Agradecimento às pessoas de bem. E a importância do camponês e do publicitário

sábado, abril 29, 2006 · 0 comentários

Data em que o texto foi escrito: 26 de Abril de 2006, quarta-feira


Noite em São Paulo. A quarta-feira mais uma vez se despede. Possivelmente, todos seguem rumo à sua casa. Mas para onde vão as pessoas aqui não é tão importante. E o que importa, então, eu não sei dizer.
Rumo. Falta um para este texto. A caneta deixa tinta no papel. Os desenhos das letras são obras de ancestrais. Eu que gosto de escrever nunca os agradeci. Já que não tenho o que dizer, faço aqui os agradecimentos.
Já que é noite e texto de agradecimentos, insistirei mais um pouco. Se ficar chato, não me agradeçam pelo texto.
Quero agradecer às pessoas de bem neste mundo (pena que poucos deles almejam o poder, ou se muitos almejam, não passa dos desejos). Então, vocês que são bem intencionados. Que respeitam os sentimentos alheios. Que se emocionam com detalhes simples da vida (muitas vezes uma emoção brota por simples palavras, representantes de simples momentos). Ou vocês que vão além e se fazem voluntários em alguma causa social. Que na hora do voto o faz com pensamento coletivo. Enfim, são inúmeros os exemplos de ações benéficas para o mundo que muitos de vocês fazem. A vocês, meu muitíssimo obrigado!
Para terminar, comparemos as pessoas citadas com as que andam ao avesso. E verifiquemos qual delas têm mais importância para o mundo. O simples camponês que se ama e ama aos demais, ou o publicitário engravatado e milionário, reconhecido por sua perigosa “genialidade”, que faz dos seus pares meros objetos de persuasão (para o seu deleite)?
Pensemos. Quem merece nosso respeito e admiração? Pensemos.



Ausência

sexta-feira, abril 28, 2006 · 0 comentários

O palestrante não foi, pois sabia que a platéia não iria estar lá. E a platéia também não foi, pois sabia que o palestrante não iria estar lá. Isto é um plágio de uma música, cujo nome e compositor se ausentaram de minha lembrança.

A descrição do ambiente é feita a seguir.

Auditório. Por trás do púlpito, ausência. O microfone montado segue ausente de voz. A visão que se tem é de inúmeras poltronas. A reunião de um monte de ninguém. As luzes acesas são para toda aquela ausência não ficar na penumbra. O ar-condicionado faz sua parte. Fotos não são tiradas. Aplausos não são ofertados. Nenhuma palavra. Sem bocejos. Também não há pressa pelo fim. Ausência total de olhares. Portas abertas que não são adentradas. Não há início. Não há fim. Não existe clímax. É o nada que ocorre. O que será que aconteceu? Aí está. Não aconteceu nada. Ele não foi. Ela não foi. E todos produziram essa ausência toda.



Noite da paquera

segunda-feira, abril 24, 2006 · 1 comentários

22h09min. Confirmei as horas ao celular. Nove minutos de atraso. Levava comigo a certeza de que fazia uma dama esperar. Falhava em uma característica minha: pontualidade. A certeza criada foi desmentida. A amiga chegou às 22h30min.
Papagaio Vintém. Chopperia. Santana é o bairro. Feriado de Tiradentes. A casa ainda se encontrava quase vazia. Muito aquém do que eu esperava.
A recepção não foi muito perfeita. Se isto não era possível, não precisava ser tão imperfeita. Simpatia verdadeira só ajuda.
Sei que sou exigente. Sei também que não deixarei de sê-lo. Sou justo também. Os garçons e anões-correios deram aulas de simpatia e naturalidade.
Anões-correios? Era a “Noite da paquera”. Anões levavam correios-elegantes a quem fosse endereçado. Um mecanismo criativo encontrado pela casa para facilitar aproximações.
Modéstia pode soar à falsidade. O mecanismo de correios-elegantes me favorecia. Levei comigo a bela caneta. Presente da bela e cheirosa amiga. Por lá a caneta ficou...
Algo precisava ser comunicado. Eu e a amiga não éramos um casal. Mas quem iria pensar diferente? Logo observei isto a ela. Concordância.
Demoramos a fazer os nossos pedidos. Dispensamos o garçom em sua primeira e simpática abordagem. Eu estava cheio de histórias. Havia uma bem absurda para contar. Perdoem-me mulheres (elas são mais curiosas!), sonegarei a história aqui!
Pizza enjoativa (mas o tamanho era perfeito!). Chopp com groselha para ela. A minha água e gás pedi depois. Fome e sede saciadas. Era hora de paquerar.
Ocultação. Eu já havia ligado meus instintos masculinos à bela morena sentada próxima à nossa mesa. Havia visto seu desfile pela casa. Deitara meus olhos sobre seu belo corpo. E por ela eu fora ignorado sem nenhuma piedade.
Aquecimento. Perguntei ao um dos anões sobre o serviço de correios-elegantes. Claro que se tratava apenas de encorajamento. Todos ali sabiam como funciona tal serviço.
Tomo à mão a bela caneta. Desenho caprichosamente palavras gentis. Elas vêm de modo fácil e sincero. Falo de um encontro de olhos que não se dava. Deixo claro que à minha mesa só havia amizade. Assino com um dos meus apelidos preferidos. Cabe ao anão entregar.
A noite seguia. Não me chegava resposta. Não era tarde, mas o cansaço batia. Assim, pensei que não estaria apto para namorar madrugada adentro.
A música anima os corpos. Mulheres dançam. Eu as observo. A bela morena se agita sem muito talento. Não me olha uma única vez...
Sigo tranqüilo. Danço timidamente. Minha amiga solta o corpo. Movimentações começam a me favorecer.
A amiga da morena me olha. Decifro. Ela investiga o dono dos bilhetes (eu já havia mandado outro). Crio certezas. Mas ainda sigo receoso de uma aproximação.
Duas loiras deixam homens boquiabertos. Claro estava o interesse delas apenas por diversão. Aqueles homens no cio seguiam ignorantes na interpretação. Suplicavam bocas e corpos das loiras. Bocas que só queriam sorrir. Corpos que desejavam apenas balançar.
Iniciativa. Logo a morena sentada ao meu lado. Surpresa. Ela não entendera a minha letra! Sabedora do autor dos bilhetes, ela confessou contentamento.
Conversávamos. Eu dava as rédeas. Prefiro dividi-las. Sua timidez deu-me o caminho. Tema usado por mim. Da indagação sobre a timidez para o primeiro beijo...
Casa em rebuliço. Loiras provocando homens com falta de tino. Beijos meus com a bela morena. Amiga dançando e se desvencilhando de paqueras indesejadas. Correios pra lá e pra cá. Anões circulando. Homens no cio. Resumo da noite. De paquera...



Noites frias...E uma analogia entre o xadrez e a vida....

domingo, abril 23, 2006 · 0 comentários

Perdi a carona. Sigo sozinho rumo à minha casa. Lá fora o asfalto é tocado pela chuva bem fina. O frio se faz presente. Noite boa para dormir.
Preciso encontrar um mecanismo para encontrar as palavras. Parece-me que o frio as congelou. Não há saídas, terei que escolher um tema. Ele não vem naturalmente.
Já que a temperatura caiu, falemos das noites frias.
Este mundo é feito de predileções. As sociedades são heterogêneas. Cada um faz suas escolhas. Muitas vezes estas são feitas por sua própria natureza.
Prefiro o calor. Mas o frio traz compensações. Sopa. Cama acolhedora. Encontros de corpos...
Noites frias em casa são muito confortantes. Ao escrever isto, não esqueço os sem lar. Impossível não lembrar deles. Não é negativismo meu. De qualquer forma, saber deles não é como vivenciar suas existências. Talvez haja pessoas que sofram apenas pelo fato de saber que alguém passa frio. Mas, a verdade é que cada vez mais nos anestesiamos. Já não nos comovemos tanto com o morador de rua. Ele tornou-se simples peça na paisagem...
Desculpem-me se não me ative tanto ao tema que havia me proposto. É assim mesmo. O caminho nem sempre é linear. Quantas vezes não nos desviamos dos nossos objetivos? E quando é possível, retomamos o caminho. Como no xadrez. Em que você planeja uma jogada. Daí os lances seguintes não ocorrem como o previsto. Então você se vê na contingência de esperar. Retrato da vida. Assim é o xadrez. Excelente opção para uma noite fria...



Homens que não confiam em outros homens. Indignos de confiança

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O problema de ter muitas amigas são as inimizades que vão se somando por parte dos seus companheiros. Se as mulheres pouco confiam nos homens, estes nada confiam em seus semelhantes Isto, evidentemente, é a prova cabal de quanto um homem não é confiável.
Ocorre que, para a maioria dos homens, seus semelhantes só têm uma única intenção com as mulheres: possuí-las sexualmente. Evidentemente que este é um modo de ver a mulher como mero objeto sexual. Um desrespeito para com elas. Como estas estivessem sempre à mercê dos desejos sexuais dos homens.
Na verdade, é absolutamente possível sair com uma mulher para fins apenas de amizade. É factível que se passe boa parte da noite à mesa de um bar sob risos e palavras.
Enfim, um homem que não confia no outro homem, fala tão somente de um homem: ele mesmo!



Filmes hollywoodianos. Dizimar.

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Olho para o outdoor e vejo o anúncio de mais um filme "hollywoodiano". Carrego comigo a certeza de que não irei perder meu tempo com o filme anunciado. Mas sei que ele fará sucesso aqui no Brasil E isto é deveras negativo. Pois se um filme como o do anúncio faz sucesso, significa que a maioria não está exercendo seu senso crítico. São como tubarões brancos que engolem tudo o que vem.
Agora, imaginemos se os brasileiros lessem mais. Estudassem mais. Façamos diferente. Imaginemos que o mundo todo ficasse mais erudito. Que o bom cinema europeu fosse o mais desejado. E que esses produtos de consumo que são os filmes de Hollywood fossem dizimados. Isto seria um chute na Indústria Cultural. O ser humano, então, seria mais respeitado pela sua essência. E menos desejado pelo o que tem no bolso. Ainda que seja pouco. É o que penso...



Motoristas e cobradores versus passageiros

sábado, abril 22, 2006 · 0 comentários

Sinal para descer. Distração do motorista. O passageiro reclama. Como se vingasse a ausência de cordialidade dos motoristas de coletivos dessa São Paulo desvairada e apaixonante.
A relação entre passageiros e motoristas de ônibus aqui não é boa. Há indiferença. Desprezo. E rudeza. Entendo que seja uma questão sócio-cultural. Ambos os lados assimilaram este comportamento. E motoristas e cobradores são mal preparados por suas empresas.
Quando se paga caro, exige-se mais. Neste sentido, o atendimento em uma loja de um shopping em São Paulo possivelmente será melhor do em uma loja da Rua 25 de Março, onde o preço baixo é o requisito principal. E a procura é tão grande que não é necessário fidelizar o cliente.
É possível que tenhamos motoristas e cobradores mais profissionalizados. Isto cabe às empresas de ônibus. Também há uma questão educacional. Isto significa uma melhora na qualidade do ensino público em todo o país. Uma vez que boa parte dos trabalhadores do sistema de transporte público são oriundos de outros estados.
Por enquanto, permaneceremos nesta relação hostil. Eu mesmo não cumprimento motoristas e cobradores. Sou indiferente. Não rude. Como eu disse certa vez, tenho dificuldades com pessoas más educadas.



Uma visão sobre a pressa em São Paulo. E dizer que aqui também há cordialidades

sexta-feira, abril 21, 2006 · 0 comentários

O frio chegou. Agrada. (não a todos). Talvez seja benéfico para nós humanos essa mudança climática. Afinal de contas, necessitamos das mudanças. A mesmice castiga. Leva à letargia. Neste sentido, a São Paulo heterogênea seria terapia para muitos. Não é o que ocorre.
O ritmo frenético desta metrópole produz diversas patologias. Causadas também pelo medo da vida moderna. Pessoas criam seus próprios mundos. Navegam em fantasias. Inventam amores. A realidade lhes castiga.
Para mim, muitos gostam do ritmo da vida das grandes cidades. Acredito até que a maioria. Um pouco de tensão. Uma certa ansiedade. Angústia por resultados. Carências afetivas. Tudo isto afeta um pouco cada cidadão sobrecarregado. Em alguns casos produz doenças da alma.
Gosto da vida em São Paulo. Daqui, eu sairia apenas para outra metrópole do mesmo porte. Certamente, teria a preferência por uma cidade mais desenvolvida.
Não se deve imaginar que em São Paulo todos andam apressados. Ninguém peça passagem gentilmente. Que um motorista não dê vez ao outro. Que não se troca sorrisos. Vejam, há muita cordialidade aqui.
A pressa. A agressividade depende muito do horário e do local onde se está. Por exemplo, agora são pouco mais de 15h. Vendo as pessoas no bairro em que estou, não vejo pressa. Mas, quando eu chegar à principal rua deste bairro, onde o comércio ferve, aí o ritmo será outro. A conclusão a que chego, é que a pressa, o desvario, depende da quantidade de pessoas no local. É como se todos fugissem. Quantas vezes eu não me vi desesperado de sair daquela multidão frenética? É isso. As pessoas vão para seus destinos. E fogem de onde estão. Que fique claro, nem todos.



Sobre escrever. Eterno aprendiz

segunda-feira, abril 17, 2006 · 1 comentários

Domingo. Primeiro dia da semana. Primeiro texto. A semana que passou não me trouxe muitos textos. Ausência de inspiração. Questionamentos. Prosseguir escrevendo. Duvidei. Talvez uma pequena crise. O fato é que hoje eu volto a escrever. Espero continuar a fazê-lo. Se não for assim, seja como for. Do jeito que for...
Mas o que é escrever? Falo por mim. Não me considero um escritor. Apenas um aprendiz. Que jamais sairá da aprendizagem. Sigo humilde. Textos simples, eu produzo. Deixo neles parte dos meus sentimentos. Impressões sobre os seres humanos. Visões da minha cidade. Indignações. Indagações. Falo de acontecimentos meus. Ilustração. Misturo-me com outros personagens. Como eu digo, nós seres humanos temos muito de igual. Diferenciamo-nos de alguém, parecemos com outrem.
Não quero me estender neste texto. Preciso iniciar outro. E o início sempre é mais difícil. O final é simples. Surgem sem avisar. Sem ser necessário elaborar. Basta soltar palavras. Iniciar, muitas vezes, é assim também. Mas é do final que falo. Que vem tranqüilo sem avisos. Neste caso, já veio!



Debate. Kafka. "Metamorfose" Por Adalton Oliveira e Deborah Travassos.

domingo, abril 16, 2006 · 0 comentários

Abaixo um debate sobre Franz Kafka, mais precisamente sobre a obra “Metamorfose”. Deixo aqui os meus agradecimentos aos debatedores. Informo que sou apenas um admirador de Kafka, posto que não tenho elementos suficientes para qualquer tipo de análise sobre a obra kafkaniana, que eu tanto gosto.

Adalton Oliveira é economista – USP
Deborah Travassos é Antropóloga - USP
debate foi feito por e-mail

Deborah para Adelcir

Del (Adelcir), sei que você é um apreciador de Kafka. Você alguma vez já pensou no significado da maçã no livro Metamorfose? Eu nunca havia pensado pelo prisma da maçã (fruto original, etc) sempre vi o livro como uma crítica a massificação da sociedade industrial e nunca olhei sob o prisma de uma crítica à criação. O que você acha? Não sei se você gosta desse tipo de "viagem",eu gosto
Adelcir para Deborah
Então, li o livro em questão já faz alguns anos. Não me lembro da maça. Não nem sei se ela foi comida. Sei apenas que o cara virou uma barata. Foi desumanizado. Algo que o consumismo faz com os seres humanos. O transformam em coisas. E os sentimentos vão para as mercadorias. Tratá-se de um livro que eu devo ler novamente. E, quando o fizer, prestarei a atenção na maçã. De qualquer forma, vou encaminhar o seu e-mail para um entendedor do assunto. Ele poderá dizer algo a respeito. Quanto ao que eu disse aqui, ambos poderão me corrigir se eu enveredo por caminhos enganosos...
Adalton para Adelcir
Há anos que li o livro de Franz Kafka e, confesso, não me lembro do episódio da maçã. Mas, creio eu que se há a tal da maçã, não há ligação desta com a questão religiosa. Por outro lado, não me parece que o livro seja uma crítica à sociedade industrial, ainda incipiente nos tempos de Kafka (1883-1924). O consumismo e massificação são fenômenos ligados ao pós-Segunda Guerra. Aliás, foi no final da primeira metade da década de quarenta (em 1944, vinte anos após a morte de Kafka) que se cunhou o termo “cultura de massa” (que faz referência ao consumismo e etc.) que aparece pela primeira vez na obra dos filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer: “A dialética do esclarecimento”, que representa a primeira (pelo menos, que eu saiba) crítica à sociedade industrial e consumista. Kafka viveu em outros tempos. Acredito que Gregor Samsa tenha um caráter mais subjetivo, do sentimento do homem diante do mundo que o massacra e o aliena. Um mundo que é trazido à presença de Kafka por seu pai, figura altamente dominadora, e que pode ser a chave para compreender o livro “A metamorfose”. Trata-se de uma obra altamente pessimista (aliás, como toda a obra kafkiana): diante do mundo alienante, que nos torna semelhantes a baratas, não há saída. Agora, obviamente, quem realmente sabe o que quis dizer Kafka é ele mesmo.
Deborah para Adalton
Adalton, o Del (Adelcir) passou meu e-mail pra você. Fiquei feliz com sua resposta, embora discorde que o momento do livro não é da Rev. Industrial, ao contrário é o momento do surgimento do capitalismo (selvagem) que como uma engrenagem torna o ser humano desumanizado, parte de uma simples máquina, ou quem sabe um asqueroso inseto? De qualquer forma, parece que você concorda comigo ao pensar que a maçã (como arma de ataque) é apenas uma coincidência que nada tem a ver com a questão religiosa (mesmo porque Kafka, como um judeu da virada do séc. XIX, estava muito mais próximo do materialismo histórico marxista).
Muito obrigada por sua resposta, nem sempre encontramos alguém disposto a "essas viagens" intelectuais. E, lógico, podemos continuar a debater.
Adalton para Deborah
Débora, antes de tudo, devo desmentir o Adelcir quando ele diz que sou entendido no assunto Kafka. Creio que a obra de Kafka não seja uma crítica ao capitalismo. Pelo contrário, o que o incomodava era a burocracia excessiva e opressiva do Império Austro-Húngaro, ou seja, eram ainda os resquícios do Antigo Regime a perturbá-lo. Isto me parece ser, por exemplo, o foco de "O Processo", que narra a história de um homem sucumbindo diante do poder avassalador do Estado. Arrisco-me a dizer que se o objeto de crítica de Kafka fosse a sociedade industrial, estaria ele em contradição. Por quê? O desenvolvimento do capitalismo significou a substituição de uma classe, a aristocracia, por outra, a burguesia, que acenava com um projeto de sociedade mais livre, baseada no mérito, não no nascimento. Os teóricos econômicos daqueles tempos que
davam sustentação a esse projeto eram os liberais (economistas clássicos) que propunham a liberdade, no lugar da opressão do Estado. Bom, Débora, não sou doutor no assunto e não ponho a minha mão no fogo pela minha interpretação das coisas.
Deborah para Adalton
Concordo com a sua colocação de que é o momento de substituição do antigo regime, mas como diz o próprio Weber, a burocracia faz parte e é fundamental ao estado capitalista, mesmo que ele acene para uma maior liberdade. Liberalismo esse baseado não na liberdade de expressão, mas no conceito econômico do Laissez-faire, e se temos um Estado fora das ações econômicas isso não quer dizer que passa haver uma sociedade mais livre, ao contrário, temos aqui uma sociedade que oprime pela sua modernidade, pela sua burocracia e se não mais pelo poder do nascimento pelo poder do capital. Mia uma vez obrigada por proporcionar esse tipo de discussão (de maneira geral, as pessoas não gostam de discussões acadêmicas) e discordo de sua modéstia, se você. não é um especialista em Kafka (eu também. não sou, bem longe disso) , pelo menos historicamente estamos bem localizados.
Adalton para Deborah
Débora, concordo com você quando diz que a sociedade industrial trocou umaforma de opressão pela outra. Ou melhor, ela adicionou a opressão do Estadoà opressão do capital. Mas, ainda assim, a liberdade era uma promessa (aindaque vã). Mas, sabe, sobre a obra de Kafka, eu diria que pensar nela como umacrítica à sociedade industrial é empobrecê-la um pouco, pois assim adatamos, ela se torna especifica de uma época e de um lugar, aquele onde asociedade industrial existe. Creio que a obra de Kafka é atemporal euniversal. Eu me explico. A questão presente nele, no meu entender, é a daausência de liberdade do indivíduo, a sua opressão pelo Estado ou por outraforma qualquer de poder. Algo sempre presente em nossa história. O serhumano é gregário, precisa viver em sociedade e, ao fazê-lo, deve abdicar de partede sua liberdade. E mesmo que vivêssemos como eremitas, ainda assim, haveriaa opressão de nossa própria natureza, de nossos desejos e necessidades. Este éo tema que vejo na obra de Kafka.
Deborah para Adalton
Sim a obra de Kafka é muito maior do que uma crítica a sociedade industrialé uma simplicionismo reducionista, mas não entenda que estou querendo passara idéia materialista histórica. O objetivo desse debate veio de umaanálise de um professor de ensino médio, que passou aos seus alunos essavisão de que a chave para a leitura do livro metamorfose, estava na maçã, aoatacar Gregor com maçãs o pai estaria se remetendo ao pecado original,analise essa que eu discordei frontalmente. eu disse a ele que as maçãs queali estavam, foram obras do acaso, afinal numa fruteira no meio da sala nãoestariam pedras ou mesmo batatas, não consigo ver nas maçãs nenhum tipo dealusão de natureza religiosa e disse a ele (ao professor) que via mais comouma crítica as engrenagens capitalistas que desumanizam. Resultado: o ditoprofessor deu nota baixa a aluna que eu acompanho (reforço escolar) o queachei tremendamente injusto, pois a leitura de cada um é a de cada um e eume julgo suficientemente capaz (e culta) para fazer uma discussão de altonível. Ele se vingou da perda de um debate intelectual numa inocente, nocaso minha aluna. Mas, concordo com sua leitura, sem dúvida é mais sofisticada que a minha.
Este debate contribui muito para o enriquecimento deste blog, que não se limita apenas a opiniões e crônicas. Espero que desperte interesse nos leitores para a obra Kafkaniana. Se não o fizer, ao menos informa. Adelcir Oliveira



Olhos e ouvidos espertos

sexta-feira, abril 14, 2006 · 0 comentários

Data real: Quinta-feira, 06 de Abril de 2006

23h18min. 18ºC. Pouca luz no ônibus. Professoras reclamam da administração do PSDB com relação às escolas municipais de São Paulo (agora é PFL - Kassab). Para elas era melhor com o PT. Mais diálogo. Mas está claro que elas não gostam de ambos os partidos. Possivelmente de partido algum, o que é absolutamente compreensível.
Parece-me que elas têm discernimento. Suas paixões são pela profissão. Ideologia não sei se as há. Para mim, exemplos de postura crítica que devemos ter.
A crise moral do governo Lula ensina. Precisamos ter olhos abertos. Ficar atentos com os que prometem ética sem tê-la. Lembremos, o PT fez isto a vida inteira. Deu no que deu. Agora vem o PSDB. Banho de ética? Oito anos de FHC comprovam não ser possível. Além disso, hás as denúncias de corrupção contra o governo Alckmin, comprovadas pela Folha de São Paulo.
Prevejo uma nova postura da imprensa. Desmascarar falsos representantes do povo. Ensinar a população a ter espírito crítico e olhos e ouvidos desconfiados. Mas isso tem um risco. Gerar descrédito geral. Este que escreve já está um pouco afetado. Contudo, ainda creio em bons representantes. Mas mantenho olhos e ouvidos espertos, bem espertos...



Dois pequenos textos que o stress me deu

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Data real: segunda-feira, 10 de Abril de 2006 (depois das 23h)

Texto 01:

Vou fazer do strees algo positivo. E imaginar o momento de alívio. Que virá logo a seguir. Em casa. Banho tomado. Alguma leitura.Depois, escuridão no quarto. E aventuras nos sonhos. Pena não ter como enganar o strees agora. E assim dissipar a tensão no olhar. O cansaço no corpo. Assim, certamente o franzido na testa se ia. E a rigidez na testa sumia...
Procuro tirar do strees este texto. E é justamente o stress que não me deixa terminá-lo...


Texto 02:

Noite. Calor. Metrô. Stress. Quero um banho. E ele logo vem. Quero a cama. Ela me espera. Preciso aliviar. Relaxar. Ter comigo momentos a sós. E ouvir a canção do silêncio. Que toca bela e serena. Que se espalha por aí. Sei que ela me espera. Lá no meu refúgio. E tocará somente para mim...



O curto romance entre a mente e o coração

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Em casa. Corpo lavado. Quatro paredes me cercam. Desejo de escrever me têm. Palavras, eu procuro. Elas teimam em se esconder. O que será que aconteceu? Inspiração e desejo. Desencontro.
Não basta querer. Também acreditar não garante sucesso. É preciso circunstâncias favoráveis. Muitas vezes, esperar é o caso. Ansiedade atrapalha.
Diversas vezes suspendo a caneta. Olha para a mão que cada vez menos seduz a caneta. Não importa a beleza da mão. O olhar é vazio. Pesquisador. É palavras que busco.
Surgem mais palavras. Pequenas doses. Meu coração em acordo com a mente. Conquista. Se o romance vai durar muito, eu duvido.
...
É, a mente está arredia. Quer ficar com as palavras. Cada vez mais ela as nega. E então eu vou me calando...
O silêncio das palavras se evidencia. Pautas ficarão vazias. E meu coração, pobre dele, verá o fim do seu romance com a mente. Ele sofrerá, pois guarda consigo as emoções. Mas não guardará lembranças. Estas ficarão com a mente. É o modo que ela encontra para sofrer...



Ainda falta uma estação...

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Aqui no metrô eu não olho tanto ao meu redor. Já o fiz. E agora opto por escrever. Mas não nego que a imagem da mulher a minha frente me agrada de alguma maneira.
Busquei seus olhos verdes. Desencontro. Prossegue a viagem. Quero meu refúgio. Não sou o único. Humanos. Não nos diferenciamos muito.
Vejo que a mulher retoca algo em sua maquiagem. Supus que demoraria mais. Pronto guardou o espelho.
Vejo casais. Há também pessoas que estão sós. Na verdade, elas compõem a maioria. O rapaz olha com carência a moça do retoque e olhos verdes. Impávida, ela não lhe dá seus olhos.
Inusitado. Um outro rapaz pergunta-me sobre o Carandiru. Respondo cortesmente. A moça retocada se envolve na conversa. Logo trocamos algumas palavras. Minha avaliação foi fugaz. Rejeição. Vai ver que com ela ocorreu o mesmo. Brevidade na conversa. Logo cada um na sua.
Na estação seguinte ela levanta-se. Vaii sem se despedir. Não olho para ela. Sigo escrevendo. E não nego contentamento. O ocorrido preencheu este texto. Algo que me agradou mais do que a insegurança da moça. Peculiaridades da vida.
Quero terminar este texto sem pedir licença. Nada de avisos. Tampouco surpresas. Apenas terminar. Só isto... (ainda falta uma estação).



Teatro da vida...Carências

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Data real: Sexta-feira, 07 de Abril de 2006

Nego textos. Não escrevo. Apenas tenciono. Hoje, arrisco. É possível lograr sucesso. Quem sabe sai algo bom. É o que preciso agora.
A noite está quente. Eu sigo com uma angústia. Mas a semana foi boa. Hoje que as emoções mudaram. Acho que é a carência.
Quantos estão carentes? Como eu já disse, buscamos o outro. Mas nem sempre ele está. Daí resta-nos lembranças. Que cada vez mais se apagam.
A cidade é grande. Muitas metades. Deve haver alguém. Mas onde está esta pessoa? Quando o acaso vai trazê-la?
Escrevo isto e lembro-me do bar. Aquela moça sozinha à mesa. Dormia. Deixara vazia a garrafa. Não invento a bebida. Olhei mais para a moça. Pés sobre a cadeira. Cabeça baixa. Ela dormia nas mágoas, eu supunha.
O mundo é essa constância. Relações se rompem. Outras nascem. Pessoas se decepcionam com pessoas. Dinâmica. E a solidão é companheira de muitos. É o teatro da vida...



Aparando as pontas

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Aparando as pontas. Cada ser humano vai se construindo. É preciso trabalhar para deixar tudo melhor.
Há várias pontas. A profissional. A afetiva. A escolar. Tem a familiar também. Todos nós tentamos acertar para navegar em tranqüilidade.
Este pensamento que passo, aprendi com uma bela amiga. Conversa breve. Seu perfume agradável. Sua voz suave. Nós dois na penumbra. Momento de grande tranqüilidade.
Feito o devido esclarecimento, volto ao tema. Há diversos modos de acertar as pontas. Bom, nem sei se são diversos mesmo. Enfim, o fato é que temos que enfrentar as questões de frente. Partir para a batalha. Para tanto, como sempre digo, necessário ter as emoções sob controle. Do contrário, serão batalhas perdidas.
Cada ser humano define que pontas são mais importantes. Profissional, afetiva, familiar, escolar. A conclusão que chegamos, eu e a amiga, é que é necessário que todas as pontas estejam em equilíbrio. Para que sigamos tranqüilos.



O amor surgiu como assunto

segunda-feira, abril 10, 2006 · 2 comentários

Desenho as primeiras palavras. Dou fé que um texto vai sair. Sei da dificuldade. Possivelmente, se o texto vier não me estenderei.
Assunto. Não escolho. Como os amores da vida. Surgem. Você nem esperava. Vai ser bom. Não se sabe por quanto tempo. Dizer que enquanto durar pode ser engano. Enganar, agora, só a falta de inspiração.
Já que o amor surgiu, mergulho nele. E seguirei cego. Desconhecedor. Não num todo. Apenas com pouca experiência. Quase nenhuma.
Mas será mesmo pouca experiência? Amores. São tantos! Os tipos. Escrever. Ler. Artes. Amizades. Natureza. Olhares. Romancear. Quem sabe, até futilidades.
E os sem amores? O que eles fazem? Odeiam? Só lhes resta isto? Será que o ser humano segue apenas por dois caminhos: ódio e amor?
Amo as mulheres. Suas belezas. Externas. Internas. A vaidade delas. A delicadeza. Sensualidade. Maciez. Perfumes. Detalhes. As que destoam, eu as amo? De alguma forma, talvez sim. De muitas formas, certamente não.
Aqui está o texto. Vai nele um pouco da minha carência. Humanos. É assim mesmo. Queremos mais. Nem sempre. E seguimos diferentes. Hoje carentes. Amanhã de outro modo. O fato é que, de uma maneira ou de outra, buscamos o outro. Mas o outro nem sempre está. E então o que fazer com o olhar? E os sorrisos inventados? Não tem jeito, não dá pra enganar. Então, façamos o seguinte. Pensemos. Lembremos. O tempo. Ele passa. Sem avisar. E isto para que simplesmente tudo mude. E assim sempre será. Vai ver que é bom...



Descontração (e-mail que enviei para uma amiga)

sábado, abril 08, 2006 · 2 comentários

Alô você! (Fernando Vanucci). Tudo beleza?

Eu ia pegar uma carona Contigo (revista), mas fui informado da pizza sem orégano. Assim, gentil que procuro ser, desejo a você e aos seus um bom divertimento. É isso aí! (Coca-Cola). Aproveitem! E, se acaso chover, dêem atenção para a canção das gotas que caem. Ela é muito bela. Como a sua alma...

Veja (revista também), estou afim de escrever. É uma sede que tenho. E sede é tudo, imagem é nada (Sprite). Então, as palavras não têm marcas. Senão as das minhas emoções. Que por ora estão sob controle. Apenas, e isto já é normal, uma carência. Coisa que o dinheiro não resolve e, ainda que resolvesse, eu não teria a solução em mãos.

Este texto é Feito para você (Itaú). Personalizado. Vai ver que eu até publico. Quantas vezes não me enganei que um texto era bom. Ou então será apenas seu. Dedicação total a você (Casas Bahia). E o que me é interessante, é que se você se indignar com ele, vai me dizer. E isto, minha cara, é um modo seu que eu acho Fantástico (programa de TV).

Então fico por aqui. Logo vou para o meu refúgio. Estarei atento nas ruas. A carência aumenta este estado de atenção. Mas veja, a carência passa. Tudo na vida é passageiro (piada do cobrador - super sem graça!). Quem sabe eu produza um texto no ônibus. Estou fértil. Adubando dá (Manah).

Fique bem! Boa noite, boa sorte! (O filme)

bjs



Como negar? Desaprendizagem

quinta-feira, abril 06, 2006 · 1 comentários

Escrever. Colocar belezas aqui. Apontar a falta delas. Dificuldade que não é muita (no parágrafo seguinte vou me contradizer). O complicado mesmo é praticar o que se escreve ou se fala.
Já escrevi diversas vezes, nem sempre as idéias vêm de modo fácil. Neste momento, não explico os motivos. É possível que o faça no texto seguinte.
Espero que este blog não pinte um mundo perfeito. Creio mesmo que não o faça. Ele é bastante do ser humano. E as imperfeições o caracterizam.
Tentamos aprender com a vida. Magoamos quem não devíamos. Dizer “não”. A maneira positiva de fazê-lo. Como é mesmo que se faz? Desaprendizagem. E agora, o que fazer com a parte ferida? Há exageros? Possivelmente! Não era para tanto? Talvez!
Jornalistas tornam palatável o que é complicado. Pessoas, muitas, fazem o contrário. Às vezes, simplesmente por não saber negar. Aprender com os erros. Positividade.



O tempo. Amigo

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Aborrecimentos. Todos os temos. Trocamos um pelo outro. Não sucessivamente. Mas, cedo ou tarde, eles virão. Vida. Inerência.
A boa amiga chorou em meus ombros. Contou mágoas. Momento difícil para ela. Dei minha atenção e carinho verdadeiro. No final, flertou com sorrisos.
A outra amiga chorou ao longe. Fragilizada, nem todos sabem lidar com ela. Eu sou um deles. Ser humano. Imperfeição.
Uma terceira amiga. Outros problemas (o pior já passou). Mais madura, ela sabe melhor como reagir. Contudo, tem suas fragilidades. Precisa ser ouvida. Apoio.
Três amigas. Três exemplos. Todos têm problemas. E aí o desejo. Ser outra pessoa. Mas outra pessoa também tem problemas. Só há uma solução: resolver as pendências. Não dá para ter uma vida perfeita. Cometemos erros. Muitos não sabidos. Agora é partir. Buscar soluções. Se agora elas não existem. O tempo. Lembremos dele. Ele passa. É amigo.



Estações da vida

domingo, abril 02, 2006 · 1 comentários

Digo. Escrever é um prazer. Ler não é diferente. O primeiro requer construção. O segundo basta se deliciar. Ambos carregam dificuldades. Vai conforme quem o faz.
O dia se foi. Mais um dia. Outro texto.
Hoje não quero ser repetitivo. Denunciar falta de inspiração. Ocultar (será?) um mecanismo para fazer as palavras se soltarem. Pois elas estão presas em mim. Como os sentimentos. Algumas angústias. Medos. Incertezas...
A vida muda de estação. A sintonia da tranqüilidade se vai. A gente até percebe. E se pergunta qual era mesmo a freqüência.
Daí o tempo é remédio. Nova sintonia. Reencontro com a paz. Até quando vai durar? E é assim enquanto ajustes em nossas vidas não forem feitos. Nos mais diversos setores da vida.
Agora, se sempre sobrevier uma insatisfação, vai ver que é benéfica. Sendo ou não, ela sempre virá. Sigamos em frente.



Náuseas

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Tenciono escrever. Tenho apenas meia folha. Terei que ser breve. Escolher bem as palavras. Construir parágrafos pequenos. O primeiro já se foi.
Náuseas. Aquele rapaz parece sempre tê-las. Náuseas pela vida. Poucos sorrisos. Tímidos cumprimentos. Amizades escassas.
Dia destes conversamos. Ele expressou a sua intelectualidade. Fez citações. Falou da democracia grega. Fez analogia a Ulisses. Pintou palavras eruditas em meu cérebro.
Um pseudo-intelectual ou o nascimento de um pensador? Não sei dizer se ele pensa ou se apenas é eco. Pensa pensar. Muitos há que são assim. Fazem críticas com pouco embasamento. Adentram o caminho da radicalização. Já fiz muito isto...
Vejam vocês. Aqui foi dado o exemplo de como uma pessoa pode ser chata. Querer esbanjar um intelectualismo artificial é um tiro no pé. Se as antipatias eram grandes, agora são maiores. Produzem naqueles que ouvem, náuseas!



Tecnologia voltada para o consumismo: desprezo

sábado, abril 01, 2006 · 0 comentários

Vou radicalizar. Sei que os brasileiros odeiam isto. Mas nem sempre escrevo para fazer as almas sorrirem. Quero falar das feiras de tecnologia voltadas para o consumismo. Meu desprezo por elas.
Quando assisto a uma matéria jornalística sobre tecnologias, fico indignado. É o esquecimento completo dos miseráveis. Para aquele engenheiro que explica sobre o produto quem não puder consumir não existe.
E quando a tecnologia produz desemprego em nome do aumento dos lucros? Mais um ato de exclusão e desprezo pelo ser humano.
Precisamos, por exemplo, de um aspirador de pó robô? Poder-se-ia argumentar que sim,
tendo em vista a vida dinâmica das metrópoles. E também que cada um deve aspirar seu próprio pó. Mas o indivíduo estudar para produzir este tipo de produto, parece-me um grande desrespeito aos excluídos deste sistema insano e sem afeto.
Mas, vale dizer, a tecnologia também tem seu lado bom e humano. Quando, por exemplo, salva vidas. Dispositivos de segurança. Diversas invenções. Para estes engenheiros, aplausos. Para os que se voltam para o consumo e esquecem o ser humano, desprezo.



Kafka. Flerte

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“O Processo”. Franz Kafka. Um dos maiores gênios da literatura internacional. Entre os que mais me agradam. No livro mencionado, K. não sabe por que está sendo processado. E nem ele, nem o leitor, saberão os motivos. Trata-se de uma crítica à burocracia. Sua vida, então, transforma-se em um inferno, mergulhada em um mar de incertezas. Assim às vezes é trabalhar em uma empresa grande. O domínio sobre as informações que circulam é menor. O número de possíveis contrariedades pessoais é maior. Neste sentido, se flertamos com a insegurança, viramos um personagem de Kafka. Seguimos incerto sobre o que se passa. Quase tudo na vida tem vantagens. Em uma grande empresa você tem a chance de fazer amizades. No meu caso, em uma universidade, todos os dias nos encontramos com caras novas. E isto é muito benéfico para almas que ali perambulam. O que posso dizer é repetir o que já foi dito. É imprescindível ter as emoções sobre controle. Do contrário, criar fantasmas vira mania. E aumentar o tamanho destes produz obstáculos. Para a vida na empresa. Para a vida fora dela.



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


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