Liberdade!

sexta-feira, novembro 11, 2005 ·

Deitei-me. Uma necessidade de escrever me domina. Caneta à mão, folhas em branco e um desejo. Que desejo? Escrever, oras!
Quero aqui a liberdade para discorrer sobre o que eu bem entender. É um momento meu de liberdade. Vocês estão livres também. Para ler ou não este texto que vai ganhando corpo a cada palavra que me vem à mente.
Declarada a minha liberdade, não posso deixar de falar sobre a Camila. Não por uma obrigação. Mas sim por absoluto prazer e uma necessidade também. Porque a Camila é muito especial. Todos os meus amigos vão conhecê-la. Chegará a oportunidade. Assim como chegou a minha. E poderão ver que paz carrega esta mulher. Linda por fora. Linda por dentro. Exemplo da harmonia que tanto gosto.
Vou agora fazer um aviso. Este texto poderá ser longo. Ainda há tempo para desistir. Usar da liberdade que mencionei. Eu estou fazendo uso da minha.
Não sei se vou divagar. Nem sei se vou relatar algum fato. E este dia foi deveras importante. Tive exemplo hoje da minha imperfeição. E a certeza de meus sentimentos de carinho e admiração por um grande amigo. Pena que a gente, muitas vezes, também magoa quem a gente gosta. Devo dizer que dizer que solidariedade é fundamental. A falta dela pode trazer transtornos. E mágoas...
Mas as mágoas foram feitas para serem guardadas ou esquecidas. Fica aqui uma pergunta: É MAIS DIFÍCIL ESQUECER UMA MÁGOA DE QUEM A GENTE GOSTA?
Perdoem-me se estou sendo obscuro. É dever meu fazer isto deste modo. Um momento de resguardo. Por favor, entendam.
Hoje não vou reclamar da falta de assunto. Uma grande amiga alertou-me sobre as minhas auto-críticas. Hoje escrevo facilmente. As palavras vem uma a uma. Pedem passagem. Tenho que ser rápido. Assim é fácil errar.
Já que falei de erros, por que não falar deles? Ora, eles são normais. Não esperem a perfeição. Ela não existe. Nem mesmo na natureza!
Perdoem-me os ecologistas. A natureza realmente não é perfeita. É belíssima. Isso sim.
Bom, faço um favor a vocês. Anuncio que este é o ultimo parágrafo. Este texto passará por uma releitura minha. Só então decidirei se vou publicá-lo. Sou minha própria censura. Neste caso penso que ela é necessária. Do contrário, caros leitores, eu daria presentes a vocês como se fora um grego.
Menti (ou simplesmente me enganei?). Aquele não foi o último parágrafo. Necessito de mais um. Para que? Para falar sinceramente sobre um assunto. Sinceridade. Estou feliz, pois hoje uma pessoa muito querida por mim disse não abrir mão desse preceito. Na verdade, não me foi uma novidade. Ela sempre foi muito sincera comigo. Fica aqui a minha admiração por esta pessoa.
Pode ser que a sinceridade às vezes choque. Mas é melhor ter certezas. Assim saberá que aqueles sentimentos são verdadeiros. Sejam bons ou ruins. Saberá a verdade. Isto que importa.
Não vou mais anunciar o último parágrafo. Não que eu tenha dificuldades em me desdizer. Isto é simples fazê-lo. Se estou errado eu faço. Sinto-me livre para tanto. E nada melhor do que a liberdade. De amar. Opinar. Olhar. Criticar. Viver. Desdizer... Liberdade. Este será o título deste texto. Que aqui termina. Não há mais folhas em branco. É o fim. Agora é para valer. Foi este o último parágrafo.



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

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