PALHAÇOS NA PLATÉIA

domingo, outubro 29, 2006 · 5 comentários

Política e circo. A comparação possível. Mas os palhaços estão na platéia. Dão seus votos e provocam risadas de contentamento. Estendem as mãos. Quem sabe alguma mágica. O problema são as cartolas dos candidatos. Ali, verdades escondidas. Com truques, esquecem promessas. E depois se vangloriam pelo o que fizeram. O que deixaram de fazer pouco importa.
O povo segue na corda-bamba. Muitos caem. Alguns nem sobem na corda. Ficam por baixo mesmo. A importância dos eleitores é apenas durante as eleições. Mas o nariz de palhaço fica antes e depois das eleições. O máximo que cada palhaço pode fazer é vaiar. E rir de si. Acreditando que a piada é boa. E que, numa próxima eleição, algum passe de mágica possa ajudar a melhorar a vida. Sem perceber das artimanhas do ilusionismo.
Os partidos são as companhias circenses. Armam a lona. Tudo feito de forma muito bonita. Cada uma contrata um mentor. Pegam-no da publicidade. Circo é enganação. Política não pode ser diferente. Na telinha de TV, o show para palhaços calados. Nada de palmas ao fim da apresentação.
Hora da mágica principal. Aquela em que o mágico corta a moça em vários pedaços. E o faz com ela dentro de uma caixa. Faz a separação. E aí você tem caixa-um, caixa-dois, caixa-três. E ninguém consegue entender. Como consegue o mágico dividir em tantas caixas? Mas ninguém pede auditoria. Mesmo com desconfiança da enganação.
O dia do voto. É o bilhete de entrada. O palhaço, hoje em dia, aperta teclas. Vê a foto. Confirma. Verde para o candidato. Pega o comprovante. Vai para a casa. Depois confirma. Qual circo vai ganhar. É o direito de se apresentar por quatro anos. Um show que acaba custando caro. Muito caro. E tudo é visto passivamente. A diferença, como já foi dito, é que os palhaços estão sentados. Assistindo. Inertes. Sem graça. Nenhuma.



Debates na TV. Na verdade, palanques eletrônicos

domingo, outubro 22, 2006 · 0 comentários

Aquilo que chamam debates na TV. Na verdade, palanques eletrônicos. Cujo objetivo é angariar votos. De forma alguma debater o Brasil. Muito menos produzir a politização do eleitor. Triste não contribuição dada por políticos como os que disputam a presidência atualmente.
Lula lê a pergunta. Alckmin pergunta o que já decorou. Ambos respondem. É o momento de tentar persuadir o eleitor. Distorcem números. Inventam verdades. Desqualificam o oponente. E o eleitor segue desinformado.
O que é absurdo é a atuação dos publicitários nos debates. Por detrás das câmeras, evidentemente. Nos intervalos vão lá e dizem o que os candidatos devem reparar. O que deixaram de dizer. E orientam seus clientes a não perder chances de dizer isso e aquilo. O eleitor, para eles, é nada mais do que alguém a ser convencido. Uma pessoa sem informação. Sem entendimento sobre política. Alguém que pode escolher entre um produto ou outro. Ainda que as opções sejam ruins. É o caso nestas eleições. Possivelmente, desde o advento das eleições diretas, jamais tenha sido diferente.
Triste realidade constatada. O que podemos fazer? Bom, fazemos parte da sociedade. Somos nós que fazemos a escolha. Nosso poder é enorme. E é preciso que a sociedade pressione os políticos para que os publicitários sejam banidos das campanhas eleitorais. Pois estas não podem ser encaradas como produtos a serem vendidos. Se os políticos não levam a política a sério, nós eleitores devemos levá-la, dada a sua importância e seriedade.






Um espancamento antes do ônibus

sábado, outubro 21, 2006 · 0 comentários

blog violência
Ponto de ônibus. Longa espera. Frio, não muito. Trânsito sem paz Algumas pessoas ali comigo. Cada um na sua. Eu, tranqüilo. Papo, não era meu desejo. E aquela menina eu até olhei. Mais por costume. Ou o desejo de ver algo feminino. Ainda que não tão belo.
Um carro pára. Seis rapazes descem dele. E vem em direção ao ponto. Percebo a entonação agressiva nos gestos. Alguém grita. Logo imagino que se trata de um arrastão. Penso que correr não adianta. O pensamento é muito rápido. O desenrolar da cena mostra-me meu equívoco.
Cena inédita para mim. Os rapazes raivosos iniciam um espancamento. A vítima grita. Entra em desespero. Mas os seus algozes seguem decididos. Chutes. Socos. Cotoveladas. Gritos, gemidos...
O mais velho da turma preocupa-se com a opinião pública. Informa-me de dentro do carro que o espancado é um estuprador. A tensão faz-me acreditar imediatamente. Era como seu eu desse o aval para que a pancadaria prosseguisse. E ela prosseguiu.
Nós que ainda esperamos o ônibus, assistimos calados. Passividade coletiva. Auto-proteção. É cada um por si. Acreditar que se trata de um estuprador, alivia sem deixar de chocar.
O espancamento prossegue. A vítima está no chão. Uma voz comanda a retirada. Mas alguns ainda não estão saciados. “Vamos zerar ele”, diz um que está bem atônito. Presumi que “zerar” seria ir até o final. Mas tive a certeza que era muito mais entusiasmo que desejo por justiça, se de fato se tratava de um estuprador.
A vítima caminha até o outro lado da rua paralela à avenida movimentada. Os algozes se apertam no Uno. Todos ali seguimos calados. Havia um pretexto para que conversas se dessem. Não sei ao certo porque conversas foram sonegadas. Eu era como a maioria. A tensão me tinha. A voz calada. E a dúvida: era um estuprador ou não?
O ônibus ainda demorou um pouco mais. O rapaz espancado ficou caído na calçada. A ajuda foi chegando. Nenhuma delas das pessoas que esperavam o seu ônibus.
De vez em vez, eu olhava para o corpo caído no chão. Cheguei a investigar com os olhos se ele ainda estava vivo. Eu desejava muito saber a verdade. O real motivo de seu espancamento, ou se de fato trava-se ele de um estuprador.
Indaguei-me por que o grupo não o levou para a delegacia, já que o mesmo era reconhecido como um criminoso. Por um momento tal indagação deu-me a certeza da mentira. Já que não o entregaram para a polícia, não seria verdadeira a alegação para espancar. Em seguida supus que eles queriam uma outra forma de fazer justiça. E que os meios legais não os satisfaziam. Quem sabe fossem até falhos.
Finalmente o ônibus chegou. Um rapaz que correu em direção à porta de embarque causou-me um susto. A tensão ainda me dominava. Entrei e sentei. E fui embora para casa. Tenso. Duvidoso. E com vivência de um pouco da dinâmica desta metrópole. A gente sabe o que ocorre. Não ver é bem melhor. É como se não existisse. Mas neste exato momento algum crime está ocorrendo. Só que não estamos vendo. Ver não nos faria menos passivos. Apenas nos chocaria. Creio.



Poucos textos no blog. Satisfação

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Fase. A do blog não é das melhores. Pouco produtiva. Está crescendo como o país. O ambiente externo também lhe é favorável. Este é sempre favorável. Mas isto não basta. É preciso conteúdo. Informação. Inspiração. E estes se escasseiam. Não sei se é seca. Melhor que seja. Seca costuma passar. Mas volta. Adora voltar. E castigar. Posso migrar? Posso mudar. O modo de buscar textos. Inverter. Fazer com que eles venham de fora. A grande maioria veio de dentro. Usei de lembranças. Impressões. Intuição. Opinião.
Lembro-me quando entrevistei uma garota de programa. Saí de lá com o texto sendo escrito em minha mente. O desejo fervilhava. E em casa o texto veio rápido e certeiro.
Agora, a dificuldade. O não desejo. Fatos que ocorrem. E cadê os textos? Estão em mim? Presos? Querem sair? O tempo vai me dizer? Vai devolver os textos?
Indagações. Artimanha pela falta de argumentos. É um modo fantástico de economizar palavras. Sobretudo quando estas são escassas.
Esse texto não é um desabafo. Pode ser chamado de uma satisfação aos leitores. O blog completou um ano neste mês. Passa por uma crise. Como a vida dos blog´s costuma ser curta, podemos dizer que este já está na adolescência. Dizem que é a fase mais crítica. Não sou estudioso. Vou concordar com eles.
Fica aqui a satisfação. Não sei o que será do blog. Se textos virão. Vou caminhar. Quem sabe, definir estratégias. Buscar textos de fora, como eu disse. Vamos ver o que será. Ou não veremos nada. Ou melhor, não leremos.



COR DO TEXTO

sábado, outubro 14, 2006 · 0 comentários

Gosto de dar cores a alguns textos. Se não me engano, a cor mais utilizada foi o cinza. Preciso de um texto colorido. Com as cores do bom humor. Mas não é caso hoje. O cinza se repete.
Se a fleuma não está boa, não significa ausência de sorrisos. Eles vieram hoje. De modo verdadeiro, não insano. Mas não os sorrisos que denotam como está a fleuma. O olhar é que delata. Este não é dos melhores.
Algumas pessoas são mais transparentes. O que sentem se estampa no rosto. O olhar denuncia. Se isto é bom, há dúvidas. Em uma sociedade de aparências, creio tratar-se de uma desvantagem. É fato que mesmo os transparentes carregam algumas máscaras consigo. Um intelectual já perguntou o que seríamos sem as máscaras.
O problema é quando o indivíduo mergulha no artificialismo. Daí o passo para a infelicidade está dado. Um artificial não se ama.
Mas o que é, afinal de contas, comportamento artificial? Para mim, são gestos inverídicos. Palavras enganosas. É como uma exibição. Um modo de tentar agradar. E que na verdade tenta enganar. Esconder conteúdos que desagradam à fonte. Uma pessoa artificial pode-se ser considerada um ator em cena. Com pouquíssimo talento.
A harmonia interna. A auto-estima em equilíbrio. O amor por si. São ferramentas fundamentais para um comportamento natural e equilibrado. Talvez entre também o ego. Este pode complicar. Mas creio que seja fundamental.
No muro estava escrito: “morte ao ego”. Pixação. Daí pensei o que seríamos caso tal morte se desse. O que seríamos sem o nosso ego. Acho que precisamos dele. Sem permitir que ele nos domine. Que seja senhor de nós. Talvez seja isto. Vamos pedir explicação para algum estudioso da alma humana. Por enquanto, indagações e “achismos”. É isto. Talvez não ajude. Mas é isto.
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clique no título deste texto para ler: AUTO-CONHECIMENTO. SEM NOVIDADES



FLERTES ENGANOSOS

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Data real do texto: 23Agosto2006

Tenho flertado com a falta de inspiração. Escrevi pouca esta semana. E não nego incômodo. Quem sabe este seja o texto da libertação.
Eu sigo observador. Não tanto quanto antes. Talvez por que eu não queira julgar tanto. Sei que isto não é muito sadio. Uso de empatia.
Algo que tenho certeza. A mudança de estilo. Já não me agrada tanto usar uma única palavra no lugar de tantas. Talvez vez em quando o uso desta artimanha ainda me agrade.
Hoje vi um fato pitoresco. Que casou-se com um pensamento meu. Deveria escrever. Deixei para alguma outra viagem.
É fato que a caneta corre solta. O ônibus não trepida tanto. O que faz a letra melhor.
Talvez o flerte mencionado no início do texto seja um engano. Isso ocorre. Flertes enganosos. Isto traz uma lembrança. O olhar dela. Belíssima moça. Mas que carrega no dedo o compromisso de um matrimônio. Logo ela que me interessou. Melhor não flertar.
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clique no título deste texto para ler CEGUEIRA



Naquela empresa - Texto 7

quinta-feira, outubro 12, 2006 · 0 comentários

Evidentemente que ficar desempregado é degradante. Muito embora eu pense que diversos trabalhos degradem a alma humana. Já fazia cerca de nove meses que eu me encontrava desempregado. Aquele emprego significou duas coisas importantes em minha vida. O retorno para a área áudio-visual, bem como o completo desencanto por ela.
Meu primeiro emprego fora em uma escola que possuía uma produtora de vídeo. Eu amei os afazeres. Saí de lá acreditando no meu talento. Fiquei fora do mercado. Tentei algumas produtoras. Daí descobri que meu pequeno portfólio tinha pouco valor. Até conseguir voltar. E o contato com amadores que se julgavam acima de todos foi absolutamente destruidor para mim.
Eram pessoas com pouquíssimo conhecimento teórico sobre vídeo. Aprendiam praticando. Ao modo deles. Nem mesmo conheciam nomenclaturas. E não tinham nenhuma orientação profissional. Isto não é condenável. O problema é arrogar-se conhecedor supremo de um assunto para o qual o indivíduo jamais se preparou.
O tempo foi passando. Eu percebi rapidamente que deveria me esforçar. Fazer horas-extras. Assim o fiz. E o patrão disse-me que estava muito contente com o meu trabalho. Claro que é bom ouvir isto. Mas havia algo por trás. Eu estava sendo explorado. E o que ele dizia era que eu era uma ótima mão-de-obra. Barata e que se fazia explorar tranquilamente.
Penso que nas empresas, pelo o que vivi, pelo o que já ouvi, falta o respeito ao ser humano. Por exemplo, há uma grande produtora no mercado. Umas das mais conceituadas. O ser humano para ela é lixo. A pressão é enorme. E há detalhes. Cadeiras, por exemplo, faltam para os trabalhadores. Um local de desprezo aos funcionários. Lugar que jamais quero por o meu pé. E que não indico para ninguém. Até alerto.
Ali, naquela empresa, vi o quanto um funcionário simples não passa de um número. Que pode ser subtraído a qualquer momento. Facilmente substituído. E aprendi o quanto o comportamento que vem de cima, do ponto de vista hierárquico, influencia as pessoas.
Deste modo, os funcionários aprenderam a se desprezar. Na verdade, todos ali tinham vergonha de trabalhar naquela empresa. Era a certeza de que o outro sabia que você ganhava pouco e era nada valorizado. O ambiente gerado em função disto era destruidor.
Estabeleci contatos. Dava "bom dia". Passava pelo setor simples da empresa. Onde o produto final era embalado. Os dois rapazes que trabalhavam comigo não cumprimentavam os funcionários deste setor. Era um modo de se sentir superior. Falta de educação também.
Não via diferenças entre as pessoas dos diferentes setores. Até hoje não vejo. Deve-se cumprimentar as pessoas como seres humanos que são. Pouco importa o cargo. O salário. O status.
No próximo texto avanço no tempo. E inicio o retrato do ambiente nocivo que se tornou aquele setor. Edição.



Naquela empresa - Texto 6

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Reli o trecho final do texto cinco. É certo que quando escrevi aquilo era como eu me sentia. Os dias passaram. Já não sinto bem como antes. A segurança quase toda se foi. E aí a autodestruição entra em ação. Uma fase. Espero. Que parece estar passando.
O responsável pelo setor que eu trabalharia chega. Cabelos loiros e bigode. Um personagem. Retrato da mediocridade humana. Naquela época eu muito o condenava. Hoje parece que consigo vê-los com olhos mais compreensivos.
Com habilidade ensinou-me todo o trabalho. Não guardo lembranças imagéticas deste momento. Nada me ocorreu de marcante.
Sei que dali em diante eu teria quatro anos pela frente. Foi difícil. Demorei a adaptar-me. Por vezes, revoltei-me. Com a empresa. Com as pessoas dali. Comigo. Os prejuízos emocionais não se fizeram tímidos. Mas hoje sei que fui eu o principal causador deles. Nada de se fazer de vítima. Foi o tempo.
O rápido treinamento. A aprovação do responsável pelo setor. Eu selava a minha condenação. A pena seria cumprida junto àqueles dois rapazes pobres e infelizes. Quando, posteriormente, um deles deixaria a empresa. Outro menos medíocre o substituiria. Sem contudo livrar-se de pequenitudes.



ALMA TACITURNA

quarta-feira, outubro 11, 2006 · 0 comentários

Pessoas destrutivas... Escrito em 10Agosto2006
Hoje. Não quero falar mais do o necessário. Pouco quero olhar. Observar, não quero. A minha alma está taciturna. Dormir seria melhor.
Não é que escolha não me comunicar. Se escolher fosse possível, desejaria o contrário de tudo o que o primeiro parágrafo denunciou. Mas ocorre que sou feito de sentimentos. E isto não é defeito.
A vida ensina. Todos sabe. Pode embrutecer a alma. É provável que cause patologias. Precisa de terrenos férteis. Mas vale lembrar. É possível que tais terrenos sejam cultiváveis. E belas flores se possa colher. Para tanto, necessário atitude. Algo que nem sempre ocorre. Daí, a alma turva ficará ainda mais cinza. E viver para destruir passa a ser um norte. O fim não é o que mais importa. Complicado vai ser viver anos da vida a praticar destruição. Imaginem quão destruídas ficarão estas pessoas.
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clique no título deste texto para ler O TEMPO COMO BOTÃO



Escrever é uma coisa. Praticar é outra bem diferente

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Os velhos devem ser admirados. Aqueles que se encontraram com o equilíbrio. A serenidade. Encontram a maturidade. Tornam-se referências. Existe uma idade para se atingir a maturidade?
O bom do passar da idade é ver as mudanças. Perceber como agimos. Os erros. Não deixam de existir. A imaturidade ainda existe. E erros infames cometemos. Lá na frente. Quem sabe percebemos o erro. Daí o crescimento. Arrependimento sem crescimento não vale.
Sei que ainda vou errar muito. Enganos, inúmeros os cometerei. Mas espero que sejam menores. E que, a cada erro, uma aprendizagem. Daí, não cometê-los mais. Lembrando que com o erro alheio também crescemos. É bom observar.

Obs.: escrever é uma coisa, praticar é outra bem diferente.



Naquela empresa - informe

terça-feira, outubro 10, 2006 · 0 comentários

A série "Naquela empresa" volta no dia 12 de Outubro. E não é apenas por pedidos de leitores. Muito também por um desejo do blog. Já há um texto pronto que dá sequência à série. Logo será publicado. Amanhã, talvez, dia 11. Afinal de contas, o dia de amanhã é incerto.
Como não são crianças que lêem este blog, o retorno da sérei nada tem a ver com o Dia das Crianças. Muito embora é fundamental não deixar morrer a criança que há em nós. Mas se já morreu para muitos, cabe compreensão. É isso.



Filme em preto e branco

sexta-feira, outubro 06, 2006 · 2 comentários

Saibam. Escrevo como quem deseja acelerar a viagem. É o desejo por quarto escuro. Não sou o único. É como se os sentimentos corressem o mundo. E ora um, ora outro.
A alma daquele sorri. A alma do outro se turva. É troca constante. Problema é quando cessa no sentimento errado. Se é que há erro nisso. Vai ver até que há beleza. É. Na tristeza há beleza. É um filme em preto e branco. Simples. Muito simples. Imagem e texto. Vejam que belo. Olhem a cena. Ela logo termina...



Melancolia. Desejo por uma poesia. Enganando a alma. Confessando sentimentos

quinta-feira, outubro 05, 2006 · 0 comentários

texto de um outro momento 10Agosto2006

Melancolia. E o desejo por uma poesia. Mas cadê talento? O jeito é fingir. Quem sabe a alma aceita o engano.
Prosseguir. Nem sempre é fácil. Mas deixo isso de lado. Tento apenas sentir. E essa melancolia vem com força. Nem me avisou. Chegou e ficou. Daí, o sorriso se escondeu. A carência gritou. A alma minha turvou. E me fez igual a outras tantas almas. E aqui estou. Tantas pessoas e essa solidão. Não nego o medo de expressar meus sentimentos. Alguém pode usá-los contra mim. Daí me destruir, tentar. Se vai conseguir é dúvida. Pode levar um pouco da minha alegria. E fazer noite o dia. Daí, na escuridão eu me escondo. Quem sabe eu me reencontro. E por que essa destruição? Resposta as tenho. Mas calo-me. Direito que tenho. Segredo que guardo.



Cegueira

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Eu queria desenhar com palavras. É um desejo que tenho agora. É possível construir imagens com palavras. Há autores consagrados que se eximem nisto. Sigo aprendendo. E levo comigo a incerteza se seguirei no aprendizado.
Percebam que não gerei nenhuma imagem para vocês. Não disse onde estou. Como estou. Quem aqui está. E se não gerei imagem, também não desenho.
Este é o derradeiro. Será um parágrafo imagético. Assim tentarei. Uma sucessão de imagens. Penso em como iniciar. Percebo dificuldade. E não sei como fazê-lo. Enfim, não é possível fazê-lo neste parágrafo.
Mudança de idéia. Após descrever onde estou. O que se vai. Como vou. Apaguei tudo. Não vi graça. Aliás, ficou muito aquém do que eu queria. Assim, este será um texto de cegueira. Sem imagens. Nada de descrições. E então o título já me vem. Não é difícil adivinhar. Para tanto não há cegueira. É isso.



Conflito que não existiu

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Conflito. Não me é inédito. Se eu revelar, serei repetitivo. Qual a saída? Deixar de lhes contar não é aventureiro. Buscar um modo implícito de dizer é o que vale.
Papel. Caneta. E a brincadeira com as palavras. O conflito, creio que não há mais. Bem provável que eu tenha me libertado. É possível que vocês adivinhem. Quem me garante?
Mais um parágrafo. Mais papel. Mais palavras. Não busco rimas. E o que busco? Provar que o conflito não existia. Ou então desafiá-lo. Aliás, este é um bom remédio. Vai ver que o conflito do início do texto já se foi. Ou vai ver que nem existiu.



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


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