Jornalismo investigativo - pauta não revelada

sábado, setembro 30, 2006 · 0 comentários

Rua Augusta. Desço do ônibus e sigo pela mesma calçada. Logo me deparo com uma casa de strip-tease. O rapaz me aborda. Pergunto se é preciso pagar para entrar. Dez reais é o preço. Revelo que estou a trabalho. Digo que sou jornalista. Assim mesmo é necessário que eu pague. Consumação mínima que me daria direito a duas cervejas.
A loira de cara amarrada recebe o meu dinheiro. Sem sorriso e sem simpatia, ela entrega-me o comprovante de pagamento. Sou levado pelo recepcionista até um balcão. Ali recebo uma pulseira de número 44. Um comprovante relata o meu direito às bebidas.
Adentro ao local onde se dão os show´s com mulheres. Sou o primeiro cliente a chegar. São ainda 21h. Avisto o bar que logo me agrada. Troco a cerveja por um refrigerante. Não tenho certeza se o barman realmente é um homem. Uma dúvida que pouco importa.
A música toca em alto volume. Há luzes. Espelhos. Um pequeno palco onde as moças dançariam logo mais. Sigo bebendo sem prazer. Não há nenhuma mulher no local. Mas o microfone avisa que há um cliente no salão. Na verdade, eu não poderia ser considerado um cliente de fato.
Uma morena de jeans e blusinha adentra ao salão. Ainda não está vestida para trabalhar. Passa e troca um sorriso comigo. Sigo à espera de uma garota de programa. Quero entrevistá-la. Enquanto ela não vem, vou ao banheiro. Lá no fundo da casa vejo uma belíssima mulher se maqueando. Há uma outra com ela não tão bela. Passo sem cumprimentar. E uso o banheiro para logo voltar para o salão.
A morena de jeans passa em frente ao bar novamente. Chamo a moça simpática para sentar ali comigo. Inicio um papo. Ela diz se chamar Camila. Indago se é este o seu nome de fato. Ela confirma. Detalhe pouco importante. Logo inicio uma chuva de perguntas. Indago a moça se ela já trabalhou na rua. A resposta é positiva. Então direciono minhas perguntas para pauta da pesquisa do meu grupo de trabalho, que não revelo aqui por motivos de segurança. Após negativas em relação a algumas perguntas, a conversa esfria um pouco. Camila passa as mãos pela minha perna e oferece um programa. Digo que não estou ali para isso. E revelo o meu objetivo. Ela já havia me indagado o porquê das perguntas. Após a minha revelação nada mais a tenho a dizer à ela. A mesma levanta-se. Despede-se de mim e vai para a outra ponta do bar.
Um certo desânimo toma conta de mim. Pensei que a pauta não seria pertinente. Contudo, tinha a certeza que não poderia me basear apenas em uma fonte. E que muitas pessoas são desavisadas. Poucos sabem do que os cercam. Além disso, Camila poderia estar mentindo.
A bela mulher que se maqueava adentra ao salão. Sua mini-saia deixa à amostra suas belas pernas. Confesso que me sinto surpreso com sua beleza. Ela não me nota. É como se eu não existisse para ela. A bela garota de programa sobe ao palco e inicia uma dança. Eu a observo. Meus olhos estão lascivos. Fixo meus olhos nela. Mas não seria o caso de despender os 70 reais pelo programa.
Fico receoso se conseguirei falar com outra garota após a Camila. Arrependo-me de ter revelado as minhas reais intenções ali. Percebi que Camila se ofendeu quando eu disse que não pagava para fazer sexo. Depreendi que havia cometido enganos. E logo concluí que tudo ali se tratava de aprendizado.
Um senhor vestido jovialmente chega e senta-se ao balcão do bar. Naquele momento, eu apenas observava. A bela moça da mini-saia aborda o senhor que acabar de chegar. Cruza suas pernas. Seduz. Eu observo. Troco um olhar com ela. Logo a menina leva o homem para o quarto. Fico a sós no bar. De frente para mim uma garota com rostinho bonito.
Chamo o rosto bonito e jovial para sentar-se ao meu lado. Inicio uma conversa. Ela transborda simpatia. Quero ser mais cuidadoso agora. Faço perguntas sobre a profissão. Ela revela não gostar do que faz. Seu nome é Walkiria, diz ela. Jamais trabalho na rua. Na verdade, é uma mineira que está há oito meses em São Paulo. Seu trabalho é um segredo que poucos sabem. Sua família nem imagina. Sua simpatia e desejo em falar muito me ajudam.
As revelações que Walkiria faz me animam. O papo se estende. Fujo bastante da pauta. Não revelo que sou estudante de jornalismo. Mas faço muitas perguntas. Ela ri. Gosta do papo. Passo-lhe sinceridade. E logo anoto seu telefone para marcar uma outra entrevista.
. Fico satisfeito com minha conversa com Walkiria. Peço-lhe que fale com sua gerente. Que revele que quero saber mais a respeito. Que consiga uma entrevista para mim com outra garota de programa. Ela promete falar com sua superior. Digo-lhe que vou fazer um telefonema para ela na semana seguinte. Quando a mesma estará na praia fugindo do seu fardo de cada dia. Ou melhor, de cada noite.



Vazio. Não sou o único

quarta-feira, setembro 27, 2006 · 0 comentários

Data real: 4Setembro2006


Pausa. Cadê as palavras? O dia. Lembranças. Imagens em minha mente. Ritmo frenético. Nada de interessante a contar.
Um parágrafo excluído. Desisti dele. Risquei. Vai para o lixo. Nem sempre escrever é fácil.
Desejo e inspiração. Descompasso. Acho que estou meio vazio. Ou vazio por um todo. Quem sabe os dias me preenchem. Quem sabe alguns coletivos. Trens. Uma peça de teatro. Algum interlocutor com uma história inusitada.
Por enquanto eu vou assim. Aqui. Sentado e vazio. De certo, não sou o único.



"Para o brasileiro, brasileiro é o outro"

terça-feira, setembro 26, 2006 · 0 comentários

Entrei no trem. Já sabia. Desejo. Escrever. E eu já compunha o primeiro parágrafo. Mudei um pouco, é verdade. E agora todo ele é novidade.
A diretora. Uma história. Alguém colocou naftalina na água daquela empresa. Os boys. Como sabe que foram eles? Indagação minha. Só podia ser! Resposta preconceituosa.
O mundo é assim. Deixamos as leviandades para um determinado grupo. É uma forma de isentar-se delas. E seguir puros e perfeitos. Os outros é que são os brasileiros. Estes, cheios de defeitos. Fica aqui a frase de Eduardo Gianetti: “Para o brasileiro, brasileiro é o outro”.



Fechado para balanço

sexta-feira, setembro 15, 2006 · 0 comentários

O blog precisa parar. Um balanço interno. Sem tempo determinado. Talvez volte. Talvez não. Não é sabido. O que se sabe é que é preciso parar. Refletir. Calar-se. É isso.



Naquela empresa - Texto 5

sábado, setembro 09, 2006 · 0 comentários

Sou apresentado ao “japonês’”. Não tenho as cenas deste momento. Ele me treinaria até o responsável pelo setor chegar. O que iria demorar. Este personagem desprezava o horário da empresa. Era uma forma de se diferenciar. Para quem sabe se sentir superior aos demais.
Meu primeiro emprego fora em uma produtora de vídeo. Isto fazia mais de três anos. Por isso, a dificuldade em operar aqueles equipamentos que o coreano me explicava muito sem boa vontade. Até que me indagou com desprezo se de fato eu tinha experiência. Mais uma cena que se passou. A leitura que eu não fiz. Duvidar da capacidade do outro fazia parte da cultura naquela empresa. Um modo de se auto-convencer menos incompetente. Eu não sabia o quanto este tipo de comportamento me seria tão nocivo. Assim é. A nocividade prospera em campo fértil. Eu, com medos aos montes, seria duramente atingido pela arma da dúvida. Uma ferramenta das pessoas de baixa auto-estima. Destruir o outro é um modo de se confortar. Isto aparentemente. Pois ao destruir a pessoa mantém em construção uma insegurança que provoca destruções internas. Sei como é isso. Fiz isto por um bom período naquela empresa. E antes também. Hoje tudo é diferente. A segurança (não plena) me tem. Construo. Não destruo. E vivo muito melhor.



Naquela empresa - Texto 4

terça-feira, setembro 05, 2006 · 0 comentários

Primeiro dia de trabalho. Repetição de uma cena. Eu. A cadeira. E os cumprimentos sonegados. A longa espera.
Entra um descendente de coreanos. A gente logo chama de “japonês”. Seu corpo expressa muita agressividade. Estar ali parece muito mais que uma obrigação. Uma condenação talvez. Um castigo. Um forte complexo de inferioridade o fazia tão hostil e fechado para amizades. Para ele, dar um “bom dia” não era algo fácil. Simples. Tranqüilo. Prazeroso.
Naquele ambiente, o rapaz não era tão diferente dos demais. Era preciso aliviar tanta opressão. Todo ser humano gosta de respeito. Ser tratado como uma mera peça de produção faz mal a quase todas as almas. Há aqueles que não se abalam. Ou ao menos não demonstram.
Sou levado ao que eu poderia chamar de minha cela. Sim, eu cometera um crime contra a minha pessoa. Não estudara. Como deveria. E agora uma empresa com caldo cultural de nível baixo. Muito baixo.
Era apenas o primeiro dia. O dono da empresa ainda não chegara. Logo eu seria apresentado a um dos meus companheiros de cela. Essa forma de dizer é bastante pertinente. Tendo em vista a maldade que há nas cadeias. No trabalho, em diversas empresas, não há tanta diferença. Quem não aprender a lidar com ela, sucumbe. Para mim não foi fácil adaptar-me. Não que eu fosse um poço de bondade. Apenas não sabia lidar com a maldade. Minha e alheia.



A pauta que veio logo. Periferias de São Paulo

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Sigo sentado à espera da pauta. Vai alma! Oferta-me assunto!
A pauta veio logo. Periferia da zona sul. São Paulo. Vila Missionária. Bairro simples. Feição de abandono. Cheiro de ausência.
Ali nas calçadas. As pessoas sentadas. Portas de botecos abertas. Homens bebendo. Meninas à caça. Garotos à espreita. Elas e eles querem beijar. Quem sabe algo mais...
A falta de entretenimento. O ócio do perambular pelas ruas. O encontro com a maldade.
Está muito claro. Os governantes se ausentam da periferia. Falta governo ali. Esquecidos estão os moradores. A busca por prazer leva a caminhos errados. Porta aberta para as drogas e crescimentos precipitados de barrigas.
Entretenimento. A periferia precisa disto. Teatro. Cinema. Esportes. Cursos. E o que puder ocupar de modo saudável o tempo dos moradores. Não importa a idade.
Que se invertam as prioridades dos governos. Que o Estado que se pretende mínimo em tempos de neoliberalismo seja o máximo para elas. As periferias.



Naquela empresa - Texto 3

sábado, setembro 02, 2006 · 0 comentários

Finalmente a porta se abriu. Desta vez, para mim. Frente a frente com o hábil homem de negócios. Espero que no mundo capitalista haja hábeis honestos.
Indagações. Ele fitava-me com segurança. Um dos olhos tortos deixava-me confuso. Eu me fazia presa fácil. Um idiota a mais para ele empregar.
Inocência. Inventei uma ocupação autônoma. Ela existia. Porém, somente nas intenções. O medo nunca me deixou pô-la em prática.
Nivelei meus pseudo-ganhos por baixo. Diante do voraz empresário, uma mão-de-obra barata. Ele não poderia perder tal oportunidade. Nem eu.
No dia seguinte eu começaria no novo emprego. Acreditando felicidade, deixei o local. Para a moça que fingia simpatia um “até amanhã”.
Em nossa conversa, minha amiga confidente comemorou. Positiva, sabia que se tratava apenas de um passo. Não sabíamos apenas o quanto demoraria tal passo. Hoje eu sei da necessidade de tal demora. Uma escola cruel em que aprendi muito sobre o ser humano. E sobre mim.
Não importa o que fiz após a conversa com a confidente. E não é por que eu não me lembre. Certamente comemorei de alguma forma. Ainda que simples. Contei aos familiares, é certo. Algo diferente que fiz, certamente, foi dormir mais cedo. Nada escrevi. Naquele tempo, eu apenas tecia cartas de amor para a minha linda japonesinha. E, não há dúvidas, dei a ela a notícia. Com muito carinho, a bela oriental recebeu a novidade. Modo seu que não esqueço. O dia seguinte daria início a uma jornada um tanto longa. Para quem acha que quatro anos em um ambiente desagradável não é pouco.



Naquela empresa - Texto 2

sexta-feira, setembro 01, 2006 · 0 comentários

O mundo gira rápido. As pessoas têm pressa. Não me difiro muito. Nesse sentido, melhor começar objetivamente. Este parágrafo foi só para explicar.
10º andar. Não me lembro número da porta. Aviso que estava ali para uma entrevista. A moça simpática me atende. Estou de jeans, blusa e pólo pretas. Sinto-me elegante. O ambiente não concorda com o modo o qual eu me sinto.
Sou ator de uma cena que veria repetida diversas vezes. Uma cadeira e uma pessoa dada como alguém que não tem o que fazer. E que deve esperar o quanto a empresa desejar. A fila do desemprego é grande.
Naquele tempo, há cerca de seis anos, eu não pensava o mundo com muita lucidez. Perdia-me sem saber quem eu era de fato. E equivocava-me com comportamentos artificiais e inseguros.
Eu. A cadeira. A espera. Pessoas passavam por mim. Buscava cumprimentos sem obter sucesso. Esta cena dizia muito sobre a empresa. Não fiz a devida leitura.
A longa espera denotava o desrespeito do dono da empresa em relação aos seus funcionários. Os cumprimentos negados davam a tônica da falta de união e carinho entre as pessoas que diariamente cumpriam a amarga carga horária.
Fui superficial. Não vi a essência. Eu precisava do emprego. Só com tempo a alma substituiu meus olhos. E aí então pude ver onde estava. Com quem lidava. Os limites dos relacionamentos. A distância entre patrão e funcionários. Por enquanto, o que me separava do patrão era uma porta e a sua falta de respeito com os entrevistáveis. Ali na cadeira, eu seguia esperando...



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
Lilian Guimarães
Adalton César
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