Subtraindo passageiros

domingo, fevereiro 26, 2006 · 1 comentários

Navego os olhos pelo vagão. Troco um olhar despropositado com a moça. Olhar sem intenção. Sua beleza não me agrada. Deve agradar a muitos. Beleza é subjetivo. Muitas vezes equivocada.
A viagem prossegue. Leva-me com ela. Palavras vão surgindo. Não facilmente. Uma certa dificuldade me assombra.
A noite está quente. Agrada-me. Assim esteve no final da semana. Bar com amigas. MPB, vinho e bom papo.
Hoje foi dia de obrigações. Que bom que elas existem. Assim nos sentimos mais úteis. Mesmo quando lemos este texto!
A dificuldade de escrever permanece. Não será este um bom texto. Então por que não desisto? Teimosia? O que? Sem resposta.
Olho novamente pelo vagão. A moça ainda está aqui. Aquela com quem troquei um olhar despropositado. Sinto como se a leitora estivesse aqui. Ela disse-me que se sente ao meu lado quando lê os textos.
O celular toca. Não é o meu. Breve conversa. Mãe preocupada. As mães se preocupam. Os filhos se aborrecem. Quando saio de casa não dou avisos. Saio. Sigo meu rumo. Volto no dia seguinte com histórias guardadas.
As estações subtraem passageiros. Ilustração da vida. Pessoas se vão. Algumas deixam lembranças. Daí o Orkut localiza. Um encontro é marcado. Faz-se a confissão. “Sempre fui apaixonado por você”. Por incrível que pareça a paixão persiste. Daí o beijo sem censura. Mais de trinta anos de espera. Só pode ser bom? Vejam, pode haver decepção também!
Cada um tem uma forma de encarar o passado. Uma ex-paixão me encontrou. Mas já se foi. Meu coração é renovador. Constante!
Faço uma pausa. Indago-me sobre como prosseguir. Não encontro resposta. Este texto vai terminar antes da viagem. Antes que todas as estações subtraiam mais passageiros.
Mais um passageiro se vai. Faltam duas estações. Quantas linhas faltam para terminar este texto? Nenhuma. Acabou. (vão reclamar!..rs)



Digitalizar vidas. Distribuir renda.

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Ganhei uma bela caneta. É com ela que teço estas palavras. Depois as digitalizo. E assim elas se tornam imortais. E eu vou deixando de existir. Que injustiça! Sou o criador do texto! Ele vai prosseguir! Eu fico para trás!
Fiquem calmos, não é revolta! É ironia mesmo!
Será que um dia o homem vai conseguir digitalizar as vidas? Bom, sem inocência. Se assim for, alguns poucos vão ganhar fortunas com isso. E só os “eleitos” é que serão digitalizados. E quem foi que disse que interessaria imortalidade para todo ser humano? O privilégio ficaria para o clube dos poucos. Obra capitalista. Poucas famílias que detém a maior parte das riquezas do mundo. Suas felicidades destroem vidas. A felicidade deles está inerente ao luxo.
Perdoem-me pela amargura! É a realidade que faz deste texto algo tão amargo. É o grito que dou pelo excluído que se cala, de fome.
O mundo, meus amigos, tem que ser de todos. Do contrário não faz sentido. Ora, do que vale um celular que envia fotos por e-mail se o cara dorme lá no chão daquela obra, em meio a tanto pó e indignidade?
Não nos sintamos culpados. Nós fazemos nossa parte. De nada adianta ir à rua. Não é a pobreza que deve aumentar. É renda distribuída que precisa melhorar. Isto é absolutamente factível!



Não pagaram ingresso

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É madrugada. O silêncio domina. É interrompido às vezes por um motor solitário. Luz acesa. Cama de solteiro. Cãozinho branco por aqui.
Muitas são as almas solitárias. Muito carinho sonegado. Mas as vidas seguem. Segue o mundo. Um teatro. Sem interrupções. Cada um faz seu papel. Os personagens se vão. O show continua! Alguém está se divertindo às nossas custas!
A melancolia está no ar. Incoerência. É carnaval. Dias de folia. Cony escreveu que a mídia quer o mesmo comportamento de sempre das pessoas. Os mesmos sorrisos. As mesmas caras. Ele preferiu ir para a montanha. Acha o carnaval patético.
Amigas se encontram hoje. Riem. Conversam. Reclamam. Os vilões, nós homens. Ah, não agüento mais nós!
O dia se foi. Informações. Obrigações. Esquecimentos. Cansaços. Satisfações. Insatisfações. Um emaranhado de fatos. É o show que prossegue. Não pagaram ingresso!



FEITOS PARA CASAR?

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Converso com mulheres. Infelicidade nos casamentos. Relações que já acabaram. Maridos que não se dão conta. Frustrações no ar. Filhos que prendem. Desejos zerados. Vida sexual inexistente.
Penso em casamentos felizes. Três maridos relataram a felicidade. Seria bom ouvir as esposas também. Mas parece-me que eles estão lúcidos.
Há alguns dias conversei com um amigo. Indaguei sobre seu casamento. Surpreso, ouvi diversas contrariedades. A relação é frágil. Um filho. Outro na barriga. Dois compromissos. Apenas ouvi. Não dei opiniões.
Será mesmo que devemos casar? Será isto adequado ao ser humano? Eu não tenho resposta. Sei apenas quero casar (talvez uma amiga diga que eu não queira!).
Há muitos casos singulares. Sei de um casal que já se separou, mas o marido faz campana na porta da casa da ex-esposa. Quer casar com ela novamente. Amor? Obsessão, é o que me foi explicado.
Não posso dar conselhos. Não tenho nenhuma experiência sobre casamentos. Falar como expectador é mais fácil. Não quero o fácil agora.
Às vezes me indago se a falência da relação tem a ver com incompetência. Porque manter-se casado é administrar uma relação. E isto se dá dia-a-dia. O maior erro deve ser a tentativa de controlar (mas administrar não é controlar?). Mas, creio, há detalhes que podem ser trabalhados. Talvez as relações se esvaem em detalhes. Aí o cara faz algo que é pequeno e, sem saber, desagrada a mulher. Vão se acumulando estes feitos errados. As mágoas vão crescendo. Frustrações. Decepções. Desencantos vão surgindo. O amor vai tomando outra face. Vai sendo desenganado. Caramba, sinto como se ninguém pudesse casar! Como se não houvesse solução! E agora, o que o padre vai dizer? Felizes para sempre?



Sequestro

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As pautas se foram. Seqüestro. Um bom amigo fez umas sugestões. Deu uma opinião. Achei interessante. O que ele me sugeriu tentarei fazer. Quanto ao que opinou, é mais complicado.
Para este amigo eu preciso de uma musa. Vejam que isto não é simples. Não posso ter uma musa como quem tem uma mercadoria.
Eu poderia usar de artimanha aqui. Dizer que todas as minhas amigas me são musas. Só para agradá-las. Mas não o faço. Admiro todas (ou será que quase todas?). A coordenadora. A fisioterapeuta. Uma que é fotógrafa. A milionária. Também aquela que não distingue as diferenças de sambas. A telefonista. A concursada. Aquela do interior. A mulher de olhares. A que me ensina inglês. Outras mais. Enfim, corri o risco. Não citei algumas. Muitas serão esquecidas. Serei julgado. Condenado. Depois a pena será revista. No final, serei perdoado.
Para terminar, digo que há sim uma grande musa. A mais importante. Sem ela é o nada subjetivo. Não há nada mais importante que ela. A musa a que me refiro é tão somente uma: a vida.



Contém palavras. Ditas ao acaso.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006 · 0 comentários

Vontade súbita de escrever. Agora de modo diferente. Sem a melancolia que a amiga comenta, e gosta. Não sei se com o sarcasmo que a outra amiga cobra. Apenas escrevo. Sem rumo. Solto palavras. Elas estão presas. Precisam ser pintadas no papel branco. Assim o faço. É no metrô que estou.
Calor. Necessito de um banho. Prazer necessário. Vontade que espera. É preciso saber esperar. Aprendo a fazê-lo...
O momento é de tranqüilidade. Sigo harmonioso. Estive com pessoas queridas. Falei. Ouvi. Ri. Encantei-me com a beleza da loira. Amiga apenas. Boa pessoa. Bonita e simples. Caráter exemplar.
Vai o trem. Um ar que bate alivia o calor. Policiais não sentam. Bancos vazios. Pés cansados. Corpos cansados. Peles suadas. Alguns conversam. Dois amigos e um casal. O rapaz perdido se foi. Minha resposta para a sua pergunta lhe daria mais dúvidas.
Pára o trem. Logo se vai. O maquinista anuncia a próxima estação. Foi demolido o presídio. Obra funesta. Desengano do prefeito.
A chuva caiu. Deixou gotas de lembranças. Refrescou o cimento. Arrefeceu o calor.
Vão-se as palavras. O texto segue. Vai sendo construído. Terminará antes da viagem? A última estação chegará primeiro? Não sei! Apenas escrevo.
Faço uma pausa. Já está na hora de parar de escrever. Aqueles que conversavam se foram. Olho para trás. Há algumas pessoas. As vozes estão caladas. Policial em pé. E este texto pronto. Não sei se é bom. Há melancolia? Não sei! Sarcasmo sei que não há. Contém palavras. Ditas ao acaso. Só isto...



Um é apaixonado, o outro a admira...

segunda-feira, fevereiro 13, 2006 · 0 comentários

O filme “Fim de caso” é mais uma obra-prima do cinema internacional. No filme, dois homens amam a mesma mulher. O marido e o amante. Que terminam o filme na mesma casa, a do marido. Isto após a morte da mulher amada. Um filme dramático. Uma história linda, baseada no romance de Graham Greene que, como explica o diretor do filme, tratou-se de uma autobiografia do romancista.
Hoje, de certa forma, senti como se vivesse um pouco deste filme. Espero conseguir explicar. Serei esforçado, prometo.
Domingo que passou. Eu estava lá naquele apartamento agradável. Fora fazer uma gentileza para pessoas queridas. Sabia que ela estaria lá. Linda, charmosa, tranqüila e japonesa. Só não sabia da presença do seu pretendente...
Ao chegar, cumprimentei a todos. Mas não nego a minha decepção em ver o rapaz lá. C. estava vestida de modo simples. Estava mais linda que antes, sentada entre dois homens. Um apaixonado. O outro, apenas um admirador.
Era um momento que me trazia certa angústia. Mas, de modo algum a disputávamos. Conversávamos os três. Às vezes eu e C. Ele e C. Eu e ele. O bom humor estava no ar.
Fiz carícias em C. Beijei sua mão. Dei-lhe abraços. Contudo, me contive, em respeito ao seu pretendente que, diferentemente de mim, é apaixonado por ela. Se não tenho paixão por C., tenho sim certo encanto. Considero C. a mais bela mulher que já conheci. Seu caráter é irreprovável. Sua calma me faz bem. Mas, entre nós segue constante uma diferença de idade. Detalhista que sou, muito me importo com isto.
É a vida, meus amigos, imperfeita. C. é a harmonia entre beleza interior e exterior que tanto procuro em uma mulher. Mas a diferença de idades não nos convém. E também é prima de uma ex-namorada. Fatos estes impossibilitam algo a mais entre nós? Não necessariamente.
Não me demorei muito. Recolhi chaves, celular, guarda-chuva e sacola. Despedi-me de todos cortesmente. Dei um beijo na bela face de C. Apertei a mão de seu educado pretendente com um olhar respeitoso e verdadeiro. Segui meu rumo. Caminhei por ruas arborizadas. Tudo de modo não tranqüilo. Eu destoava das árvores. Uma certa tensão me tinha. Desejava chegar logo em casa...
Em casa a tensão se foi. Não pensei no ocorrido. Liguei o computador. Diverti-me com uma amiga virtual. Publiquei um texto. Terminei a noite num bar com dois casais. Provei suco de clorofila. Adoro experimentar. O domingo se despedia. Foi bom!



Cadê o sarcasmo?

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Eu tenho pensado que imagem as pessoas que lêem este blog fazem de mim. Recebi um comentário na semana passada que disse que sou um pouco melancólico. Tal afirmação veio do Peru. É de uma amiga virtual que tenho lá. Alguém que me proporciona boas conversas. Ela acertou no comentário. Os últimos textos foram recheados de melancolia.
O principal preceito deste blog é a expressão verdadeira dos meus sentimentos. E é isto que mais agrada aos que lêem este blog e a este que escreve.
Mas, como observou a bela amiga, meu sarcasmo está sendo sonegado aqui. Por que não o coloco aqui? O que me acontece?
Bom, meus amigos, eu não tenho a resposta (acabo de ser interrompido!).

...

Enfim, como eu dizia, onde anda você? Quem? Diria, o que! O sarcasmo, oras! O meu!



O passado.

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O passado ronda a minha vida. Eu relatei fatos que me ocorreram. Mulheres. Agora, uma boa amiga que tive no colégio encontrou-me no Orkut. Trocamos mensagens carinhosas. Relembrei fatos. Falo mais sobre isto no parágrafo seguinte.
Estudei com esta amiga. Fui apaixonado por ela. Mas nunca me declarei. Nada houve entre nós que não amizade.
A vida é feita de surpresas. Por que será, amigas, que o passado está de volta? (ou ele nunca deixou de estar presente?). Vocês mulheres são mais místicas que os homens, por isso pergunto apenas para vocês. E, para apimentar tal misticismo, lembro a vocês que isto se iniciou após eu publicar um texto em que afirmei não me importar com o passado. Desde então, venho me contradizendo!
Será tudo isto um aviso da vida para que eu mude a minha postura? De certo, eu já mudei. Escrevi sobre o que se passou. Farei isto mais vezes, creio.
É a vida. Ela é feita de surpresas e mudanças. Nem sempre são boas. E não é possível que estejamos sempre preparados para tais acontecimentos.
Algo em minha vida está mudando. Será que estou preparado: Não sei! O que sei é que estou de braços abertos para as mudanças. Mudar é bom. Talvez necessário!



Um carnaval passado. Uma mulher passada. (título provisório)

domingo, fevereiro 12, 2006 · 2 comentários

Antes de iniciar um relato, sou obrigado a revelar uma contradição minha. Ocorre que falei que não me prendo ao passado. Mas o fato é que tenho escrito sobre fatos que se foram. Pessoas que não fazem mais parte de minha vida. É uma contradição. A explicação é simples: sou humano!

Carnaval. A auto-estima não era das melhores. Eu era o único homem entre cinco ou mais mulheres. Entre elas, irmã e prima. A pequena cidade mineira estava lotada.
Sei que via aquela loira de vestido, cuja cor, creio, era azul. De maneira que, eu fitava seu corpo com desejo. Finalmente nossos olhos se encontraram. Muitos foram os encontros dos nossos olhares. Mas, em um desses encontros não marcados, ela fixou o olhar. A timidez (ou será a baixa auto-estima?) me dominou. Fugi dos seus olhos...
Diante de seu olhar fulminante, eu precisava tomar uma atitude. Quando o grupo que estava comigo resolveu ir para um bar próximo dali de onde se dava o show, cuja banda não faço idéia qual era, de tão ruim que devia ser, tive a chance de me aproximar daquele belo corpo coberto por um simples vestido.
Hoje, ao ler livros com personagens provincianos, imagino o quanto aquilo representava para aquela bela mulher. Não é por preconceito que digo isto. Ocorre que numa metrópole as “aventuras” são maiores, mais possíveis de ocorrerem. Numa cidade provinciana o tédio bate à porta de muitos. Para mim, as mulheres estão mais à deriva. Isto por que o estilo de vida não é como o das capitais. Sim, elas trabalham. Mas, tem sobre elas o manto da moral. O cuidado que devem ter com sua reputação é grande. Para que não sejam rejeitadas pela sociedade. Tal rejeição, sem dúvida, sempre está pronta para entrar em ação.
Quando passei pela loira disse-lhe que queria conhecê-la. – Depois, foi o que ela disse. Dei de ombros e fui embora. Não queria ficar por baixo. Fui para junto do grupo de mulheres que me acompanhavam. Contudo, não me conformara. Voltei lá e perguntei para ela: – Depois quando? A bela loira se assustou. Daí em diante não me recordo o que falamos. Sei apenas que no dia seguinte nos encontramos no grande parque da cidade. Conversamos muito. Um encontro à noite fora marcado. Nenhum beijo...
A noite chegara. A chuva a acompanhava. A mulher dos meus desejos de carnaval se atrasara. Sei que a chuva foi um dos motivos. Não me recordo de outros. Enfim, nos encontramos. O primeiro beijo possivelmente não demorou muito. O que me lembro vivamente é que o clima entre nós esquentou muito. Nunca em toda a minha vida uma mulher me excitou tanto. Sei que nos controlamos. Desejávamos mais. Precisaríamos de um novo encontro. A vida não quis...
Eu voltei para São Paulo. Escrevi cartas para ela. Recebi algumas também. Falávamos ao telefone. O desemprego me impossibilitou de voltar a cidade. Eu ficava em casa. Lembrava dos fugazes e intensos momentos que tivemos naquela noite quente de carnaval. Precisava reencontrá-la. Até que seu ciúme fez com que brigássemos...
O tempo passou. Voltei à cidade. Não sei como ela ficou sabendo da minha presença. Reencontramos-nos fora da cidade. Ela estava em fase de separação. Havia se casado. E tal casamento fora péssimo para ela. Não podia ser vista com outro homem, sob risco de implicações judiciais. Sei que nos beijamos. Ela contou que após a nossa briga me escrevera. A carta foi para o 417. Moro no 471. Enfim, tudo havia mudado. Fato normal. Depois disto, nunca mais nos falamos. Voltei outra vez à pequena cidade, tempos depois. Levei comigo uma namorada. Foi a última vez que fui lá. Dificilmente voltarei lá. Dificilmente reencontrarei esta mulher. Talvez eu queira. Talvez não. Não sei...



Progresso e meio ambiente (por Adalton Oliveira)

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Para o físico brasileiro Rogério C. Cerqueira Leite[1], se a Terra fosse a uma consulta médica, o diagnóstico seria de que ela está com um parasita, o Homo Sapiens. Há parasitas que se aproveitam do hospedeiro sem matá-lo, mas há os que o exploram até a extinção. Resta-nos saber a que classe de hospedeiros pertencemos.
A ação destrutiva do homem sobre a Natureza vem de tempos remotos, desde que começou a desmatar e a irrigar o solo para o cultivo agrícola. Há evidências de que as concentrações de CO2 começaram a subir há cerca de 8 mil anos atrás – 3 mil anos depois do aparecimento da agricultura - e foram praticamente constantes até o início da revolução industrial, de fins do século XVIII. É provável que o impacto da agricultura sobre o clima da Terra tenha sido compensado pelos próprios ciclos orbitais do planeta que estavam causando uma tendência paralela de resfriamento. Dessa forma, uma atividade humana, a agricultura, teria evitado o início de um novo ciclo de glaciação.
Contudo, as novas formas de organização da sociedade – com base no consumo massificado e no intenso uso de energia derivada de combustíveis fósseis - , estão impactando o clima do planeta de maneira inédita. Desde o advento da Revolução Industrial, a temperatura no planeta à superfície cresceu entre 0,6ºC e 0,7ºC em média e as previsões são de que a temperatura média do planeta suba entre 1,5ºC a 4,5ºC nos próximos 100 anos, valor suficiente para elevar o nível dos oceanos de forma considerável. Esta elevação de temperatura poderá ser – por exemplo - suficiente para derreter a capa de gelo que recobre o oeste da Antártida, elevando o nível dos oceanos em 5 metros, o que seria catastrófico para aquelas populações que vivem em áreas litorâneas, obrigando milhões de pessoas a procurarem novos lugares para viver, o que provocaria profundos impactos sobre todas a regiões do planeta. Os efeitos dessa elevação de temperatura sobre a agricultura seriam terríveis, com crescente redução das áreas agriculturáveis, pois regiões hoje férteis se transformariam em desertos. Quanto aos efeitos sobre a biodiversidade do planeta, teríamos uma extinção em massa sem precedentes na história da Terra.
A idéia de progresso desde sempre dominou a mente humana. Podemos entender como progresso a mudanças feitas no presente e que conduzem a uma situação melhor do que aquela que se vivenciou no passado. Chamou-se de obscurantista aos que se opunham às mudanças trazidas por um pretenso progresso e, assim, poucas vezes os resultados desse progresso foram discutidos. Questões éticas foram postas em segundo plano ou negligenciadas, dando lugar às vantagens econômicas e de poder que o progresso traria. Os estudos sobre o átomo levaram à bomba atômica – vista como um grande avanço na área militar – mas, antes de Hiroshima e Nagasaki, não se discutiu se seria ética sua utilização.
O mundo idílico prometido pelo progresso nunca se realizou, o que vimos foi o aumento da degradação ambiental, paralelo ao crescimento da pobreza, ao advento de guerras, ao surgimento de doenças trazidas pela modernidade, como a depressão e a ansiedade. Obviamente, não se está aqui a se opor ao progresso, estamos tratando da ausência de questionamentos sobre as conseqüências deste ou daquele avanço, sobre a devastação de largas áreas do planeta e a destruição de inúmeros habitats.
Em sua arrogância, o homem se propôs a conquistar a Natureza e a usá-la em seu proveito próprio, sem preocupações com os danos a ela causados. Portamo-nos como se estivéssemos imunes aos efeitos nocivos causados ao planeta, como se nós mesmos não fizéssemos parte do delicado equilíbrio do globo. Antecipando as preocupações ecológicas do final do século XX, o grande filósofo Walter Benjamin dizia sonhar com um novo pacto entre os humanos e seu meio-ambiente, opondo-se à ideologia “progressista” de um certo socialismo “científico” e de um ideal utilitarista que reduziu a natureza a uma matéria-prima da indústria, a uma mercadoria “gratuita”, a um objeto de dominação e de exploração ilimitada.
Para a Economia, mais propriamente para as correntes do pensamento neoclássico, somos maximadores de utilidade, criaturas hedonistas insaciáveis. Dessa forma, o progresso está ligado à idéia de produção de mercadorias e serviços ad infinitum. Não se questiona se tal produção destrói a base sobre a qual se sustenta, ou seja, o esgotamento dos recursos gratuitos oferecidos pela Natureza não é levado em consideração. Para a Economia neoclássica, se a quantidade obtida de peixe numa certa área se reduziu em função da atividade pesqueira intensiva, a solução é pôr ali mais barcos pesqueiros. Um contra-senso!
Mesmo a idéia de crescimento sustentável parece vaga. Não se define exatamente o que deve crescer de maneira sustentável. Seria o produto interno bruto (PIB), a riqueza ou o nível de satisfação da sociedade? Não se sabe. A melhor definição de crescimento sustentável que conheço é aquela formulada pelos economistas ecológicos, que diz: “desenvolvimento sustentável é aquele que supre as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender suas próprias necessidades”. Como fazê-lo? Eis o grande desafio atual da humanidade. Mas, como dizia Karl Marx, a humanidade não se propõe problemas que ela não possa resolver. Esperemos que ele esteja certo.

[1] LEITE, Rogério C. Cerqueira. “Energia renovável: sonho ou realidade?” em A Terra na Estufa, Scientific American, edição especial nº 12, setembro de 2005.

Adalton Oliveira é economista



Tim Maia tinha razão?

sábado, fevereiro 11, 2006 · 1 comentários

Aquela mulher muito me encantou. Fui deveras apaixonado por ela. Não sei se cheguei a amá-la. Já ouvi explicações que amar é aceitar os defeitos alheios. Isto foi algo que não fiz muito.
Certamente ela foi a mulher mais charmosa com a qual me relacionei. Não foi a mais bela. Mas, sem dúvida, foi a que mais me encantou. Hoje, o que sobrou são apenas desencantos...
O tempo passou. Na verdade, continua passando. Lembro-me dela diariamente. Uma mistura de positividade e negatividade invade as lembranças. Aspectos negativos sempre prevalecem.
Tenho cartas que ela me escreveu. Após o nosso rompimento, não reli nenhum de seus escritos. . Guardo comigo a certeza de que o mesmo comportamento ela adotou. Digo isto, pois éramos demais parecidos.
Com esta mulher eu fui romântico. Nenhuma outra namorada provou tanto do meu romantismo. E nossa relação navegou mares românticos e eróticos. Não basta ser apenas romântico. Tanto quanto não vale apenas erotismo.
Ela reatou com o ex-marido. Fiquei sabendo disto já faz um bom tempo. Não busquei mais informações a seu respeito. Ex-esposas costumam reclamar muito de seus ex-parceiros. Com esta não foi diferente.
Jamais tencionei uma reaproximação. Não basta uma mulher que apenas me satisfaça sexualmente. Preciso admirar seus conteúdos. Admiração esta que não tenho por esta mulher. As contrariedades são muitas.
Tim Maia disse que paixão antiga e tão difícil esquecer. No meu caso, não significa que a paixão ainda exista. Apenas há lembranças cristalizadas. Assim, guardo comigo uma curiosidade. Lembrarei dela daqui há dez, quinze, vinte anos? Ou será que uma nova paixão vai apagá-la de minhas lembranças? Só assim terei certeza se Tim estava certo.



Vingativo

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Não sou do tipo que reclama. Sou do tipo vingativo. Seu sou mal atendido, nada falo. Se o humor estiver bom, agradeço. A minha vingança é não voltar mais!
Com isto dito, fica entendido o poder que nós consumidores temos. Isolados, podemos produzir algum estrago. Imaginemos juntos, unidos. Pensando nisto, talvez eu funde o partido dos consumidores. Devaneio meu? Não gostaram do texto? Não reclamem! Vinguem-se! Não voltem mais!



Um pouco de mim

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No ano anterior a este conheci algumas mulheres. Poucas, na verdade. Visualizei um relacionamento. Fiz algum esforço. Não vingou. Perdemos contato. Após um reencontro, tivemos a certeza que não queríamos ser namorados. Foi melhor não ter iniciado nada. Hoje somos amigos. Logo tomaremos um café.
Um homem romântico é o que sou. Um relacionamento para mim é algo sério. Mas, evidentemente, envolto em muita diversão. Sou seletivo. Na verdade, muito seletivo. Não sei se vou a extremos. Carrego comigo algumas incertezas.
Já faz um bom tempo que não namoro. Estive com uma mulher no ano passado. Foram três semanas fugazes. Ambos concordamos que não foi um namoro propriamente dito. A amizade ficou.
Bom, falei um pouco de mim. Fiz algo que uma amiga pedira. Mas dizer que fiz isto para atender ao seu pedido não é a verdade.



Quem está errado? Eu? Vocês? Quem?

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A semana que passou, passou. Outra vem. Não promete novidades. Quer ser igual. Para que seja uma boa semana, depende muito de nós. Mas a verdade é que deixamos para a sorte. E esperamos uma boa semana. Bem como desejamos o mesmo para os amigos.
Esta foi uma boa semana. Terminei de forma muito prazerosa. Bom filme, boa companhia. Café. Pipoca ruim. Um pouco de música. Diversas indagações.
Agora, a chuva cai. A temperatura caiu. Sigo em casa sem planos. Quem sabe repetir a sessão de cinema de ontem. Desta vez, sem pipoca!
Filmes bons me agradam. Tenho predileção pelos antigos em preto e branco. Temas existenciais. Gosto do cotidiano. Realistas.
Agora, sejamos sinceros. O que importa o meu gosto sobre filmes para vocês? Por que eu escrevi sobre esta minha predileção? Ausência de assunto? Quebra total? Por quê?
Creio que ninguém vai me responder. Assim, seguirei fútil. Falarei sobre o que não interessa a vocês. E seguirei cometendo este erro. Porque vocês se calam. Quem está errado? Eu? Vocês? Quem?



Pizza boa. Namoro ruim.

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Faz tempo que não vou a uma pizzaria. Bom, acabo de lembrar, não faz tanto tempo assim. No final do ano passado estive em uma com uma boa amiga. Tal lembrança me obriga a fazer mudanças no que vou escrever. Assim o farei.
Eu iria dizer que a última vez que fui a uma pizzaria foi para duas vontades: comer pizza e terminar um relacionamento. Isto, como já foi explicado, não é de todo verdadeiro. Fiquemos então com as duas vontades.
Amigas gostam que eu relate fatos. Agradam-se com o estilo, a forma. Assim, relato este fato de minha vida. Um rompimento que fez "vítimas" uma mulher e este que escreve.
Estávamos os dois ali. Um casal que deixará de beirar a perfeição. Muitos casais incorrem nisto. Muitos relacionamentos têm prazo de validade. Dê uma boa olhada no seu.
A bela pizzaria fora completamente reformada. Mudara totalmente. Com o meu namoro não foi possível fazer o mesmo. Restava a implosão.
Deixei que ela escolhesse o sabor. Tive que corrigir o tamanho da pizza, fato este que a desagradou. Não que estivesse com fome (ou será que era isto?). Apenas se sentiu ofendida. Eu entendi, e, de certa forma, gostei.
Naquela noite ela não me era bela. Todo o meu encanto se fora. Estar ali era apenas um dever. Terminar era imprescindível. Para tanto, minha presença era obrigatória.
Ela iniciou a conversa. Perguntou se eu estava bem. Assenti positivamente.
A pizza estava ótima. O namoro não. Ela tentou ser carinhosa. Não via muita verdade. Terminamos gentilmente. Havia uma melancolia no ar. Toda a infelicidade dela me atingia. Éramos recíprocos.
Ela levou-me até em casa. Ao despedir-me, fui muito sincero. Dei um curto abraço. Creio que tenha desejado boa sorte. Assim terminara o que um dia pareceu um sonho, de tão bom. E que se tornou um pesadelo ao final. Finalmente acordamos.



Celebrando a alegria (ainda que com gotas da chuva fina)

sexta-feira, fevereiro 10, 2006 · 0 comentários

Entrei no ônibus ávido por algo. Vocês conseguem adivinhar? É simples. Falo a seguir.
Entrei. Sentei. Busquei papel e caneta. Ambos em minha bolsa. O texto em minha mente. Tudo pronto. Está explicado a minha gana.
O calor me anima. Mas hoje a chuva fina veio. Depois se foi. Voltou. Insistiu. Tentou ficar. Não ficou. Deixou gotas que não secaram. Mas agora celebro a alegria. Que não é em excesso. Podia ser um pouco mais. Mas, certamente, muito melhor que aquela chuva fina chata, bem chata…
Estava em um evento. Futuros publicitários colando grau. A maioria por mim desconhecida. Sou novo no campus. Este é o motivo.
A festa. A bagunça. Piadas. Risadas. Toda a descontração me contagiou. Foi bom para mim. Imaginei a minha vez. Espero rir muito. Emocionar e me emocionar.
Pena que nem todos têm a sua vez. Bom, é a vida. O momento agora é de celebrar a alegria. Celebremo-na.



O final é ruim (do texto)

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Dois Bandeiras se foram. Preciso estar no metrô antes que a hora zere. Corre contra o tempo. Corre contra o vento. É o ônibus que vai. Velozmente. Como se soubesse da minha pressa. Não sei se dará tempo. Não calculo. Escrevo, isto sim. Já penso nas alternativas. Sou sempre assim frente aos problemas. Visualizo soluções. Não sei se são as mais acertadas. Fico sabendo depois.
Prossegue o ônibus pelo corredor. Avenida Nove de Julho. Deixa carros para trás. Coletivo à frente. Assim tem que ser.
Termino aqui. De repente parei para pensar. Receei como prosseguir. Incerto, apenas finalizo. Sei que não é um bom final. Perdoem-me. É assim mesmo. Não consigo ser o mesmo sempre.



Sobre o passado

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Uma boa amiga pediu-me para relatar fatos de um passado mais distante. Não o faço. Não gosto. Ocorre que não me prendo ao passado. Sou muito presente. Futuro também. Esqueço o que passou. É um tanto frio isto. É uma característica. Sou assim. E, confesso gosto disto. Sinto-me mais forte. Não indago se estou certo. Apenas o passado para mim se foi. Já era. Não me importa.



Sem sono, sem palavras...

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Sono que não vem. Insônia que leva as palavras. Se o sono me faz solitário, ao menos poderia me deixar palavras como companhia. Assim, tal esforço para escrever seria desnecessário.
Mas isto é um pouco da vida. Nem tudo é como queremos. O que eu mais queria agora? Dormir? Escrever? Dúvida que tenho. Não, pensando bem, não. Queria escrever e dormir. Mas isto não é possível. Então, não durmo e não escrevo.



Terceira tentativa

segunda-feira, fevereiro 06, 2006 · 0 comentários

Terceira tentativa. Quem sabe sai um texto. Não me obrigo a fazê-lo. Mas sinto um desejo. Percebo uma possibilidade. Trata-se, então, de uma oportunidade. Melhor não perdê-la. Chega de perder.
A vida é assim. Perde-se e se ganha. Para alguns, diversas vitórias. Para outros, a sorte é outra.
Nesta terceira tentativa já me vejo vencido novamente. É, creio que me enganei. Não estou apto para escrever. Às vezes visualizamos falsas oportunidades. Creio que seja este o caso. É uma pena, confesso. Quisera escrever algo de muito belo. A pouco tentei discorrer sobre conflitos entre homens e mulheres. Reclamações recíprocas. Bom, a verdade é que as mulheres reclamam muito mais. Sinceramente, não me recordo de reclamações masculinas. Parece que os vilões, portanto, somos nós homens. Assim, é necessário que nós homens façamos reflexões. Olhemos a alma das mulheres. Elas são muito mais que peles macias e cheirosas. Corpos atraentes ou não.
Enfim, não condemos a nós homens. Somos deveras visuais. Eu sou radicalmente visual. Mas sei que é possível amar a alma feminina. Amor este, imprescindível. É só isto!



O povo precisa estar no poder

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Política. Tema deveras importante. Sou apenas um leigo que tem grande interesse pelo assunto. E sempre penso no favorecimento que as elites têm com o descaso da maioria da população pela política.
É fácil perceber que a maioria dos ocupantes de cargos para os quais foram eleitos são pessoas de grandes posses. Isto, penso, deve mudar. O poder deve ser tomado pelo povo. Aqueles que são parte da elite (nem todos) trabalham pela manutenção dos privilégios desta classe social.
Não se pode deixar de mencionar que há gente do povo no poder. Não diria que o Lula se trata de um bom exemplo. Sua origem é humilde. Mas hoje ele é um homem rico. Chegou rico ao poder. E com os ricos ele convive.
Claro que há pessoas abastadas que pensam no Brasil como um todo. Suplicy é um deles. Jéferson Perez (PDT – AM) é outro. Senadores, estes são grandes nomes da política nacional.
Mas, infelizmente, a maioria da classe política é da elite. Assim trabalham pelos interesses financeiros e pessoais deles. Não trabalham por mudanças que beneficiem o povo mais pobre. Lutar por uma melhor distribuição de renda, poucos, quase nenhum, são os políticos que fazem isto. Necessário, então, a organização do povo. Sua luta democrática pelo poder. Esperar não vale. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.



Equilibrio emocional

quinta-feira, fevereiro 02, 2006 · 1 comentários

Fiz uma pergunta a diversas mulheres. Utilizei do e-mail. Ferramenta poderosa de comunicação. Perguntei o que elas mais procuram nos homens. Quase nenhuma delas respondeu. Fato normalíssimo. Mas uma resposta chamou a minha atenção: equilíbrio emocional.
Você tem razão, amiga. Sem equilíbrio emocional fica tudo complicado. Não basta isto, como esta amiga disse. Mas este quesito é deveras fundamental.
Claro que isto vale para homens e mulheres. A idade não importa. O fato, penso, é que sem equilíbrio emocional a conquista da felicidade se distancia. Assim, é dever de todo ser humano manter-se equilibrado emocionalmente. Usar das ferramentas possíveis para tanto. Com relação aos que estão fora de eixo, tenhamos compreensão.



Contrapontos

quarta-feira, fevereiro 01, 2006 · 0 comentários

Folha à minha frente. Lá fora o asfaltou segue molhado. A temperatura está agradável.
O barulho do ônibus é suportável, sem contudo deixar de incomodar. O mundo segue seu ritmo. “O tempo não pára”. Prossegue impiedoso. Olho pela janela e vejo portas fechadas. Parte da cidade descansa. Casais se encontram amorosamente. Pais brincam com sues pequenos. Cães saúdam a chegada dos donos. Mulheres recebem flores. Cartas de amor mal escritas são lidas. O mundo gira. Contradições ocorrem. Contrapontos. Conversas sérias. Rompimentos. Lágrimas. Vozes alteradas. Esposas aflitas. Maridos nos botecos. Crianças sem carinho. O mundo e seus contrapontos. Nem tudo são flores! Segue o ônibus o seu ritmo. O cobrador se mostra entediado. A lataria faz barulho estranho. Carro velho. Olho pela janela. Penso o porquê de ter começado de forma tão positiva e, posteriormente, minha inclinação para o negativo. Tenho a resposta. É para ilustrar um pouco o mundo. Ele é assim. Ausência e presença de belezas. Contradições. É a vida. Se hoje você ri, amanhã você chora. O inverso vale também. Então, fique tranqüilo. A angústia vai passar. Os pensamentos vão melhorar. Mas é bom se fortalecer. Chuvas ocorrem. O mundo é assim, um grande contraponto.



Universo feminino, gosto... Panelas e tampas

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Cheguei da rua há pouco. Bar com amigos. Na noite de calor, muitas mulheres belas. O calor realça suas belezas. A pele fresca se contrapõe ao clima quente.
Às vezes, na verdade, muitas vezes, eu indago amigas sobre o universo feminino. Gosto de fazer isto. Quero entender melhor as mulheres. Certamente um ser mais bonito que o seu sexo oposto.
Amo a sensibilidade feminina. Acho incrível a vulnerabilidade para as lágrimas. A diplomacia que as que são delicadas (nem todas são como seda) têm.
Escrever isto me faz lembrar algo. Dizem que toda panela tem sua tampa. Isto é preocupante. Não sei se carrego nesta preocupação alguma razão. Mas o fato é que há tantas panelas ruins! Então, coitada da mulher eleita para ser a tampa do sujeito com quase nenhuma sensibilidade para com a alma feminina. Bom, vai ver até que é o encontro da rudeza. Panela e tampa. Se assim for está resolvido? Não, não está. O que se tem é o passaporte para a infelicidade. Do casal e dos prováveis filhos. Aí reside uma preocupação maior...



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Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


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