Sobre política, tentarei. (falo do desserviço dos publicitários na política)

quarta-feira, dezembro 21, 2005 ·

Mais uma vez o tema é de meu agrado. Aliás, só poderia ser assim, senão eu não escrevia. Sobre política, tentarei.
Lembro-me de dois ou três colegas de colegial. Algumas vezes falamos sobre o tema deste texto. Não eram amigos, apenas colegas de classe.
Quando o assunto era corrupção na política, as divergências explodiam. Eles apoiavam roubar dinheiro público. Diziam que fariam o mesmo se fossem eles os eleitos. Evidentemente um absurdo que eu discordava prontamente.
Estes rapazes, jovens trabalhadores e estudantes, não foram os únicos a me falar isto. Lembro-me também de uma amiga que me disse que roubaria só um pouquinho. E que jamais tiraria comida da boca de criança. Fato este que não diminuiria sua pena moral.
Aprendi com a minha família a respeitar o que me é alheio. Seja público ou privado. Para mim não faz diferença. Se não é meu, respeito como se meu fora.
A corrupção é fruto, também, do individualismo brasileiro. Somos um dos países mais corruptos do mundo. Na América Latina, estamos entre os povos que menos confia um no outro.
Perdoem se tal informação choca. Ela é real. É possível mudar? Não sei! Talvez!
Se observarmos, veremos algo acinzentado. As pessoas que almejam o poder normalmente não têm a honestidade como um grande valor. É isto que precisa continuar a mudar. Os honestos precisam almejar o poder.
Eu não tenho dúvidas que há honestos na política brasileira. Sei que isto é algo difícil de acreditar para a maioria das pessoas. Observem bem. Encontrarão boas opções.
Na procura por estas boas opções, esqueçam os apelos publicitários. Não se prendam à imagem. Do que vale um terno bem cortado? Um pequeno detalhe que, infelizmente, é componente de persuasão. Esqueçamos a aparência. Não preciso nem dizer que este componente muitas vezes é traiçoeiro.
Ligando corrupção com os publicitários, cabe aqui um comentário. Os publicitários que trabalham em campanhas políticas prestam o maior de todos os desserviços que estes profissionais poderiam prestar.
Por exemplo, se não fosse um grande publicitário teríamos tido Serra e não o Pitta. Vejam, não sou tucano. Se Serra não é dos melhores, certamente era muito melhor que aquele que o venceu na sucessão para prefeito em São Paulo, dominada, então, pelo malufismo, que também foi obra deste mesmo publicitário.
PT e PSDB estão entre os grandes avalistas do uso de publicitários nas campanhas políticas. Regra do jogo? Impossível evitá-las? Dado o tamanho destes dois partidos políticos, penso que poderiam ter evitado tal estratégia. Assim, teriam tido a nobreza de ajudar na politização do povo brasileiro. Mas, preferiram o caminho da indução. Zerar a capacidade de pensar de cada brasileiro. Prestaram, junto com os homens da publicidade, um desserviço que deve entrar para história. E ser lembrado em cada nova eleição. Não nos deixemos ser enganados, é o que peço.



1 comentários:

Anônimo disse...
dezembro 29, 2005  

Sua visão do todo no que se refere aos jogos de poder é ampla, mas, com as devidas desculpas, não é tão imparcial quanto quer parecer.(acredito que você não seja tucano, mas tenho uma leve impressão que gostaria que o Serra ganhasse ainda assim) Ainda não sei direito, mas acho que nesse lance dos marqueteiros de campanha política, o papel desempenhado por eles se tornou essencial nas manobras para o alcance do objetivo (poder). Não há que se esperar uma atitude por parte dos políticos, diga-se de passagem, os clientes, nessa barafunda toda. Esse papel é do povo mesmo, gente como você, futuro profissional de jornalismo, na tentativa de inculcar na mente do povo brasileiro alguma informação e reflexão nesse sentido.

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Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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