O amor surgiu como assunto

segunda-feira, abril 10, 2006 ·

Desenho as primeiras palavras. Dou fé que um texto vai sair. Sei da dificuldade. Possivelmente, se o texto vier não me estenderei.
Assunto. Não escolho. Como os amores da vida. Surgem. Você nem esperava. Vai ser bom. Não se sabe por quanto tempo. Dizer que enquanto durar pode ser engano. Enganar, agora, só a falta de inspiração.
Já que o amor surgiu, mergulho nele. E seguirei cego. Desconhecedor. Não num todo. Apenas com pouca experiência. Quase nenhuma.
Mas será mesmo pouca experiência? Amores. São tantos! Os tipos. Escrever. Ler. Artes. Amizades. Natureza. Olhares. Romancear. Quem sabe, até futilidades.
E os sem amores? O que eles fazem? Odeiam? Só lhes resta isto? Será que o ser humano segue apenas por dois caminhos: ódio e amor?
Amo as mulheres. Suas belezas. Externas. Internas. A vaidade delas. A delicadeza. Sensualidade. Maciez. Perfumes. Detalhes. As que destoam, eu as amo? De alguma forma, talvez sim. De muitas formas, certamente não.
Aqui está o texto. Vai nele um pouco da minha carência. Humanos. É assim mesmo. Queremos mais. Nem sempre. E seguimos diferentes. Hoje carentes. Amanhã de outro modo. O fato é que, de uma maneira ou de outra, buscamos o outro. Mas o outro nem sempre está. E então o que fazer com o olhar? E os sorrisos inventados? Não tem jeito, não dá pra enganar. Então, façamos o seguinte. Pensemos. Lembremos. O tempo. Ele passa. Sem avisar. E isto para que simplesmente tudo mude. E assim sempre será. Vai ver que é bom...



2 comentários:

Alexandra disse...
abril 11, 2006  

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Querido amigo,

Amores. Como seria bom poder escolhê-los!

"Amores. São tantos! Os tipos. Escrever. Ler. Artes. Amizades. Natureza. Olhares. Romancear. Quem sabe, até futilidades".

Alguns Amores citados acima podemos escolher, e até as futilidades por mais que pareça "fútil"...rs...podemos escolhê-la para amar ou não.

"E os sem amores"?

Os sem amores amam algo, mas talvez não tenham o que eles queiram ter.
O homem ou a mulher amada, a pessoa com quem querem compartilhar seu mundo.

"O que eles fazem? Odeiam"?

Talvez a si mesmos, mas é possível e importante lembrar que o amor surge do coração naturalmente...e que não é possível obrigar alguém a nos amar...seria bom se fosse.
Porém, uma admiração unida a uma atração, já são um caminho especial para que de repente seja despertado o amor na pessoa amada.
E talvez odeiem, sem querer, até sem saber, a pessoa amada. Justamente por não tê-la.

Amor. Amores. Quando pensamos nisso lembramos mais de romances...este tipo de amor é especial.

"Será que o ser humano segue apenas por dois caminhos: ódio e amor"?

Creio que o ódio e o amor sejam um único caminho...onde a escolha é nossa. Seguir com o amor e abandonar o ódio, ou seguir com o ódio e abandonar o amor. Ainda assim, já me contradizendo, "amor e ódio" estão de mãos dadas e bem apertadas.

Amor sem o ódio é completamente possível.
As pessoas poderiam fazer esta opção, ela é mais justa consigo mesmo, é mais sensata, mais sensível, mais corajosa, mais fortalecedora, mais amável e agradável.

"O fato é que, de uma maneira ou de outra, buscamos o outro. Mas o outro nem sempre está".

Será que o outro nem sempre está, ou será que ele está e não percebemos...não seria melhor averiguar? Ter certeza? Se abrir? Confessar o amor?

Lembro do filme antigo "O Pássaro azul"...a menina do filme o procurou em todos os lugares, menos em sua casa. E ele estava lá, em sua casa, lindo e azul, bem próximo á ela.
Essa é uma analogia para nos mostrar que a felicidade está perto de nós, ou já a temos, mas não a enxergamos por alguma razão, talvez por medo, ou até talvez por achar que ela não exista.

Texto lindo e humano.
E a carência, meu amigo?

Em uma noite, te deixei em seu Castelo. Mas, um Príncipe precisa de um amor. Onde estará a sua Princesa?

"Princesa, surja e deixe meu amigo sem carências"...

Não o quero carente, fico triste com sua carência.

Eu acredito ainda em Princesa Encantada!!! Amor. Amores. Esse foi o assunto do texto.


Seja feliz, meu adorado amigo, muito feliz!!!

Mais um texto precioso...mais um texto triste. De certa forma.

O tempo passa sem avisar e as coisas mudam, e sempre será assim.

Será que é bom?

Um grande beijo no coração desse meu grande amigo escritor.

Fique bem!!! Esteja bem!!! Sempre bem!!!

Alexandra.
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decepicionada disse...
abril 14, 2006  

Quem você ama e odeia?Quem é ela?
Inventa sorrisos para nós seus amigos?ah, muito obrigada, grande Del.vai, corre atrás dela.

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fotos: Patrícia Crispim
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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

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Adelcir Oliveira
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