Temos a obrigação de melhorar como pessoa

sexta-feira, novembro 18, 2005 ·

Antes de começar a escrever, revelo que estou decidindo sobre o que vou discorrer. Não que haja tantos assuntos assim em mim. Faço isto como uma prestação de contas. É uma maneira honesta de tratar os que lêem os textos deste blog. Para que vocês saibam que nem sempre as palavras vêm de modo tão simples.

Não decidi ainda sobre o que escrever. Ao subir para o quarto pensei em falar da sensibilidade das mulheres. Fazer algum tipo de homenagem para elas. Pensei também em falar de uma obrigação de todo ser humano: melhorar como pessoa. Então, entre estas duas opções, escolhi a segunda. Espero sair-me bem.

Muitas vezes conheço pessoas que tem muito a melhorar como pessoa (eu sigo na luta, caminhando). No momento em que falo isto, lembro-me de um morador de minha rua. Um rapaz com aproximadamente 40 anos que já tem seus dois filhos, cada qual com uma mulher. Alguém que a maldade envelheceu antes do tempo. A alma desta pessoa nada tem de bela. É alguém que semeia ódio. Que amigos não tem. E de ninguém é amigo.
O que me dói é saber que esta pessoa não mudará. Ela nada faz para mudar. Certamente não tem consciência desta necessidade. Assim, segue infeliz em sua vida.
Perdoem-me pelo relato acima um tanto pesado. Vejam, não é intenção minha falar mal desta pessoa. O propósito não é este. Apenas a tomo como exemplo para ilustrar este texto. Peço desculpas pela ilustração ser tão cinza.
O que quero dizer é que é obrigação de todo ser humano melhorar como pessoa. Melhorar o seu caráter. Combater a maldade que gosta de se alojar naqueles que já não são mais crianças. O caminho não importa. Terapia. Religião. Artes marciais. Arte. Esportes. Altruísmo. Qual seja. Não há o melhor caminho (ou será que há?). Enfim, cada um deverá encontrar o caminho que mais lhe apraz. O que não pode é o indivíduo deixar a maldade se acumular. Entregar-se a sua destrutividade. Enfim, ser escravo de sua mente. Não, ele deve sim tomar as rédeas de sua mente. Dominá-la. E esta mente não deverá ser de outro modo que não bela e saudável. Apenas com um mínimo de maldade. Porque talvez um pouco deste ingrediente seja necessário. Será mesmo?



2 comentários:

La Belmonte disse...
novembro 18, 2005  

Vc disse que ia falar da primeira opção, sobre a sensibilidade das mulheres, mas falou da segunda.


Sabe, vou expor um ponto de vista.
Acredito que todo ser humano, por pior que seja, tem bondade e sensibilidade dentro de si. Na verdade, a maldade é como o frio, a escuridão e o silêncio: não existem! Estas são palavras que foram inventadas para definir a ausência de outra coisa: o frio é a ausência de calor, a escuridão ausência de luz e o silêncio ausência de som. A maldade nada mais é do que ausência de bondade, mas no caso da bondade, não é possível que isto exista, porque na verdade, todo ser humano tem bondade dentro de si.
Muitas vezes, e sempre por culpa de nossas escolhas na vida, somos levados a não desenvolver todo nosso potencial, seja lá para o que for.
Todo ser humano, se corretamente estimulado, tem como desenvolver este potencial tão intrínsico de sua personalidade.
Veja um bebê! Já conheceu um bebê malvado? O que faz um ser que nasceu puro desenvolver a ausência de bondade? Talvez a falta dos estímulos corretos.



Quanto a necessidade do ser humano de estar sempre se aprimorando, concordo plenamente e acredito mesmo que é para isto que viemos pra este planeta!

Anônimo disse...
setembro 10, 2008  

DISCORDO,
BONDADE :ATO DE PRATICAR O BEM
MALDADE : ATO DE PRATICAR O MAL
AUSÊNCIA DE BONDADE: INDIFERENÇA!
AUSÊNCIA DE MALDADE: INDIFERENÇA!

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Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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