"Consumo, logo existo"

quarta-feira, março 15, 2006 ·

Individualismo. Comportamento pregado pelo capitalismo. Ferramenta: a publicidade. Vítimas: todos os seres humanos.
Estão transformando homens, mulheres e crianças em objetos, máquinas de consumo. O coletivo importa cada vez menos.
Toda essa trama que já veio marcada antes de cada nascimento (parafraseando Cazuza) resulta num grande mal para a humanidade: a carência. Carentes, precisamos consumir. Algo que nos conforta momentaneamente. Dá a nós uma sensação de poder. Que, sempre é assim, logo passa. Então, se estabelece uma forma de manter o indivíduo consumindo. Bastando alimentar a sua carência.
E os sentimentos, onde ficam? Ensinam-nos a amar os produtos, humanizando-os. É o que nos permitem. Assim, transformamos seres humanos em objetos de consumo, sem o qual não é possível amá-los.
Agora, que fique claro, nem todas as pessoas são assim. Nem todas viraram máquinas. Ainda há muita troca desinteressada de amor. Amizades verdadeiras. Os seres humanos colocados à frente por seus semelhantes.
Há pessoas que se riem do capitalismo. Brincam com o que este sistema prega. Zombaria e ironias. Não odeiam por completo o modo capitalista de se viver. Apenas tem o senso crítico vivo. Sabem que está quase tudo errado. E, enquanto milhares de pessoas forem consideradas inexistentes pelos publicitários, simplesmente porque não consomem, este mundo pode ser considerado um grande equívoco. O mundo que falo é o mundo feito pelos homens. Onde só existe quem consome. Pensar não justifica nenhuma existência.



2 comentários:

Alexandra disse...
março 15, 2006  

Meu querido amigo, este mundo citado é o que vivemos, e é realmente triste sabermos que até precisamos dele, pois já nos habituamos à ele.
O que devemos, e o que muitos já fizeram é estabelecer um limite, na verdade o limite subconscientemente já está pré-estabelecido...e isso é bom, é onde os sentimentos bons existem...onde ainda há o amor, a amizade, a compaixão... e neste mundo, que é "nosso", nós existimos e nos faz bem existir desta forma...e a sua manifestação demonstra que há quem viva em dois mundos...e o que não podemos, é nos deixarmos seduzir, e acabarmos virando máquinas de consumo, máquinas de "sentimentos"...

Não sei se compreendi realmente a sua idéia...em todo caso, me manifesto contra o sistema.

Anônimo disse...
março 16, 2006  

Aldecir, meu caro... Sua linha de pensamento é boa, melhor seria se pudesse entrar em mais detalhes em cada momento que escreve, um pouco mais detalhado, como por exemplo, "penso agora em fazer esse comentário porque estou aqui para contribuir com o aluno do 3º semestre de jornalismo da UNIP que, na ao poder expressar-se livremente, escreve suas sensações e sua leitura do dia a dia da cidade, dos seus personagens (nós cidadãos), dos seus acontecimentos, de forma bastante introspectiva.
Buscar entender os pensamentos de Aldecir pode se tornar um exercício que ora é agradável (pois a idéia está expressa) ora uma procura pelo subentendido (pois é preciso captar as sensações e emoções do autor)." Enfim, os textos são a expressão de emoções, captação de sentidos e desejos, muito discretos, porém, de profundidade. Acho que dar um pouco mais de enfâse a esses sentidos e sentimentos pode tornar os textos cada dia mais gostosos de serem lidos. Motivo? Um só: o retrato de cada um de nós que vivemos essas expressões de sentido. Podemos inclusive enxergar, nas frases e palavras, "o retrato do nosso cotidiano."

Benê Rodrigues

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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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