Coração, dedos e cérebro...

sábado, dezembro 31, 2005 · 1 comentários

Olho para o teclado. Duvido sobre a possibilidade de escrever algo. Então inicio confessando esta dúvida. Para quem sabe os meus dedos formarem palavras. E quem implora palavras aos meus dedos é o meu coração. Ele pede algo belo. Palavras que emocionem. O coração pede sem consultar o cérebro. Porque é este quem vai dar a permissão final. E então é preciso saber se ele está disposto a permitir tal desejo. Pobre coração, nem sempre é atendido. Por isto, muitas vezes, ele se contraí. Aperta. Fica triste. À espera de uma nova chance. Agora, o que não podemos reclamar é que ele por muito tempo pede novas chances. Às vezes até guarda rancor. E, quando a soma de tais sentimentos ruins se repete seguidamente, o coração, então, se amarga. E aí ele se fecha. E o reflexo está na face. Que se embrutece. O olhar perde o brilho. O sorriso perde a verdade. Os lábios se contraem. E aí eu me pergunto se há chance de purificação. Não total, pois isto não é possível. Fico na dúvida sobre este questionamento. A verdade, para mim, é que na grandíssima maioria dos casos não há mais volta. E aí fico meio triste. Saber que aquela face não sairá do embrutecimento. . Aquela pobre pessoa é agora vítima do seu coração. Que se embruteceu. E que agora é pedra... Este texto que começou positivamente terminou de modo meio triste...É a vida. Aqui é um palco da vida. Nem sempre vamos pelos caminhos que desejamos... É assim mesmo...



Talentos

sexta-feira, dezembro 30, 2005 · 2 comentários

Ouço Chico Buarque. Um deleite para meus ouvidos. Este gênio da música brasileira emociona a quase todas as almas. Prendo-me em suas letras que ele transforma em canções. Tenho este compositor como um mestre de textos. É para mim excelente referência.
Falar de Chico Buarque é se perfazer. Ele não precisa de minhas palavras. Dizer que o ouço é, na verdade, querer informar que me agrado com música de boa qualidade. Faço essa confissão. Não que eu tenho feito isto propositadamente. Não digo a confissão. Mas sim falar sobre Chico.
Música é algo que amo. Muitos são os gêneros. Muitas são as obras geniais. Quisera eu ser um compositor e um músico. Saber domar um instrumento musical. Pena que na escola não tinha esta matéria. Não sei se teria me valido. Sinto-me tão incapaz para tocar qualquer instrumento musical. Confesso que me frustra. Mas, é preciso ter claro que cada ser humano tem seu talento. Sei que muitos talentos ficam escondidos. Jamais serão revelados. Mas vejam a beleza disto. Um talento calado talvez seja mais belo que um talento denunciado. Quem é que vai saber?
Chico Buarque é apenas um grande talento da humanidade. Há muitos outros. Mas falo deste apenas. Um dos talentos que mais admiro. Fico por aqui. A música que toca é fácil adivinhar...



Relato sobre este blog

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Pingadamente, vou sabendo que algumas pessoas que não conheço estão lendo este blog. Isto se dá por indicações. Amigos que falam um para o outro. Fico, evidentemente, lisonjeado. Por exemplo, uma amiga que iniciou um namoro, diz que seu namorado lê todos os textos. Relatou-me que ele gosta muito da leitura. A você, meu amigo, meus apreços.
Todos que lêem este blog contribuem para que novos textos sejam feitos. Porque saber que deleito algumas pessoas é para mim carvão que me dá combustível para prosseguir tecendo palavras.
Eu peço desculpas por não produzir nestas férias bons textos. Mas escrever é dizer o que a alma pede. Se ela esvazia os pedidos, eu me calo. Além disso, é preciso estar fora de casa. À caça de pautas. Não de modo neurótico. Tranqüilo. Deixar acontecer. Muitas vezes fica no inconsciente. Daí lá na frente a gente escreve.
Agora que tenho saído mais, buscado diversão, as pautas podem voltar. Vamos ver. Fiquemos tranqüilo.



As pautas estão voltando (mas muito vagarosamente)

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As férias continuam. Estou no “mundo azul”. Ontem fiz algumas atividades. Fui ao belíssimo SESC Santana. Uma obra de arte em meio a tantas outras belas obras na Avenida Dumont Villares. Sobre o SESC farei um texto à parte.
O que quero dizer é que a vontade de escrever, a inspiração, as pautas, vão surgindo na medida em que tenho contato com a rua.
Ontem, duvidei se o carro realmente é “liberdade”. Senti que a pé eu estava muito mais livre. Despreocupado com estacionamento. Se alguém amassaria a lataria do carro que não é meu. Assim, deixei o carro em casa e caminhei até o SESC. E caminhar pela avenida já mencionada foi um deleite. Observar os bares. As belas calçadas. Aquilo tudo parecia uma cidade turística. Mas, é claro, aquilo faz parte do turismo paulistano. Quero estar com bons amigos em algum desses bares.
Desculpem-me pela singela deste texto. Escrevi a esmo, confesso. Vejam, as pautas estão voltando. Isto é vagaroso. Ainda estou meio cru. Vamos ver daqui para frente.



Ego ao volante

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Eu caminhava em minha rua. Voltava do SESC Santana. Um lugar maravilhoso. O rapaz passava com seu belíssimo Corola último modelo. Seu ego se enchia. Era evidente o quanto ele era diferente naquele momento. Isto é apenas uma ilustração do que ocorre com muitos paulistanos que se sentam atrás do volante.
No momento em que indivíduos como estes entram em um carro, há uma súbita mudança. Não sei dizer se as máscaras caem, ou se uma máscara nova é vestida. Ali, o individualismo vem à tona de forma muito evidente.
Muitos já se depararam com indivíduos que passam de carro caçando olhares invejosos. Estas pessoas necessitam ser invejadas para se sentirem bem. Olho para eles com tentativa de compreensão. Sei que são pessoas insatisfeitas consigo. Mas não nego que fico irritado. Acho ridículo. Um dia vou aprender a entendê-los.
O motorista paulistano é digno de muitas pautas negativas. Hoje quis falar apenas um pouco do ego deles. Adoraria que algum desses tivesse contanto com este texto.



Férias (informe)

quarta-feira, dezembro 28, 2005 · 1 comentários

Devo dizer a vocês que as férias estão me roubando a imaginação, as pautas. Levanto tarde da cama. Sinto como se tivesse acabado de nascer. Fico meio perdido. A vontade é de permanecer no ventre. Vejo que não cumpri com intenções. Alguns compromissos deverão ser protelados.
Mas o que quero dizer é que muito possivelmente escreverei pouco nestas férias. Não se trata exatamente de uma previsão. Tenho isto apenas como uma possibilidade. Com relação à falta de imaginação, vou ilustrar. Mas preciso de um parágrafo novinho em folha (uma amiga ficará indignada!).
Este texto é simples. Escrevi e apaguei algumas coisas. Parei para pensar. Acabei de parar. Entendam, nasci a pouco. Conheço pouco a vida. Li quase nada. Ignoro praticamente tudo nesta vida. Assim, fica difícil escrever. Então tenho que ter calma. Saber esperar. Buscar dentro de mim as palavras mais certas (será mesmo que são as mais certas?). Feito este processo, escrevo. Mas pouco, muito pouco. E de modo bem simples. E, para que um recém nascido não faça tanto esforço, vou terminar este texto. Fica informado que pouco escreverei nestas férias. Não tenho nenhum texto escrito em algum papel esperando tornar-se digital. Também não tenho nenhuma idéia. Enfim, estou oco. Bem oco. Até idiota. É isso, amigos. Entendam.



Ritual

segunda-feira, dezembro 26, 2005 · 0 comentários

Um compromisso me espera (ou será que espero o compromisso?). Enquanto aguardo a hora de partir, escrevo.
A pouco eu havia mencionado uma tensão. Ela diminuiu. Pensei que o supermercado ira tonificá-la. Não foi isto o que ocorreu. A música era até boa. O locutor pouco implorou. A fila estava pequena.
Fiz algo simples. Comprei uma cidra no mercado. Fiz opção pelo preço com números menores (meus amigos me conhecem!) Isto é algo que faço uma vez ao ano. Uma taça de cidra. Vinho espumante. É como um ritual. Que me faz bem. Não escolho companhia. Gosto, mesmo que seja sozinho.
Cada pessoa possui uma espécie de ritual. Algo que ela gosta de repetir. Não importa a periodicidade. Cada um faz a seu modo. O meu é simples. É do meu jeito.



Criando deuses

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Eu estava no banco da frente. O casal conversava. A pauta era única. Um verdadeiro culto evangélico. Ansiedade e inveja. Ele disse que o segundo é bem pior. Não duvidei. Achei interessante. Guardei comigo esta opinião.
Eu não lia. Tampouco escrevia. Também não pensava em fazer um texto. Apenas seguia viagem, ali sentado. Observava que a pauta do casal não mudava. O que causava em mim certa angústia. Tanta coisa neste mundo! Não pode haver um único assunto!
Eu não sou religioso. Não rezo. Às vezes gosto de entrar em uma igreja. Já sentei-me no banco de madeira desconfortável. Conversei com Deus. Eu precisava fazer isto, não me importava se tudo não ia mudar (caramba, tudo mudou!). Apenas fiz...
A fé daqueles dois me fez pensar. Claro que ali havia muito mais alienação do que fé. O fanatismo era evidente. Não via beleza em suas palavras. Suas vozes eram ecos...De qualquer forma, não posso negar, aquele casal me influenciou. Pois quando mudei de ônibus, tendo sentado no banco que me restava, resolvi conversar com o abstrato. Não foi uma conversa exatamente com Deus. O que fiz foi o seguinte (vou escrever neste parágrafo mesmo!): criei alguns deuses. Não enumerei. Não dei forma. Endereço também não dei. Dei apenas a existência. Uma liberdade minha. E aí conversei mentalmente com os meus deuses. Pedi muitas coisas. Pedi desculpas por pensar neles apenas porque estava angustiado. Por que não fazê-lo na alegria? E busquei alívio. Agora, se vou esquecê-los não sei. Se eles vão atender os meus pedidos também não sei. E aí eu penso: quantos deuses já foram criados? Quantos pedidos foram esquecidos? E por favor entendam a minha liberdade de professar ou não a minha fé. Cada um tem o seu jeito de fazer...



Depois...

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Bom, já que estou aqui vou escrever. O quarto não é exemplo de organização. Também não está pior do que antes. O que não falta é tempo. Depois dou uma ajeitada.
Depois. Pois é, a vida também é protelar. Se pudéssemos fazer isto com os anseios! Creio que consigamos esquecê-los um pouco. Mas eles permanecem ali à espreita. E surgem de quando em quando para que não os esqueçamos. Talvez para que não nos furtemos de crescer. E isto, no fundo, está evidente, é bom!



Botão, emoções, tempo...

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Às vezes, nem sempre, uma tensão me domina. São as emoções que se afloram. Quisera eu descobrir o botão. Desligar as emoções. Zerar pensamentos.
Mas botão não há. Assim, uma única certeza me tem. A de que vou seguir tenso. O remédio é o tempo. Esperar que passe. Será que escrever ajuda? Será a tensão a causa deste texto? Não sei não! Sei que estou tenso, só isto!



Sobre política, tentarei. (falo do desserviço dos publicitários na política)

quarta-feira, dezembro 21, 2005 · 1 comentários

Mais uma vez o tema é de meu agrado. Aliás, só poderia ser assim, senão eu não escrevia. Sobre política, tentarei.
Lembro-me de dois ou três colegas de colegial. Algumas vezes falamos sobre o tema deste texto. Não eram amigos, apenas colegas de classe.
Quando o assunto era corrupção na política, as divergências explodiam. Eles apoiavam roubar dinheiro público. Diziam que fariam o mesmo se fossem eles os eleitos. Evidentemente um absurdo que eu discordava prontamente.
Estes rapazes, jovens trabalhadores e estudantes, não foram os únicos a me falar isto. Lembro-me também de uma amiga que me disse que roubaria só um pouquinho. E que jamais tiraria comida da boca de criança. Fato este que não diminuiria sua pena moral.
Aprendi com a minha família a respeitar o que me é alheio. Seja público ou privado. Para mim não faz diferença. Se não é meu, respeito como se meu fora.
A corrupção é fruto, também, do individualismo brasileiro. Somos um dos países mais corruptos do mundo. Na América Latina, estamos entre os povos que menos confia um no outro.
Perdoem se tal informação choca. Ela é real. É possível mudar? Não sei! Talvez!
Se observarmos, veremos algo acinzentado. As pessoas que almejam o poder normalmente não têm a honestidade como um grande valor. É isto que precisa continuar a mudar. Os honestos precisam almejar o poder.
Eu não tenho dúvidas que há honestos na política brasileira. Sei que isto é algo difícil de acreditar para a maioria das pessoas. Observem bem. Encontrarão boas opções.
Na procura por estas boas opções, esqueçam os apelos publicitários. Não se prendam à imagem. Do que vale um terno bem cortado? Um pequeno detalhe que, infelizmente, é componente de persuasão. Esqueçamos a aparência. Não preciso nem dizer que este componente muitas vezes é traiçoeiro.
Ligando corrupção com os publicitários, cabe aqui um comentário. Os publicitários que trabalham em campanhas políticas prestam o maior de todos os desserviços que estes profissionais poderiam prestar.
Por exemplo, se não fosse um grande publicitário teríamos tido Serra e não o Pitta. Vejam, não sou tucano. Se Serra não é dos melhores, certamente era muito melhor que aquele que o venceu na sucessão para prefeito em São Paulo, dominada, então, pelo malufismo, que também foi obra deste mesmo publicitário.
PT e PSDB estão entre os grandes avalistas do uso de publicitários nas campanhas políticas. Regra do jogo? Impossível evitá-las? Dado o tamanho destes dois partidos políticos, penso que poderiam ter evitado tal estratégia. Assim, teriam tido a nobreza de ajudar na politização do povo brasileiro. Mas, preferiram o caminho da indução. Zerar a capacidade de pensar de cada brasileiro. Prestaram, junto com os homens da publicidade, um desserviço que deve entrar para história. E ser lembrado em cada nova eleição. Não nos deixemos ser enganados, é o que peço.



Melhor fazer um esforço. Melhor acordar.

terça-feira, dezembro 20, 2005 · 0 comentários

A água do chuveiro tocava o meu corpo. Um presente para a minha alma. Um momento meu. Ato solitário. Palco de pensamentos os mais diverso. Alguns devaneios também. Um momento comum a todos...

Pensativo, verifiquei uma contradição minha. Não sei ser este o modo mais correto para definir o que pensei. Melhor eu esclarecer logo. Farei isto não neste parágrafo...
Ocorre que o assunto que mais leio é política. E, exatamente sobre isto, eu pouco escrevo. Então, ainda sob a massagem da água do Lorenzetti (ou será Fame? Não me lembro agora!) busquei explicações. Concluí que leitura de jornal não é o suficiente. Política é algo complexo. Um mundo diferente. Com sua ética própria. Onde, fazer o jogo sujo não significa necessariamente falta de bom caráter. São as regras do jogo. Um mundo tão masculino só poderia ter muito de sórdido.
Não quero dizer aqui que política não é para as mulheres. Muito pelo contrário. Penso que a política vai ser menos obscura se um dia ela for dominada pelo mundo feminino. E este, vocês sabem, é muito mais belo que o mundo sexualmente oposto.
Bom, eu iniciei o texto com a proposta de falar sobre política. Creio que apenas mencionei o tema. Não me aprofundei. O motivo já está explicado.
Ao escrever este texto, neste momento, lembro-me de uma amiga que diz odiar política. Que até tenta ler os textos deste blog que tratam sobre este assunto. Mas sempre se vê no meio do caminho. Ou mesmo antes disto.
Política, vocês sabem, rege as nossas vidas. Sua importância é indizível. Necessário que nos interessemos mais por este assunto. Esquecer o que a escola a televisão (e os próprios políticos) nos ensinaram: odiar política, odiar pensar. Isto favorece as classes dominantes. Atentem-se o quanto elas estão inseridas no mundo da política. Melhor fazer um esforço. Melhor acordar.



Gosto

sábado, dezembro 17, 2005 · 1 comentários

Gosto de iniciar um texto sem a menor idéia do que vou escrever. Assim, sigo na escuridão. Será que gosto de caminhos errantes? Será que gosto de seguir incerto? Bom, o fato é que não sei. Faço as perguntas. Deixo que elas fiquem no ar. Muitas perguntas recebem respostas futuramente. Assim, eu sigo tranqüilo. E sigo escrevendo.
Lembro-me de duas amigas no momento. Uma reclama que eu mudo de assunto repentinamente. A outra se indigna com o fato de eu criar expectativas. Na verdade, são dois modos de encarar alguns textos meus. Algo que acho fantástico.
Estive com uma delas ontem. Podemos ler e discutir alguns textos meus. Foi muito prazeroso o momento. Esta mulher é deveras inteligente. Lê com toda a sua sensibilidade (ou será quase toda?). Gosta dos textos. Produz identificações.
Vejam, escrevia a esmo e a segunda amiga virou pauta. Seguirei neste rumo.
Esta mulher é também do grupo que faz este mundo melhor. Conversar com ela é momento de grande prazer. Não apenas por sua serenidade e inteligência, mas também por sua sensibilidade.
Por que gostamos de pessoas sensíveis? Por que será? Vocês já perceberam que eu pouco respondo às perguntas que faço? Pois é, sou cheio de indagações. Vazio de respostas. Será mesmo?
Vou ser sincero. Não me prendo a pautas. Eu escrevo com a alma. Sigo veloz. Mando para a tela do computador o que vem. E o que vem é rápido. Não nego, às vezes paro para pensar. Não é este o caso. Talvez por isto, minha amiga, eu mude de assunto tão repentinamente. E talvez também, minha outra amiga, eu prometa e nada escreva...



Voltando para casa

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Vou tentar relatar a minha viagem de volta para casa hoje. Linha Terminal Santo Amaro-Bandeira. Cotidiano. Mais uma vez, ônibus velho. Como eu disse, nem sempre consigo evitá-los.
Estava eu sentado em sentido contrário. Muitas pessoas de frente para mim. Antigamente eu receava sentar nestes bancos. Encarar as pessoas de frente não era fácil. Mas agora faço isto com absoluta tranqüilidade. Entre outros fatores, é a maturidade que me permite.
Sabe, às vezes os coletivos parecem um palco. Nele, tragédias sociais. O menino distribui os papéis. Pede a sua esmola. Um texto pronto. Pergunto-me quem fez este texto. Quem definiu o modo de falar. Um modo meio cantado. Arrastado. Chato. Que convence a alguns.
Penso que aquele garoto, que é só mais um entre tantos garotos e garotas, e, principalmente, adultos, representa um papel que lhe foi passado. Ao olhar para ele, pensei: FORTE O SUFICIENTE PARA ESTAR TRABALHANDO. Um momento reacionário meu. Caí para esquerda e reformei o pensamento: DEVERIA ESTAR ESTUDANDO.
O ônibus seguia trepidante. Eu escrevia textos em minha cabeça. A imaginação corria mais veloz que o sanfonado. Então, aquele casal bizarro me intrigava. Uma cena de cinema. Senti-me frente a um belo filme europeu. Como OS AMANTES DE UMA LOIRA. Um filme tcheco que não faz uso de belos atores, muito pelo contrário, beleza neste filme só a dura realidade daquelas meninas solitárias naquela pequena cidade.
O casal parecia brigar. Eu não tinha certeza do que via. Talvez o grandalhão brigasse com a pequena. Olhei para o rosto dele. Queria sentir se ele a amava. Devaneio meu, eu sei. Mas enfim, eu não conseguia definir nada...
Às vezes eu abandonava o casal. Desistia. Deixava de frustrar-me. Olhava pela janela e sentia os olhos apertar. Pasmem! Não era o sol que me obrigava a franzir a testa e apertar os olhos. Não era por charme também. Sentia, meus amigos, que os meus olhos se umedeciam. Uma sensibilidade tomara conta de mim naquele momento. Brigava para não verter lágrimas. Imaginem a vergonha.
Este desejo mencionado no final do parágrafo acima tinha uma origem (creio): as mulheres. Bastava eu lembrar daquelas que vi chorando esta semana que me vinha um desejo de solidarizar com elas. Pretexto apenas? Não sei! Mas as mulheres me emocionam. Essa honestidade em chorar é fantástica. Diferença biológica? Não sei também! Na verdade, penso que não exatamente. Porque eu creio que nós homens não choramos tanto, ensinados que fomos.
Olhava mais uma vez ao meu redor. Pensava em outro texto. Não havia como escrever. Caneta não basta. Sabia que estava perdendo uma boa oportunidade. Mas a vida é assim mesmo. Então eu seguia tranqüilo.
O casal bizarro desceu do ônibus. O grandalhão branquelo seguia na frente pela calçada. Depreendi que ele estava com raiva de sua parceira. Dei de ombros. Outra olhadela e eles se davam as mãos. Fato este que não me foi suficiente para depreender o amor entre eles.
Segui olhando pela janela. Os olhos apertavam novamente. Não trazia comigo lembranças do trabalho. Meu único desejo era escrever (e não verter lágrimas!).
A viagem chegara ao fim. Muitos outros detalhes soneguei neste texto. Fiz escolhas. É assim a vida às vezes. Feita de escolhas. Pena que nem sempre é assim. Obrigados que somos a aceitar determinados acontecimentos.
Dirigi-me ao metrô. Esperava ele lotado. De fato estava assim. Outra viagem se iniciaria. Meu estado de espírito já não seria o mesmo. Não que tivesse se diferenciado tanto. Mas eu mudara. Percebia isto em mim...



O FOTÓGRAFO EGOÍSTA

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Conheço fotógrafos. Eles estão inseridos em minha realidade profissional. Temos afinidades. Sou cinegrafista.
Entre os fotógrafos que conheço há um que carrega uma singularidade. Antes de contar o que o diferencia dos demais colegas de profissão, devo dizer que este profissional, que é muito talentoso na arte de fazer fotos, é um de um caráter exemplar. Um exemplo que deve ser seguido pela humanidade. Escrever sobre ele é também uma forma de homenageá-lo.
Pacato, ele segue a vida com tranqüilidade. Talentoso, muitos querem os seus serviços. Poucos tem o resultado. Sim, ela faz as fotos, mas não as entrega.
Dia desse eu disse a ele que seu amor pelas fotos é tanto que ele não consegue se livrar delas. Ou mesmo reparti-las, algo que o sistema digital permite.
Causa-me risos ao vê-lo sendo cobrado. E não são poucos os que estão ávidos em ver como ficaram as fotos. “E AS MINHAS FOTOS? QUANDO VOU VÊ-LAS? LOGO, NÃO SE PREOCUPE!” Esse diálogo se repete semanalmente.
Penso neste fotógrafo contemplando suas fotos. Amando o fato de sonegá-las. Todas em seu computador. Sendo tratadas no Photoshop. E ele se rindo por não entregá-las! E temendo tal obrigação!
Mas agora surgiu para ele um grande conflito. Ele foi convidado para expor seu trabalho. Imaginem a dor deste talentoso fotógrafo! O conflito está estabelecido.
Esta história, meus amigos, é absolutamente verdadeira. Este fotógrafo é muito meu amigo. Tenho por ele grande consideração. E tenho com ele várias fotos que ele nunca me envia!



Já faz alguns dias que não escrevo...

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Já faz alguns dias que não escrevo. O ano vai terminando e sonego palavras. A verdade é que uma total falta de inspiração me assalta. Este é o termo correto. Assalto. Levou embora as palavras. Os motivos? Quais serão? Não sei!
Mas confessarei algo que tenho feito. Ler. Aí está uma forma de aprender a escrever. Considero isto fundamental para tanto. E é este o recado que quero deixar aqui. No intuito de incentivar a leitura. Algo bom, absolutamente necessário. Não se furtem de fazê-lo.
Mas não leio apenas para melhor escrever. Leio por que minha alma pede. É imperativo. Obedeço e saio ganhando. Lembrando que nem tudo que foi escrito é merecedor de leitura (será o caso deste texto?).
Se não posso realizar todos os meus desejos, ao menos leio. E escrevo.



Desviando do rumo...(o trem não desvia)

sábado, dezembro 10, 2005 · 1 comentários

Metrô. Sento-me no banco. Diversas opções. Olho ao redor, uma soma de pensamentos. Cada qual com suas alegrias e angústias. O que cada um pensa? Segredo inviolável!
Será pensar uma liberdade de fato? Não serão nossos pensamentos induzidos? São tantas influências! Os costumes. O consumismo. A mídia. Enfim, alguns fatores que podem determinar o que cada um neste vagão pensa. Eu não me excluo.
Meu pensamento agora é este texto. Penso em como prosseguir. Talvez uma olhadela pelo vagão ajude.
A maioria são mulheres. Impossível não avaliar suas belezas. Não sei como aprendi isto. Não creio que seja natural. A sociedade me ensinou este comportamento. Ele é errado? Tenho-o apenas pelo fato de ser homem? Deixo para cada um suas conclusões.
Percebo que me desviei do tema central. O trem não faz isto. Segue seu rumo pré-definido. Cada um aqui tem seu próprio destino. Mas será que todos aqui têm rumo certo? Não posso fazer nenhuma afirmação neste sentido. Por isto usei da interrogação. Um ato de maior honestidade do que supor. Não que supor seja de fato desonesto. Fiz isto em um outro texto. Mas fazê-lo agora não é de minha vontade. Prefiro deixar a incerteza no ar...

Termino este texto antes do fim da viagem. Olho ao redor. Algumas mulheres já se foram. Dificilmente as verei novamente. Ou, se acaso revê-las, não lembrarei de seus rostos. Eu também não passarei de um desconhecido para elas em uma suposta oportunidade de reencontro. Se é que se pode chamar assim.



O tempo existe?

sexta-feira, dezembro 09, 2005 · 0 comentários

O tempo passa. Leva consigo a cada dia um pouco de minha vida. Indelicado, ele não me pede licença. Segue persistente. Às vezes parece que ele muda. Vai mais rápido. Vai mais devagar. Outras vezes penso que ele não existe. Quando vejo já passou. Já aconteceu o evento esperado. Assim, em momentos de angústias lembro-me que logo passará, se é que já não passou. Será mesmo que o tempo existe? Será que tudo já aconteceu? Tão rápido ele é, logo não estarei mais aqui para escrever. Logo, nem vivo estarei...



Gripe aviária - o que li na CARTA CAPITAL

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Vou usar este espaço para informar. Li na revista CARTA CAPITAL (20/OUT/2005 - Nº 365) - que a gripe aviária, segundo os infectologistas, pode ser uma bomba-relógio. É possível que tenhamos uma pandemia (epidemia que se propaga rapidamente por vastas extensões territoriais). O que há de positivo é que hoje temos mais condições para enfrentar uma possível pandemia. Diferentemente do que ocorreu com a Gripe Espanhola. Naquela época, não havia os antivirais que hoje temos. De qualquer forma, se pandemia vier causará muito estrago. E não será a última. Pois, de acordo com os cientistas, pandemias são consideradas parte de um ciclo natural que se abate sobre a Terra de quando em quando. Elas são esperadas a cada 30 anos. A última foi em 1968. É necessário que fiquemos alertas.



Confessando sentimentos

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Em casa. Um texto para finalizar o dia. Curioso é que meu dia finaliza quanto o outro já começa. Falo das horas, não do sol...

Paro para pensar. Constato que se há o que escrever não faço a menor idéia do que seja. Não quero "enrolar" vocês. Melhor parar. Ao menos fui honesto. Confessei minha dificuldade. A verdade é que isto ajuda. Desbloqueia. Esta é a forma correta de trabalhar com os sentimentos. Reconhecê-los. Daí o nervosismo abaixa. A falta de imaginação é vencida. Muitos outros obstáculos são transpostos. O meu, neste momento, é a dificuldade de escreve. Confessei. E escrevi. Ainda que pouco.



Prioridades

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Outro texto. Vontade de escrever. Deve ser a carência. Mal do século. A vida moderna nos martiriza. Temos pouco tempo para tudo. Precisamos conversar. Mas o trabalho nos toma cada vez mais o tempo. Não dá para fazer tudo o que queremos. Então é necessário priorizar. E, nesta priorização, falhamos com pessoas queridas. Até explicar, o desgaste já se fez. Bom que muitas são entendedoras.



Linha Terminais Santo Amaro-Bandeira (de volta para casa)

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Noite de quinta-feira em São Paulo. Metrópole iluminada. A linha Terminais Santo Amaro e Bandeira me leva. Trago comigo uma certa ansiedade. Quero livrar-me desta roupa. Vencer a distância que estou de meu refúgio. Preciso da minha cama...

Olho pela janela. A cidade não está suja. Penso na importância dos catadores de lixo. Tão importantes, tão mal pagos. Lógica do capitalismo. Poucos estão aptos para entender. Eu sou um deles.

A pouco tive um momento prazeroso. Pizza em grupo. Duas amigas presentes. No final, o papo com a professora. Rápido e acrescedor. Falamos um pouco de relacionamentos. Nós solteiros buscamos informações. Como se estivéssemos nos preparando. Para quê? Preciso dizer?

Olho mais uma vez pela janela. Curioso como tudo parece perfeito. Digo isto, pois está bem errado. Duvidam? O que me dizem do mendigo deitado agora na calçada? Ele não é o único por este mundão afora. Dorme. Sonha não sei o que. Daqui a alguns minutos outro dia do calendário chegará. Mais um dia para construirmos o futuro. Para o mendigo não há o que construir. Negativismo meu? Perdoem-me!

O ano vai terminando. Antes dele, termina esta viagem. Guardo papel e caneta. Agora é hora de esperar o metrô. Uma espera bem menos árdua. Sabemos que o próximo trem é o nosso. Todos são os nossos. Desde que estejamos na plataforma certa.



Mozart e cãozinho branco

sábado, dezembro 03, 2005 · 0 comentários

Mozart toca. Cãozinho branco brinca. Criações: homem e a natureza. Duas belezas. Mas o homem criou a música, permitido que foi pela natureza. Precisou ouvir. Recebeu a audição. Precisou sentir. Recebeu a alma. Escrever. Teve a possibilidade de aprender como presente. A natureza, então, se faz superior. Assim mesmo o homem teima em desrespeitá-la. O que será de nós?
Segue Mozart. A natureza deu-me bons ouvidos. Uma alma sensível. Não sou o único. Longe estou do maestro. Que compôs a música. A sentiu antes de todos. Uma feitura apenas para gênios. O que posso fazer é ouvir. Gostar ou não. Compor jamais. Minha sensibilidade não chega a tanto.
Não me deprecio, entendam. Apenas constato. Alguns não concordarão comigo. Devo respeitar. Posso discordar. Mas nada direi. Hoje quero silenciar-me para as críticas. Quero o silêncio absoluto. E ouvir apenas Mozart. E ver apenas o cãozinho branco brincar. Mais nada.



Marcha ré (sobre os ônibus)

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O transporte público em São Paulo engatou a marcha ré. Falo dos ônibus. As sucatas voltaram para as ruas. Receio usá-las. Evito com certeza. Nem sempre consigo.
Outro dia entrei em um coletivo sanfonado. A cena triste foi registrada. O assento de banco jogado no chão. Indignação de minha parte. Os trabalhadores paulistanos desrespeitados. Certo que merecem melhor tratamento. Já basta a exploração do expediente. Uma viagem mais confortável é merecida.
Sobre os ônibus vai aqui uma informação. Quase 100% da frota nacional possuem chassi de caminhão. Feito para transportar mercadorias. Prejuízos para os nossos rins. Quem usa diariamente corre o risco. Mudar isto é difícil. Nenhum prefeito tem essa iniciativa. Serra muito menos. Permite até assentos no chão. Balaustres soltos. Sucatas ambulantes. Verdadeiro descaso.



Desafio

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Lanço-me o desafio. Escrever cansado como estou. Já vivi 42 min do dia seguinte. Às 5h terei que estar de pé. Será que levanto? (levantei mais tarde!).
Mas a questão aqui não é se vou sair da cama ou não. Quantos já tiveram esta dúvida. Desânimo pelo horário precipitado que terá que abandonar aquela que lhe acolhe. Desejo imenso de dormir. Levantar a hora que a vontade mandar.
Bom, caí em contradição. Deixei o tema central se perder. Escrevi. É o que importa? Não, não creio. Escrever por escrever não me vale. Gostoso é emocionar. Provocar interesse. Gerar pensamentos. Identificações...
O que eu queria falar é sobre o desafio lançado. Escrever demasiado cansado. Isto foi feito. As palavras se foram (voltarão!). O cansaço não. Se o texto é bom é outra questão.



Pseudos sábios

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Quem não conhece aquelas pessoas que se julgam as mais inteligentes. Que buscam discordar de muito do que falamos apenas para se mostrarem intelectuais. Acham que possuem sempre a melhor frase, a mais bem elaborada opinião.
Sabe, nestes momentos lembro-me de Sócrates. Que dizia que as muitas pessoas que se diziam especialistas de determinado assunto quando eram indagadas a respeito demonstravam pouco saber. Eu não duvido que os especialistas de hoje saibam o que dizem. Tenho profundo respeito por eles. Não é deles que falo. Mas sim dos pseudos sábios. Ah, como eles são chatos! E como são ignorantes!



E-mail que recebi como resposta - assunto: o governo Lula - Por Adalton César

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Sinceramente, tenho grande dificuldades em saber onde começa a verdade e ondetermina a mentira nessas acusações contra o PT. De fato, o caixa 2 é inegável, mas, falando cinicamente, ele é racional do ponto de vista econômico. Afinal, se todos o utilizam, quem não o fizer não se elege. Com uma reforma política - talvez, e friso bem este talvez - as práticas pouco ortodoxas venham a diminuir. Mas, infelizmente, vivemos numa era de espetáculos, poucos estão interessados em política. Veja os comícios, cheios de duplas sertanejas e sorteios disso e daquilo outro para atrair o público. Assim, é bem provável que uma reforma que retire a possibilidade do uso de marqueiteiros "espetaculosos" -e assim, torne as campanhas mais baratas -diminua ainda mais o interesse pela política. Mas, isto são conjecturas. Do ponto de vista econômico, acho que houve um exagero de conservadorismo, mas, a armadilha havia sido montada no governo anterior. Desmontá-la teria - e digo isto com toda a certeza - provocada uma hecatombe nacional. Hoje, o Lula estaria fora do governo, se o Palocci houvesse optado por uma política deheterodoxa. Veja o exemplo do Collor: mexeu com o dinheiro das classes médias e altas, perdeu o apoio político delas e, quando houve a oportunidade (apenas,política, pois não havia provas para tirá-lo do governo), cassaram o mandato do cara. Há avanços, meu caro, veja a política de habitação (mandei-lhe umartigo sobre ela), veja a reforma no Judiciário (outro artigo enviado), veja a política de Educação, houve melhoras na Previdência, há discussões que antes não existiam, inclusive sobre a própria necessidade ou não de juros elevados. No governo passado, dito altamente democrático, quem era contra as políticas neoliberais era taxado de neobobo. Os dados da PNAD 2004 sobre as condições de vida da população, mostram avanços. Outra coisa, reforma política com o atual Congresso é impossível, no meu entender. Até mesmo propô-la representaria um desgaste para o governo, que poderia ser acusado de jogar a sociedade contra o Congresso. Quem sabe estes escândalos sirvam para pressionar os atuais políticos a implementarem tal reforma. Mas, não espere muito. Para terminar, tenho a convicção de que o PT é o único partido atualmente capaz de trazer mudanças positivas, ainda que pequenas, para o país. Os demais, para mim, são por demais elitistas. Veja a administração Serra emSP, ou o próprio governo FHC. Abraço Adalton César



Um e-mail para um amigo sobre o Editorial do Jornal Valor sobre a cassação de José Dirceu, que foi sem provas

sexta-feira, dezembro 02, 2005 · 0 comentários

O artigo é muito pertinente. De fato não havia provas para cassar José Dirceu. Eu serei sincero, não votaria no Dirceu. Tampouco no Lula. Minha contrariedade em relação à dupla Lula-Dirceu é o modo igual de governar o país. É evidente que ambos corroboravam com a prática do "caixa dois" assumido por Delúbio Soares. Usavam os cargos comissionados para inflarem a máquina partidária ou para presentear aliados. Sabe, falando nisso, sou absolutamente contra os cargos comissionados, pois eles dão margem à corrupção. Parece-me que o PT do Lula e Dirceu são a favor da existências destes, posto que usavam-no como moeda e como meio de se favorecerem.
A minha indignação com o PT Lula-Dirceu é não ter implementado uma reforma política, um combate maior à corrupção (li que eles abandonaram as conversas pré-eleitorais que tiveram com a Transparência Brasil - uma ONG que combate a corrupção -, quando assumiram o governo - fiquei indignado!). No meu entender, o governo Lula é feito de bons mocinhos e vilões. Alguns fazem a parte suja. Talvez o Dirceu fosse um deles. Outros fazem que não sabem. "Faça mas não me conte detalhes". A política é algo meio sórdido. Parece que isso é inerente a ela. Mas eu não sei dizer se ela não pode ser de outro modo, certamente você tem mais condições para falar sobre isto que eu.
Vou ser sincero, considero o governo Lula mais do mesmo. Fala-se do êxito na economia. Mas as últimas notícias são desanimadoras. Creio que nem a economia será uma bandeira para Lula. Dirceu foi cassado. Lula não será reeleito. Estou convicto.



Tentativa (não consegui!)

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Sinto desejo de escrever. Já havia apagado a luz. Pensava em um texto em meio à escuridão. Mas ele se foi. Será que consigo recuperá-lo? Não, lamento. O texto era bom. Perdoe a falta de modéstia. Mas lembrem-se que diversas vezes eu reclamei dos meus textos. Permitam-me o contrário disto. Dêem-me a permissão para um momento de positividade.

...

Faço uma breve pausa. Tento lembrar do texto. Aquele que mentalizei de olhos fechados. Já se esqueceram? Então não cobrem o texto! Porque ele se foi, como este que aqui termina. Nada parecido com o outro. Este é bem ruinzinho...



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

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Alan Davis



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