Vestido verde. Amizades. Sintonias

segunda-feira, março 27, 2006 · 2 comentários

Ao chegar em casa pensei na grande amiga. Estive com ela. Seu vestido verde a fazia mais bela. Uma pessoa por quem eu tenho grande carinho. Para ela estendo tapetes de gentilezas. Com esta amiga tenho excelentes momentos lúdicos, como ela mesmo define.
A amizade, eu já descobri, é um sentimento que me emociona. Assim, quando penso em algumas pessoas que conheci sinto um pouco da beleza que há neste mundo. E isto, meus amigos, muito me emociona.
Eu aprendi a ser uma pessoa melhor. Ser amigo de verdade. E, algo que é fantástico, é saber que há muita gente em quem podemos confiar.
O mundo é feito de sintonia e não-sintonia. Algumas pessoas se gostam, outras não. Conheço pessoas boas que não se entendem. No início eu não compreendia. Agora penso na sintonia. Eu sou um destes que sabe que determinada pessoa é de bom caráter, mas me pego desconfiado. Com algumas eu consigo superar as desconfianças. Daí me torno amigo. Nisto, sou apenas um exemplo de uma dinâmica comum a muitos.
Enfim, falei um pouco sobre amizade e sintonias. Não darei conselhos. Não gosto e nem estou apto a fazê-lo. Devo dizer que pessoas que eu tenho grande carinho vão ler este texto. Como a bela amiga do vestido verde...



Rápido como a viagem no metrô

domingo, março 26, 2006 · 1 comentários

Metrô. Duas amigas. Diversos olhares. Olhar meu com o olhar da mulher de sardas. Belo rosto. Sentada, não sei de toda a sua beleza. Quem sabe ela desce na mesma estação que eu (desceu!). Em seu rosto o cansaço. Eu não estou diferente.
As amigas se vão. Sento-me de frente para a mulher de sardas. Estou avaliador. Confiante. Vejo que seus olhos estão fechados. Pernas grossas cruzadas. Pés à amostra. Jeans e blusinha. Unhas feitas e cabelos soltos.
Aguardo um olhar cansado dela. O que torna tudo mais difícil. Bom humor neste estado é difícil. Brilho no olhar também.
Ela olha-me com insegurança. Não deu tempo nem de um sorriso. Não sei do seu perfume. Sua alma parece-me cinza. Meu interesse diminui a cada estação.
Chegamos ao final da linha. Não me levanto antes dela. Agora posso ter certeza de toda a sua beleza. Ausência. O olhar inseguro denunciava. Não me decepciono. Ela aperta os passos. Assim mesmo tomo a sua frente. Giro a catraca e só olho para frente. Agora é esperar o ônibus. Chegar em casa é meu único desejo. Este texto foi tão rápido quanto a viagem no metrô. Ilustração.



Gotas de vinho sobre a mesa

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Bar. Mesa para dois. Dificuldade em escolher uma melhor. Não havia porque complicar. O garçom de sempre não nos viu. Denunciou sua indignação posteriormente. Fazia questão de atender a minha bela amiga. Entendo aquele senhor. Realmente ela é encantadora. Sua naturalidade conquista atenções masculinas.
Vinho. Não entendo nada. O garçom mecanicamente mostrou-me o rótulo. Assenti com a cabeça. Nem li os dizeres da garrafa. Não tinha a menor idéia de minha decisão. Constrangido? Não, nem um pouco. Cenas de cinema. Comédia. Ri com a amiga.
O garçom ladrão forjava ligeireza. Serviu-me. Derramou gotas de vinho sobre a toalha de mesa. Constrangeu-se. Não nos aborrecemos. Acalmei-o. Vi que minha taça continuara praticamente como havia chegado. Após servir minha amiga, voltou para o meu lado. Confesso, desejei que ele derramasse vinho novamente. Não era maldade. Desejo por uma pauta. Olhei fixamente. Ele derramou...
A noite seguia. O cantor engraçado nos fazia rir. Coentro boliviano. Tema de sua história. Acontecidos em sua cidade. Exageros baianos.
Eu seguia observador. Sem deixar, espero, de ser atencioso com a amiga. Também observava sua tranqüilidade. Que a deixava mais bela. Conversávamos. Divagávamos. E a pizza se ia. E a taça dela o garçom enchia novamente.
Diversas mesas. Mulheres bonitas não era o caso. Bar familiar. Casais que se encontram. Ausência de paqueras.
A moça chegara há pouco. Enquanto dormia sentada, o namorado conversava com a outra. Quem enxergar traição se equivoca. Todos amigos. E não era porque a amiga não fosse bonita. Não me pareceu o caso. Julgamento por aparências. Espero não estar equivocado.
Quebra da calmaria. O rapaz barulhento chegara. Cantou. Dançou. Horrorizou. Com sua parceira fumante sentia-se em uma boate. Erotismo na dança. Cara feia dos garçons. Mulheres rindo timidamente. A minha amiga não se importava. Chocar. Eles queriam. Chocaram. Para mim, expressão de infelicidades. Aquele casal pareceu-me muito infeliz. O rapaz principalmente.
A pizza se fora. O orégano não viera. Alergia. Fome saciada. Palavras no papel. Momento lúdico. Demonstração de carinho. Possível caminho para sedução. Caminho deixado de lado. Sedução apenas nos olhares.
Antes da conta, um café. Cansaço. Sono. Meu apenas. Ela estava bem. Irradiava seu bem estar. Era bom olhá-la. No carro teci elogios. Agradecimentos. Momento verdadeiro. Blues para acompanhar.
A noite me dera pautas. Não podia escrever no mesmo dia. Cansaço. Deixei para agora. E declaro minha incerteza. Não me parece que era este o texto que eu desejava. Talvez eu quisesse ter mudado algo naquela noite. Busca pela perfeição? Não, não é isto. Sei o que eu desejava mudar. E sei também que termino. Se pudéssemos escrever as nossas vidas, como seria?



Não é este o texto

sábado, março 25, 2006 · 0 comentários

Banho tomado. Cansaço comigo. Madrugada que prossegue. A pouco cheguei da rua. Bar com a amiga. Viramos clientes. Bons lugares fazem pessoas voltarem. Para os garçons, somos um casal.
Este, devo dizer, não é o texto que a minha alma pede. Ocorre que meu corpo pede para protelá-lo. Afim de que ele seja bem construído. Será um crônica. Minha noite com a amiga doce no bar. Fatos ocorridos lá. Observações que fiz. Então, claro está que este texto anuncia um outro. Não sei se já fiz isto. Creio ser interessante.
Imagine como ficaria a amiga se este fosse o texto da noite. Depois de tantas conversas. Divagações. Filosofias. Variados temas. Eu escrevesse apenas isto. Escolhesse este como o texto da noite. Não, minha amiga. Não é agora que escrevo o texto principal. Ele virá em seguida.



Nada me ocorre...

sexta-feira, março 24, 2006 · 2 comentários

Para. Penso. Procuro uma pauta. Tento averiguar minhas emoções. Algum fato ocorrido. E nada me ocorre. Será que estou vazio? Não sinto nada? Alguma inconformação. Algum desejo. Inseguranças. Deve haver algo. Lá no fundo de minha alma. Que escuridão é essa que não me deixa enxergar? Sentir. Lembrar. Desejar. Inconformar-me...
Faço uma pausa. Busco assunto. Vejo que um texto é produzido. Não disse nada. E agora já me vejo no fim. Do texto. O fim sempre chega. Cruel. Ele virá. Queria evitar. Quem falou que não há certezas, mentiu. Ou se equivocou. O ser humano tem o direito de se enganar. Aqui eu me engano. O tempo todo. Finjo inspiração. Na tentativa de produzir um texto. Não sei se houve tema. Tampouco sei se agrada. Nem sei se quero agradar. Querer fazer isso o tempo todo é tolice. Jamais querer agradar é patologia. Então, deixem-me fazer algo, meus amigos. Parar. De escrever...



Teatro. Sem companhia. Outro endereço

quinta-feira, março 23, 2006 · 2 comentários

Teatro. Sozinho. Repetição. Outro endereço. Centro Cultural São Paulo. A prefeitura prestando bons serviços. A gestão anterior não fez por menos.
Telefones tocaram. Convites foram negados. Não fosse isso ou aquilo, iriam. Fatos normais. Aquela que havia dado certeza adoeceu (já sarou!).
A chuva ameaçou atrapalhar. Uma olhada melhor na programação. Outras opções mais tarde.
“Aperitivos”. Mini peças no mesmo palco. Sempre o mesmo autor. Nada de mudar atores. Alterações apenas no cenário e luz.
Risadas. Silêncios. Reflexões. Se fez rir, fez também ver as misérias do ser humano. Por alguns momentos senti-me bem triste. Somo isto mesmo, pensei. Chuva de emoções. De certo, eu não era o único.
Não cansou e a peça terminou. À saída fui dado como advogado. Não, não sou, respondi cortesmente. A carteirinha, disse a mulher. Sorri e confirmei não advogar. Ela havia me visto solicitando meia entrada.
Queria aquela mulher um advogado? Um namorado? Penso que apenas dissipar uma curiosidade. Movida por conteúdos seus que desconheço. Conteúdos que nos fazem escravos...
Tal acontecimento sugeriu uma pauta. Frustração. Podia ter sido melhor. Uma mulher que me interessasse. A tentativa de um papo. Um café, quem sabe. Telefones trocados. Conversas breves durante a semana. Um novo encontro...
Fui para a casa. Teci textos no metrô. Nenhum deles foi para o papel. Somente agora eu escrevo. Início de terça-feira. Não é o mesmo dia da publicação. Brincadeira com passado, presente e futuro. Dúvidas que tenho da existência de um deles.



Arriscando palavras

domingo, março 19, 2006 · 0 comentários

Apesar do cansaço, arrisco algumas palavras. Creio que não serão muitas. Não posso me demorar. Meu corpo pede quarto escuro. Sonhos intenso. Horas descansadas.
Assim é a vida urbana. Agitação. Cansaço. Stress (nem sempre). E, enfim, o final de semana. Se os números estão vermelhos, melhor ficar em casa. A televisão silenciada só vai ajudar. Quem sabe um filme. Jornal. Livro. Internet para quem pode (a maioria não pode). Para quem tem parceiro, horas de amor. Cuidados para não entediar.
Agora, se os números não estão rubros, opções não faltam. A cidade é generosa para carteiras tranqüilas. Teatro. Cinema (tem filme bom, é só procurar). Restaurante (melhor não mandar seu prato de volta à cozinha). Danceterias. Bares. Mais opções. A cidade é heterogênea. Vai sozinho ou acompanhado. Não negligenciar o perigo. Mas sem neuroses.
Agora, se é necessário trabalhar no final de semana (trabalhei), pense positivo. Melhor do que não ter emprego. Assim é a vida, uma questão de ponto de vista. Depende de como estamos. Por dentro.
Arrisquei palavras. Não foram muitas. A escuridão me espera. Horas serão descansadas. Sonhos os terei intensamente. Boa noite para quem lê. Noite boa para quem não lê.



A carona me ajuda intelectualmente

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A carona me ajuda intelectualmente. É a mesma de sempre. Uma vez escrevi que ele me trazia prejuízos intelectuais. O tempo passou. Vi o que não via. Aprendi a ver.
Ocorre que travo boas conversas com a carona. Um amigo. Professor universitário. Alguém que tem o meu carinho. Com ele troco idéias de forma bem humorada. Falamos sobre Chico Buarque. Mulheres. Capitalismo. Política. Sentimentos. Palco de aprendizagem. Sei que um dia o carro vai quebrar, mas vale a pena.
Isto que escrevi, meus amigos, remete-me a um pensamento. A necessidade que temos de conversar. O quanto é bom fazê-lo com pessoas que gostamos e que despertam afinidades. Amenidades também devem ser ditas. Eu e a minha carona fazemos isto. Rir é bom. Confiar no outro é bom.
Devo dizer, nada é mais valioso que os bons sentimentos que temos pelas pessoas. Então, gostemos um do outro. Lembrando que, se nem sempre é possível gostar de todos, é dever geral respeitar.



Colhemos o que plantamos (nem sempre)

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Vou plantar algumas palavra aqui. Somente depois construirei um texto. É um modo de ilustrar a vida. Plantamos sementes, colhemos no futuro. A colheita pode ser boa ou não. Saberemos.
Agora são pouco mais de 22h00. Estou no trabalho. No ônibus eu voltarei a escrever. Palavras foram plantadas. O tema definido. Veremos o que será colhido.
Em casa. Horas do dia se foram. Alguns minutos do dia seguinte. O tema é o mesmo. Colhemos o que plantamos. Mas é bom ter em mente que nem sempre a safra é boa. Não é porque plantamos que vamos colher. Há, evidentemente, uma possibilidade de fazê-lo. Se no início do texto eu fui afirmativo sobre esta questão, agora semeio dúvidas. Tudo como um modo de permanecer ilustrando a vida. Então fica dito, colhemos o que plantamos. Mas nem sempre...



Palavras...(arma pacífica)

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Aquela maneira de denunciar ao professor suas “ilusões” pareceu-me um modo de protegê-lo. Denunciava um misto de sentimentos que poderiam ir além da admiração. O professor, convicto de seus pensamentos, fez uma segura defesa do seu modo revolucionário de pensar. Um momento de grande exemplo de como um jornalista deve se portar frente a este mundo calcado em enganos. A moça ouviu. Silenciou argumentos. Não porque concordasse, apenas por não tê-los. Fato comum em uma sociedade que se preocupa mais com as especializações do que a aquisição de conhecimentos humanísticos.
Sou partidário ao professor. Devemos sim ter uma postura de combate face a esse sistema que produz misérias de várias espécies. Nada de amargura. Sangue também não precisa. Usar de armas pacíficas. Como estas que uso aqui. Palavras...



Um pouquinho sobre São Paulo - a cidade

sábado, março 18, 2006 · 0 comentários

No metrô meu celular fica sem sinal. Ligado, a bateria se vai. Na dúvida, resolvo verificar. Temo puxar o celular do bolso a fim de espiar. Julguei por instante que o rapaz à minha frente pudesse me assaltar. Neuroses paulistanas.
São Paulo é hostil. Dia a dia ela nos maltrata. Poluição. Trânsito. Cansaço. Assim mesmo, nosso amor por ela é imenso.
Quando viajo amo a volta. Sinto prazer ao retornar e ver toda essa bagunça. A dinâmica da cidade me agrada. Sei que amanhã será dia de ônibus lotado. Vencer uma distância enorme. Casa e trabalho. Assim mesmo vou sorrir para a cidade. Dizer que a amo de verdade. Sei que a cidade não rima. Seu retrato é caos. Assim parece ser. Mas, sejamos realistas. Há sim organização. Tentativa. Sem isto a vida aqui seria impossível.
Meu celular permanece desligado. O “suspeito” já se foi (aqui todos são suspeitos). O calor me acompanha. O banho me espera. Jantar leve também. Amanhã vou acordar mais cedo. Compromisso. Ônibus lotado. Sono e alguém ao meu lado. Aqui, em público, difícil estar só. Melhor que seja assim. Dica.



Teatro. Sem companhia.

sexta-feira, março 17, 2006 · 1 comentários

Teatro. Sem companhia. Nem sempre é possível encontrá-la. No dia seguinte a pessoa reclama. Poderia tê-la convidado. Culpa dos números não anotados.
Ali, sentado, eu seguia um pouco ansioso (é preciso aprender a estar só). Frustrava-me não encontrar os bancos destinados aos obesos. Havia lido sobre aquele teatro. Ficara curioso e admirado. Como não via tais bancos, restava-me que uma pessoa para quem aqueles bancos foram feitos adentrasse ao teatro. Assim, bastaria segui-las com os olhos.
Este detalhe que conto carrega consigo grande importância. Demonstra uma preocupação com uma minoria por parte dos arquitetos que projetaram o prédio. Mais um exemplo de como o SESC destoa deste mundo.
Antes do início da peça “A incrível confeitaria do senhor Pelica”, tomei um delicioso café em uma xícara com design diferenciado. A limpeza do local, a beleza e, sobretudo, o bom atendimento, estavam em consonância com a bela decoração daquele anfiteatro.
Lugares. Muitos deles vazios. Não precisava comprar o ingresso antecipadamente. Contudo, arriscar não era o caso. Solteiro, deitava meus olhos em várias poltronas. Como não me satisfazia, restava-me descansar o olhar no palco. Carregava comigo um desejo de que alguma das atrizes encontrasse meus olhos. Pura tolice de quem estava com a libido alta (ou será carência?).
A qualidade da apresentação fez-me relaxar. Ri. Fui surpreendido. Peguei-me construindo textos. Desejei escrever uma peça (somos livres para desejar). Pensei em algumas mulheres. Três ou quatro que eu havia conversado. Duas delas convidadas para estar ali. Alegações diferentes para a negação do convite. Trabalho a fazer para uma, frio para a outra, além de uma preguiça que não sei se era gostosa.
Satisfeito, aplaudi de pé. Fiz parte do coro. Aplausos seguidos. Merecimento. Reconhecimento. O ser humano produz belezas. O teatro é uma delas. Fui embora satisfeito. O domingo se despedia...



"Consumo, logo existo"

quarta-feira, março 15, 2006 · 2 comentários

Individualismo. Comportamento pregado pelo capitalismo. Ferramenta: a publicidade. Vítimas: todos os seres humanos.
Estão transformando homens, mulheres e crianças em objetos, máquinas de consumo. O coletivo importa cada vez menos.
Toda essa trama que já veio marcada antes de cada nascimento (parafraseando Cazuza) resulta num grande mal para a humanidade: a carência. Carentes, precisamos consumir. Algo que nos conforta momentaneamente. Dá a nós uma sensação de poder. Que, sempre é assim, logo passa. Então, se estabelece uma forma de manter o indivíduo consumindo. Bastando alimentar a sua carência.
E os sentimentos, onde ficam? Ensinam-nos a amar os produtos, humanizando-os. É o que nos permitem. Assim, transformamos seres humanos em objetos de consumo, sem o qual não é possível amá-los.
Agora, que fique claro, nem todas as pessoas são assim. Nem todas viraram máquinas. Ainda há muita troca desinteressada de amor. Amizades verdadeiras. Os seres humanos colocados à frente por seus semelhantes.
Há pessoas que se riem do capitalismo. Brincam com o que este sistema prega. Zombaria e ironias. Não odeiam por completo o modo capitalista de se viver. Apenas tem o senso crítico vivo. Sabem que está quase tudo errado. E, enquanto milhares de pessoas forem consideradas inexistentes pelos publicitários, simplesmente porque não consomem, este mundo pode ser considerado um grande equívoco. O mundo que falo é o mundo feito pelos homens. Onde só existe quem consome. Pensar não justifica nenhuma existência.



Escolhas

domingo, março 12, 2006 · 0 comentários

Por favor, acalmem-se! Estou pensando no assunto. Mulheres? Relacionamentos? Política? Injustiças? Relatos? Não, ainda não escolhi. Quero fazê-lo com calma. A escolha que acreditarei a mais correta. Bom, assim tem que ser. As escolhas, no momento que as fazemos, devem ser as mais acertadas. Com o tempo teremos a certeza. Erro ou acerto.
Não fazemos escolhas no amor. Acontece. O amor que nos escolhe. Isto que digo todos sabem. Falo de amor verdadeiro. Vamos excluir relações baseadas em interesses. Fiquemos com a pureza dos sentimentos.
Já há um tema. Está claro. Escolhas. Aqui, escolho entre seguir em frente ou guardar palavras. Preciso avaliar. Por que prosseguir? Por que me expressar? Sinceramente? Não tenho a menor idéia! Então, continuar ou não será o mesmo.
Vou terminar. Nada de conselhos. Não gosto. Fica entendido. Fazemos escolhas diariamente. Acertamos. Erramos. O melhor de tudo: aprendemos. A minha escolha é uma última palavra. Escolha rápida. Escolha que já veio.



Metrô. Stress. O ser humano como detalhe.

sábado, março 11, 2006 · 2 comentários

Cansaço. Stress. Vida moderna. Último dia de trabalho da semana. Sigo rumo à minha casa. A carona da boa amiga me deixou no metrô.
Carência. Ela me têm. Mas meu olhar não está bom. A positividade está reprimida. Assim, não flerto. Estou negativo
Consciência. O stress é problema moderno. Necessário adquirir boa convivência. Saber lidar. Apagar motivos.
O trem está cheio. Noite de baladas. Eu e a amiga cancelamos o café, água cheia de gás e vinho. Bem que eu ainda resolvi ir sim. Serena, ela alegou cansaços. Meu e dela.
Confissão. Dificuldade para escrever. O que dizer? Falar sobre o casal ao meu lado? Apaixonados. Ela estranha o olhar dele. Enquanto isso, deita carinhos em seu braço nu. Não se trata de um belo casal. Se ela for indiscreta, corro um risco. Minha alegação será que é melhor não ler o que é alheio. Mas o que está escrito aqui neste parágrafo é deles! As ausências de belezas, carinhos nos braços nus, estranhamento do olhar...
Mudanças. O casal se foi. Não falarei do substituto. Deixemos que ele leia seu livro.
Olho pelo trem. Olhares que não querem se encontrar. Incômodos em serem vistos. Cansaços. Silêncios. Carências... É a reunião que não foi marcada. Cada um na sua.
O calor permanece. Não fosse a chuva estaria mais quente. Preciso de um banho. De uma cama. Livro de cabeceira, não sei. Quero descansar. Dormir. Ausentar-me do mundo. Não serei o único. Os seres humanos possuem vontades iguais. Falta delas também iguais. Somos apenas um detalhe. Detalhe perigoso. Que destrói este mundo. Mas que agora é o único que poderá salvá-lo...



Quem tem que mudar: homens ou mulheres?

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Em casa. Banho tomado. Cheguei mais cedo. Carona. Discussão sobre Chico Buarque. Músicas ouvidas. Dúvidas estabelecidas. A Geni é donzela ou prostituta? Melhor perguntar para ele. Quem? O Chico!
As mulheres neste mundo machista. Opressão. Elas tomam cuidado. Não devem virar Geni na boca dos vizinhos. Pior nas cidades pequenas. Quantas vontades elas reprimem!
Mundo moderno. Mulheres falam besteiras. Riem com nós homens. A fala é permitida. A prática, tolida. Somos machistas. Pra casar, aquela que for de poucos. Ou de ninguém.
Aqui um problema. Casar virgem. E se não houver química na cama? Como vai ser? Frustração. Caminho da infelicidade. Arrependimentos.
Para ilustrar. Conheço uma mulher. Faz tempo que não nos falamos. Casou ainda cedo. Virgem. Carrega um ressentimento consigo. Não ter tido outros homens. E agora? E os filhos? Tem o marido também. Não é fácil desatar o laço.
Ir para a cama antes do casamento. Quem falou que é solução? Depois vêm as mudanças. Se nunca foi muito bom, agora é pior. Muitas vezes ausência de orgasmos. Algumas mulheres há que nem sabem que isto existe. A porcentagem é alta. Não me recordo. E o homem pensa que é ela que não gosta de sexo. Daí o velho estranha. Ela lhe diz que gosta de sexo. Ele pensara que nenhuma mulher gostasse. O velho nunca soube fazer, diz a moça. Amiga minha.
O que escrevi aqui, li e ouvi. Relatos. Troca de idéias com mulheres experientes. Vivências minhas. Vulcões a serem despertados. Medo da reprovação. É o mundo feminino. Tornado complicado pelos homens. Vai mudar? Será que elas precisam mudar? Não seriam nós homens que deveríamos mudar?



Pontos

quinta-feira, março 09, 2006 · 1 comentários

Pontos. Excesso. Estilo. Se virar vício, complica. Estranhamentos de alguns. Motivo para pauta.
Há quem goste e aprove. Há os que até gostam, mas não aprovam. Evidentemente que também há os que reprovam.
Um corretor. Terei. Já tenho, na verdade. Basta que eu lhe envie os textos. Pessoa capacitada. Gosta dos textos. Prefere menos pontos.
O que farei com tantos pontos? Reprimir um estilo? Questionar-me quanto a um engano? Persistir?
Necessário discernimento. O padrão jornalístico pede períodos curtos. Bom jornalista corta palavras. Eu as decepo. Não é isto o que se deve fazer. Pontos demais, melhor evitar.
Escrever. Ter um estilo. Não explicitar. Gosto meu. Comentei com a amiga. Jornalisticamente está incorreto. Tenho discernimento. O único questionamento que faço é que se o uso de tantos pontos não é um momento. Chuva de pontos. Tsunami. O tempo dirá. Se é mesmo estilo. Se é apenas fase. Veremos.



Reciclagem

quarta-feira, março 08, 2006 · 1 comentários

Não tenho idéia para um texto. Tentativa. Quem sabe sai algo bom. Se assim não for, bastará amassar o papel. Jogá-lo fora. Sem direito à sobrevida. Reciclagem.
Aí está um bom tema. Reciclagem. Li algo a respeito. Aprendi que o Brasil recicla bastante. Mas a margem de crescimento é enorme. A maior parte do lixo não é reaproveitada.
Vamos reciclar os problemas. Torná-los úteis. Vamos reciclar as boas emoções. Dar sobrevida a elas. Reciclar o amor. Sim, esta é uma grande idéia. Assim quem sabe os casamentos vão durar mais. Ou durar todo o tempo possível. Que é dado pela vida. E, no ato da reciclagem, eliminar as mágoas. Decepções. Indelicadezas cometidas. Mas não esquecer que, mesmo reciclando, não haverá relações perfeitas. Por isso, reciclar sempre será necessário.
Agora vou reler o texto. Mudar onde eu julgar necessário. Reciclar parágrafos. Colocar em prática o que escrevi. Teoria não basta. Perdoem-me por não consultá-los. Atentem-se para a impossibilidade de fazê-lo agora. Se quiserem reciclar este texto, deixem comentários. Eu os levo em conta. Já mudei textos. Creio que dois. Este, por enquanto, fica assim mesmo.



Sem imaginação para escolher um título (quem quiser pode sugerir)

terça-feira, março 07, 2006 · 1 comentários

Vejam só. Praticava a negação de uma vontade. Escrever. A verdade é que caçava assuntos. Enquanto eles não vinham, enganava a vontade.
Estou no ônibus. A chuva voltou. Esteve presente pela manhã. Insisti um pouco mais. Ou enchente, ou congestionamento. Ou ambos. Teremos.
A leitora gosta quando eu falo da cidade. Sente-se aqui. Foge um pouco do seu mundo. Realidade que desgosta. Madame Bovary. Triste realidade feminina. Obra prima fantástica. Retrato da realidade como a da leitora aqui mencionada.
Trabalhadores entram. O coletivo está cheio de vagas. Os bancos já foram mais desconfortáveis. A passagem mais fácil para todos.
A classe média não gosta dos coletivos. Prefere carros. Individualismo. Negam-se a compromissos se estão sem seus veículos automotores.
Não é a vontade de escrever que diminui. É a ausência de assunto que se evidencia. Já passaram por isto? Escassez dos assuntos com uma companhia. Angústia. Busca inerte por palavras. Comentários em vão. Ao final, o silêncio. Como o casal daquele bar. Ela olha para o cantor. Mexe nos cabelos. Ele fita a mesa sem vontade. Tédio. Comento com a minha amiga. Ela vê tristeza na cena. Dessa tristeza faço assunto.
Lembro-me daqueles jantares com aquela mulher. Silêncios. Eu a observava manipulando os talheres de modo educado. Angustiava-me não encontrar assunto. O problema era justamente buscá-los. Necessário que sejam naturais. O resultado não podia ser outro. Afinidade na cama não basta.
Termino aqui. Algumas pessoas sobem. Outras descem. A chuva segue. O trânsito é complicado. O assunto se encerra.



FELICIDADE CONDICIONADA

segunda-feira, março 06, 2006 · 0 comentários

Banho. Água quente caindo. Box. Vidros embaçados. Escrevi meu nome. Ficou cercado por gotas. Vai ver que já se apagou.
Ao ler meu nome senti-me mais existente. E pensei em outras existências. Aquelas que conheço. As que conheci. Outras que vou conhecer. Muitas que não irei saber da existência. E senti este mundo. Feito de pessoas. Uma soma de pensamentos. Sentimentos. Risos e lágrimas. Para cada pessoa, um papel. Neste teatro que é o mundo. Há papéis que parecem desinteressantes. Mas o que é vale é o que vai por dentro de cada um. E isto não depende tanto do que fazemos, e sim como estamos.
Vou virar ilustração. Muitas vezes aspiro a um cargo melhor. Status. Penso que aquela insatisfação se iria. Mas, em mais vezes, me vejo feliz com o que faço. Ainda que a tarefa seja simples. O mesmo trabalho. O que muda sou eu. Por dentro.
A verdade, aprendi com o tempo, é que muitas vezes condicionamos nossa felicidade a conquistas. E quando conquistamos nada muda. Creio que muitos já passaram por isto.
Mudar é difícil. Muitas vezes eu me pego condicionando a minha felicidade a conquistas. Na escola da vida o aprendizado é lento. Muitos são reprovados. Creio que estou em constante recuperação.



Alguns parágrafos. Simples parágrafos.

domingo, março 05, 2006 · 2 comentários

Messenger. Papo com amigas. Enquanto troco palavras com elas, construo um texto. Tento. Terei que dividir as tarefas. Parar vez em quando. Perder ritmo. Se o texto ficar ruim, já está dada a desculpa. Esperteza minha, não?

Mais um parágrafo. Pequena pausa. Por um momento, esqueci que estava escrevendo. Se as amigas souberem deste meu fazer, ficarão bravas. Mulheres gostam de atenção total.

Percebo. Os parágrafos serão desconexos. Por isso a artimanha. Pular uma linha. Fujo um pouco. Dou palavras às amigas. Recebo outras. Assim se estabelece a comunicação. Algo vital. Não é possível viver sem se comunicar.

Complicado interromper. Confesso que atrapalha. Talvez devesse deletar este texto. E não incorrer num grande erro. Escrever por escrever. Contudo, quando aqui volto, as palavras vem de modo fácil. Isto é positivo. É a forma que me agrada escrever...

Confissão. Que difícil está ficando prosseguir neste texto! Este não é o melhor modo de se fazer algo. Concentração. Total. Isto é necessário. Assim, meus amigos e amigas, vou dar um fim a mais este texto. Daí vou relê-lo. Verificar se é digno de vocês. E arriscá-lo no blog.

Assim, faço deste o último parágrafo. Prometo que não me estenderei. Serei como a vida. Breve. E quando eu ver, já terminou. A vida parece-me assim....



Blues. Uma amiga. Outra amiga. Surrealismo.

sábado, março 04, 2006 · 2 comentários

O blues me agrada. Toca. Rod Stewart. A amiga legal me emprestou. Tá na hora de devolver. Não vou demorar a fazê-lo. Respeito o que é alheio. Cometo falhas, evidentemente. Não posso ser perfeito. Bem que eu já quis. Hoje, à miúde, vou aprendendo.
Termino a semana com uma falha. Tratei mal uma amiga querida. Fui indelicado. Momento de desequilíbrio. Nestas horas, melhor ficar sozinho. O rebuliço das emoções pode ser maléfico. E assim o foi. Destratei alguém que gosto muito. Uma bela amiga. Agora, um amigo vai me ajudar. O tempo. Sem que eu peça. Não foi eu que o escolhi. A amiga ofendida é quem escolheu. Vamos ver se o tempo será meu amigo. Ele tem sido bom pra mim. Vamos ver...
Mulheres. Seres delicados. Homens. Seres indelicados. Nem sempre. Não vou aqui me condenar. Sempre tratei bem esta minha amiga. Fui pego pelo desequilíbrio. E a semana foi de convivência com algumas mulheres. Cometi equívocos. Mas os acertos foram maiores. Fica dito. Não sou perfeito.
Terminei a semana num belo bar. Uma boa amiga como companhia. Café pra mim. Água cheia de gás para ela. Vinho também. O bom papo. A boa música. E, sobretudo, a boa pessoa ali comigo, levaram a minha tensão embora. Não foi uma semana fácil. Como eu disse, as emoções fervilharam. Mas ali. Naquele bar. Naquela bela avenida. Bom atendimento. Decoração acertada. Cantor muito bom. Ah, ali eu havia marcado um encontro com a paz sem saber.
Vocês tem algum amigo que lê a sua alma? Eu tenho. Esta amiga do bar. Fantástico! Ela me entende minuciosamente. Tem admiração por mim. Faz suas críticas construtivamente. A vida a trouxe. Fez dela minha amiga. Admiração recíproca. Palavras verdadeiras. Muito carinho. Muita ternura. Onde será que ela está agora?
O blues prossegue. Logo vai parar. O mesmo se dá com este texto. Que vai sem pressa. Despreocupado. Seu final não tenciono como seja. Creio que não será dos melhores. Agora já não está tão fácil prosseguir. Então, façamos deste texto uma calçada. Daí eu me sento. Pessoas passam. Chuva que não me vê. Surrealismo. Olhar despreocupado. Belas mulheres. Perfumes. Saias. Carências. Delicadezas. Uma lembrando da noite anterior no bar. Outra chateada com o amigo. A primeira é a dona do blues que toca. A segunda, a amiga que destratei.



A chuva aperta. O final não surpreende.

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A chuva chegou. A amiga avisara. Conversa breve ao celular. Zonas norte e sul se comunicando. Ela na cama toda amarela, eu em uma completamente desarrumada. 3 horas da manhã.
Agora, sigo completamente sem sono. À mesa do bar o sono ameaçava. Foi embora. Não me indago o motivo. Sua fuga me deu este texto. São as compensações da vida.
Gosta de chuva. Desta em particular. Quem sabe ela não me traz sono. Ouvir a canção das gotas caindo pode ajudar. Canção bela esta. Que agrada e acalma. Sobretudo por que a chuva não é tão forte.
A canção das gotas do céu aumentou o volume. Há trovoadas. Amanhã os noticiários vão repetir sobre as enchentes. Como pode uma cidade não suportar algo que lhe é vital? Como o homem incorre em erros!
Olho para a janela. Vejo um clarão. O vento sopra forte. A madrugada segue. O dia logo vem. Compromissos me esperam. O que seria da vida sem eles? Viver ao acaso? Irresponsabilidades? Imaginem o tédio!
O final deste texto será inusitado. Espero que salve o texto. Terminará sem mais nem menos. Como uma forma de ilustrar a vida. Que é cheia de fatos. Que vem e que vão. Sem avisar. Sem a gente esperar. Quando vemos, já começaram. E não vemos, já terminaram.
A chuva apertou. O sono não veio. O texto está escrito. O final está aqui. Não é inusitado. Não consegui! Frustração? Não, nenhuma! Quem falou que sempre conseguimos o que queremos. Ilustração. Da vida.



Olhar para dentro de mim. Busca de palavras. Presentes para vocês...

sexta-feira, março 03, 2006 · 2 comentários

Vou olhar para dentro de mim. Verificar que palavras eu tenho. Daí, vou pegar somente as que são belas. E vou desenhá-las no papel. Farei uma releitura. Para ter a certeza da beleza. Para não arriscar equívocos. E quando eu estiver certo de que vocês vão gostar, então me darei por satisfeito. E seguirei meu dia tranqüilo. Imaginarei seus sorrisos. A satisfação por ler um texto puro e singelo. E desejar que vocês o comparem à vida. Para quem sabe fazer dela algo simples de se ter. Esquecer os problemas. Se não for possível esquecê-los, então aprender que é preciso saber conviver com eles. E ter a certeza que são boas escolas. E aí, quando eu me ver meio perdido no texto, lembrar de me ajustar. Parar. Pensar. Visualizar cada semblante leitor. E desejar simplesmente que, no ato da leitura, ao término desta, cada leitor esboce um sorriso. Puro. Simples. Verdadeiro. Como o meu que eu invento agora.



Sem amor, melhor parar.

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Duas amigas. Belas palavras. Presente para a minha alma. Incentivo para prosseguir. Escrever. Trabalhar. Estudar. Minha forma de agradecer é este texto.
Amigos (um deles acabou de me ligar; policial civil; gente de excelente qualidade). Presentes da vida. Sentimentos verdadeiros. Afetividade necessária. Bom tê-los. Bom vê-los.
Tenho amigos. A maioria mulheres. Pessoas confundem com paqueras. Às vezes até surge. Meu carinho independe do sexo. Amigos e amigas. Por todos o meu carinho. Cada qual ao seu modo e intensidade.
Estas duas amigas gostam do modo que as trato. Com uma delas tive cotidiano no passado. Hoje alimentamos nossa amizade via internet. A outra é recente em minha vida. Rapidamente conquistou espaço enorme em meu coração.
Ambas são apreciadoras deste blog. Fato este que muito me lisonjeia. Gosto de imaginar que elas vão ler este texto.
Quem acredita que não se pode confiar no outro, meus pêsames. Sua vida acabou. Sem amigos. Não há por que seguir. Melhorar parar. Seu coração não agüenta. Não merece. Foi feito para amar. Sem amor, melhor parar.



No ar e nas entrelinhas

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Costumo dizer que as pessoas procuram seus semelhantes. Na busca por um amor, no convívio social. Mas a vida, meus amigos, não é uma ciência exata. Ela é permeada de contradições. Este que escreve (ou devaneia?) é também contraditório. Não explicarei o que quero dizer. Deixarei no ar. Afinal de contas, o ar (ainda) não é de ninguém. É nele que deixo a minha contradição. Ela existe. Está nas entrelinhas deste pequeno texto.



Meninos e menina. Faróis. Circo

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Meninos e meninas fazem da rua seu circo. A faixa de pedestre é o palco. Malabarismos desajeitados. O preço, uma pequena esmola. Cenas que esfaqueiam corações. Mas quais serão as soluções?
Li algo sobre esmolas para crianças. Em uma cidade estrangeira (não me recordo qual) foi instituída uma campanha contra essas esmolas. Pois era sabido que adultos exploravam as crianças.
Em cidades como São Paulo a situação não é diferente. O ainda prefeito de São Paulo tenciona fazer o mesmo. Criar um fundo para amparar os esmoleiros infantis. Tirá-las dos faróis. Fechar seus circos sem lona. Cuja tristeza do espetáculo incomoda as almas mais sensíveis. Torna as paradas nos faróis momento de angústia. Do seu circo, estas crianças precisam ir para as suas escolas. E isto tem que ser já!



Gangorra (e pedras a serem chutadas...)

quinta-feira, março 02, 2006 · 1 comentários

A vida é feita de altos e baixos. Há aqueles que já não sobem mais. Outros há que ainda tem chance. Nesta gangorra, eu sigo oscilando. Sou apenas mais um neste mundo grande. Há quem diga que é pequeno. Força de expressão.
O carnaval se foi. Ficaram as imagens e lembranças. Agora é voltar para o trabalho. Seguir em frente. Se fosse possível voltar, muitos voltariam. E aí correções seriam feitas. Oportunidades revistas. Faríamos tudo melhor, na ilusão que estaríamos fazendo tudo certo.
O fato é que precisamos do errado. Porque algo que não dá certo hoje, abre uma porta muito melhor amanhã. Claro que isto não é uma constante. A vida não é uma fórmula pronta. Nada está escrito. As histórias vão se escrevendo. Portanto, navegamos em incertezas. Isto, muitas vezes, nos faz sofrer. Então desejamos ardentemente certezas. Mas elas não vem. E olhamos para frente, para logo em seguida baixar a cabeça. Mas, é melhor olhar para o horizonte. Buscar firmeza em nossas ações. Não vestir pele de cordeiro. Mas não perder a diplomacia. Radicalismo jamais.
Penso que as inconstâncias da vida. Econômicas. Emocionais. Sociais. Interpessoais. Enfim, qualquer inconstância, são escolas para o amadurecimento. São avisos para que sejamos mais humildes. Mais atentos. Esforçados. Para que não negligenciemos nada em nossas vidas.
Assim é a vida. Um emaranhado de avisos. Uma enciclopédia arriscada. Machucados são prováveis. Aquela tranqüilidade pode ser tirada numa informação. Você nem imagina, e algo ruim está sendo tramado. É o show que não pode parar. Não pagaram ingresso. Não recebemos cachê. Ninguém pediu para nascer. Alguns até querem morrer. Há aqueles que tomam essa resolução. Fracos ou corajosos? Não sei. Não sei mesmo.
O carnaval se foi. Vi algumas fotos. Foi aborrecedor. Agora, sigo melancólico demais. Uma chuva fina se abate sobre mim. Mais uma vez é preciso esperar que ela passe. Na certeza de que ela volta. Enquanto não nos fortalecemos, ficamos à deriva das emoções. Então, é preciso estar atento. Fazer esforços. Buscar rumos. Compenetrar-se. E olhar para frente. Baixar a cabeça apenas para chutar a pedra. Pois no caminhos sempre há pedras...





Não quero a mesmice

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Ano de eleições. PT x PSDB. O roto e o esfarrapado, como escreveu Cony, um mestre das crônicas. Na média, estes dois partidos não deram mais que 2,6% de crescimento econômico para o Brasil. Há alternativa melhor a eles? Não sei, não sou especialista no assunto. O que faço é ler e definir meu voto.
Agora, sejamos justos, este país sempre foi mal administrado. O PSDB entrou e resolveu ajustar as contas. Controle da inflação. Superávit primário. Juros altos. O PT seguiu a fórmula. Não tinha proposta.
Os especialistas dizem que ambos erraram. Que o Brasil com Lula perdeu o bonde do crescimento. Há reconhecimentos. Com inflação não é possível crescer. Ambos os partidos foram exitosos, ainda que a população tenha sofrido com isto. Mas a população sempre vai sofrer.
Eu não sou economista. Gosto do assunto. Leio alguma coisa a respeito nos jornais. Verifico que os economistas que se dizem donos da razão nunca estão no poder. Aliás, parece que no poder só está quem não entende de nada. Os especialistas sempre estão fora. Por isso eu sempre me pergunto por que não formam um governo com especialistas. Enfim, parece que seguiremos mal administrados, segundo os jornais.
O povo fará a escolha entre petistas e tucanos para continuar na mesmice. Isso de acordo com os jornais. Mas, sinceramente, eu sou otimista. Penso que o Brasil está melhorando. Não dá para cobrar dos nossos atuais homens públicos correções do dia para a noite. Os estragos deixados pela ditadura e pelos governos eleitos indiretamente foram grandes. Corrigi-los leva anos. Contornar a tremenda desigualdade social que temos é complicado. Se for possível, demorará anos. Espero que ela de fato seja muito reduzida. Sei que tem muito milionário que não deseja isto. Sair do país seria um favor que ele faria à nação.
A campanha deste ano será o ladrão maldizendo o bandido. PFL e PMDB, como sempre, vão dizer que precisa mudar, sem mencionar que sempre estiveram no poder e nada fizeram para mudar. Para o PFL a única mudança que interessa é a troca dos mandatários. PT pelo PSDB. Um partido de oligarcas não deseja mudanças estruturais no país. No PMDB há gente boa. Gente que realmente quer mudança. O senador gaúcho Pedro Simon é um grande exemplo. Mas Garotinho e Quércia não podem ser levados a sério.
Como opção para o eleitorado sobram os pequenos partidos ditos de esquerda. PSOL, PSB, PPS, PV. São partidos com bons quadros. Vão lançar seus candidatos. Propostas. Não vencerão.
Vale lembrar que PT e PSDB possuem grandes quadros. Contudo, são dominados por líderes que se aliaram ao capital financeiro. Eu não sei dizer se havia outra saída. Este país é na verdade um imbróglio. Por isso, eu não condeno o Lula e o FHC. Talvez eles tenham feito o possível. Talvez até tenham pecado exatamente por isso, fazer somente o que era possível, sem ousar.
Vou acompanhar as eleições com muito interesse. Este é para mim o evento que mais me interessa. A Copa do Mundo é secundária. Ficarei atento às eleições. Farei a minha escolha com cuidado. Não direi aqui em quem votarei. Apenas posso dizer que fugirei da mesmice. Assim, desejo boas eleições para todos.



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Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


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