Mais um pouco sobre relacionamentos...

sábado, janeiro 07, 2006 ·

Eu queria falar sobre relacionamentos. Mais especificamente sobre o período da conquista. Como é boa essa fase! Quem não gosta?
Eu penso que ela deva ter o ritmo ditado pelo casal. Jamais deve haver pressa. E as gentilezas não devem ser esquecidas. Claro, que dificuldades aparecem. Erros são cometidos. Às vezes pisamos forte no acelerador. Uma das partes, então, avisa o outro que também existe o freio. E assim tem-se novamente o ritmo adequado.
É muito bom galantear uma mulher. E isso só é bom quando ela se faz galantear. Quando é alguém que merece ser tratada com muito cuidado e educação. A naturalidade jamais deve sumir. Artificialismo não dá bons resultados.
Há mulheres que são encantadoras. Que tem muita classe e delicadeza. E tem algo que é fundamental: uma bela alma. Porque de nada adianta uma beleza exterior sem uma conformidade com a beleza interior.
Cada indivíduo tem uma forma de conquistar. Para mim, está claro que o bom humor nestes momentos é imprescindível. Talvez seja o principal tempero. Quando um diverte o outro. Quando o casal saí do real. Os momentos assim se tornam inesquecíveis.
O que há de muito belo, é imaginar que neste exato momento em que escrevo, há um casal na fase da conquista. A mulher sorrindo. O homem sendo delicado. Deixemos de lado o interesse puramente sexual. Ele existe. Fiquemos com o romantismo. Com a conquista baseada nos sentimentos. E imaginemos que neste exato momento um casal apaixonado se beija...
Então, é pensando nestes casais que escrevo. E eu conheço alguns casais apaixonados. Conheço algumas mulheres apaixonadas. Que falam de seus pares com absoluta paixão. Também conheço mulheres que estão há muito tempo sozinhas. Mulheres que já estão um tanto desiludidas. E não conheço nenhuma mulher que não tenha tido uma decepção amorosa. Enfim, é a complexidade do mundo do amor. Sempre haverá sorrisos. Lágrimas também jamais deixarão de existir. A dinâmica não pára. Às vezes ocorrem trocas. Quem está com alguém fica sozinho. O inverso também se dá. E o mundo segue com as pessoas querendo encontrar o seu amor. Tudo isto independente da opção sexual...
Quero dizer algo positivo às mulheres. Conheço homens que as respeitam. Que são fiéis. Que são sentimentais. Que não querem outra mulher, senão a que eles amam. Isto é belo. É raro. Nós homens temos uma péssima fama. Desta vez não foi um pequeno grupo que nos difamou. A maioria é culpada.
Enfim, falei um pouco sobre relacionamentos. Fui por vários caminhos. E agora confesso minha dificuldade em terminar. Parece que estou tratando com uma namorada que já não gosto mais. Pois sempre tive dificuldades em terminar relacionamentos. Neste caso, não posso esperar que o texto termine por si só. Eu que tenho que terminar. Enfim, termino.



1 comentários:

RUBI disse...
janeiro 24, 2006  

Eu de novo...

Realmente a fase da conquista é inesquecível...mas é uma pena q as pessoas pensem que essa fase obrigatóriamente tenha q ter um fim...
Que delícia seria se essa conquista fosse diária...cada dia um gesto inesperado...sem nunca chegar ao pronto.
Mas isso exige amantes interessados nao apenas na conquista em si, mas na qualidade do amor conquistado...Zenna

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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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