EU. VOCÊ. O OUTRO VOCÊ

sábado, dezembro 30, 2006 · 0 comentários

Não leia. Pense nas oportunidades que passaram. Que você não sabe o que perdeu. Faça o mesmo com este texto. Mas não o encare como uma oportunidade perdida. Seria pretensão de quem escreve. Apenas compare. Reflita. Faça deste texto ilustração de sua vida. E fique tranqüilo. Oportunidades passam. Outras surgem. E este texto passará em branco por você. Outros virão. Assim se espera. Você poderá ler ou não.
Será que você ainda está aqui? No texto? Olhos presos? Curioso? Ou se chateou ao lembrar daquela oportunidade? Algo que você queria esquecer. Assim o primeiro parágrafo lhe foi inconveniente. Então esqueça. A oportunidade. O parágrafo...
A oportunidade por um texto vem. Deixo-a passar. Creio poder escrever posteriormente. Mas se vai a idéia. E o texto inexiste, então. Cobro-me? Às vezes! Mas os assuntos não cessam. E não é preciso que haja somente desgraça para escrever. O belo também produz interesse. Este foi o parágrafo reflexivo, creio.
Talvez você tenha aceitado o pedido. Deixado este texto de lado. Termino imaginando a não leitura. Não quero adivinhar onde está você. Isto não importa. Sei que imagino sua ida. Para onde, pouco sei. Na verdade, nada sei. E você se foi. Ou não. Segue passos. E aqui vai o texto. Segue passos também. Busca palavras. O encontro é tranqüilo. É a oportunidade para um texto. Um aproveitamento que não importa se é feliz. Foi experimentado. Aproveitou-se o momento. E sabe se perdeu ou não o tempo. Bom, na verdade o tempo sempre é perdido. Ele sempre se vai. Como você. Que não leu o texto. Optou por outro algo. Diferentemente do outro você. Que leu. Chegou ao final. E calou-se. Sorriu? Não sei! Arrependeu-se? Não sei! Nem eu. Nem você. Só quem sabe é o outro você. Enquanto nós sabemos apenas nós. Cada um de si.



BLOG LISONJEADO

quinta-feira, dezembro 28, 2006 · 0 comentários

Caminhos agressivos. Não mais que desonestidade por aí
O blog está lisonjeado. Duas professoras tencionam usar textos dele em suas aulas. O que é muito gratificante para este que escreve. Uma delas quer assuntos polêmicos, como a política. Outra até deseja convidar o autor dos textos para discuti-los com os alunos. Fato extraordinário.
Gerar identificações. Semear debates. Acordar. Emocionar. São algumas das intenções deste sincero blog. Que tem feito isto timidamente. Claro que permanece vivo o desejo de um texto tirar todos do silêncio. Por exemplo, do silêncio em relação aos desmandos da nossa classe política. Ou da nossa péssima distribuição de renda. Não só aqui no Brasil. Atentar para a desnecessidade do luxo. Que de nada vale estar num cruzeiro enquanto alguns estão em barracos fétidos, com cheiro de lixo e ratos como vizinhos. A sociedade é um caos que finge normalidade. A democracia é uma cortina. Bush a usa para dizer que tudo é perfeito. Enquanto a pobreza rola solta. Com armas tenta levar democracia ao Iraque! Nada democrático o ato! E aqui no Brasil? Bom, aqui os militares fizeram muita gente sofrer. Quase acabaram com a nossa economia. Aí, civis “bem intencionados” lutaram por diretas já. Conseguiram. Muitos destes civis são os mesmos que hoje assaltam os cofres públicos.
O problema está na democracia? Não. O problema é como ela é exercida. E por quem ela é exercida. O fato é que tomaram o poder. Uma classe, praticamente toda composta por membros da elite, está no poder. Governa para si. Enquanto o povo dorme. O fio de esperança são os movimentos sociais. Mas muitos nem querem ouvir falar de política e políticos, ou até de governo. Não pode ser assim. Os movimentos sociais devem gerir figuras políticas. Colocá-las no poder. Apear os milionários da gestão do Estado. De uma vez por todas, milionários estão preocupados com seus negócios. O povo não importa.
Assim. Enquanto escrevo, este silêncio. Parece tudo normal. Mas os tiros estão saindo. Dinheiro entrando em contas erradas. Miséria mantida. Água que não chega. Estrada que não fica sem buraco. Ferrovias devagar (boa notícia: serão investidos mais de 12 bilhões de reais nas nossas ferrovias; espero que sem desvio de verbas e que não seja meramente para favorecer a amigos do poder). Saneamento não universal. Escola que ensina a odiar os estudos. Talentos desperdiçados. Salários abusivos no funcionalismo público. Grupos pequenos, bem pequenos, aumentando seus próprios salários. E não é por que trabalham muito. Governantes se negando a tornar a administração pública mais eficiente. Preferem o uso político da máquina. Muitos deles se fingiram de esquerda enquanto era bom do ponto de vista de marketing político. Corruptos são perdoados. Fatos criminosos contra a administração pública são esquecidos. Empresários corruptos são apadrinhados. Membros da imprensa se calam. E ninguém se pergunta por que pouca denúncia sobre corrupção nos jornais se é sabido que tanta corrupção há neste país. Desonestos andam de nariz empinado em carros blindados. E o pior é que são admirados. E tem gente apenas revoltada contra aquele pobre que está atrás das grades. Tem ladrão até que é eleito deputado. E tem deputado que vai lhe dar parabéns. É isso. Espertos são os que enganam. É o país dos "espertos". Onde alguns ganham muito. Outros ganham um pouquinho. E este pouquinho já lhes basta. Quando muito melhor seria que todos ganhassem. Pois todos ganhando tem-se a possibilidade de maior proximidade com a harmonia. Mas isto seria para uma sociedade desenvolvida. Sem lideranças. Mas com a participação coletiva. Mas é isso. Enquanto o lucro for venerado. O status social for o mais importante, idiotas seguirão sendo enganados. Por outros não menos idiotas. E cada um fará de tudo para estar do lado dos que enganam. Sem saber o quanto são idiotas. Que a vida é muito mais que ganhar dinheiro. Bom, é isso. Texto meio agressivo? Não mais que a desonestidade que há por aí.
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COM PRESSA. SEM DESESPERO

quarta-feira, dezembro 27, 2006 · 0 comentários

Sobre muito há o que o escrever. Quantos fatos eu não mencionei. Os 21 projetos de combate à corrupção que foram engavetados pela atual legislatura do Congresso. Ou o fato de que metade das riquezas do mundo está nas mãos apenas de 1% da população mundial. São dois exemplos os quais eu pensara em produzir um texto a respeito, indignado que fiquei. Não passei da intenção. A indignação permanece. Silenciosa. Brasileira. Este blog de fato é um palco da vida.
Hoje não há assunto. De minha parte. Pois os fatos seguem ocorrendo. Aviões não decolam. A TV não pára de falar sobre isto. Pobres não são atendidos com a devida pressa nos hospitais públicos. Esta espera não importa muito à imprensa. Já se tornou comum. Milhares seguem não encontrando emprego. Outros milhares anseiam por um amor. Bombas ainda explodem. A fome segue matando. O individualismo também. É melhor não esquecer que prossegue existindo luxo desnecessário.
Enfim, há muito que dizer. Talvez seja necessário pressa. Não vale desespero. De certa forma eu disse algo. Até tenho pressa em dizer. Não tenho desespero.



BEXIGA. BALADA DE QUALIDADE

segunda-feira, dezembro 25, 2006 · 0 comentários

Bexiga. Rua 13 de Maio. Região Central. A chuva passou. Guarda-chuva na balada não é elegante. Deixo então o paráguas em um vaso de flores na bela rua. E sigo caminhando. Pensei que fosse mais perto. Mas vale a penar caminhar por aquelas calçadas por mim desconhecidas.
Fico encantado com as cantinas italianas. Tudo com muito glamour. Pergunto. Preciso de certeza. Será que estou no local certo? Basta seguir em frente. Ainda está um pouco longe. Táxi, não é o caso. A caminhada passa rápido, diz simpaticamente o manobrista.
Café Piu Piu. Placa discreta. Nome engraçado. Visual agradável. As duas moças à minha frente. Reparo libidinosamente em uma delas. Não são belas. E parecem que não vão entrar. A casa não aceita cartão de crédito. Estamos em São Paulo!
Dez reais. Não estou muito à vontade. Miro pelo vidro. Não vejo a anfitriã. Entro. O ambiente é agradável. Segue quase vazio. Toca música de boa qualidade. Logo avisto a bela aniversariante. Surpreendo-me com sua beleza. Já a havia visto outras vezes. Bela também. Mas não tanto quanto hoje.
Sou o primeiro convidado a chegar. A pontualidade me acompanhou. Ela não está sozinha. Chegara junto com uma amiga simpática e com bom papo.
Descontração. Bom papo. Boa música. Uma bebida com pouco álcool. Telefonemas. Nem todos vêm. Alguns estão chegando. Outros desistiram. Um deles está doente. Presença muito desejada.
A mesa vai ficando pequena. Os demais convidados vão chegando. Um casal. Outro casal. Sócios de empresa. Solteira e solteiro. Uma mesa a mais. Cadeiras para todos. É só curtir a noite. O show ao vivo começou.
Rock de alta qualidade. Danças. O som alto cala as vozes. No intervalo, algumas palavras.
Sigo tranqüilo. Meu olhar não busca olhares. Curto a noite. Todos descontraídos. Já faz tempo, subtraio a minha bebida já um tanto enjoativa.
Volto ao banheiro. Desta vez não erro. Segurança nenhum precisa me retirar do banheiro errado. A casa está mais cheia. Creio que no ideal. Em dias comuns, fica difícil se deslocar, sou avisado.
Muita madeira no ambiente. Pessoas bonitas. Público mais maduro. Bom preço. Ótima localização. A temperatura já não é tão agradável. Um calor incomoda.
À mesa. Eu e ela. Bom papo como sempre. A aniversariante está feliz. O papo ameaça sedução. Sigo cuidadoso. Pouca ousadia. Já carrego certezas. A certeza de um beijo está implícita. Ela levanta-se com sua amiga. Convida-me para dançar. Aceito. Mas ainda aguardo. Elas vão para o meio da pequena multidão. Olho. Levanto-me. E sigo atrás.
Paradas. Perto da saída. Comentam sobre um rapaz. Pego nas mãos da aniversariante. Maciez em meus dedos. O primeiro toque. Sua amiga nos deixa a sós. O primeiro beijo...
A boa música prossegue. Não vejo muitos casais. Não há tanta paquera. Nem eu beijo tanto. Vez em quando eu e a aniversariante nos beijamos. Absoluta tranqüilidade.
O show vai acabar. A madrugada ainda dura mais um pouco. O grupo segue harmonioso. Observo sem a intenção de um texto. Subtraio muitas informações. Não escrevo tudo do pouco que vi e notei.
Contas pagas. Não vou embora sem um café. Lá fora, a sugestão. Hot-dog para todos. O vendedor não gosta de pedidos picados. Quer que peçam tudo de uma vez. Parece insultar os clientes. Carrega consigo uma ironia pouco refinada. Logo vira motivo de piada. Uso-o como inspiração.
Carona. Algumas risadas ainda. Metrô. Cansaço. Muito cansaço. A volta para a casa. Vocês devem estar perguntando sobre a aniversariante. Ela já se foi. Despediu-se carinhosamente. Um convite para almoçar. E agora, um único desejo. Deitar-me. Cerrar os olhos. Dormir. Descansar. Balada de vez em quando. O corpo não acostuma.



SILENCIO DE MI ALMA

sábado, dezembro 23, 2006 · 1 comentários

Uno texto. Solo quiero uno. E decir algo. Que no sé lo que es. Pero, escribir. E quien sabe encontrar la pauta en este parágrafo. En este caminar que hago con palabras. Sé que tengo un deseo. Quiero escribir. Pero hago equivoco. No sigo libre. Mi pensamiento está preso. Quiere una pauta. Como se fuera la pauta indispensable.
Toca la canción. El viejo Chico, un cronista. Pero mi atención está en mi deseo. Escribir. Hay alguna cosa extraña. Siento como si alguna persona suplicase un texto. Una obligación de escribir para esta persona. Pero, ¿Quién será?
Pienso en una mujer. Recuerdote de sus ojos. Su olor. Su suavidad. E sus deseos. Ella allá. Yo, acá. Un pensando en lo otro. La aceptación de que las cosas ni siempre son como deseamos. Pero no hay sufrimiento. Hay deseo. Cariño. Saudades.
El proseguir del texto. El deseo por nuevos caminos. Como en los pensamientos. Que vienen. Cambian. Sin organización. Y entonces aquella mujer. Sus ojos en mis ojos. Su vestido delicado. Y… La fuga del pensamiento…
La canción es otra. No la tengo atención. Oigo que mi alma quiere silenciar. Mi cuerpo desea acostarse. No es tristeza. Sueno, sólo. Bueno, creo que sea esto. Escribí. El texto no me contenta. Pero es esto. Y ahora ya no es más nada. Solo el silencio. De mi alma.



TORTURA NUNCA MAIS!

quarta-feira, dezembro 20, 2006 · 0 comentários

Final de ano. Trânsito. Shopping
Trânsito. Calor. Ansiedade. O shopping abriu há pouco. Está lotado, incrível! O desespero pelo produto. O stress da procura. Nem a companhia agradável ajuda. Chega de escolher. Talvez esta sirva. Agora é a fila. O caixa está cheio.
Qual é mesmo a senha do cartão? Quatro números! Mas quais? Sorte da lembrança da anotação. A senha era realmente aquela. Parcelamento. 2 x sem juros.
A fome bate fortemente. Fraqueza. Desespero. Onde foi parar a companhia? Olha. Procura. Anda por ali. Por lá. Cadê? Incrível! Como ela foi sumir? E a fome castiga. E procurar parece em vão. O jeito é anunciá-la na rádio da loja.
A companhia surge. Onde você estava é a pergunta óbvia. Agora é correr para uma lanchonete. Vai a que está mais próxima. Não tem pão de queijo. Os salgados são rejeitados. Um café. Onde? É só caminhar. Mas a fraqueza pede poucos passos. O quiosque é avistado. Mas não aceita cartão. Com a fome, não dá nem tempo de pensar no absurdo. Um estabelecimento comercial que só aceita dinheiro em papel ou metal!
O jeito é ir lá fora. Tem a casa que vende pães de queijo. Não importa se não tem muito gosto. Há outra perto, a companhia sugere. Não, vai este mesmo. Um banco apenas para sentar. R$ 1,70 o pão sem graça. Não! Não vale! Cadê a sugestão? É perto? Melhor ir para lá!
Aperto. Lotação. Senhas. Contradição. Vai salgado mesmo. Uma esfiha. Um café. Para ela, suco e esfiha de outro sabor.
O salgado está esbranquiçado. Mas a fome não vê cor. Uma cadeira. Não são muitas as que estão livres. Passar pelo labirinto. Sentir o stress aumentar. E calor, muito calor!
A primeira mordida. Cena de desespero. Nem viu a moça linda que tanta vezes vira. É que anda olhando menos. E ela está linda. Passa. Vai pra algum lugar. O que permanece é o stress. A fome diminuiu. Depois do salgado, o café. E ainda tem o suco dela! Tem que pegar a fila pra entregar a senha!
Suco com açúcar. Não, sem açúcar! Gelo. E a fuga. Sair dali. Sumir. Nunca mais voltar. A simpatia da dona de pouco valeu. Agora é caminhar debaixo do sol. Procurar o carro. E enfrentar sem vontade o trânsito.
Final de ano. Melhor ficar em casa. Ou viajar. Enfrentar um shopping lotado é masoquismo. Antes, o trânsito maluco e agressivo é soma na tortura. A alternativa é fazer as compras antes. Em novembro. Pela manhã. Sem carro. Usar o transporte público. E tomar café em um lugar tranqüilo. A companhia pode ser a mesma.
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SUPUESTO ERROR DEL TIEMPO

domingo, dezembro 17, 2006 · 1 comentários

El hombre. La mujer
Un hombre. Una mujer. Deseos. Besos. Toques. Olores. Y la prohibición. ¿Que hacer? ¿Y ahora? ¿Lo que será? Ellos no saben. Tienen miedo. De sus deseos. De la responsabilidad. Pero, los freos están débiles.
Ello. Las mujeres. Su libido en alta. Quiere mujeres. Sigue abierto para los encuentros marcados por la vida. Ella. Una mujer especial. Miedo del abandono. Y mucho miedo de sus deseos…
Ella sabe. El hombre quiere una mujer. Talvez más que una. Ella entiende. Sólo no quiere el fin de lo que hay entre ellos.
Una carta sin firma. La confesión de los sentimientos. De los deseos. De los sufrimientos de el cuerpo. De los miedos de los deseos…
El beso. El encuentro de lenguas. Labios. El toque en la pele. El olor de ella que a él le agrada. Ojos en los ojos. La expresión de deseo. Lo cambio de sonrisas. Palabras. Invitaciones. Devaneos. Y besos, más besos…
La súplica. Mejor parar. La fragilidad de las fuerzas. Atracción. Cariño. El deseo por la presencia. El recuerdo de la prohibición…
Un hombre. Una mujer. La sorpresa. Cosas de la vida. El placer con las dudas. El error del tiempo. ¿Elle llegó en la hora errada? ¿Quién sabe? Los dos no saben. Sólo saben que se desean. ¿Uno encuentro apenas? ¿Bastará para apagar la llama? ¿O incendiará los encuentros? La respuesta. No hay ahora. Lo tiempo pasará. E sólo así ellos sabrán lo que será.
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ESCÂNDALO NO ÔNIBUS. UMA MOÇA CONHECIDA. E O MEU MORALISMO

sexta-feira, dezembro 15, 2006 · 0 comentários

O ônibus pára em frente ao posto policial. Buzina. Chama pelos guardas. Dentro do ônibus, a moça grita. Chora. O álcool a faz perder a noção de bom senso. O cobrador quer que ela desça. Juntamente com sua amiga, que vomitara vinho pelo piso do coletivo. Eu já não leio mais. Observo. Igual aos demais.
A moça alcoolizada. Os gritos. As ameaças. Os palavrões. E a tentativa de humilhar o cobrador. Lembro-me dela. Fizemos juntos uma aula no SESC. Ela pareceu-me de bem com a vida. Muito simpática. Rosto sorridente. Sei lá se eram máscaras.
Sei que ela mora próximo à minha casa. Mas jamais a cumprimentei. Também estuda na universidade em que trabalho. No mesmo campus. Mas jamais nos falamos. E nem desejamos algum contato.
Eu caminhava para o ponto de ônibus. Há mais de um mês eu optara pelo metrô. Mas ontem resolvi mudar. Não gosto da mesmice. Gosto de variar. Próximo à escada sinistra que me levaria para a Avenida 23 de Maio, cujo trânsito não é interrompido por nenhum farol, eu avistei a moça. Ela abraçava um rapaz. Uma outra moça se ria de costas para o público. Reparei em seu corpo. Gostei do que vi. Mas olhei rápido. Desci a escada. Cercada de matos e mau cheiro.
O ônibus não demorou. Para a minha surpresa, não estava lotado. Entrei e busquei um assento. A moça desocupou o que seria meu espaço. Suas tralhas podiam ficar em seu colo. Não fui simpático ao pedir licença. Ultimamente não tenho sorrido muito para estranhos.
Sei que as moças adentraram ao ônibus. Suas risadas altas me incomodavam. Gosto de discrição. Não sei os motivos que as fizeram demorar tanto para passar pela catraca. Uma delas sentou-se ali na frente, próximo a mim. A que faria o escândalo permaneceu em pé. Insistia que sua amiga fosse para o fundo do ônibus. Cochichava algo em seu ouvido.
Vômitos. Risadas. Piadas do cobrador bem humorado. Que pede que a moça não ande pelo coletivo, para que não haja risco de sujá-lo ainda mais. De forma truculenta, a minha vizinha trata mal o profissional responsável pela catraca. Tenta humilhá-lo. Diz que seu salário é para limpar vômitos. Em seguida solta um palavrão tão feio quanto o seu comportamento.
O cobrador levara tudo com bom humor. Mas de repente dá uma dura na moça alcoolizada. Inicia-se uma discussão. Ela se mostra muito agressiva. Revela desejo em lhe dar um tapa na cara. É ameaçada pela intenção de um murro. O que a deixa escandalizada.
Berros. Choro. Buzinadas. Dois guardas adentram ao ônibus. O cobrador denuncia a moça em prantos. Ela ameaça agredi-lo novamente. É avisada que pode ser presa. Está claro que os militares a têm como a causadora da desordem. O fato de estar embriagada atenta contra ela, que cobra de nós passageiros coragem para confirmar que foi ameaçada de levar um murro. Ninguém o faz. Eu desejo que os guardas a levem. E um dos tenentes, com a arma na mão, solicita que ela vá para o fundo do ônibus. Ele parece bastante despreparado para a situação. Creio que está mais acostumado a agir com truculência. Ordena que o cobrador se cale. E levanta a voz para a moça, ordenando sua ida para o fundo do coletivo. Sem mais, ela sai andando pelo corredor. Desce pela porta traseira. É seguida pelo tenente mal encarado. O outro, mais calmo, faz o mesmo. A moça grita indignada. Quer que o cobrador fique também. E chora. Eu olho para seu rosto. Carrego comigo indignação e moralismo. Meu desejo é que ela seja punida.
A única pergunta que faço é se o tenente gritaria com uma mulher de classe alta. Sabemos que a polícia existe para proteger os ricos dos pobres. Para manter a “ordem” injusta. Vez em quando eles fingem coletividade. Como fez o tenente ao dizer que a moça estava atrapalhando os demais passageiros. Uma forma de ganhar a nossa simpatia. De fato ela atrapalhava. E incomodava. Ao mesmo tempo que nos divertia. O fato, caros leitores, é que tudo que tire a vida da normalidade nos provoca prazer. Pensem, por que um acidente com vítimas atraem tantas pessoas? É a busca pelo prazer.
Não retornei à minha leitura. Que se tratava de um livro denúncia contra uma corporação violenta da polícia de São Paulo, a ROTA. Segui para minha casa. Onde sigo sozinho. Lá estaria minha cachorrinha a me esperar. Tudo tranqüilo. O fato ocorrido deu-me reflexões sobre o jornalismo. O ocorrido me deu este relato. Se tivesse sido mais trágico, eu teria mais assuntos. Mas sobre isto falo em outra oportunidade.



Fase compreensiva. Menos crítico. Menos textos

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Houve um tempo. Ele passou, posto que houve. Eu condenava os mal humorados. E me irritava. Precisei experimentar tal estado para abraçar a compreensão. Vai se saber o que se passa com as pessoas...Vivenciar. Sentir. Estar na pele. Isto nos ajuda a entender melhor o outro. Depende de cada um.Vejo aquele senhor cheio de medos. Algo diferente a fazer, o pânico se instala. Não me irrito. Sobre medos tenho larga experiência.Agora adentro uma fase compreensiva. Isto, creio, tem a ver com o fato de produzir textos em menor quantidade. Sigo menos crítico. Bem menos. Só espero não flertar com a indiferença. E seguir acrítico. Isto não é bom. Não podemos viver anestesiados. Por hoje é só.



Texto em dois tempos

quinta-feira, dezembro 14, 2006 · 0 comentários

02Out2006
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Algumas vezes flertei com a poesia. E textos poéticos foram produzidos. Não avalio a competência do ato. O que me vale é que me fez bem. E agradou aos que leram. Ou não agradou. Foram poucos os flertes. Quisera paquerar a poesia mais vezes. Mas não é sempre que isto é possível. Nem mesmo escrever qualquer texto todos os dias é possível. Vai, não do desejo. Mas do que se vai por dentro. De como está a alma. É com ela que escrevo...
Fiquei largo tempo sem me expressar aqui. Até tentei. Fiz algum esforço. Mas os parágrafos produzidos foram anulados. Jamais serão lidos. Não farão falta alguma.Quem sabe este momento seja o reencontro com a inspiração. Quem sabe a alma esteja apta a me dar idéias. Assim espero. Ficar sem escrever não é bom. Para dizer de um modo simples. Assim, creio que é possível tentar. Mais um texto. Agora.
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14Dez2006
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Aqui o confronto com a realidade. Desejo por mais um texto. Mas o tempo passa. E vai se encurtando. Meu compromisso diário logo vai chegar. E aí eu perco um pouco da minha liberdade. Farei o necessário. Seguirei meu rumo. Nesse instante, não serei mais meu. Serei da empresa. Mas isto não é um lamento. Apenas uma reflexão. Talvez até despropositada. Ou não. Nem sei. Será? Sei que olho para o relógio. A pressa dele é maior que a minha. Olho também para as mãos. Que revelam momentos de ansiedade e angústia. Eles sempre vêm. Nem sei se é possível evitá-los. Talvez seja possível conviver com eles. Melhorar a forma de recebê-los. Evitar não é caso. Sigo aqui. Vocês já sabem. O tempo é menor agora. Não quero que isto os angustie. Ou será que quero? Talvez para fazê-los sentir o pesar do passar das horas? A rapidez do tempo? A certeza de este momento logo deixará de existir. E os próximos momentos também se vão como se nunca tivessem vindo? Será que é isto? Talvez...Não sei o que é o tempo para ela. A cadela aqui ao meu lado. Que olha para a janela. E não é que veja algo. Ela tenta sentir. Podemos imitá-la. Não devemos nos satisfazer apenas com o que vemos. São os olhos da alma. Há um filme com este nome. Que é fantástico. E que é claro que o ser humano vê com a alma. Por isso cada um sente algo diferente. Deixando de lado os sentimentos coletivos. Muito expressos frente à TV. Já pensou se cada um visse de um modo diferente determinada propaganda ou algum programa idiota de nossos canais de TV idiotas? Por um momento, que já se foi, esqueci absolutamente do tempo. Foi quando dei uma olhadela para o relógio. E ele lembrou-me de terminar esta reflexão. Só não me disse como fazê-lo. Isto cabe a mim. Que já entrei no parágrafo final. Falei mais do tempo. De sua rapidez. Até de sua provável inexistência. Como se eu tivesse elementos teóricos para falar disso. Mas cada um diz o que quer. Eu digo isto. Não busco concordância. Apenas digo. De forma escrita. Quando escrevo que já não mais digo. Por ora.



RICOS FORA DO PODER

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A indignação nos faz escrever. Li o livro “Abusado – o dono do Morro Santa Marta”. Um retrato do funcionamento do tráfico nas favelas e da relação da polícia carioca com este segmento da sociedade. Escrito por Caco Barcellos, o livro é também uma denúncia das práticas de tortura por parte dos policiais, que cometem atos fora da lei, com abuso de autoridade e absoluto desrespeito pelo ser humano.
“Abusado” despertou meu interesse por aqueles que vivem nas favelas. Também me fez flertar com o jornalismo investigativo. Assim, dei início à outra leitura. “Rota 66”, do mesmo autor. Agora em São Paulo. Ainda no início, já pude ler o relatos dos abusos da polícia paulistana, bem como sua gana em matar.
Os livros se dão em épocas diferentes. Abusado é desta década, enquanto o "Rota 66" narra fatos acontecidos durante a ditadura militar.
Eu já havia percebido que a polícia existe para defender o patrimônio. Que proteger as pessoas é algo secundário. Que aqueles que têm melhor poder aquisitivo são os respeitados pelos defensores da "ordem" social injusta. Ao ler estes livros, vi o quanto o pobre é desvalorizado. E o desprezo que o poder oficial tem por eles.
Evidentemente que esta postura do Estado brasileiro é absolutamente infeliz. Evidentemente que as pessoas que estão no comando não passam de bonecos. Tipos infelizes. Egoístas. Preocupados com poder e prestígios. Pessoas absolutamente inúteis para a sociedade.
Dia destes, entrevistei junto com uma amiga de faculdade, Carolina Santana, a presidente de uma associação que ajuda crianças especiais. Fantástico ver o quanto ela despreza o prestígio social. Sua dedicação ao ser humano. E seu desprendimento em relação aos detentores do poder. Saí de lá maravilhado. Sei que não faço praticamente nada para melhorar esta sociedade. Claro, se eu pudesse arrancar os donos do poder de onde eles estão e bani-los de nossa sociedade, eu o faria com muito prazer.
Por isso que eu digo aos meus amigos que não votem nos ricos. Eles não vão fazer absolutamente nada para equilibrar a sociedade. Vão trabalhar pelos seus. E é incrível como as pessoas seguem votando em milionários. Nas últimas eleições, vários milionários foram eleitos. E agora? O que vão fazer para promover a justiça social? Nada! No máximo, uma medida para maquiar reais interesses.
Penso que as soluções do mundo não estão nos governos. Estão sim em meio à sociedade. Em pessoas que presidem pequenas associações. Nos movimentos sociais. Estes precisam crescer e contagiar. E só assim poderemos derrubar os ricos do poder. Eles não podem continuar a decidir por nós. E decidir apenas em favor próprio.
Termino com um link. Pimenta Neves foi condenado. Um rico. Que entra com os recursos que parlamentares ricos criaram para dificultar a prisão de quem tem condições de gastar fortunas com advogados também ricos. Este homem deve ser preso. A Justiça não deve apenas prender os pobres. Que o jornalista que assassinou sua namorada cumpra os 89 anos que foi condenado na cadeia. E que a Justiça não faça corpo mole para prendê-lo. E, mais uma vez, que os ricos saiam do poder.
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clique no título deste texto para ler A POLÍTICA COMO PRODUTO DE CONSUMO



DONA MARGARIDA - uma empreendedora social

segunda-feira, dezembro 11, 2006 · 0 comentários

Por Adelcir Oliveira e Carolina Santana
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O C.O.T.I.C. (Centro Organizado de Tratamento Intensivo à Criança) nasceu de um erro. A sua fundadora, Maria Margarida de Mello, sonhava em montar uma casa de assistência às crianças portadoras de HIV. Deixou que um de seus parceiros cuidasse do cadastro da entidade junto ao órgão oficial. A funcionária do órgão confundiu-se. Registrou a casa como um centro de atendimento às crianças especiais. Nasceu o C.O.T.I.C – um referencial na zona norte de São Paulo como casa de assistência às crianças com necessidades especiais e câncer, vítimas de uma realidade social bastante precária.Após sete anos de existência, mais de 360 crianças passaram pela casa. Para a presidente da entidade, é motivo de muita alegria quando uma delas é adotada. Normalmente, as famílias adotantes são de alto poder aquisitivo. Uma dinâmica onde menores rejeitados pelos pais acabam sendo acolhidos por outros, ávidos em dar amor e carinho para elas. De acordo com Dona Margarida, é isto o que mais necessitam. E relata a mudança para melhor daquelas adotadas quando retornam à casa para visitação.Hoje são cerca de 60 crianças abrigadas. E já há uma fila de espera de 23 menores de idade. Elas chegam ao C.O.T.I.C principalmente por denúncias dos hospitais contra os pais. Após passar pelos trâmites judiciários, tornam-se responsabilidade da Tia Margarida, como é carinhosamente chamada pelos meninos e meninas assistidos pela entidade.Dona Margarida tem muita história para contar. Carrega consigo uma vasta experiência em filantropia. Faz o trabalho voluntário por amor. E sente-se quase totalmente realizada. Assim, em 2007 quer realizar o seu grande sonho: montar uma casa de apoio às crianças com HIV. Se depender de garra, este sonho será mais um exemplo de sucesso na filantropia brasileira.Para a sobrevivência da entidade são necessárias doações. Estas chegam aos montes. Sejam por pessoas físicas ou jurídicas. Há também um serviço de telemarketing que angaria recursos. Aqueles que se sentem incomodados quando recebe uma ligação telefônica pedindo doações, não imaginam a batalha o dia-a- dia das pessoas que trabalham em prol de outras vidas. Certamente, a doação de dinheiro é um ato muito menor em relação à doação do tempo que pessoas como Dona Margarida fazem sem nenhum interesse lucrativo.A bela casa que abriga as crianças fica em um bom bairro da zona norte de São Paulo, o Horto Florestal. Cercada por uma vizinhança de alto poder aquisitivo, a entidade recebe apoio dos moradores dali. Após pagar anos de aluguel, o grupo voluntário ficou sob o risco de perder a casa. Sua proprietária resolveu vender o imóvel. Como sorte não faz mal a ninguém, a curadora do projeto conseguiu um time de doadores. Foi com a ajuda dos jogadores do Corínthias que ela comprou o imóvel. Livre do aluguel, essa guerreira segue construindo outro prédio no terreno para fazer a junção das três casas do C.O.T.I.C. Tudo isto, fruto do espírito empreendedor da Tia Margarida.
Evidentemente, nem tudo é alegria. O que deixa Dona Margarida triste são os falecimentos. Cita como exemplo uma criança que morreu de síndrome alcoólica. Vítima de uma mãe alcoólatra, o bebê ingeriu bebida alcoólica ainda durante a gestação. O álcool destruiu os órgãos do feto, que nasceu com necessidades especiais. Ao nascer, seu organismo necessitava do álcool, pois estava viciado. A abstinência o levou à morte quando tinha um ano e meio de vida.Drogas e bebidas fazem parte da realidade social destas crianças. Que são vítimas de mães viciadas. Quase todas as famílias são de origem bastante pobre. Mas há um caso de uma mãe fazendeira no Paraná que engravidou de um peão da fazenda. Sob pressão da família, ingeriu remédio para abortar. Em função disto, o bebê nasceu sem sistema nervoso central. O pai adotivo, um delegado, após perceber os problemas entregou-o à Justiça, que o encaminhou ao C.O.T.I.C. Não passou muito tempo, a criança morreu.Um caso peculiar é dos irmãos de índios. A mãe, por possuir dois cromossomos Y, não pode ter filhos homens, pois estes sempre nascerão com problemas. A tribo, por tradição, sacrifica qualquer nascido com anormalidades. Assim, o pai dos irmãozinhos de índios fugiu da tribo a fim de salvá-los. Abrigados no C.O.T.I.C, só podem receber visita do pai, pois há o risco de um membro da tribo matá-los. Para os índios, um feto com problemas é um sinal: algo ruim pode acontecer. Sacrificá-lo seria a solução.Estes fatos relatados ilustram a complexidade que é o trabalho de quem preside uma associação deste tipo. Além desses casos delicados, há uma enorme responsabilidade que recai sobre a pessoa. O rigor fiscalizador do Ministério Público é grande. De seis em seis meses as entidades devem prestar contas ao Ministério Público. Além disso, há a responsabilidade pelas crianças. Qualquer tipo de problema que atente contra a vida dos menores recairá sobre quem preside a associação.O leitor pode indagar se o governo ajuda uma instituição como a C.O.T.I.C. Dona Margarida dispensa tal ajuda. Prefere o governo bem longe. E reclama das dificuldades criadas por ele. Relata, por exemplo, que não consegue cadastrar a instituição como entidade filantrópica. Somente isto abriria as portas para estabelecer parcerias com grandes empresas e contribuir com o seu trabalho social. As empresas só podem abater do Imposto de Renda doações à entidades filantrópicas que possuem cadastro no órgão responsável. Para as empresas é interessante do ponto de vista fiscal, bem como em relação ao marketing extremamente positivo como responsabilidade social.Dona Margarida segue firme frente à instituição. Trabalha de domingo a domingo, cerca de 10h por dia. Além disso, faz plantões em hospitais para vigiar o tratamento dispensado às crianças internadas. Sua grande revolta é em relação ao ensino público para as portadoras de necessidades especiais. Reclama da falta de profissionais capacitados, bem como da forma que elas são tratadas nas escolas. A casa prefere pagar escolas especializadas para os seus abrigados. Pois, o C.O.T.I.C não ajuda apenas crianças especiais ali abrigadas. Também cuida de quarenta famílias em bairros simples da zona norte de São Paulo, como o Jova Rural. Além disso, assisti a uma aldeia de índios em Bertioga, na Boracéia I. Um trabalho social que visa fazer com que a tribo se torne auto-sustentável. Nesse sentido, o C.O.T.I.C criou condições para que os índios plantassem seus próprios alimentos. Já a partir do próximo semestre a tribo não necessitará das doações que poderão ser encaminhadas para outros necessitados.O C.O.T.I.C é feito de pessoas. E só existe em função delas. Seja de quem cuida ou de quem é cuidado. Num mundo que prega o individualismo, chega a ser espantoso o trabalho dos membros desta instituição. Doam tempo, carinho, amor, dedicação, e, muitas vezes, até dinheiro para ajudar quem deveria ser cuidado por aqueles que o geraram. Na ausência do governo, estas pessoas auxiliam vidas. Despreocupadas com prestígio, seguem anônimas. Enquanto muitos querem ocupar vagas governamentais com o intuito de obter prestígio e poder, bem como benefícios financeiros. Certamente, pessoas assim são de nenhuma utilidade para a sociedade. Parece estar claro, a solução dos problemas sociais da humanidade passa pelas mãos de pessoas como dona Maria Margarida. Uma empreendedora social. Uma das tantas exceções em meio à nossa sociedade egoísta e individualista.A Tia Margarida não anseia cargos políticos. Já foi assediada por políticos. Quer distância deles. Prefere proximidade com quem precisa dela. E sabe que para fazer filantropia é necessário estar preparada para receber a ingratidão. Que existe, mas não a desanima. O que vale, são os sorrisos de crianças como Vinícius, portador de ossos de vidro, que a chama de Tia Margarida. Talvez deixe a casa um dia. Quando poderá ser adotado por uma família. A Tia Margarida ficará com saudades, certamente feliz pela partida do garoto. Pois sabe da importância de uma família para ela. E assim é a dinâmica do C.O.T.I.C. Outras crianças esperam a sua vez. E não podem esperar muito. O problema é que há poucas Tias Margaridas. A sociedade agradece? Nem todos.
site da C.O.T.I.C: www.cotic.org
clique no título do texto para ler uma outra reportagem



UM TEXTO QUE NADA DIZ?

domingo, dezembro 03, 2006 · 1 comentários

Esta linha. As primeiras palavras. A idéia que virá (quem sabe!). E a construção tímida do primeiro parágrafo. Que possivelmente não dirá muito. Talvez até não diga nada. Mas pensemos. Quem falou que sempre temos que dizer algo? E o prazer do silêncio? De palavras... De idéias...
Interrupção. E ajuda para escrever. Sem o quê talvez nada seria escrito. Mas isto não basta. Será necessário conteúdo. Este parece que está meio esvaziado. Talvez reste pouco. E flertar com o nada é a saída. Quem sabe flertar com a poesia.
Silêncio? Não. Há rumores nos corredores deste prédio que é belo. O calor se espalha. Garotas desfilam beleza e sensualidade. Meninos as desejam. E eu... Bem, eu também as desejo...
Indecisão. Palavras foram apagadas neste parágrafo. Já não sei o que havia escrito. Esquecimento total. É por que o que fora escrito era absolutamente... Absolutamente o quê? Não sei! Não sei mesmo! Bom, talvez eu saiba. O que escrevi de certo era idiota.
O blog. Este. Segue devagar. Enfermo. Sem idéias. Ausência de inspiração. Não é esquecimento. Desleixo. Penso no blog diariamente. Mas não escrevo. Quem sabe se algo me perturbasse. Mas nada me perturba. Sigo tão tranqüilo...
Mudo de assunto? Será bom para este texto? Vai salvá-lo? É este o parágrafo das indagações? Como a vida? Que passamos por fases que nos são repletas de dúvidas. Anseios. Medos. E aí pode sobrevir um desespero. Não é o meu caso. O desespero se veio já se foi. A tranqüilidade acompanha estas linhas.
Alunos adentram a sala. Procuram colegas. Sem modos, não falam comigo. Olham. Falam entre si. E se vão. Não encontraram quem procuravam. E o fato relatado já sei foi. É como se nem tivesse existido.
Um fato inusitado. Não devo relatá-lo. Corro o risco de expor alguém. Fugacidade. Hormônios. Pedidos. Obtenções. Negações. E um basta. Risadas. Alerta. Aviso. Ela se foi...
Um escritor disse que as palavras deixam de dizer muito mais do que dizem. Buscar o que há por trás. E jamais conseguir. Talvez um prazer. Talvez uma desnecessidade. Depende de quem o faz.
Não sei qual será o último parágrafo. Sei que reescrevo este que se vai. Já o escrevi faz alguns minutos. Interrupções na releitura. A busca pela certeza. A decisão a ser tomada. Mudar ou não o parágrafo?



PALHAÇOS NA PLATÉIA

sexta-feira, dezembro 01, 2006 · 1 comentários

Oficina de Redação - Texto com alterações feitas pelo professor José Alves Trigo
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Política e circo. A comparação possível. Mas os palhaços estão na platéia. Dão seus votos e provocam risadas de contentamento. Estendem as mãos. Quem sabe alguma mágica. O problema são as cartolas dos candidatos. Ali, verdades escondidas. Com truques, esquecem promessas. E depois se vangloriam pelo o que fizeram. O que deixaram de fazer pouco importa.
O povo segue na corda-bamba neste espetáculo mambembe. Muitos caem no picadeiro. Alguns nem sobem na corda. Ficam por baixo mesmo. A importância dos eleitores é apenas durante as eleições. Mas a sensação de nariz de palhaço fica antes e depois das eleições. O máximo que cada palhaço pode fazer é vaiar. E rir de si. Acreditando que a piada é boa. E que, numa próxima eleição, algum passe de mágica possa ajudar a melhorar a vida. Sem perceber das artimanhas do ilusionismo.
Os partidos são as companhias circenses. Armam a lona. Tudo feito de forma muito glamourosa. Cada uma contrata um mentor. A publicidade fica encarregada das máscaras. Circo é ilusão. Política não pode ser diferente. Na telinha de TV, o show para palhaços calados. Nada de palmas ao fim da apresentação. Hora da mágica principal. Aquela em que o mágico corta a moça em vários pedaços. E o faz com ela dentro de uma caixa. Faz a separação. E aí você tem caixa-um, caixa-dois, caixa-três. E ninguém consegue entender. Como consegue o mágico dividir em tantas caixas? Mas ninguém pede auditoria. Mesmo com desconfiança da ilusão.
O dia do voto. É o bilhete de entrada. O palhaço, hoje em dia, aperta teclas. Vê a foto. Confirma. Verde para o candidato. Pega o comprovante. Vai para a casa. Depois confirma. Qual circo vai ganhar o campeonato das farsas. É o direito de se apresentar por quatro anos. Um show que acaba custando caro. Muito caro. E tudo é visto passivamente. A diferença, como já foi dito, é que os palhaços estão sentados. Assistindo. Inertes. Sem graça. Nenhuma.



SIN AMOR, TANTO HACE PASAR O NO LOS DÍAS

segunda-feira, novembro 20, 2006 · 5 comentários

Miro el teclado. Veo letras. Deseo palabras. ¿Dónde están? ¡No lo sé! Pero, hay una gana en escribir. Quizá yo logre suceso. Quien sabe ahora. Mientras toca la música. Un flirteo con mi pasado. Momentos que yo escuchaba una buena música. E sentía mi alma ondear. La canción toca. Es buena. Pero el alma no ondea…
Uno de los dedos de mi mano derecha está enfermo. Siento un dolor que me incomoda. Pero, el dolor del alma es el peor. No es que mi alma me duele. Nos es eso. Hay una angustia, si. Pero hoy no es tan grande. Muchos dolores son nosotros que los creamos...
La canción que toca es muy bella… Que bueno que ella toca… Que bueno que la puedo oír… Pero, este momento no me basta. ¡Quería más! Algunas amigas saben lo que dijo. Un alma no puede vivir sin amor por tanto tiempo…
Necesitamos de amor propio. Necesitamos de amor de otra persona. Necesitamos de amores de muchas personas. En fin, necesitamos de amor…
¿Qué es la vida sin amor? ¡No es nada! Amar é lo que hace nuestras vidas coloridas. Que hace con que deseemos que la semana pase ligeramente. Sin esto, tanto hace pasar o no pasar los días…
Las mujeres e sus hermosuras. ¡Ah, cómo son bellas! Sus hombros nudos, ¡que hermoso! La cintura fina para ser enlazada. La pele macia para ser tocada e besada con delicadeza o con voluptuosidad… Sus perfumes… El color de sus labios… Sus manos bien cuidadas… La delicadeza de la voz… La mirada tranquila… Las piernas que nos hacen mirar los ojos llenos de libido… E toda su sensualidad… ¡Las mujeres son lo que hay de más bello en este mundo!
Bueno. Ya no quiero más escribir. Creo que coloqué un poco de lo que quería para fuera…Ahora voy continuar…. Con la canción en mi alma…. Y sin amar…

opiniões opiniones

El texto es muy bueno y verdadeiro.
Um gran beso!
Fátima Lopes
e-mail:
temperaturamaximape@yahoo.com.br



OLHOS APAGADOS

domingo, novembro 19, 2006 · 0 comentários

Conversava virtualmente com ela. Acabara de conhecê-la. Ela discorria sobre sua forma de ver o mundo. O fascínio pelos seus contrastes. O enxergar com a alma de cronista. Olhar que me falta.
Seu curso no centro desta capital. E diversas observações. Os contrastes da metrópole. O excitar de sua alma. A descoberta de novos mercados. As pingas em pequenas doses. Mendigos como clientes. Executivos passando. A invisibilidade de cada um.
A conversa prosseguia. Eu confessava absoluta falta de inspiração para escrever. Durante a conversa, descobri que meus olhos estavam apagados. Absorvia suas palavras. Seu modo cronista de ver o mundo. E ela fez-me lembrar de uma conclusão. Vivenciar para escrever.
E foi em meio a esta conversa que iniciei este texto. E uma angústia me tinha. A incerteza do sucesso. Terminar era dúvida. O terceiro parágrafo foi comemorado. O quarto foi dado como o último. E terminá-lo foi angustiante. Mudei palavras. Confessei à moça a dificuldade. Risadas dela e minha. E a confissão do momento. Só assim para terminar este texto.



CHAVE DA PORTA

sexta-feira, novembro 10, 2006 · 0 comentários

data real: 04Setembro2006
Sobre escrever. Aprendizados. E a certeza criada. Enganos, sempre vou cometê-los. Como na vida. Atitudes. Pessoas.
Os enganos. Fonte de crescimento. Só assim para eles serem positivos. Enganar-se não é frustrar-se. É crescer.
A pergunta. Será este texto um engano? Se assim for, quero aprender com ele. Se não for, tanto melhor?
A pessoa se engana com os sentimentos. A nossa mente nos convence. Acreditamos ter um carinho por aquela pessoa. Na primeira porta que se abre, as verdades que saem. A agressividade como tempero. E as certezas que chocam. Ou não.
E não é por que descobrimos sentimento ruins que devemos nos sentir vilões. A outra parte pode fazer-se de vítima. Muito provavelmente o fará. É um modo de destruição. Transferir a culpa. Se a porta das ofensas foi aberta é porque a pseudo-vítima tinha a chave.
Harmonia é bom. Mas a falta dela ocorre. Vai ver que é bom. Na verdade, penso que de fato seja positivo. Só assim para gerar mudanças. Uma alma que não se aflige permanecerá estática. E poderá flertar com a idiotice.
A alma deste que escrever, por ora segue tranqüila. Aflições virão. Quando então mais uma porta de crescimento se abrirá. A chave não importa onde está.



REALIDADES. ELA. EU. VOCÊ

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Ela à minha frente. Guarda consigo alguma beleza. O rosa das unhas induz meu olhar. Sua olhadela para o que escrevo me agrada. Não busquei seus olhos. Que rápidos fugiram do texto. E agora ela se vai. Segue parada à porta. Será sua a próxima estação. Tempo ainda para uma olhadela. Assim o faço. Que pena! Bela só de perfil.
A porta se abre. Ela se vai. Meus olhos no texto. Confesso esforço. Escrever não está tão fácil. É assim. Que fazer? E percebam. Já não falo da moça. Que se foi. Segue seu rumo. Vai com a sua realidade. Eu fico com a minha. Você que lê com a sua. E o texto com este blog. Minha estação vai chegar...



AUTO-CONHECIMENTO. SEM NOVIDADES

quinta-feira, novembro 02, 2006 · 0 comentários

O olhar para o lado revela ausência de inspiração. As pessoas lá fora é melhor não olhá-las. O que vejo não me agrada. Vai ver que me são espelhos. Projeção.
Muito do desgosto que temos pelo outro é um desgosto por nós mesmos. Daí a não aceitação. A ira. Os desmandos emocionais.
A pessoa tem um defeito. Projeta no outro. Rejeita. Torna-se agressiva. Usa de arrogância. Depois, a agressividade se dilui. Vira tristeza.
O auto-conhecimento é fundamental. Obrigação do ser humano. É obrigação melhorar como pessoa. Isto é mais importante que conquistas materiais. Estas, muitas vezes, são para esconder deficiências.
Que fique dito. Auto-conhecimento não é nada fácil. É lento. Pode ser assustador. Durar a vida toda. O fato é que só estaremos bem quando nos relacionarmos bem com o que somos. E tudo que aqui foi dito não se trata de novidade. Mas quem falou que só devemos dizer novidades?



POUCAS OBSERVAÇÕES NO METRÔ EM DIA DE "DEBATE" NA TV

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texto de um outro momento que não dista tanto do de hoje
Uma leitora da região central do Brasil. Já publicou um texto aqui. Reclamou da ausência de textos no blog. Uma parada necessária. Disse-me gostar de relatos que faço sobre São Paulo, sem contudo cobrá-los. Assim mesmo, pago sem dever.
O metrô de São Paulo. Aos domingos. Utilizado por pessoas simples. Que estão a passeio. Ida ou volta. Não é o meu caso. Volto do trabalho. Não sou o único.
É fato que durante a semana há pessoas de menor poder aquisitivo nos trens do metrô desta capital desigual. Mas hoje o número é muito maior. E o trem, agora, segue lotado. Sentei por sorte.
Vejo aqui famílias. Ao meu lado duas mulheres e o sotaque do nordeste. Num dos colos, uma criança. Elas seguem conversando. Não falam alto. Há discrição. Ambas se enfeitaram. Não importa para onde foram ou para onde vão.
Olho ao meu redor. Procuro belezas femininas. Não encontro. Mas não creio um flerte. Não estou apto. Embora a tranqüilidade sempre favoreça.
O fato é que uma roupa melhor. A barba feita. Um banho recente. Talvez um perfume de boa qualidade. Tudo isso favoreça os flertes. Não é o caso agora.
Terminarei o texto. Farei um link. Política. Penso. Vão estas pessoas assistir ao “debate” de hoje na TV? Bom, é fato que o interesse por política aqui deve ser pequeno. E não é apenas pela simplicidade geral. Em meios menos simples ocorre o mesmo. Um mal brasileiro.



A POLÍTICA COMO PRODUTO DE CONSUMO

quarta-feira, novembro 01, 2006 · 1 comentários

Terminaram as eleições. O povo votou. A maior parte sem saber em quem de fato estava votando. Foram convencidos pelos marqueteiros de cada candidato. Homens que prestam seus serviços. Aumentam os números no banco. E pouco se importam com o Brasil.
Penso que uma reforma política passa por uma mudança muito importante. Política não é produto de consumo. Neste sentido, publicitários não podem trabalhar em campanhas eleitorais. Estes depreciam o já raquítico debate político no país. Todas as campanhas devem servir como ferramenta do aumento da politização do eleitor. O que não ocorre no Brasil a cada campanha.
Um outro texto deste blog fala sobre a manipulação que os candidatos sofrem por parte dos marqueteiros contratados por muitos milhões. Uma leitora, que é inteligente e possui discernimento, revelou surpresa com tal “revelação”. Não sabia que a cada intervalo nos “debates” (que este blog entende como palanques eletrônicos) os candidatos são orientados por seus auxiliares, bem como pelo principal mentor da campanha, o marqueteiro, sobre o que dizer, ou o que deixou de falar.
A orientação dada aos postulantes ao cargo em disputa é dizer o que o povo quer ouvir. E isto denota um total desprezo pelo eleitor. Este, no entender dos marqueteiros, e também dos candidatos, não devem pensar. Apenas serem convencidos. E, no dia do voto, apertar a tecla da contribuição. E ainda comerar a vitória. Deles. Só deles.
obs: o texto não generaliza.



PALHAÇOS NA PLATÉIA

domingo, outubro 29, 2006 · 5 comentários

Política e circo. A comparação possível. Mas os palhaços estão na platéia. Dão seus votos e provocam risadas de contentamento. Estendem as mãos. Quem sabe alguma mágica. O problema são as cartolas dos candidatos. Ali, verdades escondidas. Com truques, esquecem promessas. E depois se vangloriam pelo o que fizeram. O que deixaram de fazer pouco importa.
O povo segue na corda-bamba. Muitos caem. Alguns nem sobem na corda. Ficam por baixo mesmo. A importância dos eleitores é apenas durante as eleições. Mas o nariz de palhaço fica antes e depois das eleições. O máximo que cada palhaço pode fazer é vaiar. E rir de si. Acreditando que a piada é boa. E que, numa próxima eleição, algum passe de mágica possa ajudar a melhorar a vida. Sem perceber das artimanhas do ilusionismo.
Os partidos são as companhias circenses. Armam a lona. Tudo feito de forma muito bonita. Cada uma contrata um mentor. Pegam-no da publicidade. Circo é enganação. Política não pode ser diferente. Na telinha de TV, o show para palhaços calados. Nada de palmas ao fim da apresentação.
Hora da mágica principal. Aquela em que o mágico corta a moça em vários pedaços. E o faz com ela dentro de uma caixa. Faz a separação. E aí você tem caixa-um, caixa-dois, caixa-três. E ninguém consegue entender. Como consegue o mágico dividir em tantas caixas? Mas ninguém pede auditoria. Mesmo com desconfiança da enganação.
O dia do voto. É o bilhete de entrada. O palhaço, hoje em dia, aperta teclas. Vê a foto. Confirma. Verde para o candidato. Pega o comprovante. Vai para a casa. Depois confirma. Qual circo vai ganhar. É o direito de se apresentar por quatro anos. Um show que acaba custando caro. Muito caro. E tudo é visto passivamente. A diferença, como já foi dito, é que os palhaços estão sentados. Assistindo. Inertes. Sem graça. Nenhuma.



Debates na TV. Na verdade, palanques eletrônicos

domingo, outubro 22, 2006 · 0 comentários

Aquilo que chamam debates na TV. Na verdade, palanques eletrônicos. Cujo objetivo é angariar votos. De forma alguma debater o Brasil. Muito menos produzir a politização do eleitor. Triste não contribuição dada por políticos como os que disputam a presidência atualmente.
Lula lê a pergunta. Alckmin pergunta o que já decorou. Ambos respondem. É o momento de tentar persuadir o eleitor. Distorcem números. Inventam verdades. Desqualificam o oponente. E o eleitor segue desinformado.
O que é absurdo é a atuação dos publicitários nos debates. Por detrás das câmeras, evidentemente. Nos intervalos vão lá e dizem o que os candidatos devem reparar. O que deixaram de dizer. E orientam seus clientes a não perder chances de dizer isso e aquilo. O eleitor, para eles, é nada mais do que alguém a ser convencido. Uma pessoa sem informação. Sem entendimento sobre política. Alguém que pode escolher entre um produto ou outro. Ainda que as opções sejam ruins. É o caso nestas eleições. Possivelmente, desde o advento das eleições diretas, jamais tenha sido diferente.
Triste realidade constatada. O que podemos fazer? Bom, fazemos parte da sociedade. Somos nós que fazemos a escolha. Nosso poder é enorme. E é preciso que a sociedade pressione os políticos para que os publicitários sejam banidos das campanhas eleitorais. Pois estas não podem ser encaradas como produtos a serem vendidos. Se os políticos não levam a política a sério, nós eleitores devemos levá-la, dada a sua importância e seriedade.






Um espancamento antes do ônibus

sábado, outubro 21, 2006 · 0 comentários

blog violência
Ponto de ônibus. Longa espera. Frio, não muito. Trânsito sem paz Algumas pessoas ali comigo. Cada um na sua. Eu, tranqüilo. Papo, não era meu desejo. E aquela menina eu até olhei. Mais por costume. Ou o desejo de ver algo feminino. Ainda que não tão belo.
Um carro pára. Seis rapazes descem dele. E vem em direção ao ponto. Percebo a entonação agressiva nos gestos. Alguém grita. Logo imagino que se trata de um arrastão. Penso que correr não adianta. O pensamento é muito rápido. O desenrolar da cena mostra-me meu equívoco.
Cena inédita para mim. Os rapazes raivosos iniciam um espancamento. A vítima grita. Entra em desespero. Mas os seus algozes seguem decididos. Chutes. Socos. Cotoveladas. Gritos, gemidos...
O mais velho da turma preocupa-se com a opinião pública. Informa-me de dentro do carro que o espancado é um estuprador. A tensão faz-me acreditar imediatamente. Era como seu eu desse o aval para que a pancadaria prosseguisse. E ela prosseguiu.
Nós que ainda esperamos o ônibus, assistimos calados. Passividade coletiva. Auto-proteção. É cada um por si. Acreditar que se trata de um estuprador, alivia sem deixar de chocar.
O espancamento prossegue. A vítima está no chão. Uma voz comanda a retirada. Mas alguns ainda não estão saciados. “Vamos zerar ele”, diz um que está bem atônito. Presumi que “zerar” seria ir até o final. Mas tive a certeza que era muito mais entusiasmo que desejo por justiça, se de fato se tratava de um estuprador.
A vítima caminha até o outro lado da rua paralela à avenida movimentada. Os algozes se apertam no Uno. Todos ali seguimos calados. Havia um pretexto para que conversas se dessem. Não sei ao certo porque conversas foram sonegadas. Eu era como a maioria. A tensão me tinha. A voz calada. E a dúvida: era um estuprador ou não?
O ônibus ainda demorou um pouco mais. O rapaz espancado ficou caído na calçada. A ajuda foi chegando. Nenhuma delas das pessoas que esperavam o seu ônibus.
De vez em vez, eu olhava para o corpo caído no chão. Cheguei a investigar com os olhos se ele ainda estava vivo. Eu desejava muito saber a verdade. O real motivo de seu espancamento, ou se de fato trava-se ele de um estuprador.
Indaguei-me por que o grupo não o levou para a delegacia, já que o mesmo era reconhecido como um criminoso. Por um momento tal indagação deu-me a certeza da mentira. Já que não o entregaram para a polícia, não seria verdadeira a alegação para espancar. Em seguida supus que eles queriam uma outra forma de fazer justiça. E que os meios legais não os satisfaziam. Quem sabe fossem até falhos.
Finalmente o ônibus chegou. Um rapaz que correu em direção à porta de embarque causou-me um susto. A tensão ainda me dominava. Entrei e sentei. E fui embora para casa. Tenso. Duvidoso. E com vivência de um pouco da dinâmica desta metrópole. A gente sabe o que ocorre. Não ver é bem melhor. É como se não existisse. Mas neste exato momento algum crime está ocorrendo. Só que não estamos vendo. Ver não nos faria menos passivos. Apenas nos chocaria. Creio.



Poucos textos no blog. Satisfação

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Fase. A do blog não é das melhores. Pouco produtiva. Está crescendo como o país. O ambiente externo também lhe é favorável. Este é sempre favorável. Mas isto não basta. É preciso conteúdo. Informação. Inspiração. E estes se escasseiam. Não sei se é seca. Melhor que seja. Seca costuma passar. Mas volta. Adora voltar. E castigar. Posso migrar? Posso mudar. O modo de buscar textos. Inverter. Fazer com que eles venham de fora. A grande maioria veio de dentro. Usei de lembranças. Impressões. Intuição. Opinião.
Lembro-me quando entrevistei uma garota de programa. Saí de lá com o texto sendo escrito em minha mente. O desejo fervilhava. E em casa o texto veio rápido e certeiro.
Agora, a dificuldade. O não desejo. Fatos que ocorrem. E cadê os textos? Estão em mim? Presos? Querem sair? O tempo vai me dizer? Vai devolver os textos?
Indagações. Artimanha pela falta de argumentos. É um modo fantástico de economizar palavras. Sobretudo quando estas são escassas.
Esse texto não é um desabafo. Pode ser chamado de uma satisfação aos leitores. O blog completou um ano neste mês. Passa por uma crise. Como a vida dos blog´s costuma ser curta, podemos dizer que este já está na adolescência. Dizem que é a fase mais crítica. Não sou estudioso. Vou concordar com eles.
Fica aqui a satisfação. Não sei o que será do blog. Se textos virão. Vou caminhar. Quem sabe, definir estratégias. Buscar textos de fora, como eu disse. Vamos ver o que será. Ou não veremos nada. Ou melhor, não leremos.



COR DO TEXTO

sábado, outubro 14, 2006 · 0 comentários

Gosto de dar cores a alguns textos. Se não me engano, a cor mais utilizada foi o cinza. Preciso de um texto colorido. Com as cores do bom humor. Mas não é caso hoje. O cinza se repete.
Se a fleuma não está boa, não significa ausência de sorrisos. Eles vieram hoje. De modo verdadeiro, não insano. Mas não os sorrisos que denotam como está a fleuma. O olhar é que delata. Este não é dos melhores.
Algumas pessoas são mais transparentes. O que sentem se estampa no rosto. O olhar denuncia. Se isto é bom, há dúvidas. Em uma sociedade de aparências, creio tratar-se de uma desvantagem. É fato que mesmo os transparentes carregam algumas máscaras consigo. Um intelectual já perguntou o que seríamos sem as máscaras.
O problema é quando o indivíduo mergulha no artificialismo. Daí o passo para a infelicidade está dado. Um artificial não se ama.
Mas o que é, afinal de contas, comportamento artificial? Para mim, são gestos inverídicos. Palavras enganosas. É como uma exibição. Um modo de tentar agradar. E que na verdade tenta enganar. Esconder conteúdos que desagradam à fonte. Uma pessoa artificial pode-se ser considerada um ator em cena. Com pouquíssimo talento.
A harmonia interna. A auto-estima em equilíbrio. O amor por si. São ferramentas fundamentais para um comportamento natural e equilibrado. Talvez entre também o ego. Este pode complicar. Mas creio que seja fundamental.
No muro estava escrito: “morte ao ego”. Pixação. Daí pensei o que seríamos caso tal morte se desse. O que seríamos sem o nosso ego. Acho que precisamos dele. Sem permitir que ele nos domine. Que seja senhor de nós. Talvez seja isto. Vamos pedir explicação para algum estudioso da alma humana. Por enquanto, indagações e “achismos”. É isto. Talvez não ajude. Mas é isto.
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clique no título deste texto para ler: AUTO-CONHECIMENTO. SEM NOVIDADES



FLERTES ENGANOSOS

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Data real do texto: 23Agosto2006

Tenho flertado com a falta de inspiração. Escrevi pouca esta semana. E não nego incômodo. Quem sabe este seja o texto da libertação.
Eu sigo observador. Não tanto quanto antes. Talvez por que eu não queira julgar tanto. Sei que isto não é muito sadio. Uso de empatia.
Algo que tenho certeza. A mudança de estilo. Já não me agrada tanto usar uma única palavra no lugar de tantas. Talvez vez em quando o uso desta artimanha ainda me agrade.
Hoje vi um fato pitoresco. Que casou-se com um pensamento meu. Deveria escrever. Deixei para alguma outra viagem.
É fato que a caneta corre solta. O ônibus não trepida tanto. O que faz a letra melhor.
Talvez o flerte mencionado no início do texto seja um engano. Isso ocorre. Flertes enganosos. Isto traz uma lembrança. O olhar dela. Belíssima moça. Mas que carrega no dedo o compromisso de um matrimônio. Logo ela que me interessou. Melhor não flertar.
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clique no título deste texto para ler CEGUEIRA



Naquela empresa - Texto 7

quinta-feira, outubro 12, 2006 · 0 comentários

Evidentemente que ficar desempregado é degradante. Muito embora eu pense que diversos trabalhos degradem a alma humana. Já fazia cerca de nove meses que eu me encontrava desempregado. Aquele emprego significou duas coisas importantes em minha vida. O retorno para a área áudio-visual, bem como o completo desencanto por ela.
Meu primeiro emprego fora em uma escola que possuía uma produtora de vídeo. Eu amei os afazeres. Saí de lá acreditando no meu talento. Fiquei fora do mercado. Tentei algumas produtoras. Daí descobri que meu pequeno portfólio tinha pouco valor. Até conseguir voltar. E o contato com amadores que se julgavam acima de todos foi absolutamente destruidor para mim.
Eram pessoas com pouquíssimo conhecimento teórico sobre vídeo. Aprendiam praticando. Ao modo deles. Nem mesmo conheciam nomenclaturas. E não tinham nenhuma orientação profissional. Isto não é condenável. O problema é arrogar-se conhecedor supremo de um assunto para o qual o indivíduo jamais se preparou.
O tempo foi passando. Eu percebi rapidamente que deveria me esforçar. Fazer horas-extras. Assim o fiz. E o patrão disse-me que estava muito contente com o meu trabalho. Claro que é bom ouvir isto. Mas havia algo por trás. Eu estava sendo explorado. E o que ele dizia era que eu era uma ótima mão-de-obra. Barata e que se fazia explorar tranquilamente.
Penso que nas empresas, pelo o que vivi, pelo o que já ouvi, falta o respeito ao ser humano. Por exemplo, há uma grande produtora no mercado. Umas das mais conceituadas. O ser humano para ela é lixo. A pressão é enorme. E há detalhes. Cadeiras, por exemplo, faltam para os trabalhadores. Um local de desprezo aos funcionários. Lugar que jamais quero por o meu pé. E que não indico para ninguém. Até alerto.
Ali, naquela empresa, vi o quanto um funcionário simples não passa de um número. Que pode ser subtraído a qualquer momento. Facilmente substituído. E aprendi o quanto o comportamento que vem de cima, do ponto de vista hierárquico, influencia as pessoas.
Deste modo, os funcionários aprenderam a se desprezar. Na verdade, todos ali tinham vergonha de trabalhar naquela empresa. Era a certeza de que o outro sabia que você ganhava pouco e era nada valorizado. O ambiente gerado em função disto era destruidor.
Estabeleci contatos. Dava "bom dia". Passava pelo setor simples da empresa. Onde o produto final era embalado. Os dois rapazes que trabalhavam comigo não cumprimentavam os funcionários deste setor. Era um modo de se sentir superior. Falta de educação também.
Não via diferenças entre as pessoas dos diferentes setores. Até hoje não vejo. Deve-se cumprimentar as pessoas como seres humanos que são. Pouco importa o cargo. O salário. O status.
No próximo texto avanço no tempo. E inicio o retrato do ambiente nocivo que se tornou aquele setor. Edição.



Naquela empresa - Texto 6

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Reli o trecho final do texto cinco. É certo que quando escrevi aquilo era como eu me sentia. Os dias passaram. Já não sinto bem como antes. A segurança quase toda se foi. E aí a autodestruição entra em ação. Uma fase. Espero. Que parece estar passando.
O responsável pelo setor que eu trabalharia chega. Cabelos loiros e bigode. Um personagem. Retrato da mediocridade humana. Naquela época eu muito o condenava. Hoje parece que consigo vê-los com olhos mais compreensivos.
Com habilidade ensinou-me todo o trabalho. Não guardo lembranças imagéticas deste momento. Nada me ocorreu de marcante.
Sei que dali em diante eu teria quatro anos pela frente. Foi difícil. Demorei a adaptar-me. Por vezes, revoltei-me. Com a empresa. Com as pessoas dali. Comigo. Os prejuízos emocionais não se fizeram tímidos. Mas hoje sei que fui eu o principal causador deles. Nada de se fazer de vítima. Foi o tempo.
O rápido treinamento. A aprovação do responsável pelo setor. Eu selava a minha condenação. A pena seria cumprida junto àqueles dois rapazes pobres e infelizes. Quando, posteriormente, um deles deixaria a empresa. Outro menos medíocre o substituiria. Sem contudo livrar-se de pequenitudes.



ALMA TACITURNA

quarta-feira, outubro 11, 2006 · 0 comentários

Pessoas destrutivas... Escrito em 10Agosto2006
Hoje. Não quero falar mais do o necessário. Pouco quero olhar. Observar, não quero. A minha alma está taciturna. Dormir seria melhor.
Não é que escolha não me comunicar. Se escolher fosse possível, desejaria o contrário de tudo o que o primeiro parágrafo denunciou. Mas ocorre que sou feito de sentimentos. E isto não é defeito.
A vida ensina. Todos sabe. Pode embrutecer a alma. É provável que cause patologias. Precisa de terrenos férteis. Mas vale lembrar. É possível que tais terrenos sejam cultiváveis. E belas flores se possa colher. Para tanto, necessário atitude. Algo que nem sempre ocorre. Daí, a alma turva ficará ainda mais cinza. E viver para destruir passa a ser um norte. O fim não é o que mais importa. Complicado vai ser viver anos da vida a praticar destruição. Imaginem quão destruídas ficarão estas pessoas.
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clique no título deste texto para ler O TEMPO COMO BOTÃO



Escrever é uma coisa. Praticar é outra bem diferente

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Os velhos devem ser admirados. Aqueles que se encontraram com o equilíbrio. A serenidade. Encontram a maturidade. Tornam-se referências. Existe uma idade para se atingir a maturidade?
O bom do passar da idade é ver as mudanças. Perceber como agimos. Os erros. Não deixam de existir. A imaturidade ainda existe. E erros infames cometemos. Lá na frente. Quem sabe percebemos o erro. Daí o crescimento. Arrependimento sem crescimento não vale.
Sei que ainda vou errar muito. Enganos, inúmeros os cometerei. Mas espero que sejam menores. E que, a cada erro, uma aprendizagem. Daí, não cometê-los mais. Lembrando que com o erro alheio também crescemos. É bom observar.

Obs.: escrever é uma coisa, praticar é outra bem diferente.



Naquela empresa - informe

terça-feira, outubro 10, 2006 · 0 comentários

A série "Naquela empresa" volta no dia 12 de Outubro. E não é apenas por pedidos de leitores. Muito também por um desejo do blog. Já há um texto pronto que dá sequência à série. Logo será publicado. Amanhã, talvez, dia 11. Afinal de contas, o dia de amanhã é incerto.
Como não são crianças que lêem este blog, o retorno da sérei nada tem a ver com o Dia das Crianças. Muito embora é fundamental não deixar morrer a criança que há em nós. Mas se já morreu para muitos, cabe compreensão. É isso.



Filme em preto e branco

sexta-feira, outubro 06, 2006 · 2 comentários

Saibam. Escrevo como quem deseja acelerar a viagem. É o desejo por quarto escuro. Não sou o único. É como se os sentimentos corressem o mundo. E ora um, ora outro.
A alma daquele sorri. A alma do outro se turva. É troca constante. Problema é quando cessa no sentimento errado. Se é que há erro nisso. Vai ver até que há beleza. É. Na tristeza há beleza. É um filme em preto e branco. Simples. Muito simples. Imagem e texto. Vejam que belo. Olhem a cena. Ela logo termina...



Melancolia. Desejo por uma poesia. Enganando a alma. Confessando sentimentos

quinta-feira, outubro 05, 2006 · 0 comentários

texto de um outro momento 10Agosto2006

Melancolia. E o desejo por uma poesia. Mas cadê talento? O jeito é fingir. Quem sabe a alma aceita o engano.
Prosseguir. Nem sempre é fácil. Mas deixo isso de lado. Tento apenas sentir. E essa melancolia vem com força. Nem me avisou. Chegou e ficou. Daí, o sorriso se escondeu. A carência gritou. A alma minha turvou. E me fez igual a outras tantas almas. E aqui estou. Tantas pessoas e essa solidão. Não nego o medo de expressar meus sentimentos. Alguém pode usá-los contra mim. Daí me destruir, tentar. Se vai conseguir é dúvida. Pode levar um pouco da minha alegria. E fazer noite o dia. Daí, na escuridão eu me escondo. Quem sabe eu me reencontro. E por que essa destruição? Resposta as tenho. Mas calo-me. Direito que tenho. Segredo que guardo.



Cegueira

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Eu queria desenhar com palavras. É um desejo que tenho agora. É possível construir imagens com palavras. Há autores consagrados que se eximem nisto. Sigo aprendendo. E levo comigo a incerteza se seguirei no aprendizado.
Percebam que não gerei nenhuma imagem para vocês. Não disse onde estou. Como estou. Quem aqui está. E se não gerei imagem, também não desenho.
Este é o derradeiro. Será um parágrafo imagético. Assim tentarei. Uma sucessão de imagens. Penso em como iniciar. Percebo dificuldade. E não sei como fazê-lo. Enfim, não é possível fazê-lo neste parágrafo.
Mudança de idéia. Após descrever onde estou. O que se vai. Como vou. Apaguei tudo. Não vi graça. Aliás, ficou muito aquém do que eu queria. Assim, este será um texto de cegueira. Sem imagens. Nada de descrições. E então o título já me vem. Não é difícil adivinhar. Para tanto não há cegueira. É isso.



Conflito que não existiu

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Conflito. Não me é inédito. Se eu revelar, serei repetitivo. Qual a saída? Deixar de lhes contar não é aventureiro. Buscar um modo implícito de dizer é o que vale.
Papel. Caneta. E a brincadeira com as palavras. O conflito, creio que não há mais. Bem provável que eu tenha me libertado. É possível que vocês adivinhem. Quem me garante?
Mais um parágrafo. Mais papel. Mais palavras. Não busco rimas. E o que busco? Provar que o conflito não existia. Ou então desafiá-lo. Aliás, este é um bom remédio. Vai ver que o conflito do início do texto já se foi. Ou vai ver que nem existiu.



Jornalismo investigativo - pauta não revelada

sábado, setembro 30, 2006 · 0 comentários

Rua Augusta. Desço do ônibus e sigo pela mesma calçada. Logo me deparo com uma casa de strip-tease. O rapaz me aborda. Pergunto se é preciso pagar para entrar. Dez reais é o preço. Revelo que estou a trabalho. Digo que sou jornalista. Assim mesmo é necessário que eu pague. Consumação mínima que me daria direito a duas cervejas.
A loira de cara amarrada recebe o meu dinheiro. Sem sorriso e sem simpatia, ela entrega-me o comprovante de pagamento. Sou levado pelo recepcionista até um balcão. Ali recebo uma pulseira de número 44. Um comprovante relata o meu direito às bebidas.
Adentro ao local onde se dão os show´s com mulheres. Sou o primeiro cliente a chegar. São ainda 21h. Avisto o bar que logo me agrada. Troco a cerveja por um refrigerante. Não tenho certeza se o barman realmente é um homem. Uma dúvida que pouco importa.
A música toca em alto volume. Há luzes. Espelhos. Um pequeno palco onde as moças dançariam logo mais. Sigo bebendo sem prazer. Não há nenhuma mulher no local. Mas o microfone avisa que há um cliente no salão. Na verdade, eu não poderia ser considerado um cliente de fato.
Uma morena de jeans e blusinha adentra ao salão. Ainda não está vestida para trabalhar. Passa e troca um sorriso comigo. Sigo à espera de uma garota de programa. Quero entrevistá-la. Enquanto ela não vem, vou ao banheiro. Lá no fundo da casa vejo uma belíssima mulher se maqueando. Há uma outra com ela não tão bela. Passo sem cumprimentar. E uso o banheiro para logo voltar para o salão.
A morena de jeans passa em frente ao bar novamente. Chamo a moça simpática para sentar ali comigo. Inicio um papo. Ela diz se chamar Camila. Indago se é este o seu nome de fato. Ela confirma. Detalhe pouco importante. Logo inicio uma chuva de perguntas. Indago a moça se ela já trabalhou na rua. A resposta é positiva. Então direciono minhas perguntas para pauta da pesquisa do meu grupo de trabalho, que não revelo aqui por motivos de segurança. Após negativas em relação a algumas perguntas, a conversa esfria um pouco. Camila passa as mãos pela minha perna e oferece um programa. Digo que não estou ali para isso. E revelo o meu objetivo. Ela já havia me indagado o porquê das perguntas. Após a minha revelação nada mais a tenho a dizer à ela. A mesma levanta-se. Despede-se de mim e vai para a outra ponta do bar.
Um certo desânimo toma conta de mim. Pensei que a pauta não seria pertinente. Contudo, tinha a certeza que não poderia me basear apenas em uma fonte. E que muitas pessoas são desavisadas. Poucos sabem do que os cercam. Além disso, Camila poderia estar mentindo.
A bela mulher que se maqueava adentra ao salão. Sua mini-saia deixa à amostra suas belas pernas. Confesso que me sinto surpreso com sua beleza. Ela não me nota. É como se eu não existisse para ela. A bela garota de programa sobe ao palco e inicia uma dança. Eu a observo. Meus olhos estão lascivos. Fixo meus olhos nela. Mas não seria o caso de despender os 70 reais pelo programa.
Fico receoso se conseguirei falar com outra garota após a Camila. Arrependo-me de ter revelado as minhas reais intenções ali. Percebi que Camila se ofendeu quando eu disse que não pagava para fazer sexo. Depreendi que havia cometido enganos. E logo concluí que tudo ali se tratava de aprendizado.
Um senhor vestido jovialmente chega e senta-se ao balcão do bar. Naquele momento, eu apenas observava. A bela moça da mini-saia aborda o senhor que acabar de chegar. Cruza suas pernas. Seduz. Eu observo. Troco um olhar com ela. Logo a menina leva o homem para o quarto. Fico a sós no bar. De frente para mim uma garota com rostinho bonito.
Chamo o rosto bonito e jovial para sentar-se ao meu lado. Inicio uma conversa. Ela transborda simpatia. Quero ser mais cuidadoso agora. Faço perguntas sobre a profissão. Ela revela não gostar do que faz. Seu nome é Walkiria, diz ela. Jamais trabalho na rua. Na verdade, é uma mineira que está há oito meses em São Paulo. Seu trabalho é um segredo que poucos sabem. Sua família nem imagina. Sua simpatia e desejo em falar muito me ajudam.
As revelações que Walkiria faz me animam. O papo se estende. Fujo bastante da pauta. Não revelo que sou estudante de jornalismo. Mas faço muitas perguntas. Ela ri. Gosta do papo. Passo-lhe sinceridade. E logo anoto seu telefone para marcar uma outra entrevista.
. Fico satisfeito com minha conversa com Walkiria. Peço-lhe que fale com sua gerente. Que revele que quero saber mais a respeito. Que consiga uma entrevista para mim com outra garota de programa. Ela promete falar com sua superior. Digo-lhe que vou fazer um telefonema para ela na semana seguinte. Quando a mesma estará na praia fugindo do seu fardo de cada dia. Ou melhor, de cada noite.



Vazio. Não sou o único

quarta-feira, setembro 27, 2006 · 0 comentários

Data real: 4Setembro2006


Pausa. Cadê as palavras? O dia. Lembranças. Imagens em minha mente. Ritmo frenético. Nada de interessante a contar.
Um parágrafo excluído. Desisti dele. Risquei. Vai para o lixo. Nem sempre escrever é fácil.
Desejo e inspiração. Descompasso. Acho que estou meio vazio. Ou vazio por um todo. Quem sabe os dias me preenchem. Quem sabe alguns coletivos. Trens. Uma peça de teatro. Algum interlocutor com uma história inusitada.
Por enquanto eu vou assim. Aqui. Sentado e vazio. De certo, não sou o único.



"Para o brasileiro, brasileiro é o outro"

terça-feira, setembro 26, 2006 · 0 comentários

Entrei no trem. Já sabia. Desejo. Escrever. E eu já compunha o primeiro parágrafo. Mudei um pouco, é verdade. E agora todo ele é novidade.
A diretora. Uma história. Alguém colocou naftalina na água daquela empresa. Os boys. Como sabe que foram eles? Indagação minha. Só podia ser! Resposta preconceituosa.
O mundo é assim. Deixamos as leviandades para um determinado grupo. É uma forma de isentar-se delas. E seguir puros e perfeitos. Os outros é que são os brasileiros. Estes, cheios de defeitos. Fica aqui a frase de Eduardo Gianetti: “Para o brasileiro, brasileiro é o outro”.



Fechado para balanço

sexta-feira, setembro 15, 2006 · 0 comentários

O blog precisa parar. Um balanço interno. Sem tempo determinado. Talvez volte. Talvez não. Não é sabido. O que se sabe é que é preciso parar. Refletir. Calar-se. É isso.



Naquela empresa - Texto 5

sábado, setembro 09, 2006 · 0 comentários

Sou apresentado ao “japonês’”. Não tenho as cenas deste momento. Ele me treinaria até o responsável pelo setor chegar. O que iria demorar. Este personagem desprezava o horário da empresa. Era uma forma de se diferenciar. Para quem sabe se sentir superior aos demais.
Meu primeiro emprego fora em uma produtora de vídeo. Isto fazia mais de três anos. Por isso, a dificuldade em operar aqueles equipamentos que o coreano me explicava muito sem boa vontade. Até que me indagou com desprezo se de fato eu tinha experiência. Mais uma cena que se passou. A leitura que eu não fiz. Duvidar da capacidade do outro fazia parte da cultura naquela empresa. Um modo de se auto-convencer menos incompetente. Eu não sabia o quanto este tipo de comportamento me seria tão nocivo. Assim é. A nocividade prospera em campo fértil. Eu, com medos aos montes, seria duramente atingido pela arma da dúvida. Uma ferramenta das pessoas de baixa auto-estima. Destruir o outro é um modo de se confortar. Isto aparentemente. Pois ao destruir a pessoa mantém em construção uma insegurança que provoca destruções internas. Sei como é isso. Fiz isto por um bom período naquela empresa. E antes também. Hoje tudo é diferente. A segurança (não plena) me tem. Construo. Não destruo. E vivo muito melhor.



Naquela empresa - Texto 4

terça-feira, setembro 05, 2006 · 0 comentários

Primeiro dia de trabalho. Repetição de uma cena. Eu. A cadeira. E os cumprimentos sonegados. A longa espera.
Entra um descendente de coreanos. A gente logo chama de “japonês”. Seu corpo expressa muita agressividade. Estar ali parece muito mais que uma obrigação. Uma condenação talvez. Um castigo. Um forte complexo de inferioridade o fazia tão hostil e fechado para amizades. Para ele, dar um “bom dia” não era algo fácil. Simples. Tranqüilo. Prazeroso.
Naquele ambiente, o rapaz não era tão diferente dos demais. Era preciso aliviar tanta opressão. Todo ser humano gosta de respeito. Ser tratado como uma mera peça de produção faz mal a quase todas as almas. Há aqueles que não se abalam. Ou ao menos não demonstram.
Sou levado ao que eu poderia chamar de minha cela. Sim, eu cometera um crime contra a minha pessoa. Não estudara. Como deveria. E agora uma empresa com caldo cultural de nível baixo. Muito baixo.
Era apenas o primeiro dia. O dono da empresa ainda não chegara. Logo eu seria apresentado a um dos meus companheiros de cela. Essa forma de dizer é bastante pertinente. Tendo em vista a maldade que há nas cadeias. No trabalho, em diversas empresas, não há tanta diferença. Quem não aprender a lidar com ela, sucumbe. Para mim não foi fácil adaptar-me. Não que eu fosse um poço de bondade. Apenas não sabia lidar com a maldade. Minha e alheia.



A pauta que veio logo. Periferias de São Paulo

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Sigo sentado à espera da pauta. Vai alma! Oferta-me assunto!
A pauta veio logo. Periferia da zona sul. São Paulo. Vila Missionária. Bairro simples. Feição de abandono. Cheiro de ausência.
Ali nas calçadas. As pessoas sentadas. Portas de botecos abertas. Homens bebendo. Meninas à caça. Garotos à espreita. Elas e eles querem beijar. Quem sabe algo mais...
A falta de entretenimento. O ócio do perambular pelas ruas. O encontro com a maldade.
Está muito claro. Os governantes se ausentam da periferia. Falta governo ali. Esquecidos estão os moradores. A busca por prazer leva a caminhos errados. Porta aberta para as drogas e crescimentos precipitados de barrigas.
Entretenimento. A periferia precisa disto. Teatro. Cinema. Esportes. Cursos. E o que puder ocupar de modo saudável o tempo dos moradores. Não importa a idade.
Que se invertam as prioridades dos governos. Que o Estado que se pretende mínimo em tempos de neoliberalismo seja o máximo para elas. As periferias.



Naquela empresa - Texto 3

sábado, setembro 02, 2006 · 0 comentários

Finalmente a porta se abriu. Desta vez, para mim. Frente a frente com o hábil homem de negócios. Espero que no mundo capitalista haja hábeis honestos.
Indagações. Ele fitava-me com segurança. Um dos olhos tortos deixava-me confuso. Eu me fazia presa fácil. Um idiota a mais para ele empregar.
Inocência. Inventei uma ocupação autônoma. Ela existia. Porém, somente nas intenções. O medo nunca me deixou pô-la em prática.
Nivelei meus pseudo-ganhos por baixo. Diante do voraz empresário, uma mão-de-obra barata. Ele não poderia perder tal oportunidade. Nem eu.
No dia seguinte eu começaria no novo emprego. Acreditando felicidade, deixei o local. Para a moça que fingia simpatia um “até amanhã”.
Em nossa conversa, minha amiga confidente comemorou. Positiva, sabia que se tratava apenas de um passo. Não sabíamos apenas o quanto demoraria tal passo. Hoje eu sei da necessidade de tal demora. Uma escola cruel em que aprendi muito sobre o ser humano. E sobre mim.
Não importa o que fiz após a conversa com a confidente. E não é por que eu não me lembre. Certamente comemorei de alguma forma. Ainda que simples. Contei aos familiares, é certo. Algo diferente que fiz, certamente, foi dormir mais cedo. Nada escrevi. Naquele tempo, eu apenas tecia cartas de amor para a minha linda japonesinha. E, não há dúvidas, dei a ela a notícia. Com muito carinho, a bela oriental recebeu a novidade. Modo seu que não esqueço. O dia seguinte daria início a uma jornada um tanto longa. Para quem acha que quatro anos em um ambiente desagradável não é pouco.



Naquela empresa - Texto 2

sexta-feira, setembro 01, 2006 · 0 comentários

O mundo gira rápido. As pessoas têm pressa. Não me difiro muito. Nesse sentido, melhor começar objetivamente. Este parágrafo foi só para explicar.
10º andar. Não me lembro número da porta. Aviso que estava ali para uma entrevista. A moça simpática me atende. Estou de jeans, blusa e pólo pretas. Sinto-me elegante. O ambiente não concorda com o modo o qual eu me sinto.
Sou ator de uma cena que veria repetida diversas vezes. Uma cadeira e uma pessoa dada como alguém que não tem o que fazer. E que deve esperar o quanto a empresa desejar. A fila do desemprego é grande.
Naquele tempo, há cerca de seis anos, eu não pensava o mundo com muita lucidez. Perdia-me sem saber quem eu era de fato. E equivocava-me com comportamentos artificiais e inseguros.
Eu. A cadeira. A espera. Pessoas passavam por mim. Buscava cumprimentos sem obter sucesso. Esta cena dizia muito sobre a empresa. Não fiz a devida leitura.
A longa espera denotava o desrespeito do dono da empresa em relação aos seus funcionários. Os cumprimentos negados davam a tônica da falta de união e carinho entre as pessoas que diariamente cumpriam a amarga carga horária.
Fui superficial. Não vi a essência. Eu precisava do emprego. Só com tempo a alma substituiu meus olhos. E aí então pude ver onde estava. Com quem lidava. Os limites dos relacionamentos. A distância entre patrão e funcionários. Por enquanto, o que me separava do patrão era uma porta e a sua falta de respeito com os entrevistáveis. Ali na cadeira, eu seguia esperando...



Naquela empresa - Texto 1

quarta-feira, agosto 30, 2006 · 0 comentários

Este texto trata-se de uma introdução. Leva o nome de “Texto 1” como uma forma de diferenciar. Algo que gosto. Sem deixar de ser influenciado pelas referências. Precisamos delas.
“Naquela empresa” se dividirá em alguns textos. Não sei quantos. Neles, as minhas impressões sobre aquele lugar hostil e de pouco carinho entre as pessoas.
Foram cerca de quatro anos. O desejo de libertar-me acompanhou-me fielmente. Sim. Aquilo era uma prisão. Não estudar era uma forma de se manter condenado. Felizmente, fiz caminhos ao caminhar. Vai ver que escrever é uma forma que encontrei de libertar a minha alma que, de certo modo, presa está àquela empresa. A introdução está pronta.



Naquela empresa - série de textos que serão publicadas

segunda-feira, agosto 28, 2006 · 0 comentários

“Naquela empresa”. Título de uma série de textos que irei publicar. Neles, contarei as minhas impressões sobre os meus quatro anos naquela empresa. Não sei ao certo o que tecerei. Certamente, falarei das pessoas. Do ambiente. Das opressões. Das diferenças. E da minha adaptação. Esta que garantiu a sobrevivência do meu ego em meio a um ambiente de não amor. Disputa e muita inveja.
O número de textos não está definido. Não haverá um título para cada um deles. Apenas vou diferenciá-los com o número. O primeiro deles, que é uma introdução, será “Texto 1”. E assim se dará sucessivamente.
Espero que estes textos produzam muitas identificações. Isto é o que este blog procura fazer. De um modo sincero. Enfim, espero que gostem. E que não gostem.



Não sei o título

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Antes de iniciar, uma satisfação. Estou estático. Mão que segura a caneta apóia o queixo. Olhar pela ventana. Parece que lá fora nada me incomoda. Vai ver que é por isso que nada escrevo agora. Busco pautas com os olhos. Mas parece ser mais fácil textos que partem de incômodos. Mas isto não me é regra.
Eu queria adentrar por caminhos poéticos. Neste texto. Que construo. E que vai sem rumo. Diferimos nisto. O meu rumo é certo. Meu horário está determinado. Neste momento, não sou livre. Sou da empresa que me emprega.
Mas se a poesia não vem, que faço? Implorar à minha alma de nada adianta. Espontaneidade que é bom. Mas ela adora se esconder. E ai obriga-me a me revirar. Encontrar algumas poucas palavras restantes no fundo de mim. Eu faço a busca. Insisto. Pego a palavra que surge. Não nego. E só assim. Apenas assim. É que escrevo.



Um parágrafo a mais (texto de um outro momento - recente)

sábado, agosto 26, 2006 · 0 comentários

Vou para o trabalho. Não busco pautas. Pouco observo. Dou conta que já faz dias que não escrevo. Não sei quantos. Uma inquietação assombra-me. O que terá mudado em mim? Não consigo mais “tecer o presente”?
Lá no outro coletivo aquela conversa. Dois desconhecidos. Uma boa pauta. Mas se eu prestava alguma atenção, não imaginava construir um texto a respeito. Daí, indaguei as razões desta negativa. Respostas, não encontrei. E assim prossigo. Nada narro sobre o episódio. A pauta interessante: desconhecidos que se falam. Carência? Simpatia? Bem estar com a vida? O quê?
Este texto não passaria de dois parágrafos. Mas ao fazer uma releitura para a devida publicação, percebi que faltava algo mais. Não sei se o que falta será dado aqui neste parágrafo. Na verdade, não carrego comigo esta preocupação. Quero apenas escrever um pouco mais. De um modo livre. Descomprometido. Acho que é isso. Descomprometimento. Precisamos disto. Para relaxar. E viver de um modo mais intenso, por exemplo, os momentos juntos aos amigos. Bom, é isso. Talvez não precise de mais um parágrafo este texto. Acho que não precisa mesmo.



Palavras a esmo

quarta-feira, agosto 23, 2006 · 0 comentários

Data real do texto: 07Agosto2006

Ônibus parado. Pessoas entrando. Terminal. Sol e calor. Mulher de saia. Bumbum destacado. Olhar lascivo. Jornal para ler. É de ontem. Opção por escrever.
Falta de conexão. Segue o texto. Palavras a esmo. Escrever o que vier.
Ônibus. Movimento. Bela mãe que passa pelo corredor. Carência. Brisa. Refresco. É inverno. Contradição da natureza.
Ônibus. Outro. Sono que veio. Não ficou. Desejo não atendido. Olhos fechados. Em vão.
Pela manhã. Faculdade. Quarto semestre. Primeiro dia. Olhares sem afeto. Diferenças não aceitas. Divisões. Ilustração do mundo. Sem solução.
Parágrafo último. Tem que terminar. Se essa é uma lógica da natureza, não sei. Sei que é uma lógica do ser humano. Termina.



Personagens parecidos. A vida como um filme

segunda-feira, agosto 21, 2006 · 0 comentários

Tenho muito papel aqui. Uma caneta que comprei há pouco. O desejo de escrever. A longa viagem. E o repertório desta metrópole tão injusta.
São Paulo é isso. Muito assunto. E não precisa ser novidade. A mesmice pode receber um olhar diferente.
Aqui no ônibus. O que temos? Passageiros. Bancos. Corredor estreito. Motorista e cobrador. Mau humor. Há outros detalhes. Deixo para vocês. Imaginação.
Mas o que temos aqui também são somas. Graus de felicidade. Um mais. Outros menos. Outros nem. E isso me é interessante. Não se trata de altruísmo. Realidades são como são. Podem ser mudadas. Mas gosto de ver tudo isso como um grande filme. Onde até o sofrimento é belo. Depende do ângulo.
Assim, os diversos personagens seguem “juntos” nesta viagem. Na verdade, é cada um na sua. Ninguém puxa assunto. Isto ocorre raramente. Mas é exceção.
Neste isolamento todo, seguimos viagem. Rumos diferentes. Pensamentos desiguais. Mas o fato é que há muito de parecido entre nós. O que muda é como convivemos com o que temos de similar com o outro.



O sonho e a dura realidade

sábado, agosto 19, 2006 · 0 comentários

Data real do texto: 16Agosto2006
Agora. Não quero pensar no futuro. Assusta-me fazê-lo. Sei que não estou sozinho neste conflito. A resenha deste blog esclarece o porquê desta afirmação.
Não gosto de pessoas frias. Mas sou obrigado a ter com elas. Falo com ele. Necessito dar satisfações. Absoluta obrigação. Por mim, jamais lhe daria nem mesmo saudações de quem chega.
Outro dia. Reflexões. Será que ele não está certo na frieza? No desprezo? Na arrogância? Afinal de contas, quantos não são apunhalados quando tratam os demais com carinho e afeto verdadeiro?
Sei como é ser apunhalado. O ser humano é imprevisível. Necessário percepção do uso das máscaras. Observar. Verificar. Palavras e comportamento. Coerência.
Aprendi uma lição recentemente (sigo crescendo). Não podemos entregar segredos tão inocentemente. As pessoas adoram ouvi-los. Depois os utilizam contra nós. Destrutividade. Infelicidade.
Não quero aqui vender alma pura. Já se foi o tempo em que eu me via como vítima. E foi muito bom descobrir minhas facetas de vilão. É absolutamente necessário saber os nosso defeitos. Só assim para corrigi-los. Obviedade.
Sinto-me fragilizado. O mundo me parece cinza. As pessoas tristes. Massacradas. Exploradas. Sei que estou negativo. E muito sei que transfiro as minhas dores internas para a humanidade. Momento.
Sou um sonhador. Talvez eu viva mais nos sonhos. E finja não ver a realidade. E quando entro em contato com ela, adoeço.
E quais são meus sonhos? São simples, na verdade. Possíveis. Não é muito querer um bom emprego. Reconhecimento profissional. Uma bela mulher ao meu lado. Ela também bem sucedida. Uma casa para nós. Nosso carros. Cão para alegrar. Filhos, quem sabe. Amor. Muito amor. A sensação deliciosa da volta para a casa. E encontrar a felicidade da mulher amada. Mas isso é sonho. A realidade é outra. E ter com ela diariamente é fruto de dor.
Positivismo. O sofrimento faz crescer. Talvez até nos torne menor em alguns casos. Revolta. Espero adentrar o caminho do crescimento. E quem sabe um dia flertar com o alívio. E ao chegar a casa, encontrar tudo o que hoje é sonho. Que duramente parece tão distante...



Carona (texto de uma leitora que prefere o anonimato)

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- Moço, dá uma carona!

O rapaz olha a mulher ali ao lado do carro e como lhe parece familiar, diz que sim. Gentilmente abre a porta.
É noite. Fim de expediente. O cansaço fica evidente no modo como seus olhos se encontram com os dela. Nada de avaliação. Apenas indagação quanto ao destino da carona. É cuidadoso ao retirar o carro do estacionamento, acena amistoso para o vigia. Agradecimento. Rotina.
O trânsito exige toda a sua atenção. A hora do rush já passou, mesmo assim o fluxo continua intenso nessa cidade que não dorme nunca.
Tece algum breve comentário sobre esse ou aquele ponto da cidade. Ela reclama do calor que assola a metrópole nos últimos dias. Ele responde que esse fenômeno tende a piorar daqui até outubro.
Sua atenção continua no trânsito. A atenção dela se concentra em suas mãos ao volante. Mãos firmes e ao mesmo tempo gentis. Dirige com a perícia de quem está acostumado a transpor barreiras sem, no entanto, atropelá-las. Uma faixa para pedestres. Freada suave. O fluxo segue e são levados por ele. Um motoboy passa 'costurando' o trânsito. Ela se assusta. Ele apenas ri e comenta que a velocidade da vida às vezes nos faz cometer imprudências. Isso não apenas no trânsito!
Ela observa seu perfil. Queixo firme. Boca bonita. A barba está começando a despontar. Olhos expressivos que mesmo atentos possuem uma doçura misteriosa. O movimento nas calçadas não escapa à sua percepção. Comentário breve sobre uma peça que está em cartaz. Ótima, diz ele.
Ela flagra um meio sorriso, quando diz a ele que nunca foi a um teatro. Ele diz que isso o faz lembrar de alguém. Os dois riem.
A viagem continua. O celular toca. Ele atende, e educadamente diz que está no trânsito. Retornará a ligação mais tarde. Novamente suas mãos se tornam o foco da atenção dela. Quando muda a marcha o faz com naturalidade e leveza invejáveis. Ela fica imaginando que da mesma maneira com que dirigiria um Jaguar, aquele homem dirigiria um fusquinha, sem que o ego afete sua maneira de ser por conduzir esse ou aquele carro. Ela olha através do vidro e conclui que uma das melhores maneiras de se analisar como uma pessoa conduz sua vida é vendo como ela se comporta no trânsito.
Ela sente que sua admiração por ele cresce à medida que observa seus movimentos. Respeito ao pedestre. Nada de buzinadas e freadas bruscas. Segue o fluxo e nos momentos decisivos faz o que tem que ser feito. Ultrapassagens seguras.
Farol fechado. O tamborilar dos dedos no volante é o único indício de sua pressa.
A imaginação fértil da mulher se põe a trabalhar e visualiza aquelas mãos com uma certa impaciência despindo o corpo de uma mulher. E não consegue evitar um meio sorriso. Com certeza, pensa ela, a perícia e suavidade continuam elementos comuns nesse outro segmento.
Há algo de sensual na maneira como ele massageia a nuca. Músculos cansados. Outro farol. Ela sente seu perfume e se pergunta como alguém pode sair de um dia de trabalho e ainda conservar aquela aura de masculinidade, aquele cheiro gostoso de homem bem cuidado.
A viagem está terminando. Ela tenta prolongar aqueles momentos indagando sobre sua vida. Ele diz que sua vida, no momento depende de um banho relaxante, cama e um bom livro! Ela sorri. Identificação de gostos. Divergência de rumos. Ele pára o carro. Ela agradece a carona de modo formal. Diz que ainda segue rumo a um ponto de ônibus próximo. Mas não lhe informa que tomará ainda naquela noite um avião rumo a Goiás. Aperto de mãos. Quase cede ao desejo de passar a mão pelo seu rosto ao dizer novamente: obrigada!
Não fica bem... Sai do carro. Fecha a porta com delicadeza. Sorri e acena um adeus. Ele corresponde. O cansaço ainda está lá naqueles olhos, mas algo mais lhe chama a atenção. Avaliação. Um segundo de reconhecimento como se pensasse: de onde mesmo me lembro dessa mulher?
O sorriso íntimo dela se intensifica, pois ele não reconheceu a passageira de muitas viagens de ônibus, de trem ou metrô. Alguém que esteve muitas vezes por perto. Uma integrante de seu intenso e delicioso mundo virtual.



Fragmentos de observações à janela do ônibus

quarta-feira, agosto 16, 2006 · 0 comentários

Inverno. Calor. Camiseta. Papel e caneta. Ônibus. Rotina. Observar. Gosto. Intuição. É o que uso mais. Agrada-me. Sentir é melhor que ver.
Lá fora o trânsito. Eu dentro dele. Lentidão. Catalisadores diminuem a emissão de poluentes. Tecnologia e meio ambiente.
Carros. Retrovisores. Jovens penduram produtos. O motorista quase sempre não desce o vidro.
Farol. Não abriu ainda. Os vendedores maltrapilhos correm e retiram suas mercadorias. Vendas difíceis. Vida difícil.
Faróis. Circo nas ruas. Alguns, profissionais. Há crianças também. Malabarismos desajeitados. Alguém ganhando. Exploração infantil.
Volantes e aceleradores. Agressividade. Momento patológico. Palavrões. Narizes empinados. Faces endurecidas. Personificação. Fora do carro, outra pessoa. Mas há os normais. Ou próximo disso, melhor dizer.
Faróis vermelhos. Infrações. Radares. Medo. Setas não dadas. Problema de comunicação. Faixa para pedestre. Motoristas deseducados. Multa.
Há belezas no trânsito em São Paulo? Há. O motorista dá a vez ao outro. Buzinadinha cortez. É o “obrigado”. Diminui a velocidade, tem pedestre na pista. Paqueras. Há belezas, sim. Raras, mas há. Com relação a respeitar o código de trânsito, não se trata de algo belo. Nada mais é do que obrigação. O medo da repreensão dita tal respeito.



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Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



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