Conquista por um não-olhar (e depois pelo olhar)

quarta-feira, maio 31, 2006 · 4 comentários

O trajeto seguia sendo subtraído. Compenetrado, a leitura me dominava. Prova no dia seguinte. Ela sentou-se ao meu lado. Prossegui compenetrado. Não lhe dei um olhar. E, exatamente por lhe ter sonegado meus olhos é que lhe despertei interesse. Numa indagação, ela procurava caminhos para uma conversa. Antes disso, um sorriso já havia me sido ofertado. Eu esbarrara meu braço nela. Educadamente, desculpas.
Em sua primeira investida, a curiosidade. Como estudar num ônibus. Resposta dada. Curta comunicação Pouco desprendimento de ambas as partes. Percebi seu interesse. E após ter respondido, resolvi que permaneceria nos estudos. Decidida, ela deu alimento ao assunto. Não me recordo o que disse. Sei apenas que iniciamos uma conversa. Pela frente teríamos pouco mais que a metade de 1h. E assim o foi.
O papo rolou solto e tranqüilo. Éramos educados e receptivos. Eu simplesmente encarava aquilo como um bom papo. Resolvera que não lhe pediria telefones. Não queria fazer o de sempre. Claro que eu a avaliava. E tal avaliação melhorou após fotos reveladas. Sua beleza no papel encantou-me. Cheguei a pedir uma foto. Ficou implícita a promessa de me dar uma futuramente. Habilidade de comunicação.
Incisiva, ela pediu-me endereços eletrônicos. Fiz o mesmo a fim de demonstrar interesse. O assunto prosseguia harmoniosamente. Não importam os assuntos. Variações. Assim é bom. Enriquecimento da alma. Contudo, por um momento fui torturado. Ela adentrou sobre um filme hollywoodiano. Não lhe revelei minha aversão por tal indústria do entretenimento. Pensei na ironia. Se não assisto a estes filmes, eles chegam a mim de alguma forma.
Olhava pela janela. Não podia arriscar o ponto. Sincera, ela escreveu seus telefones numa das folhas do meu bloco de textos. Reciprocidade.
O vendedor ambulante passa com as suas mercadorias. Vendedores tornam as histórias mais românticas. Segurei as balas com a certeza de não comprá-las. E aqui é possível que os leitores fiquem apreensivos. Não comprei as balas. Ela logo alegou desgosto pelo produto.
Meu ponto. Coloquei as balas em suas lindas mãos. Ela riu-se assustada. Informei que desceria. E ali, em pé, recebi um olhar diferente. Sedução. Interesse. Depois a confissão. Temia não me ver mais...
Últimas palavras daquele primeiro contato. Sorrisos e despedidas. Satisfações recíprocas. Cada uma para o seu rumo. Eu, deveras tranqüilo. No dia seguinte, nossa breve conversa eletrônica. E um encontro pré-agendado. Em meio à conversa, a confissão. O não-olhar meu é que lhe despertou interesse a princípio. E o meu pedido de desculpas seguido de um olhar é que lhe confirmou o interesse.
Saímos no sábado seguinte. O trabalho fez-me atrasar 1h para o encontro. Acreditei que ela já não estaria mais lá. Após procurá-la com os olhos, avistei a bela imagem à mesa. Cumprimentos. Sorrisos. Conversa. Um café. Mãos que se tocam. Primeiro beijo. No dia seguinte, mais beijos. É o início de uma relação. Seguimos nos conhecendo...



Errei

terça-feira, maio 30, 2006 · 0 comentários

Por um tempo resolvi não dizer onde estou enquanto escrevo. É um modo de evitar repetitividade. De qualquer forma, fica claro que não me encontro em local diferente. E sendo hoje dia útil, estou e vou para o mesmo lugar de outros dias de outras semanas.
Relia textos neste bloco de folhas quadriculadas. Alguns já publicados. Outros à espera da publicação. O último texto não li totalmente. Vai ver que está chato. E agora, pouco a pouco deixo de escrever. É o sono que severamente me domina.
Sei que pouco sei. Não vou imitar o filósofo e dizer que nada sei. Carrego poucas certezas (disseram-me que só os idiotas tem certeza - então eu sou um pouco idiota) Uma delas se dá agora. Escrever.
Tenho comigo sentimentos. Sei de pessoas que habitam meu coração. Mulheres que me encantam pelo jeito verdadeiro. Amizades virtuais. Admirações também virtuais. Amigos homens que gosto e respeito. E sei também de pessoas que não gosto.
Nessa de gostar de desgostar, acabei por me perder. Já não sei como prosseguir. Ainda há esperança que surjam idéias. E que a mistura delas resulte em um texto. A melhor saída, penso, é usar os sentimentos. Como, por exemplo, expressar o arrependimento na homenagem à “amiga”. Errei. Não vi que era máscara. Hoje “vejo sua piscina cheia de ratos”.
O fato é que quando fiz a homenagem usei de sinceridade. E esta estava permeada por inocência. Cometo erros. Equívocos. De qualquer forma, para quem tem a verdade como preceito ao escrever, falo dos sentimentos, é torturante saber que os escritos não condizem com o que vejo hoje. Com o que ela é de fato. Errei. E errarei mais vezes. É assim. Lição.



Ela (ao meu lado) como pauta

domingo, maio 21, 2006 · 1 comentários

Linha Barra Funda – Itaquera. Antes. Linha Jabaquara – Tucuruvi. Agora. Baldeação. Outras pessoas. Conversas. Bancos solitários. Nada de novo. Nem mesmo em minhas palavras neste primeiro paragráfo...
Sigo aqui sentado. Ao meu lado não sei quem. Ela também não me sabe quem. E sem apresentações seguimos lado a lado. É fato que não desejamos nos falar. Possivelmente, desejamos o contrário disto. E assim segue a maioria. Indesejosos de conhecer o outro. Não se trata aqui de uma reclamação. Quantas vezes me aborreci com o desconhecido comunicativo. E outras quantas vezes me alegrei com o falatório inesperado. Tudo vai de como estamos por dentro. Para os emocionalmente lineares não há problemas. Para os instáveis, depende do dia. Nessa de instáveis e estáveis, um exemplo de como os seres humanos se dividem em tipos.
Ela continua aqui. Não importa se não me é bela. Leva consigo seus conteúdos. Alegrias e tristezas. Não sei qual desses sentimentos prevalece. Não posso aferir sua alma. Risco provável de projeção.
Ela, aqui no lado seu, não imagina o que escrevo. Não faz idéia que está como pauta. Segue calada. Eu, tagarela no papel. Talvez eu devesse denunciar este texto à ela. Mas quem disse que ela iria se agradar? Tudo bem que ela tenha demonstrado curiosidade com o olhar para o papel, palco das palavras que me saem. Fato normal. Curiosidade humana. Enfim, talvez ao mostrar o texto para ela, eu pudesse pedir uma sugestão. Como terminar este texto. Mas e se a sugestão não me agradar? OK. Melhor terminar de qualquer jeito.



Auto-estima. Brevíssimo comentário

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Linha Barra Funda-Itaquera. Metrô. Ainda não deram 23h. O frio não é muito. Bancos vazios. Sorrisos femininos. Caras amarradas. Alguém dorme. Outrem come. Este escreve.
Capricho na letra. Preocupação com a estética. Vai ver que é para enganar a falta de conteúdo. Quantos não fazem isto? Preocupação demasiada com a aparência. Ocultação de insatisfações interiores. Às vezes, um modo de ocultar a baixa-auto estima. Será que estou certo?
Preciso estudar sobre a auto-estima. Para mim, sustentáculo psicológico do ser humano. A baixa auto-estima produz seres infelizes. E aqui cabe um comentário. Não necessariamente a auto-estima está ligada à condição sócio-econômico-cultural de um indivíduo. Conheço pessoas bem simples, não belas, pouco cultas, mas com uma auto-estima de fazer inveja.
O que posso dizer é que praticamente nada sei sobre auto-estima. Assunto interessante que me é imperativo estudar.



Alma que quase me escapa...

sábado, maio 20, 2006 · 2 comentários

Dúvida. Como iniciar. Não sei se falo da releitura de um texto por mim produzido na noite de ontem. A satisfação da leitura. Ou se inicio falando de meu estado de espírito. Da despedida da chuva fina. Esse bem estar que me tem. Ou se faço algum comentário sobre alguém. Interesse dela em seu olhar. Avaliações de minha parte. Imagem que não sei se agradou aos meus olhos. Enfim, nessa indecisão toda, eu já comecei. E após ter começado, assisto ao balé da caneta. Boa bailarina, ela dança com talento sobre o papel. Palavras são desenhadas sem música. Pensamentos para o papel. E confesso, nem sei se agradam a quem lê. Quem sabe alguém comente sobre afinidades com este texto. Quem sabe uma bela leitora que tenho. E na lembrança dela, entro por novos caminhos. A satisfação em saber que uma bela pessoa que gastou parte das horas de uma noite fria para passear seus olhos por este sincero blog. Motivo de muito lisonjeio. Outras mulheres aqui também estiveram. Em cada semblante, eu não vi a satisfação expressa, não importa de que forma, isto se acaso tal satisfação existiu.
Vai o metrô. O perfume bom, muito bom, invade-me. É ela que está próxima a mim. Mas sabe, estou tão tranqüilo que não vou olhar para ver se ela me agrada. Poderia fazê-lo com admiração. Na verdade, eu acabo de dar uma olhada. Parece-me um rosto conhecido. Mas certeza eu não tenho. Enfim, mudei e olhei para ver a fonte desse cheiro bom. E agora já não olho. E isto me é bom. Não estou sedento por um flerte. É a nova fase que adentro. Nada de gerar interesse apenas com o uso da aparência que a algumas pode agradar. Quero gerar interesse pelo conteúdo. Pelo comportamento. Gestos em consonâncias com as palavras (não que não estejam). Enfim, algo mais profundo e sólido. Tudo serenamente. Como a minha alma agora. Que de tão leve quase me escapa...



Equívocos

terça-feira, maio 16, 2006 · 1 comentários

Coloco sentimentos no papel. Depois digitalizo as palavras. Neste momento, é possível que os sentimentos sejam outros. Na explicitação sentimental pela utilização das palavras, a sinceridade como preceito principal. E somente assim faz sentido. É possível que eu tenha cometido equívocos. Muito provavelmente eu desejo eliminar textos. Mas não o faço. Entendo que o momento produziu determinado texto. Se hoje é visto como um equívoco, serve como ilustração da vida. Bom é saber que é possível que eu tenha me equivocado duas vezes, não mais. Assim, vejo isto como fator de credibilidade. Pois quanto mais nos expressamos, maior a possibilidade de se equivocar. Então, satisfaço-me com os meus dois possíveis equívocos. E não me equivoco agora em terminar este texto.



TERAPIA

domingo, maio 14, 2006 · 2 comentários

Texto escrito em 12Mar2006 – Sexta-feira – Após às 23h


Sem inspiração. Segunda tentativa. Sigo vazio de idéias. Insisto em escrever. Desejar não basta. Sinto que vou travar. Que as palavras me vão faltar. Penso na semana. Melhor não pensar. Olho para os lados. Olhar não está sendo bom.
A bagunça dos adolescentes me alegra. Preciso de motivos. Mas a sexta-feira não foi tão ruim. O telefonema que eu não atendi. Fez-me bem saber que a boa amiga me ligou. Não atendi, não foi por opção. Foi por ausência. A outra amiga me deu carona. Ótima conversa e risadas. Agora, vou sozinho. Sigo sentado no trem lotado. Metrô. E o frio, incomoda? Não, aqui dentro não está frio.
A chuva fina amenizou. Quase se ausenta. Seus resquícios ainda me fazem menos comunicativo. É ela meu algoz. Que fez desta semana algo pouco agradável. Assim foram seus dias. Atos equivocados meus contribuíram. E agora eu sigo rumo ao meu refúgio sem de fato desejar isto. Não que eu desejasse ir para outro lugar. Mas essa ida que faço causa-me uma angústia. É como se me fosse dada a certeza de não poder mudar os erros da semana. O bom é saber que se feri alguém, não foi outro que não eu. Dei carinho para quem eu pude. Recebi carinho. Desejei mulheres. Li um belíssimo texto sobre elas. E me frustrei por nenhuma delas ser minha. Mas é a vida. É assim mesmo. Não para ter tudo que desejamos. Ou não dá para ter o que desejamos com a rapidez que queremos. Mas desejar já é um começo (é o que dizem).
Faço deste o parágrafo final. Não relato o que vejo agora. Isto pouco me importa. Um pouco do que sinto foi colocado aqui. Talvez não seja de utilidade para quem lê. Mas ao menos é útil para quem escreve. Terapia.



O blog como ilustração da vida. O que sinto, não o que vejo para falar da cidade. E a boa lembrança dos amigos

quinta-feira, maio 11, 2006 · 0 comentários

Quem escreve um blog não pode ser repetitivo. Risco seguro de chatice. Assim, busco diferenciar para dizer onde estou. Então, aqui sentado eu vejo a cidade. Que se esconde na noite. A transparência do vidro é que me dá as imagens. É possível que eu olhe muito mais para o papel. E negligencie a cidade. E não é porque as imagens já foram vistas em outras noites. Na verdade, olhando para o papel eu vejo a cidade. E as imagens são dadas pelas minhas lembranças. Pelo o que sinto e percebo. Olhar pelo vidro e ver as luzes ficando para trás não me dá idéias. Não agora.
Este texto começou com muita dificuldade. Desisti três vezes. Queria o parágrafo perfeito. Foi quando lembrei que este blog ilustra a vida. Assim, aceitei-o imperfeito como ficou. E agora sigo livre de amarras. Vou na velocidade do ônibus.
Paro. Olho pelo vidro. Os carros já não estão mais parados. Olho para o táxi. Busca por inspiração. Ele não se faz de fonte. Quantas vezes esperamos muito de algo. Sem lograr sucesso. Fica a frustração. Não é o caso agora. Isto é mera ilustração da vida. E o que digo aqui nada tem de novidade.
É isto. O texto está feito. Eu estou satisfeito. Espero que estejamos de acordo. Eu e vocês. Já que falei de lembranças como artimanha, falo de sorrisos. Que bom a conversa de hoje com os bons colegas de trabalho. Entre eles, dois amigos. Então, fico com esta boa lembrança. Imagens de sorrisos verdadeiros. E dedico esta beleza humana a este momento. Então, terminemos esta leitura com um sorriso na alma.



O TEMPO COMO BOTÃO

domingo, maio 07, 2006 · 1 comentários

No banho pensei na vida. Revi mentalmente a imagem da amiga. Creio ter projetado um pouco da minha fragilidade nela. A água cobria o meu corpo cansado. Desejei banhar a alma. Como que para ressuscitar a tranqüilidade. Mas a ansiedade me dominava. Uma insatisfação me consumia. E agora imagino que muitos choraram debaixo de um chuveiro. Muitos se deixaram por ali longo tempo, como que fugissem da realidade. Confesso, demorei-me um pouco mais do que de costume...
Abri a porta do banheiro e caminhei pelo corredor escuro. A escuridão me era necessária. Quisera apagar as luzes dentro de mim naquele momento.
No quarto eu já guardava comigo a certeza de um texto. No corredor escuro eu já mentalizava palavras. Guardava comigo certezas. Entre elas, este texto.
Certa vez falei em botões. Eles não existem como desejei. Mas talvez o tempo seja um botão (de pressão lenta, muito lenta...). É. Eu recorro a ele. Deixo para ele meus anseios. Toda essa ansiedade que me consome. Espero que ele leve consigo essa falta de sorriso solitário. Sei que vai levar. E com ele eu sigo em frente...

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clique no título deste texto para ler CONDICIONANDO A FELICIDADE

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Dois parágrafos (pode ser que eu continue...)

quarta-feira, maio 03, 2006 · 0 comentários

Não vou falar da chuva fina que voltou. Deixarei que ela passe. Ela sempre se vai. E sempre volta. As razões são contáveis. Matemática. Mas sonegáveis. Privacidade.
A vida é feita de razões. Precisamos delas para viver. Não se pode viver a esmo. É preciso navegar, não ser navegado. E seguir o rumo. Saber que é natural que nos desviemos dele. E lamentar que em alguns casos os objetivos não serão alcançados. Lembrar que tentar é o mais importante.



Escuridão

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Alguns textos foram produzidos à janela do ônibus. Algumas observações que ela me permite fazer resultaram em escolhas de palavras que julguei as mais adequadas naquele momento. Evidentemente que foram escolhas dentro das minhas limitações. Pode ser que eu tenha me equivocado. É possível que eu refaça conceitos. O importante foi a sinceridade com a qual eu escrevi.
Hoje eu confesso uma artimanha. Escrevo justamente para não olhar pela janela. Vocês já sentiram vontade de não olhar pela janela? No meu caso, é um desejo que não querer ver e nem ser visto. É uma necessidade de ausentar-me do mundo por alguns momentos. Quantos já não se sentiram assim? Somos parecidos, já disse. E iguais em muitos aspectos. Deste modo, fica mais fácil entender o outro. Talvez aqui eu esteja pedindo isto a vocês. Compreensão.
Agora fecharei os olhos. E findarei com este texto. Escuridão.



Não é um desabafo.

terça-feira, maio 02, 2006 · 0 comentários

Este texto, não sei ao certo o que é. Um desabafo, talvez. Dizeres para informar sobre um conflito. Que se vai em mim. Sim, pois não escrevo exatamente o que quero. A explicação vem a seguir.
Ocorre que carrego comigo um desejo. Escrever algo de muito belo. Exprimir sentimentos. E fazer das emoções ferramenta de inspiração.
O fato é que sigo deveras opinativo. Então, textos críticos são os que me ocorrem. Não que isto seja ruim. Na verdade, devo respeitar esta minha fase. Seguir escrevendo do jeito que está. Afinal de contas, gosto de escrever o que sinto ou penso.
Todavia, este conflito é válido. Trouxe-me este texto. Claro que talvez seja um mecanismo que criei. Algo um tanto terâpico. Vencer o que julgo uma dificuldade com o uso de palavras.
Enfim, está feita a confissão. Talvez não se trate de um desabafo. Este tem um caráter mais apelativo. Não foi o que ocorreu aqui. Apenas, na verdade, relatei um fato. Apenas isto.



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


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