Coração, dedos e cérebro...

sábado, dezembro 31, 2005 · 1 comentários

Olho para o teclado. Duvido sobre a possibilidade de escrever algo. Então inicio confessando esta dúvida. Para quem sabe os meus dedos formarem palavras. E quem implora palavras aos meus dedos é o meu coração. Ele pede algo belo. Palavras que emocionem. O coração pede sem consultar o cérebro. Porque é este quem vai dar a permissão final. E então é preciso saber se ele está disposto a permitir tal desejo. Pobre coração, nem sempre é atendido. Por isto, muitas vezes, ele se contraí. Aperta. Fica triste. À espera de uma nova chance. Agora, o que não podemos reclamar é que ele por muito tempo pede novas chances. Às vezes até guarda rancor. E, quando a soma de tais sentimentos ruins se repete seguidamente, o coração, então, se amarga. E aí ele se fecha. E o reflexo está na face. Que se embrutece. O olhar perde o brilho. O sorriso perde a verdade. Os lábios se contraem. E aí eu me pergunto se há chance de purificação. Não total, pois isto não é possível. Fico na dúvida sobre este questionamento. A verdade, para mim, é que na grandíssima maioria dos casos não há mais volta. E aí fico meio triste. Saber que aquela face não sairá do embrutecimento. . Aquela pobre pessoa é agora vítima do seu coração. Que se embruteceu. E que agora é pedra... Este texto que começou positivamente terminou de modo meio triste...É a vida. Aqui é um palco da vida. Nem sempre vamos pelos caminhos que desejamos... É assim mesmo...



Talentos

sexta-feira, dezembro 30, 2005 · 2 comentários

Ouço Chico Buarque. Um deleite para meus ouvidos. Este gênio da música brasileira emociona a quase todas as almas. Prendo-me em suas letras que ele transforma em canções. Tenho este compositor como um mestre de textos. É para mim excelente referência.
Falar de Chico Buarque é se perfazer. Ele não precisa de minhas palavras. Dizer que o ouço é, na verdade, querer informar que me agrado com música de boa qualidade. Faço essa confissão. Não que eu tenho feito isto propositadamente. Não digo a confissão. Mas sim falar sobre Chico.
Música é algo que amo. Muitos são os gêneros. Muitas são as obras geniais. Quisera eu ser um compositor e um músico. Saber domar um instrumento musical. Pena que na escola não tinha esta matéria. Não sei se teria me valido. Sinto-me tão incapaz para tocar qualquer instrumento musical. Confesso que me frustra. Mas, é preciso ter claro que cada ser humano tem seu talento. Sei que muitos talentos ficam escondidos. Jamais serão revelados. Mas vejam a beleza disto. Um talento calado talvez seja mais belo que um talento denunciado. Quem é que vai saber?
Chico Buarque é apenas um grande talento da humanidade. Há muitos outros. Mas falo deste apenas. Um dos talentos que mais admiro. Fico por aqui. A música que toca é fácil adivinhar...



Relato sobre este blog

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Pingadamente, vou sabendo que algumas pessoas que não conheço estão lendo este blog. Isto se dá por indicações. Amigos que falam um para o outro. Fico, evidentemente, lisonjeado. Por exemplo, uma amiga que iniciou um namoro, diz que seu namorado lê todos os textos. Relatou-me que ele gosta muito da leitura. A você, meu amigo, meus apreços.
Todos que lêem este blog contribuem para que novos textos sejam feitos. Porque saber que deleito algumas pessoas é para mim carvão que me dá combustível para prosseguir tecendo palavras.
Eu peço desculpas por não produzir nestas férias bons textos. Mas escrever é dizer o que a alma pede. Se ela esvazia os pedidos, eu me calo. Além disso, é preciso estar fora de casa. À caça de pautas. Não de modo neurótico. Tranqüilo. Deixar acontecer. Muitas vezes fica no inconsciente. Daí lá na frente a gente escreve.
Agora que tenho saído mais, buscado diversão, as pautas podem voltar. Vamos ver. Fiquemos tranqüilo.



As pautas estão voltando (mas muito vagarosamente)

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As férias continuam. Estou no “mundo azul”. Ontem fiz algumas atividades. Fui ao belíssimo SESC Santana. Uma obra de arte em meio a tantas outras belas obras na Avenida Dumont Villares. Sobre o SESC farei um texto à parte.
O que quero dizer é que a vontade de escrever, a inspiração, as pautas, vão surgindo na medida em que tenho contato com a rua.
Ontem, duvidei se o carro realmente é “liberdade”. Senti que a pé eu estava muito mais livre. Despreocupado com estacionamento. Se alguém amassaria a lataria do carro que não é meu. Assim, deixei o carro em casa e caminhei até o SESC. E caminhar pela avenida já mencionada foi um deleite. Observar os bares. As belas calçadas. Aquilo tudo parecia uma cidade turística. Mas, é claro, aquilo faz parte do turismo paulistano. Quero estar com bons amigos em algum desses bares.
Desculpem-me pela singela deste texto. Escrevi a esmo, confesso. Vejam, as pautas estão voltando. Isto é vagaroso. Ainda estou meio cru. Vamos ver daqui para frente.



Ego ao volante

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Eu caminhava em minha rua. Voltava do SESC Santana. Um lugar maravilhoso. O rapaz passava com seu belíssimo Corola último modelo. Seu ego se enchia. Era evidente o quanto ele era diferente naquele momento. Isto é apenas uma ilustração do que ocorre com muitos paulistanos que se sentam atrás do volante.
No momento em que indivíduos como estes entram em um carro, há uma súbita mudança. Não sei dizer se as máscaras caem, ou se uma máscara nova é vestida. Ali, o individualismo vem à tona de forma muito evidente.
Muitos já se depararam com indivíduos que passam de carro caçando olhares invejosos. Estas pessoas necessitam ser invejadas para se sentirem bem. Olho para eles com tentativa de compreensão. Sei que são pessoas insatisfeitas consigo. Mas não nego que fico irritado. Acho ridículo. Um dia vou aprender a entendê-los.
O motorista paulistano é digno de muitas pautas negativas. Hoje quis falar apenas um pouco do ego deles. Adoraria que algum desses tivesse contanto com este texto.



Férias (informe)

quarta-feira, dezembro 28, 2005 · 1 comentários

Devo dizer a vocês que as férias estão me roubando a imaginação, as pautas. Levanto tarde da cama. Sinto como se tivesse acabado de nascer. Fico meio perdido. A vontade é de permanecer no ventre. Vejo que não cumpri com intenções. Alguns compromissos deverão ser protelados.
Mas o que quero dizer é que muito possivelmente escreverei pouco nestas férias. Não se trata exatamente de uma previsão. Tenho isto apenas como uma possibilidade. Com relação à falta de imaginação, vou ilustrar. Mas preciso de um parágrafo novinho em folha (uma amiga ficará indignada!).
Este texto é simples. Escrevi e apaguei algumas coisas. Parei para pensar. Acabei de parar. Entendam, nasci a pouco. Conheço pouco a vida. Li quase nada. Ignoro praticamente tudo nesta vida. Assim, fica difícil escrever. Então tenho que ter calma. Saber esperar. Buscar dentro de mim as palavras mais certas (será mesmo que são as mais certas?). Feito este processo, escrevo. Mas pouco, muito pouco. E de modo bem simples. E, para que um recém nascido não faça tanto esforço, vou terminar este texto. Fica informado que pouco escreverei nestas férias. Não tenho nenhum texto escrito em algum papel esperando tornar-se digital. Também não tenho nenhuma idéia. Enfim, estou oco. Bem oco. Até idiota. É isso, amigos. Entendam.



Ritual

segunda-feira, dezembro 26, 2005 · 0 comentários

Um compromisso me espera (ou será que espero o compromisso?). Enquanto aguardo a hora de partir, escrevo.
A pouco eu havia mencionado uma tensão. Ela diminuiu. Pensei que o supermercado ira tonificá-la. Não foi isto o que ocorreu. A música era até boa. O locutor pouco implorou. A fila estava pequena.
Fiz algo simples. Comprei uma cidra no mercado. Fiz opção pelo preço com números menores (meus amigos me conhecem!) Isto é algo que faço uma vez ao ano. Uma taça de cidra. Vinho espumante. É como um ritual. Que me faz bem. Não escolho companhia. Gosto, mesmo que seja sozinho.
Cada pessoa possui uma espécie de ritual. Algo que ela gosta de repetir. Não importa a periodicidade. Cada um faz a seu modo. O meu é simples. É do meu jeito.



Criando deuses

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Eu estava no banco da frente. O casal conversava. A pauta era única. Um verdadeiro culto evangélico. Ansiedade e inveja. Ele disse que o segundo é bem pior. Não duvidei. Achei interessante. Guardei comigo esta opinião.
Eu não lia. Tampouco escrevia. Também não pensava em fazer um texto. Apenas seguia viagem, ali sentado. Observava que a pauta do casal não mudava. O que causava em mim certa angústia. Tanta coisa neste mundo! Não pode haver um único assunto!
Eu não sou religioso. Não rezo. Às vezes gosto de entrar em uma igreja. Já sentei-me no banco de madeira desconfortável. Conversei com Deus. Eu precisava fazer isto, não me importava se tudo não ia mudar (caramba, tudo mudou!). Apenas fiz...
A fé daqueles dois me fez pensar. Claro que ali havia muito mais alienação do que fé. O fanatismo era evidente. Não via beleza em suas palavras. Suas vozes eram ecos...De qualquer forma, não posso negar, aquele casal me influenciou. Pois quando mudei de ônibus, tendo sentado no banco que me restava, resolvi conversar com o abstrato. Não foi uma conversa exatamente com Deus. O que fiz foi o seguinte (vou escrever neste parágrafo mesmo!): criei alguns deuses. Não enumerei. Não dei forma. Endereço também não dei. Dei apenas a existência. Uma liberdade minha. E aí conversei mentalmente com os meus deuses. Pedi muitas coisas. Pedi desculpas por pensar neles apenas porque estava angustiado. Por que não fazê-lo na alegria? E busquei alívio. Agora, se vou esquecê-los não sei. Se eles vão atender os meus pedidos também não sei. E aí eu penso: quantos deuses já foram criados? Quantos pedidos foram esquecidos? E por favor entendam a minha liberdade de professar ou não a minha fé. Cada um tem o seu jeito de fazer...



Depois...

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Bom, já que estou aqui vou escrever. O quarto não é exemplo de organização. Também não está pior do que antes. O que não falta é tempo. Depois dou uma ajeitada.
Depois. Pois é, a vida também é protelar. Se pudéssemos fazer isto com os anseios! Creio que consigamos esquecê-los um pouco. Mas eles permanecem ali à espreita. E surgem de quando em quando para que não os esqueçamos. Talvez para que não nos furtemos de crescer. E isto, no fundo, está evidente, é bom!



Botão, emoções, tempo...

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Às vezes, nem sempre, uma tensão me domina. São as emoções que se afloram. Quisera eu descobrir o botão. Desligar as emoções. Zerar pensamentos.
Mas botão não há. Assim, uma única certeza me tem. A de que vou seguir tenso. O remédio é o tempo. Esperar que passe. Será que escrever ajuda? Será a tensão a causa deste texto? Não sei não! Sei que estou tenso, só isto!



Sobre política, tentarei. (falo do desserviço dos publicitários na política)

quarta-feira, dezembro 21, 2005 · 1 comentários

Mais uma vez o tema é de meu agrado. Aliás, só poderia ser assim, senão eu não escrevia. Sobre política, tentarei.
Lembro-me de dois ou três colegas de colegial. Algumas vezes falamos sobre o tema deste texto. Não eram amigos, apenas colegas de classe.
Quando o assunto era corrupção na política, as divergências explodiam. Eles apoiavam roubar dinheiro público. Diziam que fariam o mesmo se fossem eles os eleitos. Evidentemente um absurdo que eu discordava prontamente.
Estes rapazes, jovens trabalhadores e estudantes, não foram os únicos a me falar isto. Lembro-me também de uma amiga que me disse que roubaria só um pouquinho. E que jamais tiraria comida da boca de criança. Fato este que não diminuiria sua pena moral.
Aprendi com a minha família a respeitar o que me é alheio. Seja público ou privado. Para mim não faz diferença. Se não é meu, respeito como se meu fora.
A corrupção é fruto, também, do individualismo brasileiro. Somos um dos países mais corruptos do mundo. Na América Latina, estamos entre os povos que menos confia um no outro.
Perdoem se tal informação choca. Ela é real. É possível mudar? Não sei! Talvez!
Se observarmos, veremos algo acinzentado. As pessoas que almejam o poder normalmente não têm a honestidade como um grande valor. É isto que precisa continuar a mudar. Os honestos precisam almejar o poder.
Eu não tenho dúvidas que há honestos na política brasileira. Sei que isto é algo difícil de acreditar para a maioria das pessoas. Observem bem. Encontrarão boas opções.
Na procura por estas boas opções, esqueçam os apelos publicitários. Não se prendam à imagem. Do que vale um terno bem cortado? Um pequeno detalhe que, infelizmente, é componente de persuasão. Esqueçamos a aparência. Não preciso nem dizer que este componente muitas vezes é traiçoeiro.
Ligando corrupção com os publicitários, cabe aqui um comentário. Os publicitários que trabalham em campanhas políticas prestam o maior de todos os desserviços que estes profissionais poderiam prestar.
Por exemplo, se não fosse um grande publicitário teríamos tido Serra e não o Pitta. Vejam, não sou tucano. Se Serra não é dos melhores, certamente era muito melhor que aquele que o venceu na sucessão para prefeito em São Paulo, dominada, então, pelo malufismo, que também foi obra deste mesmo publicitário.
PT e PSDB estão entre os grandes avalistas do uso de publicitários nas campanhas políticas. Regra do jogo? Impossível evitá-las? Dado o tamanho destes dois partidos políticos, penso que poderiam ter evitado tal estratégia. Assim, teriam tido a nobreza de ajudar na politização do povo brasileiro. Mas, preferiram o caminho da indução. Zerar a capacidade de pensar de cada brasileiro. Prestaram, junto com os homens da publicidade, um desserviço que deve entrar para história. E ser lembrado em cada nova eleição. Não nos deixemos ser enganados, é o que peço.



Melhor fazer um esforço. Melhor acordar.

terça-feira, dezembro 20, 2005 · 0 comentários

A água do chuveiro tocava o meu corpo. Um presente para a minha alma. Um momento meu. Ato solitário. Palco de pensamentos os mais diverso. Alguns devaneios também. Um momento comum a todos...

Pensativo, verifiquei uma contradição minha. Não sei ser este o modo mais correto para definir o que pensei. Melhor eu esclarecer logo. Farei isto não neste parágrafo...
Ocorre que o assunto que mais leio é política. E, exatamente sobre isto, eu pouco escrevo. Então, ainda sob a massagem da água do Lorenzetti (ou será Fame? Não me lembro agora!) busquei explicações. Concluí que leitura de jornal não é o suficiente. Política é algo complexo. Um mundo diferente. Com sua ética própria. Onde, fazer o jogo sujo não significa necessariamente falta de bom caráter. São as regras do jogo. Um mundo tão masculino só poderia ter muito de sórdido.
Não quero dizer aqui que política não é para as mulheres. Muito pelo contrário. Penso que a política vai ser menos obscura se um dia ela for dominada pelo mundo feminino. E este, vocês sabem, é muito mais belo que o mundo sexualmente oposto.
Bom, eu iniciei o texto com a proposta de falar sobre política. Creio que apenas mencionei o tema. Não me aprofundei. O motivo já está explicado.
Ao escrever este texto, neste momento, lembro-me de uma amiga que diz odiar política. Que até tenta ler os textos deste blog que tratam sobre este assunto. Mas sempre se vê no meio do caminho. Ou mesmo antes disto.
Política, vocês sabem, rege as nossas vidas. Sua importância é indizível. Necessário que nos interessemos mais por este assunto. Esquecer o que a escola a televisão (e os próprios políticos) nos ensinaram: odiar política, odiar pensar. Isto favorece as classes dominantes. Atentem-se o quanto elas estão inseridas no mundo da política. Melhor fazer um esforço. Melhor acordar.



Gosto

sábado, dezembro 17, 2005 · 1 comentários

Gosto de iniciar um texto sem a menor idéia do que vou escrever. Assim, sigo na escuridão. Será que gosto de caminhos errantes? Será que gosto de seguir incerto? Bom, o fato é que não sei. Faço as perguntas. Deixo que elas fiquem no ar. Muitas perguntas recebem respostas futuramente. Assim, eu sigo tranqüilo. E sigo escrevendo.
Lembro-me de duas amigas no momento. Uma reclama que eu mudo de assunto repentinamente. A outra se indigna com o fato de eu criar expectativas. Na verdade, são dois modos de encarar alguns textos meus. Algo que acho fantástico.
Estive com uma delas ontem. Podemos ler e discutir alguns textos meus. Foi muito prazeroso o momento. Esta mulher é deveras inteligente. Lê com toda a sua sensibilidade (ou será quase toda?). Gosta dos textos. Produz identificações.
Vejam, escrevia a esmo e a segunda amiga virou pauta. Seguirei neste rumo.
Esta mulher é também do grupo que faz este mundo melhor. Conversar com ela é momento de grande prazer. Não apenas por sua serenidade e inteligência, mas também por sua sensibilidade.
Por que gostamos de pessoas sensíveis? Por que será? Vocês já perceberam que eu pouco respondo às perguntas que faço? Pois é, sou cheio de indagações. Vazio de respostas. Será mesmo?
Vou ser sincero. Não me prendo a pautas. Eu escrevo com a alma. Sigo veloz. Mando para a tela do computador o que vem. E o que vem é rápido. Não nego, às vezes paro para pensar. Não é este o caso. Talvez por isto, minha amiga, eu mude de assunto tão repentinamente. E talvez também, minha outra amiga, eu prometa e nada escreva...



Voltando para casa

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Vou tentar relatar a minha viagem de volta para casa hoje. Linha Terminal Santo Amaro-Bandeira. Cotidiano. Mais uma vez, ônibus velho. Como eu disse, nem sempre consigo evitá-los.
Estava eu sentado em sentido contrário. Muitas pessoas de frente para mim. Antigamente eu receava sentar nestes bancos. Encarar as pessoas de frente não era fácil. Mas agora faço isto com absoluta tranqüilidade. Entre outros fatores, é a maturidade que me permite.
Sabe, às vezes os coletivos parecem um palco. Nele, tragédias sociais. O menino distribui os papéis. Pede a sua esmola. Um texto pronto. Pergunto-me quem fez este texto. Quem definiu o modo de falar. Um modo meio cantado. Arrastado. Chato. Que convence a alguns.
Penso que aquele garoto, que é só mais um entre tantos garotos e garotas, e, principalmente, adultos, representa um papel que lhe foi passado. Ao olhar para ele, pensei: FORTE O SUFICIENTE PARA ESTAR TRABALHANDO. Um momento reacionário meu. Caí para esquerda e reformei o pensamento: DEVERIA ESTAR ESTUDANDO.
O ônibus seguia trepidante. Eu escrevia textos em minha cabeça. A imaginação corria mais veloz que o sanfonado. Então, aquele casal bizarro me intrigava. Uma cena de cinema. Senti-me frente a um belo filme europeu. Como OS AMANTES DE UMA LOIRA. Um filme tcheco que não faz uso de belos atores, muito pelo contrário, beleza neste filme só a dura realidade daquelas meninas solitárias naquela pequena cidade.
O casal parecia brigar. Eu não tinha certeza do que via. Talvez o grandalhão brigasse com a pequena. Olhei para o rosto dele. Queria sentir se ele a amava. Devaneio meu, eu sei. Mas enfim, eu não conseguia definir nada...
Às vezes eu abandonava o casal. Desistia. Deixava de frustrar-me. Olhava pela janela e sentia os olhos apertar. Pasmem! Não era o sol que me obrigava a franzir a testa e apertar os olhos. Não era por charme também. Sentia, meus amigos, que os meus olhos se umedeciam. Uma sensibilidade tomara conta de mim naquele momento. Brigava para não verter lágrimas. Imaginem a vergonha.
Este desejo mencionado no final do parágrafo acima tinha uma origem (creio): as mulheres. Bastava eu lembrar daquelas que vi chorando esta semana que me vinha um desejo de solidarizar com elas. Pretexto apenas? Não sei! Mas as mulheres me emocionam. Essa honestidade em chorar é fantástica. Diferença biológica? Não sei também! Na verdade, penso que não exatamente. Porque eu creio que nós homens não choramos tanto, ensinados que fomos.
Olhava mais uma vez ao meu redor. Pensava em outro texto. Não havia como escrever. Caneta não basta. Sabia que estava perdendo uma boa oportunidade. Mas a vida é assim mesmo. Então eu seguia tranqüilo.
O casal bizarro desceu do ônibus. O grandalhão branquelo seguia na frente pela calçada. Depreendi que ele estava com raiva de sua parceira. Dei de ombros. Outra olhadela e eles se davam as mãos. Fato este que não me foi suficiente para depreender o amor entre eles.
Segui olhando pela janela. Os olhos apertavam novamente. Não trazia comigo lembranças do trabalho. Meu único desejo era escrever (e não verter lágrimas!).
A viagem chegara ao fim. Muitos outros detalhes soneguei neste texto. Fiz escolhas. É assim a vida às vezes. Feita de escolhas. Pena que nem sempre é assim. Obrigados que somos a aceitar determinados acontecimentos.
Dirigi-me ao metrô. Esperava ele lotado. De fato estava assim. Outra viagem se iniciaria. Meu estado de espírito já não seria o mesmo. Não que tivesse se diferenciado tanto. Mas eu mudara. Percebia isto em mim...



O FOTÓGRAFO EGOÍSTA

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Conheço fotógrafos. Eles estão inseridos em minha realidade profissional. Temos afinidades. Sou cinegrafista.
Entre os fotógrafos que conheço há um que carrega uma singularidade. Antes de contar o que o diferencia dos demais colegas de profissão, devo dizer que este profissional, que é muito talentoso na arte de fazer fotos, é um de um caráter exemplar. Um exemplo que deve ser seguido pela humanidade. Escrever sobre ele é também uma forma de homenageá-lo.
Pacato, ele segue a vida com tranqüilidade. Talentoso, muitos querem os seus serviços. Poucos tem o resultado. Sim, ela faz as fotos, mas não as entrega.
Dia desse eu disse a ele que seu amor pelas fotos é tanto que ele não consegue se livrar delas. Ou mesmo reparti-las, algo que o sistema digital permite.
Causa-me risos ao vê-lo sendo cobrado. E não são poucos os que estão ávidos em ver como ficaram as fotos. “E AS MINHAS FOTOS? QUANDO VOU VÊ-LAS? LOGO, NÃO SE PREOCUPE!” Esse diálogo se repete semanalmente.
Penso neste fotógrafo contemplando suas fotos. Amando o fato de sonegá-las. Todas em seu computador. Sendo tratadas no Photoshop. E ele se rindo por não entregá-las! E temendo tal obrigação!
Mas agora surgiu para ele um grande conflito. Ele foi convidado para expor seu trabalho. Imaginem a dor deste talentoso fotógrafo! O conflito está estabelecido.
Esta história, meus amigos, é absolutamente verdadeira. Este fotógrafo é muito meu amigo. Tenho por ele grande consideração. E tenho com ele várias fotos que ele nunca me envia!



Já faz alguns dias que não escrevo...

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Já faz alguns dias que não escrevo. O ano vai terminando e sonego palavras. A verdade é que uma total falta de inspiração me assalta. Este é o termo correto. Assalto. Levou embora as palavras. Os motivos? Quais serão? Não sei!
Mas confessarei algo que tenho feito. Ler. Aí está uma forma de aprender a escrever. Considero isto fundamental para tanto. E é este o recado que quero deixar aqui. No intuito de incentivar a leitura. Algo bom, absolutamente necessário. Não se furtem de fazê-lo.
Mas não leio apenas para melhor escrever. Leio por que minha alma pede. É imperativo. Obedeço e saio ganhando. Lembrando que nem tudo que foi escrito é merecedor de leitura (será o caso deste texto?).
Se não posso realizar todos os meus desejos, ao menos leio. E escrevo.



Desviando do rumo...(o trem não desvia)

sábado, dezembro 10, 2005 · 1 comentários

Metrô. Sento-me no banco. Diversas opções. Olho ao redor, uma soma de pensamentos. Cada qual com suas alegrias e angústias. O que cada um pensa? Segredo inviolável!
Será pensar uma liberdade de fato? Não serão nossos pensamentos induzidos? São tantas influências! Os costumes. O consumismo. A mídia. Enfim, alguns fatores que podem determinar o que cada um neste vagão pensa. Eu não me excluo.
Meu pensamento agora é este texto. Penso em como prosseguir. Talvez uma olhadela pelo vagão ajude.
A maioria são mulheres. Impossível não avaliar suas belezas. Não sei como aprendi isto. Não creio que seja natural. A sociedade me ensinou este comportamento. Ele é errado? Tenho-o apenas pelo fato de ser homem? Deixo para cada um suas conclusões.
Percebo que me desviei do tema central. O trem não faz isto. Segue seu rumo pré-definido. Cada um aqui tem seu próprio destino. Mas será que todos aqui têm rumo certo? Não posso fazer nenhuma afirmação neste sentido. Por isto usei da interrogação. Um ato de maior honestidade do que supor. Não que supor seja de fato desonesto. Fiz isto em um outro texto. Mas fazê-lo agora não é de minha vontade. Prefiro deixar a incerteza no ar...

Termino este texto antes do fim da viagem. Olho ao redor. Algumas mulheres já se foram. Dificilmente as verei novamente. Ou, se acaso revê-las, não lembrarei de seus rostos. Eu também não passarei de um desconhecido para elas em uma suposta oportunidade de reencontro. Se é que se pode chamar assim.



O tempo existe?

sexta-feira, dezembro 09, 2005 · 0 comentários

O tempo passa. Leva consigo a cada dia um pouco de minha vida. Indelicado, ele não me pede licença. Segue persistente. Às vezes parece que ele muda. Vai mais rápido. Vai mais devagar. Outras vezes penso que ele não existe. Quando vejo já passou. Já aconteceu o evento esperado. Assim, em momentos de angústias lembro-me que logo passará, se é que já não passou. Será mesmo que o tempo existe? Será que tudo já aconteceu? Tão rápido ele é, logo não estarei mais aqui para escrever. Logo, nem vivo estarei...



Gripe aviária - o que li na CARTA CAPITAL

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Vou usar este espaço para informar. Li na revista CARTA CAPITAL (20/OUT/2005 - Nº 365) - que a gripe aviária, segundo os infectologistas, pode ser uma bomba-relógio. É possível que tenhamos uma pandemia (epidemia que se propaga rapidamente por vastas extensões territoriais). O que há de positivo é que hoje temos mais condições para enfrentar uma possível pandemia. Diferentemente do que ocorreu com a Gripe Espanhola. Naquela época, não havia os antivirais que hoje temos. De qualquer forma, se pandemia vier causará muito estrago. E não será a última. Pois, de acordo com os cientistas, pandemias são consideradas parte de um ciclo natural que se abate sobre a Terra de quando em quando. Elas são esperadas a cada 30 anos. A última foi em 1968. É necessário que fiquemos alertas.



Confessando sentimentos

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Em casa. Um texto para finalizar o dia. Curioso é que meu dia finaliza quanto o outro já começa. Falo das horas, não do sol...

Paro para pensar. Constato que se há o que escrever não faço a menor idéia do que seja. Não quero "enrolar" vocês. Melhor parar. Ao menos fui honesto. Confessei minha dificuldade. A verdade é que isto ajuda. Desbloqueia. Esta é a forma correta de trabalhar com os sentimentos. Reconhecê-los. Daí o nervosismo abaixa. A falta de imaginação é vencida. Muitos outros obstáculos são transpostos. O meu, neste momento, é a dificuldade de escreve. Confessei. E escrevi. Ainda que pouco.



Prioridades

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Outro texto. Vontade de escrever. Deve ser a carência. Mal do século. A vida moderna nos martiriza. Temos pouco tempo para tudo. Precisamos conversar. Mas o trabalho nos toma cada vez mais o tempo. Não dá para fazer tudo o que queremos. Então é necessário priorizar. E, nesta priorização, falhamos com pessoas queridas. Até explicar, o desgaste já se fez. Bom que muitas são entendedoras.



Linha Terminais Santo Amaro-Bandeira (de volta para casa)

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Noite de quinta-feira em São Paulo. Metrópole iluminada. A linha Terminais Santo Amaro e Bandeira me leva. Trago comigo uma certa ansiedade. Quero livrar-me desta roupa. Vencer a distância que estou de meu refúgio. Preciso da minha cama...

Olho pela janela. A cidade não está suja. Penso na importância dos catadores de lixo. Tão importantes, tão mal pagos. Lógica do capitalismo. Poucos estão aptos para entender. Eu sou um deles.

A pouco tive um momento prazeroso. Pizza em grupo. Duas amigas presentes. No final, o papo com a professora. Rápido e acrescedor. Falamos um pouco de relacionamentos. Nós solteiros buscamos informações. Como se estivéssemos nos preparando. Para quê? Preciso dizer?

Olho mais uma vez pela janela. Curioso como tudo parece perfeito. Digo isto, pois está bem errado. Duvidam? O que me dizem do mendigo deitado agora na calçada? Ele não é o único por este mundão afora. Dorme. Sonha não sei o que. Daqui a alguns minutos outro dia do calendário chegará. Mais um dia para construirmos o futuro. Para o mendigo não há o que construir. Negativismo meu? Perdoem-me!

O ano vai terminando. Antes dele, termina esta viagem. Guardo papel e caneta. Agora é hora de esperar o metrô. Uma espera bem menos árdua. Sabemos que o próximo trem é o nosso. Todos são os nossos. Desde que estejamos na plataforma certa.



Mozart e cãozinho branco

sábado, dezembro 03, 2005 · 0 comentários

Mozart toca. Cãozinho branco brinca. Criações: homem e a natureza. Duas belezas. Mas o homem criou a música, permitido que foi pela natureza. Precisou ouvir. Recebeu a audição. Precisou sentir. Recebeu a alma. Escrever. Teve a possibilidade de aprender como presente. A natureza, então, se faz superior. Assim mesmo o homem teima em desrespeitá-la. O que será de nós?
Segue Mozart. A natureza deu-me bons ouvidos. Uma alma sensível. Não sou o único. Longe estou do maestro. Que compôs a música. A sentiu antes de todos. Uma feitura apenas para gênios. O que posso fazer é ouvir. Gostar ou não. Compor jamais. Minha sensibilidade não chega a tanto.
Não me deprecio, entendam. Apenas constato. Alguns não concordarão comigo. Devo respeitar. Posso discordar. Mas nada direi. Hoje quero silenciar-me para as críticas. Quero o silêncio absoluto. E ouvir apenas Mozart. E ver apenas o cãozinho branco brincar. Mais nada.



Marcha ré (sobre os ônibus)

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O transporte público em São Paulo engatou a marcha ré. Falo dos ônibus. As sucatas voltaram para as ruas. Receio usá-las. Evito com certeza. Nem sempre consigo.
Outro dia entrei em um coletivo sanfonado. A cena triste foi registrada. O assento de banco jogado no chão. Indignação de minha parte. Os trabalhadores paulistanos desrespeitados. Certo que merecem melhor tratamento. Já basta a exploração do expediente. Uma viagem mais confortável é merecida.
Sobre os ônibus vai aqui uma informação. Quase 100% da frota nacional possuem chassi de caminhão. Feito para transportar mercadorias. Prejuízos para os nossos rins. Quem usa diariamente corre o risco. Mudar isto é difícil. Nenhum prefeito tem essa iniciativa. Serra muito menos. Permite até assentos no chão. Balaustres soltos. Sucatas ambulantes. Verdadeiro descaso.



Desafio

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Lanço-me o desafio. Escrever cansado como estou. Já vivi 42 min do dia seguinte. Às 5h terei que estar de pé. Será que levanto? (levantei mais tarde!).
Mas a questão aqui não é se vou sair da cama ou não. Quantos já tiveram esta dúvida. Desânimo pelo horário precipitado que terá que abandonar aquela que lhe acolhe. Desejo imenso de dormir. Levantar a hora que a vontade mandar.
Bom, caí em contradição. Deixei o tema central se perder. Escrevi. É o que importa? Não, não creio. Escrever por escrever não me vale. Gostoso é emocionar. Provocar interesse. Gerar pensamentos. Identificações...
O que eu queria falar é sobre o desafio lançado. Escrever demasiado cansado. Isto foi feito. As palavras se foram (voltarão!). O cansaço não. Se o texto é bom é outra questão.



Pseudos sábios

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Quem não conhece aquelas pessoas que se julgam as mais inteligentes. Que buscam discordar de muito do que falamos apenas para se mostrarem intelectuais. Acham que possuem sempre a melhor frase, a mais bem elaborada opinião.
Sabe, nestes momentos lembro-me de Sócrates. Que dizia que as muitas pessoas que se diziam especialistas de determinado assunto quando eram indagadas a respeito demonstravam pouco saber. Eu não duvido que os especialistas de hoje saibam o que dizem. Tenho profundo respeito por eles. Não é deles que falo. Mas sim dos pseudos sábios. Ah, como eles são chatos! E como são ignorantes!



E-mail que recebi como resposta - assunto: o governo Lula - Por Adalton César

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Sinceramente, tenho grande dificuldades em saber onde começa a verdade e ondetermina a mentira nessas acusações contra o PT. De fato, o caixa 2 é inegável, mas, falando cinicamente, ele é racional do ponto de vista econômico. Afinal, se todos o utilizam, quem não o fizer não se elege. Com uma reforma política - talvez, e friso bem este talvez - as práticas pouco ortodoxas venham a diminuir. Mas, infelizmente, vivemos numa era de espetáculos, poucos estão interessados em política. Veja os comícios, cheios de duplas sertanejas e sorteios disso e daquilo outro para atrair o público. Assim, é bem provável que uma reforma que retire a possibilidade do uso de marqueiteiros "espetaculosos" -e assim, torne as campanhas mais baratas -diminua ainda mais o interesse pela política. Mas, isto são conjecturas. Do ponto de vista econômico, acho que houve um exagero de conservadorismo, mas, a armadilha havia sido montada no governo anterior. Desmontá-la teria - e digo isto com toda a certeza - provocada uma hecatombe nacional. Hoje, o Lula estaria fora do governo, se o Palocci houvesse optado por uma política deheterodoxa. Veja o exemplo do Collor: mexeu com o dinheiro das classes médias e altas, perdeu o apoio político delas e, quando houve a oportunidade (apenas,política, pois não havia provas para tirá-lo do governo), cassaram o mandato do cara. Há avanços, meu caro, veja a política de habitação (mandei-lhe umartigo sobre ela), veja a reforma no Judiciário (outro artigo enviado), veja a política de Educação, houve melhoras na Previdência, há discussões que antes não existiam, inclusive sobre a própria necessidade ou não de juros elevados. No governo passado, dito altamente democrático, quem era contra as políticas neoliberais era taxado de neobobo. Os dados da PNAD 2004 sobre as condições de vida da população, mostram avanços. Outra coisa, reforma política com o atual Congresso é impossível, no meu entender. Até mesmo propô-la representaria um desgaste para o governo, que poderia ser acusado de jogar a sociedade contra o Congresso. Quem sabe estes escândalos sirvam para pressionar os atuais políticos a implementarem tal reforma. Mas, não espere muito. Para terminar, tenho a convicção de que o PT é o único partido atualmente capaz de trazer mudanças positivas, ainda que pequenas, para o país. Os demais, para mim, são por demais elitistas. Veja a administração Serra emSP, ou o próprio governo FHC. Abraço Adalton César



Um e-mail para um amigo sobre o Editorial do Jornal Valor sobre a cassação de José Dirceu, que foi sem provas

sexta-feira, dezembro 02, 2005 · 0 comentários

O artigo é muito pertinente. De fato não havia provas para cassar José Dirceu. Eu serei sincero, não votaria no Dirceu. Tampouco no Lula. Minha contrariedade em relação à dupla Lula-Dirceu é o modo igual de governar o país. É evidente que ambos corroboravam com a prática do "caixa dois" assumido por Delúbio Soares. Usavam os cargos comissionados para inflarem a máquina partidária ou para presentear aliados. Sabe, falando nisso, sou absolutamente contra os cargos comissionados, pois eles dão margem à corrupção. Parece-me que o PT do Lula e Dirceu são a favor da existências destes, posto que usavam-no como moeda e como meio de se favorecerem.
A minha indignação com o PT Lula-Dirceu é não ter implementado uma reforma política, um combate maior à corrupção (li que eles abandonaram as conversas pré-eleitorais que tiveram com a Transparência Brasil - uma ONG que combate a corrupção -, quando assumiram o governo - fiquei indignado!). No meu entender, o governo Lula é feito de bons mocinhos e vilões. Alguns fazem a parte suja. Talvez o Dirceu fosse um deles. Outros fazem que não sabem. "Faça mas não me conte detalhes". A política é algo meio sórdido. Parece que isso é inerente a ela. Mas eu não sei dizer se ela não pode ser de outro modo, certamente você tem mais condições para falar sobre isto que eu.
Vou ser sincero, considero o governo Lula mais do mesmo. Fala-se do êxito na economia. Mas as últimas notícias são desanimadoras. Creio que nem a economia será uma bandeira para Lula. Dirceu foi cassado. Lula não será reeleito. Estou convicto.



Tentativa (não consegui!)

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Sinto desejo de escrever. Já havia apagado a luz. Pensava em um texto em meio à escuridão. Mas ele se foi. Será que consigo recuperá-lo? Não, lamento. O texto era bom. Perdoe a falta de modéstia. Mas lembrem-se que diversas vezes eu reclamei dos meus textos. Permitam-me o contrário disto. Dêem-me a permissão para um momento de positividade.

...

Faço uma breve pausa. Tento lembrar do texto. Aquele que mentalizei de olhos fechados. Já se esqueceram? Então não cobrem o texto! Porque ele se foi, como este que aqui termina. Nada parecido com o outro. Este é bem ruinzinho...



Impressões erradas

terça-feira, novembro 29, 2005 · 0 comentários

Sempre temos muito que aprender sobre os seres humanos. Não podemos deixar nos levar por impressões. Curioso como elas teimam em ser tão negativas. Falo de mim, evidentemente.
Hoje, em uma longa conversa com uma amiga, cujos interesses recíprocos passam da amizade, tive a noção exata o quanto me deixo levar por impressões. Esta pessoa, cujo nome usarei apenas a primeira letra, que é K. (coincidência kafkaniana), falou-me um pouco dela. Incrível como tanta coisa bela estava escondida em uma mulher cuja beleza muito me encanta. Agora estou na fase de conhecer suas belezas interiores.
Não falarei aqui de suas qualidades. Não é esta a minha intenção. K. é apenas um exemplo do desengano que pode ser deixar-se levar por impressões. Também não vou me estender muito. Não me sinto apto a fazer isto. Só quero dizer que é melhor buscar a verdade. Indagar as pessoas. Fazê-las dizer quem são. Mas vale lembrar que é necessário observar se os comportamentos condizem com as palavras. Afinal de contas, uma imagem vale muito mais que mil palavras.



Indecisão

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Confesso um desejo de agora. Poetar, quem sabe. Mas como fazê-lo se poeta eu não sou? Devo-me entregar a esta incompetência minha? Esconder as palavras dispersas em mim? Ou devo tentar fazer aquilo que não sei? Indeciso, farei o que se deve fazer na indecisão: nada!



Ônibus velho lotado; pensamentos prontos (e machistas); e um belo decote (mas sem bons modos)

sábado, novembro 26, 2005 · 0 comentários

Ônibus lotado. No desconforto dos bancos eu permanecia lendo. Ao meu lado um belo decote. Era contraste com os modos não muito delicados da morena. Rumo a Santo Amaro eu seguia viagem. O trabalho me esperava. O ânimo surgiria quando lá eu chegasse.
“Difícil encontrar uma mulher perfeita: bonita e inteligente”. “Algumas mulheres parecem que não tem cérebro!”. Era o que o rapaz mais falante dizia ao seu colega de viagem. Simples rapazes. Trabalhadores ao certo. Suas filosofias, claro, eram carregadas de preconceitos e pensamentos prontos.
Diversas vezes mudaram de assunto. Nem sempre eu prestava atenção. Mas dizer que levar surras é de gosto de algumas mulheres não podia passar despercebido. “É tempero para relação, pensam elas”. Pasmem mulheres! Mas saibam, o mundo masculino é sórdido! Na verdade, este pensamento pronto é uma forma de justificar a violência contra as mulheres. Mulher nenhuma deve ser agredida fisicamente. Nem mulher, nem homem.
Seguia lendo Balzac. Fazia anotações para fazer este texto. O belo decote ao lado dormia bebadamente. Seu perfume era álcool. Uma jovem estudante. Seria até bonita se tivesse melhores modos. Mas não é de surra que ela precisa. Necessita o que todos necessitam: boa educação.
Às vezes interrompia a minha leitura. Trepidações severas do coletivo. Uma chuva fina caía lá fora. Quando ela cessava eu abria a janela, pois fazia calor. Olhei para trás calculando a dificuldade que teria para passar no corredor. Às vezes olhava os dois "filósofos" a fim de avaliá-los. O mais falante tinha muito assunto. O outro era na verdade um tipo que concorda com tudo. Sentia como se ele não estivesse ali. Parecia estar com a sua namorada. Sim, as mulheres sabem, muitos homens são demais ausentes. Não vou dizer se a maioria. Mas sei o quanto as namoradas e esposas reclamam de atenção. Talvez a explicação seja a que uma amiga me deu: "os homens não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo". Algo que ela leu. Nem sempre o que está escrito pode ser tido como uma verdade irrefutável.
Deixei o coletivo. Indignei-me com seu péssimo estado. Não foi fácil passar pelo corredor. Nesses momentos, sinto como se uma confusão fosse iminente. Um esbarrão. Um tropeção. Sei lá, algum contato físico indesejado. Levei comigo minha indignação. Ônibus velho e filosofia machista. Tive uma recompensa. A idéia para uma crônica. Dirigi-me ao trabalho. O ânimo de fato surgiu durante o expediente. Trabalhei muito. Foi bom.



Breve

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Breve. Muito breve. O motivo? Desejo de ser breve. Como se fosse um momento de angústia. Que desejamos que passe logo. E a verdade é que passa. A brevidade da vida me assusta. Faz-me duvidar da existência do tempo. Devaneio? Não sei!



Algo sobre as dinâmicas de grupo

sexta-feira, novembro 25, 2005 · 0 comentários

Textos me agradam. Não importam os tamanhos. Às vezes sinto imensa vontade de escrever até o infinito. Não preciso nem dizer da impossibilidade de fazê-lo.
Mais uma vez eu sigo escrevendo sem um assunto pré-estabelecido. Quantos já se viram na situação em que não sabiam o que falar diante da obrigação de dizer algo que fosse magnífico. E o pior é que não conseguimos tal intento e nos culpamos por isto.
Isto me faz lembrar daquelas dinâmicas de grupo em que somos obrigados a inventar uma outra pessoa que não nós.
Eu fico imaginando como seriam as seleções de profissionais se pudéssemos ser nós mesmos. O chato muito chato. O antipático nada social. O arrogante com o nariz empinado. O piadista sem graça cheio de piadas sem cisos. Os sedutores de plantão ávidos por conquistas, seduções, súplicas sexuais dissimuladas. Enfim, uma infinidade de defeitos que tentamos esconder na fase de seleção.
Agora eu pergunto: SERÁ QUE É ISSO QUE REALMENTE AS EMPRESAS REALMENTE QUEREM? QUE SEJAMOS TUDO QUE NÃO SOMOS? SERÁ QUE SOMOS TÃO RUINS ASSIM?
Se não me engano creio que já li que as empresas querem pessoas com capacidade de tomar decisões rápidas (mas as melhores decisões são tomadas com calma). Se isto for fato, as empresas estão loucas, pois querem que façamos o pior: tomar uma medida sem pensar!
Bom, há outros questionamentos a se fazer, mas daí o texto vai parecer sem fim. Mas se o "fim" muitas vezes é chato, outras é o que mais esperamos.
A verdade, para mim, é o seguinte: saem-se melhor os que fazem o que as empresas querem com naturalidade. Sim, pois há pessoas que são altamente capazes de se adaptar sem perder sua essência. Estes sobrevivem. Destacam-se. Vamos observá-las melhor. E por favor, sem inveja!



Incolor

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Eu quero dizer algo. Já estava com a caneta na mão. Olhei para a folha cheia de pautas. Pensei: VAI FICAR EM BRANCO. Mas como dizer isto sem manchar a folha com tinta? Bom, o que posso dizer é que as demais pautas ficarão vazias de palavras. Quem me dera se a minha mente estivesse assim agora. Vazia! Absolutamente incolor!



Projeções

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Às vezes olho para o meu cãozinho de estimação e parece-me ele tão entediado. Caramba! Será que estou me projetando até no meu cão? Porque nós seres humanos somos uma máquina de projeções. Por isso, tomemos cuidado com o nosso ódio. Muitas vezes estamos na verdade é projetando defeitos nossos que não suportamos. Ter consciência disto ajuda. Arrogante aquela pessoa? Não será você o arrogante?



Jacintha

quarta-feira, novembro 23, 2005 · 3 comentários

Quem é Jacintha? Uma nova mulher em minha vida? Apenas uma amiga? Uma velha conhecida que me veio à mente hoje? Enfim, serei brevíssimo ao falar dela, posto que estou absolutamente sem inspiração para escrever.
Esta bela negra não vive no Brasil. O que ela tem de mais belo é sua voz suave, de uma maciez que eu não comparo à nada. Jacintha canta Jazz com maestria. Sua voz toca a minha alma, deixando-a mais leve.
A todos que gostam da boa música, fica aqui esta indicação. Ao ouvir Jacintha, imagino-me em um belo bar amadeirado. Bebendo algo bom. E, o que é mais importante, com uma agradável companhia.
Eu só queria falar isto. Enquanto escrevo, ouço a música que toca. Jazz de altíssima qualidade. Jacintha.



Muito blues, muita sinceridade, muita honestidade...

segunda-feira, novembro 21, 2005 · 2 comentários

Centro Cultural Vergueiro. Mais um domingo. O tempo um tanto indefinido. Confuso como eu. O show de blues de ótima qualidade. Ao meu lado Camila. Estávamos ali como namorados que pedem um tempo para refletir. Uma indecisão tomara conta de nós. Eu, um homem que não consegue esconder sentimentos, deixei transparecer minhas angústias. Camila, uma mulher altamente perspicaz, não deixou de perceber meus modos diferentes. Abrir o meu coração para ela fez-me muito bem. Meu humor melhorou. A chuva fina que me angustiava amenizou. Assim, falei o que sentia naquele momento. Ela fez o mesmo. E chegamos à conclusão de que não fomos feitos um para outro. Podemos ser amigos, não namorados. E a esta conclusão chegamos com absoluta tranqüilidade. A certeza final foi no metrô de volta para casa. Camila disse sentir que não namoraríamos mais. Eu confirmei tal previsão. Sorrimos um para outro. Prometemos amizade. Isto será simples de acontecer. Posso dizer que já se iniciou no próprio domingo. Este namoro fugaz com a Camila trouxe-me uma lição deveras importante: ser honesto consigo e com o outro, jogar limpo, ser sincero sem ser indelicado. E foi o que fizemos. Na escola da vida, fomos alunos da mesma classe. E de épocas escolares costumam surgir grandes amizades. Espero que assim o seja.



Arte, erotismo e café

sábado, novembro 19, 2005 · 0 comentários

Exposição é algo que eu não gosto muito. Já escrevi isto em outra oportunidade. Mais uma vez fui acompanhado. Desta vez com uma namorada. O Centro Cultural Banco do Brasil é bastante agradável. Antes de visitarmos a exposição “Erótica”, fomos ao café. Pressa naquele momento era algo inexistente. Entre sorrisos e conversas amenas, preparávamos nossos espíritos para encarar a exposição.
Contas pagas. Mãos dadas. Tudo feito de modo tranqüilo. Encararíamos agora as obras. Algum constrangimento? Não, nenhum! Mas talvez os mais velhos se choquem. Pois algumas obras são um tanto polêmicas. Quantas mulheres será que ficam à vontade frente a um vulvódromo?
A exposição estava dividia em três pisos. Sem dúvida, a obra que mais me chamou a atenção foi DESENHANDO EM TERÇO – Márcia X. Nela evidencia-se uma crítica à castidade dos padres da Igreja Católica. O fotograma mostra alguns pênis com terços, como que denunciando que os padres, em meio a terços, batinas e hóstias, também profanam tanto quanto um ser humano comum (ou será livre?).
Posteriormente, encaramos os autos-retratos. Ali, a obra IBDI 2000 – Luiz Zerbini, prendeu a minha atenção. Duas esculturas em mármore idênticas se encarando friamente. Eu tentava ver alguma expressão nos olhares das esculturas. Frustrava-me com tal tentativa. E o que mais me tocava era a representação do artista se olhando, isento de medos.
A última obra trata de um tabu: masturbação feminina. ONAMISMO (Academie dês Dames) – Albert Margaret. Em um dos desenhos do quadro, uma mulher se masturbando e escondendo seu rosto. Nem ela mesma queria ser testemunha de tamanha vergonha. O segundo desenho eram duas mulheres fazendo sexo oral. Ali também a mulher que recebia a língua da outra escondia o seu rosto. Vergonha de seu próprio corpo? Vergonha de seu ato? Penso que ambos.
Obras visitadas, seguimos rumo para algum templo de consumo, onde tudo é mais fácil de assimilar, dada a superficialidade do ato.



Mania de perseguição

sexta-feira, novembro 18, 2005 · 0 comentários

Um fato muito curioso está ocorrendo em relação a este blog. Ocorre que as pessoas que me criticaram estão com mania de perseguição. Escrevo algo e me perguntam se foi para elas. Muito engraçado isto! Já fiz este comentário com uma delas. Fiquem tranqüilas. Livres para fazer críticas. Jamais vou persegui-las, nobres pessoas. Posso até fazer uma crítica ou outra. Daí, então, sou obrigado a lembrar o que já escrevi: quem critica também é criticado.



Chuva fina

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A chuva fina tem vindo pelas manhãs. Ela vem, fica e diluí o meu sorriso. Então, a ausência de alegria se faz existir. Não é algo constante. Assim mesmo, é possível manter a simpatia. Se toda água tem sua fonte, preciso descobrir de onde vem essa chuva fina. Bem fininha...



Temos a obrigação de melhorar como pessoa

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Antes de começar a escrever, revelo que estou decidindo sobre o que vou discorrer. Não que haja tantos assuntos assim em mim. Faço isto como uma prestação de contas. É uma maneira honesta de tratar os que lêem os textos deste blog. Para que vocês saibam que nem sempre as palavras vêm de modo tão simples.

Não decidi ainda sobre o que escrever. Ao subir para o quarto pensei em falar da sensibilidade das mulheres. Fazer algum tipo de homenagem para elas. Pensei também em falar de uma obrigação de todo ser humano: melhorar como pessoa. Então, entre estas duas opções, escolhi a segunda. Espero sair-me bem.

Muitas vezes conheço pessoas que tem muito a melhorar como pessoa (eu sigo na luta, caminhando). No momento em que falo isto, lembro-me de um morador de minha rua. Um rapaz com aproximadamente 40 anos que já tem seus dois filhos, cada qual com uma mulher. Alguém que a maldade envelheceu antes do tempo. A alma desta pessoa nada tem de bela. É alguém que semeia ódio. Que amigos não tem. E de ninguém é amigo.
O que me dói é saber que esta pessoa não mudará. Ela nada faz para mudar. Certamente não tem consciência desta necessidade. Assim, segue infeliz em sua vida.
Perdoem-me pelo relato acima um tanto pesado. Vejam, não é intenção minha falar mal desta pessoa. O propósito não é este. Apenas a tomo como exemplo para ilustrar este texto. Peço desculpas pela ilustração ser tão cinza.
O que quero dizer é que é obrigação de todo ser humano melhorar como pessoa. Melhorar o seu caráter. Combater a maldade que gosta de se alojar naqueles que já não são mais crianças. O caminho não importa. Terapia. Religião. Artes marciais. Arte. Esportes. Altruísmo. Qual seja. Não há o melhor caminho (ou será que há?). Enfim, cada um deverá encontrar o caminho que mais lhe apraz. O que não pode é o indivíduo deixar a maldade se acumular. Entregar-se a sua destrutividade. Enfim, ser escravo de sua mente. Não, ele deve sim tomar as rédeas de sua mente. Dominá-la. E esta mente não deverá ser de outro modo que não bela e saudável. Apenas com um mínimo de maldade. Porque talvez um pouco deste ingrediente seja necessário. Será mesmo?



"Gigantes adormecidos"

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Outro texto? Vocês me permitem? Acho que é a primeira vez que peço para escrever antes de fazê-lo. É que vocês que lêem os textos deste blog são muito importantes. Ora, o que seria de um texto sem ninguém para ler? Fazendo uma analogia, o que seria de uma mercadoria sem ninguém para comprar? Que poder que nós temos, hein? No fundo, os capitalistas dependem de nós. Somos gigantes. Precisamos acordar.



Depois de uma constatação, uma crônica

segunda-feira, novembro 14, 2005 · 3 comentários

Enquanto escrevo, as ondas sonoras trazem Vivaldi aos meus ouvidos. A leveza da música contrasta com a minha agitação. Às vezes o estress nos tem por motivos banais. Quem nunca ficou irritado à toa? São pequenos detalhes que nos pegam de surpresa. É preciso ficar atento aos detalhes. Eles são o que de mais importante há em nossas vidas. Descubra seus detalhes e você será uma nova pessoa. Eu estou descobrindo os meus. Mas ainda sigo ignorante de boa parte deles.

Uma preocupação me tem. Este blog está perdendo suas características principais. O propósito de escrever crônicas ou opiniões está um pouco esquecido. Curioso como ninguém ainda me criticou neste sentido. Eu sou meu próprio crítico, então. Ocorre que não quero fazer deste espaço um diário. Oras, isto é deveras egocêntrico! Quem falou que a minha vida interessa às pessoas?

Mas eu posso fazer uma observação. Talvez uma correção. É possível que este blog seja uma mistura de opiniões, crônicas e auto-retrato. Talvez eu tome a minha pessoa como exemplo para falar sobre os fatos da vida. Sim, talvez seja isto. Se assim for, sinto-me aliviado.

Agora tentarei relatar um fato. E isto se dará em forma de uma crônica. Ocorre que eu estava no metrô. Dirigia-me para um encontro com a minha namorada. Isto se deu no último domingo. Sentado ao lado de uma mulher, vi que um homem a observava libidinosamente. Seu olhar não se fixava apenas no rosto daquela que pouca simpatia expressava. Era um olhar lascivo. Que deixava bem claro sua carência sexual. Bom, de repente nem era carência, e sim um costume tarado daquele rapaz de desejar as mulheres cujo corpo lhe interessa. Olhei para a mulher a fim de depreender o que ela achava sobre a tentativa apelativa de um flerte. Sua feição não era de bons amigos. Penso que ela entendia bem as intenções do rapaz ali em pé com sua mochila em uma das mãos. Claro estava que ele tinha uma única intenção: possuí-la sexualmente e depois ir atrás de outra mulher. Agora, se sua tática de sedução era aquela, penso que ele vai ter que apelar para a carteira e sacar de seu dinheiro de trabalhador a fim de satisfazer suas necessidades (ou será o seu ego? Ou será sua patologia?). Enfim, naquele momento estava claro para mim que no jogo da sedução aquele homem não seduzia a mulher de cara amarrada. Eis que me levanto e peço licença para ela. Prontamente o rapaz tomou o lugar que eu ocupara. Rapidamente a mulher se levantou. Fiquei observando se ela desceria na mesma estação que eu, ou se realmente estava dando um fora definitivo no trabalhador cheio de necessidades ou seja lá o que for. Ela não desceu. Ficou em frente à porta. Talvez desceria na próxima estação. Pensei: É ASSIM MESMO, AMIGO. NEM SEMPRE SE GANHA. Desci. A incerteza que tive é que se o homem, ferido em sua vaidade, levantaria posteriormente para descer na mesma estação que aquela mulher. O que garante que de fato ela o rejeitava? É preciso lembrar que as mulheres, na maioria das vezes, escondem seus desejos. Falo com propriedade. Lembro-me de mulheres que se faziam rejeitar. E que depois de um bom papo deixaram todas as guardas escondidas. Não foram muitas. Na verdade foram muito poucas. O que quero dizer é que um “não” de uma mulher nem sempre é “não”. É preciso pagar para ver. Segui meu rumo. Fui direto ao encontro de minha namorada. Vale lembrar que a conheci no metrô. Certamente não foi com um olhar lascivo.



Um pouco sobre globalização

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Parte de um trabalho que fiz sobre Globalização segue abaixo. Esta parte é inteiramente minha. Espero que seja interessante para quem ler.

É necessário ressaltar os efeitos nocivos da globalização. Por exemplo, uma crise econômica na Ásia pode afetar rapidamente o mundo inteiro, como ocorreu em 1997, o que fez com que o Brasil quase “quebrasse”. Assim, as economias mundiais ficam mais vulneráveis às crises e especulações. Um outro efeito bastante nocivo é aumento do desemprego. Isto se dá em função da busca por uma produção com custos cada vez mais baixos por meio da adoção de tecnologias que cada vez mais dispensam mão-de-obra. Um automóvel hoje não é produzido sem a presença de robôs que executam tarefas complexas e minuciosas com mais eficiência que um ser humano, além de não cobrarem salários. Sem dúvida, esta é a principal característica negativa da globalização. Contudo, há uma outra que também tem um sério peso negativo. Com a globalização, as culturas locais podem se extinguir, fazendo com que o mundo se empobreça culturalmente. Tal fato pode trazer sérios prejuízos ao turismo, pois um dos motivos que faz com que uma pessoa vá visitar outra cultura é justamente a curiosidade em conhecer algo diferente. Portanto, se todas as culturas se tornarem iguais, qual será o motivo que uma pessoa terá para viajar? Que graça terá ir para um lugar igual ao seu?
Outro efeito bastante nocivo é o crescente aumento de poder das multinacionais. Neste sentido, elas impõem condições de preços e produção, por exemplo. Além disso, elas podem enfraquecer as economias, na medida em que a participação do Estado deve ser cada vez menor na regulamentação das economias. Evidentemente que uma multinacional tem como principal objetivo a defesa pelo lucro cada vez maior. Em teoria, o Estado deve defender as pessoas. Imaginemos, então, um mundo onde as multinacionais ditam as ordens. Onde chegaríamos? Evidentemente seria ilusão dizer que os Estados, nas diferentes partes do mundo, fazem o seu papel com excelência, principalmente no Brasil. De qualquer forma, os governantes, em um regime democrático, representam seu povo, e devem ser vigiados pelos seus eleitores contra interesses meramente econômicos. Neste sentido, é necessário que haja uma politização das pessoas cada vez maior para que elas tenham uma postura de enfrentamento em relação aos perigosos interesses das multinacionais. É preciso lembrar que o consumidor é um "gigante adormecido". E as empresas de todo o mundo dependem dele.



Um parágrafo. Um domingo.

domingo, novembro 13, 2005 · 1 comentários

Domingo de muito sol. Camila linda e morena. Conversa entre sogra e nora. Bom papo. Almoço simples. Convite para sair. Centro Cultural São Paulo, na Vergueiro. A opção de transporte foi o ônibus. Caminhada para o lado errado. Finalmente o destino final (não, não é final, outros destinos estão por vir). Jovens aos montes. Uns jogam xadrez. Outros, hábeis no iô-iô. Há casais também. Fila para o cinema. Não precisa pagar. Sessão das 16h. Tempo para um sorvete. Água de quinino com gelo também. Claro, muitos beijos e abraços. Fila agora para a sala de cinema. Uns 15 min. Mais uma vez nos bancos da frente. Espera para a luz apagar. Vontade de beijar (como é bom beijar!). Beijo e amassos comportados. Teatro na tela do cinema. Hamlet. Um sono que bate. Os olhos pedem para fechar. O sono é vencido. Muito carinho. Mais beijos. Finalmente o THE END. Ufa! Vontade de ir ao banheiro. Agora um lanche. Onde? Fran´s. Caro, mas é bom (será mesmo?). Um lanche com queijo e ervas. Pequeno mas delicioso. Para ela suco de amora ("vou contar pra sua mãe que você namora"). Café com caramelo. Contas divididas. Ausência de machismo. Caminhada até o shopping. Estamos na Paulista. No shopping de mesmo nome, vontade de comprar uma camisa. Antes, namorar alguns sapatos. O preço está alto, mas o gosto é exigente. E as camisas? Difícil encontrar uma que agrade totalmente. Sempre há um "defeito". Comprida demais. Gola gigante (o vendedor diz que é estilo italiano, parece mais estilo palhaço!). Na mesma loja um outro modelo de camisa quase é comprado. O senso crítico da namorada diz para não levar. AQUELA PRETA FICOU MELHOR... É ELA QUE VOU COMPRAR ENTÃO... Gosto a ser atendido e dinheiro economizado. Dificuldade de sair do shopping. Onde está a saída? Espera no ponto de ônibus. Será que o ônibus passa aqui? Na dúvida, melhor ir de metrô. Beijos e abraços. Gentileza até o lotação. Sexta tem festa (não fomos!). Até lá um pouco de saudades. Domingo que vem tem mais.



Depois da dúvida, um parágrafo para uma amiga

sábado, novembro 12, 2005 · 0 comentários

O que escrever? Confesso, não sei! Esta não é a primeira vez que me vejo nesta cilada. E eu procuro fazer esta pergunta e seguir escrevendo. Para quem sabe caminhando encontrar o caminho. Não é assim que a frase famosa nos ensina? Então quem sabe daqui a pouco eu pense em algo, mude repentinamente de assunto, deixe a minha querida amiga, que me critica por fazer isto, ainda mais indignada, se é que ela fica assim. Na verdade, creio que não. Ela fez apenas uma observação.

Este é o século da comunicação, no meu entender. Então, quem não se comunica se prejudica. E quem se comunica demais pode ir para o mesmo caminho. Eu respondi a uma afirmação de uma amiga. No momento em que escrevi não pensei estar sendo indelicado. Mas eu fui. E acabei produzindo uma resposta inesperada. Peço desculpas, minha amiga! Você está aí no Sul lutando no seu dia a dia. E a gente sempre troca gentilezas. Eu, na minha incapacidade momentânea, cometi uma indelicadeza com uma amiga tão querida. Ficam aqui as minhas desculpas. Mas peço que você não as aceite, para que eu não cometa novamente o mesmo deslize. Aprendi isto com uma pessoa que conheci. Não chegou a ser uma amiga, mas me deixou este ensinamento.
Para terminar, digo que uma mulher deve sempre ser tratada com a devida delicadeza. Mas já afirmei várias vezes que sou deveras imperfeito. Afirmo novamente...



Ainda sobre as críticas

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É sabido que cada pessoa interpreta o que vê, ouve, ou lê de acordo com seus valores e sua bagagem cultural. Neste sentido, os meus textos produzem interpretações variáveis. Evidentemente que isto é absolutamente normal em um universo com pessoas com diferentes cabeças.
Por exemplo, uma pessoa muito alto astral disse que meus textos, mesmo quando tratam de questões reais, não se tornam negativos. Tem sempre uma pitada de humor. Algo que agrada. Que não gera nenhum tipo de tristeza. Neste sentido, pensamos igual.
Contudo, já fui cobrado para colocar mais o meu humor nos textos. Na verdade, uma avaliação até positiva. Esta pessoa, uma boa amiga, crê que posso ser ainda mais alto astral nos textos, colocando mais de mim.
Evidentemente que nem todos os textos deste blog carregam a marca da alegria. Assim, posso dizer que uma amiga sulina fez uma observação bastante correta. Disse que percebe as nuances do meu humor. As quedas. E os ápices de alegria. Fato absolutamente normal.
Mas, uma pessoa disse que meus textos carregam uma mágoa da vida, uma revolta. Evidentemente que ripilo tal afirmação, amante que sou da vida. Mas é uma opinião, devo respeitá-la.
Enfim, este é mais um comentário que faço sobre as críticas. Elas são interessantes. Foram feitas por amigos ou amigas. Eu as recebi de peito aberto. Com a mesma tranqüilidade que as devolvi. Espero que todos tenham tido a mesma postura que eu. Ler. Avaliar. Concordar ou não. Sem se magoar com um argumento que possa parecer mais contundente. Afinal, criticar também é ser criticado às vezes.



Liberdade!

sexta-feira, novembro 11, 2005 · 0 comentários

Deitei-me. Uma necessidade de escrever me domina. Caneta à mão, folhas em branco e um desejo. Que desejo? Escrever, oras!
Quero aqui a liberdade para discorrer sobre o que eu bem entender. É um momento meu de liberdade. Vocês estão livres também. Para ler ou não este texto que vai ganhando corpo a cada palavra que me vem à mente.
Declarada a minha liberdade, não posso deixar de falar sobre a Camila. Não por uma obrigação. Mas sim por absoluto prazer e uma necessidade também. Porque a Camila é muito especial. Todos os meus amigos vão conhecê-la. Chegará a oportunidade. Assim como chegou a minha. E poderão ver que paz carrega esta mulher. Linda por fora. Linda por dentro. Exemplo da harmonia que tanto gosto.
Vou agora fazer um aviso. Este texto poderá ser longo. Ainda há tempo para desistir. Usar da liberdade que mencionei. Eu estou fazendo uso da minha.
Não sei se vou divagar. Nem sei se vou relatar algum fato. E este dia foi deveras importante. Tive exemplo hoje da minha imperfeição. E a certeza de meus sentimentos de carinho e admiração por um grande amigo. Pena que a gente, muitas vezes, também magoa quem a gente gosta. Devo dizer que dizer que solidariedade é fundamental. A falta dela pode trazer transtornos. E mágoas...
Mas as mágoas foram feitas para serem guardadas ou esquecidas. Fica aqui uma pergunta: É MAIS DIFÍCIL ESQUECER UMA MÁGOA DE QUEM A GENTE GOSTA?
Perdoem-me se estou sendo obscuro. É dever meu fazer isto deste modo. Um momento de resguardo. Por favor, entendam.
Hoje não vou reclamar da falta de assunto. Uma grande amiga alertou-me sobre as minhas auto-críticas. Hoje escrevo facilmente. As palavras vem uma a uma. Pedem passagem. Tenho que ser rápido. Assim é fácil errar.
Já que falei de erros, por que não falar deles? Ora, eles são normais. Não esperem a perfeição. Ela não existe. Nem mesmo na natureza!
Perdoem-me os ecologistas. A natureza realmente não é perfeita. É belíssima. Isso sim.
Bom, faço um favor a vocês. Anuncio que este é o ultimo parágrafo. Este texto passará por uma releitura minha. Só então decidirei se vou publicá-lo. Sou minha própria censura. Neste caso penso que ela é necessária. Do contrário, caros leitores, eu daria presentes a vocês como se fora um grego.
Menti (ou simplesmente me enganei?). Aquele não foi o último parágrafo. Necessito de mais um. Para que? Para falar sinceramente sobre um assunto. Sinceridade. Estou feliz, pois hoje uma pessoa muito querida por mim disse não abrir mão desse preceito. Na verdade, não me foi uma novidade. Ela sempre foi muito sincera comigo. Fica aqui a minha admiração por esta pessoa.
Pode ser que a sinceridade às vezes choque. Mas é melhor ter certezas. Assim saberá que aqueles sentimentos são verdadeiros. Sejam bons ou ruins. Saberá a verdade. Isto que importa.
Não vou mais anunciar o último parágrafo. Não que eu tenha dificuldades em me desdizer. Isto é simples fazê-lo. Se estou errado eu faço. Sinto-me livre para tanto. E nada melhor do que a liberdade. De amar. Opinar. Olhar. Criticar. Viver. Desdizer... Liberdade. Este será o título deste texto. Que aqui termina. Não há mais folhas em branco. É o fim. Agora é para valer. Foi este o último parágrafo.



A carona me prejudica intelectualmente

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Vejam só como é a vida. O benefício me traz um prejuízo. Se chego mais cedo em casa, deixo de ler o livro que gosto e preciso. Ocorre que no carro eu vou conversando (e a conversa e as companhias são ótimas), enquanto que no ônibus e no metrô eu viajaria lendo.
As pessoas poderiam me questionar com o seguinte: SE CHEGO MAIS CEDO, TENHO MAIS TEMPO PARA LER. Ocorre que em casa já não é igual, pois a cama é deveras sedutora. Ler nela induz ao sono. É quem é que não se entrega a este?
Bom, esta é mais uma peculiaridade que a vida me dá. Não nego, a carona é um grande conforto. Além de chegar mais rápido (a pressa faz parte de nossas necessidades), vou acompanhado de pessoas maravilhosas. Por todas elas guardo um grande carinho. Enfim, deixo aqui para vocês leitores o veredicto final. Continuo pegando carona?



Sou humano, não sou máquina

quinta-feira, novembro 10, 2005 · 2 comentários

Vou fazer uma confissão aqui: este é o segundo texto que escrevo em minha cama. O primeiro é deveras ruim, jogarei fora. Este não será diferente. Por isso ele sofrerá da brevidade. Hoje, minha amiga de Santos, aquele bom humor que você pede para eu colocar nos textos inexiste. Hoje o que escrever não terá belas cores. Revolto-me? Não! Que posso fazer? É assim mesmo. Não sou máquina. Sou humano.



Rapidamente

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Rapidamente. Só quero dizer. Estou no metrô. A hora zerou. Bem, é que o stress me tem. Dissabor moderno? Não creio! É que hoje estamos mais suscetíveis a ele. Na velocidade que vai a vida, vai também o trem. Não fica para trás este texto, que velozmente termina.



INCOMPETÊNCIA

quarta-feira, novembro 09, 2005 · 1 comentários

Hoje cheguei mais tarde em casa. Um contratempo na marginal. É a vida. Ninguém se aborreceu. Carros quebram. São os fatos imprevisíveis. Os mesmos que temperam a vida. E que às vezes viram um parágrafo, ainda que bastante superficial.
Se a maior parte do dia não me foi boa, terminei este mesmo dia com um humor bem melhor. Estabeleci conversas amigáveis. Estive mais próximo de pessoas que quero conhecer melhor, pois sei que estão no grupo daqueles que, já mencionados em outros textos, fazem este mundo melhor.
Agora já passa da 1h. Madrugada de segunda-feira. Sob o cobertor, escrevo um pouco. Sigo incerto onde vai dar este texto. Confesso, gostaria de escrever algo melhor. Deixar aqui uma bela mensagem. Não em busca de um elogio. Apenas fazer uma pequena colaboração para os que vão ler este texto. Se não consigo fazer isto, peço desculpas. Se a vida muitas vezes nos obriga a fazer confissões, eu confesso a minha incompetência neste momento. Incompetência para escrever. Desculpem-me.
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clique no título deste texto para ler SOU HUMANO. NÃO SOU MÁQUINA



Sobre como eu conheci a Camila

terça-feira, novembro 08, 2005 · 4 comentários

Eu deitei-me e imediatamente pensei com muita alegria em Camila. Que pessoa linda! Não apenas bela como mulher. Mas também um ser humano fantástico. É assim o mundo, feito também de pessoas que o tornam melhor de se viver.
Agora vejam só a minha grande sorte. Estava eu na estação Sé do metrô. A bela morena jambo me atraíra para próximo dela. Ali, esperando o trem, eu a observava discretamente. Hoje sei que ela percebeu. Que legal isto! Então, ao entrar no trem trocamos um olhar ao sentarmos paralelamente um pouco distantes. Demorou para que ela me olhasse novamente e trocássemos um sorriso. Após isto, tive a atitude de sentar ao lado dela. Não estávamos muito à vontade. Estressado, eu me esforçava para ser simpático. Incompetente que estava naquele momento, fui dominado pela insegurança. Camila também não estava à vontade. Seguia preocupada com uma aproximação masculina quando os relógios marcavam quase meia-noite. Descemos na mesma estação. Acompanhei Camila até o seu ponto de ônibus. Ela ficou com meus contatos de internet. Fui embora incerto que ela me escreveria. Felizmente ela o fez.
Pela internet conversamos muito. Podemos nos conhecer melhor. E nossos encantos um pelo outro foram crescendo a cada conversa. O nosso humor elevado ajudou muito nisto. A franqueza um para com o outro, sem medo de esconder interesses. Tudo muito positivo.
Foram três semanas para Camila aceitar um convite meu para sair. Compreendo que ela precisava estar segura. E isto foi ótimo. Foram fundamentais tantas conversas. Isto criou uma base para que pudéssemos iniciar uma relação. Que bom que foi assim!



Um pouco sobre política.

segunda-feira, novembro 07, 2005 · 0 comentários

Política é algo fundamental em nossas vidas. Mas, nós brasileiros, aprendemos com os próprios políticos a não gostar do assunto. Ocorre que parece que tudo é tão sujo que preferimos virar a cara. Mas isto não é bom. Favorece aos picaretas que hoje o Lula daria cheques em branco tranquilamente.
Lembro-me que tive OSPB na escola. Também tive Educação Moral e Cívica. Amava as duas matérias. Nascia ali a minha predileção por política. Algo que também aprendi a gostar com os meus irmãos.
O fato é que tenho escrito pouquíssimo sobre política. Não posso entrar no debate da questão, uma vez que não sou um estudioso do assunto. Mas tenho o direito de expressar as minhas opiniões, ainda que estejam erradas.
A atual crise política pelo qual passa o decepcionante governo Lula acentua o desprezo que a maioria dos brasileiros têm pela questão aqui tratada. Isto é grave. Oportunistas (e são muitos) vão se beneficiar. O descrédito pode fazer brotar votos para populistas de plantão. Tem um aí que está de olho. Não direi o nome. Mas ele de garoto não tem nada.
Em face da crise, penso que as eleições presidenciais de 2006 serão sangrentas. PT e PSDB vão se degladiar nas telas. Aos demais candidatos bastará deixar que os dois principais partidos no Brasil minem suas próprias possibilidades de uma eventual vitória. Mas, se qualquer um dos dois ganhar, o que teremos é apenas mais do mesmo.
Termino aqui com uma pergunta. Caso o Lula não posso ser candidato, está possibilidade é real, embora as elites não queiram arrancá-lo do poder, uma vez que Lula presta um bom serviço a elas, quem será o candidato do PT? Isso se o PT puder ter candidatos, pois corre o risco de perder o seu registro (que vexame!) em função do suposto envio de dinheiro de Cuba para a campanha de Lula. Se isto for verdade não me impressionará. O pragmatismo do Campo Majoritário (ala que domina e afunda o PT) não tem limites. É tudo pelo poder. Perdê-lo jamais! (acabei me estendendo).



Tem sentido?

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São quase 5h da manhã de segunda-feira. O sono se foi. Onde será que ele está? E os sonhos que ia ter? Não os terei mais? Serão outros sonhos? Nunca vou saber!
Após escrever sobre meu belo encontro com a Camila Mendonça, resolvi escrever algo. Mas confesso que não vejo muitas possibilidades em conseguir fazer isto com êxito. Parece que as palavras fugiram com os sonhos. E agora como vou recuperar a ambos?
Uma amiga reclama que mudo de assunto repentinamente. Descobri que isto é um estilo que tenho. De maneira que uso desse recurso para falar de algo que me ocorreu antes de deitar-me. Leiam o parágrafo seguinte...
É sobre mentiras que falo agora. Vou ilustrar um fato. É rápido. Ocorre que na quinta-feira passada resolvi me vestir melhor para o trabalho. Uma colega então perguntou aonde eu iria. Respondi: NAMORAR UM POUCO. Aquilo dito por mim não era uma verdade. Uma mentira que precisou de apenas algumas horas para se tornar, parcialmente, uma verdade. Vamos ver se eu consigo explicar. Talvez eu me perca.
Ocorre que, até aquele momento eu não tinha uma namorada. Então eram duas mentiras. Eu não ia namorar e namorada eu não tinha. Eis que no domingo eu peço uma bela morena jambo em namoro e ela aceita (claro que já vínhamos nos conhecendo, conversando, não foi nada de súbito). Portanto, uma mentira foi extinta. Ela só precisou de algumas horas para acontecer. É isso que estou tentando dizer (e creio que não esteja conseguindo), a mentira, muitas vezes, só precisa de um tempo para se tornar uma verdade. É isso! Só isso! Será que tem sentido?



Pedido de namoro antes de beijar (primeira vez!)

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Domingo. 16h. Pontualmente, encontrei Camila no metrô Tucuruvi (amo a pontualidade!). Havíamos combinado de ir ao CINESESC. Já na Augusta, resolvemos entrar no Espaço Cultural Unibanco. Não sabíamos em qual número da Augusta ficava a primeira opção. Da próxima vez anotamos o endereço corretamente.
Antes do filme, café, papo e carícias nas mãos. Nossos olhares se encontravam. Trocávamos elogios. Sorríamos satisfeitos com as nossas presenças. O momento era demais agradável. Camila me encantava...
Num dado momento, não me lembro o que dissemos um ao outro, intencionei um beijo. Camila recusou-me seus lábios e me deu sua face. Percebi que me precipitara. Mas guardava comigo a certeza de nossos desejos um pelo outro...
Tranqüilos, nos dirigimos ao outro Café do cinema. A fome me seduzia. Camila fazia o mesmo com seus modos singelos, tranqüilos e verdadeiros.
Eu a tocava muito. Ela gostava dos meus modos carinhosos. Após comer algo, sugeri uma caminhada depois que comprássemos os ingressos. Curioso como estávamos nos esquecendo deste último detalhe...
Não fomos longe. Do outro lado da Augusta, flores, bancos, lojas e romantismo. Em meio à arquitetura colorida, fitávamos um ao outro. Ali, naquele banco laranja, declaramos nossas intenções. Pedi Camila em namoro. Sem rodeios ela aceitou o meu pedido. Olhei para seus lábios e pedi um beijo. Ela confessou estar envergonhada. Embora charmosa, não fazia uso de seu charme naquele momento. Era vergonha mesmo. Coube a mim dar um jeito. Finalmente nossos lábios se encontraram. Nunca houvera pedido em namoro uma mulher antes de beijá-la. Vai que o beijo não é bom! Não foi o caso. Felizmente a química do beijo foi maravilhosa. E o romantismo, coisa que gosto muito, estava presente. Camila e eu estamos namorando...



Sapato justo, Cuba, Gazetinha, Café, Bom papo...

domingo, novembro 06, 2005 · 0 comentários

O sapato justo causava-me dores. Dirigia-me para um encontro com uma amiga. Resolvera que ao chegar à Paulista compraria um novo par de sapatos, embora o que eu usava era belo e novo. Aprendi que devemos optar pelo conforto em detrimento da beleza.
Cheguei atrasado. Fato raríssimo. Gosto de ser pontual. Mas ontem falhei. Como eu já disse, não sou perfeito.
M. estava em frente à farmácia. Não vi que era ela. Eu passava de cabeça baixa rumo ao local onde havíamos marcado. Fomos até à loja mais perto. O atendimento falho fez-me desistir da compra. J. sabe como sou exigente.
No Shopping Paulista o filme, o único que nos interessava, começara a 20min. Fomos para o Gazetinha. Local agradável. Classe média presente. Cinema e alimentação. Tudo muito bom. Na tela, HABANA BLUES. Um filme cubano. Razoavelmente bom. Muita música e dramas nativos.
No café M. falou mais sobre seu atual conflito. Ela carrega dúvidas no coração. O cara é quase tudo o que ela procura. Mas há dois fatores que a desanimam. Aqui um pensamento: não adianta cerrar os olhos para os defeitos, eles vão se manifestar cedo ou tarde. Aprendi isto com o tempo. Hoje tento não me enganar sobre este aspecto. Não cometo mais aquele engano de dizer EU PASSO POR CIMA DISTO. A vida, as experiências que somamos, nos ajuda a ser mais sinceros com a gente mesmo. M. conseguirá. Não sei se agora. Ela é muito nova. O tempo a ensinará. Cheia de dúvidas, ela não sabe o que fazer. São desafios que a vida nos traz. E ela não se esquece de ninguém. Eu acho isto magnífico. O show da vida é fantástico. Que bom como ela é!



Vão dizer que é carência (de fato é!)

sábado, novembro 05, 2005 · 1 comentários

Eu estava no coletivo. Olhava pela janela e pensava na necessidade de escrever algo ainda hoje. Daí peguei-me cobrando tal tarefa. Questionava-me que tinha escrito pouco nesta semana. Então iniciei um texto. Mentalizei. Juntei letras. Formei palavras. Com estas, frases e orações ao final. Evidentemente que agora escrevo outro texto. Pouco me lembro do que criei em minha mente. Na verdade foram uns quatro ou cinco textos. Nenhum deles eu terminei. Espero que aqui eu chegue a um final. E que seja interessante.
Ali, no coletivo, eu via pessoas. Não nego que naquele momento eu me sentia carente. A verdade é que eu necessitava de atenção feminina. Mas o estress deixava meu semblante não muito atraente. Não havia o brilho que meus olhos tinham a algumas horas atrás. Então eu pensava comigo que era melhor recolher meus olhares para com as mulheres. Contudo, carente que estava, segui na empreitada. Então, uma bela mulher de pele alva sentou no banco da frente. Confesso que reparei apenas no corpo dela. Minha carência não era afetiva, apenas sexual, percebi. Logo ela se levantou para se dirigir à porta de saída. Então ficou em pé em minha frente. Olhei. Perdoem-me mulheres! Olhei apenas para o corpo dela. Ao final de minha avaliação, olhei para o seu rosto. Ela me desdenhava. Mulheres não gostam de ser apenas desejadas pelo corpo. Ou se gostam, disfarçam.
Segui viagem rumo a minha casa. Próximo ao ponto, fui também em direção à saída do coletivo. Estressado, olhava para o chão. Não estava para conversa. Ao passar pela roleta, vi que uma mulher me olhava. Era a bela moça de a pouco. Ela não havia descido. Olhou-me com seus belos olhos verdes. Um rosto bonito. Uma beleza um tanto exótica.
Resolvi que não olharia mais para ela. Aqui uma contradição feminina. Parece que ela gostou de ter sido observada apenas em seu corpo. Dei uma ultima olhada. Nossos olhos se encontraram. Ela baixou a cabeça e mirou o olhar esverdeado em seu livro. Depreendi que aquele era o seu último olhar para mim naquela noite. Desci do ônibus. Ainda olhei para ver se ela me olhava. O ônibus passou e se foi. O último olhar fora de fato o que já mencionei.



Não é ironia!

sexta-feira, novembro 04, 2005 · 3 comentários

Rapidamente. O tempo que tenho é curto. É a vida moderna. Enfim, uma amiga pediu-me para colocar meu humor nos textos. Outra disse que estou cheio de mágoas, revoltado com a vida. Um outro levantou uma contradição minha sobre relacionamentos. Todos me elogiaram, devo dizer. Obrigado a vocês! Não apenas pelos elogios, pois eu amo as críticas. Não é ironia! Elas nos fazem conhecer melhor os nossos amigos. Ajudam-nos a crescer. São necessárias. Preciso delas. Eu as quero! Obrigado, meus amigos! Todas as críticas foram feitas de modo inteligente e verdadeiro. Não me senti julgado por nenhum de vocês, fiquem tranquilos. Termino dizendo que este espaço não é só meu, é de todos. Inclusive dos que me criticam.



E-mail para uma amiga (na verdade, um devaneio)

quarta-feira, novembro 02, 2005 · 2 comentários

Faz frio. Eu prefiro o calor. Mas as diferenças devem ser aceitas. A natureza não é de todo igual. A vida a imita. E se a mesmice fizesse parte do nosso dia, morreríamos de tédio. É claro que repetimos tarefas. Tomamos os mesmos caminhos. Mas os fatos se sucedem de modo diferente. As pessoas no trânsito são sempre outras (será que só eu estou a caminho?) Não, cada um faz o seu horário. Mas eu sei que as pessoas têm horários iguais. Cada grupo no seu. Mas então por que as pessoas nos coletivos não se repetem. Porque eu estou lá todos os dias no mesmo horário. Outros também deveriam estar. Onde eles estão?

Quanto devaneio! Perdoe. Não vou mais aborrecê-la. Fico com as minhas dúvidas sobre se este texto faz sentido. Fique tranqüila, estou bem.

Um grande beijo!



Quem não percebe se dá mal!

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O rapaz cumprimenta-me com o seu sorriso amarelo. O outro bate em minhas costas. Eu me mantenho diplomático. Não faço festa com os gestos deles. Guardo comigo minhas certezas.
O fato é que as pessoas expressam de alguma forma o que elas são e sentem. Estes dois rapazes são apenas exemplos de pessoas que eu sei que não gostam de mim e que eu pouco gosto. Na verdade, eles se enquadram naquele grupo que já mencionei em outros textos: pessoas que não se amam. A vida deles não está boa. Não os condeno. Espero que virem a mesa.
O que eu quero dizer é que é fantástica a nossa capacidade de sentir em quem a gente pode confiar ou não. Porque aquelas pessoas que tem algo bom dentro de si exalam bondade. O mesmo ocorre com os que por dentro são trevas.
As peculiaridades dos seres humanos muito me agradam. Fico feliz com a nossa capacidade de percepção. Quem não tem se engana. E se dá mal!



Aos amigos

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Uma pessoa que conheço não acredita na amizade verdadeira entre as pessoas. Leva consigo a desconfiança mineira. Eu, embora tenha nascido no mesmo estado que ela, penso absolutamente diferente. E isto se dá por um simples fato: eu tenho amigos de verdade. Evidentemente que é um grupo reduzido. Mas eles existem, e eu os amo.
Essas pessoas primam pelo bom caráter, preceito que não abro mão. Posso até abrir mão de outros, mas sobre o preceito mencionado no início deste parágrafo é impossível fazê-lo. E meus amigos, os poucos que tenho, se é que são poucos de fato, depende da referência, são de excelente caráter. Não vou mencionar nome algum aqui, vai que eu me olvide de algum deles. Como me desculpar depois?
Amizade é para mim o sentimento mais belo que há. Porque ele é descompromissado. Não há interesses. Podem até me criticar dizendo que o amor entre dois amantes é que é mais belo. Mas este, embora belíssimo, carrega interesses. Entre amigos também há trocas. Mas muito diminutas perto da troca entre dois amantes. O fato é que são dois belíssimos sentimentos. E o que escrevo aqui não tomo como uma verdade absoluta. Dou-me o direito à possibilidade de mudar de opinião.
E os meus amigos são belas pessoas. Como é bom tê-los! E como é bom ser seletivo! E eu demonstro meu carinho por eles. Demonstro meus sentimentos. Todos eles sabem que os tenho em meu coração. São tratados por mim com o devido carinho e com a mais devida ainda justeza. Eu sou carinhoso, mas antes de tudo, sou justo. E sobre isto preciso de outro texto. Mas isto fica para outro dia.
Termino aqui. Deixo aqui esta pequena homenagem aos meus amigos. Alguns vão ler este texto. Certamente vão se identificar. Devo dizer que amo vocês!



Repetitivo como a vida

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Mais uma vez eu me indago sobre o que escrever. Já estou repetitivo. Imito a vida. Pois ela é assim, uma sucessão de fatos que se repetem. Hoje escrevo. Fiz isto ontem. Amanhã, possivelmente, estarei novamente expelindo palavras que fervem dentro de mim. Porque minha alma é assim, sensível e necessitada de palavras. Ouvir e dizer. Ler e escrever. Então, obediente que sou, escrevo. É a minha forma de dizer. Mas sinto que a frustração está aqui ao meu lado. Pois necessito dizer um não sei o que. E este "o que" não sai. Em meio às palavras, busco suprir esta necessidade. Sinto que não consigo, que não conseguirei. O jeito, então, é entregar os pontos. Calar-me. Deixar para outro dia (mas outro dia serão outros sentimentos). E dormir com esta frustração. Esta angústia. É assim a vida. Nem sempre a gente ganha. Normal.



Nem sempre é possível realizar nossos desejos

segunda-feira, outubro 31, 2005 · 1 comentários

Ao sentar-me sobre a cama, pronto para uma leitura antes de dormir, deparei-me com algumas folhas em branco sobre a escrivaninha. Então, um desejo de preenchê-las com conjuntos de palavras tomou conta de mim fortemente. As palavras que tenho são poucas. Carregam consigo a minha simplicidade. Aos mais eruditos, peço minhas desculpas. Mas devo dizer que escrevo com a sensibilidade que vai dentro de mim. E espero fazê-lo de modo verdadeiro e competente. Assim o faço. Dou alimento a este desejo. É muito de mim ser assim. Dou-me o prazer de realizar os meus desejos. Este já está realizado, mesmo que de forma muito simples. Lembrando que nem todos os desejos são possíveis atender. E isto não me frustra. É a vida. Que bom que é assim!



Um pouco sobre relacionamentos

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Pouco, muito pouco...
Quando a gente atinge a idade madura nos tornamos mais seletivos na busca por um parceiro. Avaliamos os comportamentos do nosso pretendente, ficamos atentos a detalhes. E, ao menor vacilo, apertamos a tecla "delete", para usar um termo moderno.
O oposto ocorre quando somos imaturos e ansiosos por estar com alguém. A carência chega do nosso lado e diz: ELA(E) SERVE, VAI LÁ! E em busca da conquista, lá vamos nós errantes nos caminhos do amor...

Agora falo de mim. Uso-me como exemplo. Dou a cara a tapas. Os que são perfeitos, não deixem a pedra no bolso. Mas permitam-me dizer sobre mim, me dêem este direito. Para tanto, necessito de um novo parágrafo. Obrigado.

Eu sou um homem deveras detalhista. Observador, fico atento a gestos e atitudes. Sou rápido na decisão. Quando vejo que é jogo perdido, súbito tiro meu time de campo. Hoje, sigo tranqüilo. Convivo com muitas mulheres. Vejo as que me são belas. Não desconsidero as que não agradam aos meus olhos por completo. Às vezes até abro mão de um preceito meu. Permito-me conhecer aquela mulher que possui algo que não me agrada tanto. Todos temos defeitos. Eu tenho os meus. Com o tempo sublimamos os defeitos alheios. Não vou dizer aqui a mulher que me agrada. Mas, na busca pela harmonia, não nego que amo a harmonia entre beleza exterior e interior. Lembrando que beleza é algo absolutamente subjetivo. Isto que eu disse, evidentemente, é só um pouco de mim. Assim eu sigo. Muito tranqüilo. Seletivo também. Mas não radical. Até abro mão de preceitos.



A atendente, um pouco de burocracia e libido masculina

domingo, outubro 30, 2005 · 0 comentários

Manhã de sábado. 7h30min. Chego ao laboratório. Exame de sangue. A atendente sorri com satisfação e simpatia. Olho para ela e inicio um processo voraz de avaliação. Devo dizer que é a segunda que vez que tenho contato com ela. Durante o meu processo, não me convenço da beleza de suas mãos. Poderiam ser mais delicadas. Mas não deixo de gostar das unhas bem feitas com flores as enfeitando. Muito delicado. A beleza de seu rosto simpático também não me convence. Mas seu sorriso é lindo e verdadeiro. Ela fazia os processos burocráticos do atendimento. Levanta-se e vai até a impressora. Fica de costas para mim. Meu olhar segue avaliativo. Neste momento sou convencido de que ela é uma mulher interessante. Percebo que ela olha para o vidro espelhado com o propósito de vigiar meu olhar. Não necessariamente que ela estivesse interessada em mim. Penso que se tratava muito mais de sua vaidade falando. Penso comigo que aquela imagem feminina, ali em pé e de costas, em meio à burocracia da empresa, convenceria a quase todos os homens.
Eis que ela deixa o balcão em direção à sala de exames. Meus olhos permanecem avaliativos. Quando ela retorna, ficamos frente a frente. Sou discreto. Tomo minha água e agradeço a atenção. Dirijo-me então à profissional que subtrairá o meu sangue. Outro processo avaliativo se inicia. Minha libido está alta. Desta vez nenhum processo burocrático tiraria minhas conclusões negativas. Feito o exame, sigo rumo às minhas obrigações, não sem antes me despedir da atendente do balcão. Ela dá-me como presente um último sorriso. Vou embora tranqüilo. É no metrô que escrevo este texto.



Quem devemos amar primeiro para amar?

quinta-feira, outubro 27, 2005 · 0 comentários

O que todo ser humano busca é a felicidade. Isto não é nenhuma novidade, tampouco uma grande descoberta de minha parte. Nesta grande busca, cada qual segue os caminhos que vão surgindo. Outros, os mais competentes, vão criando seus próprios caminhos, semeando oportunidades...

A busca pela felicidade se está em questões materiais é medíocre. Se o que afirmo é deveras pesado, peço desculpas. Todavia, devo dizer que não há maior felicidade que a de amar.

E o amor primeiro deve ser o amor próprio. Este dá à vida outro significado. Nos coloca em uma bela condição de aceitar e amar as outras pessoas de modo gratuito. Portanto, a premissa maior é simples: não se pode amar outra pessoa em primeiro lugar que não você!



Devo optar pelo caminho dos erros?

terça-feira, outubro 25, 2005 · 1 comentários

Estou resfriado. Hoje o ânimo caiu um pouco. Senti-me um tanto ansioso. Assim mesmo, os momentos de alegria prevaleceram.
A vida é assim, jamais linear. Em tempos passados eu não admitia essa imperfeição. Aprendi que isto é necessário. Se a vida fosse uma mesmice, pouco aprenderíamos.
Em momentos mais silenciosos a gente olha para dentro e busca explicações. É um momento de auto-conhecimento. Todavia, penso que as experiências é que de fato nos levam à iluminação. Especialmente os fatos crivados pelos erros. E, em se tratando de erros, devo dizer que tenho os meus. No passado eles foram em maior número. Hoje, são poucos. Deste modo, pelo o que aqui foi dito, estou prejudicando o meu auto-conhecimento. Devo então optar pelo caminho dos erros? Ou desprezar o que aqui escrevi sobre crescer com os erros? Não sei, confesso. Na dúvida, nada farei.



Relato de um momento

domingo, outubro 23, 2005 · 0 comentários

Neste momento estou no trabalho. Em frente ao computador, eu sigo tranquilo. O vidro que me separa do estúdio delata a bagunça de alunos de Propaganda e Marketing enquanto fotografam. Enquanto tudo ocorre, eu aqui, eles lá, ouço a música que toca os meus ouvidos: MPB.

A tranquilidade segue comigo. Sinto=me seguro e confiante. Assim tem sido os meus dias. Assim tem sido meus desempenhos em todos os setores de minha vida. Sim, a vida é feita de setores. Temos de administrá-los um a um. A incompetência nos fazer cair em crise. A solução muitas vezes pode ser demorada. Cada caso é um caso. Perdoa o clichê. Eu também faço uso deles...

Neste momento sou interrompido. Uma funcionária procurando um colega de trabalho. Mal informado que estou, não sei onde ele está. A tratei com a devida educação. Não importa se pouco confio nela.

Educação é algo interessante. Como é mais fácil a vida para os bem educados! As pessoas gentis, que carregam um sorriso no rosto, tem na vida mais facilidades. E falo de um sorriso que vem lá da alma. Este sim faz bem para quem sorri e para quem recebe o sorriso.

Escrevo sem rumo, confesso. Sigo incerto se este é um bom texto. Modéstia muitas vezes é falsidade. Não é o caso aqui. Estou tranquilo. E sincero, muito sincero. Seguro também.



Nada (e chato)

sábado, outubro 22, 2005 · 1 comentários

Nada é o que tenho agora para dizer. Eu não faço a menor idéia sobre o que escrever. Estou incompetente. Será o cansaço? Não sei. Agora a pouco tentei escrever um texto sobre fatos meus e de uma mulher que reencontrei. Apaguei tudo. Pintei o muro de cinza.
Agora sigo sem nada para dizer. Vou tentando estender o texto com palavras ao léu. Um texto oco. Que não tocará as almas mais sensíveis. Pode se dizer que é um texto bastante negativo, posto que o que faço aqui é só reclamar da minha falta de imaginação.
A verdade é que reclamar é coisa que praticamente não faço no meu dia a dia. Quem me conhece sabe disto. Gosto, e isto é natural em mim, de ser positivo, alto astral. Aqui no blog eu sou um pouco de tudo de mim. Escrevo o que sinto. Talvez este espaço seja o único que eu me permita reclamar. Então será que também fujo um pouco de mim? Ou será que eu aqui sou o meu eu completo? Será que sou chato assim? Não, não creio. Melhor parar. Estou chato demais. Perdoem.



O SHOPPING E O FORA

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As araras da loja ofertavam diversas roupas. Os sapatos eram os mais desejados por Pamela. O meu desejo, naquele momento, era apenas ela. Fortemente atraído, tive ímpeto em agarrá-la. Não o fiz, respeitoso que sou. Entre abraços, beijos e olhares, eu deixava claro minhas intenções.
Exausto em ver roupas, supliquei para sair da loja (eu não suportava mais ficar ali!). Mas antes de sair, ela levou-me ao setor de lingeries. Neste momento meu desejo havia diminuído. Cheguei até mesmo a rejeitá-la.
Fomos para o café de braços dados. Estávamos assim praticamente todo o tempo. Pedi um pão-de-queijo e um expressso com espuma de leite. O atendente, com quase nenhuma simpatia, não deu a mínima para a espuma. Cordial que sou, apenas lamentei, não reclamei. Se depender de mim, o mundo não vai para a frente.
Sentamos frente a um espelho. Pamela pediu-me para que eu ficasse mais próximo dela. Eu já não tinha mais certeza de que ela me queria. Assim mesmo arrisquei algumas palavras incisivas. Não me recordo o que disse. Sei apenas que ela me fez negativas. Reagi bem. Fui entendedor. Ela confessou que houvera me desejado. Mas percebeu que se ficasse comigo seria apenas para vingar-se do ex-namorado. Hoje, seus sentimentos por mim são apenas de amigo. Ela tem por mim um grande carinho. Diz que eu sou um dos responsáveis por hoje ela estar melhor. Eu dei atenção para ela num momento em que estava muito abalada sentimentalmente. Fiquei feliz em saber isto. Confessei também que eu tinha tido um interesse por ela. Depois ele se foi e havia voltado naquele dia. Não sei o que ela depreendeu de minha fala. Eu revelei que um dos motivos era porque somos da mesma classe e isto me incomoda, posto que minha liberdade eu não quero perder. Mas eu não me fiz de vencido. Ao longo de sua permanência ao meu lado, tentei diversas vezes arrancar um beijo. Estávamos na última vitrine. Livraria. Senti-me atraído novamente. Tentei encostar-me nela. Esperta, ela se afastou. Fui cortêz e respeitei. Sei que às vezes nós homens precisamos ser audazes, mas só faço isto com plena certeza de que a mulher me quer.
No ônibus, tornei-me mais audacioso. Entre abraços, eu procurava seus lábios. Ela ria e se protegia. O momento era engraçado. Eu persistia. Eis que ela alertou-me que o meu ponto era este. Salva por um ponto de ônibus. Vencido pelo mesmo ponto. Dei um beijo em seu rosto e fui-me. Pamela tornara-se mais interessante para mim...



O outro lado

sexta-feira, outubro 21, 2005 · 3 comentários

Falarei brevemente de uma experiência negativa que eu tive e procurarei terminar este texto de uma forma positiva, posto que este é um preceito deste blog, sem contudo ser uma obrigação.
Inicio com uma constatação: as pessoas que estão no mesmo barco nem sempre se ajudam. Constatei isto durante os cerca de cinco anos que estive naquela empresa. Lá observei o quanto é nocivo a convivência sem união entre as pessoas.
Diante de um ambiente opressor, cheio de proibições e um profundo desprezo do empregador para com os empregados, era-me estranho que os oprimidos não se unissem em busca de algo melhor para todos. A explicação é simples: o medo de perder o emprego. Era cada um por si. Isto se dava por dois motivos: má qualificação profissional e o alto índice de desemprego. Este último fator fazia do patrão senhor da situação.
Diante do quadro exposto acima, o que se tinha era um ambiente de absoluto individualismo e de franco não-amor. Confiar um no outro era tarefa difícil. A baixa auto-estima das pessoas colaborava para a falta de bons sentimentos para com o colega de trabalho. É fato que uma pessoa que não se ama, não ama o próximo.
Eu devo dizer que não tínhamos uma casta de bandidos. Ocorre que todos ali eram frutos de suas mentes, manipuladas pelo sistema da empresa e pelos respectivos históricos de vida.
Se a experiência foi bastante negativa, retirei dali lições que hoje me são úteis. Aprendi a como não ser como pessoa. Senti o quanto é necessário o amor e a união entre as pessoas. Para mim, uma empresa, ao contratar, deve prezar pelo caráter e auto-estima dos candidatos. O indivíduo que ama a si e aos demais produz mais e melhor. Além disso, contribui para um ambiente saudável.
As empresas devem adotar o conceito de fazer líderes as pessoas de bem com a vida. Elas fazem o mundo alheio muito melhor.
Passados os cinco anos de angústia (que hoje percebo que foram uma escola, ainda que cruel) eu me felicito por hoje estar trabalhando em meio à pessoas de bem com a vida (com as devidas exceções), boa parte delas de excelente caráter. Agora estou conhecendo o outro lado. Atravessei a rua. Eu só tenho a agradecer e sorrir feliz em saber que neste mundo há pessoas belas de se conviver. Não citarei nomes. Mas devo dizer que algumas delas vão ler este texto. Para vocês o meu muito obrigado.



Onde estão os caras?

quarta-feira, outubro 19, 2005 · 0 comentários

Por que será que os chamados "caras-pintadas" não estão nas ruas deste Brasil injusto se manifestando diante de tantas denúncias de corrupção? Será que na época do governo Collor a roubalheira era mais escandalizante? Não importa! Corrupção, independente do quanto se rouba, deve ser punida com rigor absolutamente severo. Chega de engravatados corruptos com seus carros importados, tratando a desigualdade social no Brasil com total indiferença!Os "caras-pintadas" sumiram. As caras estão limpas e silenciosas. Cada um lava as mãos e se mantém alheio à atual crise política que infesta o Congresso e o Planalto.Nas rodinhas de estudantes (excetuando uma vez no ônibus, quando duas alunas da USP criticavam a guinada à direita do governo Lula) não ouço nada a respeito do suposto mensalão, por exemplo. O que escuto sobre política são afirmações preconceituosas contra origem do atual presidente. Ou, então, e-mails sarristas contra o Lula. Alguns até são engraçados. Mas a maioria carrega a marca do preconceito contra pobres, nordestinos e pessoas pouco letradas.A crise política é grave. Os escândalos verificados têm origem em governos passados. Não é de hoje que o Brasil vem sendo assaltado. E o ontem está muito longe. Assim mesmo, os caras estão com as caras limpas. Isto não é bom para o Brasil. Urge que a juventude se lambuze de cores e vá para as ruas exigir uma reforma política séria e profunda, a fim de findar com os mecanismos armados para assaltar o Brasil. Vamos desarmar estas pessoas já!



13

domingo, outubro 16, 2005 · 1 comentários

Chego ao trabalho e cumprimento as pessoas. Alguns são mais receptivos. Eu também vario um pouco na simpatia, muito embora eu tente manter um padrão. Mas não sou máquina, e sou deveras imperfeito...
Prossigo em direção a minha sala. Eis que no meu caminho surge aquele 13 de cada dia. Percebo que se eu não me esforçar novamente, ele não vai me cumprimentar. A verdade é que nem todo dia eu estou esforçado. De maneira que nem sempre eu suplico o seu cumprimento.
Alguns podem dizer que se o 13 não me cumprimenta é pelo simples fato de ele não gostar de mim. Mas, observador que sou, sei que ele é assim com muitos outros colegas de trabalho. A sua deficiência no cumprimento em relação a minha pessoa poderia ser explicada por eu ser novo na empresa. Contudo, há um fato surpreendente que me faz jogar fora este argumento.
Ocorre que o rapaz que eu acuso de 13 (sou réu confesso) me enviou um convite para ser seu amigo no Orkut. Fiquei estarrecido! Pô, o cara não fala comigo e só me cumprimenta se eu o lembrar que nos conhecemos, que já nos vimos, trocamos saudações, e ele me acrescenta no Orkut! Contrariado, aceitei o início de nossa amizade virtual, diplomático que sou.
Passado alguns dias, o 13 vira meu fã no Orkut (há uma opção deste tipo no Orkut; você pode se declarar fã de algumas pessoas escolhidas "criteriosamente"). Quando vi que ele era meu fã, não acreditei. Comentei com os amigos que trabalham comigo. Eles desacreditaram e riram.
Não se passaram muitos dias e eu descobri que fora uma amiga nossa que fizera a página do rapaz no Orkut. Daí ela fez amigos dele todos os seus amigos. E com os fãns não foi diferente. Fato explicado. O rapaz então é mais 13 do que pensei...
Bom, talvez algumas pessoas ainda não tenham entendido o que significa o termo "treze", que eu gosto de representar pelos números 1 e 3. Mas eu não vou dizer um dos significados que conheço. Digo apenas que nada tem a ver com ser petista. Espero que os fatos narrados nos parágrafos que antecedem a este expliquem muito bem...
Esta história também foi escrita no mesmo ônibus para Santo Amaro em que escrevi outro texto: SEM PAUTA. No mesmo sábado de calor que não desagrada. Enquanto escrevia, fantasiava que a morena ao lado me olhava com admiração por me ver escrever. Era meu lado 13 falando...



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Jornalista de formação. Cronista o tempo todo.

Histórico do blog

Opiniões&Crônicas surgiu em outubro de 2005. Uma sugestão de um grande amigo do autor, o fotógrafo Alan Davis. O nome não foi difícil escolher. A intenção era tecer textos que fossem mais opinativos. Mas ele acabou se caracterizando pelas crônicas.Uma vez ao ano o blog entre em férias. Exatos 30 dias em que alguns leitores navegam pelos arquivos.Antes de completar seu primeiro ano de vida, Opiniões&Crônicas passou por grave crise. Aventou-se a possibilidade de extingui-lo. Textos se escassearam. Como em quase todas as crises, serviu de fortalecimento, que voltou com força total. Agora, segue em sua melhor fase.Os textos em espanhol surgiram como uma forma de praticar o idioma. Algumas vezes o autor lança mão da língua hermana, sobretudo quando os textos são de caráter mais íntimo.Foi após o primeiro ano que o blog passou a ter o que sempre desejou: uma revisora. Profissional compente, formada em Letras, Lilian Guimarães abraçou a causa com a alma. Sua identificação foi imediata. E a sintonia entre revisora e autor é perfeita. Lilian agora é parte integrante do blog.Há leitores que possuem uma designação diferenciada. São os leitores-colaboradores. Atentos, dão dicas e apontam as falhas. Também tecem elogios e fazem torcida por novos textos. Eles são imprescindíveis para o seguir deste sincero blog.
O blog tem anseios. Objetivos. Segue ganhando leitores. Perdendo alguns. Possui uma comunidade no blog feita pelo noivo de uma amiga. E deseja caminhar sem procurar caminhos. Gosta de fazê-lo caminhando.

O mundo dos livros-Por Adalton César

Adalton César, economista, é um amante dos livros. Possuidor de uma biblioteca que não deixa de crescer, é orientador literário do autor deste blog. Opiniões&Crônicas o convidou para e a seção O mundo dos Livros. Aqui, comentários sobre Literatura, bem como indicações de livros. Este blog entende que ler é algo imprescindível. E que não dá para viver sem as palavras dos grandes autores.

Adalton indica

A Divina Comédia de Dante Alighieri (a primeira parte - O Inferno - é indispensável. O termo "divina" foi dado por Petrarca ao ler o livro).A odisséia de Homero (para alguns, o início da literatura)As aventuras do Sr. Pickwick de Charles Dickens (interessante e engraçadíssimo livro do maior retratista da Inglaterra dos anos da Revolução Industrial)consciência de Zeno de Italo Svevo (belíssima análise psicológica)Dom Quixote de Miguel de Cervantes (poético, engraçado, crítico; livro inigualável)Em busca do tempo perdido de Marcel Proust (considerado um livro difícil por alguns, mas uma das mais belas obras da literatura que conheço)Grande sertão: veredas de João Guimarães Rosa (não é sobre Minas ou sobre o sertão, é um livro sobre o mundo)O processo de Franz Kafka (sufocante, instigante, revoltante)Os irmãos Karamazov de Dostoiévski (soberbo)

"Em busca do tempo perdido"-Comentário de Adalton Cesar

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável. Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Expediente - Conselho Editorial

Conselho
Adelcir Oliveira
Alan Davis



Revisão de textos
Adelcir Oliveira


Ex-revisores
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Adalton César
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