Motivo para manter o casamento: filho. A outra mãe fez diferente

terça-feira, agosto 08, 2006 ·

Ela chora pelos cantos. Mistura ódio e amor para com o marido. Está ao seu lado por um motivo: o filho. Segue infeliz. E sacrificadora de sua alma. Muitas estão assim. Isto é apenas ilustração de uma realidade feminina.
Uma agenda delatou a traição do marido. Imaginar o que ele sentiu enquanto estava com a amante é motivo de dor para a esposa traída. Dor que a visita diariamente. Que se expande ao fazer amor com ele e imaginá-lo pensando naquela que foi amante por um dia (ou mais).
Separar-se seria o mais razoável a se fazer. Contudo, a simplicidade das palavras não combina a crueza da realidade. Quase todos sabem como é romper.
Um filho. Este ama o pai. Chora com a ausência paterna por viagens a trabalho. A mãe imagina o sofrimento do filho com uma separação. Por ele, sacrifica a sua felicidade.
Exponho o caso para uma mãe de três filhos. Separada do marido, ela vive o inverso da questão de certo modo. As crianças estão com o pai em outro estado. E esta mãe é para eles uma heroína.
Ela não concorda com a outra do início do texto. Não foi traída. Separou-se do marido ao saber de suas verdadeiras predileções sexuais. Não foi fácil para ela. Lidou com a decepção. Crises emocionais como conseqüência.
Elementos aqui para comparar. Atitudes diferentes. Uma está feliz. A outra segue infeliz. Vive um conflito. Fia-se ao trabalho. Ama o filho. Os dias de amanhã não lhe vêm muito belos. Fica aqui a pergunta. E agora mulher?



1 comentários:

Anônimo disse...
agosto 08, 2006  

NENHUMA mulher deveria segurar casamento algum por ocasião dos filhos. O tempo passa rápido. Em poucos anos eles viverão a vida deles, ou numa idade próxima serão senhores de suas decisões e resolverão com quem irão morar.
Até chegar-se nesse ponto sofre-se sim. Marcas vão ficar,para o casal, para as crianças. Mais uma questão à ser administrada.
Cada um sabe de sí. O amanhã virá e cedo demais.
Hoje mulher adulta, sei que meus pais manterão seu casamento por MUITO tempo por causa dos filhos. Já me foi perguntado o que eu preferia: Fiquei até doente uma época porque meu pai foi morar com outra mulher. A saudade era quase insuportável. mas respondi HOJE que gostaria que ela (minha mãe) tivesse tido outra vida, outro homem, talvez outro casamento, afinal demoraram mais de 25 anos pra descobrirem que queriam mesmo ficar juntos. Não gostaria que ficassem juntos só por causa dos filhos - e já disse isso várias vezes. Coisas que a gente só entende quando vai viver a própria VIDA.
Sou a minoria. Meus filhos não estão tempo integral comigo. Sofrem porque querem os pais juntos, mas creio que também não seriam felizes debaixo do mesmo teto com um pai e uma mãe que não conseguem se fazer felizes...
Vendo uma mãe que quase enlouqueceu por falta de amor e de atenção.

Adel... beijos!

Fale comigo

adelcir@gmail.com
k

fotos: Patrícia Crispim
c

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
Lilian Guimarães
Adalton César
v
c
b
c
c
c
l

opinioesecronicas@yahoo.com.br