BLOG LISONJEADO

quinta-feira, dezembro 28, 2006 ·

Caminhos agressivos. Não mais que desonestidade por aí
O blog está lisonjeado. Duas professoras tencionam usar textos dele em suas aulas. O que é muito gratificante para este que escreve. Uma delas quer assuntos polêmicos, como a política. Outra até deseja convidar o autor dos textos para discuti-los com os alunos. Fato extraordinário.
Gerar identificações. Semear debates. Acordar. Emocionar. São algumas das intenções deste sincero blog. Que tem feito isto timidamente. Claro que permanece vivo o desejo de um texto tirar todos do silêncio. Por exemplo, do silêncio em relação aos desmandos da nossa classe política. Ou da nossa péssima distribuição de renda. Não só aqui no Brasil. Atentar para a desnecessidade do luxo. Que de nada vale estar num cruzeiro enquanto alguns estão em barracos fétidos, com cheiro de lixo e ratos como vizinhos. A sociedade é um caos que finge normalidade. A democracia é uma cortina. Bush a usa para dizer que tudo é perfeito. Enquanto a pobreza rola solta. Com armas tenta levar democracia ao Iraque! Nada democrático o ato! E aqui no Brasil? Bom, aqui os militares fizeram muita gente sofrer. Quase acabaram com a nossa economia. Aí, civis “bem intencionados” lutaram por diretas já. Conseguiram. Muitos destes civis são os mesmos que hoje assaltam os cofres públicos.
O problema está na democracia? Não. O problema é como ela é exercida. E por quem ela é exercida. O fato é que tomaram o poder. Uma classe, praticamente toda composta por membros da elite, está no poder. Governa para si. Enquanto o povo dorme. O fio de esperança são os movimentos sociais. Mas muitos nem querem ouvir falar de política e políticos, ou até de governo. Não pode ser assim. Os movimentos sociais devem gerir figuras políticas. Colocá-las no poder. Apear os milionários da gestão do Estado. De uma vez por todas, milionários estão preocupados com seus negócios. O povo não importa.
Assim. Enquanto escrevo, este silêncio. Parece tudo normal. Mas os tiros estão saindo. Dinheiro entrando em contas erradas. Miséria mantida. Água que não chega. Estrada que não fica sem buraco. Ferrovias devagar (boa notícia: serão investidos mais de 12 bilhões de reais nas nossas ferrovias; espero que sem desvio de verbas e que não seja meramente para favorecer a amigos do poder). Saneamento não universal. Escola que ensina a odiar os estudos. Talentos desperdiçados. Salários abusivos no funcionalismo público. Grupos pequenos, bem pequenos, aumentando seus próprios salários. E não é por que trabalham muito. Governantes se negando a tornar a administração pública mais eficiente. Preferem o uso político da máquina. Muitos deles se fingiram de esquerda enquanto era bom do ponto de vista de marketing político. Corruptos são perdoados. Fatos criminosos contra a administração pública são esquecidos. Empresários corruptos são apadrinhados. Membros da imprensa se calam. E ninguém se pergunta por que pouca denúncia sobre corrupção nos jornais se é sabido que tanta corrupção há neste país. Desonestos andam de nariz empinado em carros blindados. E o pior é que são admirados. E tem gente apenas revoltada contra aquele pobre que está atrás das grades. Tem ladrão até que é eleito deputado. E tem deputado que vai lhe dar parabéns. É isso. Espertos são os que enganam. É o país dos "espertos". Onde alguns ganham muito. Outros ganham um pouquinho. E este pouquinho já lhes basta. Quando muito melhor seria que todos ganhassem. Pois todos ganhando tem-se a possibilidade de maior proximidade com a harmonia. Mas isto seria para uma sociedade desenvolvida. Sem lideranças. Mas com a participação coletiva. Mas é isso. Enquanto o lucro for venerado. O status social for o mais importante, idiotas seguirão sendo enganados. Por outros não menos idiotas. E cada um fará de tudo para estar do lado dos que enganam. Sem saber o quanto são idiotas. Que a vida é muito mais que ganhar dinheiro. Bom, é isso. Texto meio agressivo? Não mais que a desonestidade que há por aí.
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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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