EU. VOCÊ. O OUTRO VOCÊ

sábado, dezembro 30, 2006 · 0 comentários

Não leia. Pense nas oportunidades que passaram. Que você não sabe o que perdeu. Faça o mesmo com este texto. Mas não o encare como uma oportunidade perdida. Seria pretensão de quem escreve. Apenas compare. Reflita. Faça deste texto ilustração de sua vida. E fique tranqüilo. Oportunidades passam. Outras surgem. E este texto passará em branco por você. Outros virão. Assim se espera. Você poderá ler ou não.
Será que você ainda está aqui? No texto? Olhos presos? Curioso? Ou se chateou ao lembrar daquela oportunidade? Algo que você queria esquecer. Assim o primeiro parágrafo lhe foi inconveniente. Então esqueça. A oportunidade. O parágrafo...
A oportunidade por um texto vem. Deixo-a passar. Creio poder escrever posteriormente. Mas se vai a idéia. E o texto inexiste, então. Cobro-me? Às vezes! Mas os assuntos não cessam. E não é preciso que haja somente desgraça para escrever. O belo também produz interesse. Este foi o parágrafo reflexivo, creio.
Talvez você tenha aceitado o pedido. Deixado este texto de lado. Termino imaginando a não leitura. Não quero adivinhar onde está você. Isto não importa. Sei que imagino sua ida. Para onde, pouco sei. Na verdade, nada sei. E você se foi. Ou não. Segue passos. E aqui vai o texto. Segue passos também. Busca palavras. O encontro é tranqüilo. É a oportunidade para um texto. Um aproveitamento que não importa se é feliz. Foi experimentado. Aproveitou-se o momento. E sabe se perdeu ou não o tempo. Bom, na verdade o tempo sempre é perdido. Ele sempre se vai. Como você. Que não leu o texto. Optou por outro algo. Diferentemente do outro você. Que leu. Chegou ao final. E calou-se. Sorriu? Não sei! Arrependeu-se? Não sei! Nem eu. Nem você. Só quem sabe é o outro você. Enquanto nós sabemos apenas nós. Cada um de si.



BLOG LISONJEADO

quinta-feira, dezembro 28, 2006 · 0 comentários

Caminhos agressivos. Não mais que desonestidade por aí
O blog está lisonjeado. Duas professoras tencionam usar textos dele em suas aulas. O que é muito gratificante para este que escreve. Uma delas quer assuntos polêmicos, como a política. Outra até deseja convidar o autor dos textos para discuti-los com os alunos. Fato extraordinário.
Gerar identificações. Semear debates. Acordar. Emocionar. São algumas das intenções deste sincero blog. Que tem feito isto timidamente. Claro que permanece vivo o desejo de um texto tirar todos do silêncio. Por exemplo, do silêncio em relação aos desmandos da nossa classe política. Ou da nossa péssima distribuição de renda. Não só aqui no Brasil. Atentar para a desnecessidade do luxo. Que de nada vale estar num cruzeiro enquanto alguns estão em barracos fétidos, com cheiro de lixo e ratos como vizinhos. A sociedade é um caos que finge normalidade. A democracia é uma cortina. Bush a usa para dizer que tudo é perfeito. Enquanto a pobreza rola solta. Com armas tenta levar democracia ao Iraque! Nada democrático o ato! E aqui no Brasil? Bom, aqui os militares fizeram muita gente sofrer. Quase acabaram com a nossa economia. Aí, civis “bem intencionados” lutaram por diretas já. Conseguiram. Muitos destes civis são os mesmos que hoje assaltam os cofres públicos.
O problema está na democracia? Não. O problema é como ela é exercida. E por quem ela é exercida. O fato é que tomaram o poder. Uma classe, praticamente toda composta por membros da elite, está no poder. Governa para si. Enquanto o povo dorme. O fio de esperança são os movimentos sociais. Mas muitos nem querem ouvir falar de política e políticos, ou até de governo. Não pode ser assim. Os movimentos sociais devem gerir figuras políticas. Colocá-las no poder. Apear os milionários da gestão do Estado. De uma vez por todas, milionários estão preocupados com seus negócios. O povo não importa.
Assim. Enquanto escrevo, este silêncio. Parece tudo normal. Mas os tiros estão saindo. Dinheiro entrando em contas erradas. Miséria mantida. Água que não chega. Estrada que não fica sem buraco. Ferrovias devagar (boa notícia: serão investidos mais de 12 bilhões de reais nas nossas ferrovias; espero que sem desvio de verbas e que não seja meramente para favorecer a amigos do poder). Saneamento não universal. Escola que ensina a odiar os estudos. Talentos desperdiçados. Salários abusivos no funcionalismo público. Grupos pequenos, bem pequenos, aumentando seus próprios salários. E não é por que trabalham muito. Governantes se negando a tornar a administração pública mais eficiente. Preferem o uso político da máquina. Muitos deles se fingiram de esquerda enquanto era bom do ponto de vista de marketing político. Corruptos são perdoados. Fatos criminosos contra a administração pública são esquecidos. Empresários corruptos são apadrinhados. Membros da imprensa se calam. E ninguém se pergunta por que pouca denúncia sobre corrupção nos jornais se é sabido que tanta corrupção há neste país. Desonestos andam de nariz empinado em carros blindados. E o pior é que são admirados. E tem gente apenas revoltada contra aquele pobre que está atrás das grades. Tem ladrão até que é eleito deputado. E tem deputado que vai lhe dar parabéns. É isso. Espertos são os que enganam. É o país dos "espertos". Onde alguns ganham muito. Outros ganham um pouquinho. E este pouquinho já lhes basta. Quando muito melhor seria que todos ganhassem. Pois todos ganhando tem-se a possibilidade de maior proximidade com a harmonia. Mas isto seria para uma sociedade desenvolvida. Sem lideranças. Mas com a participação coletiva. Mas é isso. Enquanto o lucro for venerado. O status social for o mais importante, idiotas seguirão sendo enganados. Por outros não menos idiotas. E cada um fará de tudo para estar do lado dos que enganam. Sem saber o quanto são idiotas. Que a vida é muito mais que ganhar dinheiro. Bom, é isso. Texto meio agressivo? Não mais que a desonestidade que há por aí.
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COM PRESSA. SEM DESESPERO

quarta-feira, dezembro 27, 2006 · 0 comentários

Sobre muito há o que o escrever. Quantos fatos eu não mencionei. Os 21 projetos de combate à corrupção que foram engavetados pela atual legislatura do Congresso. Ou o fato de que metade das riquezas do mundo está nas mãos apenas de 1% da população mundial. São dois exemplos os quais eu pensara em produzir um texto a respeito, indignado que fiquei. Não passei da intenção. A indignação permanece. Silenciosa. Brasileira. Este blog de fato é um palco da vida.
Hoje não há assunto. De minha parte. Pois os fatos seguem ocorrendo. Aviões não decolam. A TV não pára de falar sobre isto. Pobres não são atendidos com a devida pressa nos hospitais públicos. Esta espera não importa muito à imprensa. Já se tornou comum. Milhares seguem não encontrando emprego. Outros milhares anseiam por um amor. Bombas ainda explodem. A fome segue matando. O individualismo também. É melhor não esquecer que prossegue existindo luxo desnecessário.
Enfim, há muito que dizer. Talvez seja necessário pressa. Não vale desespero. De certa forma eu disse algo. Até tenho pressa em dizer. Não tenho desespero.



BEXIGA. BALADA DE QUALIDADE

segunda-feira, dezembro 25, 2006 · 0 comentários

Bexiga. Rua 13 de Maio. Região Central. A chuva passou. Guarda-chuva na balada não é elegante. Deixo então o paráguas em um vaso de flores na bela rua. E sigo caminhando. Pensei que fosse mais perto. Mas vale a penar caminhar por aquelas calçadas por mim desconhecidas.
Fico encantado com as cantinas italianas. Tudo com muito glamour. Pergunto. Preciso de certeza. Será que estou no local certo? Basta seguir em frente. Ainda está um pouco longe. Táxi, não é o caso. A caminhada passa rápido, diz simpaticamente o manobrista.
Café Piu Piu. Placa discreta. Nome engraçado. Visual agradável. As duas moças à minha frente. Reparo libidinosamente em uma delas. Não são belas. E parecem que não vão entrar. A casa não aceita cartão de crédito. Estamos em São Paulo!
Dez reais. Não estou muito à vontade. Miro pelo vidro. Não vejo a anfitriã. Entro. O ambiente é agradável. Segue quase vazio. Toca música de boa qualidade. Logo avisto a bela aniversariante. Surpreendo-me com sua beleza. Já a havia visto outras vezes. Bela também. Mas não tanto quanto hoje.
Sou o primeiro convidado a chegar. A pontualidade me acompanhou. Ela não está sozinha. Chegara junto com uma amiga simpática e com bom papo.
Descontração. Bom papo. Boa música. Uma bebida com pouco álcool. Telefonemas. Nem todos vêm. Alguns estão chegando. Outros desistiram. Um deles está doente. Presença muito desejada.
A mesa vai ficando pequena. Os demais convidados vão chegando. Um casal. Outro casal. Sócios de empresa. Solteira e solteiro. Uma mesa a mais. Cadeiras para todos. É só curtir a noite. O show ao vivo começou.
Rock de alta qualidade. Danças. O som alto cala as vozes. No intervalo, algumas palavras.
Sigo tranqüilo. Meu olhar não busca olhares. Curto a noite. Todos descontraídos. Já faz tempo, subtraio a minha bebida já um tanto enjoativa.
Volto ao banheiro. Desta vez não erro. Segurança nenhum precisa me retirar do banheiro errado. A casa está mais cheia. Creio que no ideal. Em dias comuns, fica difícil se deslocar, sou avisado.
Muita madeira no ambiente. Pessoas bonitas. Público mais maduro. Bom preço. Ótima localização. A temperatura já não é tão agradável. Um calor incomoda.
À mesa. Eu e ela. Bom papo como sempre. A aniversariante está feliz. O papo ameaça sedução. Sigo cuidadoso. Pouca ousadia. Já carrego certezas. A certeza de um beijo está implícita. Ela levanta-se com sua amiga. Convida-me para dançar. Aceito. Mas ainda aguardo. Elas vão para o meio da pequena multidão. Olho. Levanto-me. E sigo atrás.
Paradas. Perto da saída. Comentam sobre um rapaz. Pego nas mãos da aniversariante. Maciez em meus dedos. O primeiro toque. Sua amiga nos deixa a sós. O primeiro beijo...
A boa música prossegue. Não vejo muitos casais. Não há tanta paquera. Nem eu beijo tanto. Vez em quando eu e a aniversariante nos beijamos. Absoluta tranqüilidade.
O show vai acabar. A madrugada ainda dura mais um pouco. O grupo segue harmonioso. Observo sem a intenção de um texto. Subtraio muitas informações. Não escrevo tudo do pouco que vi e notei.
Contas pagas. Não vou embora sem um café. Lá fora, a sugestão. Hot-dog para todos. O vendedor não gosta de pedidos picados. Quer que peçam tudo de uma vez. Parece insultar os clientes. Carrega consigo uma ironia pouco refinada. Logo vira motivo de piada. Uso-o como inspiração.
Carona. Algumas risadas ainda. Metrô. Cansaço. Muito cansaço. A volta para a casa. Vocês devem estar perguntando sobre a aniversariante. Ela já se foi. Despediu-se carinhosamente. Um convite para almoçar. E agora, um único desejo. Deitar-me. Cerrar os olhos. Dormir. Descansar. Balada de vez em quando. O corpo não acostuma.



SILENCIO DE MI ALMA

sábado, dezembro 23, 2006 · 1 comentários

Uno texto. Solo quiero uno. E decir algo. Que no sé lo que es. Pero, escribir. E quien sabe encontrar la pauta en este parágrafo. En este caminar que hago con palabras. Sé que tengo un deseo. Quiero escribir. Pero hago equivoco. No sigo libre. Mi pensamiento está preso. Quiere una pauta. Como se fuera la pauta indispensable.
Toca la canción. El viejo Chico, un cronista. Pero mi atención está en mi deseo. Escribir. Hay alguna cosa extraña. Siento como si alguna persona suplicase un texto. Una obligación de escribir para esta persona. Pero, ¿Quién será?
Pienso en una mujer. Recuerdote de sus ojos. Su olor. Su suavidad. E sus deseos. Ella allá. Yo, acá. Un pensando en lo otro. La aceptación de que las cosas ni siempre son como deseamos. Pero no hay sufrimiento. Hay deseo. Cariño. Saudades.
El proseguir del texto. El deseo por nuevos caminos. Como en los pensamientos. Que vienen. Cambian. Sin organización. Y entonces aquella mujer. Sus ojos en mis ojos. Su vestido delicado. Y… La fuga del pensamiento…
La canción es otra. No la tengo atención. Oigo que mi alma quiere silenciar. Mi cuerpo desea acostarse. No es tristeza. Sueno, sólo. Bueno, creo que sea esto. Escribí. El texto no me contenta. Pero es esto. Y ahora ya no es más nada. Solo el silencio. De mi alma.



TORTURA NUNCA MAIS!

quarta-feira, dezembro 20, 2006 · 0 comentários

Final de ano. Trânsito. Shopping
Trânsito. Calor. Ansiedade. O shopping abriu há pouco. Está lotado, incrível! O desespero pelo produto. O stress da procura. Nem a companhia agradável ajuda. Chega de escolher. Talvez esta sirva. Agora é a fila. O caixa está cheio.
Qual é mesmo a senha do cartão? Quatro números! Mas quais? Sorte da lembrança da anotação. A senha era realmente aquela. Parcelamento. 2 x sem juros.
A fome bate fortemente. Fraqueza. Desespero. Onde foi parar a companhia? Olha. Procura. Anda por ali. Por lá. Cadê? Incrível! Como ela foi sumir? E a fome castiga. E procurar parece em vão. O jeito é anunciá-la na rádio da loja.
A companhia surge. Onde você estava é a pergunta óbvia. Agora é correr para uma lanchonete. Vai a que está mais próxima. Não tem pão de queijo. Os salgados são rejeitados. Um café. Onde? É só caminhar. Mas a fraqueza pede poucos passos. O quiosque é avistado. Mas não aceita cartão. Com a fome, não dá nem tempo de pensar no absurdo. Um estabelecimento comercial que só aceita dinheiro em papel ou metal!
O jeito é ir lá fora. Tem a casa que vende pães de queijo. Não importa se não tem muito gosto. Há outra perto, a companhia sugere. Não, vai este mesmo. Um banco apenas para sentar. R$ 1,70 o pão sem graça. Não! Não vale! Cadê a sugestão? É perto? Melhor ir para lá!
Aperto. Lotação. Senhas. Contradição. Vai salgado mesmo. Uma esfiha. Um café. Para ela, suco e esfiha de outro sabor.
O salgado está esbranquiçado. Mas a fome não vê cor. Uma cadeira. Não são muitas as que estão livres. Passar pelo labirinto. Sentir o stress aumentar. E calor, muito calor!
A primeira mordida. Cena de desespero. Nem viu a moça linda que tanta vezes vira. É que anda olhando menos. E ela está linda. Passa. Vai pra algum lugar. O que permanece é o stress. A fome diminuiu. Depois do salgado, o café. E ainda tem o suco dela! Tem que pegar a fila pra entregar a senha!
Suco com açúcar. Não, sem açúcar! Gelo. E a fuga. Sair dali. Sumir. Nunca mais voltar. A simpatia da dona de pouco valeu. Agora é caminhar debaixo do sol. Procurar o carro. E enfrentar sem vontade o trânsito.
Final de ano. Melhor ficar em casa. Ou viajar. Enfrentar um shopping lotado é masoquismo. Antes, o trânsito maluco e agressivo é soma na tortura. A alternativa é fazer as compras antes. Em novembro. Pela manhã. Sem carro. Usar o transporte público. E tomar café em um lugar tranqüilo. A companhia pode ser a mesma.
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SUPUESTO ERROR DEL TIEMPO

domingo, dezembro 17, 2006 · 1 comentários

El hombre. La mujer
Un hombre. Una mujer. Deseos. Besos. Toques. Olores. Y la prohibición. ¿Que hacer? ¿Y ahora? ¿Lo que será? Ellos no saben. Tienen miedo. De sus deseos. De la responsabilidad. Pero, los freos están débiles.
Ello. Las mujeres. Su libido en alta. Quiere mujeres. Sigue abierto para los encuentros marcados por la vida. Ella. Una mujer especial. Miedo del abandono. Y mucho miedo de sus deseos…
Ella sabe. El hombre quiere una mujer. Talvez más que una. Ella entiende. Sólo no quiere el fin de lo que hay entre ellos.
Una carta sin firma. La confesión de los sentimientos. De los deseos. De los sufrimientos de el cuerpo. De los miedos de los deseos…
El beso. El encuentro de lenguas. Labios. El toque en la pele. El olor de ella que a él le agrada. Ojos en los ojos. La expresión de deseo. Lo cambio de sonrisas. Palabras. Invitaciones. Devaneos. Y besos, más besos…
La súplica. Mejor parar. La fragilidad de las fuerzas. Atracción. Cariño. El deseo por la presencia. El recuerdo de la prohibición…
Un hombre. Una mujer. La sorpresa. Cosas de la vida. El placer con las dudas. El error del tiempo. ¿Elle llegó en la hora errada? ¿Quién sabe? Los dos no saben. Sólo saben que se desean. ¿Uno encuentro apenas? ¿Bastará para apagar la llama? ¿O incendiará los encuentros? La respuesta. No hay ahora. Lo tiempo pasará. E sólo así ellos sabrán lo que será.
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ESCÂNDALO NO ÔNIBUS. UMA MOÇA CONHECIDA. E O MEU MORALISMO

sexta-feira, dezembro 15, 2006 · 0 comentários

O ônibus pára em frente ao posto policial. Buzina. Chama pelos guardas. Dentro do ônibus, a moça grita. Chora. O álcool a faz perder a noção de bom senso. O cobrador quer que ela desça. Juntamente com sua amiga, que vomitara vinho pelo piso do coletivo. Eu já não leio mais. Observo. Igual aos demais.
A moça alcoolizada. Os gritos. As ameaças. Os palavrões. E a tentativa de humilhar o cobrador. Lembro-me dela. Fizemos juntos uma aula no SESC. Ela pareceu-me de bem com a vida. Muito simpática. Rosto sorridente. Sei lá se eram máscaras.
Sei que ela mora próximo à minha casa. Mas jamais a cumprimentei. Também estuda na universidade em que trabalho. No mesmo campus. Mas jamais nos falamos. E nem desejamos algum contato.
Eu caminhava para o ponto de ônibus. Há mais de um mês eu optara pelo metrô. Mas ontem resolvi mudar. Não gosto da mesmice. Gosto de variar. Próximo à escada sinistra que me levaria para a Avenida 23 de Maio, cujo trânsito não é interrompido por nenhum farol, eu avistei a moça. Ela abraçava um rapaz. Uma outra moça se ria de costas para o público. Reparei em seu corpo. Gostei do que vi. Mas olhei rápido. Desci a escada. Cercada de matos e mau cheiro.
O ônibus não demorou. Para a minha surpresa, não estava lotado. Entrei e busquei um assento. A moça desocupou o que seria meu espaço. Suas tralhas podiam ficar em seu colo. Não fui simpático ao pedir licença. Ultimamente não tenho sorrido muito para estranhos.
Sei que as moças adentraram ao ônibus. Suas risadas altas me incomodavam. Gosto de discrição. Não sei os motivos que as fizeram demorar tanto para passar pela catraca. Uma delas sentou-se ali na frente, próximo a mim. A que faria o escândalo permaneceu em pé. Insistia que sua amiga fosse para o fundo do ônibus. Cochichava algo em seu ouvido.
Vômitos. Risadas. Piadas do cobrador bem humorado. Que pede que a moça não ande pelo coletivo, para que não haja risco de sujá-lo ainda mais. De forma truculenta, a minha vizinha trata mal o profissional responsável pela catraca. Tenta humilhá-lo. Diz que seu salário é para limpar vômitos. Em seguida solta um palavrão tão feio quanto o seu comportamento.
O cobrador levara tudo com bom humor. Mas de repente dá uma dura na moça alcoolizada. Inicia-se uma discussão. Ela se mostra muito agressiva. Revela desejo em lhe dar um tapa na cara. É ameaçada pela intenção de um murro. O que a deixa escandalizada.
Berros. Choro. Buzinadas. Dois guardas adentram ao ônibus. O cobrador denuncia a moça em prantos. Ela ameaça agredi-lo novamente. É avisada que pode ser presa. Está claro que os militares a têm como a causadora da desordem. O fato de estar embriagada atenta contra ela, que cobra de nós passageiros coragem para confirmar que foi ameaçada de levar um murro. Ninguém o faz. Eu desejo que os guardas a levem. E um dos tenentes, com a arma na mão, solicita que ela vá para o fundo do ônibus. Ele parece bastante despreparado para a situação. Creio que está mais acostumado a agir com truculência. Ordena que o cobrador se cale. E levanta a voz para a moça, ordenando sua ida para o fundo do coletivo. Sem mais, ela sai andando pelo corredor. Desce pela porta traseira. É seguida pelo tenente mal encarado. O outro, mais calmo, faz o mesmo. A moça grita indignada. Quer que o cobrador fique também. E chora. Eu olho para seu rosto. Carrego comigo indignação e moralismo. Meu desejo é que ela seja punida.
A única pergunta que faço é se o tenente gritaria com uma mulher de classe alta. Sabemos que a polícia existe para proteger os ricos dos pobres. Para manter a “ordem” injusta. Vez em quando eles fingem coletividade. Como fez o tenente ao dizer que a moça estava atrapalhando os demais passageiros. Uma forma de ganhar a nossa simpatia. De fato ela atrapalhava. E incomodava. Ao mesmo tempo que nos divertia. O fato, caros leitores, é que tudo que tire a vida da normalidade nos provoca prazer. Pensem, por que um acidente com vítimas atraem tantas pessoas? É a busca pelo prazer.
Não retornei à minha leitura. Que se tratava de um livro denúncia contra uma corporação violenta da polícia de São Paulo, a ROTA. Segui para minha casa. Onde sigo sozinho. Lá estaria minha cachorrinha a me esperar. Tudo tranqüilo. O fato ocorrido deu-me reflexões sobre o jornalismo. O ocorrido me deu este relato. Se tivesse sido mais trágico, eu teria mais assuntos. Mas sobre isto falo em outra oportunidade.



Fase compreensiva. Menos crítico. Menos textos

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Houve um tempo. Ele passou, posto que houve. Eu condenava os mal humorados. E me irritava. Precisei experimentar tal estado para abraçar a compreensão. Vai se saber o que se passa com as pessoas...Vivenciar. Sentir. Estar na pele. Isto nos ajuda a entender melhor o outro. Depende de cada um.Vejo aquele senhor cheio de medos. Algo diferente a fazer, o pânico se instala. Não me irrito. Sobre medos tenho larga experiência.Agora adentro uma fase compreensiva. Isto, creio, tem a ver com o fato de produzir textos em menor quantidade. Sigo menos crítico. Bem menos. Só espero não flertar com a indiferença. E seguir acrítico. Isto não é bom. Não podemos viver anestesiados. Por hoje é só.



Texto em dois tempos

quinta-feira, dezembro 14, 2006 · 0 comentários

02Out2006
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Algumas vezes flertei com a poesia. E textos poéticos foram produzidos. Não avalio a competência do ato. O que me vale é que me fez bem. E agradou aos que leram. Ou não agradou. Foram poucos os flertes. Quisera paquerar a poesia mais vezes. Mas não é sempre que isto é possível. Nem mesmo escrever qualquer texto todos os dias é possível. Vai, não do desejo. Mas do que se vai por dentro. De como está a alma. É com ela que escrevo...
Fiquei largo tempo sem me expressar aqui. Até tentei. Fiz algum esforço. Mas os parágrafos produzidos foram anulados. Jamais serão lidos. Não farão falta alguma.Quem sabe este momento seja o reencontro com a inspiração. Quem sabe a alma esteja apta a me dar idéias. Assim espero. Ficar sem escrever não é bom. Para dizer de um modo simples. Assim, creio que é possível tentar. Mais um texto. Agora.
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14Dez2006
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Aqui o confronto com a realidade. Desejo por mais um texto. Mas o tempo passa. E vai se encurtando. Meu compromisso diário logo vai chegar. E aí eu perco um pouco da minha liberdade. Farei o necessário. Seguirei meu rumo. Nesse instante, não serei mais meu. Serei da empresa. Mas isto não é um lamento. Apenas uma reflexão. Talvez até despropositada. Ou não. Nem sei. Será? Sei que olho para o relógio. A pressa dele é maior que a minha. Olho também para as mãos. Que revelam momentos de ansiedade e angústia. Eles sempre vêm. Nem sei se é possível evitá-los. Talvez seja possível conviver com eles. Melhorar a forma de recebê-los. Evitar não é caso. Sigo aqui. Vocês já sabem. O tempo é menor agora. Não quero que isto os angustie. Ou será que quero? Talvez para fazê-los sentir o pesar do passar das horas? A rapidez do tempo? A certeza de este momento logo deixará de existir. E os próximos momentos também se vão como se nunca tivessem vindo? Será que é isto? Talvez...Não sei o que é o tempo para ela. A cadela aqui ao meu lado. Que olha para a janela. E não é que veja algo. Ela tenta sentir. Podemos imitá-la. Não devemos nos satisfazer apenas com o que vemos. São os olhos da alma. Há um filme com este nome. Que é fantástico. E que é claro que o ser humano vê com a alma. Por isso cada um sente algo diferente. Deixando de lado os sentimentos coletivos. Muito expressos frente à TV. Já pensou se cada um visse de um modo diferente determinada propaganda ou algum programa idiota de nossos canais de TV idiotas? Por um momento, que já se foi, esqueci absolutamente do tempo. Foi quando dei uma olhadela para o relógio. E ele lembrou-me de terminar esta reflexão. Só não me disse como fazê-lo. Isto cabe a mim. Que já entrei no parágrafo final. Falei mais do tempo. De sua rapidez. Até de sua provável inexistência. Como se eu tivesse elementos teóricos para falar disso. Mas cada um diz o que quer. Eu digo isto. Não busco concordância. Apenas digo. De forma escrita. Quando escrevo que já não mais digo. Por ora.



RICOS FORA DO PODER

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A indignação nos faz escrever. Li o livro “Abusado – o dono do Morro Santa Marta”. Um retrato do funcionamento do tráfico nas favelas e da relação da polícia carioca com este segmento da sociedade. Escrito por Caco Barcellos, o livro é também uma denúncia das práticas de tortura por parte dos policiais, que cometem atos fora da lei, com abuso de autoridade e absoluto desrespeito pelo ser humano.
“Abusado” despertou meu interesse por aqueles que vivem nas favelas. Também me fez flertar com o jornalismo investigativo. Assim, dei início à outra leitura. “Rota 66”, do mesmo autor. Agora em São Paulo. Ainda no início, já pude ler o relatos dos abusos da polícia paulistana, bem como sua gana em matar.
Os livros se dão em épocas diferentes. Abusado é desta década, enquanto o "Rota 66" narra fatos acontecidos durante a ditadura militar.
Eu já havia percebido que a polícia existe para defender o patrimônio. Que proteger as pessoas é algo secundário. Que aqueles que têm melhor poder aquisitivo são os respeitados pelos defensores da "ordem" social injusta. Ao ler estes livros, vi o quanto o pobre é desvalorizado. E o desprezo que o poder oficial tem por eles.
Evidentemente que esta postura do Estado brasileiro é absolutamente infeliz. Evidentemente que as pessoas que estão no comando não passam de bonecos. Tipos infelizes. Egoístas. Preocupados com poder e prestígios. Pessoas absolutamente inúteis para a sociedade.
Dia destes, entrevistei junto com uma amiga de faculdade, Carolina Santana, a presidente de uma associação que ajuda crianças especiais. Fantástico ver o quanto ela despreza o prestígio social. Sua dedicação ao ser humano. E seu desprendimento em relação aos detentores do poder. Saí de lá maravilhado. Sei que não faço praticamente nada para melhorar esta sociedade. Claro, se eu pudesse arrancar os donos do poder de onde eles estão e bani-los de nossa sociedade, eu o faria com muito prazer.
Por isso que eu digo aos meus amigos que não votem nos ricos. Eles não vão fazer absolutamente nada para equilibrar a sociedade. Vão trabalhar pelos seus. E é incrível como as pessoas seguem votando em milionários. Nas últimas eleições, vários milionários foram eleitos. E agora? O que vão fazer para promover a justiça social? Nada! No máximo, uma medida para maquiar reais interesses.
Penso que as soluções do mundo não estão nos governos. Estão sim em meio à sociedade. Em pessoas que presidem pequenas associações. Nos movimentos sociais. Estes precisam crescer e contagiar. E só assim poderemos derrubar os ricos do poder. Eles não podem continuar a decidir por nós. E decidir apenas em favor próprio.
Termino com um link. Pimenta Neves foi condenado. Um rico. Que entra com os recursos que parlamentares ricos criaram para dificultar a prisão de quem tem condições de gastar fortunas com advogados também ricos. Este homem deve ser preso. A Justiça não deve apenas prender os pobres. Que o jornalista que assassinou sua namorada cumpra os 89 anos que foi condenado na cadeia. E que a Justiça não faça corpo mole para prendê-lo. E, mais uma vez, que os ricos saiam do poder.
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clique no título deste texto para ler A POLÍTICA COMO PRODUTO DE CONSUMO



DONA MARGARIDA - uma empreendedora social

segunda-feira, dezembro 11, 2006 · 0 comentários

Por Adelcir Oliveira e Carolina Santana
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O C.O.T.I.C. (Centro Organizado de Tratamento Intensivo à Criança) nasceu de um erro. A sua fundadora, Maria Margarida de Mello, sonhava em montar uma casa de assistência às crianças portadoras de HIV. Deixou que um de seus parceiros cuidasse do cadastro da entidade junto ao órgão oficial. A funcionária do órgão confundiu-se. Registrou a casa como um centro de atendimento às crianças especiais. Nasceu o C.O.T.I.C – um referencial na zona norte de São Paulo como casa de assistência às crianças com necessidades especiais e câncer, vítimas de uma realidade social bastante precária.Após sete anos de existência, mais de 360 crianças passaram pela casa. Para a presidente da entidade, é motivo de muita alegria quando uma delas é adotada. Normalmente, as famílias adotantes são de alto poder aquisitivo. Uma dinâmica onde menores rejeitados pelos pais acabam sendo acolhidos por outros, ávidos em dar amor e carinho para elas. De acordo com Dona Margarida, é isto o que mais necessitam. E relata a mudança para melhor daquelas adotadas quando retornam à casa para visitação.Hoje são cerca de 60 crianças abrigadas. E já há uma fila de espera de 23 menores de idade. Elas chegam ao C.O.T.I.C principalmente por denúncias dos hospitais contra os pais. Após passar pelos trâmites judiciários, tornam-se responsabilidade da Tia Margarida, como é carinhosamente chamada pelos meninos e meninas assistidos pela entidade.Dona Margarida tem muita história para contar. Carrega consigo uma vasta experiência em filantropia. Faz o trabalho voluntário por amor. E sente-se quase totalmente realizada. Assim, em 2007 quer realizar o seu grande sonho: montar uma casa de apoio às crianças com HIV. Se depender de garra, este sonho será mais um exemplo de sucesso na filantropia brasileira.Para a sobrevivência da entidade são necessárias doações. Estas chegam aos montes. Sejam por pessoas físicas ou jurídicas. Há também um serviço de telemarketing que angaria recursos. Aqueles que se sentem incomodados quando recebe uma ligação telefônica pedindo doações, não imaginam a batalha o dia-a- dia das pessoas que trabalham em prol de outras vidas. Certamente, a doação de dinheiro é um ato muito menor em relação à doação do tempo que pessoas como Dona Margarida fazem sem nenhum interesse lucrativo.A bela casa que abriga as crianças fica em um bom bairro da zona norte de São Paulo, o Horto Florestal. Cercada por uma vizinhança de alto poder aquisitivo, a entidade recebe apoio dos moradores dali. Após pagar anos de aluguel, o grupo voluntário ficou sob o risco de perder a casa. Sua proprietária resolveu vender o imóvel. Como sorte não faz mal a ninguém, a curadora do projeto conseguiu um time de doadores. Foi com a ajuda dos jogadores do Corínthias que ela comprou o imóvel. Livre do aluguel, essa guerreira segue construindo outro prédio no terreno para fazer a junção das três casas do C.O.T.I.C. Tudo isto, fruto do espírito empreendedor da Tia Margarida.
Evidentemente, nem tudo é alegria. O que deixa Dona Margarida triste são os falecimentos. Cita como exemplo uma criança que morreu de síndrome alcoólica. Vítima de uma mãe alcoólatra, o bebê ingeriu bebida alcoólica ainda durante a gestação. O álcool destruiu os órgãos do feto, que nasceu com necessidades especiais. Ao nascer, seu organismo necessitava do álcool, pois estava viciado. A abstinência o levou à morte quando tinha um ano e meio de vida.Drogas e bebidas fazem parte da realidade social destas crianças. Que são vítimas de mães viciadas. Quase todas as famílias são de origem bastante pobre. Mas há um caso de uma mãe fazendeira no Paraná que engravidou de um peão da fazenda. Sob pressão da família, ingeriu remédio para abortar. Em função disto, o bebê nasceu sem sistema nervoso central. O pai adotivo, um delegado, após perceber os problemas entregou-o à Justiça, que o encaminhou ao C.O.T.I.C. Não passou muito tempo, a criança morreu.Um caso peculiar é dos irmãos de índios. A mãe, por possuir dois cromossomos Y, não pode ter filhos homens, pois estes sempre nascerão com problemas. A tribo, por tradição, sacrifica qualquer nascido com anormalidades. Assim, o pai dos irmãozinhos de índios fugiu da tribo a fim de salvá-los. Abrigados no C.O.T.I.C, só podem receber visita do pai, pois há o risco de um membro da tribo matá-los. Para os índios, um feto com problemas é um sinal: algo ruim pode acontecer. Sacrificá-lo seria a solução.Estes fatos relatados ilustram a complexidade que é o trabalho de quem preside uma associação deste tipo. Além desses casos delicados, há uma enorme responsabilidade que recai sobre a pessoa. O rigor fiscalizador do Ministério Público é grande. De seis em seis meses as entidades devem prestar contas ao Ministério Público. Além disso, há a responsabilidade pelas crianças. Qualquer tipo de problema que atente contra a vida dos menores recairá sobre quem preside a associação.O leitor pode indagar se o governo ajuda uma instituição como a C.O.T.I.C. Dona Margarida dispensa tal ajuda. Prefere o governo bem longe. E reclama das dificuldades criadas por ele. Relata, por exemplo, que não consegue cadastrar a instituição como entidade filantrópica. Somente isto abriria as portas para estabelecer parcerias com grandes empresas e contribuir com o seu trabalho social. As empresas só podem abater do Imposto de Renda doações à entidades filantrópicas que possuem cadastro no órgão responsável. Para as empresas é interessante do ponto de vista fiscal, bem como em relação ao marketing extremamente positivo como responsabilidade social.Dona Margarida segue firme frente à instituição. Trabalha de domingo a domingo, cerca de 10h por dia. Além disso, faz plantões em hospitais para vigiar o tratamento dispensado às crianças internadas. Sua grande revolta é em relação ao ensino público para as portadoras de necessidades especiais. Reclama da falta de profissionais capacitados, bem como da forma que elas são tratadas nas escolas. A casa prefere pagar escolas especializadas para os seus abrigados. Pois, o C.O.T.I.C não ajuda apenas crianças especiais ali abrigadas. Também cuida de quarenta famílias em bairros simples da zona norte de São Paulo, como o Jova Rural. Além disso, assisti a uma aldeia de índios em Bertioga, na Boracéia I. Um trabalho social que visa fazer com que a tribo se torne auto-sustentável. Nesse sentido, o C.O.T.I.C criou condições para que os índios plantassem seus próprios alimentos. Já a partir do próximo semestre a tribo não necessitará das doações que poderão ser encaminhadas para outros necessitados.O C.O.T.I.C é feito de pessoas. E só existe em função delas. Seja de quem cuida ou de quem é cuidado. Num mundo que prega o individualismo, chega a ser espantoso o trabalho dos membros desta instituição. Doam tempo, carinho, amor, dedicação, e, muitas vezes, até dinheiro para ajudar quem deveria ser cuidado por aqueles que o geraram. Na ausência do governo, estas pessoas auxiliam vidas. Despreocupadas com prestígio, seguem anônimas. Enquanto muitos querem ocupar vagas governamentais com o intuito de obter prestígio e poder, bem como benefícios financeiros. Certamente, pessoas assim são de nenhuma utilidade para a sociedade. Parece estar claro, a solução dos problemas sociais da humanidade passa pelas mãos de pessoas como dona Maria Margarida. Uma empreendedora social. Uma das tantas exceções em meio à nossa sociedade egoísta e individualista.A Tia Margarida não anseia cargos políticos. Já foi assediada por políticos. Quer distância deles. Prefere proximidade com quem precisa dela. E sabe que para fazer filantropia é necessário estar preparada para receber a ingratidão. Que existe, mas não a desanima. O que vale, são os sorrisos de crianças como Vinícius, portador de ossos de vidro, que a chama de Tia Margarida. Talvez deixe a casa um dia. Quando poderá ser adotado por uma família. A Tia Margarida ficará com saudades, certamente feliz pela partida do garoto. Pois sabe da importância de uma família para ela. E assim é a dinâmica do C.O.T.I.C. Outras crianças esperam a sua vez. E não podem esperar muito. O problema é que há poucas Tias Margaridas. A sociedade agradece? Nem todos.
site da C.O.T.I.C: www.cotic.org
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UM TEXTO QUE NADA DIZ?

domingo, dezembro 03, 2006 · 1 comentários

Esta linha. As primeiras palavras. A idéia que virá (quem sabe!). E a construção tímida do primeiro parágrafo. Que possivelmente não dirá muito. Talvez até não diga nada. Mas pensemos. Quem falou que sempre temos que dizer algo? E o prazer do silêncio? De palavras... De idéias...
Interrupção. E ajuda para escrever. Sem o quê talvez nada seria escrito. Mas isto não basta. Será necessário conteúdo. Este parece que está meio esvaziado. Talvez reste pouco. E flertar com o nada é a saída. Quem sabe flertar com a poesia.
Silêncio? Não. Há rumores nos corredores deste prédio que é belo. O calor se espalha. Garotas desfilam beleza e sensualidade. Meninos as desejam. E eu... Bem, eu também as desejo...
Indecisão. Palavras foram apagadas neste parágrafo. Já não sei o que havia escrito. Esquecimento total. É por que o que fora escrito era absolutamente... Absolutamente o quê? Não sei! Não sei mesmo! Bom, talvez eu saiba. O que escrevi de certo era idiota.
O blog. Este. Segue devagar. Enfermo. Sem idéias. Ausência de inspiração. Não é esquecimento. Desleixo. Penso no blog diariamente. Mas não escrevo. Quem sabe se algo me perturbasse. Mas nada me perturba. Sigo tão tranqüilo...
Mudo de assunto? Será bom para este texto? Vai salvá-lo? É este o parágrafo das indagações? Como a vida? Que passamos por fases que nos são repletas de dúvidas. Anseios. Medos. E aí pode sobrevir um desespero. Não é o meu caso. O desespero se veio já se foi. A tranqüilidade acompanha estas linhas.
Alunos adentram a sala. Procuram colegas. Sem modos, não falam comigo. Olham. Falam entre si. E se vão. Não encontraram quem procuravam. E o fato relatado já sei foi. É como se nem tivesse existido.
Um fato inusitado. Não devo relatá-lo. Corro o risco de expor alguém. Fugacidade. Hormônios. Pedidos. Obtenções. Negações. E um basta. Risadas. Alerta. Aviso. Ela se foi...
Um escritor disse que as palavras deixam de dizer muito mais do que dizem. Buscar o que há por trás. E jamais conseguir. Talvez um prazer. Talvez uma desnecessidade. Depende de quem o faz.
Não sei qual será o último parágrafo. Sei que reescrevo este que se vai. Já o escrevi faz alguns minutos. Interrupções na releitura. A busca pela certeza. A decisão a ser tomada. Mudar ou não o parágrafo?



PALHAÇOS NA PLATÉIA

sexta-feira, dezembro 01, 2006 · 1 comentários

Oficina de Redação - Texto com alterações feitas pelo professor José Alves Trigo
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Política e circo. A comparação possível. Mas os palhaços estão na platéia. Dão seus votos e provocam risadas de contentamento. Estendem as mãos. Quem sabe alguma mágica. O problema são as cartolas dos candidatos. Ali, verdades escondidas. Com truques, esquecem promessas. E depois se vangloriam pelo o que fizeram. O que deixaram de fazer pouco importa.
O povo segue na corda-bamba neste espetáculo mambembe. Muitos caem no picadeiro. Alguns nem sobem na corda. Ficam por baixo mesmo. A importância dos eleitores é apenas durante as eleições. Mas a sensação de nariz de palhaço fica antes e depois das eleições. O máximo que cada palhaço pode fazer é vaiar. E rir de si. Acreditando que a piada é boa. E que, numa próxima eleição, algum passe de mágica possa ajudar a melhorar a vida. Sem perceber das artimanhas do ilusionismo.
Os partidos são as companhias circenses. Armam a lona. Tudo feito de forma muito glamourosa. Cada uma contrata um mentor. A publicidade fica encarregada das máscaras. Circo é ilusão. Política não pode ser diferente. Na telinha de TV, o show para palhaços calados. Nada de palmas ao fim da apresentação. Hora da mágica principal. Aquela em que o mágico corta a moça em vários pedaços. E o faz com ela dentro de uma caixa. Faz a separação. E aí você tem caixa-um, caixa-dois, caixa-três. E ninguém consegue entender. Como consegue o mágico dividir em tantas caixas? Mas ninguém pede auditoria. Mesmo com desconfiança da ilusão.
O dia do voto. É o bilhete de entrada. O palhaço, hoje em dia, aperta teclas. Vê a foto. Confirma. Verde para o candidato. Pega o comprovante. Vai para a casa. Depois confirma. Qual circo vai ganhar o campeonato das farsas. É o direito de se apresentar por quatro anos. Um show que acaba custando caro. Muito caro. E tudo é visto passivamente. A diferença, como já foi dito, é que os palhaços estão sentados. Assistindo. Inertes. Sem graça. Nenhuma.



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Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

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Revisão de textos
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