Nem sempre é possível realizar nossos desejos

segunda-feira, outubro 31, 2005 · 1 comentários

Ao sentar-me sobre a cama, pronto para uma leitura antes de dormir, deparei-me com algumas folhas em branco sobre a escrivaninha. Então, um desejo de preenchê-las com conjuntos de palavras tomou conta de mim fortemente. As palavras que tenho são poucas. Carregam consigo a minha simplicidade. Aos mais eruditos, peço minhas desculpas. Mas devo dizer que escrevo com a sensibilidade que vai dentro de mim. E espero fazê-lo de modo verdadeiro e competente. Assim o faço. Dou alimento a este desejo. É muito de mim ser assim. Dou-me o prazer de realizar os meus desejos. Este já está realizado, mesmo que de forma muito simples. Lembrando que nem todos os desejos são possíveis atender. E isto não me frustra. É a vida. Que bom que é assim!



Um pouco sobre relacionamentos

· 1 comentários

Pouco, muito pouco...
Quando a gente atinge a idade madura nos tornamos mais seletivos na busca por um parceiro. Avaliamos os comportamentos do nosso pretendente, ficamos atentos a detalhes. E, ao menor vacilo, apertamos a tecla "delete", para usar um termo moderno.
O oposto ocorre quando somos imaturos e ansiosos por estar com alguém. A carência chega do nosso lado e diz: ELA(E) SERVE, VAI LÁ! E em busca da conquista, lá vamos nós errantes nos caminhos do amor...

Agora falo de mim. Uso-me como exemplo. Dou a cara a tapas. Os que são perfeitos, não deixem a pedra no bolso. Mas permitam-me dizer sobre mim, me dêem este direito. Para tanto, necessito de um novo parágrafo. Obrigado.

Eu sou um homem deveras detalhista. Observador, fico atento a gestos e atitudes. Sou rápido na decisão. Quando vejo que é jogo perdido, súbito tiro meu time de campo. Hoje, sigo tranqüilo. Convivo com muitas mulheres. Vejo as que me são belas. Não desconsidero as que não agradam aos meus olhos por completo. Às vezes até abro mão de um preceito meu. Permito-me conhecer aquela mulher que possui algo que não me agrada tanto. Todos temos defeitos. Eu tenho os meus. Com o tempo sublimamos os defeitos alheios. Não vou dizer aqui a mulher que me agrada. Mas, na busca pela harmonia, não nego que amo a harmonia entre beleza exterior e interior. Lembrando que beleza é algo absolutamente subjetivo. Isto que eu disse, evidentemente, é só um pouco de mim. Assim eu sigo. Muito tranqüilo. Seletivo também. Mas não radical. Até abro mão de preceitos.



A atendente, um pouco de burocracia e libido masculina

domingo, outubro 30, 2005 · 0 comentários

Manhã de sábado. 7h30min. Chego ao laboratório. Exame de sangue. A atendente sorri com satisfação e simpatia. Olho para ela e inicio um processo voraz de avaliação. Devo dizer que é a segunda que vez que tenho contato com ela. Durante o meu processo, não me convenço da beleza de suas mãos. Poderiam ser mais delicadas. Mas não deixo de gostar das unhas bem feitas com flores as enfeitando. Muito delicado. A beleza de seu rosto simpático também não me convence. Mas seu sorriso é lindo e verdadeiro. Ela fazia os processos burocráticos do atendimento. Levanta-se e vai até a impressora. Fica de costas para mim. Meu olhar segue avaliativo. Neste momento sou convencido de que ela é uma mulher interessante. Percebo que ela olha para o vidro espelhado com o propósito de vigiar meu olhar. Não necessariamente que ela estivesse interessada em mim. Penso que se tratava muito mais de sua vaidade falando. Penso comigo que aquela imagem feminina, ali em pé e de costas, em meio à burocracia da empresa, convenceria a quase todos os homens.
Eis que ela deixa o balcão em direção à sala de exames. Meus olhos permanecem avaliativos. Quando ela retorna, ficamos frente a frente. Sou discreto. Tomo minha água e agradeço a atenção. Dirijo-me então à profissional que subtrairá o meu sangue. Outro processo avaliativo se inicia. Minha libido está alta. Desta vez nenhum processo burocrático tiraria minhas conclusões negativas. Feito o exame, sigo rumo às minhas obrigações, não sem antes me despedir da atendente do balcão. Ela dá-me como presente um último sorriso. Vou embora tranqüilo. É no metrô que escrevo este texto.



Quem devemos amar primeiro para amar?

quinta-feira, outubro 27, 2005 · 0 comentários

O que todo ser humano busca é a felicidade. Isto não é nenhuma novidade, tampouco uma grande descoberta de minha parte. Nesta grande busca, cada qual segue os caminhos que vão surgindo. Outros, os mais competentes, vão criando seus próprios caminhos, semeando oportunidades...

A busca pela felicidade se está em questões materiais é medíocre. Se o que afirmo é deveras pesado, peço desculpas. Todavia, devo dizer que não há maior felicidade que a de amar.

E o amor primeiro deve ser o amor próprio. Este dá à vida outro significado. Nos coloca em uma bela condição de aceitar e amar as outras pessoas de modo gratuito. Portanto, a premissa maior é simples: não se pode amar outra pessoa em primeiro lugar que não você!



Devo optar pelo caminho dos erros?

terça-feira, outubro 25, 2005 · 1 comentários

Estou resfriado. Hoje o ânimo caiu um pouco. Senti-me um tanto ansioso. Assim mesmo, os momentos de alegria prevaleceram.
A vida é assim, jamais linear. Em tempos passados eu não admitia essa imperfeição. Aprendi que isto é necessário. Se a vida fosse uma mesmice, pouco aprenderíamos.
Em momentos mais silenciosos a gente olha para dentro e busca explicações. É um momento de auto-conhecimento. Todavia, penso que as experiências é que de fato nos levam à iluminação. Especialmente os fatos crivados pelos erros. E, em se tratando de erros, devo dizer que tenho os meus. No passado eles foram em maior número. Hoje, são poucos. Deste modo, pelo o que aqui foi dito, estou prejudicando o meu auto-conhecimento. Devo então optar pelo caminho dos erros? Ou desprezar o que aqui escrevi sobre crescer com os erros? Não sei, confesso. Na dúvida, nada farei.



Relato de um momento

domingo, outubro 23, 2005 · 0 comentários

Neste momento estou no trabalho. Em frente ao computador, eu sigo tranquilo. O vidro que me separa do estúdio delata a bagunça de alunos de Propaganda e Marketing enquanto fotografam. Enquanto tudo ocorre, eu aqui, eles lá, ouço a música que toca os meus ouvidos: MPB.

A tranquilidade segue comigo. Sinto=me seguro e confiante. Assim tem sido os meus dias. Assim tem sido meus desempenhos em todos os setores de minha vida. Sim, a vida é feita de setores. Temos de administrá-los um a um. A incompetência nos fazer cair em crise. A solução muitas vezes pode ser demorada. Cada caso é um caso. Perdoa o clichê. Eu também faço uso deles...

Neste momento sou interrompido. Uma funcionária procurando um colega de trabalho. Mal informado que estou, não sei onde ele está. A tratei com a devida educação. Não importa se pouco confio nela.

Educação é algo interessante. Como é mais fácil a vida para os bem educados! As pessoas gentis, que carregam um sorriso no rosto, tem na vida mais facilidades. E falo de um sorriso que vem lá da alma. Este sim faz bem para quem sorri e para quem recebe o sorriso.

Escrevo sem rumo, confesso. Sigo incerto se este é um bom texto. Modéstia muitas vezes é falsidade. Não é o caso aqui. Estou tranquilo. E sincero, muito sincero. Seguro também.



Nada (e chato)

sábado, outubro 22, 2005 · 1 comentários

Nada é o que tenho agora para dizer. Eu não faço a menor idéia sobre o que escrever. Estou incompetente. Será o cansaço? Não sei. Agora a pouco tentei escrever um texto sobre fatos meus e de uma mulher que reencontrei. Apaguei tudo. Pintei o muro de cinza.
Agora sigo sem nada para dizer. Vou tentando estender o texto com palavras ao léu. Um texto oco. Que não tocará as almas mais sensíveis. Pode se dizer que é um texto bastante negativo, posto que o que faço aqui é só reclamar da minha falta de imaginação.
A verdade é que reclamar é coisa que praticamente não faço no meu dia a dia. Quem me conhece sabe disto. Gosto, e isto é natural em mim, de ser positivo, alto astral. Aqui no blog eu sou um pouco de tudo de mim. Escrevo o que sinto. Talvez este espaço seja o único que eu me permita reclamar. Então será que também fujo um pouco de mim? Ou será que eu aqui sou o meu eu completo? Será que sou chato assim? Não, não creio. Melhor parar. Estou chato demais. Perdoem.



O SHOPPING E O FORA

· 0 comentários

As araras da loja ofertavam diversas roupas. Os sapatos eram os mais desejados por Pamela. O meu desejo, naquele momento, era apenas ela. Fortemente atraído, tive ímpeto em agarrá-la. Não o fiz, respeitoso que sou. Entre abraços, beijos e olhares, eu deixava claro minhas intenções.
Exausto em ver roupas, supliquei para sair da loja (eu não suportava mais ficar ali!). Mas antes de sair, ela levou-me ao setor de lingeries. Neste momento meu desejo havia diminuído. Cheguei até mesmo a rejeitá-la.
Fomos para o café de braços dados. Estávamos assim praticamente todo o tempo. Pedi um pão-de-queijo e um expressso com espuma de leite. O atendente, com quase nenhuma simpatia, não deu a mínima para a espuma. Cordial que sou, apenas lamentei, não reclamei. Se depender de mim, o mundo não vai para a frente.
Sentamos frente a um espelho. Pamela pediu-me para que eu ficasse mais próximo dela. Eu já não tinha mais certeza de que ela me queria. Assim mesmo arrisquei algumas palavras incisivas. Não me recordo o que disse. Sei apenas que ela me fez negativas. Reagi bem. Fui entendedor. Ela confessou que houvera me desejado. Mas percebeu que se ficasse comigo seria apenas para vingar-se do ex-namorado. Hoje, seus sentimentos por mim são apenas de amigo. Ela tem por mim um grande carinho. Diz que eu sou um dos responsáveis por hoje ela estar melhor. Eu dei atenção para ela num momento em que estava muito abalada sentimentalmente. Fiquei feliz em saber isto. Confessei também que eu tinha tido um interesse por ela. Depois ele se foi e havia voltado naquele dia. Não sei o que ela depreendeu de minha fala. Eu revelei que um dos motivos era porque somos da mesma classe e isto me incomoda, posto que minha liberdade eu não quero perder. Mas eu não me fiz de vencido. Ao longo de sua permanência ao meu lado, tentei diversas vezes arrancar um beijo. Estávamos na última vitrine. Livraria. Senti-me atraído novamente. Tentei encostar-me nela. Esperta, ela se afastou. Fui cortêz e respeitei. Sei que às vezes nós homens precisamos ser audazes, mas só faço isto com plena certeza de que a mulher me quer.
No ônibus, tornei-me mais audacioso. Entre abraços, eu procurava seus lábios. Ela ria e se protegia. O momento era engraçado. Eu persistia. Eis que ela alertou-me que o meu ponto era este. Salva por um ponto de ônibus. Vencido pelo mesmo ponto. Dei um beijo em seu rosto e fui-me. Pamela tornara-se mais interessante para mim...



O outro lado

sexta-feira, outubro 21, 2005 · 3 comentários

Falarei brevemente de uma experiência negativa que eu tive e procurarei terminar este texto de uma forma positiva, posto que este é um preceito deste blog, sem contudo ser uma obrigação.
Inicio com uma constatação: as pessoas que estão no mesmo barco nem sempre se ajudam. Constatei isto durante os cerca de cinco anos que estive naquela empresa. Lá observei o quanto é nocivo a convivência sem união entre as pessoas.
Diante de um ambiente opressor, cheio de proibições e um profundo desprezo do empregador para com os empregados, era-me estranho que os oprimidos não se unissem em busca de algo melhor para todos. A explicação é simples: o medo de perder o emprego. Era cada um por si. Isto se dava por dois motivos: má qualificação profissional e o alto índice de desemprego. Este último fator fazia do patrão senhor da situação.
Diante do quadro exposto acima, o que se tinha era um ambiente de absoluto individualismo e de franco não-amor. Confiar um no outro era tarefa difícil. A baixa auto-estima das pessoas colaborava para a falta de bons sentimentos para com o colega de trabalho. É fato que uma pessoa que não se ama, não ama o próximo.
Eu devo dizer que não tínhamos uma casta de bandidos. Ocorre que todos ali eram frutos de suas mentes, manipuladas pelo sistema da empresa e pelos respectivos históricos de vida.
Se a experiência foi bastante negativa, retirei dali lições que hoje me são úteis. Aprendi a como não ser como pessoa. Senti o quanto é necessário o amor e a união entre as pessoas. Para mim, uma empresa, ao contratar, deve prezar pelo caráter e auto-estima dos candidatos. O indivíduo que ama a si e aos demais produz mais e melhor. Além disso, contribui para um ambiente saudável.
As empresas devem adotar o conceito de fazer líderes as pessoas de bem com a vida. Elas fazem o mundo alheio muito melhor.
Passados os cinco anos de angústia (que hoje percebo que foram uma escola, ainda que cruel) eu me felicito por hoje estar trabalhando em meio à pessoas de bem com a vida (com as devidas exceções), boa parte delas de excelente caráter. Agora estou conhecendo o outro lado. Atravessei a rua. Eu só tenho a agradecer e sorrir feliz em saber que neste mundo há pessoas belas de se conviver. Não citarei nomes. Mas devo dizer que algumas delas vão ler este texto. Para vocês o meu muito obrigado.



Onde estão os caras?

quarta-feira, outubro 19, 2005 · 0 comentários

Por que será que os chamados "caras-pintadas" não estão nas ruas deste Brasil injusto se manifestando diante de tantas denúncias de corrupção? Será que na época do governo Collor a roubalheira era mais escandalizante? Não importa! Corrupção, independente do quanto se rouba, deve ser punida com rigor absolutamente severo. Chega de engravatados corruptos com seus carros importados, tratando a desigualdade social no Brasil com total indiferença!Os "caras-pintadas" sumiram. As caras estão limpas e silenciosas. Cada um lava as mãos e se mantém alheio à atual crise política que infesta o Congresso e o Planalto.Nas rodinhas de estudantes (excetuando uma vez no ônibus, quando duas alunas da USP criticavam a guinada à direita do governo Lula) não ouço nada a respeito do suposto mensalão, por exemplo. O que escuto sobre política são afirmações preconceituosas contra origem do atual presidente. Ou, então, e-mails sarristas contra o Lula. Alguns até são engraçados. Mas a maioria carrega a marca do preconceito contra pobres, nordestinos e pessoas pouco letradas.A crise política é grave. Os escândalos verificados têm origem em governos passados. Não é de hoje que o Brasil vem sendo assaltado. E o ontem está muito longe. Assim mesmo, os caras estão com as caras limpas. Isto não é bom para o Brasil. Urge que a juventude se lambuze de cores e vá para as ruas exigir uma reforma política séria e profunda, a fim de findar com os mecanismos armados para assaltar o Brasil. Vamos desarmar estas pessoas já!



13

domingo, outubro 16, 2005 · 1 comentários

Chego ao trabalho e cumprimento as pessoas. Alguns são mais receptivos. Eu também vario um pouco na simpatia, muito embora eu tente manter um padrão. Mas não sou máquina, e sou deveras imperfeito...
Prossigo em direção a minha sala. Eis que no meu caminho surge aquele 13 de cada dia. Percebo que se eu não me esforçar novamente, ele não vai me cumprimentar. A verdade é que nem todo dia eu estou esforçado. De maneira que nem sempre eu suplico o seu cumprimento.
Alguns podem dizer que se o 13 não me cumprimenta é pelo simples fato de ele não gostar de mim. Mas, observador que sou, sei que ele é assim com muitos outros colegas de trabalho. A sua deficiência no cumprimento em relação a minha pessoa poderia ser explicada por eu ser novo na empresa. Contudo, há um fato surpreendente que me faz jogar fora este argumento.
Ocorre que o rapaz que eu acuso de 13 (sou réu confesso) me enviou um convite para ser seu amigo no Orkut. Fiquei estarrecido! Pô, o cara não fala comigo e só me cumprimenta se eu o lembrar que nos conhecemos, que já nos vimos, trocamos saudações, e ele me acrescenta no Orkut! Contrariado, aceitei o início de nossa amizade virtual, diplomático que sou.
Passado alguns dias, o 13 vira meu fã no Orkut (há uma opção deste tipo no Orkut; você pode se declarar fã de algumas pessoas escolhidas "criteriosamente"). Quando vi que ele era meu fã, não acreditei. Comentei com os amigos que trabalham comigo. Eles desacreditaram e riram.
Não se passaram muitos dias e eu descobri que fora uma amiga nossa que fizera a página do rapaz no Orkut. Daí ela fez amigos dele todos os seus amigos. E com os fãns não foi diferente. Fato explicado. O rapaz então é mais 13 do que pensei...
Bom, talvez algumas pessoas ainda não tenham entendido o que significa o termo "treze", que eu gosto de representar pelos números 1 e 3. Mas eu não vou dizer um dos significados que conheço. Digo apenas que nada tem a ver com ser petista. Espero que os fatos narrados nos parágrafos que antecedem a este expliquem muito bem...
Esta história também foi escrita no mesmo ônibus para Santo Amaro em que escrevi outro texto: SEM PAUTA. No mesmo sábado de calor que não desagrada. Enquanto escrevia, fantasiava que a morena ao lado me olhava com admiração por me ver escrever. Era meu lado 13 falando...



Sem pauta

· 0 comentários

Neste momento estou no ônibus rumo a Santo Amaro. É um sábado de calor, mas não um calor que desagrade. Olho pela janela do coletivo e tento desviar-me de uma vontade que me tortura, que é a de escrever. O problema é que tento buscar uma idéia mas ela não vem. Não sei o que escrever. Estou sem pauta...

Assim prossigo, sem idéias. Neste sentido, o que posso dizer é que expressar o que sentimos é deveras benéfico. Assim funcionam as terapias. O indivíduo vai lá, abre o seu coração e os problemas se esvaem em palavras. Penso que em uma sociedade organizada igualitariamente, todos teriam acesso a um terapeuta. Não tenho dúvidas da importância destes profissionais em uma sociedade moderna, principalmente nas metrópoles.

O ônibus segue o seu caminho. O cobrador não destoa dos demais colegas de profissão. Segue letárgico e mal humorado. São as patologias da profissão. Eu não costumo cumprimentar cobradores e motoristas de ônibus. Fico na defensiva. Tenho dificuldade com pessoas má educadas. De qualquer forma, compreendo que o trabalho chato que eles executam contribuem para tal comportamento desagradável. Mas, não posso deixar de registrar que alguns destes profissionais surpreendem pelo bom humor. Talvez as patologias da função mencionada semeiem apenas em campo fértil...

Falando em terapia e sobre os profissionais que comandam o coletivo com visual moderno (mas ainda com chassi de caminhão - feito para carregar mercadorias e não pessoas) lembrei-me de uma assunto. Que será a minha pauta do meu próximo texto: os "13". Nela quem ler ficará sabendo o que isto significa.

Fico por aqui. Ainda falta um bom trecho para chegar em meu destino. Quem sabe eu cochilo um pouco...



Arte, atração e desabafo

sexta-feira, outubro 14, 2005 · 1 comentários

Exposição é algo que eu pensei que não gostava. Depois de visitar Antes - Pré História, que se realizou no Centro Cultural Banco do Brasil, no início deste semestre, descobri o porquê. Ocorre que ir sozinho é muito chato. Mas desta vez eu fui acompanhado. E nesta oportunidade eu gostei bastante.
Adorei as salas escuras com os objetos da pré-história. Era excitante estar ali com a minha amiga. Eu dividia os interesses em minha mente. Eu nunca havia me excitado frente a um objeto em uma exposição. Foi a primeira vez. E foi ótimo.
Outra parte interessante da exposição foi o vídeo exibido por uma grande tela côncava ou convexa (não sei a diferença). Um vídeo lindo de desenhos ruprestes. A música igualmente linda composta por Naná Vasconcelos.
Após ver a exposição, tomamos um café. Lá dei a ela o espaço para abrir seu coração. Seus olhos então encheram de lágrimas. Ainda doía o seu coração o fato de ter se separado de seu ex-namorado. Quanto a seu ex-marido, nunca houve dor por ter se separado dele. Houve sim um grande alívio. Sei como é isto. Senti o mesmo quando terminei meu último namoro. Não que sejamos insensíveis, pelo contrário. Ocorre que deixamos de nos aborrecer. Só isto.



Pamela é à moda antiga

quarta-feira, outubro 12, 2005 · 0 comentários

À mesa de bar, eu olhava para Pamela. Nossa amizade era cantada em palavras e gestos de carinhos. Pamela estava muito bonita e interessante. Mas não rolava um clima. Num dado momento olhei para ela e senti algo bom. Era uma vontade verdadeira de escrever um belo texto (pretensão, sei) para alguém. Expressar meus sentimentos, meu amor pela vida e pelos seres humanos. Chorar, naquele momento, seria algo bom. Mas nós homens quase não choramos. Deixamos isto para as mulheres.
Segui conversando com Pamela. Ela se deleitando com o suco de laranja e cenoura indicado por mim. Eu, me deliciando com um X-SALADA. É difícil eu comer um lanche. A fome me obrigava. Estava bom, mas certamente não tão bom quanto outros pratos maravilhosos que há nas mais diversas cozinhas. O assunto à mesa era relacionamentos. Contávamos experiências e entregávamos nossos anseios. Ambos queremos encontrar alguém. Nisto (e em muitas outras coisas) somos iguais a muitos.
Ali, àquela mesa de bar, deitávamos nossas admirações um pelo outro. Alguns podem dizer que esta amizade vai acabar em casamento. Mas o clichê não é válido. Pamela e eu combinamos como amigos, mais do que isso é muito improvável. Há muitos motivos. Um deles eu falo a seguir. Ele corrobora o título deste texto.
Pamela é uma mulher atraente. Mas isso nada tem a ver com o que vou dizer. Ocorre que ela é machista no que se refere à contas. O homem é quem tem que pagar, segundo os seus preceitos. Eu, mais "duro" do que moderno, penso desigualmente. Para mim, dividir é o que é certo. Este meu pensamento faz Pamela ficar indignada e a encoraja a insultar-me carinhosamente. O que faço é rir e pensar em minha carteira vazia. Eu, se muito ganhasse tudo pagaria. Pamela diz que "quem é infiel com pouco, é infiel com muito". Uma analogia.
Acompanhei Pamela até o Terminal Bandeira, gentil que sou. A deixei no ônibus rumo a sua casa. Segui meu caminho de volta para o meu lar. Após jantar e preparar a roupa do dia seguinte, liguei para ela afim de saber se havia chegado bem. Ela ouvia música romântica. Certamente não pensava em mim. Dei um "boa noite" e fui dormir...



Sem título

· 1 comentários

A vontade de escrever obriga-me a tal função. Assim, tomo o teclado e manobro meus dedos sobre indicações de letras que preciso para construir as palavras que o ensino básico me ensinou. Só que naquele tempo não havia teclados em meu mundo. Havia máquinas de escrever, coisas horríveis e repressoras. Onde errar era um drama, e a punição era o papel ser jogado no lixo e então ser obrigado a começar tudo de novo. Eu tinha medo das máquinas de escrever! Hoje sou aliviado em saber que dificilmente vou encarar uma pela frente.

Nunca fiz datilografia. Iniciei um dia um curso de digitação. Ainda havia máquinas. Mas elas se foram e com elas as escolas de datilografia, inclusive a que eu estudei. Antes de eu me ir da escola, foi embora a loira linda. Lembrei-me dela neste momento. Uma bela garota que havia se interessado por mim. Eu, incompetente na arte da sedução, olhava-a e me encantava. E não passava disto. Ela bem que tentou me ajudar. Despediu-se de mim, dizendo que ia sair do curso. Perguntou-me: E AÍ? Eu, bobo, muito bobo, nada disse. Fiquei com cara de E DAÍ! E assim ela se foi. Para um dia eu reencontrá-la no metrô acompanhado de minha ex-japonesinha. Apenas olhei para a loira. Não me lembro o que pensei. Talvez eu tenha sentido algum prazer em ela ter me visto com alguém. Não me lembro se ela estava bonita. Bom, naquele momento isto não importava. O que era importante era a beleza da minha ex-japonesinha. E aí eu entro no campo da fidelidade. Sobre isto falo em outro texto. O assunto é demasiado importante.



Livrando-me de algumas palavras (não é que elas me sejam ruins)

terça-feira, outubro 11, 2005 · 2 comentários

Às vezes me toma uma vontade de escrever. Não sei se é inspiração, por isso caio na incerteza de produzir um bom texto. Escrever algo bom, que me emocione. Ou melhor, que eu coloque aqui as minhas mais belas emoções e que faça emocionar os que leêm.
Não há um tema definido. O que importa é que as palavras me deixem. Não que elas sejam algo ruim que eu precise me livrar. Ocorre apenas que elas se acumulam em meu ser, o que me dá a necessidade de repartí-las com as demais pessoas. Neste sentido, peço desculpas por não pedir permissão.
Bom, neste momento fiz uma pausa. Reli o que escrevi. Perdi o último trem. Fiquei sem saber como prosseguir. De maneira que fiz da minha confissão um modo de livrar-me desta paralisia. E, após esta confissão, eu me rendo. Despeço-me das palavras. Deixo para outro dia outro texto. Algumas palavras se esconderam e não saíram de mim. Eu me guardo e vou procurá-las. Amanhã é outro dia. Quem sabe outra chance...



Beleza na crise do PT

domingo, outubro 09, 2005 · 2 comentários

Há algo de muito belo a ser observado na crise do Partido dos Trabalhadores (a maior decepção política da história do Brasil). Ocorre que é muito bonito e positivo ver a indignação de eleitores que possuem de fato ideais. E isto não se limita a apenas membros deste partido. Outros tantos que se preocupam e sabem da importância da política se mostram indignados, idealistas que são. E é bom que tenhamos algum ideal para que a esperança jamais seja perdida. Se Lula não representa de fato uma mudança no modo de fazer política no Brasil, ainda resta a esperança que um dia seja feita uma ampla reforma política que finde com a estrutura político-partidária 'armada' para assaltar os brasileiros. Esta reforma deverá ser empreendida por uma classe política renovada. Contudo, tal renovação demorará muito a ser concretizada. Fica a esperança que os brasileiros passem a avaliar em quem votam com critérios político-históricos e não apenas carismáticos. Lembrando que muitos com belo histórico hoje se mostram indignos da confiança dos brasileiros. Portanto, nas próximas eleições sejamos ainda mais atentos e deixemos de lado o programa eleitoral gratuito feito por publicitários que em nada contribuem para o desenvolvimento do pensamento político dos brasileiros. Um dos pontos chave para a reforma política é o fim do atual formato das propagandas de rádio e televisão. Publicitários devem ser abolidos da política. Apesar do pessimismo, para retomar o assunto inicial, fico feliz em saber e verificar pessoalmente quantas pessoas possuem ideal político neste Brasil. Nem tudo está perdido.



Fale comigo

adelcir@gmail.com
k

fotos: Patrícia Crispim
c

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
Lilian Guimarães
Adalton César
v
c
b
c
c
c
l

opinioesecronicas@yahoo.com.br