Um breve relato sobre a vida

quarta-feira, junho 28, 2006 · 1 comentários

O olhar busca uma pauta. Não encontra. Daí, as lembranças fazem o mesmo. Em vão. Relatar o ocorrido. Opção. Logo deixada de lado. A desistência, assim mesmo, não se anuncia. Prosseguir é desejo presente.
Quantas vezes caminhamos sem saber para onde? Talvez em determinada fase da vida (não sei se de todos) isto ocorra. Daí os dias passam. E a gente apenas prossegue. É um prosseguir sem objetivos. Parece que é melhor não tê-los. Uma forma de não se comprometer. Fazer da vida algo displicente. E rir e viver o momento presente. Ao menos acreditar que de fato vive.
O tempo passa. As conseqüências se dão. As oportunidades se escasseiam. Pode surgir um medo. E talvez ele seja ferramenta de mudança. Paramos. Pensamos o que vai ser. É possível que o emocional se abale. Talvez algum prejuízo. Não há outro caminho senão mudar. Do contrário a vida se turva.
Mas a mudança é vagarosa. Pode ser dolorida. É muito provável que o seja. O medo de mudar surge. Daí as crises. A gente se rebela. Não é garantido que todo esse processo resulte em algo bom. Não é garantida a mudança para melhor. Muitos sucumbem. Esmorecem. E adentram por caminhos infelizes. Daí o estrago está feito. Poucos vão, lá na frente, encontrar uma luz.
Outros, pelo caminho doloroso da mudança, deparam-se com a maturidade. Sofrem, Tencionam desistir. Alguns ficam pelo caminho. Outros seguem em frente. Então, a vida muda. Objetivos surgem. Vitórias. O aprendizado com as derrotas. É a serenidade conquistada.
Tudo isto que foi dito é um breve relato da vida. Tem até um aspecto de manual. Mas não é este o objetivo. Seria prepotência deste blog. O desejo, de fato, é apenas falar da vida. E esta é repleta de pautas. Hoje me deu esta. De certa forma, eu me encontro neste texto. Vocês, de uma forma ou de outra, também se encontram. Ou então não se encontram.



Loteria do azar: ganhei!

domingo, junho 25, 2006 · 0 comentários

Stress. Tem motivo. Banco. Agência. Deram um golpe em minha conta. Percebi um ano depois. Displicência. Dois empréstimos que não fiz.
Avenida Paulista. Cartão-postal de São Paulo. De longe, avistei o prédio para o qual eu me dirigia. Um amigo me acompanhava. Dificuldade para retirar a senha. A máquina não me obedecia. Enfim, eu me tornei o número 133.
Aquela senha em minha mão me era inútil. Sabia que de nada adiantaria falar com alguns dos atendentes. Assim, dirige-me à “POSSO AJUDAR”? Exigi a presença da gerente da minha conta. A pessoa que administrava o meu problema não me servia. Sua incompetência não me valia.
Espera. Ato comum num banco. Agora, a lei estipula o tempo máximo. Uma apostila para ler. Prova daqui a dois dias. Café. Água. E a espera.
Finalmente ela surge. Quase se tornara um mito para mim. Pouco importa sua beleza. E não é por que não me valia. Precisava era de competência naquele momento.
Fato relatado. Reclamo do seu funcionário. Elogio seu modo gentil. Mas confessos seus pecados na competência.
Ela procura documentos. Mas o funcionário pecador não lhe deixou o meu processo. Se vocês me perguntarem onde está o rapaz, informo que não sei (e nem a gerente sabe). Férias.
Perdida, a gerente da minha conta não se faz de constrangida. Irrito-me ainda mais com as suas trapalhadas. E evidencio a minha percepção. Meu processo não estava em andamento. Perdido estaria em alguma gaveta. Perdido não, parado.
Um lance de sorte da gerente. Pede ao funcionário do lado para averiguar as suas gavetas. Lá estava o meu processo! Alívio meu! Ela, a gerente, muito tranqüila (aparentemente, ao menos).
Penso. Melhor eu adentrar o caminho mais irônico. A minha hostilidade me seria maléfica. Contudo, não é difícil mudar do vinho para a água.
Procedimentos. Senhas. Pesquisas. Telefonemas. A gerente não sabia como proceder com o meu problema. Humilde, ela busca informações. Orientações.
No trabalho, atraso garantido. Celular para avisar. A agência esvaziada. A funcionária oriental se fora. Mas pude admirar sua feição serena, linda e alegre. Avaliei seu corpo. O saldo foi negativo. Indaguei-me se eu teria algo com ela. Dúvida. De qualquer forma, ela me encanta.
Debate meu com a gerente. Educação à mesa. Estou calmo. Vejo que a questão é complexa. E finalizo dizendo: na loteria do azar eu fui contemplado!



Pautas desobedecidas

sábado, junho 24, 2006 · 0 comentários

Eu caminhava pela estação do metrô. Já sabia deste desejo. Escrever. Iniciava um texto. Buscava em mim uma pauta. E um medo surgia. E se a pauta não viesse?
Aqui no vagão do trem a maioria é de homens. A mulher de pernas cruzadas e olhar carente não me desperta interesse. Mas isto pouco importa. Meu único interesse é escrever.
Agora sei que tenho pautas. Elas surgiram. Comentar sobre as confissões de uma amiga. Seu romance conturbado. Falar de reclamações femininas. Falta de atenção de seus maridos. Ou tecer comentários sobre nossas carências afetivas.
O desejo real é falar sobre as três pautas. Mas o correto é fazer a escolha. Verificar em mim o desejo maior. Carências afetivas.
Deixo de lado o desejo que prepondera. Resolvo falar sobre reclamações femininas. Contudo, não nego o desejo pela liberdade. E não definir pauta alguma. Passar para o papel as palavras que surgirem.
Neste embate pelas pautas, o tempo passou. Estações se foram. As pernas cruzadas e olhar carente se ausentaram. Não respeitei a escolha. A pauta foi deixada de lado. Aqui, o último parágrafo. O texto não me agrada de fato. Confissão. Quem sabe um anônimo usa deste texto para me agredir. Eu iria dizer que se tal agressão lhe faz bem, tanto melhor. Contudo, ser destrutivo é destruir a si. E tendo dito isto, chego ao final deste texto. O trem se esvazia. O desejo ameniza. As palavras se tornam escassas. É de fato o fim.



Mulheres que sonham com príncipes encantados. Mulheres que já não sonham mais. Casadas que traem (porto-seguro e difamações)

terça-feira, junho 20, 2006 · 0 comentários

Este parágrafo será do tamanho da minha dúvida. Até eu decidir o assunto deste texto. Carrego um desejo sobre o que expressar. Possivelmente, ele determine o tema. A escolha deverá ser feita naturalmente. A verdade é que sempre defino o tema após o primeiro parágrafo. E sei que muitas vezes misturo assuntos.
Amores impossíveis. Distância anunciada. Ela, muito possivelmente, voltará para as suas origens. Nelas, sua terra natal e seus familiares. Para seu desgosto, homens em sua maioria xucros. Que tratam as mulheres como mero objeto passivo.
Em um ônibus tucanamente lotado, ela encontrou diferenciais procurados. Sonhava com tratamento educado e respeitoso. Após um primeiro encontro, a química no beijo alimentou outros sonhos seus. Uma mulher quer também a certeza do prazer. E, a certeza de que não será meramente usada, faz com ela se entregue plenamente. Ainda que amiúde.
A vida gosta de fazer surpresas. Deixa a pessoa provar o que é bom e depois lhe rouba. Talvez isso ocorra com todos, ou quase todos. Daí é possível que venha a revolta. Neste teste da vida, certo quem não se revolta. Que fique claro, não se trata de simples escolha. Vai dos conteúdos emocionais de cada um. Não condenemos os revoltados.
Muitas mulheres encontram-se céticas em relação a príncipes encantados. Nas histórias infantis de antigamente foram descobertas suas idiotices. Por outro lado, há as que ainda sonham. A queda para estas é iminente.
Assim, temos as que ainda sonham e as que não sonham mais. Também temos as que fingem não sonhar. Qual grupo é mais infeliz? Este que escreve não tem certezas. De qualquer forma, prefere as mais lúcidas. São mais interessantes.
Homens não tipificam sonhos. Apenas comentam sobre as mulheres. Sobre o que vêem externamente. Outros, menos superficiais, comentam sobre o universo feminino. E neste mergulho, seguem ainda mais apaixonados pelas mulheres.
Para mim, nada mais belo na mulher que a verdade de seus sentimentos por aquele que a ama. Isto é algo ímpar nas mulheres.
Sei de mulheres que não amam de fato seus maridos. Seguem infelizes. Algumas seguem caminho adúltero. Não tenho certeza se tal infelicidade se dá em função de não estarem amando a um único homem. Ou por que suas carências as fazem trair. E nessa de traírem seus maridos, seguem sendo desvalorizadas e condenadas pelas opiniões.
O universo feminino é por demais complexo. Quando se turva, tal complexidade se acentua. E aí o passaporte para a infelicidade está garantido. Muitas vezes, um caminho sem volta.
Neste momento, penso nas casadas que traem. De um lado o porto-seguro. Do outro, difamações. Conseqüência inevitável: infelicidade.



Fragilização de um texto

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Brigas no metrô. Caras amarradas. Narizes empinados. Nem tudo é desarmonia. Há caras tranqüilas. Sorrisos faciais. Olhos fechado como que meditando. Nessa cidade tão grande, a diversidade não se esconde.
Sigo o rumo que a vida me deu. Não escolhi morar onde moro. Acompanhei decisão de pai e mãe. Decisão baseada nos limites financeiros. Estes, felizmente propiciaram uma boa escolha.
Pensemos. Quantos tomam rumos inesperados? É como se não fizéssemos escolhas. Como se um roteiro nos fosse dado. Mas enfim, isto é apenas um devaneio.
A noite está agradável. Quero música de boa qualidade e publicar textos. Nada mais que isso eu quero. Ficar a sós com meus textos. Introspecção. Comigo a certeza de que muitos outros seres humanos, pelo mundo afora, estarão assim. Introspectivos.
Prossigo rumo ao que não escolhi (não é revolta). A memória traz-me ela. Uma mulher bonita e inteligente. Que se delicia com meus textos. Certamente desgosta de alguns. E aqui a certeza. Agradar num todo é impossível. Gostoso também gerar contrariedades.
Último parágrafo. Relato se de fato quero publicar este texto. Vou fragilizá-lo. E deixá-lo à mercê de algum comentário. Se alguém escrever-me e pedir para derrubá-lo, eu o farei. Covardia minha? Terceirização de uma decisão? É reflexo de meu ser. Muitas vezes terceirizo decisões. Defeito.



De crônica para opinião

segunda-feira, junho 19, 2006 · 2 comentários

Data real do texto: 14Junho2006


Correm as horas. Implacavelmente. Não é ruim. Hoje. Faz com quem eu me sinta mais útil. Assim é o ritmo de boa parte das pessoas. São Paulo.
Olho pelo vidro. O trânsito é repetitivo na complicação. Queria o alívio entre os carros. O trânsito é um dos grandes fatores de stress na capital. São Paulo.
Termômetro às alturas. Relógios incessantes. (Parece que iniciei outro texto). Discussão sobre a Copa. Banco de trás. A cidade às vésperas de um feriado. Dia de descanso. Atividade cultural é uma opção. Falta grana? Há muitas a bons preços. Algumas gratuitas. São Paulo.
Não é por que páro que penso. Queria menos abstratismo. Escrever algo mais útil. Dificuldade. Muitos que ensinam, não são professores de fato. Alguns, nem mesmo sabem escrever corretamente. E aqui o surgimento de uma pauta.
Pausa. O rapaz sana suas dúvidas. Sou educado. Gosto da boa comunicação. É este um dos meus grandes prazeres.
Após a dúvida do rapaz sanada, volto ao debate. Ambiente universitário. Imaginem os professores. Senhores do saber. E aí aquele que fornece uma apostila para leitura. Esta, carregada de defeitos gramáticos. Isso ocorre no Brasil. Sei que é absurdo. Mas pior ainda são alunos aceitando a ignorância com a língua mãe. É, sim, um modo de se confortar.
Curso Superior. Acho que o nome é para dar status. Rebaixar os que não tem essa formação. Enfim, independente do nível, em se tratando de educação, a língua portuguesa deve primar pelo respeito às suas normas gramaticais. Ninguém precisa ser expert, lembremos. Só não pode confundir “face” com “fácil”! Entre tantas outras confusões!
Se os brasileiros, incluindo os universitários, lêem pouco, pior é, na faculdade, ler textos pecadores. A solução? Mais rigor na contratação. Redação. Teste.
Se alguém argumentar que nada é perfeito, não poderá ser ouvido. E não é apenas pelo uso de argumento pronto. É porque na Educação devemos ser intransigentes na exigência. E, se este texto é pecador, que seja condenado. Mas antes, corrigido!



Três estações. Três parágrafos

quinta-feira, junho 15, 2006 · 0 comentários

Três estações. Quero outro texto. Disparo a caneta. Opto por um único parágrafo. No caminho buscarei um tema. É muito provável que eu não encontre. A vida é assim. Muitas vezes procuramos o caminho e não o encontramos. Nem tudo é possível. Aprendizado que a experiência nos trás.
Eu poderia fazer uma brincadeira aqui. Mudar algo proposto. E fazer um parágrafo por estação. Então, falta apenas um. Este está pronto. E ficará simples assim mesmo. Sem conteúdo, eu sei. É para imitar muitos que estão preocupados apenas com as aparências. Crítica.
Brincadeira aceita. E agora, o que dizer neste parágrafo? Devo confessar algo. Ausentam-se aqui meus reais sentimentos. O fato é que estou negativo. E forjo alegria. Este texto é alegre. E me contradiz. O que ocorre? Farsa ou incompetência? Bom, nem sempre desejamos nos abrir. Muito embora eu não tenha dificuldade em fazê-lo. Bom, o trem parou perto do fim. Dos trilhos. Do texto.



Desejo versus Falta de inspiração

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Primeiro a confissão. Depois o texto, quem sabe. Conflito. Desejo em desarmonia com a inspiração. Briga que já se dá. Quem vencerá?
Não faço torcida. Não, faço sim. Quero a vitória do desejo. É possível que eu dê uma forcinha a ele. De todo modo, penso que a falta de inspiração é favorita nesta briga.
O desejo insiste. Pede mais um parágrafo. Sugere que eu narre o que vejo agora. Ou então que eu discorra sobre os ocorridos do dia. Daí eu lembro o desejo que meu dia pode não ser interessante para vocês. E essa minha recusa se dá muito mais por uma vitória da falta de inspiração.
O desejo teima. Diz que é possível tornar a narração do dia interessante. A falta de inspiração pede silêncio para este tema. Obediente, eu me calo a respeito.
Suposição. A falta de inspiração parece que foi vencida neste breve texto. É possível que tal texto agrade a vocês. Devo dizer que a mim agrada. Podemos alegar que a inspiração se fantasiou de desejo. E que na verdade ela esteve o tempo todo presente. É de fato uma reflexão interessante. Para finalizar, digo que o texto está pronto. Ele é bastante curto. O que tivemos, então? Vitória ou empate?



Sentimentos implícitos com blues

domingo, junho 11, 2006 · 0 comentários

Blues em meus ouvidos. Uma pequena tensão. A vida não é perfeita. Não é este o problema. Aceitá-la imperfeita é a solução. Vai de como está o emocional. Vai de cada um. Obviedade.
Este blues em meus ouvidos muito me agrada. Olho para o telefone e ele não se comunica. Não nego o desejo de ouvi-lo tocar. E receber o telefonema prometido. Daí a lembrança de que são poucos que cumprem o comprometido. E, num lance raivoso, dizer que a palavra não é muito valorizada pelos brasileiros.
Terceiro parágrafo a blues. Música que agrada. Origem popular. Hoje, classificada como cultura superior. E antes de assim ser tipificada já era de muita qualidade. Aqui, um lembrete: não é sobre blues que quero discorrer.
Implicitar. Gosto que tenho. Não explicíto o tema. Deixo que se esconda nos vãos das linhas. Afinal de contas, não é possível me olhar e saber o que se vai em mim. O que se vai, surgirá em atos e palavras. O olhar também denunciará um pouco. Mas aqui os olhos seus só vêem as palavras minhas. E são elas que denotam o que se passa em mim.
Duas ou três leitoras me vem à mente. Admiração pelos textos que escrevo. E a lembrança delas me anima a escrever. Gostam da sensibilidade. E então eu tento mergulho profundo. Mas o mergulho sempre deixa a desejar. Não é possível colar a minha alma aqui. O que se tem é apenas um esboço. Quase sempre de modo implícito.
Creio não ter declarado meus sentimentos aqui. De certa forma, o blues é romântico. Ou vai ver que de todas as formas. Diria que é adequado para o momento. Se a letra da música não entendo, fico com a melodia e a suavidade da voz da cantora.
Pausa. Olhar fixo para a tela do computador. Por um momento, uma certeza destruidora. Escrever não seria mais possível. Neste momento. Daí a solução é escrever o pensamento. E assim gerar libertação. Ver as palavras sendo escritas. E nesta de escrever o que pensei, uma forma de prosseguir com este texto. Após ser interrompido pela mãe falante, declaro não ter mais o que escrever. Falo deste momento. Deste texto. É isso! (o blues deixou de tocar - coincidência!)



A provável incerteza de que um amor deixou de brotar

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Ele é de Minas Gerais. Ela do Ceará. Onze anos de diferença nas idades. Numa tarde fria deste ano, eles se encontram em um ônibus velho e lotado da capital paulistana. Iniciam o que seria a primeira conversa entre eles. Bom papo e sorrisos. Harmonia. Troca de contatos eletrônicos e satisfações interiores.
No final de semana seguinte, o encontro marcado. Química no beijo e nos toques. Presenças que satisfazem. Risos e carinhos. A formação tranqüila de um casal.
A história deles mal começara a ser escrita. Um fato inesperado ameaça separá-los. É possível que ela necessite regressar à sua terra natal. Aquele que teria sido o terceiro final de semana deles não ocorreu. Haviam conversado durante a semana. O rapaz era conhecedor da necessidade dela de ficar sozinha e refletir.
Às 21h do que seria o terceiro sábado juntos, ela lhe telefona. Ri desajeitada em ter tido a voz adivinhada. Uma breve conversa se dá. A bela moça relata as circunstâncias. Confessa desejo em revê-lo. Mas teme se apegar. Assim, melhor a distância. Antídoto contra o sofrimento. Somente em julho ela terá definições sobre a sua vida. Ele indaga uma pausa no relacionamento até lá. Ela não deseja a pausa. O rapaz fica sem saber o que ela deseja exatamente. Contudo, tal afastamento parece inevitável.
É possível que se tenha uma rápida história romântica. Que não produzirá mágoas, posto que ainda não há marcas profundas. Se assim a vida quiser, caberá a ambos a resignação. E a incerteza de que um grande amor deixou de brotar...



O que sinto (texto de um outro momento)

sábado, junho 10, 2006 · 0 comentários

Aqui onde estou sigo tranqüilo para aonde vou. Li a pouco um belíssimo texto – “A verdadeira arte de amar uma mulher” -, escrito por um jornalista cujo nome não é informado. Este texto que escrevo é o papo que tive com uma amiga recente, por sinal muito agradável e inteligente.
Flores. São belas. Nas mulheres que amam recebê-las, o lindo sorriso no ato da entrega. Um gesto que não necessita de data. Se vem num dia inesperado, produz uma alegria nela que fará bem ao casal. E que fará a mulher sentir-se a mais amada que há.
Falo de homem que manda flores para uma mulher. Uso da minha experiência. Mas que fique claro, enviar flores independe da opção sexual. Não há gestos de amor que sejam monopólio desta ou daquela opção sexual.
Feito o devido esclarecimento, prossigo romântico. Já faz tempo, muito tempo que não vou a uma floricultura para os fins relatados no segundo parágrafo deste texto. Para um romântico, um modo de sofrimento. Então, eu imagino quantas flores não enviei. Quantos bilhetes de amor não escrevi. E quantas cartas de amor eu guardei em minha alma...
É possível que escrever isto seja um modo de sublimar este meu romantismo contido (se é que ele ainda existe). Uma forma muito tímida de sublimação. E isto porque não estou amando. Não a uma mulher. Sigo, então, sem uma inspiradora. O que posso dizer é que, aqui aonde cheguei, sentado neste silêncio, eu penso em algo. E, em meio a esta tranqüilidade, eu termino este texto. E se não digo o que penso, é por um erro de expressão. Na verdade, eu nada penso. Apenas sinto. E o que sinto já aqui foi escrito.



Flerte patológico (texto de um outro momento)

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Flerte patológico. Flertar é bom. Satisfaz o ego. A necessidade de fazê-lo para sentir-se bem é que não pode.
O rapaz está na balada. Inseguro, seu olhar não está bom. Carente, ele precisa de uma mulher. Assim mesmo, não pode ser uma escolha sem critérios.
A tensão lhe tem. As músicas o incomodam. Para um papo não há inspiração. E não adianta esforço. Só vai resultar em artificialismo.
A morena atraente não se comunica com os olhos. Talvez um sorriso bastasse. Logo ele vai desistir dela.
Casa cheia. Noite vazia para o rapaz. O consolo é a certeza do passar constante das horas. Logo aquela tensão será aliviada por horas dormidas. Um modo de fugir da realidade.
A auto-estima baixa dificulta aproximação. Ele reescreve o bilhete três vezes. Erra palavras. Esquece-se de completar frases. Prenúncio de que algo nele não estava bom.
Fim da noite. Risos insatisfeitos. As horas de fato passaram. Uma mulher ainda seria bom. Mulher como mero objeto de satisfação do ego. Visão distorcida. Fruto da infelicidade momentânea.
Uma noitada sem boas lembranças. Passaporte garantido para o esquecimento. Se havia algo bom, era a certeza do alívio que estava por vir. E veio.



Sócrates. Antídoto contra a arrogância. E lembrança da nossa eterna ignorância

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Prossigo a viagem. O ambiente é outro. Mulheres conversam. Elas falam mais que nós homens. Fato que me agrada. Favorecimento.
O sol pouco a pouco perde a timidez. É como se crescesse. O amadurecimento nos torna mais seguros. Mas isto não é uma regra. E não basta envelhecer. São diversos os fatores responsáveis pelo amadurecimento.
Gosto de falar sobre o ser humano. Uso de observações que faço. Muito da intuição. Idéias alheias que absorvo. E sobre as mesmas, reflexões minhas. Também uso de leituras. Sei que são poucas, quase nada. E não nego que a leitura principal que uso é a da alma. Devo errar muito. Mas jamais fecho questão. A minha opinião é minúscula. Não utilizo de arrogância. Jamais. Lembro-me sempre de Sócrates. E aqui um parêntese. Sócrates deveria ser ensinado em todos os cursos universitários. No início e no final do curso. Pois, no meu entender, tratar-se-ia de um antídoto contra a arrogância. E um alerta para o quanto um indivíduo, por mais que estude, permanece ignorante.
Abri um parêntese e fecho o texto. Mas não nego o motivo maior. Não há mais papel para escrever!



A liberdade seria o tema. Já que é liberdade, desistir do tema seria pertinente. Depois, os parágrafos da vida

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Alguns minutos das 9h se foram. Não me recordo que alguma manhã tenha me ofertado inspiração para escrever. É possível que sim. Mas isto pouco importa. E, sejamos sinceros, que importância tem isto para vocês? Não seria uma forma de colocar palavras aqui somente para que construído o parágrafo ficasse?
Sinto-me bem. Belas roupas. Sensação de elegância. Neste bem estar, sigo rumo ao trabalho. Após isto, um encontro. A simpática mulher do não-olhar meu. Fruto de uma crônica.
Sigo tranqüilo. O sol ainda se esconde. Timidez. As palavras estão desprendidas. Nada se escondem em meu ser.
Relato. Não aferi ainda se este texto é bom. O fato é que sinto enorme prazer em escrever. A minha alma olha o mundo serenamente. Isto não adormece minhas contrariedades (para não usar “revolta”, que é uma palavra muito pesada).
Percebam vocês que se ausenta algo aqui. Tema. Definição. O nome disto é Liberdade. Façamos deste preceito o tema. E sigamos livres. Eu na escrita. Vocês na leitura. A liberdade que falo implica na desistência pelo tema, ou na leitura deste texto.
Não disse a vocês onde estou. Será que já cansei ao mencionar o que me leva para onde vou? Uma conhecida (ex-leitora) já reclamou. E aqui o relato que esse blog também perde leitoras. Sei que em alguns casos o blog é inocente. E foi derrotado na tentativa de despertar o interesse pela leitura. Cabe então a lição que é óbvia. E para ser sincero, não mencionarei tal obviedade.
Suspendi a caneta por alguns segundos. Tosse e o queixo coçado. E aí a decisão. Tecer o último parágrafo. Como que dar ao texto a sua morte. E pensar na vida. Analogia. Que é feita de parágrafos, posto que é história. Já que é assim, tenhamos serenidade. Nem todos os parágrafos são bem escritos. Mas na vida um parágrafo mal feito serve de lição para a construção melhor do parágrafo seguinte. O que eu quero dizer é que façamos belos parágrafos. E se há dificuldades, então façamos uma leitura melhor. Da vida.



Copa do mundo. Todos querem ganhar.

sexta-feira, junho 09, 2006 · 0 comentários

Copa do mundo. Festa capitalista. Objetivos parecidos. Todos querem ganhar. Reunião de diversos povos. Colorido nas arquibancadas. O mundo anestesiado por alguns dias. Prova de que a paz é possível.
É belo ver povos diferentes em espaço igual. Reciprocidade no respeito. A cor diferente da camisa não gera violência. Diferenças aceitas. Negros, brancos, amarelos, vermelhos. Colorido da pele. Heterogeneidade. É o mundo se expressando.
Atores em campo. Cada qual com o seu papel. Teatro da vida. Não se sabe quem dirige. Ou será que é sabido? Não importa. Os atores seguem eufóricos. Cadê os problemas? Mas para que lembrá-los? É festa!
Camisas à venda. Preços exorbitantes. Falsificações, alternativas. Milhares de dólares perdidos. Mas um outro grupo ganha. Alguém tem que perder. Que sejam os consumidores. Mas de fato eles perdem? E o prazer ganho? É o preço do ópio!
A bola rola. A marca da empresa se expressa. Chuteiras “marcadas” correm pelos gramados. Balé de logotipos. Cristalização das marcas. As mentes eufóricas crêem não dar importância. O subconsciente age. Na hora da compra, eu já vi esta marca. Então eu confio. Ela é famosa.
A Copa do Mundo tem muitas facetas. Aqui é dado ênfase à publicitária. Batuta capitalista. Ela está por trás de cada lance. De cada gol feito ou perdido. Impedimentos. Faltas. Escanteios. Comemorações. Tudo em ritmo de perfeição. O mundo pintado nas telinhas das TV’S. Para um melhor observador, realidades estão ali.
O erro verdadeiro do juiz. Injustiça. A vida sendo imitada. O erro proposital. Corrupção. Não é mera coincidência. Alguns pulam e riem de alegria. Outros choram. Saudades familiares. Competição. Que vença o melhor! Coletividade, a melhor forma de se obter resultados positivos.
A Copa, se anestesia, pode produzir reflexões. Vai da ótica de cada um. Claro, tanta emoção produzida, fica difícil refletir. Mais fácil fazê-lo aqui. Entre quatro linhas. Com apenas uma arquibancada. Ingresso não pago. Nenhum grito. Juiz se confundindo com torcedor. E a torcida é por um bom texto. Enquanto o juiz faz as correções. E no final decide se o texto é bom ou não. Tudo isto entre quatro linhas. Longe dos gramados. A Copa é mundo distante. À grande maioria cabe assistir. Passivamente. Depois é soltar o grito de alegria e tristeza. Nos dias seguintes, partir para o consumo. Daqui a quatro anos tem mais.



Breve texto (nem sei se é bom)

quinta-feira, junho 01, 2006 · 2 comentários

Fiz um texto a pouco e verifiquei sua má qualidade. Não se preocupem com a curiosidade. Sintam-se poupados. Evidentemente que não foi a minha primeira falha. Muitos textos ruins eu produzi. É possível até que alguns tenham sido publicados. Evidentemente que trato o assunto do meu ponto de vista. Vai ver que para alguns todos os textos sejam bons. O contrário disto também pode ocorrer. Subjetividade. Ela sempre aparece. E se expressa muito nas avaliações da estética. E isto penso ser interessante. Não sei se para vocês é também interessante. E aqui uma certeza. Se a preocupação deste blog for sempre agradar, ficarei estático na preocupação. Nada produzirei. Ou então, errarei por caminhos artificiais. E isto, caros leitores, isto é deveras nocivo. E sobre artificialidade, falarei em um outro texto. Por enquanto, fico por aqui.

ps: para ser sincero, não parece este ser um bom texto!



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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