Mas a sensação de nariz de palhaço fica antes e depois das eleições. O máximo que cada palhaço pode fazer é vaiar. E rir de si. Acreditando que a piada é boa. E que, numa próxima eleição, algum passe de mágica possa ajudar a melhorar a vida. Sem perceber das artimanhas do ilusionismo.
Os partidos são as companhias circenses. Armam a lona. Tudo feito de forma muito glamourosa. Cada uma contrata um mentor. A publicidade fica encarregada das máscaras. Circo é ilusão. Política não pode ser diferente. Na telinha de TV, o show para palhaços calados. Nada de palmas ao fim da apresentação. Hora da mágica principal. Aquela em que o mágico corta a moça em vários pedaços. E o faz com ela dentro de uma caixa. Faz a separação. E aí você tem caixa-um, caixa-dois, caixa-três. E ninguém consegue entender. Como consegue o mágico dividir em tantas caixas? Mas ninguém pede auditoria. Mesmo com desconfiança da ilusão.
O dia do voto. É o bilhete de entrada. O palhaço, hoje em dia, aperta teclas. Vê a foto. Confirma. Verde para o candidato. Pega o comprovante. Vai para a casa. Depois confirma. Qual circo vai ganhar o campeonato das farsas. É o direito de se apresentar por quatro anos. Um show que acaba custando caro. Muito caro. E tudo é visto passivamente. A diferença, como já foi dito, é que os palhaços estão sentados. Assistindo. Inertes. Sem graça. Nenhuma.



1 comentários:

Anônimo disse...
agosto 26, 2007  

É tens razão.Somos lembrados somente nas horas oportunas.E não como mentes q pensam e sim como votos,mais um aqui,outro ali,outro e outro!!Como se fossemos animais....jumentos,talvez!!Sem raciocínio lógico!
Algus,é verdade,são comprados,pobres criaturas...e nos colocam em maus lençois.
Dá vontade mesmo é de sair do país.Ir a um outro onde haja responsabilidade social e menos impostos.

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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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